Politica & Mulher
PSB promove debate em torno da participação feminina na política
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PSB quer capacitar segmentos para novos cenários 

Nos últimos fins de semana, o PSB promoveu um ciclo de cursos e debates e, no último sábado, 23, o tema enfocou a participação feminina na política. Na programação, a advogada Valdilene Martins, vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, tratou de feminismo e participação política, e a advogada Ana Menezes, das novas regras eleitorais e participação da mulher nas eleições de 2020.

O encontro foi o último dos três sábados do “Curso Integrado de formação política dos Segmentos Organizados do PSB”, que ocorreu nos dias 9, 16 e 23 de novembro, e é uma iniciativa da Fundação João Mangabeira - FJM -, braço jovem do partido, em parceria com os segmentos partidários: Secretaria de Mulheres do PSB, Juventude Socialista Brasileira, LGBT Socialista, Negritude Socialista e Movimento Popular.

Também houve grupos de trabalho para sistematizar propostas voltadas ao crescimento dos segmentos do partido, eleições 2020, autorreforma do PSB e propostas para o “Pensar Cidades”, ação que a Fundação iniciará ainda em dezembro.

“Promovemos a formação política de maneira integrada, dialogando sobre temas transversais. Além da participação da mulher na política, tratamos também nos sábados anteriores sobre racismo estrutural e ocupação de espaços de poder”, afirma a advogada Niully Nayara Santana Campos, que preside a Fundação.

Niully Campos acredita que é fundamental para o avanço da democracia promover a participação igualitária da mulher nos espaços de representação. “Apesar dos avanços da luta feminista, ainda estamos muito longe de garantir equidade. Por isso, é fundamental dialogar sobre o tema, promover formação política das mulheres, ouvir delas quais as principais dificuldades para a disputa e garantir condições para que as mulheres participem do processo com chance real de vitória”, afirma.

De acordo com ela, os partidos precisam fomentar a participação da mulher como prática cotidiana, e não somente em véspera de eleição para cumprir a cota legal. “Temos avançado, isso é fato. Tanto no executivo quanto no legislativo, o número de candidatas eleitas tem aumentado. Sem dúvida, fruto de muita luta e do avanço da legislação eleitoral, que passou não somente a exigir uma cota mínima de candidaturas de mulheres, mas investimentos do fundo partidário e do FEFC para essas candidaturas”, avalia.

Mas nada disso exclui a necessidade de continuar buscando a garantia de uma equidade de representação, já que as mulheres são 52,5% do eleitorado e apenas 10,7% no Congresso Nacional, o que coloca o Brasil na posição 157 entre 192 países num ranking que mede a participação da mulher no legislativo.

“Dos 27 Estados, há apenas uma governadora. Aqui em Sergipe, o quadro é semelhante. Houve avanços, como na Assembleia, que hoje conta com 6 mulheres. Mas quando olhamos para a Câmara da capital, por exemplo, houve apenas duas eleitas entre as 24 vagas. Só Sergipe, Maranhão e Amazonas não elegeram deputada federal em 2018. Os números refletem uma sociedade ainda machista, que impõe a mulher desafios maiores para ocupar espaços de poder”, opina Niully.

Vale lembrar que há apenas 89 anos as mulheres tiveram direito ao voto. “Agora, é preciso exercer também o direito de ser votada em condições de igualdade, para avançar na construção de uma sociedade mais democrática, em que a mulher protagonize as próprias lutas. Também é fundamental preparar as candidatas para que no exercício dos mandatos, sejam vozes firmes na defesa dos direitos das mulheres”, alerta.

E é de olho nesse cenário que o PSB pretende lançar candidaturas femininas na próxima eleição. “O PSB sempre buscou fortalecer candidaturas femininas. Tanto na capital quanto no interior do Estado, estamos nos preparando para lançar candidaturas com grande potencial eleitoral para as Câmaras de Vereadoras. Teremos também mulheres fortes na disputa majoritária, como é o caso de Dra. Sílvia em Pirambu; Bethânia em Cristinápolis; Edna em Poço Verde; Verônica em Malhada dos Bois, entre outras”, revela.

A própria Niully, cujo nome já esteve na disputa anteriormente, deve estar entre as candidatas pelo partido. “Penso que a luta pela participação da mulher na política e o crescimento eleitoral conquistado nas disputas anteriores geram uma responsabilidade da qual não posso me furtar: ser candidata em 2020. As pessoas que estão comigo na caminhada política esperam isso de mim, e mesmo num momento tão especial (já que estou gestante e vou parir meu primeiro filho em março do ano que vem) já estou me preparando para a disputa”, revela.

Resta a Niully decidir apenas em qual município irá se candidatar. “O PSB me fez o pedido para ser candidata em Aracaju. Embora eu também esteja na linha de frente da coordenação do PSB em Capela, dialogando um projeto de candidatura majoritária própria do partido no município”, afirma.