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Entrevista

Tanuza Oliveira

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André Moura: “Meu mandato de deputado de 4 anos fez mais que o de Jackson governador em 5”

Publicado em 2 de setembro de  2018, 20:00h

"Se eu trouxe R$ 1,5 bilhão como deputado federal, tenha certeza de que, como senador, vou trazer muito mais", diz. E reforça uma convicção:  "Eduardo Amorim será eleito e terá um mandato que permitirá reeleição"

Os números que envolvem a história do candidato ao Senado André Moura, PSC, chamam a atenção de quem se atenta à política. Ele lidera 300 deputados e 50 senadores, já teve seis mandatos eletivos, diz contar com o apoio de 65 dos 75 prefeitos sergipanos e garante que carreou R$ 1,5 bilhão em recursos para o Estado nos últimos anos.

Todos esses fatos parecem ter dado a André uma certeza diretamente proporcional a eles. “Minha força no Congresso não vem de ser líder. É claro que eu ampliei. Mas não tenha dúvida de que no próximo ano continuarei ajudando Sergipe. Eu abri portas para Sergipe e elas vão continuar abertas”, garante.

Mas nem sempre foi assim. André começou sua vida política como assessor da então primeira-dama de Sergipe, Maria do Carmo Alves; depois do pai, Reinaldo Moura, quando presidia a Alese. Se for eleito, poderá ser colega de Senado de Maria, com quem revela ter aprendido muito. O pai aposentou-se, mas segue o filho de faróis acesos.

Claro que a carreira vultosa desse André na política também contou com o aprendizado que herdou da labuta com o pai, o ex-deputado estadual Reinaldo Moura. “Atuei no gabinete, depois fui chefe de gabinete e diretor-Geral da Assembleia. Eu sempre gostei muito de política, mas esse convívio com Dona Maria e com Reinaldo Moura me fez ter um olhar diferenciado para a política”, reconhece.

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Acha que em 2018 Eduardo Amorim é um candidato com uma pegada nova, que vai se eleger e fazer um governo para reeleição em 2022
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Com Temer, foi feito líder do Governo na Câmara e depois no Congresso Nacional

MODELO POLÍTICO DO PAI, REINALDO MOURA
“Foi esse o aprendizado, o de fazer política com muita correção, sendo amigo dos amigos. E essa é a política que pretendo fazer, a de vínculos de amizade, parcerias, não apenas para uma eleição. Meu pai encerrou a vida política tendo ao lado as mesmas pessoas com as quais caminharam sempre”

JLPolítica - Do assessor do deputado estadual Reinaldo Moura, na década de 90, para o deputado federal de segundo mandato, qual foi o seu aprendizado?
André Moura –
Eu iniciei com a então primeira-dama do Estado, Maria do Carmo, hoje senadora, tendo a oportunidade de aprender muito na Secretaria de Estado da Ação Social, no início dos anos 90. Ela tinha um ritmo muito acelerado de ações nessa área, com diversos programas, como o da saúde da mulher, de habitação popular. Iniciar trabalhando com uma mulher com aquele pique me rendeu um verdadeiro aprendizado e um olhar diferenciado para a vida das pessoas, a partir da oportunidade de conhecer mais de perto a realidade de cada um dos assistidos.

JLPolítica – E o segundo passo?
AM -
E depois eu fui trabalhar com meu pai na Assembleia Legislativa. Ali, eu atuei no gabinete, depois fui chefe de gabinete e diretor-Geral da Assembleia. Eu sempre gostei muito de política, mas esse convívio com Dona Maria e com Reinaldo Moura me fez ter um olhar diferenciado para a política. Com ela, vi que a política é um caminho também para ajudar a mudar a vida das pessoas. E com meu pai, o trabalho foi mais focado no Legislativo em si, nas propostas e projetos, em ser líder de Governo em alguns momentos e da oposição em outros.

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Revela ter aprendido muito com a senadora Maria do Carmo Alves, de quem ele foi assessor

ÔNUS E BÔNUS DE SER LÍDER DO GOVERNO
“Se eu não aceito a missão, por mais quantos anos iríamos ficar com essa lacuna? E eu sabia da cota de sacrifício que seria necessária, mas hoje vejo que o sacrifício valeu a pena. Não sou governador do Estado, não sou ministro, faço oposição ao Governo do Estado e mesmo com tudo isso sabia que teria um papel importante para Sergipe”

JLPolítica - Mas qual é o legado de Reinaldo Moura na sua vida pessoal e política?
AM –
No convívio com ele, aprendi a fazer a política que, muitas vezes, hoje não se encontra mais não só em Sergipe como no Brasil. A política da palavra: se é sim, é sim. E se é não, é não. De ter posições e não ficar em cima do muro. Ter posições firmes no plenário da Assembleia e no trato com as pessoas, com as lideranças. De ter lado em suas posições políticas. Uma política sem enganar as pessoas, dizendo sempre a verdade, mesmo que doesse em algumas pessoas. Foi esse o aprendizado, o de fazer política com muita correção, sendo amigo dos amigos. E essa é a política que pretendo fazer. A política de criar vínculos de amizade, parcerias, não apenas para uma eleição. Meu pai encerrou a vida política tendo ao lado as mesmas pessoas com as quais caminharam sempre. Tudo isso me forjou para fazer a política que eu faço hoje. Política combativa, no sentido de lutar pelos interesses do Estado, porque a realidade lá em Brasília é a de cada um brigar pelo seu Estado mesmo. A briga de defender o seu Estado. 

JLPolítica - O senhor faz algum paralelo de importância entre a sua condição de líder do Governo na Câmara e no Congresso para estas mesmas condições ocupadas por Marcelo Déda e Zé Eduardo Dutra?
AM –
Acho que cada um procurou, dentro de suas características próprias, cumprir o seu papel. Marcelo Déda teve a oportunidade de ser governador do Estado tendo Lula na Presidência, que era, além de amigo pessoal, seu compadre. E ele trouxe muitos recursos para muitas obras importantes com essa parceria, mas acho que, se houvesse um planejamento maior, e uma preparação maior do Estado na construção dessas parcerias, poderia ter sido feito mais. Para quem tinha um compadre na Presidência, eu entendo que poderia ter sido feito mais. E Zé Eduardo também tinha características diferentes. A Petrobras teve uma atuação forte aqui no Estado enquanto ele a presidia, mas era uma atuação restrita a essa área. A Petrobras fez muitas parcerias com entidades, por exemplo, então dentro do raio de atuação da empresa, a presença dele foi importante para Sergipe naquele momento. Ele não utilizou-se do poder de presidente para ampliar esse raio de atuação. Ele utilizou a Presidência para, dentro da atuação dela, ajudar o Estado. Mas não a expandiu. Não ampliou, e poderia ter sido feito.    

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Cravou um eufórico e oportuno "sim", pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff

CRIOU GOVERNO PARALELO EM SERGIPE
“Eu digo sempre que se você pegar o que Jackson fez nos últimos cinco anos nos municípios de Sergipe e fizer um comparativo dos meus quase quatro anos, pode ter certeza de que o meu mandato de federal valeu mais do que o do governador pela primeira vez na história de Sergipe e do Brasil” 

JLPolítica - O que o senhor fez que não faria nestas duas lideranças? E o que não fez e faria?
AM –
A minha atuação enquanto líder eu cumpri, no que diz respeito ao Governo. Mas para o meu papel como líder, e eu sabia disso, teria que pagar um preço. Eu via meu pai na Assembleia e via o desgaste natural. Ser líder de Governo é muitas vezes defender medidas impopulares. É ser alvo de crítica. Tem bônus e ônus. E, naquele momento, eu estava muito consciente disso. Sabia que teria que conviver com críticas e elogios. Mas eu também sabia que seria importante para Sergipe, que seria uma oportunidade talvez única para o nosso Estado. A gente teve uma oportunidade com João Alves, que foi ministro do Interior, depois com Albano Franco, que foi presidente da CNI - Confederação Nacional da Indústria -, com Déda, que teve um presidente compadre, com Zé Eduardo presidente da Petrobras, mas tem muitos anos que estávamos com essa lacuna. Se eu não aceito a missão, por mais quantos anos iríamos ficar com essa lacuna? E eu sabia da cota de sacrifício que seria necessária, mas hoje vejo que o sacrifício valeu a pena. Não sou governador do Estado, não sou ministro, faço oposição ao Governo do Estado, oposição à Prefeitura de Aracaju e mesmo com tudo isso, sabia que eu teria um papel importante para o Estado de Sergipe, para o Governo, para a Prefeitura de Aracaju e para as do interior. A gente sabe que há um desgaste, mas tudo que fiz foi de forma consciente, e a consciência era a de conhecer a necessidade do Estado. O que eu fiz abriu portas e me permitiu trazer para o Sergipe o maior volume de recursos da história, e isso eu garanto. Foi mais do que quando João Alves foi ministro, mais do que Déda, mais do que Zé Eduardo, mais do que Albano, embora eu respeite todos eles. Eu trouxe em um momento importante, porque, de certa maneira, nós fizemos um governo paralelo em Sergipe. Eu digo sempre que se você pegar o que Jackson fez nos últimos cinco anos nos municípios de Sergipe e fizer um comparativo dos meus quase quatro anos, pode ter certeza de que o meu mandato de deputado federal valeu mais do que o do governador, pela primeira vez na história de Sergipe e do Brasil. Jackson não fez pelos municípios sergipanos, nem por Aracaju, nada do que eu fiz. Aliás, não sei se por Aracaju alguém já fez igual a mim, mesmo Edvaldo não sendo meu aliado. Então, não me arrependo de nada.

JLPolítica - O senhor acha que o sergipano consegue separar sua imagem da do Governo Temer, com todas as suas deficiências?
AM –
As pessoas têm que entender que Temer está presidente do Brasil até 31 de dezembro. Esta eleição vai definir quem estará nos novos mandatos a partir do próximo ano. O próximo presidente da República, seja quem for, não será Temer. Sendo senador, a minha missão continuará sendo a de trabalhar por Sergipe. Tenho consciência e visto que nessa campanha há um sentimento de gratidão e de reconhecimento do povo de Sergipe pelo que tenho feito. É impressionante: quando chego nas casas as pessoas falam: “vou votar em você pelo que você está fazendo por Sergipe; você merece meu voto por estar fazendo por Aracaju o que ninguém nunca fez”. Ou: “vou votar porque você está tornando o nome de Sergipe conhecido na política nacional”.

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Como líder, passou a receber em seu gabinete procissões de políticos sergipanos, de todos os partidos. " O Governo Temer está matando André Moura", dizia o deputado federal Jony Marcos, que, agora, é aliado

OS R$ 1,5 BI SÃO REAIS OU FICTÍCIOS?
“Pergunte aos prefeitos. Pergunte a Edvaldo Nogueira, que deu declarações de que os mais de R$ 300 milhões já estavam na conta. Eles vão responder melhor. Os meus adversários tentaram dizer isso, mas os próprios gestores, alguns até aliados deles, desmentiram. Aquilo que eu assumi como compromisso está na conta de cada Prefeitura”

JLPolítica – E isso é recorrente?
AM –
Sim. As pessoas me abraçam e falam que estou tornando realidade o sonho delas. Então, não tenho esse receio, porque sei que o povo de Sergipe sabe que o Governo de Michel Temer, que é impopular. Mas, pela força do meu trabalho, está gerando resultados em Sergipe. O Estado é quem está ganhando. A gente está acompanhando, por exemplo, o crescimento nas pesquisas. Nós tínhamos uma situação de rejeição relativamente alta e um índice de aceitação relativamente baixo no ano passado. Hoje estamos quase empatados com o primeiro lugar e nossa rejeição é quase nenhuma. Essa é a prova da consciência do povo de Sergipe e de que a minha missão não foi vincular a minha imagem à de Temer e sim à d quem fez por Aracaju e por Sergipe.

JLPolítica - São reais ou fictícios estes quase R$ 1,5 bilhão que o senhor teria carreado para Sergipe? Isso chegou de fato?
AM -
Não pergunte a mim. Pergunte aos prefeitos. Pergunte a Edvaldo Nogueira, que deu declarações, inclusive, de que os mais de R$ 300 milhões já estavam na conta. Eles vão responder melhor. Os meus adversários tentaram dizer isso, mas os próprios gestores, alguns até aliados deles, desmentiram. Aquilo que eu assumi como compromisso está na conta de cada Prefeitura.

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Passou a ser a esperança maior das chegadas dos cheques do Tesouro Nacional

NÃO AO GOVERNO, SIM AO SENADO
“Depois que virei líder do Congresso, do qual conheço de perto o funcionamento, criei amizade, respeito, credibilidade. Hoje eu não chegaria ao Senado como um qualquer, que precisaria de dois, três anos para aprender como funciona, criar amizades e credibilidade e só depois começar a produzir por seu Estado. Já vou chegar produzindo”

JLPolítica - E não lhe parece um “superfaturamento” de campanha ser apoiado por 60 prefeitos?
AM –
Não. Isso é reconhecimento e gratidão pelo que eu fiz pelos municípios. Não há nada errado nisso. Quando recebi os prefeitos, não fiz nenhum acordo político com eles. Eu ajudei o prefeito Chico do Correio, de Glória, que é do PT, e não vota em mim. Ajudei Edvaldo Nogueira, PC do B, que não vota em mim. E tantos outros. Esses 65 prefeitos que me apoiam é porque encontraram no nosso mandato a condição de fazer parceria que nem o Governo do Estado fez. 

JLPolítica - O senhor errou em ficar até o começo deste ano prenunciando-se como um candidato ao Governo e não ao Senado?
AM –
Não, porque eu não prenunciei isso. Eu sempre disse que seria candidato ao que o meu grupo entendesse. Se você me perguntasse no ano retrasado se eu seria candidato ao Senado, eu diria que não. Depois que eu virei líder do Congresso Nacional, do qual conheço de perto o funcionamento, criei amizade, respeito, credibilidade. E hoje eu não chegaria ao Senado como um qualquer, que precisaria de dois, três anos para aprender como funciona, criar amizades e credibilidade e só depois começar a produzir por seu Estado. Já vou chegar produzindo, porque tenho muita força lá dentro. Construí amizade, respeito e credibilidade. Então não vejo como erro, mas eu tinha que esperar a decisão do meu grupo.

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Entre os peregrinos mais entusiasmados, está o comunista Edvaldo Nogueira, que foi as ruas dizer "não ao golpe da direita"

RITMO ACELERADO DE CAMPANHA
“É um novo Eduardo. Está entusiasmado, feliz com a candidatura. Está fazendo coisas que não fazia na campanha passada. Nas carreatas ele vai no chão, cumprimentando as pessoas. A disposição está renovada. As pessoas estão dando a ele essa energia. O ritmo dele hoje é tão acelerado quanto o meu”

JLPolítica - O que de fato lhe fez mudar de posição?
AM –
Mais do que o grupo, o que valeu para a decisão de concorrer ao Senado foi o fato de parar e pensar: “será que é hora de deixar Brasília e voltar para Sergipe para concorrer ao Governo do Estado? Será que não é melhor permanecer lá para um novo mandato, como senador, num espaço que vai me dar oportunidade de fazer mais por Sergipe?” Se eu trouxe R$ 1,5 bilhão como deputado federal, tenha certeza de que como senador vou trazer muito mais. E eu não podia penalizar Sergipe. Eu sei que hoje sou muito mais útil para Sergipe lá em Brasília do que aqui em Sergipe como governador, caso fosse eleito. 

JLPolítica - O que lhe levar a acreditar que Eduardo Amorim pode chegar ao segundo turno e virar governador de Sergipe?
AM –
O que tenho acompanhado nesta campanha. Eduardo é um político diferenciado. Primeiro, é um estudioso de Sergipe, conhece a realidade do nosso Estado. Conhece as dificuldades, e como médico que é, tem o diagnóstico pronto para corrigir os rumos e colocar Sergipe num processo de saída de crise e avançar no desenvolvimento, melhorando os serviços prestados na educação, saúde, segurança pública, e por aí vai. E a gente vê isso no olhar das pessoas. No abraço, no aceno. Estive com Eduardo há quatro anos, e o clima é diferente. As pessoas hoje querem vê-lo vencer. Nosso agrupamento também está muito aguerrido, determinado. Então não tenho dúvida de que ele estará no segundo turno e de que será governador.  

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Valadares Pai e Filho, aliados nas eleições de 2016, romperam com André e seu grupo

SACO DE PANCADAS DE VALADARES
“Não só o senador Valadares, mas qualquer um precisa entender que estamos vivendo um novo momento. E não cabem mais as baixarias, os xingamentos, e não só em relação a Valadares, mas a todos. Estão há tanto me criticando e eu sou o único que cresce nas pesquisas. É a prova cabal de que o povo não quer isso, de que essa estratégia não dá certo”

JLPolítica - O senhor sente diferença nos ritmos de sua campanha para a de Eduardo Amorim?
AM –
Não. Não, porque fazemos campanha juntos. Admito que cada um tem um estilo. Não posso querer que o meu seja igual ao dele, e vice-versa. Eduardo tem um estilo de fazer política e eu tenho outro. Mas nossas agendas são quase comuns, uma hora ou outra divergem, porque eu tenho que estar num canto e ele em outro. E muitas vezes isso é até estratégico. Mas ele hoje tem um ritmo, confesso, muito mais acelerado do que em 2014. É um novo Eduardo Amorim. Está entusiasmado. Está feliz com a candidatura a governador. Ele está fazendo coisas que não fazia na campanha passada. Hoje, por exemplo, nas carreatas ele vai no chão, desce, cumprimentando as pessoas. A disposição está renovada. As pessoas estão dando a ele essa energia e o ritmo dele hoje é tão acelerado quanto o meu.  

JLPolítica - O senhor está preparado para o ostracismo, caso não se eleja senador?
AM –
A política é assim. É um jogo que não tem empate: é vitória ou derrota. Nós temos que estar preparados. Eu não nasci deputado federal, nem estadual, nem prefeito, nem senador. Eu estive tudo isso. E se houver, por parte do povo de Sergipe, reconhecimento a tudo que eu fiz durante meu mandato, estarei senador com muita honra para poder defender nosso Estado. Se por acaso o povo entender diferente, eu tenho que respeitar. E vida que segue. Mas sei que as pessoas vão analisar principalmente aqueles que no exercício do seu mandato, produziram, trabalharam e mostraram resultados. Eu dou um dos. E aí não tenho dúvida de que o povo sergipano vai me dar a oportunidade de estar senador. 

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Nega aliança branca com Jackson Barreto

FAZENDO HISTÓRIA NO CONGRESSO
“Eu quebrei três tabus: primeiro o de chegar à liderança sendo de um partido pequeno, com dez federais; segundo, por ser de um Estado pequeno, e terceiro por ser líder no Congresso sem ser senador, foi a primeira vez que isso aconteceu. E como eu fiz isso? Com a liderança que exerço dentro do Congresso”

JLPolítica - O senhor é um dos candidatos mais visados por governistas e pela outra ala de oposicionistas. Todos lhe criticam pesadamente. Há o que tirar de positivo nisso?
AM –
Já diz o ditado: não se atira pedra em árvore que não dá frutos. Se eu tivesse nas pesquisas como no ano passado, em 5º ou 6º lugar e com rejeição alta, estaria passando desapercebido. Se sou alvo é porque estão vendo que estamos crescendo. E não adianta: todas essas críticas são repetitivas. É sempre a mesma ladainha há dois, três, quatro anos. O povo de Sergipe já sabe de todas essas críticas e tudo que tinha que saber a meu respeito.

JLPolítica – Isso não muda a opinião das pessoas em seu desfavor?
AM –
Não. Porque é esse povo que me coloca ali num empate técnico com o primeiro lugar e o único num gráfico crescente. Os outros estão parados ou caindo. Isso porque o povo cansou dessa política ultrapassada de só criticar, falar mal dos outros. Eu estou fazendo a boa e nova política. Se eu tivesse os vícios desses políticos mais antigos, que estão aí há mais de 20, 30 anos, eu teria prejudicado Edvaldo Nogueira. Estaria perseguindo ele, não deixaria que os recursos chegassem. Não adianta achar que você vai se eleger falando mal dos outros. Você vai se eleger prestando contas do que você fez. É isso que o povo vai analisar. Eu costumo dizer que quem faz, faz e que quem não faz, fala de quem faz.

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Na sua chapa majoritária, encabeçada por Eduardo Amorim, estão ex-aliados de JB e Belivaldo: Heleno Silva, que tenta uma vaga no Senado; e Ivan Leite, candidato à vice-governador. Os dois são do PRB

ALIANÇA BRANCA COM JACKSON?
“Eu nunca tive aliança com Jackson de nenhuma cor. Nunca fui, não sou e nunca serei aliado de Jackson. Jamais seria aliado do pior governador de Sergipe, do homem que fez Sergipe ter os piores índices: na educação, o 2º Estado com o maior número proporcional de analfabetos; na segurança, os tricampeões nacionais como o Estado mais violento do país proporcionalmente”

JLPolítica – E a opinião pública presta atenção nisso?
AM –
Ah, sim. O povo está atento a isso. Recentemente eu fui criticado por estar trazendo recursos demais, que por conta desses recursos os prefeitos todos votariam em mim, que eu estaria comprando os prefeitos. Ora, antigamente, criticavam os parlamentares sergipanos por não terem força, por não trazerem recursos, por não trabalharem, por não terem prestígio. Hoje, enquanto a população toda aplaude o trabalho que faço, esses que tiveram a oportunidade de fazer e não fizeram, me criticam. 

JLPolítica - Qual a justificativa que o senhor teria para que o senador Valadares o escolhesse como saco de pancadas nesta eleição? Isso dá voto a ele?
AM –
Não só o senador Valadares, mas qualquer um, precisa entender que estamos vivendo um novo momento. Até a legislação eleitoral é diferente, com tempo menor de campanha, uso das redes sociais. E nesse novo momento, não cabem mais as baixarias, os xingamentos, e não só em relação a Valadares, mas a todos. Se eles estão há tanto me criticando e eu sou o único que cresce nas pesquisas, isso é a prova cabal de que o povo não quer isso, de que essa estratégia não dá certo.

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Contabiliza o apoio de 65 prefeitos. Muitos da base do Governo de Sergipe e, até, do PT. A sua direita, está o médico Gilberto dos Santos, pai do prefeito de Dores, Thiago dos Santos, do PT

EDUARDO GOVERNADOR 
"Eu só tenho um foco, e esse foco me dá a certeza de que teremos Eduardo como governador no próximo ano. Não tenho nem dúvida disso"

JLPolítica - O senhor conseguiu se livrar bem dessa pancadaria sendo propositivo enquanto pré-candidato. O senhor mantém o mesmo ritmo nesse resto de campanha?
AM –
Sim. Eu não estou dando ouvidos nem atenção a esses que só sabem criticar. Enquanto eles me criticam, eu presto contas ao povo, eles não podem fazer isso. Se fôssemos a um debate onde só se pudesse falar do que fez, muitos entrariam mudos e sairiam calados. Não fizeram nada, não produziram, e por isso criticam quem fez. Enquanto ficam nesse ritmo, eu continho focado em mostrar tudo o que fiz. É para isso que tenho usado o meu tempo.

JLPolítica - Há verdade no que dizem de que o senhor preferiria ver Belivaldo governador a Eduardo Amorim ou Valadares Filho, porque ele não seria candidato à reeleição em 2022?
AM –
Não há. Porque eu nunca disse isso. Mesmo porque o nosso candidato a governador, que é Eduardo Amorim, que será eleito, terá um mandato que eu não tenho dúvida que permitirá reeleição. Então não tenho nem que discutir se Belivaldo poderá ou não. Eu só tenho um foco, e esse foco me dá a certeza de que teremos Eduardo como governador no próximo ano. Não tenho nem dúvida disso. 

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Chegou a Câmara pela primeira vez em 2010, na coligação que reelegeu Déda governador. A chapa majoritária contava também com JB para vice-governador, Valadares e Eduardo Amorim para o Senado

OLHAR MUNICIPALISTA 
"A prova maior é o que fiz com os 75 municípios sergipanos. Distribuí mais de 80 ambulâncias, reformamos escolas, fizemos creches, lá na ponta, sem esquecer as grandes ações"

JLPolítica - Eventualmente senador, e não sendo líder de Governo, o senhor acha que pode sustentar o mesmo ritmo de propositividade que teve como deputado federal?
AM –
Eu poderia citar vários parlamentares que, independentemente de serem líderes ou não, continuam fortes em Brasília. A força do parlamentar é muito mais pelo que ele exerce no Congresso do que pela amizade dele com o presidente. O presidente sabe identificar quem tem força no Congresso e procura trazer a pessoa para perto. Então a minha liderança não depende ser oficialmente líder. Eu cheguei à liderança porque o presidente enxergou a minha liderança. Eu quebrei três tabus: primeiro o de chegar à liderança sendo de um partido pequeno, com apenas dez deputados federais - geralmente os que são líderes são de grandes partidos que já contam com uma grande bancada para apoiá-lo; segundo, por ser de um Estado pequeno, e terceiro por ser líder no Congresso sem ser senador. Foi a primeira vez que isso aconteceu. E como eu fiz isso? Com a liderança que exerço dentro do Congresso, com o respeito que construí. Então minha força no Congresso não vem de ser líder. É claro que eu ampliei. Mas não tenha dúvida de que no próximo ano continuarei ajudando Sergipe. Eu abri portas para Sergipe e elas vão continuar abertas.

JLPolítica - Não é redundante propor-se a ser um senador municipalista? Não é da natureza do mandato estar ligado aos municípios?
AM –
Veja, digo isso exatamente porque eu só acredito em mandato, seja de governador, senador, que seja voltado para o municipalismo. Lógico que você não vai deixar de atuar no geral, mas é aquela história: é nos municípios que os problemas surgem e é neles que as soluções precisam ser encontradas. Eu sou municipalista por convicção. Não acredito em Governo que, por exemplo, não prestigia o prefeito ou a prefeita por questões políticas, porque é através da Prefeitura que se pode fazer muitas ações. Não acredito em Governo que não tenha o olhar municipalista. Não adianta ser governador e ter apenas uma visão do todo se lá na ponta o cidadão não tiver um posto de saúde, uma clínica que atenda os seus filhos, uma escola com merenda de qualidade, um posto com medicamentos, uma rua sem drenagem, sem saneamento. Não acredito em Governo que não tenha esse olhar para os pequenos, os mais humildes, os que mais precisam do poder público. A prova maior é o que fiz com os 75 municípios sergipanos. Distribuí mais de 80 ambulâncias, reformamos escolas, fizemos creches, lá na ponta, sem esquecer as grandes ações. 

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Foi prefeito de Pirambu, por dois mandatos consecutivos: 1997 a 2004. Hoje, o seu cunhado, Élio Martins (foto), é prefeito reeleito do município

RELAÇÃO COM HELENO
"Heleno é um parceiro de nossa caminhada, apoia o projeto de Eduardo ao Governo, é candidato junto com a gente. O que existe são os maldosos falando coisa que não existe"

JLPolítica - Uma futura legislatura vai estar preocupada com um pacto federativo que traga para a municipalidade um lugar são sol no estado brasileiro?
AM –
Sim. Eu venho do municipalismo. Eu nasci na política como prefeito de minha cidade, eu sei o que é o dia a dia da cidade e temos que ajudar, porque sem parcerias não dá. Não adianta cuidar do macro e não do micro.

JLPolítica - Que história é essa de aliança branca com Jackson Barreto?
AM -
Isso é história dos nossos adversários. Insatisfeitos por estarmos ajudando a gestão, quando na verdade estávamos ajudando o Estado. Eu nunca tive nenhum tipo de aliança com Jackson, de nenhuma cor. Eu nunca fui, não sou e nunca serei aliado de Jackson. Jamais seria aliado do pior governador de Sergipe, do homem que fez Sergipe ter os piores índices: na educação, somos o segundo Estado com o maior número proporcional de analfabetos. São mais de 300 mil sergipanos que não sabem ler ou escrever. Na segurança pública, somos tricampeões nacionais como o Estado mais violento do país proporcionalmente. Jackson desrespeitou os servidores públicos, não pagou os salários em dia e ainda parcelou. Não respeitou os aposentados e pensionistas. Destruiu as rodovias estaduais. Então, como um dia poderia ser aliado a ele? Para mim, o que importa é Sergipe. Todo o meu olhar é voltado para Sergipe na maior parte do tempo. Respeito-o, mas não me aliaria.

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A esposa, Lara Moura, é prefeita pela segunda vez de Japaratuba, Na imagem, o casal com o ex-governador Albano Franco, entusiasta de sua candidatura

FORÇA NO CONGRESSO 
"Então minha força no Congresso não vem de ser líder. É claro que eu ampliei. Mas não tenha dúvida de que no próximo ano continuarei ajudando Sergipe. Eu abri portas para Sergipe e elas vão continuar abertas"

JLPolítica - Procede que o senhor e Heleno estão estremecendo as relações no dia a dia da campanha?
AM -
Não, de jeito nenhum. Heleno é um parceiro de nossa caminhada, apoia o projeto de Eduardo ao Governo, é candidato junto com a gente. O que existe são os maldosos falando coisa que não existe. Mas a gente se ajuda onde pode se ajudar. Há lugares que determinada liderança ou amigo vota em mim e não vota nele, e vice-versa. Isso é natural. A gente nunca vai conseguir casas 100% dos votos, mas na medida em que podemos nos ajudar, estamos fazendo.

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Japaratuba é a terra de seu pai, Reinaldo Moura . Pai e filho já foram deputados estaduais. Na imagem, o ano de 2013, quando Reinaldo foi homenageado com a Medalha de Mérito Legislativo, concedida pela Câmara Federal