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Entrevista

Jozailto Lima

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Almeida Lima: “Fizemos uma pequena revolução na saúde”

Publicado em  23  set 2017, 20h00

"Estamos conseguindo fazer muito mais com bem menos"

José Almeida Lima é topetudo. Literalmente, topetudo. Fala empostado, pausado e olhando pro céu, parece pouco se importar com o interlocutor, com os conceitos alheios, e causou estranheza quando foi parar na cadeira de secretário de Estado da Saúde de Sergipe no dia 26 de janeiro deste ano, sendo um advogado e não um médico.

Mas ninguém pode negar que José Almeida Lima tem direção, rumo, e que sabe aonde quer chegar. Ele é um gestor. Conhece a anatomia do Executivo, como um ex-prefeito de Aracaju, e a do Legislativo, como ex-deputado estadual e ex-senador.

Aliás, no dia 19 de fevereiro ele concedeu uma entrevista ao JLPolítica e ali deu a si mesmo de seis a oito meses para mudar radicalmente a cara da saúde pública de Sergipe.

Nesta terça-feira, 26, ele crava os oito primeiros meses. E agora, não bem olhando mais para o céu e sim para este curto passado e para o que ele e sua equipe fizeram neste período, Almeida Lima não se equivoca com o diagnóstico do realizado.

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José Almeida Lima é topetudo. Literalmente, topetudo

JLPolítica - Há oito meses, o senhor concedeu uma entrevista a este portal e fez uma previsão, dizendo que haveria uma grande mudança na Saúde pública em Sergipe. O que se pode dizer dessa transformação?
José Almeida Lima –
Posso dizer que fizemos uma pequena revolução na saúde pública de Sergipe. Os procedimentos são outros. O foco é outro. A gestão, o gerenciamento, é outro.

JLPolítica – Quais são esses outros?
JAL -
Hoje, temos como norte a assistência à saúde da população. O foco é exatamente atingir isso dentro do menor espaço de tempo possível, com a garantia, hoje já demonstrada, de que o problema da saúde é o gerenciamento e não recursos financeiros. Estamos conseguindo fazer muito mais com bem menos. E isso decorre do gerenciamento. Ou seja, passamos um período inicial trabalhando basicamente a atividade-meio, fortalecendo os instrumentos gerenciais e administrativos, apesar das enormes críticas que recebemos, mas nos mantivemos firmes, inabaláveis, pela compreensão lógica de que este era o caminho. E foi. Fizemos exatamente para mostrar tudo aquilo que eu havia prometido no discurso de posso, de que em seis a oito meses começaríamos a mudar a fisionomia da saúde pública em Sergipe. 

POPULAÇÃO POR NORTE
“Temos como norte a assistência à saúde da população. O foco é exatamente atingir isso dentro do menor espaço de tempo possível, com a garantia, hoje já demonstrada, de que o problema da saúde é o gerenciamento e não recursos financeiros”
 

JLPolítica - Qual a parte mais visível dessa mudança na atividade-meio?
JAL -
Cortamos tudo que era mau costume: cessão de servidor com ônus para o Estado, que tínhamos mais de 700; cessão “de boca” de servidores para outros órgãos; servidores que passaram cedidos à outros órgãos também “de boca” por 15 anos, com a Secretaria pagando. Uma auditoria em todos os procedimentos de folha de pagamentos, de servidores de todos os níveis e detectamos que muitos já entravam nos locais de trabalho de costas, já para sair. 

JLPolítica - O senhor conseguiu economias reais com isso?
JAL
- Absoluta. Em unidades como o Huse, começamos a substituir serviços terceirizados, contratados, por serviços próprios, diretos. A gente tem custos operacionais internos que não eram demandados e que se contratavam serviços externos para fazê-los. Ou seja, procedimentos como pesagem de lixo hospitalar, não eram feitos pela gestão e sim pelo contratado. Pesagem de vestuário que saía da unidade para a lavanderia, não era recebido e controlado pela saúde. Ampliamos o controle de todos os gastos. Toda despesa precisou ser investigada para identificar a razão de ser dela. Isso nos deu condições de melhorar as tarefas da atividade-fim.

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Mas Almeida Lima não se dá por satisfeito com o executado até agora

JLPolítica - O senhor suprimiu muita coisa?
JAL
– Sim, demais. E vamos continuar suprimindo. Na última quinta, 21, o governador assinou decreto autorizando a Secretaria de Saúde a realizar o PSS - Processo de Seleção Simplificada - de servidores de limpeza, de segurança e terceirizados para colocação de mão de obra, que com o PSS, vamos administrar de forma direta e com uma economia mensal da ordem de R$ 3,2 milhões. 

JLPolítica - O senhor não tem o quantitativo da economia de todos esses meses?
JAL
- Não, porque ele ainda está em números que estão sendo condensados para apresentação ao Governo. Mas o que foi apurado até agora daria algo em torno de R$ 25 milhões nesse período, e só com terceirização. Mas temos economias com as horas extras, que nós quase acabamos. Com este PSS, também na área de profissionais de saúde, iremos cancelar o restante das horas extras e, para alguns menos avisados, por mais que pareça absurdo, vamos contratar pessoal e reduzir a folha de pagamento, porque hoje ela é inflacionada por causa do pagamento de profissionais em hora extra. Quando fizemos a devolução de vários imóveis alugados, que representaram economia de mais de R$ 190 mil, fiz questão de dizer que a economia não acaba ali. A mesma coisa aconteceu com a devolução de veículos. Então, já há um enxugamento da máquina. Tudo isso gerou recursos para administrar. 

CORTANDO MAU COSTUME
“Cortamos tudo que era mau costume: cessão de servidor com ônus para o Estado, que tínhamos mais de 700; cessão “de boca” de servidores para outros órgãos; servidores que passaram cedidos à outros órgãos também “de boca” por 15 anos, com a Secretaria pagando”

JLPolítica - Como é hoje a prestação dos serviços de saúde, a atividade-fim?
JAL
- Uma área muito sensível aos olhos da população, que é a da assistência ao tratamento de pacientes oncológicos, se faz muito visível, porque não tínhamos a unidade de radioterapia em funcionamento, nem a de braquiterapia. Também temos aplicação de radioterapia contra câncer de colo uterino, onde se coloca cânula para atingir uma área específica e não estava funcionando. Tínhamos pacientes viajando para outros Estados, através do TFD - Tratamento Fora de Domicílio -, o que causava um sofrimento enorme, e contratamos a Clinradi para isso.

JLPolítica – E o quantitativo de tomógrafos aumentou?
JAL
- Tínhamos três tomógrafos quebrados. Sem funcionar. Logo, não tínhamos nenhum. Hoje temos seis: três novos, que já chegaram; um instalado, outro em vias de instalar - em Itabaiana - e mais dois já recuperados e instalados. Não tínhamos ressonância magnética, um aparelho que custa mais de R$ 3,2 milhões, e hoje já estamos para receber um. Tínhamos uma deficiência em medicamentos oncológicos e hoje estamos supridos. 

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"Penso num Huse qualificado como hospital de referência ", diz ele

JLPolítica - Só os oncológicos ou todos os medicamentos?
JAL
- Todos. A Secretaria está suprida de todo tipo de medicamento. A Secretaria nunca esteve tão abastecida quanto hoje. Eventualmente, pode faltar algum medicamento e as pessoas menos avisadas fazerem críticas sem saber. Por exemplo, estamos com a falta de dois medicamentos para transplantados de rins, que não são comprados pela rede estadual e os laboratórios não vendem a ninguém, porque eles devem ser distribuídos diretamente pelo Ministério da Saúde. Tem alguns que faltam exatamente porque os laboratórios não estão entregando. Mas aí também não há nenhuma anormalidade. Porque o cidadão com a receita e o dinheiro no bolso vai a uma farmácia e vez por outra não encontra o produto.

JLPolítica - O senhor quer dizer que aquele pandemônio que havia antes, com gente se queixando do Huse e das Maternidades, foi suprimido? 
JAL
- Sim. Porque atuamos com planejamento e prevenção. Na última sexta à tarde, por exemplo, estávamos numa reunião com mais de 100 servidores estratégicos, diretores da Secretaria, da Fundação, assessores, procuradores, superintendentes de todas as unidades para fazer o planejamento e um dos itens foi a demanda de medicamentos e insumos para 2018. Porque precisam ser licitados. Isso significa mudança de modo. Porque a gente não chega para comprar de última hora, a preços levadíssimos. 

MÃO DE OBRA DIRETA
“Vamos continuar suprimindo. O governador assinou decreto autorizando a Secretaria o Processo de Seleção Simplificada de servidores de limpeza, de segurança e terceirizados para colocação de mão de obra e vamos administrar de forma direta e com uma economia mensal da ordem de R$ 3,2 milhões”

JLPolítica – Há uma queixa de que o senhor, como secretário, iria desconstruir alguns paradigmas montados há 10, 12 anos, e que isso poderia levar o modelo da saúde pública à ruína, por ser não médico, nem da área. O senhor acha que essa visão não se configura?
JAL
- Ela foi uma visão estúpida e revela que quando a pessoa do secretário vai de encontro a costumes sedimentados ao longo do anos, ele vai estar errado. Mas errado porque o secretário estará indo de encontro aos maus costumes. Maus costumes, como o de ceder médico para um hospital privado durante 15 anos sem receber em troca nenhum serviço, mas colocando o salário na conta bancária dele todos os meses. Isto é mau costume e, como tal, inconcebível. E esse mau costume nós cancelamos. E as pessoas não simpatizam.

JLPolítica – Como está a relação da Secretaria com os hospitais conveniados?
JAL
- Do ponto de vista da relação jurídico-administrativa, saudável. E estamos melhorando, porque temos que reparar tudo isso. Agora, eventualmente, aquele que quer continuar no uso do mau costume, essa relação em dado momento azeda e a gente tem que buscar fórmula legal para superar. Ou seja, a meta precisa ser a de uma coisa que o Estado já tinha e tem idade para fazer, não havendo necessidade da busca da contratação de serviços em unidades privadas.

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Almeida Lima não se equivoca com o diagnóstico do realizado

JLPolítica - De que modo o velho Huse pode se converter nesse suporte de enfrentamento aos hospitais conveniados?
JAL -
Estamos criando condições para que o Huse comece a realizar, por exemplo, as cirurgias de alta complexidade eletivas, porque hoje realiza apenas as de alta complexidade urgentes e emergentes, que chegam ao pronto socorro ou na ala vermelha. Neste último sábado, 23, iniciamos esse procedimento com uma equipe de cirurgiões ortopedistas, porque temos no Huse mais de 40 pacientes acamados há dois, três, seis meses, aguardando o suporte do Hospital de Cirurgia, que não chega.

JLPolítica - E qual é a conclusão a que o senhor chega?
JAL
- É a de que não vamos ficar reféns de hospital privado nenhum. É a de que deveríamos, nesse momento inicial, mesmo sem receber do SUS por esse serviço, porque o hospital não é habilitado para cirurgias de alta complexidade eletiva em ortopedia, ou seja, estamos buscando essa habilitação, atuar nessa área. Vamos fazer com recursos próprios. Dr. Antônio Cabral, junto aos doutores Hidelbrando e Adonai, que são, inclusive, médicos onco-ortopedistas, participaram de uma reunião para resolver o problema e demonstrar que podemos. Vamos substituir os serviços da rede privada por serviços públicos. Não apenas os hospitalares, de média e alta complexidades, mas também os serviços na área de exames, como imagem, sobretudo. 

TRÊS TOMÓGRAFOS QUEBRADOS
“Tínhamos três tomógrafos quebrados. Logo, não tínhamos nenhum. Hoje temos seis: três novos, que já chegaram; um instalado, outro em vias de instalar - em Itabaiana - e mais dois já recuperados e instalados. Não tínhamos ressonância magnética, aparelho que custa mais de R$ 3,2 milhões, e hoje já estamos para receber um”

JLPolítica – Qual é o conceito que o govenador Jackson Barreto tem do seu trabalho?
JAL
- Jackson tem sido muito econômico nas palavras do dia a dia. Ele é um cobrador emérito, embora nas solenidades públicas, e temos tido algumas, ele tem sido mais benevolente, por assim dizer, em gestos e palavras ao trabalho que estamos realizando aqui, que é exatamente aquele de mudar a fisionomia da saúde em Sergipe.

16JLPolítica – O senhor foi muito criticado pela locação da antiga sede do Mistão, na Avenida Augusto Franco (Rio de Janeiro). Era necessário mesmo? Houve incompreensão do que lhe fulminaram?
JAL -
O espaço do Mistão não era só necessário, como indispensável. O espaço do Mistão é a solução para eu fazer o que pretendemos do Hospital de Urgência: uma casa com dignidade cidadã. Porque é para o Mistão que vamos carrear inúmeros órgãos hoje descentralizados, encravados no Huse ou adjacência, para possibilitar a remoção de alguns serviços que hoje estão tomando espaço nobre que precisa ser destinado para outra atividade. Na semana passada, despachei três dias seguidos no Huse e identificamos espaços internos que não vão depender de obra nenhuma e que nos darão a possibilidade inicial de criação de 100 novos leitos naquele Hospital. Mas tenho certeza de que não ficarão apenas nesses novos 100 leitos, porque o estudo não está de todo concluído e ainda estou envolvido com esse tema. Por exemplo: o Centro de Distribuição de Imunológicos, de Vacinas, está num prédio ao lado, vizinho ao TRE, é um almoxarifado. E lá o que hoje é um ambulatório de retorno de pacientes, que já foram atendidos e retornam, vai sair dali por não ser uma atividade que precise estar no Huse. Esse espaço sai dali, vai para o Cead, que vai vagar por ir para o Mistão, e vira leito.

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"Jackson tem sido muito econômico nas palavras do dia a dia. Ele é um cobrador emérito', diz

JLPolítica - Mas os R$ 150 mil é mesmo um valor justo para o aluguel do Mistão?
JAL
- Não. É injusto, barato. Não foi justo para os donos do imóvel, e quem assim se expressou na Alese foi o deputado Luciano Pimentel, da oposição. Ele disse, pela experiência que tem da Caixa Econômica, que aquele foi um aluguel baratíssimo.

JLPolítica - Aracaju comportaria mais três unidades de maternidade - a do HU, a Hildete Batista e a que Edvaldo Nogueira quer fazer no Santa Maria?
JAL –
Comportaria, e com tranquilidade. Por que temos que ter demanda reprimida? Parturientes em corredores? Precisamos é ter espaço vazio. A Nossa Senhora de Lourdes não pode trabalhar com a capacidade total. Precisamos de folga para que não aconteça o que eventualmente acontece: a Santa Isabel fecha as portas e a Nossa Senhora de Lourdes, que é de alta complexidade, abarrotada.

HUSE E CIRURGIAS ELETIVAS
“Estamos criando condições para que o Huse comece a realizar, por exemplo, as cirurgias de alta complexidade eletivas, porque hoje realiza apenas as de alta complexidade urgentes e emergentes, que chegam ao pronto socorro ou na ala vermelha”

JLPolitica - Quando é que a Maternidade Hildete Falcão Batista entra em ação, secretário?
JAL
- O governador deve entregá-la no mês de novembro, funcionando. Por isso que eu digo que cabem três maternidades, sobretudo porque há uma demanda reprimida. A Nossa Senhora de Lourdes hoje recebe um percentual muito grande de parturientes que não estão no perfil de alto risco. Por exemplo, quando uma das maternidades credenciadas pelos SUS, como a Santa Isabel, que fecha as portas, a Lourdes, que é de qualidade ímpar, fica completamente superlotada. E a decisão foi exatamente a de reconstruir e reinstalar a Hildete falcão que estava há nove anos abandonada.

JLPolítica – O senhor disse na entrevista que deu a esse portal no dia 19/02 que a FHS estaria com os dias contados e de fato ela morreu. O que é que o senhor descobriu no subsolo da FHS? Suas teses estavam corretas? Era desnecessário essa duplicidade ou triplicidade de ação competindo com a Secretaria de Saúde?
JAL
- Por filosofia e consciência política e ideológica, eu defendo um Estado mínimo na sua estrutura de poder, mas um Estado máximo nas suas atribuições e nas suas atividades-fim. De logo, conclui-se que nunca fui a favor da FHS. O histórico da FHS fala por si só: uma Fundação que ao longo do tempo não disse para que veio, além de deixar um passivo superior a R$ 700 milhões, R$ 800 milhões com servidores, com Receita Federal, com Previdência, com fornecedores. Ou seja, que não teve a capacidade de gerenciar a rede estadual de hospitais e estamos mostrando, na prática, que hoje, além de trabalhar a folha de pagamento dos servidores, nada mais realiza, pois tudo é feito pela Secretaria de Estado da Saúde por determinação de um acordo judicial.

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Almeida Lima crivado de conceitos técnicos, cercado de visões que contemplam a meritocracia

JLPolítica - Qual é o destino desse passivo deixado pela FHS?
JAL
- Primeiro, a fundação é uma entidade pública. Ela foi criada pelo Governo do Estado depois de uma autorização da Assembleia Legislativa. Logo, enganam-se aqueles que dizem que ela é uma fundação privada. Ela é pessoa jurídica de direito público interno. Embora com as suas relações de natureza privadas. Portanto, o passivo dela é uma responsabilidade do Estado.

JLPolítica - Secretário, o governador Jackson Barreto apontou erros graves na empresa que ganhou a licitação para construir o Hospital do Câncer Governador Marcelo Déda. A obra corre perigo?
JAL
- Não. Quem corre perigo de sair é essa empresa vencedora.

FHS E O PASSIVO DE R$ 800 MILHÕES
“O histórico da FHS fala por si só: uma Fundação que ao longo do tempo não disse para que veio, além de deixar um passivo superior a R$ 700 milhões, R$ 800 milhões com servidores, com Receita Federal, com Previdência, com fornecedores”

JLPolítica – Mas isso implicaria atraso na obra?
JAL
- Implica em diminuir o atraso. Porque se continuar com a empresa, pelo que vejo, o atraso será continuado. E se retirar, a gente resolve o problema por antecipação.

JLPolítica - O senhor se acha um secretário monocrático, que define as coisas na base do eu-sozinho?
JAL -
Em hipótese alguma. Inclusive, falei que estive com mais de 100 servidores trabalhando o planejamento de compras para 2018. Agora, sou um secretário que reúne, discute e que toma decisões. Que tem o foco no sentido de ver as decisões efetivamente cumpridas.

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Causou estranheza quando foi parar na cadeira de secretário de Estado da Saúde

JLPolítica - Uma pessoa do setor médico disse que um secretário que pensa em ter uma oficina própria para a Secretaria de Saúde não entende nada de gestão. O que o senhor pensa disso?
JAL -
Um secretário que não deve ser um profissional de saúde, porque secretário nenhum tem tempo nem pode estar numa mesa cirúrgica fazendo cirurgia, logo não precisa ser habilitado profissionalmente. Ele deve ser um secretário que identifica os ralos por onde o dinheiro está escorrendo. E eu sou um deles, e busco alternativas para fechar esses ralos e o dinheiro ser suficiente para comprar Aspirina, por exemplo. É preciso cortar a sangria dos recursos públicos em todos os tempos. Agora, essa pessoa não vai ver o secretário lá na ponta, consertando carro, mas alguém consertando por 15% do custo que se paga numa oficina privada. Aliás, estranho muito quando pessoas vêm me estimular terceirização de serviços. Para mim, terceirização significa roubo. Significa o instrumento necessário para praticar a corrupção. Não estou a afirmar, no entanto, que todo processo licitatório para terceirização seja um roubo em si ou que gere corrupção. Mas é o instrumento que a possibilita. Quem fala isso da oficina não está defendendo os interesses públicos e sim os privados.

JLPolítica - Como é que está a rede hospitalar no aspecto da composição dela, dos equipamentos?
JAL -
Recebemos a rede hospitalar de saúde estadual completamente depauperada. Chegamos no momento de reunir as condições e nesses oito dias estamos fazendo aportar nos hospitais de Neópolis, Propriá, Glória, Capela, Itabaiana, Socorro, Huse, Nossa senhora de Lourdes, Lagarto, Estância, Boquim e Tobias Barreto mais de 900 equipamentos médicos - eu falei 900 equipamentos médicos: monitores são 200, aquele aparelho que fica na cabeceira da cama do paciente medindo os seus sinais vitais, basicamente não existiam. O que é um absurdo. Desfibriladores para reanimar pacientes são 50; ventiladores pulmonares, 80; incubadoras para a maternidade 40. Berço aquecido, 40. Aparelhos de ultrassom, de raio x, carros de anestesia, cardiotocógrafo, eletrocardiógrafo e tantos outros aparelhos estão sendo incorporados à rede, completamente desabastecida.

CANDIDATO A NADA
“O meu projeto político é o projeto político que for estabelecido pelo governador Jackson Barreto. Se Jackson e Belivaldo Chagas desejarem, continuarei até o último dia da gestão. Não serei candidato a nada, sobretudo de mim mesmo”

JLPolítica - O senhor imagina que qualidade de saúde sergipana a ser entregue ao futuro governador em 31/12/2018? 
JAL
- Olhe, eu imagino e quero uma saúde pública digna para a população, com hospitais, a exemplo do Huse, prestando um serviço de qualidade e um acolhimento aos pacientes SUS de forma tão qualificada que não se pratica nem na iniciativa privada. Este é o compromisso que eu quero assumir, mas não para ser visto no dia 31 de dezembro de 2018. Mas já para 31 de dezembro de 2017. Penso num Huse qualificado como hospital de referência no Estado de Sergipe e para todo o Brasil. E a ser objeto de matérias jornalísticas nacionais, mostrando a sua qualidade

JLPolítica – Muitos sustentaram a tese de que Almeida estava chegando para um uso político da Secretaria de Estado da Saúde. Estamos quase em outubro e o senhor não deu manifestação nenhuma de ter projetos políticos para 2018. O seu projeto passa apenas pela eleição do seu genro a deputado estadual?
JAL -
Quem assim pensou, caiu do cavalo. O meu projeto político é o projeto político que for estabelecido pelo governador Jackson Barreto. Se Jackson e Belivaldo Chagas desejarem, continuarei até o último dia da gestão. Não serei candidato a nada, sobretudo de mim mesmo. O meu projeto político está nas mãos do governador. O que ele decidir, será mantido. E agradeço imensamente por permanecer na Secretaria.

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"Toda despesa precisou ser investigada para identificar a razão de ser dela", defende

JLPolítica - O senhor confirma seu genro como candidato a deputado estadual?
JAL
- Não sei se ele é candidato. Este é um assunto que nós não discutimos. Sobretudo porque ele me respeita, no sentido de saber que não tenho projeto político e que neste período não trato de política. Me comporto assim, primeiro por um desejo pessoal e, segundo, por um compromisso com o governador.

JLPolítica – Poderia se dizer que se ele tivesse esse projeto, não estaria na sua pauta?
JAL
- Não. Não estaria na minha.

OPOSIÇÃO DIFICULTA
“Vejo senadores, deputados e apadrinhados, assessores, tratando exclusivamente de política, sem discutir os problemas que temos, e muito menos encaminhar a solução para eles. Ao contrário, a oposição tem criado dificuldades, porque a visão que ela tem é a de que quanto pior melhor”

JLPolítica – Por que o senhor acha que esse projeto que Jackson Barreto representa hoje deve ter continuidade em 2019?
JAL
- É um projeto que precisa ser mantido porque é um projeto político, de governo, que vem conseguindo manter o Estado de pé. Veja: diante da crise que aí está, se o cobertor fosse outro, como diz a expressão do nosso paulista Adoniran Barbosa, o Estado já teria morrido, afundado, porque “Deus dá o frio conforme o cobertor”.

 

JLPolítica – O senhor não vê defeitos no modo de gerir de Marcelo Déda e de Jackson Barreto, de 2006 pra cá?
JAL
– Defeitos, todos nós temos. Mas é preciso fazer um balanço e o fazendo, é possível perceber que o Governo Jackson Barreto - e quero me limitar a ele -, é um Governo extremamente operoso em todos os campos. Tem uma questão de ordem de caixa que precisa ser regularizada, mas é por causa da crise. Enquanto outros Estados estão atrasando três, quatro meses de salário, aqui estamos apenas pagando no mês seguinte.

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'Tudo quanto hoje se discute de política partidária, acho de uma precipitação inominável", ressalta

JLPolítica – Quem o senhor acha que deve ser o candidato do grupo?
JAL -
Aquele que o governador Jackson Barreto escolher. Mas eu acho essa uma tarefa precipitada. Tudo quanto hoje se discute de política partidária, acho de uma precipitação inominável.

TERCEIRIZAÇÃO X CORRUPÇÃO
“Estranho muito quando pessoas vêm me estimular terceirização de serviços. Para mim, terceirização significa roubo. Significa o instrumento necessário para praticar a corrupção”

JLPolítica – Por que?
JAL
– Porque creio que senadores, deputados e demais lideranças deviam ter um pouco mais de respeito à população, posto que estamos num ano não-eleitoral e em vez de discutirmos questões de gestão, os problemas das pessoas, estamos discutindo os espaços em que cada um pretende se manter em 2019, após a eleição, sendo que estamos em 2017. Vejo senadores, deputados e apadrinhados, assessores, tratando exclusivamente de política, sem discutir os problemas que temos, e muito menos encaminhar a solução para eles. Ao contrário, a oposição tem criado dificuldades, porque a visão que ela tem é a de que quanto pior melhor, para que os que ocupam o poder hoje se afastem no processo eleitoral seguinte. Ou seja, não estão preocupados com a população e sim com seus interesses pessoais