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Entrevista

Jozailto Lima

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Albano Franco: "Com a saída de Valadares, bloco da oposição enfraqueceu”

Publicado em 7 de abril de  2018, 20:00h

 “Petrobras não pode hibernar e nem fechar jamais a Fafen”

Um patrimônio de Sergipe, assim como os ex-presidentes americanos se convertem. Tem lugar obrigatoriamente em todas as mesas de agenda pública das quais se aproxime - ainda que nelas cochile de dar gosto. Tem inserção nacional, como se ainda hoje presidisse a Confederação Nacional da Indústria – CNI -, comandada por ele por longos 14 anos, tendo chegado lá aos 39, em 1980.

Este é Albano do Prado Pimentel Franco - ou simplesmente Albano Franco. Hoje, aos 77 anos, ele pode se gabar de ter sido quase de um tudo na vida pública por Sergipe - menos vereador e prefeito. Foi deputado estadual em 1966 - mesmo ano em que o pai, Augusto Franco, se elegeu federal.

Albano Franco se elegeu senador em 1982 - mesmo ano, de novo, em que o pai foi eleito federal, depois de ter sido senador de 1970. Foi reeleito senador em 1990, eleito governador em 1994, reeleito em 1998 e eleito deputado federal em 2006. Em 2010, perdeu a sétima eleição - disputou o Senado, sozinho, sem aliança com um candidato a governador, e trombou com Eduardo Amorim e Antonio Carlos Valadares, que estavam abraçados com o candidato Marcelo Déda.

Albano Franco está na planície. Hoje ele é símbolo de uma família política forte e de tradição, que já deu com ele, o tio Valter Franco e o pai Augusto Franco, três senadores por Sergipe, e dois governadores nele e no pai, mas está despojada de mando político. Ao relento.

Mas, da parte dele, não há incômodo com isso. “Não sinto falta do mandato político. Em 2014, meu amigo Fernando Henrique Cardoso me ligou duas vezes, dizendo: “Albano, seja federal ou senador. Você precisa estar aqui com a gente”. Aí eu disse: “presidente, é uma decisão nossa a de não disputar mais nenhum mandato eletivo””, diz ele.

“Agora, vou lhe dizer um comentário: hoje, no Sudeste, há um nivelamento por baixo da classe política e muita gente de lá se encontra comigo e diz: “Albano, você está de parabéns. Deixou a sacanagem da política””, diz ele. Claro que Albano não vê as coisas com esse olhar do Sudeste, mas lhe incomoda o vexame a que chegou a atividade política - porque ele a quer e a pensa diferente.

“Política é a maneira de você fazer o bem. Mas hoje, a imagem de quem faz parte dela não é das melhores, embora tenha muita gente de bem na política ainda. Muita gente competente e séria. O que realmente preocupa é que há um nivelamento por baixo. A sociedade acha que a classe política é isso e aquilo, e que é toda de igual para o pior”, diz.

Mas, para além da sua aparente distância dessa atividade, Albano Franco ainda transita pelo subsolo da política como uma certa unanimidade, como se fosse um monge tibetano, a quem todos batem um pouco de continência e prestam reverência. Uma espécie de ex-presidente americano - porque os daqui se perdem.

E Albano gosta disso. Em alguns pares de salas confortáveis do Neo Officie Jardins, onde montou a sede do Grupo Albano Franco, recebe levas de políticos diariamente. Vão lhe bater continência, tomar conselhos. Ele observa a cena atual com fino senso. Acha, por exemplo, que, rachados, os Valadares, pai e filho, Eduardo Amorim e André Moura podem perder bonde da sucessão estadual e “voltar para casa pálidos”.

“O bloco da oposição, com a saída do senador Valadares, enfraqueceu um pouco. Em minha opinião, os três juntos – André Moura, Eduardo Amorim e Valadares, pai e filho -, seriam vitoriosos. O senador Valadares me disse as razões pelas quais se afastou. É porque ele não admite participar de uma chapa em que André seja majoritário, tendo em vista a rejeição que, ele acha e entende, vem de Michel Temer”, diz.

E se preocupa com o “futuro” de Sergipe. Ou melhor, com a falta dele. Defende, por exemplo, que a Fafen sergipana não deve ser retirada de tempo. Jamais hibernada. “Ao invés de hibernar, se a Petrobras deseja sair mesmo do mercado de fertilizantes tem que privatizar. Não pode é hibernar. Fechar jamais”, diz ele.

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No lançamento do seu livro, Temer foi lá: resgatar o seu exemplar e exigir o seu autógrafo
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Nos anos 80, no seu primeiro mandato de senador

A POLÍTICA É A MANEIRA DE VOCÊ FAZER O BEM
“Política é a maneira de você fazer o bem. Mas hoje, a imagem de quem faz parte dela não é das melhores, embora tenha muita gente de bem na política ainda. A sociedade acha que a classe política é toda de igual para o pior”

JLPolítica - O senhor sente saudades ou falta da representatividade política real, representada por um mandato?
Albano Franco -
 Graças a Deus, não sinto falta do mandato político. Em 2014, meu amigo Fernando Henrique Cardoso me ligou duas vezes, dizendo: “Albano, seja federal ou senador. Você precisa estar aqui com a gente”. Aí eu disse: “presidente, é uma decisão nossa a de não disputar mais nenhum mandato eletivo”. Agora, vou lhe dizer um comentário: hoje, no Sudeste, há um nivelamento por baixo da classe política e muita gente de lá se encontra comigo e diz: “Albano, você está de parabéns. Deixou a sacanagem da política”.

JLPolítica - A política é uma coisa ruim?
AF –
Não é. Política é a maneira de você fazer o bem. Mas hoje, a imagem de quem faz parte dela não é das melhores, embora tenha muita gente de bem na política ainda. Muita gente competente e séria. O que realmente preocupa é que há um nivelamento por baixo. A sociedade acha que a classe política é isso e aquilo, e que é toda de igual para o pior. Uma pena.

JLPolítica - Mas o senhor diria que os degradados, aqueles que macularam a política, são superiores aos “bons”?
AF –
 Eu não sei bem fazer essa avaliação. Agora, pelos os comentários da sociedade, ela acha que a maioria é pior.

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Ayres Britto também foi reivindicar livro e autógrafo

OS FRANCO FORA DA POLÍTICA
“Meu filho Ricardo Franco não admite mesmo nenhum tipo de candidatura na política. Agora, para vaidade e orgulho meu, é um gestor provado e comprovado. É competente, de visão, trabalhador, austero. Tudo isso ele é, e me faz muito bem”

JLPolítica - O que está acontecendo com os Franco, que foram pulverizados do terreno político?
AF -
Na verdade, houve uma decisão pessoal minha, uma decisão pessoal do doutor Walter Franco, meu irmão, que não quis mais também, do mesmo modo, dos filhos de Antonio Carlos. O meu sobrinho Marcos Franco até gosta de política, mas não quis – preferiu a vida empresarial. Meu filho Ricardo Franco não admite mesmo nenhum tipo de candidatura na política. Agora, para vaidade e orgulho meu, meu filho é um gestor provado e comprovado. É competente, de visão, trabalhador, austero. Tudo isso ele é, e me faz muito bem. Eu tive a sorte e felicidade de ter um filho com a competência e uma grande capacidade de trabalho. E, além do mais, de austeridade, de firmeza, são as reais qualidades de Ricardo Barreto Franco. Ele admirava muito meu pai também, desde garoto, e puxou algumas qualidades de doutor Augusto Franco.

JLPolítica - Mas não lhe frustra o fato de Ricardo não praticar a política?
AF -
Não. Sem dúvida, ele compensa com a parte empresarial.

  JLPolítica - Mas o senhor não acha estranha o fato de uma família que já deu dois governadores, dois senadores, não ter nenhuma representatividade cenário político? O senhor acha que ficará assim?
AF -
 Não sei se ficará assim. Estão falando por aí que o meu sobrinho Antônio Carlos Franco, filho de Maria Clara, minha irmã, será candidato a deputado estadual. Mas disso não tenho conhecimento pleno. Apenas ouvi comentários. Eu li no jornal, nos últimos dias, Marcos Franco com ele. Filiando-o, num retorno dele ao MDB. Acho que Marcos Franco é que tinha boas condições de continuar na política. Ele é um nome bom. O nome que saiu a um pai especial tanto para política quanto para a vida empresarial. Mas depois não quis continuar. Eu o entendo.

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E na condição de escritor, ganhou a imortalidade da Academia Sergipana de Letras

MARCOS FRANCO DEVERIA SER A CONTINUAÇÃO POLÍTICA
“Acho que Marcos Franco é que tinha boas condições de continuar na política. Ele é um nome bom. O nome que saiu a um pai especial tanto para política quanto para a vida empresarial. Mas depois não quis continuar. Eu o entendo”

JLPolítica - Dezesseis anos depois, olhando para o passado, qual é o legado deixado por dois Governos do senhor?
AF -
Ah, sinto-me muito à vontade para comentar sobre isso. Deus me deu oportunidade e aqui eu vou fazer um comentário significativo: em 1994, quando fui comunicar ao meu amigo Roberto Marinho, que me dava boa cobertura como presidente da Confederação Nacional da Indústria, que ia ser candidato a governador de Sergipe, ele, que tinha o hábito de, em pé, pegar no cotovelo, apalpou o meu me disse: “meu filho, quem é que vai mais falar em você, deixando de ser senador e presidente da CNI para ser govenador do seu Estado?”. Veja que no ano anterior, 1993, eu havia saído 18 vezes no Jornal Nacional. Mas eu disse: “Doutor Roberto, todo cidadão deseja um dia governar o seu Estado”. E ele aí não forçou a barra, nem nada. Entendeu-me, felizmente. Mas o legado deixado por mim, primeiro é esse: não fiz mal a ninguém. Não prejudiquei ninguém, não demiti ninguém. Depois, além disso, tiveram várias inovações. Foi o Governo que botou o segundo grau em todos os municípios de Sergipe, inclusive em alguns povoados - e disso me orgulho muito. Foi o Governo no qual tive um grande secretário, meu amigo Luiz Antonio Barreto, que fez o PQD que possibilitou que o nível superior chegasse nesses lugares. Agora, o tempo maior do nosso Governo foi atraindo investimentos para Sergipe. Nunca nenhum Governo atraiu tantas indústrias para investir em Sergipe, para gerar emprego e renda como o nosso.

JLPolítica - O senhor seria capaz de lembrar de cinco indústrias?
AF -
A Brahma, a fábrica de cimento Votorantim, que é a segunda maior do Brasil hoje, aquelas fábricas de calçados que eu trouxe, Azaleia, e outras mais, vieram três; o polo têxtil de Itabaianinha, e fiz aquele Distrito Industrial de Itaporanga, para onde eu trouxe a Maratá e aquelas fábricas todas, como a Mabel.

JLPolítica - Se o senhor fosse governador hoje, venderia de novo a Energipe?
AF -
Eu venderia a Energipe, sim, porque praticamente todos os governadores do Nordeste privatizaram, venderam as companhias estaduais de energia. Só que o melhor ágio foi o nosso, chegando a 92%.  

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E o escritor e politico entende que Belivaldo ganha força com a divisão da oposição

LEGADO DE NÃO TER FEITO MAL A NINGUÉM
“O legado deixado por mim, primeiro é esse: não fiz mal a ninguém. Não prejudiquei ninguém, não demiti ninguém. Depois, além disso, tiveram várias inovações. Foi o Governo que botou o segundo grau em todos os municípios de Sergipe”

JLPolítica - Os US$ 577 milhões com a venda da Energipe na época foi um bom dinheiro?
AF -
Foi um bom dinheiro, sim. Inclusive, deu para pagar alguns compromissos que o Governo anterior tinha feito, botando o próprio Banco do Estado de Sergipe, o Banese, em jogo.

JLPolítica - Como é que o senhor analisa o quadro da sucessão estadual de Sergipe hoje, partindo de nomes e blocos dispostos?
AF -
 O bloco da oposição, com a saída do senador Valadares, enfraqueceu um pouco. Em minha opinião, os três juntos – André Moura, Eduardo Amorim e Valadares, pai e filho -, seriam vitoriosos. O senador Valadares me disse as razões pelas quais se afastou. É porque ele não admite participar de uma chapa que André seja majoritário, tendo em vista a rejeição que, ele acha e entende, vem de Michel Temer.

JLPolítica - O que o senhor acha desse ponto de vista de Valadares?
AF -
Eu tenho minhas dúvidas - embora pelas pesquisas de hoje, Valadares esteja mais ou menos. Sou suspeito, porque tenho amizade pessoal muito grande com Michel Temer e acho André uma revelação política Primeiro, pela habilidade, a capacidade de trabalho e os resultados alcançados. A sociedade quer hoje resultados e ele tem trazido isso para Sergipe. Só para Aracaju, trouxe R$ 320 milhões. E, agora mesmo, a festa que ele fez de filiações no PSC foi um colosso. Um sucesso. Aqui também eu sou suspeito, porque André, realmente, é um nome pelo qual tenho muita preferência e está honrando Sergipe lá fora, saindo-se muito bem como líder do Governo. Michel Temer sempre me diz: “Albano, o André tem me ajudado muito”.

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E que não fez nada bem a saída de Valadares

VENDERIA NOVAMENTE A ENERGIPE
“Eu venderia a Energipe, sim, porque praticamente todos os governadores do Nordeste privatizaram, venderam as companhias estaduais de energia. Só que o melhor ágio foi o nosso, chegando a 92%”  

JLPolítica - O senhor hoje teria um grupo ou bloco no qual pretende votar para o Governo do Estado?
AF -
Sim, tenho. Seria o bloco, volto a dizer, de André Moura.

JLPolítica - O senhor acredita que ele viabiliza candidatura para Governo de Sergipe ou vai para o Senado?
AF -
 Pelo que ouço, a candidatura dele está mais para o Senado. E também dizem que Valadares não gostaria de participar como senador ao lado de André porque ele sabe que a turma do interior votaria em Jackson e em André.

JLPolítica - O senhor acha que Jackson Barreto fez o melhor dos negócios políticos deixando o Governo do Estado para disputar mandato de senador?
AF -
Como político, eu não posso deixar de reconhecer a competência, o valor profissional de Jackson Barreto enquanto político. Como gestor, deixa a desejar, infelizmente. Mas acho que ele tem possibilidades de vitória, a depender da campanha.

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Precisou de dois turnos para vencer Jackson em 1994 e chegar a seu primeiro mandato de governador. Em 1998, reelegeu-se tendo JB na sua chapa, como candidato ao Senado. Jackson perdeu a vaga para Maria do Carmo Alves

NO CERNE DO CISMA DE VALADARES POR ANDRÉ
“É porque Valadares não admite participar de uma chapa em que André seja majoritário, tendo em vista a rejeição que, ele acha e entende, vem de Michel Temer. Eu tenho minhas dúvidas”

JLPolítica - O senhor acha que os sergipanos separam a imagem do Governo da imagem pessoal dele?
AF -
 Você sabe como é o eleitor de Sergipe: muitas vezes vai pelo lado pessoal, pela camaradagem, simpatia, e nisso Jackson Barreto sabe penetrar muito bem. A imagem dele no aspecto da inserção popular é positiva, porque ele é um populista. Um político profissional.

JLPolítica - Olhando para 1998, portanto, há 20 anos, o senhor teria uma justificativa para a derrota dele na disputa pelo Senado em parceria com o senhor para o Governo?
AF -
 Não. Não tenho. Eu lamento, porque em 1994, quatro anos antes, foi disputadíssima com ele a nossa eleição ao Governo. Ele era o maior líder popular na época e depois teve a possibilidade de um entendimento. Fui feliz com o apoio dele e, realmente, não sei se algumas pessoas, os eleitores, não entenderam nossa união. Mas havia também o fato de que Maria do Carmo, que ganhou pra ele, sempre ter sido uma candidata forte, inclusive nas classes C e D, que eram as dele.

JLPolítica - Mas procede aquela boataria, aquela história, de que o senhor teria pago R$ 8 milhões pelo apoio dele em 1998? Isso teria alguma pertinência?
AF -
Não. Não tem nenhuma pertinência. É claro que nós ajudamos e assumimos as responsabilidades nos custos da campanha dele. Ajudamos, isso sim. No mais, foi intriga da oposição na época.

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Foi tucano como FHC. Albano, governador. O sociólogo, presidente. No mesmo período: de 1995 a 2002

TENHO MUITA PREFERÊNCIA POR ANDRÉ MOURA
“André Moura, realmente, é um nome pelo qual tenho muita preferência e está honrando Sergipe lá fora, saindo-se muito bem como líder do Governo. Michel Temer sempre me diz: “Albano, o André tem me ajudado muito”

JLPolítica - O empreendimento Sabe Alimentos já atingiu hoje sua maturidade?
AF -
Está atingindo. Agora mesmo, quem for aos supermercados, encontrará o mais novo lançamento em iogurtes. Uma beleza. Melhor ou igual ao Danone e Nestlé.

JLPolítica - A Sabe gera 200 empregos diretos hoje?
AF -
 Gera mais. São 230 empregos.

JLPolítica – Qual o significado disso do ponto de vista social?
AF -
 Muito importante. Inclusive, aqui no Neo Office Jardins, no nono andar, trabalham mais de 30 pessoas da parte comercial da Sabe. E o meu filho, realmente, é um empreendedor. E, além do mais, você sabe que hoje o Sabe é considerado o melhor leite do Brasil. Algumas empresas tradicionais, quando examinam, testam o leite Sabe, aprovam realmente como algo espetacular.

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Em 92, quando presidente, Itamar Franco foi recebido na casa de Jackson Barreto. Albano estava presente

COMO GESTOR, JACKSON DEIXA A DESEJAR
“Como político, eu não posso deixar de reconhecer a competência, o valor profissional de Jackson Barreto enquanto político. Como gestor, deixa a desejar, infelizmente. Mas acho que ele tem possibilidades de vitória”

JLPolítica - A Sabe é uma empresa para ser mantida pelo Grupo Albano Franco ou para ser negociada lá na frente?
AF -
Ricardo tem gosto pelo negócio. É tudo modernizado, evoluído, equipamentos modernos. Tudo isso mostra a visão dele. Temos uma equipe muito boa, técnicos especializados. Tudo isso é para ser mantida.

JLPolítica - Que novos negócios o Grupo Albano Franco pensa para o futuro?
AF -
Hoje, por orientação de Ricardo Franco, estamos muito afeto ao setor imobiliário. Criamos a S1, nome da empresa, e estamos investindo, ampliando alguns negócios. Construção pouca, mas vamos incorporar algumas coisas, mini shoppings. Ele está pensado aqui e no interior.

JLPolítica - O Grupo Albano Franco tem muito terreno urbano em Aracaju e em outras regiões do Brasil?
AF –
 Depois da criação da S1, claro, tem sido adquirido vários terrenos, várias opções imobiliárias. Temos nos dedicado muito ao setor imobiliário.

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Não esconde a simpatia por André Moura

NÃO HOUVE ACORDO ENVOLVENDO GRANA COM JB EM 1998
“Não tem nenhuma pertinência. É claro que nós ajudamos e assumimos as responsabilidades nos custos da campanha dele. Ajudamos, isso sim. No mais, foi intriga da oposição na época”

JLPolítica - Os seus dois Governos têm algum tipo de culpa pelo alto déficit da Previdência?
AF -
Pelo contrário. Foi o Governo que teve coragem de enfrentar, criou e aprovou o Funaserp. Inclusive, depois Déda mandou devolver o dinheiro dos que tinha contribuído. O que eu lamento é algumas coisas que eles não fizeram e que nós tivemos coragem de fazer. É da nossa autoria a criação do Funaserp, que é o Fundo da Previdência Social. A Assembleia aprovou e depois, infelizmente, no Governo João Alves, houve alguns setores do funcionalismo que recorreram, a Justiça aceitou e João não quis recorrer lá para cima. Já tinham R$ 40 milhões e doutor João usou dinheiro no Estado. Hoje, se tivesse o Funaserp teria cerca de R$ 600, R$ 700 milhões em caixa. E depois o Governo Federal fez uma lei federal idêntica à que fizemos.

JLPolítica - Como o senhor vê o pensamento dos gestores públicos sergipanos para o desenvolvimento de Sergipe?
AF -
Nós fizemos o Governo pensando no futuro a longo prazo. Prova que trouxemos investimentos que geraram emprego, renda, impostos, contribuições para o Estado. Os pós-governos deixaram muito a desejar.

JLPolítica - O senhor vê virtudes no Governo de Michel Temer?
AF -
Vejo várias virtudes. Nós não podemos deixar de reconhecer aquela PEC da questão do limite dos gastos, a reforma trabalhista, que foi da maior importância para o Brasil, e outras medidas que eles estão tomando. É um Governo que eu acho que está à altura, principalmente, comprometido com as reformas que o Brasil precisa.

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Com outro tucano: José Serra

VEJO VÁRIAS VIRTUDES NO GOVERNO TEMER
“Nós não podemos deixar de reconhecer aquela PEC do limite dos gastos, a reforma trabalhista, que foi da maior importância para o Brasil, e outras medidas que eles estão tomando. É um Governo comprometido com as reformas que o Brasil precisa”

JLPolítica - Por que ele patina tão baixamente na popularidade, tendo apenas 7%, 8% de aprovação?
AF -
Não tenho justificativa, só sei que é lamentável isso. Aí entra a própria mídia. Ele tem feito muito esforço com o Congresso Nacional, com muita habilidade, paciência para aprovar as reformas.

JLPolítica - Mas essas virtudes garantem a ele perspectivas de disputar uma reeleição para a Presidência?
AF -
 Tenho dúvidas. Agora, é um nome que vai deixar serviços prestados ao Brasil e com reformas que eram fundamentais para o desenvolvimento do país.

JLPolítica - O senhor não o rotula de golpista como as esquerdas do Brasil?
AF -
De forma alguma. Pelo contrário. Chegou lá democraticamente, dentro da legislação, eleição direta como vice-presidente da República homologado depois pelo Congresso sem problemas. O impeachment foi legal.

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Com um tucano e um comunista: os prefeitos João Dórea e Edvaldo Nogueira

MICHEL TEMER NÃO É UM GOLPISTA
“De forma alguma. Pelo contrário. Chegou lá democraticamente, dentro da legislação, eleição direta como vice-presidente da República homologado depois pelo Congresso sem problemas. O impeachment foi legal”

JLPolítica - O senhor acha que a hibernação da Fafen é irreversível e que ela vai ser mesmo fechada?
AF -
 Tenho fundadas esperanças de que isso não acontecerá. Inclusive, tenho participado de todas as reuniões a respeito, com a diretoria da Petrobras, com a Bancada de Sergipe e da Bahia, com a Federação das Indústrias de Sergipe e da Bahia, porque, para nós, será um desastre o fechamento da Fafen. E aí eu vou dizer como é a vida: quando eu estava governador, o presidente Collor quis privatizar a Fafen e nós fomos rigorosamente contra. Vencemos a parada. E agora, ao invés de hibernar, se a Petrobras deseja sair mesmo do mercado de fertilizantes, tem que privatizar. Não pode é hibernar. Fechar jamais.

JLPolítica - Numa nação onde a agricultura - agronegócio, a agropecuária - é forte, fechar uma fábrica de fertilizantes é que tipo de erro?
AF -
É um erro gravíssimo, porque hoje o agronegócio é um dos maiores dispositivos de desenvolvimento do Brasil. E, nesse contexto, fertilizantes é fundamental, nitrogenados também. Se fechar essas fábricas todas, você vai importar mais de 90% dos fertilizantes consumidos no Brasil. Fechar essas fábricas é nocivo a Sergipe, à Bahia e ao Brasil. Além do mais, nos últimos três anos, o gás para esse empreendimento participa com 52% do custo da produção e subiu 117%. E o gás é da Petrobras. Temos que utilizar todos os argumentos a parte do Estado, no âmbito Federal.

JLPolítica - O senhor vê com que sentimento o Projeto Carnalita parado?
AF -
Olhe, foi Albano Franco que deu iniciativa a projeto no nosso Governo. Fomos ao ministro para a iniciativa da carnalita. E agora estamos com essa preocupação com a Carnalita, que não avança.

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Em 2010, exerceu seu último mandato: deputado federal. Tentou voltar ao Senado, nas eleições deste mesmo ano, mas não teve sucesso

PODEM ATÉ PRIVATIZAR A FAFEN. FECHAR, NÃO
“E agora, ao invés de hibernar, se a Petrobras deseja sair mesmo do mercado de fertilizantes, tem que privatizar. Não pode é hibernar. Fechar jamais”

JLPolítica - Qual o seu sentimento diante do aparente fim trágico de Luiz Inácio Lula da Silva?
AF -
Eu acho lamentável. Mas temos que reconhecer que ele foi um líder carismático, popular. Os Governos dele trabalharam essa parte social e entenderam a necessidade de desenvolvimento do Brasil. Agora, infelizmente, houve erros e equívocos do Governo, que ele está pagando. Eu o conheci como líder sindical. Eu presidente da CNI e ele presidente do sindicato do ABC. Sempre tivemos uma convivência respeitosa. Inclusive, na Constituinte de 1988.

JLPolítica - O senhor acha que o que está acontecendo com ele revela que ele não estava preparado para o exercício do poder? 
AF -
Houve falhas da sua equipe, do seu Governo e, por isso, ele está pagando. Mas é claro que ele vai até as últimas consequências, recorrendo sempre. Inclusive, vai manter a candidatura até o limite do impossível.

JLPolítica - O senhor acha que Lula vai terminar os dias presos?
AF –
 Não acredito, porque ele vai usar todos os expedientes possíveis jurídicos para se defender.

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No gabinete de Marcelo Déda, então governador

FIM TRÁGICO DE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
“Eu acho lamentável. Mas temos que reconhecer que ele foi um líder carismático, popular. Houve falhas da sua equipe, do seu Governo e, por isso, ele está pagando. Mas é claro que ele vai até as últimas consequências”

JLPolítica - Se o senhor tivesse que dar, à altura dos seus 77 anos, um conselho a Lula do que faltou, o que faltou em Lula para se suceder bem na vida?
AF –
 Zelo para não acontecer as falhas. Mas a gente tem que reconhecer que ele é um líder carismático, popular, saber ser vítima como ninguém. A vitimização é uma característica forte dele. Por isso, acho que a prisão tem várias consequências, inclusive, a de vitimizá-lo.

JLPolítica - O senhor já se acostumou a ser o Albano Franco despojado da TV Sergipe?
AF -
Eu aprendi com meu pai Augusto Franco uma frase: “Um novo ciclo sempre se inicia”. É claro que eu gostava, era muito bem relacionado, era integrado com a Rede Globo, sou amigo de João Roberto Marinho, de todos eles. Mas aí, para atender problemas de família, principalmente do meu filho Ricardo, acabei vendendo minhas ações. Mas graças a Deus consegui vender para minha cunhada e minha afilhada. Cesar, meu irmão, lá em cima, deve ter ficado muito feliz porque era meu compadre e sócio.

JLPolítica - O senhor aposta que Lurdes e Carolina, sua cunhada e sobrinha, serão felizes no comando da TV Sergipe?
AF -
Eu desejo que Deus ilumine. A Carolina é louca por televisão. Adora. Inclusive, tem uma tatuagem com a imagem de uma televisão. E Lourdes foi uma sócia que nunca me criou dificuldades nesses anos todos.

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Com a mãe, Maria Virginia Leite Franco

REVERÊNCIA À MEMÓRIA DE AUGUSTO FRANCO
“Admito que deveria ser muito maior. Mas há uma reverência, e reconheço, para com o que Augusto Franco foi. Para mim, um exemplo. Uma referência, um símbolo. Do ponto de vista público, governador hoje lembrado por todo mundo”

JLPolítica - Mas que tipo de falta o veículo lhe faz? Ao Albano sem a TV Sergipe as pessoas mantém o mesmo carinho ou lhe olham atravessado?
AF –
 Graças a Deus, nada mudou. É como Ricardo me dizia: “meu pai, o senhor acha que é a TV Sergipe que lhe dá prestígio e nome? Isso vem do seu próprio nome, meu pai”. Eu continuo aqui muito procurado nesse nosso escritório, onde o JLPolítica nos dar prazer e honra dessa entrevista.

JLPolítica - O senhor acha que a excessiva transigência que lhe atribuem, lhe foi prejudicial ou mais lhe ajudou em sua vida?
AF -
Vou lhe dizer de duas qualidades que sempre tive, que Deus me deu: paciência e humildade. Meu pai até às vezes me dizia que minha humildade de vez em quando era exagerada. Mas minha paciência e humidade me ajudaram em tudo. Eu fui bem-sucedido em tudo. Entrei na Confederação Nacional da Indústria com 39 anos, saí de lá porque quis, fui governador duas vezes senador com a imagem e credibilidade que tenho lá no Sudeste.

JLPolítica - O senhor acha que sua humildade é real ou o senhor faz tipo?
AF -
A minha humildade é real e autêntica, e todos sabem disso. Eu sempre fui isso. Sempre fui esse Albano. Não distingo pessoas. Sei tratar, reverenciar as pessoas mais velhas, que estão exercendo cargos.

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No aniversário do amigo João Carlos Paes Mendonça

EM SERGIPE, TODO MUNDO ACONTECE
"Em Sergipe digo essas duas frases: todos nós nos conhecemos e tudo nós sabemos”

JLPolítica - O senhor tem algum ressentimento na vida, de alguma agressão que sofreu?
AF -
Não. Algumas coisas fizeram - o próprio Jackson Barreto era radical contra mim - mas depois nos entendemos e fomos aliados em 1998.

JLPolítica - O senhor se arrepende de alguma atitude sua no público ou privado com alguém?
AF -
Que eu me recorde, não. Não tem nada marcante.

JLPolítica - Qual é a tradução real, governador, da sua celebre frase “em Sergipe todo mundo se conhece”?
AF -
Ela significa a realidade de Sergipe, onde de fato todo mundo se conhece. A gente sabe os defeitos e as qualidades. Em Sergipe digo essas duas frases: “todos nós nos conhecemos” e “tudo nós sabemos”. E isso se dá pelo jeito, pela mentalidade de Sergipe e por ser uma população menor.

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Com os manos, que compõem a tradicional família Franco

CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA, RESPEITOSA, INCLUSIVE COM A ESQUERDA 
"Sempre convivi muito bem com a esquerda em Sergipe. Fui presidente do Centro Acadêmico Sílvio Romero do Curso de Direito da Universidade Federal de Sergipe. Inclusive, tomei posse no célebre 13 de março de 1964, dia do comício da Central do Brasil"

JLPolítica - Em 2012, Augusto Franco fez 100 anos. O senhor não acha que há pouca reverência à memória dele em Sergipe para a importância que teve?
AF -
Admito que deveria ser muito maior. Mas há uma reverência, e reconheço, para com o que Augusto Franco foi. Para mim, Augusto Franco foi um exemplo. Uma referência, um símbolo. Do ponto de vista público, é um governador que hoje é lembrado por todo mundo. Reconhecido, inclusive, pelos funcionários públicos. Deu bons aumentos, teve a iniciativa de fazer a primeira adutora para uma Capital do Nordeste do Brasil e, inclusive, foi feliz porque conseguiu com que a Petrobras financiasse 40% por causa da Fafen. Ele tinha muita visão como governador. Como empresário, então nem se fala. Foi o maior industrial do Estado.

JLPolítica - O senhor foi ingrato com a figura pública e pessoal de Luiz Antonio Barreto?
AF -
 Jamais. Tem gente que diz isso é?! Para você ver como é Sergipe! Fui muito amigo dele. Coloquei ele como assessor da Confederação, foi meu secretário de Educação. Ajudou-me muito a vida todo. Sou muito grato a ele.

JLPolítica - O senhor sempre foi um homem de centro. Mas como é que foi sua convivência com esquerda e direita?
AF -
 Sempre tive uma convivência democrática, respeitosa, inclusive, com a esquerda. Sempre convivi muito bem com a esquerda em Sergipe. Fui presidente do Centro Acadêmico Sílvio Romero do Curso de Direito da Universidade Federal de Sergipe. Inclusive, tomei posse no célebre 13 de março de 1964, dia do comício da Central do Brasil. O governador Seixas Dória não foi à minha posse porque estava lá no comício. Além do mais, nas eleições da OAB e dos centros acadêmicos sempre teve uma porção de centrista-reformista. Para provar que sempre me dei bem, estão aí Wellington Mangueira e outras pessoas. Quando fui governador, alguns amigos meus ficaram admirados: “mas como você nomeia um comunista como secretário de segurança?”, referindo-se a Wellington. Com a direita, eu tinha convivência respeitosa. Apenas achavam que eu dava muita cobertura à esquerda. Reclamavam um pouco. Eu me considerava um centrista-reformista.

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Com a nora, Roberta. Os filhos, Adélia e Ricardo. Os netos, Maria Thereza e Bernardo