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Entrevista

Tanuza Oliveira

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Alessandro Vieira acredita que cenário ruim da política abre espaço para renovação

Publicado em 19  de agosto de  2018, 20:00h

No quadro de senadores, por exemplo, o delegado-candidato acredita que os nomes são ruins e que não representam o desejo de mudança do cidadão

“Você vai a Brasília e percebe que é uma espécie de aquário, de onde eles ficam governando sem ter contato com a realidade. E a cada dois anos voltam para cá, contratam um marqueteiro milionário, fazem pesquisas, descobrem qual o discurso mentiroso que eles têm que usar, mudam esse discurso a depender de com quem estejam”.

É assim que o delegado Alessandro Vieira, candidato a senador pelo Rede, enxerga o contexto atual. Estreante na política e um dos pouquíssimos novos nomes que disputam o Senado, ele tem grande empreitada pela frente para mudar esse sistema: vencer os já consagrados nomes que são seus adversários, como Antônio Carlos Valadares, Jackson Barreto e André Moura.

Mas a dificuldade que essa disputa apresenta varia a depender do ponto de vista: para uns, ela pode ser difícil justamente por trazer essas “raposas velhas”, mas para outros, pode ajudar pelo mesmo motivo. Alessandro fica com a segunda opção.

“Em Sergipe, o perfil dos candidatos ao Senado é muito ruim. Ou são pessoas condenadas por prática de crimes, como é o caso de pastor Heleno e André Moura, ou são pessoas como Jackson Barreto e Valadares, que estão na vida pública há 100 anos e que não apresentam resultado positivo”, avalia.

Alessandro Vieira tem 43 anos e nasceu no Rio Grande do Sul. Chegou a Sergipe aos nove anos com a família, que veio procurar melhores condições de vida. Cursou Direito na Universidade Tirantes – Unit – e, logo após a formatura, foi aprovado no concurso para delegado, cargo que ocupa há 17 anos.

Como delegado, exerceu praticamente todos as funções disponíveis na Policia Civil, como as de delegado do interior, plantonista, especializado, coordenador e delegado-geral, posto que ocupou por 14 meses. “Foi o período mais marcante, no qual a gente pôde fazer uma política de enfrentamento à corrupção como Sergipe nunca tinha visto”, considera Alessandro.

Mas ele não considera que houve um rompimento com o Governo, porque, na verdade, “nunca houve relação política com a administração”. “Fui apresentado a ele (ao governador) e na apresentação João Batista avisou que eu sou um cara extremamente intransigente com questões de corrupção e desvios e aparentemente o governador não prestou atenção no que o secretário falava”, pontua.

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Emerson Ferreira é o seu candidato ao Governo
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Nome vem oscilando nas pesquisas

“SOU DIFERENTE DESSA TURMA”
“As pessoas querem muito mudar, querem andar em segurança pelas ruas, querem não presenciar a cada dia escândalos de corrupção na TV, e isso só é possível com a eleição. Não me coloco como melhor do que ninguém, mas eu sou diferente dessa turma que está aí com certeza”

JLPolítica - Quando e como surgiu seu interesse em ingressar na política? Foi a partir de suas atividades como delegado? 
Alessandro Vieira -
Nunca tive militância política, nunca fui envolvido com movimento estudantil ou qualquer tipo de relação política, mas ao longo da carreira foi surgindo essa percepção e, principalmente nessa reta final como delegado-geral, chegou a certeza de que precisamos mudar a representação política para garantir que o Brasil possa ter aquele desempenho, aquela realidade que nós todos desejamos. A classe política dominante no Brasil impede a renovação, impede a mudança, a modernização, e a alternativa que a gente tem é a de se colocar à disposição, porque alguém tem que fazer isso.   

JLPolítica – O senhor é polícia. O que lhe leva a crer que a sociedade civil possa apostar na sua pessoa como projeto político?
AV –
São dois fatores importantes para acreditar numa campanha como a minha: o primeiro deles é o fato de cerca de 80% da população não aceitar mais votar nas mesmas pessoas, isso se reflete no desejo elevadíssimo de abstenção, do voto nulo e dos indecisos. Todas as pesquisas sérias mostram isso. O segundo é que especificamente aqui em Sergipe o perfil dos candidatos ao Senado é muito ruim. Ou são pessoas condenadas por prática de crimes, como é o caso de Pastor Heleno e André Moura, ou são pessoas como Jackson Barreto e Valadares, que estão na vida pública há 100 anos e que não apresentam resultado positivo. Tem ainda Rogério Carvalho, que está inelegível neste momento (a entrevista ocorreu na terça, dia 14) por causa de processos de improbidade. São figuras que não têm condições de representar um desejo de mudança. Eles são a manutenção que está aí ou a piora do que está aí. Nesse sentido, a gente imagina que há sim espaço para candidaturas de renovação.

JLPolítica – O contexto seria favorável, então?
AV –
Sim. O que fizemos na pré-campanha e vamos acelerar na campanha é o processo de comparação entre os candidatos, porque as pessoas precisam ter ciência. Eu garanto que o cidadão sergipano vai estar consciente de quem são os candidatos na hora de votar: qual o perfil, o que fizeram, com quem estiveram. E a partir daí o cidadão poderá escolher. E a escolha é livre.

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Ganhou projeção com a operação Torre de Babel, que investigou a licitação do lixo na PMA

INGRESSO NA POLÍTICA
“Nunca tive militância política, nunca fui envolvido com movimento estudantil ou qualquer tipo de relação política, mas ao longo da carreira foi surgindo essa percepção e, principalmente nessa reta final como delegado-geral, chegou a certeza de que precisamos mudar a representação política”

JLPolítica – Qual é o grau de apoio que o senhor espera que venha de dentro da Polícia? A sua classe está ao seu lado?
AV –
Não tenho a preocupação ou o desejo de ser representante classista. A representação classista cabe aos sindicatos e associações. A minha pretensão é a de representar o cidadão sergipano de bem e, dentro desse sentido, está a imensa maioria das polícias, que são formadas por cidadãos de bem que estão revoltados com a realidade que nós vivemos e querem mudança.   

JLPolítica – O senhor acha que fez a migração correta da intenção de disputar mandato de deputado para a real disputa que fará de um mandato de senador?
AV –
Sim. Foi uma constatação que partiu de um quadro de necessidade, em virtude da ausência de alternativas para o Senado que pudessem ter a coragem de enfrentar esses grandes coronéis da política sergipana e de oferecer uma opção para o cidadão. Além disso, também poder apoiar e respaldar mais candidaturas proporcionais do próprio Rede. A ideia é ter uma onda de renovação. Sergipe precisa mudar. Como majoritário, eu posso apoiar com mais facilidade.    

JLPolítica – Como é esta história de que um instituto de pesquisa lhe dá com menos de 1% de intenção de votos e outro com perto de 9% numa mesma semana?
AV –
O ex-deputado João Fontes tem uma frase que é lapidar. Ele diz que pesquisa eleitoral no Brasil e em Sergipe é caso de polícia. E eu tenho um perfil um pouco diferente do da maioria das pessoas. Eu não fico só na palavra, eu gosto da ação. Por isso que vamos representar, no Ministério Público Federal e na Polícia Federal, um pedido de apuração dessa situação e de outras coisas relacionas a pesquisas, como os financiamentos. Quem paga pelas pesquisas eleitorais? A maioria das pesquisas registradas no TRE aponta pagamento com recursos próprios, e existem indicativos fortes de que isso não é verdade. E nisso você pode até ter cometimento de crime. Nós precisamos trazer tudo isso à tona e de forma clara, porque o cidadão precisa estar bem informado. As pesquisas têm uma função imensa no processo eleitoral, porque servem como peça de propaganda, por isso há essa variação tão grande: a depender do interesse, você motiva ou desmotiva campanhas.

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Mas JB o demitiu do posto de delegado geral da Polícia Civil

CONCORRENTES DE PESO (MORTO)
“O perfil dos candidatos ao Senado é muito ruim. Ou são pessoas condenadas por prática de crimes, como é o caso de pastor Heleno e André Moura, ou são pessoas como Jackson Barreto e Valadares, que estão na vida pública há 100 anos e que não apresentam resultado positivo”

JLPolítica – Como assim?
AV –
Temos exemplos muito marcantes em Sergipe com essa pesquisa que estou fazendo, como o de Rogerio e Maria do Carmo, que, até as vésperas da eleição, faltando três dias, as pesquisas davam Rogerio mais de 20% atrás dela e quando as urnas foram abertas a diferença era apenas de 3%. Esse desânimo da campanha, esse desestímulo aos doadores e voluntários teve um efeito claro nessa eleição. Da mesma forma na eleição de 2016, quando Dr Emerson foi excluído do debate da Rege Globo por causa de uma pesquisa que dava a ele uma intenção de votos em torno de 3%. As urnas foram abertas cerca de 20 dias depois e ele teve quase 10% dos votos. São erros além da margem estatística de tolerância. Porque, nesse caso, ele poderia ter participado do debate, mostrado o quanto é mais qualificado do que os candidatos que estavam disponíveis, Valadares Filho e Edvaldo Nogueira, e não pôde fazer por causa de uma pesquisa equivocada, para usar uma expressão mais leve. E isso tem que parar. E vamos fazer isso provocando os órgãos de controle. Se eles sozinhos não tiverem iniciativa de fazer, o cidadão comum vai lá e exige que fazem. É isso que pretendo fazer.

JLPolítica – Diante do quadro das chamadas elites dominantes na política e das tradições nesse campo, seria errado ver uma zebra na eleição de Alessandro Vieira para o Senado?
AV -
Será uma mudança histórica para Sergipe. Eu tenho dito nos eventos que tenho participado que Sergipe é o Estado que tem oportunidade histórica de virar a página na política. Numa só ida às urnas, o cidadão pode ganhar na Mega Sena, como tenho brincado, porque ele poderá de uma vez só afastar Jackson Barreto, Antônio Carlos Valadares, André Moura, Rogério Carvalho, Pastor Heleno, e ainda sobra uma vaga para escolher afastar Belivaldo ou Eduardo Amorim. É uma mudança completa na política sergipana. Essa mudança tem todas as condições para acontecer, só depende do eleitor. E eu tenho certeza de que o cidadão sergipano de forma geral não está satisfeito com a vida que tem, com a falta de segurança, de educação, de recursos para a saúde, um desmando rasgado, um cinismo das autoridades que claramente não tomam as medidas necessárias e concentram recursos em propaganda com objetivos eleitoreiros. Então, dá para mudar muito Sergipe e de uma vez só. E a gente tem esperança de que isso aconteça.

JLPolítica - Mesmo com toda essa insatisfação, esses políticos continuam no poder. A que o senhor atribui isso?
AV –
Eles concentram recursos imensos, financeiros e políticos. Então você tem uma massa de milhares de cargos em comissão nas Prefeituras e no Estado, que são ostensivamente manipulados e sofrem pressão para votar e fazer campanha. Tem milhões de reais destinados pelo fundo partidário e tem milhões de reais que saem da corrupção. A cada ano temos notícias de compras de votos, de compras de lideranças, de patrocínio a meios de comunicação para evitar a participação de determinados candidatos ou estimular a de outros. É todo um cenário que leva à manutenção do poder por eles. Eles trabalham para isso. Aprovam leis para isso e têm toda uma estrutura para isso. Isso fortalece a posição deles. O que nos traz a esperança da mudança é o tamanho da insatisfação que nós temos. São figuras tão pouco capacitadas que o desgaste é muito grande. Então, há a esperança dessa mudança para Governo, deputado federal e estadual e também para o Senado da República.   

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Foi acusado por Mendonça Prado de usar a PC para fazer política

RENOVANDO TUDO AO MESMO TEMPO
“De uma vez só afastar Jackson Barreto, Antônio Carlos Valadares, André Moura, Rogério Carvalho, Pastor Heleno, e ainda sobra uma vaga para escolher afastar Belivaldo ou Eduardo Amorim. É uma mudança completa na política sergipana”

JLPolítica – Agora que a vaca já foi pro brejo, o que foi mesmo que travou o acordo de aliança com o PSB dos Valadares?
AV –
O Rede fez um debate interno, houve uma sinalização positiva, mas após uma análise mais cuidadosa, o Rede decidiu, por unanimidade, recusar a proposta de coligação com o PSB. O grande obstáculo está no fato de que não se teria uma renovação verdadeira com essa aliança. E é preciso fazer política nos termos que a própria Marina Silva diz: verdadeiramente querendo mudar. Porque para mudar levando junto candidatos que não representam a mudança, você não está fazendo nada. Está, na verdade, dando lastro, dando viabilidade para candidaturas que estão aí e para manter o sistema como está.

JLPolítica - O senhor chegou a ser gestor no Governo JB, já que ocupou o posto de delegado-geral. O que o fez romper com essa administração? 
AV –
Eu não rompi com a administração, nunca tive ligação política com a administração. Eu fui convidado para um cargo técnico por um colega delegado, João Batista, que era o secretário, até aquele momento nunca tinha mantido nenhuma conversa com o governador do Estado. Fui apresentado a ele e na apresentação João Batista avisou a ele que eu sou um cara extremamente intransigente com questões de corrupção e desvios e aparentemente o governador não prestou atenção no que o secretário falava. Fui nomeado, exerci o cargo por 14 meses e fui exonerado por Jackson Barreto. Não teve nenhum rompimento. Até o último dia, continuei cumprindo a missão da forma como foi desenhada: tratando polícia e leis de forma indiferente se você é rico ou pobre. Isso Sergipe não estava acostumado a ver.

JLPolítica - O senhor acredita que o governador esperava outra coisa do senhor?
AV -
A rotina das autoridades no Brasil é de acordo com a acomodação e aceitação do comando político, essa é a realidade que está no Brasil todo. Quando você tem qualquer coisa que sai desse sistema, causa um espanto muito grande para eles e uma reação. No meu caso, a reação foi a exoneração e, com ela, a tentativa de suspender aqueles trabalhos de investigação.

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Milita no movimento Renova BR

NOMEADO E EXONERADO POR JB
“Fui nomeado, exerci o cargo por 14 meses e fui exonerado por JB. Não teve nenhum rompimento. Até o último dia, continuei cumprindo a missão da forma como foi desenhada: tratando polícia e leis de forma indiferente de se você é rico ou pobre. Isso Sergipe não estava acostumado a ver”

JLPolítica - O senhor chegou a cogitar uma candidatura independente quando o Rede tentou acordo com o PSB. Por que? 
AV –
Porque não é viável para mim participar ou pedir voto para pessoas das quais eu não tenho a convicção de que representam a renovação. Os Valadares são pessoas que até onde tenho conhecimento são honestas, mas que não representam a renovação. Eles representam mais uma oligarquia familiar. O senador Valadares vai para 24 anos de Senado, mais de 50 anos de vida pública, e não se percebe nele a contribuição com a mudança que o Brasil precisa. É simples. E isso foi comunicado por mim aos próprios Valadares. Não cabe, por exemplo, querer criticar André Moura se você estava com André um ano atrás. Isso é cinismo. E eu não compactuo com esse tipo de conduta. Não posso fazer isso. Respeito quem quer fazer, mas eu não faria. E o Rede patrocina a ideia das candidaturas independentes, elas estão em nosso estatuto. A presidenciável Marina Silva defende isso abertamente, e a Rede assinou uma carta-compromisso com movimentos de renovação, entre eles o Acredito, do qual faço parte, e que garante uma reserva de espaço para que essas candidaturas possam acontecer sem vinculação com compromissos partidários como esse de coligação. Mas não houve a necessidade de uma candidatura independente. A Rede manteve por unanimidade a candidatura de Dr Emerson ao Governo e a minha ao Senado.

JLPolítica – Mas o senhor acredita que esse tipo de candidatura tem futuro no Brasil?
AV –
Sim, eu defendo e pretendo apresentar projetos nesse sentido imediatamente após eleito para que se possa ter a candidatura avulsa e uma grande reforma no sistema eleitoral, para que se possa permitir a renovação, além de campanhas mais baratas e que o cidadão possa acompanhar de perto. Sendo mais técnico, defendo o sistema distrital misto, que permite essa possibilidade de acompanhamento e valoriza o voto. Hoje a gente tem campanhas caríssimas. Em Sergipe, em 2014, a média dos candidatos a senador foi de R$ 2,5 milhões, que é o teto, no caixa 1. E é surreal gastar um valor tão grande sabendo que os gastos somando caixa 2 e outras coisas ainda ultrapassa isso. A gente tem que mudar isso.

JLPolítica – O senhor não acha que o candidato a governador pelo seu partido, o médico Émerson Ferreira, é senhor de bons propósitos, mas de péssima verbalização deles?
AV –
Não. Ele é professor universitário e tem uma forma didática de expor. A gente vive num país, numa sociedade, que acredita ainda em heróis que vão dar tapas na mesa e resolver tudo. Dr Émerson e a própria Marina não representam esse herói. Eles representam uma pessoa inteligente, capacitada, preparada, séria e com condições de fazer o que Sergipe e o Brasil precisam. Nesse sentido, eu confio 100% na qualidade da candidatura e do Governo que Dr Émerson tem condições de fazer.  

JLPolítica – Mas em se tratando de política, o senhor não acha que as boas ideias devem vir envelopadas em boas mensagens, em códigos fáceis e de boa compreensão?
AV –
Sim, e a gente tem trabalhado nisso. Uma das coisas que a gente vem tratando nessa fase é como utilizar os 4 segundos de rádio e TV para comunicar nossa mensagem. O tempo é curto, mas dá para fazer. Claro que com a ajuda das redes sociais e de outras técnicas. Há uma complementaridade de estilos, eu sou mais direto, mais objetivo. Até por uma questão de personalidade e da profissão, eu não me incomodo com um tratamento mais duro das questões, acho sim que devemos dar nome aos bois, que temos que enfrentar as coisas diretamente. Outras pessoas têm estilo mais diplomático, o que também é legitimo. Então, o Rede está muito bem servido de candidatos.

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Vem debatendo sua candidatura

PESQUISAS PODEM SER CRIMINOSAS
“Quem paga pelas pesquisas eleitorais? A maioria das pesquisas registradas no TRE aponta pagamento com recursos próprios, e existem indicativos fortes de que isso não é verdade. E nisso você pode até ter cometimento de crime. Precisamos trazer tudo isso à tona e de forma clara, porque o cidadão precisa estar bem informado”

JLPolítica – O senhor acha que o seu discurso é prolixo, travadão, ou de fácil acesso? O senhor se sente carismático?
AV –
Eu não me sinto à vontade para me autoavaliar assim. Mas o que vejo e que acho necessário comunicar é o conteúdo, as ideias, e passar para a sociedade a segurança e a confiança que ela precisa. A gente tem que resgatar a confiança nos representantes. Hoje, se você pergunta aos cidadãos comuns, andando ali no Mercado Albano Franco ou no interior, eles verbalizam a opinião que eles têm com relação a esses velhos políticos de Sergipe e ela é péssima. O cidadão não é bobo. Ele não está enganado e sabe perfeitamente quem são esses políticos, o que fazem, o que o cidadão não tem é alternativa. E aí realmente uma candidatura como a minha, totalmente diferente do que o cidadão está acostumado, serve para dar esse impacto e oferecer uma esperança de mudança. Eu não venho encontrando dificuldade no diálogo com as pessoas, não percebo dificuldade para que a mensagem seja transmitida. Ao longo de 17 anos como delegado, naturalmente, sempre procurei bem tratar e atender a imprensa, no sentido de viabilizar esse contato com o cidadão, porque acho que quem é servidor público tem que prestar contas do que faz e a coisa vem funcionando. Agora, é diferente. Os políticos populistas prometem mundos e fundos, entrar na casa das pessoas, mexem nas panelas e depois saem na rua lavando a mão com álcool. Isso eu não vou fazer, porque não é verdadeiro. Eu converso com as pessoas como sempre conversei, com seriedade, objetividade e muita sinceridade. Essa é a esperança da mudança.

JLPolítica – Eventualmente eleito senador, o senhor não chegaria aturdido e zonzo em Brasília no dia 1° de fevereiro de 2019?
AV –
Não. Eu estou perfeitamente preparado. Estudei efetivamente para me colocar à disposição desse cargo. É possível mudar muita coisa e mudar muita coisa rapidamente, especialmente pelo exemplo, num exercício do mandato de forma participativa e democrática, utilizando a tecnologia para que o eleitor participe das decisões. Porque ninguém perguntou ao cidadão sergipano se ele queria gastar milhões com as festas de São João ou se ele preferia ter bolsa para coleta de sangue no Hemose ou vacinas. Ou segurança. É preciso que o cidadão, dono do dinheiro, seja também o tomador de decisão. Por que não é feito? Porque eles não têm interesse. A velha política tem interesse em concentrar poder, em se apresentar eternamente no sertão como quem está levando a água, a semente, e deixando aquela situação de caos, de abandono, para que a necessidade continue existindo e ele possa, nas próximas eleições, novamente se apresentar como o salvador. Eu quero acabar com isso ou contribuir para que isso acabe.  

JLPolítica - Quais são suas principais propostas? Elas permeiam apenas o campo da segurança pública? 
AV –
Não. Eu fui buscar capacitação para poder prestar um serviço adequado. É natural que segurança e combate à corrupção sejam pontos fortes, porque são da minha atividade diária, mas eu busquei capacitação nas áreas de educação e saúde, para poder dar alternativas de valorização da educação básica, de resgate da profissão e da carreira do Magistério; para que possamos ter a saúde num processo de revisão do pacto federativo para que o orçamento seja adequado à necessidade real e a gestão seja mais transparente e melhor fiscalizada. Também temos propostas concretas no tocante à reforma tributária, reforma trabalhista e previdenciária. Porque o Brasil precisa destravar. A gente precisa permitir que o cidadão que tenha capacidade de empreender, possa fazê-lo, gerando emprego, riqueza. E que essa riqueza seja arrecadada pelo Estado no limite necessário e não com uma carga tributária abusiva como temos hoje e que essa arrecadação siga uma lógica correta, valorizando os municípios, porque atualmente o dinheiro vai todo para Brasília e é distribuído a conta-gotas, sempre com a lógica de manter o cidadão de joelhos e trocando o voto, garantindo assim a permanência do mesmo sistema político. É possível mudar. Tem gente no Brasil inteiro lutando por isso.   

JLPolítica - O senhor critica bastante a corrupção. Quais seriam as medidas que tomaria contra ela num possível mandato? 
AV –
Eu participei do processo de confecção do Movimento Novas Medidas Contra a Corrupção, da Transparência Internacional, inclusive com reuniões em São Paulo. São mais de 70 propostas de lei que eu apoio integralmente e que mudam totalmente a forma de fiscalizar e gerir o Estado e que trazem medidas diretas de fortalecimento dos órgãos de controle, independência das policias, do Ministério Público, financiamento para que isso aconteça, aumento de pena para a corrupção e uma coisa que acho essencial, que é mudar a sistemática processual brasileira, que sejam mais rápidos e que gerem efetividade. E que com essa efetividade possam desestimular a impunidade. Porque hoje vale a pena ser bandido no Brasil. Tem processo criminal que se arrasta há mais de uma década e não tem decisão em primeira instância. Isso é absurdo, porque permite que essas pessoas se perpetuem no poder, se escondendo atrás do foro privilegiado, que é outro absurdo e precisa ser extinto. É possível até discutir um foro para presidente da República, do Senado, do STF, que é o que ocorre em países da Europa, mas fora disso é absurdo demais e só tem o foco de garantir privilégios e impunidade para que eles continuem fazendo o que sempre fizeram. Temos candidatos ao Senado que respondem a vários processos há mais e uma década, que tem condenação, mas que busca liminar e continuar no pleito. Sendo eleito, tem direito a foto privilegiado. Isso tem que acabar.

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Com o ministro Luis Roberto Barroso, do STF

ACABAR COM A REELEIÇÃO 
“Acabar com o foro, com a reeleição para o Executivo, limitar a uma a reeleição para proporcionais, porque sim você quebra essa permanecia eterna e essa vontade que eles têm de ficar lá protegidos”

JLPolítica – Mas o senhor acha mesmo possível?
AV –
Sim, a grande chave é tirar esses estímulos negativos. Acabar com o foro, com a reeleição para o Executivo, limitar a uma a reeleição para proporcionais, porque sim você quebra essa permanecia eterna e essa vontade que eles têm de ficar lá protegidos do mundo. Você vai a Brasília e percebe que é uma espécie de aquário, de onde eles ficam governando sem ter contato com a realidade. E não querem ter esse contato. Eles têm um hall de assessores e puxas-sacos para evitar esse contato. E a cada dois anos voltam para cá, contratam um marqueteiro milionário, fazem pesquisas, descobrem qual o discurso mentiroso que eles têm que usar, mudam esse discurso a depender de com quem estejam. E acham que o cidadão não está acompanhando. Mas nestas eleições vai ser diferente. Quem está ai falando da turma do Temer, vai ter que explicar porque faz parte da turma do Temer há 20, 30 anos. Ou Michel Temer não é do partido de Jackson Barreto? Essas jogadas de marketing são muito bem feitas, por profissionais talentosos, caros, mas o brasileiro tem condições de romper esse véu e enxergar a verdade. E a verdade é que são todos iguais, todos farinha do mesmo saco.

JLPolítica – Caso Emerson não vá a um segundo turno, o senhor votaria nulo lá ou se abraçaria a um dos projetos?
AV –
Não temos nenhuma outra alternativa a não ser Dr Émerson no segundo turno e depois eleito. Acho que é importante essa convicção e é um cenário viável na medida em que a gente consiga comunicar as propostas.

JLPolítica – Como romper a barreira das abstenções?
AV –
Mostrando a relevância de ir votar, de convocar o cidadão para ir escolher os seus candidatos. Com uma abstenção na casa dos 50%, é muito difícil haver renovação, porque você tem compra de votos, o mar de CCs, tem compromissos familiares e financeiros. Mas reduzindo essa abstenção, a renovação vai acontecer, porque as pessoas já sabem que essa turma que está aí não tem condições de dar um retorno. As pessoas querem muito mudar, querem andar em segurança pelas ruas, querem não presenciar a cada dia escândalos de corrupção na TV, e isso só é possível com a eleição. Eu não me coloco como melhor do que ninguém, mas eu sou diferente dessa turma que está aí com certeza.

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Ocupa também espaços na imprensa