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Politica & Negócios
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Maria Tereza Andrade

Maria Tereza Andrade é jornalista, graduada pela Unit em 1995, com experiência em veículos de comunicação em Sergipe e no Brasil. 

Feira da reforma agrária garante alimentos saudáveis à população 
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Alimentos sem veneno, direto do produtor para o consumidor

Desde o início deste mês de dezembro, Aracaju ganhou a primeira feira permanente da reforma agrária. No Mercado Doutor Carlos Firpo, no Siqueira Campos, todos os sábados a população encontrará os mais variados produtos da agricultura familiar e dos assentamentos sergipanos. E com a garantia de que são produzidos de maneira saudável e sustentável, livres de venenos. 

Segundo Manoel Oliveira, da Coordenação Nacional do Setor de Produção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em Sergipe - MST/SE -, ter em Aracaju um espaço permanente para comercializar os produtos da reforma agrária era um desejo antigo dos agricultores, que se concretizou a partir da boa aceitação da feira que ocorre anualmente na capital.

“No mês passado, em Aracaju, fizemos a nossa 6ª Feira da Reforma Agrária. Reunimos mais de 100 famílias assentadas e acampadas de todas as regiões do Estado, que puderam comercializar a sua produção e compartilhar os resultados da nossa luta: uma produção diversificada e livre de venenos. Já havia uma demanda da população e dos trabalhadores sem terra para que tivéssemos um espaço permanente de comercialização na capital. E aqui estamos, com mais uma etapa da nossa luta se concretizando. Mesmo que por um dia, estarmos semanalmente comercializando nossa produção na capital é uma conquista, o início de uma caminhada ”, comemora Manoel Oliveira.

C4691c87922245f46ª Feira da Reforma Agrária: cerca de 80 toneladas de alimentos comercializadas

De acordo com o coordenador do MST, nos quatro dias da feira realizada em novembro foram comercializadas cerca de 80 toneladas de alimentos, entre frutas, verduras e hortaliças. Houve também bolos, doces, mel e queijos variados produzidos nas associações e nas cooperativas familiares ligadas ao MST e a outras organizações sociais do campo.

No espaço conquistado agora pelos agricultores, a proposta é ter, gradativamente, essa mesma diversidade de produtos. “A cada sábado aumentaremos o número de alimentos oferecidos à população e apresentaremos mais variedades. O espaço tem o intuito de fazer circular a produção agrícola das famílias, além de conscientizar a população sobre os benefícios da alimentação e do consumo de orgânicos, incentivando a produção local”, explica Manoel Oliveira.

A feira permanente da reforma agrária em Aracaju é também uma iniciativa embrionária à instalação do Armazém do Campo na capital sergipana. Espalhados por todo o país - hoje já são cerca de 10 entre projetos em execução e executados -, os armazéns foram idealizados para a comercialização de alimentos com origem na reforma agrária popular, cuja linha central é a produção de orgânicos.

“A criação da Rede Armazém do Campo surgiu como resposta a um questionamento recorrente quando o trabalhador conquista a terra: em qual local vamos vender os nossos produtos, como dar visibilidade a nossa produção e fortalecer o consumo de alimentos orgânicos?”, destaca Manoel Oliveira.

D261bf102c6016b3Licuri: produtos tradicionais são preservados pela agricultura familiar

Nessa linha, a coordenação da Rede Armazém do Campo aponta quatro objetivos centrais da proposta: possibilitar o acesso da sociedade aos frutos da reforma agrária; firmar parcerias que estimulem agricultores familiares, assentados e cooperativas; ofertar alimentos orgânicos e fortalecer a cultura popular, inclusive, a que nasce com os alimentos - esta, aliás, ganha corpo em eventos com o sugestivo nome de Comida de Verdade.

Ademar Ludwig, coordenador da Rede, explica que as iniciativas culturais são pensadas de acordo com as demandas dos estados e com as dinâmicas de cada região. “Além de expor e de comercializar os produtos da reforma agrária, a intenção com as atividades é manter viva a memória de luta e de resistência de vários povos”, explica.

No Armazém do Campo de São Paulo, por exemplo, ocorre uma vez por mês o Almoço da Resistência, que conta com a presença de cozinheiros e cozinheiras do país que preparam pratos com ingredientes da reforma agrária e da cultura tradicional gastronômica brasileira. Comida de verdade e sem veneno, garantem os sem terra.

2db3116069cf2e88Tainá Marajoara, cozinheira do Pará e conselheira nacional de Cultura Alimentar: comida de verdade no Armazém do Campo de São Paulo

À contramão do projeto do atual Governo Federal de liberação indiscriminada de agrotóxicos - só este ano, segundo o Greenpeace, 290 substâncias foram liberadas para uso no campo brasileiro -, essas iniciativas estão se transformando em referência de espaços socialmente sustentáveis.

Ficou com vontade de conhecer um pouco dessa realidade aqui em Sergipe? Então, passe lá - rua Carlos Correia, 118, Siqueira Campos, aos sábados, a partir das 5h. Conheça a proposta, consuma alimentos saudáveis e compartilhe os frutos da reforma agrária e da resistência de um povo que constrói um novo modelo para o campo brasileiro - um modelo em que se prioriza a vida.  Vale à pena. Além de saudável, é um respiro de cidadania. 

Fotos: Márcio Garcez e Brasil de Fato

Com informações do Brasil de Fato