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Entrevista

Jozailto Lima

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Airton Martins: “Não aceitamos a Barra com 30 mil habitantes”

Publicado em 9  DEZ 2017, 20h00

 “Transparência é o que nos fez um prefeito nota 10”

Teólogo pela Universidade Federal da Bahia, contador de nível médio e técnico do Poder Judiciário do Estado de Sergipe, Airton Sampaio Martins, 56 anos, está prefeito da Barra dos Coqueiros desde o dia 1° de janeiro de 2013.

Airton Martins leva o coisa muito a sério, e uma certificação disso pode ser a condição de Prefeito Nota 10 obtida por ele na última quinta-feira através do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe durante o Seminário Todos Contra a Corrupção.

E ele fatura sem modéstia: “Esta é a segunda vez no TCE, mas já recebemos a mesma distinção vinda do Ministério Público Federal”, diz Airton Martins, laureado ao lado de mais cinco colegas de Executivo Municipais de Sergipe, um presidente de Câmara Municipal e o próprio Tribunal de Contas. 

“Eu fico muito feliz em estarmos encaixados nos parâmetros do TCE, que faz um belo trabalho em favor de gestões melhores, mais limpas e éticas, e contra qualquer ato de corrupção. Divido isso com minha equipe, que entende a necessidade de ser e de fazer diferente. Aliás, eu parabenizo aqui também o próprio TCE, que foi uma das sete instituições nota 10”, diz Airton.

Ele admite que a premiação vem do jeito transparente de gerir o município. “Prezamos pela transparência e mostramos tudo o que fazemos. Todos os atos, sem esconder nada. Por isso levamos esta nota 10 repetidamente”, diz.

Airton Martins toca pela terceira vez (foi prefeito de 2005 a 2008) um município com problemas, carências, mas virtualmente promissor. Colado em Aracaju, de quem o separa apenas o Rio Sergipe, Barra começa seus problemas pela população subdimensionada pelo IBGE. Airton imagina que passam de 35 mil habitantes, mas o IBGE não lhe deu nem 30 mil no censo aproximativo deste ano.

Ele recorreu à justiça, pedindo uma revisão, e quiçá um censo específico. “Posso garantir que nós já entramos com essa ação de que falei em nome do município por discordância da previsão populacional inferior aos 30 mil habitantes. Nós anexamos informações extras e mapas da nova realidade imobiliária do município e estamos na expectativa de que nos saia um resultado favorável”, diz ele.

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Nasceu e sempre viveu na Barra
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É prefeito da Barra pela terceira vez

JLPolítica - Pela segunda vez no Tribunal de Contas, o senhor é distinguido como prefeito nota 10. Com base em que o Tribunal chega a essa conclusão? 
Airton Martins –
Tudo isso aconteceu em função da transparência. A transparência é o que nos fez um prefeito nota 10. Esta é a segunda vez no TCE, mas já recebemos a mesma distinção vinda do Ministério Público Federal. 

JLPolítica - Isso gera que tipo de sensação para quem administra a cosia pública?
AM -
Eu fico muito feliz em estarmos, em gestão e gestores, encaixados nos parâmetros do TCE, que faz um belo trabalho em favor de gestões melhores, mais limpas e éticas, e contra qualquer ato de corrupção. Divido isso com minha equipe, que entende a necessidade de ser e de fazer diferente. Aliás, eu parabenizo aqui também o próprio TCE, que foi uma das sete instituições nota 10. Além da Barra, mais cinco municípios e uma Câmara Municipal foram contemplados. Isso faz a diferença, e espero um dia ver todos os 75 municípios com nota semelhante. Será bom para todos.

JLPolítica - Mas o que o TCE e o MPF mediram para chegar a isso em relação à sua condição de gestor?
AM -
Mediram tudo o que a Prefeitura faz e disponibiliza para o conhecimento da população. Hoje em dia, com esses escândalos de corrupção, a população às vezes não sabe o que está acontecendo, mas nós, com uma boa equipe, prezamos pela transparência e mostramos tudo o que fazemos. Todos os atos, sem esconder nada. Por isso levamos esta nota 10 repetidamente. 

FELIZ COM O TÍTULO PREFEITO NOTA 10
“Fico muito feliz em estarmos encaixados nos parâmetros do TCE, que faz um belo trabalho em favor de gestões melhores, limpas e éticas, e contra qualquer ato de corrupção. Divido isso com minha equipe”

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Prefeito Nota 10 obtida através do TCE, durante o Seminário Todos Contra a Corrupção.

JLPolítica - O município tem um Portal de Transparência atualizado? 
AM –
Tem, sim. Enviamos tudo para os órgãos competentes, como o TCE e o MPE. É tudo online e disponível para a comunidade. 

JLPolítica - O senhor administra um município que o IBGE estima que tenha 30 mil habitantes, com um orçamento de R$ 120 milhões. O que é possível fazer com esses recursos e essa realidade? 
AM -
A realidade é que temos uma população crescente. Uma das que mais crescem no Estado, com grandes condomínios e outros investimentos empresariais, como a termelétrica. Nós até entramos na Justiça, porque acreditamos que nossa população chega a 35 mil e o IBGE calcula essa estimativa de 29 mil e poucos. A previsão orçamentária de R$ 120 milhões - que nem sempre é realizável, como ocorre neste 2017 - dá para fazer o que estamos fazendo: pagando em dia os servidores, melhorando a saúde - inclusive de municípios vizinhos, que nos acessam, com investimento alto; na educação, pagamos o piso dos professores, ampliamos escolas, construímos outras. Estamos mudando a entrada da cidade, vamos fazer um pórtico... 

JLPolítica - Essa mudança de 29 mil para 35 mil habitantes, mexe na receita previsível de R$ 10 milhões ao mês?
AM -
Sim. Aumentaria. Mas a nossa receita não chega a isso, porque o orçamento é apenas uma estimativa. Esse ano, por exemplo, vai chegar a pouco mais de R$ 75 milhões. 

POPULAÇÃO ACIMA DE 35 MIL
“Temos uma população crescente. Uma das que mais crescem no Estado, com grandes condomínios e outros investimentos empresariais, como a termelétrica. Até entramos na Justiça, porque acreditamos que nossa população chega a 35 mil e o IBGE calcula 29 mil”

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Acredita que a Barra tenha mais de 35 mil habitantes

JLPolítica - Então o município não fecha os R$ 120 milhões?
AM -
Não. Esse ano não vamos chegar a isso. Foi calculado com base num ano em que houve uma arrecadação maior. Mas as coisas pioraram. Vamos ver quanto iremos arrecadar esse ano. A Câmara Municipal recebe à proporção do que foi arrecadado. Está recebendo mais de R$ 300 mil, então esse ano deve cair. 

JLPolítica - O senhor espera para quando esta definição do IBGE em nome da Barra?
AM -
Eu só posso garantir que nós já entramos com essa ação de que falei em nome do município por discordância da previsão populacional inferior aos 30 mil habitantes - sim, achamos que ele passa dos 35 -, mas esta definição é feita lá por Brasília e a decisão de recontagem, possivelmente por São Paulo. Nós anexamos informações extras e mapas da nova realidade imobiliária do município e estamos na expectativa de que nos saia um resultado favorável. Até porque, pelas demandas da Barra, as receitas que nos chegam hoje são muito insuficientes e uma evolução demográfica que saia dessa nossa contestação nos garantiria mais recursos de repasse do FMP. Isso é uma questão de justiça com a cidade, com seus moradores e com os seus gestores de hoje e de amanhã.

JLPolítica - O senhor tem apoio da bancada federal, sob a forma de emendas para obras?
AM -
Não recebi nenhum recurso federal nem em 2016 nem em 2017. Nós temos um deputado federal, que é Fabio Mitidieri, e ele alocou R$ 1 milhão para uma escola. O recurso está para sair. É impositivo, esperamos. 

RECURSOS DE EMENDAS FEDERAIS
“Não recebi nenhum recurso federal nem em 2016 nem em 2017. Nós temos um deputado federal, que é Fabio Mitidieri, e ele alocou R$ 1 milhão para uma escola. Está para sair. Esperamos” 

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"Fabio Mitidieri alocou R$ 1 milhão para uma escola, de emenda ao Orçamento da União", reconhece

JLPolítica - Qual é o apoio do Governo do Estado à sua gestão? 
AM -
Nós temos um bom relacionamento com o governador Jackson Barreto. Para começar, sou do PMDB como ele. O governador nos apoia. Mas o Estado também não está numa situação muito boa, tem até atrasado salários. E nenhum administrador quer fazer isso. Mas no que é possível, Jackson Barreto nos ajuda. Muitas coisas nós fazemos com recursos próprios. 

JLPolítica - Elevar a Barra a uma nova fronteira imobiliária da Grande Aracaju traz benefícios ou traz riscos e perigos? 
AM –
Acho que é positivo. Estamos melhorando a cidade, porque esses investidores pagam impostos, como IPTU, ITBI, e eles se revertem em investimentos na coleta de lixo, que é hoje é exemplar, aprovada por 80% da população. A saúde também é aplaudida. O único problema é a segurança, mas estamos investindo agora. Vamos construir, na entrada, um posto policial. Faremos concurso público para a Guarda Municipal no próximo ano - não fizemos ainda porque ficamos impedidos por causa de um erro da gestão passada. 

JLPolítica - Mas o município está preparado para esse boom imobiliário?
AM -
Está. Nós temos equipes formadas, estamos criando até um projeto de proteção aos manguezais, para proteger o meio ambiente, um investimento alto, que vai trazer turistas para conviver com a natureza sem destruí-la. 

POR UM NOVO ACESSO À PONTE
“Com o futuro shopping inaugurado, vamos ter uma gargalo muito nervoso. Vai engarrafar muito. Sinto que já o seja um pouco assim hoje. Nós esperamos que se ache uma nova solução viária para aquele acesso”

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Foi do PT. Mas hoje é do PMDB e da base do governador Jackson Barreto

JLPolítica – Mas o senhor não acha que, com a evolução imobiliária da Barra, o Governo do Estado e DER deveriam fazer uma nova estrutura de acesso à Ponte Construtor João Alves, em Aracaju, para atender à realidade do futuro?
AM -
Eu creio que sim. Eu acho que ali, com o futuro shopping inaugurado, vamos ter uma gargalo muito nervoso. Vai engarrafar muito. Sinto que já o seja um pouco assim hoje. Nós esperamos que se ache uma nova solução viária para aquele acesso. Quando juntar as demandas da Barra, do Marcos Freire, em Socorro, que também cresce, e do novo equipamento comercial, a previsão é de transtorno. Entendo, por não ser território da Barra, que isso é um problema a ser debatido e resolvido entre o Estado e a Prefeitura de Aracaju. Mas nós poderemos e devemos estimular o debate.

JLPolítica - Qual será a estrutura deste Parque dos Manguezais de que o senhor fala. Ele é algo do estado ou do município?
AM –
Olhe, ele será um Parque Municipal, não temos uma especificação da quantidade de hectares que cobrirá, mas já foi feito um levantamento pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal e pela Prefeitura da Barra. Posso precisar que ele cobre uma boa parte da barra do Rio Sergipe e mais ainda a do Rio Pomonga. Ele começa na cabeceira da Ponte Construtor João Alves e vai até as imediações do Jatobá. Vai ter manejo e pontes suspensas para visitação de quem quiser conhecer de perto o manguezal - tudo rigorosamente dentro de uma linha de preservação.

JLPolítica - O senhor tem pesquisas que apontem qual o impacto que o Park Shopping Aracaju vai provocar na Barra, já que ele se instala, apesar de em Aracaju, frente a frente com seu município?
AM -
Não temos pesquisas específicas, mas sei que vai melhorar, porque a população gosta muito desse tipo de empreendimento, e ele será bem próximo. Vai ser muito bom para a região, não só para a Barra, mas para toda a Zona Norte e até a Zona Sul, porque é um shopping grande, bonito. A Barra vai usufruir muito. 

UM PARQUE MUNICIPAL PROS MANGUEZAIS
“Será um Parque Municipal. Já foi feito um levantamento pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal e pela Prefeitura da Barra. Ele cobre uma boa parte da barra do Rio Sergipe e mais ainda a do rio Pomonga”

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No seu primeiro mandato, 2005 a 2008, não conseguiu a reeleição. Mas retornou em 2012 e foi reeleito em 2016

JLPolítica - O senhor já mediu o impacto da convergência da termoelétrica para a cidade?
AM -
A termoelétrica vai gerar mais impostos e empregos para a população da Barra e da região, inclusive venho brigando por essa postos de trabalho para a população da Barra desde o início. 

JLPolítica - Como o senhor vê a reação dos movimentos sociais, acusando-o de manipular os empregos politicamente? 
AM -
Não manipulei emprego nenhum. Apenas fizemos um acordo quando o grupo empresarial veio para se instalar. Conversaram com nossa equipe e exigimos que os empregos fossem também da Barra. Só isso. Mas não pedi título de eleitor a ninguém. A pessoa tem apenas que ser da Barra. Sendo, oriento a entregar o currículo na empresa. Eu quero as pessoas trabalhando, independentemente de sigla partidária. Porque isso melhora a situação financeira delas e do município. Nós temos um programa que chama “Comida na Mesa”, que dá uma cesta básica às famílias. São 3 mil delas por mês, todas entregues a pessoas carentes. Com os empregos, elas saem do programa e dão vaga a outras. Porque com fome a pessoa não consegue nem buscar emprego. 

JLPolítica - Mas a condição de só ter habitantes da Barra não é restritiva a quem é de outros municípios? 
AM –
Mas os empregos não estão indo somente para quem é da Barra, e sim da região. Não restrinjo. Acho que todos têm direito. E têm acesso: hoje são 800 pessoas trabalhando na obra, e veja que somente 280 delas são da Barra e o resto de fora, de outras regiões de Sergipe e de outros Estados. 

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“Vai ser muito bom para a região, não só para a Barra, mas para toda a Zona Norte e até a Zona Sul, porque é um shopping grande, bonito. A Barra vai usufruir muito”

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Também foi 3 vezes vereador pela sua Barra dos Coqueiros

JLPolítica - Não é chato ser prefeito de uma cidade que tem 11 vereadores e todos sejam aliados do prefeito? 
AM -
Não, porque eu trabalho com transparência. Os vereadores e a população estão vendo tudo. É ruim quando o prefeito esconde as ações - tanto é que estamos recebendo essa premiação do TCE. 

JLPolítica – O engenheiro Adailton Martins, seu irmão, tem uma pré-candidatura de deputado pelo PMDB e é pra valer?
AM -
É para valer. Ele vai entrar para ganhar. Ele é pré- candidato e, se for mesmo candidato, não perde de jeito nenhum, pois estamos visitando o Estado todo. E ele é uma pessoa que esteve no DER a vida inteira, é um engenheiro concursado dali, trabalhou em quase todo o Estado e o conhece bem. O Adailton Martins ajudou e ajuda a muita gente. O nome dele é muito cotado para ser um dos eleitos. 

JLPolítica - O senhor quer dizer que eleitoralmente ele tem vida própria?
AM –
Tem, sim. Além de tudo, ele tem um irmão que é prefeito, que ele ajudou a eleger. 

OS EMPREGOS DA TERMELÉTRICA
“Não manipulei emprego nenhum. Apenas fizemos um acordo quando o grupo empresarial que veio para se instalar. Conversaram com nossa equipe e exigimos que os empregos fossem também da Barra. Só isso. Mas não pedi título de eleitor a ninguém”

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É Teólogo pela Ufba, contador de nível médio e técnico do Poder Judiciário de Sergipe

JLPolítica - O senhor teria previamente hoje um nome para a sua própria sucessão?
AM -
Não tenho ainda e nem falo em minha sucessão. Existem vários nomes na cidade, como o do meu vice-prefeito, Alisson; tem a Pastora Salete, que é vereadora. Tem o Ariston. E eu não quero atrapalhar o sonho de ninguém. 

JLPolítica - O senhor não estimula nem desestimula ninguém?
AM -
Não. Todos que quiserem, sejam pré-candidatos. Porque eu fui, quando quis ser. Então quero que todos sejam. E não quero atrapalhar ninguém. Mas não tenho pré-candidato ainda e nem pretendo lançar agora. Só em 2020, que é o momento certo. Agora é hora de discutir pré-candidatos ao Governo, ao Senado, à Presidência da República.

JLPolítica - E o senhor tem dúvidas quanto à sua opção de pré-candidatura do Governo do Estado?
AM -
Não. Meu pré-candidato a governador chama-se Belivaldo Chagas; a senador, Jackson Barreto, se ele for, como eu espero que seja. E o segundo nome eu vou escolher ainda.

PROJETO DE ADAILTON MARTINS
“É para valer. Ele vai entrar para ganhar. Se for mesmo candidato, não perde de jeito nenhum, pois estamos visitando o Estado todo. O Adailton ajudou e ajuda a muita gente. É muito cotado para ser um dos eleitos” 

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Reclama que a população da Barra cresce, mas os recursos são insuficientes