Politica & Negócios
OPINIÃO – O setor imobiliário tem tudo para voltar a aquecer em 2019
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[*] Sérgio Sobral

Tenho participado, ao longo dos últimos anos, de encontros com as mais diversas instituições do segmento imobiliário. E posso afirmar, sem dúvidas, que o Sistema Cofeci-Creci (Conselhos Federal e Regionais de Corretores de Imóveis) tem se esforçado para oferecer à categoria as ferramentas necessárias para o fortalecimento da profissão e do mercado imobiliário. Desde o início deste ano, temos buscado manter contato com autoridades e instituições que viabilizem parcerias positivas.

A convite da Caixa Econômica Federal, no mês de janeiro, estive presente nas solenidades de posse e transmissão de cargo do novo presidente da instituição financeira, o economista Pedro Guimarães. Representando o presidente do Cofeci, João Teodoro da Silva, pude conversar não só com o Guimarães como também com o vice-presidente Marcelo Prata e com o ex-presidente Nelson de Souza.

As metas mencionadas pela nova diretoria impactam positivamente no crescimento do mercado imobiliário, por exemplo, aumentar o microcrédito a comunidades carentes, que como bem sabemos ainda representam um déficit habitacional grande; aumentar o financiamento para imóveis do programa Minha Casa Minha Vida e priorizar construtoras de pequeno e  médio porte.

Estamos falando do quinto maior banco do mundo, então é muito importante que esteja à frente de sua administração um economista com visão e experiência de mercado. Guimarães nos apresentou medidas que certamente revolucionarão para melhor o mercado imobiliário. Ele garantiu que visitará cada Estado para conhecer  in loco as prioridades e descentralizar a administração. 

É do nosso interesse que micro e pequenos empreendedores sejam contemplados com a ampliação do microcrédito, bem como as famílias mais carentes tenham oportunidade de adquirir sua casa própria. Acredito que essas medidas são um passo consistente rumo ao fortalecimento do mercado imobiliário sergipano.

O Sistema Cofeci-Creci vem dialogando com o novo governo, cobrando que haja mercado para que os corretores de imóveis possam vender os imóveis da União. São imóveis que a própria União tem dificuldade de identificar onde estão localizados e em que situação se encontra cada um.

É importante levantar esse imenso patrimônio imobiliário para que aqueles sem utilização eficiente sejam colocados à venda. É de interesse dos corretores de imóveis, porque a movimentação deste mercado é receita, e de interesse da sociedade em geral, porque aquece a economia.

O governo já anunciou que alguns imóveis de grande porte estão disponíveis para permutas, mas essas negociações ainda não contam com a participação dos corretores, e essa é mais uma parceria que o Sistema Cofeci-Creci está buscando. Os corretores de imóveis têm experiência e são habilitados para esse tipo de negócio. Também estamos trabalhando incansavelmente para que a categoria seja admitida para fazer a avaliação desses imóveis. Enfim, são muitas as ações emplacadas em prol do crescimento da profissão do corretor de imóveis. Mas não para por aí.

O Sistema Cofeci-Creci esteve em reunião com a presidência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF -, oportunidade na qual a nova diretoria foi apresentada e discutimos o apoio do Sistema Cofeci-Creci às ações do órgão. E mais: o Secovi São Paulo realizou a primeira edição do Encontro Política Olho no Olho também em janeiro, reunindo políticos e representantes de instituições do segmento imobiliário. O evento contou com a participação do Ministro de Estado do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que ministrou palestra abordando o tema “Foco na Eficiência”.

As medidas anunciadas por Ricardo Salles contribuirão com o desenvolvimento do mercado imobiliário. Ele destacou que sua pasta tornará o licenciamento ambiental menos burocrático, mais ágil. Como ele mesmo disse, o Brasil precisa de transparência, bom senso, de respeito à livre iniciativa e de lucro que gere investimentos. Ressaltou ainda que o déficit habitacional receberá maior atenção. Devemos concordar que uma moradia adequada impacta positivamente em questões como saneamento básico, captação de água, descontaminação de solo, entre outros.

Já em fevereiro, estive num café com parlamentares do Encontro com a Indústria da Construção, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção - CBIC. O evento reuniu instituições do setor e cerca de 180 deputados e senadores comprometidos com o futuro do país por meio da geração de emprego. A CBIC lançou uma agenda estratégica com objetivo de gerar 1 milhão de novos empregos, discutindo soluções que visam à desburocratização.

A bancada sergipana, inclusive, esteve participando ativamente através dos deputados federais Bosco Costa, Fábio Reis, Fábio Mitidieri e Laércio Oliveira. Estamos em constante diálogo com os parlamentares, lutando para que projetos de lei com impacto no setor imobiliário sejam analisados mais rigorosamente. Afinal, são essas pessoas que devem representar os interesses da população no Congresso. E como bem sabemos, o mercado imobiliário tem grande participação no Produto Interno Bruto – PIB - brasileiro.

Recentemente, conversei com o deputado federal Laércio Oliveira, que é também presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac. Na pauta, assuntos relacionados ao mercado imobiliário e às atividades desenvolvidas pelo Sistema Cofeci-Creci. Uma das principais mudanças que precisamos fazer é a reestruturação da Lei 6.530/78, que regulamenta a profissão de corretor de imóveis. É muito importante adaptá-la às atuais necessidades do nosso setor e da própria sociedade.

O parlamentar se prontificou a apoiar as ações do Creci Sergipe e do Cofeci em benefício dos corretores de imóveis. Esse diálogo é muito positivo para todos nós: corretores, todos os envolvidos na construção civil e sociedade em geral.

Uma série de acontecimentos indica que o setor imobiliário tem tudo para voltar a aquecer agora em 2019. O índice de confiança dos empresários da construção civil está aumentando, as taxas de juros estão caindo e a inadimplência está caindo em muitas regiões. Em 2018, a oferta de crédito imobiliário cresceu em relação a 2017 e a venda de imóveis, portanto, foi maior. No período que chamamos boom imobiliário, em 2013, a concessão de crédito era cerca de R$ 110 bilhões. Vemos uma retomada gradual, mas que já nos dá esperança.

O presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança – Abecip -, Gilberto Duarte de Abreu Filho, frisou bem que o PIB da construção está negativo, mas em recuperação. Muitos indicadores, segundo ele, estão retornando aos patamares de antes do boom imobiliário, o que é sinal de melhora. Segundo dados do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), as vendas cresceram 26,7% no ano passado, superando o volume dos quatro anos anteriores – e de 4,4% nos lançamentos.

Em Sergipe, vale frisar, os lançamentos reduziram, mas em comparação ao restante do país, seguiram relativamente firmes. Percebemos isso nas reuniões com presidentes de conselhos de todos os regionais realizadas bimestralmente.

Agora precisamos acompanhar a condução das reformas macroeconômicas e da política econômica, especialmente no que tange à oferta de crédito, às taxas de juros, inadimplência e outros fatores e leis relevantes, para entender o nível de confiança dos empresários e consequentemente o desempenho do setor imobiliário nos próximos meses.

A nova Lei de Distratos, por exemplo, sancionada no final de 2018 pelo então presidente Michel Temer, aumentou a multa para quem desistir da compra de imóvel na planta ou deixar de pagar as prestações. A mudança, que vale para imóveis do chamado regime do patrimônio de afetação, promete trazer segurança jurídica aos negócios. Os milhares de distratos que ocorreram nos últimos anos causaram grandes prejuízos. Agora, espera-se que as incorporadoras e construtoras tenham mais confiança para voltar a construir.

Temos muito trabalho pela frente, mas muita disposição para encarar os desafios, disto tenho certeza. Só tem um segredo: unir preparação (conhecimento), firmar parcerias, acompanhar as mudanças e cobrar respostas – sempre com críticas construtivas – daqueles que nos representam. Bom ano a todos! Bons negócios!

[*] É corretor de imóveis, gestor imobiliário, empresário, administrador, presidente do Creci Sergipe e diretor secretário do Cofeci.