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Politica & Negócios
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Maria Tereza Andrade

Maria Tereza Andrade é jornalista, graduada pela Unit em 1995, com experiência em veículos de comunicação em Sergipe e no Brasil. No JLPolítica é gestora de Relacionamento. 

Hilda Ribeiro: “Lagarto terá um dos maiores festejos juninos da história”
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Hilda Ribeiro: “O futuro deixo pra Deus e a justiça decidirem”

Este ano, a Prefeitura Municipal de Lagarto unificou o Festival da Mandioca e as festas de São João e de São Pedro que ocorrem agora em junho. Segundo a prefeita Hilda Ribeiro, entre as razões para essa mudança está a possibilidade de movimentar a economia neste período de crise, com o aumento das vendas no comércio e na prestação de serviços. 

Influirá também na geração de mais emprego e renda, argumenta Hilda Ribeiro. “São empregos temporários, mas importantes neste momento de crise pelo qual nosso país atravessa. Além do mais, com a fusão das duas festas, conseguimos reduzir os custos de forma significativa”, explica. 

Hilda Ribeiro assumiu o Executivo municipal dia 7 de março - devido o afastamento do titular Valmir Monteiro - e fez ajustes na administração e na organização financeira da Prefeitura. As mudanças permitiram, entre outras coisas, retomar obras paradas, beneficiar os servidores e desenvolver ações que atendem a expectativa da população. Também proporcionaram a realização, com recursos próprios, do evento junino lagartense.

Além de unificar o Festival da Mandioca e as festas de São João e São Pedro, a programação dos festejos juninos busca valorizar a cultura lagartense - o próprio Festival da Mandioca já é um atrativo a mais - e oferece vários shows de artistas locais, regionais e nacionais para potencializar o evento.

Para falar sobre as festividades em Lagarto e o que representam para a cultura e a economia locais, a Coluna Política & Negócio conversou com a prefeita Hilda Ribeiro. Ela falou um pouco também sobre os desafios enfrentados e os projetos administrativos à frente da Prefeitura Municipal. Confira. 

Política & Negócios - Qual a importância para o município de Lagarto da fusão das festas de São João e da Mandioca em um só evento?
Hilda Ribeiro
- Sem dúvida, é muito importante por vários aspectos. Um deles, e talvez o principal, é o aquecimento da economia do município com o aumento das vendas no comércio e na prestação de serviços, além da geração de mais empregos e renda. São empregos temporários, mas importantes nesse momento de crise que o nosso país atravessa. Além do mais, com a fusão das duas festas, conseguimos reduzir de forma significativa os custos. Eu, como prefeita, sou suspeita de falar, mas posso dizer o que se fala nos quatro cantos do município é que, este ano, Lagarto vai realizar um dos maiores festejos juninos de sua história. 

Política & Negócios - Qual será o dia mais significativo desses dois eventos?
HR -
Nós já tivemos dois dias importantes: o dia 26 de maio, com a retirada do mastro, uma festa para a população e no dia 30 tivemos o desfile e escolha da Rainha do Festival da Mandioca deste ano. Na verdade, todos os dias das duas últimas semanas de junho são importantes, mas eu diria que na véspera de São João, 23, a atração musical Samyra Show é destaque. No dia seguinte, 24, a atração nacional Bruno e Marrone chama atenção e por certo vai reunir um grande público, fato que deve se repetir no dia 28, com Wesley Safadão. O último dia dos festejos, que é no São Pedro, 29, Mano Walter fecha com chave de ouro a programação deste ano do Festival da Mandioca e dos festejos juninos da maior cidade da região Centro Sul de Sergipe.
  
Política & Negócios - A Prefeitura de Lagarto conseguiu patrocínio de Brasília este ano ou faz tudo por conta própria?
HR -
Essa pergunta é importante, porque permite um esclarecimento também importante: todo o investimento no Festival da Mandioca e nos festejos juninos está sendo feitos com recursos da própria Prefeitura. E isto somente foi possível por causa do ajustamento financeiro que estamos implantando desde quando assumimos o cargo em 7 de março deste ano. Contingenciamento de despesas e definição de prioridades na aplicação dos recursos são fatores colocados em prática na nossa gestão, que estão permitindo que o dinheiro público seja aplicado de forma ordenada, transparente e, sobretudo, visando o bem da população. A realização desses festejos é algo que está na raiz da cultura do povo lagartense. E acreditamos que todo o dinheiro investido retorna para o município em forma de aumento do recolhimento de impostos, de geração de emprego e renda e de crescimento das vendas no comércio e na prestação de serviços. Enfim, uma injeção de recursos, de forma direta e indireta, em toda a economia de Lagarto. 

Política & Negócios - Qual o peso do cultivo da mandioca para a economia local?
HR -
É significativo na medida em que Lagarto ocupa o primeiro lugar em produção da cultura da mandioca e de seus subprodutos no Estado de Sergipe - o município é um dos maiores produtores do país. Além disso, é através dessa produção que milhares de famílias lagartenses garantem o seu sustento com a geração de emprego e renda. Hoje, Lagarto tem uma média de 500 pequenos produtores envolvidos diretamente com o cultivo e o trato da mandioca. Temos estudos que apontam que a mandioca pode gerar cerca de 500 subprodutos, que vão desde a clássica farinha de tapioca, hoje muito consumida, passando por vinhos, licores, cachaças e até pizzas.

Política & Negócios - Qual o significado para Lagarto que, através do Campus da UFS de Lagarto, ela tenha passado a ser sede de um polo de Saúde para o Centro Sul de Sergipe?
HR -
Educação é sempre um tema importante. A sua valorização é responsável por uma revolução que contribui, direta e indiretamente, para o desenvolvimento de qualquer município, Estado ou país. Com Lagarto não está sendo diferente com os investimentos feitos pela Universidade Federal de Sergipe no município. Com pouco mais de 100 mil habitantes, segundo dados de 2016 do IBGE, a cidade experimentou um avanço social e econômico jamais registrado na sua história, principalmente, com a instalação do campus da UFS totalmente voltado para a área da Saúde. Com isso, os moradores da região tiveram acesso a oito cursos de graduação em Medicina, Odontologia, Enfermagem, Nutrição, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Farmácia e Terapia Ocupacional. Há também a instalação do Hospital Regional de Lagarto - HRG -, hoje transformado em Hospital Universitário, criado para atender 250 mil pessoas da microrregião de Lagarto. 

Política & Negócios – Economicamente falando, o que se pode deduzir da presença do campus da UFS no município de Lagarto?
HR –
Os investimentos do Governo Federal, através da UFS, fizeram de Lagarto um polo de desenvolvimento no Estado de Sergipe. Junto com a universidade de medicina chegaram pequenas empresas, restaurantes, novos profissionais, aumentando a oferta de empregos, o nível salarial e circulando a economia. Como cidade do interior de Sergipe, o município precisava de investimentos estruturantes para transformá-la em um polo de desenvolvimento para o Estado de Sergipe. E com uma faculdade de medicina e um hospital regional você, além de ampliar o atendimento à população, atrai investimentos. O campus de saúde da UFS em Lagarto recebeu investimentos da ordem de R$ 27,4 milhões do Governo Federal. Hoje, o campus possui três prédios que contam com cursos de telemedicina, laboratórios com tecnologia de ponta, auditório para mil pessoas e estruturas completas de atendimento à população.

Política & Negócios - A senhora já consegue fazer um governo municipal que tenha essencialmente a sua cara?
HR -
Eu acredito que sim. Mas veja: o que importa mesmo é o bem-estar coletivo. É as pessoas estarem felizes, as crianças terem um bom sistema de ensino, saúde de qualidade pra todos, enfim, meu papel como gestora é criar condições para que essas demandas e tantas outras possam ser bem conduzidas para o bem-comum. Então, eu não me preocupo muito com esse negócio de cara, marca da gestão, isso na verdade acaba sendo um conceito que as pessoas criam em decorrência do trabalho que a gente faz. Lógico, cada gestor tem o seu jeito de trabalhar, de fazer com que as coisas funcionem. O que posso dizer sobre isso, então, é que estou tocando a administração com muito trabalho, transparência, respeito ao dinheiro público, foco nas questões sociais mais relevantes. Neste sentido, posso dizer que retomamos várias obras que estavam paradas, desenvolvemos ações nas áreas da Saúde, da Educação, Ação Social, Cultura e Turismo, de modo especial, porque viabilizamos dois grandes eventos, um foi o aniversário da cidade e o outro é o Festival da Mandioca que, este ano, está sendo realizado conjuntamente com os festejos juninos de Lagarto. Agora, o que cabe a mim fazer nesse momento é cumprir da melhor forma possível meus compromissos constitucionais, o compromisso que fiz com o nosso agrupamento político e, principalmente, com a nossa cidade, quando aceitei me candidatar a vice-prefeita.

Política & Negócios – São desafios diários.
HR -
É uma responsabilidade muito grande cuidar da administração do município mais importante da região Centro Sul de Sergipe. É um desafio pra mim? É. Mas os apoios que tenho recebido me fortalecem e estou convicta de que podemos desenvolver um bom trabalho. A partir do instante em que comecei a tomar conhecimento da real situação do município, seja do ponto de vista da administração ou no lado financeiro, vi que muita coisa teria de ser feita para ´colocar a casa em ordem´ e trabalhar, de forma honesta, transparente e com o pensamento voltado para atender as principais demandas da população. Não me preocupei, em momento algum, em lamentar a situação em que se encontrava a administração municipal, com obras paralisadas, serviços essenciais comprometidos por razões diversas, cobranças de toda parte, nada disso me abalou. Ao contrário, somente me deu forças e coragem para enfrentar tudo, trabalhando dia e noite e procurando o melhor para todos os lagartenses.

Política & Negócios - A senhora acredita que Valmir Monteiro pode voltar ao comando do Governo Municipal?
Hilda Ribeiro -
Esse é um assunto que está entregue à Justiça e que, de forma alguma, cabe-me opinar. O meu dever, como vice-prefeita eleita na mesma chapa do prefeito Valmir Monteiro, é o de assumir o governo do município e esperar as decisões judiciais sobre o caso. A melhor forma de honrar a missão que me foi colocada é fazer o melhor possível enquanto estou aqui. O futuro deixo pra Deus e a justiça decidirem.