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Entrevista

Jozailto Lima

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ACF Sobrinho: “O turismo precisa ser uma política de Estado”

Publicado em 14  de Julho de  2018, 20:00h

“Turisticamente, Sergipe caminha para trás”

Antônio Carlos Leite Franco Sobrinho é um empresário simples. Despojado. Direto, sem muito rodeio no que pensa e sobretudo no que fala - o que faz sem floreios. Vai direto no osso do problema. É quase um cartesiano.

E é do alto desse seu estilo meio despretensioso, mas corajoso, que Antônio Carlos Leite Franco Sobrinho diz coisas profundas sobre a área empresarial na qual atua e da qual é um representante classista, enquanto presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis de Sergipe - ABIH-SE.

Bem calçado e solidariamente amparado por colegas de atividades, representados em outras oito entidades de classe, ACF Sobrinho faz uma radiografia dura e realista - jamais pessimista - das atividades turísticas de Sergipe e do próprio Estado neste momento.

A síntese do retrato pintado por ele é a de que todo o trade vive um dos piores momentos - e jamais visto - na história sergipana. Isso seria, adverte ACF Sobrinho, menos consequência da crise econômica que estropia impiedosamente o Brasil e mais do desleixo e do amadorismo como o Governo do Estado encara e trata esta atividade.

Uma atividade que gera 12 mil empregos entre diretos - a maioria, dois terços - e indiretos, e que é responsável por levantar o crachá das boas-vindas e da cordialidade sergipana para milhares de visitantes durante os 365 dias do ano.

Mas os problemas desta atividade, sinaliza ACF Sobrinho, começam exatamente pela frequência, cada dia menor, desses visitantes - os turistas, que movem o mercado, que geram emprego e que deixam receitas por aqui. Atualmente, “baixíssimas ocupações” são duas palavras de primeira linha no dicionário dos hoteleiros do Estado.

“A maioria vem amargando baixíssimas ocupações, com taxas de 30% a 40%. E estamos praticando a diária média de cinco anos atrás. Houve uma queda no valor em função da crise, pela concorrência e pelas baixíssimas ocupações”, revela ele. 

O último mês de junho, quando o Estado é atravessado pelos alvissareiros festejos da época, expôs as vísceras de maneira cruel dessa problemática, ao proporcionar apenas 50% na ocupação dos hotéis. “Para o período, é uma média baixa. Essa ocupação acendeu o sinal amarelo em todo o setor. É sinal de que alguma coisa não está andando bem”, diz o presidente da ABIH-SE. 

E aí a coragem discreta, mas não omissa, de ACF Sobrinho não tem receio de apertar o dedo sobre a ferida da origem dessa crise na hotelaria e no turismo de Sergipe: a culpa é do Estado, que trata as demandas do trade com amadorismo e fastio em atos e ações. “Não acho que o Governo do Estado venda mal Sergipe, turisticamente. Acho que ele simplesmente não vende. E isso é muito é grave”, diz ACF.

Mas grave por que? “Porque hoje os concorrentes, como Alagoas, Pernambuco e Ceará, estão vendendo seus destinos, e vendendo muito. Fazendo muitas parcerias com operadoras, com as próprias associações de hotéis, de bares e restaurantes. Eles estão muito avançados, enquanto o Estado de Sergipe caminha para trás nesse sentido”, diz ACF Sobrinho.

Apesar dessa leitura fria e dura, mas realisticamente consubstanciada pela exposição dos números esqueléticos, o pessimismo passa longe de ACF Sobrinho quando o tema volta-se para as potencialidades de Sergipe e no campo da atividade turística em si. Ele é quase um otimista incurável. Bota fé na atividade, no Estado e no futuro dos dois.

“Olha, Sergipe tem uma peculiaridade: apesar de a gente não estar nas grandes vitrines das operadoras hoje, apesar de o Estado não se vender muito como destino, o turista que vem para Sergipe adora e quer voltar. Nós que estamos dentro dos hotéis e conversamos com os turistas, sentimos isso”, diz.

“Eles gostam de Aracaju, nossa principal porta de entrada. Acham que é uma cidade atrativa. São bem recebidos tanto pela rede hoteleira quanto pela população. Eles simplesmente adoram Sergipe. Então esse é um sentimento que a gente tem que aproveitar. O turista que vem para Sergipe geralmente não é o marinheiro de uma única viagem. É um turista que já veio, gostou e volta”, completa.

Diante de tudo isso, ACF Sobrinho aponta duas saídas emergenciais: a do diálogo propositivo e respeitoso com o Governo do Estado e a das ações específicas, diretamente promovidas pelas entidades do trade. Nada de cruzar os braços.

Na primeira, eles serão recebidos em pauta nesta quarta-feira,18, à tarde, pelo governador Belivaldo Chagas, depois de 48 dias sendo cozinhados, e na segunda esfera, vão cair em campo divulgando - ou vendendo, como se diz no jargão da área - o Estado em outras praças.

“A ABIH está contratando representantes comerciais para vender Sergipe enquanto destino. O turismo é toda uma cadeia produtiva. Uma indústria limpa, que precisa ser vista com bons olhos. Nós queremos apenas ser tratados com responsabilidade. E a gente espera que um dia o turismo seja tratado com seriedade, e não como cabide de empregos”, diz.

50% DE OCUPAÇÃO DA HOTELARIA EM JUNHO
“Para o período, é uma média baixa. Quando temos as festas juninas a gente costuma ter uma taxa de ocupação bem maior tanto aqui Aracaju quanto no interior. Essa ocupação acendeu o sinal amarelo”

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Em 7 de maio deste ano, foi empossado presidente da ABIH
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Tem 37 anos de idade

TAXA DE OCUPAÇÃO IDEAL
“Acredito que acima de 75% seria uma ocupação que daria equilíbrio e conforto para os hotéis. Mas a maioria, tirando esse mês junino, vem amargando baixíssimas ocupações, com taxas de 30% a 40%”

JLPolítica - A média de 50% de ocupação da hotelaria de Sergipe em junho tem que significado para o setor?
Antônio Carlos Franco Sobrinho -
Para o período, é uma média de ocupação baixa. E essa média de 50% se deu no mês de junho, quando temos as festas juninas e por isso a gente costuma ter uma taxa de ocupação bem maior tanto aqui Aracaju quanto no interior. Então, essa ocupação acendeu o sinal amarelo em todo o setor. É sinal de que alguma coisa não está andando bem. 

JLPolítica - Com quanto por cento em média de ocupação a atividade se daria por bem remunerada e em paz consigo mesma?
ACF –
Eu acredito que acima de 75% seria uma ocupação que daria equilíbrio e conforto para os hotéis. Mas hoje a maioria, tirando esse mês junino de que falei há pouco, vem amargando baixíssimas ocupações, com taxas de 30% a 40%. E estamos praticando a diária média de cinco anos atrás. Houve uma queda no valor em função da crise, pela concorrência e pela baixíssima ocupação. 

JLPolítica - O senhor está dizendo, com isso, que o Estado é facilmente vendável?
ACF –
Sim, acredito nisso. Hoje, se temos turistas aqui é porque Sergipe é um Estado bom, que tem vários atrativos turísticos e que a gente pode vender. Se ele fosse um Estado bem vendido publicitariamente, se fosse feito um bom trabalho, hoje estaríamos brigando de igual para igual com outros Estados. 

UM SÃO JOÃO MAIS DELONGADO
“Uma sugestão da ABIH para o próximo ano é, inclusive, a de colocar o São João da Orla de 15 de maio a 15 de julho, fazendo parcerias público-privadas com hotéis, restaurantes, e só quem ganha é o Estado. Ele precisa entender isso”

JLPolítica - A média de 50% de ocupação da hotelaria de Sergipe em junho tem que significado para o setor?
Antônio Carlos Franco Sobrinho -
Para o período, é uma média de ocupação baixa. E essa média de 50% se deu no mês de junho, quando temos as festas juninas e por isso a gente costuma ter uma taxa de ocupação bem maior tanto aqui Aracaju quanto no interior. Então, essa ocupação acendeu o sinal amarelo em todo o setor. É sinal de que alguma coisa não está andando bem. 

JLPolítica - Com quanto por cento em média de ocupação a atividade se daria por bem remunerada e em paz consigo mesma?
ACF –
Eu acredito que acima de 75% seria uma ocupação que daria equilíbrio e conforto para os hotéis. Mas hoje a maioria, tirando esse mês junino de que falei há pouco, vem amargando baixíssimas ocupações, com taxas de 30% a 40%. E estamos praticando a diária média de cinco anos atrás. Houve uma queda no valor em função da crise, pela concorrência e pela baixíssima ocupação. 

JLPolítica - O senhor tem noção de quanto o setor emprega? 
ACF –
Sim. Nós estimamos uma empregabilidade em torno de oito mil pessoas diretamente e outras quatro mil indiretamente, segundo dados da ABIH-SE. 

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Foi prefeito por dois mandatos consecutivos do município de Riachuelo: 2005 a 2012

SERGIPE NÃO É VENDIDO COMO DESTINO
“Não acho que o Governo do Estado venda mal Sergipe, turisticamente. Acho que ele simplesmente não vende. E isso é muito é grave, porque hoje concorrentes como Alagoas, Pernambuco e Ceará estão vendendo muito”

JLPolítica - O senhor acha que o Governo do Estado vende mal Sergipe lá fora do ponto de vista do significado turístico?
ACF -
Não acho que o Governo do Estado venda mal Sergipe, turisticamente. Acho que ele simplesmente não vende. E isso é muito é grave, porque hoje os concorrentes, como Alagoas, Pernambuco e Ceará, estão vendendo seus destinos, e vendendo muito. Fazendo muitas parcerias com operadoras, com as próprias associações de hotéis, de bares e restaurantes. Eles estão muito avançados, enquanto o Estado de Sergipe caminha para trás nesse sentido. Sergipe não vende o Estado.

JLPolítica - Neste setor, quais as consequências dos que não se promovem bem?
ACF -
As consequências dos que não se promovem bem é esta que estamos passando hoje: baixa ocupação, desemprego, desaquecimento da economia, tarifas ruins, queda no número de voos - que acontece aqui em Sergipe. É prejuízo para todos.

JLPolítica - O senhor tem noção de como o Estado de Sergipe é visto pelos turistas do Nordeste, do resto do Brasil e de outras partes do mundo?  
ACF -
Olha, Sergipe tem uma peculiaridade: apesar de a gente não estar nas grandes vitrines das operadoras hoje, apesar de o Estado não se vender muito como destino, o turista que vem para Sergipe adora e quer voltar.

JLPolítica - Onde e como o senhor constata isso?
ACF -
Nós que estamos dentro dos hotéis e conversamos com os turistas, sentimos isso. Eles gostam da cidade de Aracaju, nossa principal porta de entrada. Acham que é uma cidade atrativa. São bem recebidos tanto pela rede hoteleira quanto pela população. Eles simplesmente adoram Sergipe. Então esse é um sentimento que a gente tem que aproveitar. O turista que vem para Sergipe geralmente não é o marinheiro de uma única viagem. É um turista que já veio, gostou e volta. 

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Alcançou os dois mandatos de Déda como governador

QUEM VISITA SERGIPE, SE APAIXONA. E VOLTA
“Apesar de o Estado não se vender como destino, o turista que vem para Sergipe adora e quer voltar.  São bem recebidos tanto pela rede hoteleira quanto pela população. O turista que vem para Sergipe geralmente não é o marinheiro de uma única viagem”

JLPolítica - O senhor está dizendo, com isso, que o Estado é facilmente vendável?
ACF –
Sim, acredito nisso. Hoje, se temos turistas aqui é porque Sergipe é um Estado bom, que tem vários atrativos turísticos e que a gente pode vender. Se ele fosse um Estado bem vendido publicitariamente, se fosse feito um bom trabalho, hoje estaríamos brigando de igual para igual com outros Estados. 

JLPolítica - Que fim teve o voo Aracaju-Buenos Aires? Chegou a decolar ou morreu de véspera?
ACF -
A gente tem a informação de que ele chegou a decolar. Veio, apesar do pouquíssimo número de argentinos que atraiu, porque não foi feito um trabalho de divulgação na Argentina e nem foram feitas parcerias com operadoras de lá. E depois houve esse imbróglio entre a Gol e o Estado por essa tarifação do querosene, e o voo foi suspenso. Foi para João Pessoa. 

JLPolítica - De que forma essa suposta falta de compromisso do Governo do Estado para com setor turístico prejudica o trade e a economia geral do Estado?
ACF
- Eu digo sempre que o turismo precisa ser uma política de Estado. Uma política de Governo, e não há segredo nisso. O que a gente solicita é que o Governo de Sergipe tenha uma visão e uma gestão do turismo como outros Estados hoje já têm. A gente precisa pensar o turismo de Sergipe. O que é prioridade para o turismo de Sergipe hoje? As obras estruturantes. Estamos vendo, através de algumas entidades, algumas obras acontecendo a partir do Prodetur, e elas realmente atraem turistas. Outras realmente só atendem a interesses políticos regionais. São obras que não atraem turistas. No máximo, talvez, atraiam o turismo interno.

JLPolítica - O trade se dá por satisfeito com o grau de comprometimento dos secretários de Turismo que têm surgido no Estado nos últimos anos?
ACF -
Não adianta ter um bom secretário se ele não tiver boas condições do Governo. Se o Governo não entender que o turismo é uma prioridade, que gera emprego, que gera renda, que se bem trabalhado as pessoas saem falando bem do Estado. Hoje, grandes Estados têm no turismo o principal motor da economia. Então a gente precisa que o Estado de Sergipe também tenha essa visão. A reclamação da ABIH há anos é sempre a mesma: a de que o Estado precisa divulgar o destino, precisa fazer parcerias para divulgar o destino. E isso passa por uma pessoa que tenha conhecimento da área. Que tenha gestão e visão de parceria, mas principalmente que tenha condições de trabalho por parte do Governo. 

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Elegeu-se prefeito pelo PMDB (hoje MDB) de Jackson Barreto e do seu primo, Marcos Franco.

CARÊNCIA DE UMA POLÍTICA DE ESTADO
“Turismo precisa ser uma política de Estado. Uma política de Governo, e não há segredo nisso. O que a gente solicita é que o Governo tenha visão e gestão do turismo como outros Estados hoje já têm”

JLPolítica - Então não seria especificamente problema para um secretário e sim do gestor maior... 
ACF -
Eu acho que existe problema de visão. Os políticos, principalmente, precisam entender o que é o turismo. O turismo não são os hotéis. Não são somente os bares e restaurantes. O turismo é toda uma cadeia produtiva. Uma indústria limpa, que precisa ser vista com bons olhos. Nós queremos apenas ser tratados com responsabilidade. E a gente espera que um dia o turismo seja tratado com seriedade, e não como cabide de empregos. 

JLPolítica – Os senhores têm levado sugestões ao Governo do Estado e à Prefeitura de Aracaju no dia a dia da atividade, e de que forma elas tem sido recepcionadas?
ACF -
Com relação à Prefeitura de Aracaju, a ABIH tem uma boa comunicação. Fizemos uma solicitação ao prefeito Edvaldo Nogueira para lançar as datas do Forró Caju com antecedência para que pudéssemos divulgar, e isso foi feito. Não foi feita uma divulgação por questões burocráticas. Há, inclusive, uma tendência de fazermos uma ação abrangendo a Prefeitura, a Fecomércio, através do Programa Lidera, para capacitar agentes de viagem. Então dentro do campo de Aracaju, essa parceria pode inclusive aumentar. Com relação ao Governo do Estado, tivemos três ou quatro reuniões com o secretário de Turismo e sempre é alegada a crise, a falta de recursos. Mas temos dado algumas ideias e, por enquanto, a alegação é de que estão sendo feitas as obras do Prodetur, mas na verdade a gente acha que existiam outras prioridades, como o Centro de Convenções, cujas obras estão ou paradas ou andando lentamente. Queremos diálogo com o Governo do Estado também. Não existe uma intenção por parte das entidades de classe de colocar o governador contra a parede, por exemplo. O que a gente quer é colaborar, fazer parcerias. A gente quer mostrar ao governador o que o turismo está passando e propor algumas ações, coisas que o próprios hoteleiros sugerem e com as quais estão dispostas a colaborar. 

JLPolítica – Os senhores terão na quarta, 18, uma reunião com o governador Belivaldo Chagas. O levarão de sugestão para essa reunião?
ACF -
Nós temos uma pauta. Ela contempla a necessidade de o Governo investir mais no turismo e de que o trade participe das tomadas de decisões pelo Governo. Poderíamos ser ouvidos sobre as obras importantes, por exemplo, porque entendo o turismo muito para quem vem de fora para o Estado, e é importante que essas obras atendam a essa demanda. A gente quer ter esse diálogo com o governador. 

JLPolítica - O trade considera que as decisões do Governo são muito monocráticas?
ACF -
O trade nunca participou de nenhuma decisão a respeito do Proinvest, apenas de algumas do Prodetur, da parte de turismo e marketing, porque existe uma promessa de haver licitação há seis ou sete anos e até agora não foi. 

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Mas apoiou Eduardo Amorim para o Governo em 2014, na eleição que ele perdeu para JB. Na imagem, além de Eduardo, Tácito Faro, pai de ACF

TURISMO COMO MOTOR DA ECONOMIA
“O turismo é uma prioridade que gera emprego e renda e que, se bem trabalhado, as pessoas saem falando bem do Estado. Grandes Estados têm no turismo o principal motor da economia. A gente precisa que Sergipe também tenha essa visão”

JLPolítica – Quais são as obras de relevância para o setor turístico que estão paradas sem a devida atenção do Governo de Sergipe e quais os prejuízos que isso gera?
ACF -
O carro-chefe desse cenário é a do Centro de Convenções, que ficou mais de cinco anos parada. Hoje, ou a obra está parada ou anda lentamente, porque a gente não vê volume dela. Já perdemos muitos eventos, para mil e para duas mil pessoas, porque Aracaju não comporta esse tipo de evento hoje. Nós temos a Orla de Atalaia, que está deteriorada, carente de manutenção. Vários turistas reclamam da Orla. Acham a Orla agradável, mas têm muita reclamação também - sobretudo com relação à segurança. 

JLPolítica - O senhor não acha que há uma subutilização dos recursos disponíveis do Prodetur para o setor turístico do Estado?
ACF -
É como falamos: nós não fomos consultados a respeito da aplicação desses recursos. O que a gente sabe é através da imprensa, que noticia. Algumas obras nós vemos como obras boas, estruturantes; outras atendem a interesses políticos regionais. 

JLPolítica - Como o senhor vê a urbanização da Sarney? É uma obra que favorece o turismo? 
ACF –
Sim, favorece. É uma obra importante, se sair do papel. Existe esse planejamento há três ou quatro anos e dessa vez esperamos que de fato aconteça. 

JLPolítica – Daria para terminar uma obra dessa até dezembro?
ACF -
Nós acreditamos que não termine, porque é uma obra que vai mexer com desapropriações, vai ser mais longa. O turismo tem que pensar em política de governo. Só para se ter ideia, tivemos cinco secretários nos últimos anos, cada um pensa de forma diferente. Por isso é necessário ter um plano para o turismo do Estado. Um plano que contasse com a participação de todas as entidades, porque turismo se faz com planejamento. O hóspede não vai chegar aqui amanhã. Vai chegar daqui a seis meses, então tem que planejar. Aproveitando o gancho, já que a gente não pode falar apenas do que o Estado não faz, desde que entramos na ABIH, estamos realizando algumas ações: parceria com a CVC, onde os hoteleiros vão entrar com o recurso, e a CVC divulgará o destino, que é uma dificuldade que temos. Primeiro divulga o destino, depois o hotel. Vamos voltar a fazer as capacitações que a ABIH sempre fez na gestão de Daniela Mesquita. Capacitações com agentes de viagem, divulgando o destino. A ABIH está contratando representantes comerciais para vender Sergipe enquanto destino. 

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É sobrinho de Albano Franco, ex-governador. Herdou o nome de outro tio, Antonio Carlos Franco, pai de Marcos Franco e ex-prefeito de Laranjeiras

SER TRATADOS COM RESPONSABILIDADE
“O turismo é uma indústria limpa, que precisa ser vista com bons olhos. Queremos apenas ser tratados com responsabilidade. A gente espera que um dia o turismo seja tratado com seriedade, e não como cabide de empregos”
 

JLPolítica - A ABIH então não é passiva. Não fica só esperando o Governo...
ACF -
Não. A gente não pode esperar, porque não chega. A gente tem que trabalhar. A gente não pode ficar inviabilizado por causa do quadro que se encontra. 

JLPolítica - Na sua opinião, portanto, falta ao Estado e à atividade pública a devida noção do que significa o turismo para Sergipe?
ACF -
Acho que não veem a importância. Não reconhecem a importância do turismo para a geração de emprego e renda. Acham que o turista são só os hotéis. Não é só isso. O turista quando vem para cá, à tarde vai ao shopping, vai a um bar na praia, pega um táxi, desce no aeroporto, é toda uma cadeia que ele movimenta. Não é só a do hotel. E é preciso ter essa visão do turismo como boa indústria. 

JLPolítica – Mas, afinal, que categoria é esta que possa ser denominada de turista?
ACF -
É a pessoa que vem para o Estado, a trabalho ou a lazer. Para nós, é uma pessoa que movimenta a economia, que curte o Estado e que quer voltar a ele. Porque hoje o nosso grande desafio é tratar bem o hóspede, para fidelizá-lo.  

JLPolítica - Como vai o turismo interno de Sergipe? Essa categoria existe? O sergipano conhece Sergipe turisticamente?
ACF -
Para a categoria interna temos alguns atrativos, como o turismo religioso de Laranjeiras e Divina Pastora e São Cristóvão. Temos a Praia do Saco, que é uma das mais bonitas do mundo; temos Xingó, para onde são vendidos muitos pacotes. Tanto o externo quanto o interno conhecem esses destinos. Nós não medimos o turismo interno. Mas a gente já está começando a ver gente chegando no hotel e procurando Laranjeiras e Divina Pastora, por exemplo. E são cidades que já têm certa infraestrutura. Mas essa não é uma demanda hoteleira, por isso não temos como medir. 

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Com Marcelo Machado e Eugenio Hermírio, também membros da ABIH

MAIS RESPEITO DA PREFEITURA DE ARACAJU
“Com relação à Prefeitura de Aracaju, a ABIH tem uma boa comunicação. Fizemos uma solicitação ao prefeito Edvaldo Nogueira para lançar as datas do Forró Caju com antecedência para que pudéssemos divulgar, e isso foi feito”

JLPolítica – Qual é a importância e o percentual da cidade de Aracaju no turismo receptivo de Sergipe?
ACF –
É alta. Cerca de 90% a 95%. Só não vem para cá quem vai direto para Xingó. 

JLPolítica - A capital está devidamente preparada para a atividade receptiva?
ACF -
Está. Nós temos hoje um equipamento hoteleiro dos melhores do Brasil, com novos e modernos hotéis. Temos uma Orla que é considerada uma das mais bonitas do Nordeste. Extensão de praia no litoral, várias praias. O ponto turístico Largo da Gente Sergipana - hoje Aracaju está bem preparada para receber o turista. 

JLPolítica – Qual o conceito de uma cidade, Estado ou região bem preparada para o turismo?
ACF –
É aquele que segue os padrões da profissionalização. Hoje o hotel para receber bem o turista precisa capacitar seus colaboradores. Os bares e restaurantes, também. Os taxistas também estão sendo profissionalizados. Então acho que todo o trade está sendo profissionalizado e está atendendo bem. Isso precisa chegar aos órgãos públicos. Os gestores precisam enxergar o turismo como tem que ser, e para isso precisam de pessoas que conheçam a área. 

JLPolítica – Qual é o peso de Canindé de São Francisco no PIB turístico do Estado?
ACF -
Canindé é um grande polo turístico do Estado, mas nessa guerra comercial entre os Estados, Sergipe está perdendo muito para Alagoas na exploração dos cânions. Hoje a gente já vê vários empreendimentos do outro lado do rio. Alagoas fatura mais o cânion do que nós. 

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Culpa o Estado pelo crise hoteleira

A FALTA QUE FAZ UM CENTRO DE CONVENÇÕES
“Já perdemos muitos eventos, para mil e para duas mil pessoas, porque Aracaju não comporta esse tipo de evento hoje. Temos a Orla de Atalaia, que está deteriorada, carente de manutenção. Vários turistas reclamam dela”

JLPolítica - Nossos sítios turísticos mais famosos, como São Cristóvão e Laranjeiras, estão bem na fita para receber, se mostrar e significar?
ACF -
Sim, acredito. Hoje tanto Xingó quanto Laranjeiras, Divina Pastora e São Cristóvão estão bem preparados para receber o turista. 

JLPolítica – Quantos leitos de hotel dispõe o Estado de Sergipe e quanto por cento disso está em Aracaju?
ACF -
O Estado tem cerca de 12 mil leitos e, desses, temos cerca de 3.100 filiados à ABIH. Acreditamos que em Aracaju haja cerca de 10 mil deles, o que corresponde a 90% do total do Estado. No interior há muitas pousadas e um hotel em Xingó. 

JLPolítica - Isso é pouco ou é o suficiente?
ACF -
Acho pouco, mas até o início da crise havia alguns projetos hoteleiros que poderiam sair do papel. Com a crise, esses novos investimentos foram suspensos. Então acho que no futuro esse número tende a aumentar. 

JLPolítica - Qual o critério para um hotel ser filiado à ABIH?
ACF -
Não há critérios físicos, porque todas as pousadas e hotéis que temos são dignos de prestar todo o conforto ao turista. Que ele atenda ao projeto da ABIH, pague a mensalidade, participe das reuniões.

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É um representante classista, enquanto presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis de Sergipe - ABIH-SE

SERGIPE PERDE MUITO PARA ALAGOAS VIA CANINDÉ
“Canindé é um grande polo turístico do Estado, mas nessa guerra comercial entre os Estados, Sergipe está perdendo muito para Alagoas na exploração dos cânions. A gente já vê vários empreendimentos do outro lado do rio. Alagoas fatura mais o cânion do que nós” 

JLPolítica - Como está a performance do turismo de eventos, negócios, frente ao turismo turístico, de visitação?
ACF -
Antes da crise, o foco de Sergipe era o turismo de negócios. O chamado turismo corporativo, mas hoje isso acabou. Hoje nós tivemos que reinventar o turismo em Sergipe. Os hotéis hoje dependem do turismo de passeio, de lazer. Hoje com o Centro de Convenções fechado, nós estamos recebendo pequenos eventos apenas, com capacidade para 500 a 600 pessoas. 

JLPolítica - É justo que o trade turístico de Sergipe bata palmas para a reforma de um CIC tão simplório e não se mobilize para que o Estado tenha um centro de convenções digno do nome?
ACF -
Quando foi feito esse projeto, no passado, suscitou-se a possibilidade de se fazer uma obra maior, mas foram postas algumas dificuldades. Hoje, o pensamento é o de que é melhor ter ele do que não ter nada. Mas a posição da ABIH é a de que o local apresenta algumas dificuldades para grandes eventos. Acredito, no entanto, que com ele funcionando a gente terá condições de trazer eventos para Sergipe. 

JLPolítica - A informalidade compete com a rede hoteleira?
ACF -
Compete. Principalmente agora, com o Airbnb chegando. Mas a gente tem que mostrar o diferencial do hotel na segurança, na boa acomodação. No bom serviço. A gente tem que ganhar nisso. 

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“A maioria vem amargando baixíssimas ocupações, com taxas de 30% a 40%", lamenta a taxa de ocupação da rede hoteleira de Sergipe

DO PIB HOTELEIRO DE SERGIPE
“O Estado tem cerca de 12 mil leitos e, desses, temos cerca de 3.100 filiados à ABIH. Acreditamos que em Aracaju haja cerca de 10 mil deles, o que corresponde a 90% do total do Estado. Acho pouco”

JLPolítica - É cara a hotelaria em Sergipe hoje?
ACF -
Acho que em comparação aos outros Estados e ao nosso equipamento hoteleiro, a gente está na média nacional. E principalmente porque não houve um crescimento exponencial da diária média desde 2014. 

JLPolítica - Quanto custa uma diária num hotel 5 estrelas como esse da sua família?
ACF -
Vai variar do período. Mas em média R$ 250 a R$ 280. 

JLPolítica - Qual é o peso d o São João na grade turística de Sergipe?
ACF -
O São João é importante, mas para atrair turistas é preciso avaliar se esse São João está sendo divulgado com antecedência e fora do Estado. Tem Estados que já estão divulgando o Réveillon hoje. Então os festejos juninos são uma tradição que a gente precisa manter, mas vendendo isso fora logo em janeiro, depois do Carnaval. Uma sugestão da ABIH para o próximo ano é, inclusive, a de colocar o São João da Orla de 15 de maio a 15 de julho, fazendo parcerias público-privadas com hotéis, restaurantes, e só quem ganha é o Estado. E ele precisa entender isso. 

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Reclama que o Estado trata as demandas do trade com amadorismo e fastio em atos e ações

DA MORTE DO TURISMO DE NEGÓCIOS
“Antes da crise, o foco de Sergipe era o turismo de negócios. O turismo corporativo, mas hoje isso acabou. Hoje tivemos que reinventar o turismo em Sergipe. Os hotéis hoje dependem do turismo de passeio”

JLPolítica – Qual é o grande entrave, enquanto classe, na unidade dos que compõem o trade turístico?
ACF -
Hoje estamos conseguindo construir uma unidade, até em virtude das dificuldades. Estamos unidos, porque o setor está demandando essa união. O setor nunca passou por tantas dificuldades como nesse momento. Porque nossas decisões são definidas em conjunto, o trade tem um discurso único em prol das melhorias. Nota-se que o trade quer colaborar, dizer que falta gestão, e não apenas reclamar de Governo. Queremos participar, mas para isso o trade precisa ser provocado, acionado. A gente precisa de reuniões mensais, saber o que estão fazendo. 

JLPolítica - Quantas entidades compõem o trade hoje? 
ACF -
 São nove:  AC&B - Aracaju Convention Bureau -, Abrajet-SE - Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo de Sergipe -, Abav-SE - Associação Brasileira das Agências de Viagem de Sergipe -; ABIH-SE - Associação Brasileira de Indústria de Hotéis Sergipe -, Abrasel-SE - Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Sergipe -, Abla-SE - Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis de Sergipe -. SHRBS - Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares - Sindetur-SE - Sindicato do Turismo de Sergipe - e Singtur-SE - Sindicato de Guias de Turismo de Sergipe. E o melhor de tudo é que estão mais unidas do que nunca.

JLPolítica - Em 2020, o Estado fará 200 anos de emancipação em relação à Bahia. Pode se fazer disso um evento de proveito turístico?
ACF -
Pode. O trade está à disposição. Temos que aproveitar todas essas datas para fomentar o turismo.

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"Hoje estamos conseguindo construir uma unidade, até em virtude das dificuldades", comemora