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Politica & Negócios
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Maria Tereza Andrade

Maria Tereza Andrade é jornalista, graduada pela Unit em 1995, com experiência em veículos de comunicação em Sergipe e no Brasil. No JLPolítica é gestora de Relacionamento. 

Paulo do Eirado: “Pequenos empresários são os grandes trabalhadores deste país”
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Paulo do Eirado: “Sergipe caminha para ser um grande exportador de energia”

O superintendente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Sergipe - Sebrae/SE -, Paulo do Eirado Dias Filho, está apreensivo com a longevidade da crise econômica no Brasil. “Está na hora de o país sair desta crise. Já cansou a todos esse ambiente”, avalia Eirado.

Para o dirigente do Sebrae/SE, a crise decorre do esgotamento de um modelo socioeconômico. Contraditoriamente, é esse esgotamento que lhe proporciona certo otimismo, por causa das reformas propostas pela área econômica do Governo Federal e abraçadas, até o momento, por significativa parcela do Congresso Nacional.

“Creio que brevemente sairemos da crise, e as reformas em andamento terão esse papel na retomada econômica. Mesmo sendo impopulares, antipáticas sob certos aspectos, são fundamentais. São elas que nos vão dar credibilidade como país, principalmente para os investimentos estrangeiros”, argumenta Paulo do Eirado.   

Desde que assumiu a Superintendência do Sebrae em Sergipe, em janeiro deste ano, Paulo do Eirado não tem dúvidas de que o seu papel e o da instituição é urgentemente o de ajudar Sergipe - e o país - a construir um novo modelo de desenvolvimento.

Sobre as ações que buscam gerar esse crescimento e criar um ambiente de negócios positivo, a Coluna Política & Negócios conversou com Paulo do Eirado. A breve entrevista ocorreu em meio à realização do II Fórum de Energias de Sergipe, promovido pelo Sebrae/SE e por parceiros, que encerrou nesta quinta-feira, 26, em Aracaju. O segmento de energia no ambiente de negócios sergipano, aliás, é também tema deste bate-papo. Acompanhe. 

Política & Negócios - Como o senhor está vendo o momento atual do ambiente de negócios, essa aguardada retomada da economia?  
Paulo do Eirado -
Com apreensão, porque a gente percebe que está na hora de o país sair desta crise. Já cansou a todos esse ambiente de crise. A economia, no entanto, não depende apenas de questões estruturais. Depende muito do humor das pessoas, da confiança, da credibilidade. E não estou vendo esse ambiente humorado, disposto, motivado para dar essa arrancada. Mas sou otimista, creio que brevemente sairemos da crise, e as reformas em andamento terão esse papel na retomada econômica. Mesmo sendo impopulares, antipáticas, sob certos aspectos, são fundamentais. São elas que nos vão dar a credibilidade como país, principalmente para os investimentos estrangeiros.  

Política & Negócios - Que ações concretas devem ser feitas para que esse humor mude e a nação cresça? 
PE -
Primeiro, é fazer realmente reformas profundas. Porque a crise atual, no meu ponto de vista, é muito em decorrência do esgotamento de um modelo socioeconômico. Estamos com um modelo que gerou a crise e que não oferece opções de saída. Então, temos que passar por uma reforma profunda do ambiente político, da máquina pública, uma série de coisas, que onera demais o cidadão e não dá a devida contrapartida.
 
Política&Negócios - Isso ocasionaria mudanças na relação público e privado? 
PE -
Não falo mal do serviço público, porque acho que a Constituição trouxe tanta obrigação para essa esfera que ele nunca vai ser bom. Então, está na hora de a gente saber filtrar, separar o joio do trigo, e dizer: a função da máquina pública é essa aqui. É a isso que ela tem que se dedicar a fazer. O resto a gente tem que se virar para fazer. 

Política & Negócios - Com relação às micro e pequenas empresas, quais as principais demandas para que efetivamente possam estar inseridas no ambiente de negócios e contribuir com essa retomada do crescimento? 
PE -
O mais importante de tudo é desburocratizar, é tirar esse inferno astral que o empresário brasileiro tem que conviver. Essa pressão, essa hostilidade, inclusive, do próprio poder público, seja de natureza ideológica, seja de ordem burocrática, seja o que for. 

Política & Negócios - Está falando dos pequenos empresários e essa pressão os atinge também?
PE -
A imensa maioria do empresariado brasileiro é de pequenos empresários - 99% das empresas brasileiras são micro e pequenas. Eles precisam ser respeitados, acima de tudo. São eles que geram empregos, são eles os grandes trabalhadores deste país. Quem é dono de uma pequena empresa não sabe o que é final de semana, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – FGTS. Só tem obrigações, e muitas vezes ainda acaba sendo mal visto, quando na verdade é o maior trabalhador que existe no país. 

Política & Negócios - Fala-se muito que Sergipe está num bom momento na área de energia e gás, com a chegada da Celse/SE, a exploração de um parque de energia solar pelos chineses em Canindé do São Francisco e a própria Petrobras. O Sebrae tem uma preocupação em mudar a sua praxes para atender uma possível nova realidade a partir disso? 
PE -
Com toda certeza. Isso tem sido uma preocupação diária, porque a gente percebe que Sergipe caminha para ser um grande exportador de energia. Das mais diversas fontes. A descoberta, por exemplo, desse poço de gás monstruoso agora em Sergipe nos enche de esperança, por um lado, mas por outro lado temos que fazer boas adaptações, boas iniciativas, para anteceder essa política de investimento que vai chegar. Porque assim daremos oportunidade às pequenas empresas de Sergipe que possam vir atender a essa rede comandada por grandes multinacionais de petróleo, que vão exigir credenciamento, certificações. Ou seja, temos de preparar essas empresas para isso.
 
Política & Negócios - Há também uma preocupação em capacitar os trabalhadores para atender novas demandas específicas do setor?  
PE -
Sim, por outro lado temos a formação de mão de obra, porque senão chegam as grandes empresas, trazem seu pessoal especializado de outros estados, todo mundo importado para cá de certa forma, e a gente vai ficar cuidando de portaria, de transporte, é o que vai sobrar para os sergipanos. Penso que a gente tende a essa agenda, inclusive, esse evento que encerrou nesta quinta-feira (II Fórum de Energias de Sergipe) é para discutir isso. É um assunto que está na pauta dos encontros entre o Sebrae e o próprio Governo do Estado, para que a gente posso se antecipar e fazer com que o ambiente de negócios esteja preparado para os investimentos prometidos.