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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Classe política sergipana dá lição de ética e postura a Bolsonaro na testagem pro coronavírus
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Jair Bolsonaro: queda de braços e resultado com CPF de terceiro (Foto: Alan Santos/PR)

Neste momento tenso de pandemia da Covid-19, os políticos sergipanos servem de exemplos altos para o presidente República, Jair Bolsonaro, quando o tema é transparência diante de exames para se testar o coronavírus. Eles dão lição de ética e postura a Bolsonaro no terreno da testagem pro vírus.

Por aqui, quem é pessoa pública que testa positiva ou negativa não faz o menor jogo de cena para revelar seus resultados à sociedade. Ao contrário: se expõem em praça pública. Assumem suas condições, mostrando o corpo frio e técnico do exame ou revelando-se positivas e sumindo da cena física, mas se expondo do ponto de vista comunicacional.

Veja o que acaba de fazer o prefeito da cidade de Itabaiana, Valmir de Francisquinho: testou negativo e tacou o resultado na caixa dos peitos dos itabaianenses e dos demais sergipanos. Valmir, mesmo antes de saber-se negativado, defendia o ponto de vista não obscurantista diante do coronavírus e da Covid-19. Ele leva a doença a sério e é pelo isolamento social.

O conterrâneo e oponente dele, o deputado estadual Luciano Bispo de Lima, pelo mesmo modo, ao testar positivo não subiu a serra de Itabaiana para se esconder e se dissimular. Ao contrário: gravou vídeo, emitiu nota pública dizendo o que lhe ocorrera mesmo sem saber como lhe seriam os desdobramentos, posto ser um homem de 66 anos, encarou a quarentena e deu a volta por cima. Tudo na mais pura lisura, com conselhos educados e de cuidados à comunidade sergipana.

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, agiu pelo mesmo modelo - e acabou de sair da quarentena nesta terça-feira, 26, dizendo que não dará um passo sequer que não seja o recomendado pelas ciências médicas. Do mesmíssimo modo procederam a vice-governadora do Estado, Eliane Aquino, e o deputado estadual Zezinho Sobral, que comunicaram suas testagens positivas, encararam as respectivas quarentenas e estão sãos, salvos e dando pulos dum pé só.

Mas por que esses personagens haveriam de se portar no campo do diferente? O que fazem e fizeram esses sergipanos pode e deve ser atendido pelo nome de transparência - incluindo aí o então secretário de Estado da Saúde, Valberto de Oliveira Lima, que se auto suspeitava infectado, fez o exame, deu negativo, mas revelou tudo a todos. Claro que a gestos transparentes devem se submeter os que são responsáveis pela coisa coletiva.

12955e18e33b999dValmir de Francisquinho divulgou o teste: por que o temor do presidente em ser transparente?

Na contramão disso, no entanto, marcha Jair Messias Bolsonaro, o capitão que preside o país nesta hora, e que submeteu-se à testagem pro coronavírus, bravateou que testou negativo, mas se recusou peremptoriamente a mostrar de público o exame - diferentemente do que acaba de fazê-lo o presidente da República Ceboleira de Itabaiana Valmir de Francisquinho.

E entre Valmir e Bolsonaro, quem está correto é o itabaianense. Como corretíssimo estão Luciano Bispo de Lima, Edvaldo Nogueira, Eliane Aquino, Zezinho Sobral e Valberto de Oliveira Lima. Quem tem vida pública não pode, em determinadas questões, adotar posturas privadas. A vida do homem público deve ser um livro aberto.

Um livro de boas jurisprudências, gerador de exemplos. Com o que não se importou Bolsonaro. Se ele testou negativo, depois duma viagem aos Estados Unidos da qual retornaram positivados pro corona mais de 20 membros de sua comitiva, ótimo para ele. Parabéns para ele. Por que então não revelar publicamente e até faturar a sua suposta superioridade imunológica?

D319ee26fc00060eLuciano Bispo sem bicho de sete cabeças: aos 66 anos, testou, positivou e revelou

Por que esperar que a necessidade pública de revelação do seu exame virasse um caso da suprema justiça da nação? E o mais grave: quando Bolsonaro decide revelar o teor exato do exame negativo o faz com um teste em seu nome, mas com o CPF de um terceiro. Pode isso, Arnaldo?

Que péssimo exemplo de estadista é este que se guarda por trás de um CPF alheio? Essa revelação de duas cabeças - teste dele, mas CPF de um outro - é mais grave do que a rejeição e o entesamento dele em revelar o resultado. Isso põe por terra qualquer chance de credibilidade no que fora revelado.

Relaxe, sir Bolsonaro, garanta um tempo nas suas presepadas de ódio político, na sua descrença no coronavírus, na Covid-19 e na ciência e dê um pulinho em Aracaju. Quem sabe você aprende algo no território da transparência com os sergipanos que se submeteram ao teste do coronavírus.