Politica & Negócios
“É utopia achar que dá para vencer uma crise desta sem mexer em interesses e privilégios”
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Milton Andrade: “Se o Estado não tem dinheiro para investir, está na hora de se somar com a iniciativa privada”

A avaliação é de Milton Andrade e referencia o papel do Fórum Empresarial de Sergipe sob o comando desse jovem empresário, advogado e político. Fundado há quase 20 anos, o Fórum reúne 33 entidades de classe empresariais e está desde fevereiro sob a coordenação de Milton Andrade. O jovem empresário defende uma atuação firme para encontrar saídas à crise econômica vivenciada pelo Brasil e por Sergipe.

O coordenador diz que o Fórum Empresarial de Sergipe elegeu uma agenda prioritária de diálogos – incluindo conversas com os chefes de poderes do Estado - para buscar solução para este momento de crise. O primeiro encontro da agenda será com o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, desembargador Osório de Araújo Ramos Filho, na próxima quarta-feira, 20. Antes disso, numa rara folga nessa corrida agenda, Milton Andrade respondeu as seguintes perguntas da Coluna Política & Negócios.

Política & Negócios - O senhor diz que a crise pela qual passam o o Brasil e Sergipe não é um problema apenas da classe política institucional, mas de toda a sociedade. Qual o papel desses agentes sociais para que possamos retomar o crescimento do país e do Estado?

Milton Andrade - De fato, é utopia e até populismo achar que dá para vencer uma crise desta sem mexer em interesses e privilégios de alguns. Essa mexida é natural que ocorra. Para que a gente vença uma crise do tamanho desta - a maior crise dos últimos tempos -, é essencial que deixemos de lado pautas individuais, corporativistas, para focarmos em pautas gerais, do interesse de todos. 

Política & Negócios - O Fórum Empresarial de Sergipe definiu como agenda prioritária dialogar com os chefes de poderes do Estado para encontrar saídas à crise. Quais os resultados concretos que se espera alcançar?

MA - Esperamos encontrar parcerias, portas abertas, para que a gente possa apontar algumas soluções. E para que a gente possa também ouvir quais as dificuldades que esses poderes hoje vivenciam. E, diante dessas dificuldades, nós possamos nos somar para encontrar as soluções na modernização da máquina, na desburocratização dos serviços, nas Parcerias Público-Privadas, na modernização legislativa. Nesse sentido, é isto que esperamos: portas abertas e parceiras para que sejamos também agentes na melhoria desses órgãos.

Política & Negócios - Além desse debate, o que os empresários sergipanos, representados pelo Fórum, propõem para retomar o crescimento econômico?

MA - As propostas ainda estão sendo confeccionadas por cada setor de forma concreta. Mas, de maneira abstrata, são sugestões que não gerem custo para o Governo. É inimaginável que a gente possa propor neste momento de crise alguma coisa que necessariamente gere desembolso. Haverá também uma proposta de melhora no ambiente para empreender em Sergipe.

Política & Negócios – Como assim?

MA - Por exemplo, prazo nos órgãos licenciadores, para que eles se pronunciem sobre os pedidos de licença, que não demore meses e até anos para ser concedida. Ideias como essa podem tornar o Estado de Sergipe mais competitivo. As propostas serão apresentadas após todos os setores serem ouvidos, mas posso adiantar que teremos como base de atuação a modernização legislativa e as Parcerias Público-Privadas. Se o Estado não tem dinheiro para investir, está na hora de se somar com a iniciativa privada para que essa possa investir por ele com segurança jurídica.

Política & Negócios - Os primeiros meses do Governo Federal atendem à expectativa do empresariado sergipano?

MA - O Governo Federal parece estar batendo cabeça no seu início. Natural. As abóboras se arrumam com o andar da carruagem. Também sentimos que tudo está parado, até que a reforma da Previdência seja aprovada para que as outras reformas possam ser aprovadas também, como a tributária, que é urgente, e a política, que acaba influindo em todo o resto. A gente está sentindo que o país está em stand by até que a reforma da Previdência seja aprovada. Mas tenho boas esperanças nas propostas do ministro da Economia, Paulo Guedes.