Com apoio de JB, a bancada de Sergipe no Congresso vai tirar Valadares da coordenação

Por Jozailto Lima
04 fev 2017, 06h00

O senador Antônio Carlos Valadares, PSB, não esconde de ninguém que preferiu mesmo o nicho da oposição a Jackson Barreto e ao grupo dele na política sergipana para lutar e tentar ser feliz. E ele está certo: política é feita de opções.

Mas as opções têm um preço. Às vezes, amargo. E no caso do senador Valadares, a primeira fatura indigesta deve lhe chegar já no começo desta semana: a maioria parlamentar que agora faz parte da bancada governista vai tirá-lo do comando da bancada sergipana. Valadares está nesse posto há sete anos. Ele sucedeu Machado e nunca mais saiu.

E já tem até o nome para sucedê-lo nessa importante missão: o deputado Laércio Oliveira, SD, um cristão novo na nau catarineta de JB, mas cheio de vontades e intenções.

“Eu quero decidir isso logo agora no começo de fevereiro e assumir ainda neste mês para que quando março chegar eu já tenha o domínio pleno de tudo na coordenação da bancada”, diz Laércio.

“Se Laércio Oliveira não convocar, eu convoco a reunião da bancada para decidir pela saída do senador Valadares. Nos últimos episódios sobre as emendas coletivas do orçamento, o senador foi intransigente e autoritário comigo”, diz o deputado Jony Marcos.

Nos embates das emendas do ano passado, Valadares disse na mídia sergipana que não necessitava de Jony para mover R$ 30 milhões em favor do futuro Hospital do Câncer.

A ação política – vão chamar de cooptação? – de Jackson Barreto no âmbito da bancada federal já lhe rendeu para além do quórum da maioria simples – que seriam cinco mais um – para a mudança de mãos da coordenação. De 11 membros da bancada federal, sete já estão com ele.

São o próprio Laércio Oliveira, Jony Marcos, Fábio Mitidieri, Fábio Reis, João Daniel, Adelson Barreto e a senadora Maria do Carmo. A oposição se resumiu a quatro: o próprio senador Valadares, o senador Eduardo Amorim e os deputados Valadares Filho e André Moura. O Governo gargalha: para quem carecia de apenas seis, tem sete. E não é conta de mentiroso.

A função de coordenação de bancada no Congresso é muito nobre. Há 27 delas instaladas, porque, obviamente, cada Estado tem a sua. O papel do coordenador é o de unificar os parlamentares estaduais na esfera federal para atender aos interesses coletivos e uníssonos do Estado, seus municípios e seus gestores, independentemente de cor partidária ou dos interesses eleitorais.

Mas a conclusão a que esta maioria chega hoje é a de que o senador Valadares desbotou diante desse princípio. E o ponto alto teria sido a emenda dos R$ 100 milhões para a Codevasf.

“Mais do que aos interesses do Estado, ele se comportou nesse caso visando aos seus interesses pessoais. Indicou presidente nacional da Codevasf e indicou, depois, recursos que poderiam servir a outras demandas do Estado”, diz um dos membros da bancada.

O portal JLPolítica tentou ouvir o senador Antônio Carlos Valadares no final da tarde desta sexta. Ligou para um dos celulares dele, não foi atendido; falou com um dos seus assessores em Aracaju, que não deu retorno, e, por fim, mandou-lhe a seguinte mensagem por whatzaap: “Senador, o senhor acha que com esta configuração de bancada federal, com JB anexando a maioria, o senhor reúne condições de permanecer coordenador da bancada de Sergipe no Congresso?”. Mas não houve resposta.

QUE É ISSO, MORO!

O advogado criminalista e professor da UFS, Carlos Alberto Menezes, ficou fulo da vida, indignado, com os quatro meses a mais que o juiz Sérgio Moro deu nas penas do marqueteiro de Dilma e Lula, João Santana Filho e esposa dele, Mônica Regina Cunha Moura, condenando-os a oito anos e quatro meses de prisão por lavagem de dinheiro. Segundo Carlos Alberto, o contrapeso dos quatro meses aí funcionou apenas para não livrar os condenados de uma pena em regime semiaberto. Para ele, um autoritarismo desmedido de Moro. “Lamento que o Brasil veja num tipo desse um salvador de pátria”, disse o advogado.

VALMIR X 2018

O prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, PR, não admite que esteja fazendo qualquer tipo de pressão para ter o nome na disputa pelo Governo de Sergipe em 2018. Segundo Valmir, apesar de ele ser citado com frequência, o seu objetivo é concluir o segundo mandato para o qual foi eleito por 35.559 votos, a maior votação da história de Itabaiana. Com 94.393 habitantes, Itabaiana é a quarta maior cidade do Estado – só perde para a capital, Socorro e Lagarto – e merece mesmo boa dedicação. Segundo os observadores, isso ela tem recebido de Valmir. Ele obteve 65,83% dos votos válidos dos itabaianenses ano passado.

FILHO PRÉ-CANDIDATO

Em Itabaiana circula a especulação de que Thalisson Costa, filho de Valmir, disputaria o mandato de deputado federal ano que vem. Valmir afirma que “realmente existe essa possibilidade”, mas pondera que “essa não é uma decisão unilateral”. “Na hora certa, conversaremos com todos os que fazem parte do seu grupo político, principalmente o líder da oposição, o senador Eduardo Amorim, a quem considero candidato natural a governador”, diz Valmir. Thalisson nunca disputou mandato público. Ele toca uma autoescola da família.

FILHO PRÉ-CANDIDATO II

Se na vida particular muitos filhos seguem os passos dos pais, natural também que na pública assim o seja. Outro Valmir vê num filho projeto para 2018. Trata-se de Valmir Monteiro, prefeito de Lagarto, cujo rebento Ibraim Monteiro, PTC, intenciona chegar à Alese em 2018. Diferentemente do filho do Valmir de Itabaiana, o filho de Valmir de Lagarto já se mostra “peixinho”: se elegeu vereador ano passado e preside a Câmara Municipal da cidade. O pai manda num poder e ele em outro.

“PANORAMA DE ABANDONO”

O prefeito de Poço Verde, Iggor Oliveira, PSC, diz que se assustou com “o panorama de muito abandonado” da cidade provocado pela gestão passada. “Só de INSS, o município tem uma dívida de R$ 19,5 milhões. Passa de R$ 1 milhão a dívida com a água. A situação é pesada”, diz Iggor.

ENIGMAS DA FÉ

Depois de ler aqui nesta coluna as louvações de Márcio Macedo às possibilidades de retorno de Lula às Presidências do PT e da República, o pastor Heleno Silva foi cáustico e irônico: “Aprendi uma coisa importante na vida: um petista tem mais fé do que o mais fervoroso dos cristãos”. Esse fervor, pastor, vem do Livro do Pragmatismo e da Sobrevivência, capítulo 13, versículo 13. E sem kkks.

ELEIÇÃO NO CIRURGIA

O Hospital de Cirurgia, criado em 1926 pelo médico Augusto Leite, avô de Albano Franco, está numa campanha intensa, internamente, para decidir o seu novo presidente. A eleição vai acontecer no dia 1º de março para suceder o médico Gilberto dos Santos, que está no posto há oito anos e não pode, pelo estatuto interno, ser reeleito.

POLÍTICA NO CANGOTE DA SAÚDE

No páreo, dois profissionais respeitados: os médicos Ednei Freire Caetano e Darci Tavares Pinto. Como tudo no mundo tem política, também nesta eleição as instâncias altas se cruzam. Ednei é um homem ligadíssimo ao senador Antônio Carlos Valadares. Darci, por tabela, ao governador Jackson Barreto, uma vez que é do grupo do deputado Luciano Bispo, presidente da Alese e da tropa de JB.

GILBERTO TRAVADO

Nesta eleição, o colégio eleitoral que decide é o Conselho Deliberativo, que se compõe de 11 membros. Pelo que esta coluna apurou, Ednei tem ali nove e Darci, apenas dois votos. O ex-governador Albano Franco tem um voto por lá e estaria dando caldo para Ednei. O atual presidente, Gilberto dos Santos, terminou numa sinuca de bico enorme: ele tem simpatias por Ednei, mas foi obrigado a lavar as mãos. O motivo é, de novo, político: Gilberto é pai do jovem médico e prefeito de Dores, Thiago dos Santos, que é do PMDB, aliado de Jackson, e ele não pode atravancar os caminhos do filho. “Não sei qual a posição de Gilberto nesta eleição. Sei que estou conversando com meus pares do Conselho Deliberativo e sou bem-compreendido. Sou diretor Clínico e tenho bom relacionamento com todos”, diz Ednei.

PROPINÓDROMO DE CABRAL

Deu no Blog O Antagonista de ontem: “Um novo delator da Lava Jato no Rio entregou ao MPF uma lista de imóveis-propina a Cabral, mas que estão em nome de laranjas – pessoas físicas e jurídicas. Como O Antagonista revelou, os grupos Dirija e Américas pagaram propina a Cabral em imóveis que permanecem em nome de empresas ligadas aos grupos e de laranjas como Ary Filho, preso ontem. O ex-governador tem apartamentos-propina nos condomínios Saint-Tropez, Barra Summer e Atlântico Sul, todos na Barra da Tijuca. Ele também tem terrenos-propina no condomínio Portobello, em Mangaratiba (RJ), onde possui uma mansão”. Que dêem a Cabral uma Bangu-propina eterna.

ETC&TAL

@ Esta coluna registra com pesar a morte do companheiro jornalista e radialista José Eugênio de Jesus, aos 98 anos. O rádio esportivo brasileiro perde um grande referencial. Era um camarada ético e gostável.

@ Ontem foi o Dia de Mobilização Geral dos Advogados Trabalhistas e Sergipe marcou presença em manifestações em Brasília.

@ Por lá, a vice-presidente da Associação Sergipana de Advogados Trabalhistas – Assat -, Rose Morais. “A Assat está protagonizando essa luta e somos todos contra as reformas trabalhista e previdenciária”, diz ela.

@ Em 2015, Rose Morais disputou a Presidência da OAB de Sergipe com Henri Clay Andrade e perdeu por pouco mais de 100 votos. Ano que vem tem eleição de novo. Ela parece disposta. “Exato! Ano animado: Brasil, Governo do Estado e OAB”, diz Rose.

@ O presidente da Junta Comercial de Sergipe – Jucese -, George Trindade, está muito tranquilo com a mudança de comando na Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia – Sedetec -, que agora será ligada ao grupo de Laércio Oliveira.

@ Sua indicação para a Jucese, entidade da Sedetec, foi feita pelo deputado Fábio Reis, PMDB. “Estive com Laércio, ele me disse que elogiou ao governador Jackson Barreto a minha ação aqui na Jucese, mas não tratamos de permanência e nem de saída”, diz George.

@ “O que eu tenho a reforçar é que o cargo não é meu e eu não serei problema para ninguém. Sei que ninguém fica onde não é convidado”, afirma George.

@ A nova logomarca da Prefeitura de Aracaju vai ser apresentada nesta segunda-feira.

@ O secretário de Saúde de Sergipe, Almeida Lima, visitou ontem a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, referência na assistência de alto risco, considerada uma unidade de manutenção e proteção da vida e talvez, depois do Huse, o maior equipamento de Saúde do Estado.

@ “Foi muito importante conhecer normas e rotinas. Os profissionais realizam um trabalho grandioso e isso me orgulha muito. Assim como o Governo, venho com um olhar crítico e humanizado. A minha missão é contribuir para o fortalecimento da Rede”, disse ele.

@ Que bom que seja uma mulher a próxima coordenadora do Fórum Empresarial de Sergipe. Ela é a contadora Suzana Sousa Nascimento, que sucedeu a Alexandre Porto, que fez um excelente trabalho nesta instituição. Hugo França é vice-coordenador.

@ Gestos muito nobres os de FHC e de Michel Temer consolando e amparando Lula nesta hora da morte de dona Marisa. Será que só a morte amansa os homens?

@ Militante orgânico do movimento sindical bancário, Durand Noronha aposentou-se recentemente do BB, mas não encostou suas inquietações sociais. De pijama, ele se dedica ao Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz.

@ “O Cebrapaz tem por princípio a defesa da paz mundial, com justiça social, distribuição de renda e de riqueza, democracia, soberania nacional e desenvolvimento”, diz Durand. Ali, ele é membro do Conselho Mundial da Paz.

@ O JLPolítica trará sempre uma entrevista domingueira. E começa com Ricardo Franco. Ele não poupa nem o pai, Albano. Diz que o último governador a pensar estruturalmente Sergipe foi o avô, Augusto Franco. O resto…, leia na entrevista!