Eduardo Amorim não tem dúvida: disputará o Governo ano que vem

Por Jozailto Lima
07 fev 2017, 22h58

Se em alguns analistas políticos, ou mesmo entre políticos da oposição e até aliados, há dúvidas da opção eleitoral do senador Eduardo Amorim, PSDB, para o ano que vem, nele isso está bem resolvido e dissipado.

“Disputarei o Governo de Sergipe. Dê no que der. Eu poderia estar em casa tranquilo, cuidando da minha profissão, que é muito boa, mas diante do que se passa com o meu Estado não posso optar por qualquer tipo de omissão”, diz o senador, que é médico, especializado em anestesiologia.

A leitura que Eduardo Amorim faz do Estado de Sergipe e dos seus problemas é a do pânico geral. A da mais profunda decadência que o Estado já enfrentou em toda a sua história de 197 anos.

“E eu vinha cantando esta bola há tempos. Muito me angustia o fato de ser bem mais fácil se morrer assassinado hoje em Sergipe do que em Estados como o Rio de Janeiro ou São Paulo. Nós não merecemos isso. Nenhum sergipano merece esse desgoverno”, pontua.

No campo da segurança, Eduardo Amorim revela um dado que é assustador: em 2006, segundo ele, a Polícia Militar de Sergipe dispunha de um efetivo de oito mil homens. “Sabe quantos são hoje? Três mil”, diz.

“Nós temos hoje uma média diária de cerca de 700 homens na rua cuidando de uma população de 3,3 milhões de pessoas. É a pior densidade soldado por habitante do país. Por isso que em determinados municípios há apenas dois PMs para as ações ostensivas”, completa o senador. Para ele, está nisso a péssima liderança de mais violento do país.

Para Eduardo Amorim, “outro escândalo” é o do endividamento do Estado, que a sociedade civil não está vendo direito e, por isso, não tem como se proteger contra esse fator.

“Basta pensarmos que em 2008 a dívida do Estado de Sergipe era de apenas R$ 829 milhões e hoje chega a R$ 7 bilhões. É algo impagável. Ainda mais sendo a grande parte dela junto a bancos. Se fosse dívida com o Governo da União, dava-se um jeito aqui outro ali, mas com bancos não tem perdão”, diz. No começo de 2016, Eduardo Amorim dizia que o Governo de Sergipe chegaria a dezembro com duas folhas de salários em atraso. Quase acertou.

“Eu não posso, portanto, me omitir diante de uma situação de calamidade pública como esta a que Sergipe está submetido. Mas diferentemente do governador do Estado e da sua visão imperial, não lançarei minha candidatura antes do começo do ano de 2018. E para isso, ainda ouvirei a minha base aliada e a sociedade. Hoje já se sabe que do lado deles tem um pré-candidato devidamente imposto”, diz o senador.

Há cerca de uma semana Eduardo Amorim trocou o PSC pelo PSDB, numa determinação nacional que harmonizou os interesses dos dois partidos. Ele vai assumir a Presidência da sigla em Sergipe, ocupada hoje por José Franco, e é de tucano que pretende ir às urnas.   

RICARDO DESAFIA VALADARES
O empresário e primeiro suplente de senador Ricardo Franco, sem partido, não perdeu a compostura diante das sapatadas que levou do senador Antônio Carlos Valadares, PSB, por ter criticado em entrevista a este portal os R$ 100 milhões do Orçamento que ele repassou à Codevasf. E lançou-lhe um desafio.

O CHUTE NA CANELA
O senador acusou-lhe do seguinte: “Ricardo Franco revela um preconceito inadmissível com uma região considerada a mais pobre de Sergipe, o Baixo São Francisco. Sua manifestação desastrosa diz bem de sua ignorância sobre a realidade do nosso Estado. Prefere, na sua insensibilidade e desconhecimento dos problemas sergipanos, relegar ao abandono região tão carente, o maior bolsão de pobreza do Estado”, disse o senador no seu ataque-resposta.

ABRA A CAIXA PRETA!
Ricardo Franco respirou alto e mandou de volta um desafio: “Para que eu e todos os sergipanos pudessem confirmar a ‘sensibilidade’ do senador Antônio Carlos Valadares para com a região do Baixo São Francisco, eu gostaria que ele abrisse os arquivos dos seus 22 anos de mandato e revelasse quantos milhões ele destinou à Codevasf até os R$ 100 milhões do ano passado”, disse Franco.

E AÍ, VAVAZÃO?
Ricardo Franco não quer antecipar juízo de valor, mas está implícito no desafio que faz ao senador Valadares que nos 21 dos 22 anos de Brasília ele não mandou nem a metade dos R$ 100 milhões do ano passado. Também por indução, Ricardo Franco quer deixar claro que a destinação dessa grana toda de agora, à beira de período eleitoral, vai se confirmar como um suporte da “demagogia eleitoral” do senador. E aí, Vavazão, vai trazer a público o informe de quanto repassou nesses 21 anos anteriores ou vai deixar dúvidas no ar?

REINADO DE NEU FONTES
Neu Fontes, secretário de Cultura do Estado de Sergipe, anda calmo e muito zen nesse tempo de mudanças de cadeiras e de Secretarias usadas como moeda de troca para atrair gente ao projeto político de Jackson Barreto. “Nunca imaginei que chegaria a estar secretário e por estar já agradeço. O chefe é o governador e a determinação é dele. Por isso não tenho que estar preocupado”, diz ele.

NO MESMO RUMO
Para Neu, em vez e ficar roendo unhas, pensando se fica ou se sai, é melhor sonhar com realizações. “Precisamos é mais de tempo e de investimento para concluir parte do que é necessário fazer. Portanto, espero continuar. Mas, se não, paciência. Por enquanto, vamos trabalhar para que assim possa seguir no mesmo rumo a favor da cultura”, diz ele.

GEORLIZE JOGA DURO
A delegada de Polícia Civil e ex-secretária de Defesa Social na gestão de João Alves em Aracaju até o ano passado, Georlize Oliveira, em um mês de Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito – SMTT – de Estância já roubou a cena entre os secretários do prefeito Gilson Andrade. A mulher chegou com o diabo no corpo e passou uma canetada geral na bagunça do trânsito. Na segunda-feira, os agentes dela fizeram uma ação dura no bairro Cidade Nova e disparou multas para tudo quanto é lado. Ontem à tarde, em meia hora, multou quatro carros na Praça Velha, no centro. Um dos multados manifestava-se em êxtase pela mudança, e nem chiava pela dor do bolso. “Isso aqui estava uma baderna”, dizia o da multa. Chega de jeitinho.

CARMÓPOLIS SOB ELEIÇÃO
Dia 2 de abril terá nova eleição de prefeito em Carmópolis, e desta vez muda-se o vice de Volney Leite Alves, DEM, que venceu o pleito com cerca de 60% dos votos – 1,7 mil de frente. Era Theotônio Neto, SD, e agora será Beto Caju, um filho dele. Na chapa governista, apresentada pela então prefeita Esmeralda Cruz, sai o candidato a prefeito Felipe de Esmeralda, e no lugar dele deve entrar o então candidato a vice, Gladston Garcia, PMDB. Pode ser seu vice, Luiz Guimarães, PSB. Uma nova convenção na esfera de Volney acontecerá no dia 15 de fevereiro.

VOLNEY LIBERADO, THEOTÔNIO TRAVADO
A chapa composta por Volney Leite e Theotônio venceu a eleição de 2 de outubro de 2016 legalmente registrada junto ao juízo da Comarca de Japaratuba. Depois da eleição, o TRE considerou inaptos os respectivos registros dos candidatos eleitos e, na sequência processual, o TSE reformou em parte essa decisão. Por decisão monocrática do ministro Henrique Neves, a candidatura de Volney foi liberada, enquanto a de Theotônio ficou para ser julgada em caráter definitivo pelo Pleno do próprio tribunal, o que até agora não ocorreu.

RENÚNCIA DOS ELEITOS
Mas para evitar que essa indefinição jurídica continuasse castigando a população do município – caos administrativo, crise financeira, graves denúncias de irregularidades e gestão provisória – Volney e Theotônio decidiram renunciar a seus direitos na causa e pediram o arquivamento do processo que ainda tramita no TSE. Esse procedimento dos candidatos e outros fatores jurídicos e processuais levaram o TRE a se antecipar aos fatos e a marcar imediatamente a eleição suplementar para o 2 de abril. Volney, já com o seu registro liberado pelo TSE, será novamente candidato a prefeito. Theotonio, ainda não julgado pelo TSE, não será e já foi, inclusive, substituído na chapa pelo músico Beto Caju.

ETC & TAL
@ Quer ler algo sobre gente que faz e pinta os setes sob o sol de Serigy? O JLPolítica recomenda Bacanudo, a supercápsula de informação pilotada aqui na web – http://bacanudo.com/ – por Márcio Lyncoln. Esse jornalista simplesmente o é, e ninguém tira nem com o gancho!

@ O senador Eduardo Amorim diz que não procedem as especulações de que o deputado federal Adelson Barreto, PR, esteja aliado de Jackson Barreto.

@ Em sendo assim, a oposição ainda teria três deputados federais – Adelson, Valadares Filho e André Moura. Com Eduardo e Valadares pai, seriam cinco de oposição na bancada no Congresso contra seis ligados a JB.

@ De Ricardo para Ricardo. Ricardo Lacerda, o big economista de Sergipe, leu a entrevista do xará Ricardo Franco aqui nesse portal. O que achou?

@ “Há um vazio de lideranças. Ele quer se apresentar como o novo. Acho que ele vislumbra uma oportunidade. É uma estratégia como a de João Dória Júnior. Mas na verdade o discurso é meio vazio. Talvez cole. Talvez dê certo para ele”, diz.

@ O promotor de justiça Deijaniro Jonas Filho, que disputou a última eleição de procurador-geral do MPE com o colega Rony Almeida, diz que a gestão da instituição está boa.

@ Deijaniro garante que não se coloca na condição de opositor, e sim na de quem procurou alternativa. Rony já é reeleito e ano que vem tem nova eleição.

@ O economista e professor Josué Modesto dos Passos Subrinho assume hoje, às 9 horas, o comando da Secretaria da Fazenda de Sergipe.

@ Josué tem 61 anos, é economista e doutor em economia. Foi vice-reitor e reitor da UFS, em ambos por dois mandatos, e reitorou a Universidade Federal de Integração Federal – Unila -, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

@ Há quem esteja prevendo situação ruim para os petistas de Sergipe no palanque de 2018. Berrando fora Temer, onde estariam eles, se historicamente são ligados ao PMDB, via JB, que é o partido do presidente?

@ Depois de uma experiência anterior como presidente da Caase – Caixa de Assistência ao Advogado – da OAB de Sergipe, Inácio Krauss experimenta a Vice–Presidência da OAB de Sergipe desde ano passado.

@ “São duas coisas diferentes. Mas estou gostando. E aprendendo muito. É uma realidade nova. Mas pra quem sabe tocar a parte administrativa e aglutinar a classe, o esforço torna-se prazeroso”, diz Krauss.

@ “A Caase trabalha com benefícios para os advogados. Já a OAB, com os problemas sociais – e estes ultimamente só têm aumentado no país -, com prerrogativas dos advogados, que temos que estar sempre atentos e vigilantes com abusos de pseudoautoridades, e também com a fiscalização na atuação de alguns colegas para que a classe não seja maculada”, completa.