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Entrevista

Jozailto Lima

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André Moura: “Sabíamos do risco maior que corríamos”

Publicado em 26  de janeiro de  2019, 20:00h

“Deixo o mandato com a certeza do dever cumprido”

Na próxima sexta-feira, 1º de fevereiro, André Moura, 46 anos, PSC, vai amanhecer sem mandato de deputado federal. Muitos políticos pelo Brasil afora amanhecerão assim, na mesma condição que ele. Na planície.

De Sergipe mesmo, numa só tacada, serão cinco: ele, os deputados federais Valadares Filho, PSB, e Jony Marcos, PRB, e os senadores Antonio Carlos Valadares, PSB, e Eduardo Amorim, PSDB. Todos de único pacote de cartas desabadas da oposição.

Mas a condição de André Moura difere da de muitos dos demais apeados do poder, e por duas questões básicas e bem elementares. A primeira delas é que quase nenhum deles usufruiu tanto das luzes da ribalta do poder quanto ele na confusa República recente.

Desde o dia 31 agosto de 2016, quando Dilma Rousseff, PT, foi tragada pelas pinças de um impeachment e no lugar dela ascendeu Michel Temer, MDB, André Moura passou a ser uma espécie de primeiro-ministro no Parlamento, com peso como nunca ninguém viu de alguém - sobretudo de um deputado federal, a migrar de líder da Câmara ao Senado.

A segunda dessas questões é que, com base neste “poder de fogo” adquirido junto ao neo-presidente e a toda a classe política, André Moura cresceu, arrastou asas, supôs-se candidato até ao Governo de Sergipe, mas terminou candidato ao Senado ano passado.

E, de um nome vistoso e dado em primeiro instante como um quase imbatível, um eleito, terminou ficando de fora, o que lhe impede foto especial neste dia 1º de fevereiro de 2019 na posse dos 10 sergipanos mandados a Brasília pelas eleições do ano passado.

Pela primeira vez, desde 1996, portanto há 22 anos, André Moura ficará fora do poder - ele se elegeu prefeito de Pirambu lá naquele 96 e nunca mais parou, indo de uma Secretaria de Estado à Alese e desta à Câmara Federal, nesta em dois mandatos.

Agora, com o chapéu na mão e sem um torno para pendurá-lo, ele estará fora do poder, na oposição aos Governos Federal e do Estado, tendo perdido o bonde, mas nem tanto a esperança. Olhando esse descompasso, alguns desavisados - e sobretudo seus ásperos oponentes - podem até pensar que André Moura seja às véspera do dia 31 de janeiro um sujeito triste, depressivo, murcho e propenso a pular do alto de um pé de coentro.     

Mas nada disso é real. Faltando menos de uma semana para estar fora, André parece bem consigo mesmo - pelo menos é assim que se porta ao longo desta Entrevista ao Portal JLPolítica. Estofa a titela e apresenta-se disposto a lamber, ainda, o que chama de eficácia de seus mandatos, sobretudo do último, no qual exerceu a liderança do Governo na Câmara e no Senado.  

  “Valeu a pena pelos recursos que trouxemos para o Estado de Sergipe, para Aracaju. Foram mais de R$ 1,8 bilhão. Desses, mais de R$ 320 milhões só para Aracaju. Então, vou botar a cabeça no travesseiro e dormir com a consciência tranquila de que fiz o meu melhor”, diz.  

“Eu deixo o mandato de deputado federal, acima de tudo, com a certeza do dever cumprido e de que fiz aquilo que estava ao meu alcance. Mas, acima de tudo, o deixo com a certeza de que todo o nosso trabalho, o nosso esforço, de certa maneira até o nosso sacrifício - porque também tem aí uma cota de sacrifício - valeu, sim, a pena”, diz ele.

Nesta Entrevista, André deixa claro não estar avexado para discutir a sua reinserção na vida pública, ou política. “Política é muito dinâmica. Eu saí agora de um processo eleitoral. Perdi a eleição num domingo, 7 de outubro, e já na terça-feira, 9, estava de volta às minhas atividades como deputado federal e líder do governo. Em virtude disso, confesso que ainda não tive tempo necessário para parar, pensar e refletir sobre o teor da sua pergunta. Mas farei isso agora e planejarei o nosso futuro político”, diz ele.

Engana-se, também, quem pense em encontrar um André Moura roendo unhas, com medo do fim do foro privilegiado e da imunidade parlamentar que o alcançará a partir da semana que vem. “Não tenho nenhum receio, mesmo porque nos tribunais superiores conseguimos resultados positivos na maioria dos nossos processos”, diz.

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Com a ascensão de Michel Temer, chegou à liderança do Governo no Congresso Nacional
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E na condição de líder, viu-se no centro dos holofotes da imprensa nacional

TUDO VALE A PENA SE ALMA NÃO É PEQUENA
“Deixo o mandato com a certeza do dever cumprido e de que fiz o melhor para Sergipe, e aquilo que estava ao meu alcance. Mas, acima de tudo, o deixo com a certeza de que todo o nosso trabalho valeu, sim, a pena”

JLPolítica - Na próxima quinta-feira, 31 de janeiro de 2019, o senhor será um ex-deputado federal. E agora, José?
André Moura -
Eu deixo o mandato de deputado federal, acima de tudo, com a certeza do dever cumprido e de que fiz o melhor para Sergipe, de que fiz aquilo que estava ao meu alcance. Mas, acima de tudo, o deixo com a certeza de que todo o nosso trabalho, o nosso esforço, de certa maneira até o nosso sacrifício - porque também tem aí uma cota de sacrifício - valeu, sim, a pena. Eu deixo o mandato de deputado federal, acima de tudo, com a certeza do dever cumprido e de que fiz o melhor para Sergipe, de que fiz aquilo que estava ao meu alcance. Mas, acima de tudo, o deixo com a certeza de que todo o nosso trabalho, o nosso esforço, de certa maneira até o nosso sacrifício - porque também tem aí uma cota de sacrifício - valeu, sim, a pena. E valeu a pena pelos recursos que trouxemos para o Estado de Sergipe, para Aracaju. Foram mais de R$ 1,8 bilhão. Desses, mais de R$ 320 milhões só para Aracaju. Então, vou botar a cabeça no travesseiro e dormir com a consciência tranquila de que fiz o meu melhor.  

JLPolítica - Mas, com essa cabeça no travesseiro, do que mais vai sentir falta do processo político e dessa ação por Sergipe?
AM -
Sentirei falta da agitação. Da agitação do dia-a-dia, do corre-corre da função parlamentar, da de deputado e de como líder - uma atividade qualificada. Sentirei falta do resultado de tudo isso. Sentirei falta da oportunidade de continuar contribuindo com Sergipe, com Sergipe. De ver todo um esforço, um trabalho dando certo. Veja: esta semana tivemos ordem de serviço para atividades de mobilidade urbana de Aracaju, fui a inaugurações de várias obras no interior do Estado, tudo fruto do nosso trabalho. Aracaju, por exemplo, recebeu ordem de serviço para o primeiro grande projeto de mobilidade urbana. São R$ 114 milhões. A Prefeitura de Aracaju responderá apenas pela execução. O recurso foi todo viabilizado pelo nosso mandado. Então, vou sentir mais falta dessa eficácia. Desse resultado concreto das ações.

JLPolítica - O senhor se preparou para este momento-planície depois de tanto tempo no planalto do poder?
AM -
Quando tomamos a decisão de ser candidato a senador, sabíamos que tínhamos uma probabilidade maior de risco. Lógico que quando você entra numa eleição o faz com a perspectiva de sair vitorioso. Mas o risco para uma eleição de senador é bem maior. Primeiro: a disputa é por duas vagas. Segundo: pela complexidade do processo eleitoral que já enxergávamos. Mas foi um risco calculado. Não entramos para perder, entramos para ganhar. Mas o risco aí é muito maior do que se tivesse sido candidato a deputado federal – onde estavam disponíveis oito vagas. Naquele momento, inclusive, a probabilidade de vitória para a Câmara era muito grande, pela força e lideranças em torno da nossa possível candidatura. Tínhamos o compromisso público, declarado, de 42 prefeitos dos 75 municípios.

JLPolítica - Então, o senhor quer dizer que esse momento-planície não lhe é bem uma surpresa.

AM - Sabíamos do risco maior que corríamos. Para se ter uma ideia, quando decidimos ser candidato a senador, nas pesquisas de consumo interno tínhamos uma situação muito desfavorável: estávamos com 3% a 4%. Recordo-me que Antonio Carlos Valadares chegava aos 40%. Mas acreditávamos, como de fato aconteceu. Crescemos muito. Iniciamos, nas pesquisas de consumo interna, com uma rejeição de 34% a 36%, chegando às vezes a 40%. Terminamos como uma rejeição de 9% a 10%. Estávamos preparados. Querer ganhar, queríamos.

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Passou a ser o "portador oficial" dos cheques do Governo Temer para Sergipe

ATIVAR O PSC E MANTER-SE VIVO
“Vamos manter nossa estrutura de trabalho e a de fortalecimento do nosso partido, o PSC. Nosso partido é o maior em número de prefeitos aqui no Estado - 16 municípios são administrados pelo PSC”

JLPolítica - O senhor teme pelo seu futuro jurídico, agora sem imunidade parlamentar?
AM –
Não. Em hipótese nenhuma. Alguns insistem nessa tese, mas não tenho nenhum receio, mesmo porque nos tribunais superiores conseguimos resultados positivos na maioria dos nossos processos. E mais: tanto não temo que no processo da Comissão de Constituição e Justiça, defendi, discursei, encaminhei votação e votei pelo fim do foro privilegiado. Naquele momento, exercia a função de líder e a minha posição a favor ou contrária teria um impacto muito grande. Eu liderava uma bancada de 370 deputados federais. E tive uma posição contundente, a favor. Se tivesse algum tipo de receio, faria um trabalho contrário: mataria na CCJ o projeto foro privilegiado. Mas eu disse ali que defendia o fim do foro para todos - políticos, magistrados, membros do Judiciário, do Ministério Público. Para qualquer um. Todos nós temos que ser iguais perante a lei e a Constituição.  

JLPolítica - Vamos aproveitar para esclarecer uma história que circulou aqui e na mídia nacional: o senhor atentou contra a vida do ex-prefeito de Pirambu, Juarez Batista, ou mandou alguém fazê-lo?
AM -
O ex-governador Albano Franco costuma dizer que em Sergipe todos se conhecem. Nessa linha, todos sabem que vou para o embate político, defendo os meus ideais, o que acredito, mas nunca na base da violência. Essa foi mais uma fake - o louco do ex-prefeito saiu atirando lá para tudo quando é lado. Na época, ele, réu confesso dos desmandos, corrupções e roubalheiras por ele praticados, e como forma de defender-se naquele momento, queria atribuir a mim, dizer que eu que determinava que fizesse todas as peripécias que ele fez.

JLPolítica - E qual era a sua ingerência na Prefeitura de Pirambu ali naquela quadra?
AM -
Eu não exercia nenhum tipo de papel lá na Prefeitura de Pirambu. Não era secretário, não era nada. Naquele momento, como até hoje, estava muito fora de Pirambu. Até hoje, mesmo na gestão do meu próprio cunhado, não participo de nada lá, a não ser de um ato, de uma inauguração, de coisas assim. Naquela época, eu estava focado no meu trabalho - era secretário de Estado do Governo João Alves e pré-candidato a deputado estadual. Ali, houve uma suposta tentativa de assalto à casa dele e ele disse que foi a meu mando. Mas ele mesmo desfez isso anos depois nos depoimentos que prestou na Justiça aqui em Sergipe e na Polícia Federal.

JLPolítica - Qual é o seu horizonte de retorno e reinserção na vida pública? Será agora em 2020 ou vai esperar 2022?
AM -
Política é muito dinâmica. Eu saí agora de um processo eleitoral. Perdi a eleição num domingo, 7 de outubro, e já na terça-feira, 9, estava de volta às minhas atividades como deputado federal e líder do governo. E o interessante é que, mesmo passadas as eleições, foi um período, até hoje, em que proporcionalmente mais liberei recursos para Sergipe. Daquele momento pra cá foram mais de R$ 300 milhões. A equipe que trabalha no meu gabinete disse que meu ritmo, passadas as eleições, parecia o de quem estava em campanha. Algumas pessoas que me visitaram também, como Bosco Costa, Fábio Henrique, Gustinho Ribeiro, por exemplo, falaram sobre o meu ritmo acelerado de trabalho por Sergipe, por Aracaju. Veja: mesmo na semana de término do nosso mandato, estamos nesse ritmo, cumprindo agenda, participando de ordem de serviço, inaugurando obras. Em virtude disso, confesso que ainda não tive tempo necessário para parar, pensar e refletir sobre o teor da sua pergunta. Mas farei isso agora e planejarei o nosso futuro político.

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Recebeu políticos de todos os partidos, em procissão, no gabinete da liderança

“CALÇA DE VELUDO, OU O MANDATO DE FORA”
“Sabíamos do risco maior que corríamos. Iniciamos com uma rejeição de 34% a 36%, chegando às vezes a 40%. Terminamos com uma de 9% a 10%. Estávamos preparados. Querer ganhar, queríamos”

JLPolítica - O senhor manterá a estrutura de trabalho com o escritório ativado em Aracaju a partir do dia 31?
AM -
Vamos manter essa nossa estrutura de trabalho e a de fortalecimento do nosso partido, o PSC. Nosso partido é o maior em número de prefeitos aqui no Estado - 16 municípios são administrados pelo PSC. Vamos continuar fazendo esse trabalho, continuar na política. Lógico que fazendo um planejamento, corrigindo erros cometidos, porque se não os tivéssemos cometido teríamos sido eleito senador. Vamos ajustar rumos. Enfim, continuar, acima de tudo, contribuindo com Sergipe. Certo que não estaremos num terceiro mandato como deputado federal, mas construímos em Brasília amizade e respeito, e sei que as amizades continuam por lá. A grande maioria delas. E, mesmo sem mandato, se puder contribuir, de maneira republicana, com Aracaju e com Sergipe, independentemente das questões políticas, não tenha dúvida de que estaremos fazendo isso - trabalhando, ajudando, logicamente fazendo um trabalho político de fortalecimento do nosso agrupamento. Dos nossos amigos.

JLPolítica - Mas não mira nenhum município com pretensão eleitoral para 2020? 
AM -
Não. Como já disse, não tivemos tempo suficiente para fazer um planejamento. Faremos a partir de agora. Mas, como a política é muito dinâmica, daremos tempo ao tempo. O tempo é o senhor da razão e vai nos mostrar o caminho que devemos seguir na política de Sergipe.

JLPolítica - O senhor é rico ou remediado? Tem meios de manter-se fora da política por algum tempo?
AM -
Não sou rico, e todos sabem disso - como já disse anteriormente, em Sergipe todos se conhecem. Não nasci numa família tradicional, não tenho herança a esperar do futuro e nem a usufruir de agora. Mas sou um homem organizado, comedido, e organizei minhas finanças. Fiz uma reserva. Não uma grande reserva, mas dá para me manter sem exageros. Tenho a felicidade de ter uma família que não depende tanto de mim. Dona Lara tem a atividade dela, a filha está independente, trabalha. Só ainda o Iago, de 19 anos, que faz faculdade, ainda depende de mim.

JLPolítica - Olhando agora sem paixões, o que se deu de errado na sua campanha de senador para sobrar-lhe apenas um terceiro lugar?
AM –
Houve erros, senão teríamos sido eleitos, não teríamos perdido as eleições. Mas eu apontaria alguns fatores que foram fundamentais. Essa eleição teve uma onda de surpresa nacional, em todo o país, para outras candidaturas tidas como eleitas e que sobraram. A ex-presidente Dilma Rousseff, em Minas Gerais; o presidente do Senado, Eunício Oliveira, pelo Ceará; o Romero Jucá, em Roraima; senador Valadares, aqui em Sergipe, líder em todas as pesquisas e acabou em quinto lugar. Ocorreram erros, sim. Mas teve esse fator preponderante, essa onda que dificilmente ocorrerá pelo menos pelos próximos 20 anos, 30 anos, uma que cause tanta surpresa com esta.

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Caminharam com ele, inclusive, os comunistas Edvaldo Nogueira (prefeito Aracaju) e Padre Inaldo (prefeito de Socorro)

MAS NÃO VAI VIVER DE BRISA DORAVANTE
“Não sou rico, e todos sabem disso. Não nasci numa família tradicional, não tenho herança a esperar do futuro e nem a usufruir de agora. Mas sou homem organizado, comedido, e organizei minhas finanças. Fiz uma reserva”

JLPolítica - O senhor nutre alguma queixa em relação aos profissionais que cuidaram do seu marketing na pré-campanha e na campanha?
AM -
Não, nenhuma queixa. A equipe de marketing da pré-campanha e da campanha teve seus méritos. Como já disse, na pré-campanha era o último colocado nas pesquisas, aquela rejeição altíssima. Éramos os últimos nas pesquisas e, apesar de não termos sido eleitos, acabamos em terceiro lugar. O marketing fez o seu trabalho, cumpriu a sua missão e contribuiu muito para o nosso crescimento no processo eleitoral.

JLPolítica - Em que grau a cruzada anti-André Moura liderada pelo senador Antonio Carlos Valadares colaborou para a sua derrota?
AM -
Não vejo como a cruzada anti-André Moura liderada pelo senador Antonio Carlos Valadares, o discurso dele, tenha colaborado para a minha derrota. O resultado mostrou isso. Se teve efeito, o feitiço acabou virando contra o feiticeiro, porque ele ficou em quinto lugar e eu acabei na frente dele. Foram mais de 80 mil votos na frente dele, que se dizia imbatível e já eleito. Veja que Valadares terminou amargando uma quinta colocação. Teve uma votação muito pífia. Fico atrás de Jackson Barreto e de mim. Eu diria, por uma outra análise, que o senador Valadares prejudicou foi a oposição como um todo. Mas não só a André. Ele e o filho terminaram perdendo a eleição quando ele, mais especificamente, deixou de cumprir um entendimento feito e construído à base da palavra. Ele deixou de cumprir a palavra no entendimento de 2016. Nós cumprimos a nossa parte: apoiamos a candidatura do então deputado federal Valadares Filho à Prefeitura de Aracaju. E ninguém aqui é infantil para não entender que não haveria ali uma contrapartida.

JLPolítica - E qual seria essa contrapartida?
AM -
O compromisso assumido pelo senador Valadares e pelo deputado federal Valadares Filho - estou relatando aqui uma história verdadeira, como se deu – seria o de, ao apoiamos Valadares Filho à Prefeitura de Aracaju, independentemente do resultado das eleições, haveria o apoio deles às nossas candidaturas - no plural - majoritárias, minha e de Eduardo Amorim em 2018. Lembro que naquele momento de 2016 não tínhamos a definição de quem seria candidato a senador e nem a governador. Não estou fazendo uma revelação com raiva ou mágoa. Estou apenas relatando os fatos como ocorreram.

JLPolítica - Quem entre os Valadares teria mais culpa nesse descumprimento?
AM -
O senador Valadares, que não cumpriu a palavra dele. O filho, o deputado federal Valadares Filho, não teve força suficiente para reverter isso e fazer com que o entendimento fosse cumprido. Valadares Filho até queria, confesso, entendia isso naquele momento. Ele queria a oposição unida, mas o senador Valadares entendia diferente. E o resultado disso foi o enfraquecimento das oposições e, logicamente, a derrota de todos nós.

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Pelo que fez o seu mandato, viu-se encorajado a buscar os braços do povo para chegar ao Senado

DA AÇÃO DELETÉRIA DO SENADOR VALADARES
“O senador Valadares prejudicou foi a oposição como um todo. Não só a André. Ele e o filho terminaram perdendo a eleição quando ele, mais especificamente, deixou de cumprir um entendimento feito e construído à base da palavra”

JLPolítica - Em que momento da campanha o senhor identificou um descompasso de ritmos entre as ações da candidatura de Eduardo Amorim e as de André Moura?
AM -
Não diria um descompasso, mas que temos estilos diferentes. O senador Eduardo Amorim tem um e eu tenho outro. Nós convergimos na maioria das ações na nossa campanha, mas em alguns momentos houve divergências. E isso é natural. Mas é importante ressaltar que essas divergências sempre foram muito respeitosas de ambas as partes. Eu, por exemplo, fui líder do Governo e Eduardo, na condição de senador, votou algumas vezes contra matérias importantes, e nem por isso houve desentendimento. Mesmo quando não foi mais possível convergir, a gente sempre respeitou. Na campanha, tínhamos núcleos que votavam em mim e não votavam nele. Eu tinha que fazer atos políticos mesmo assim. Como ocorreu em 2010, quando ele se elegeu senador com Marcelo Déda candidato a governador. Tinha lideranças que votavam nele e não votavam em Déda. Aqui em Aracaju, eu tinha vereadores que votavam em mim e não nele, e eu tinha que fazer agenda com eles. Não foi esse o fator que pesou na nossa derrota. Nós tivemos outras situações que impactaram.  

JLPolítica - O senhor saiu da eleição com que tipo de sentimento em relação ao prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira?
AM -
Quando nós sentamos com o prefeito Edvaldo Nogueira, em 2016, depois de ele ter sido eleito, assumimos um compromisso e fizemos uma aliança administrativa. Em momento algum houve acordo político. Nós dissemos isso todo o tempo e muitos não acreditaram. Achavam que quando chegasse a eleição iria haver esse entendimento, e isso não ocorreu. Então, não tenho mágoa, ressentimento, nada. Ele também não me atrapalhou. Ele sempre foi correto nos gestões dele de reconhecimento pelo que fiz e continuo fazendo por Aracaju. 

JLPolítica - Ocorre-lhe pensar que Edvaldo foi seu eleitor pessoal ano passado?
AM -
Publicamente ele apoiou as candidaturas de Jackson Barreto e de Rogério Carvalho. O voto é secreto e eu não posso saber em quem ele votou, mas não tivemos nenhum compromisso político. 

JLPolítica - O senhor defende a reeleição de Edvaldo Nogueira em 2020 a prefeito da capital?
AM -
Eu não defendo a reeleição dele. Acho que Edvaldo tem todo o direito de ser, até mesmo pelo que ele tem feito por Aracaju, candidato à reeleição, como ele até disse hoje (a entrevista foi concedida na sexta), ao agradecer ao nosso mandato pelas ordens de serviço que viabilizaram cerca de R$ 320 milhões para que Aracaju pudesse executar essa obras. Então ele tem o direito de ser. Mas o PSC hoje tem a possibilidade muito clara, muito real de uma candidatura própria, que é a do deputado estadual Gilmar Carvalho, o mais votado na capital e na Grande Aracaju. Entendo que Gilmar tem toda a legitimidade para poder pleitear o direito de ser candidato. Lógico que temos etapas ainda por cumprir, mas Gilmar Carvalho se coloca à disposição do partido como o nome a ser esse candidato. Vamos discutir, amadurecer, mas ele é uma possibilidade muito real. E entendo que, enquanto partidários que somos, temos que discutir internamente primeiro essa possível candidatura.

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Foi de mãos dadas com Eduardo Amorim, que tentou, pela segunda vez, ser governador: não tiveram sucesso

SEM RESSENTIMENTO OU MÁGOA DE EDVALDO NOGUEIRA
“Não tenho mágoa, ressentimento, nada. Ele também não me atrapalhou. Ele sempre foi correto nos gestões dele de reconhecimento pelo que fiz e continuo fazendo por Aracaju” 

JLPolítica - O senhor vê maturidade executiva em Gilmar para comandar uma Prefeitura como a de Aracaju?
AM -
Gilmar nunca teve a oportunidade de estar no Executivo, mas para tudo há sempre a primeira vez. Edvaldo, hoje prefeito, antes disso também não havia sido do Executivo. Bolsonaro hoje é presidente da República e nunca esteve no Executivo também. Não acredito nisso de que a pessoa não tem experiência. Experiência se constrói. Gilmar tem conhecimento da realidade de Aracaju, tem caminhado muito e a recepção a ele tem sido muito boa. Tem visitado as feiras livres, tem caminhado nos bairros, na periferia - conhece a realidade de Aracaju.

JLPolítica - O senhor enxergou tardiamente que a rejeição de Michel Temer lhe era um grilhão atado aos pés?
AM -
Não. Quando o presidente Michel Temer assumiu, dois dias depois me chamou ao Palácio e fez o convite para eu ser líder do Governo na Câmara e eu de pronto aceitei. Mas eu sabia que naquele momento que o país atravessava era difícil. Era de mudança de governo, de transição, e uma transição complicada, porque temos que reconhecer que Dilma é que havia sido a reeleita. E sabíamos que teríamos de enfrentar uma resistência, uma oposição ruidosa dentro da Câmara, mas ao aceitar eu teria ônus e bônus. O ônus era o desgaste. O bônus era fazer muito por Sergipe, por isso mão me arrependo. Entendo que meu papel foi importante. Sergipe não podia perder aquela oportunidade de ter um líder do Governo na Câmara - o que nunca tinha tido até então. Eu quebrei um tabu: fui o primeiro deputado a ser líder do Congresso Nacional, nas duas Casas - Câmara e Senado. E, repito, entendo que tudo isso foi válido para Sergipe. O fruto estamos colhendo até agora. Foram mais de R$ 1,8 bilhão que estão transformando a qualidade de vida das pessoas para melhor, seja na Capital ou no interior.

JLPolítica - O senhor ainda acha que esse tal bônus ainda virá para a sua pessoa política no futuro?
AM -
Não sou daqueles que torcem pelo quanto pior, melhor. Então espero que esse bônus seja algo continuado. É logico que eu torço para que o sergipano reconheça aquilo que a gente fez, por ter sido não só o parlamentar mas o homem público que mais trouxe recursos na história de Sergipe em todos os tempos. Os números falam por si: Sergipe, até 2016, ali no governo do presidente Michel Temer, foi um dos três Estados, na história da República, que menos receberam recursos do Governo Federal. E nós viramos essa página. Em 2017 e 2018, Sergipe foi o Estado que, proporcionalmente, mais recebeu recursos do Governo da União. E eu sou consciente do meu papel para que tudo isso pudesse acontecer. O que espero é que lá na frente o povo não sinta falta por não ter um representante fazendo tanto quanto eu fiz pelo Estado. Espero que aqueles que foram eleitos deputados e senadores e estarão exercendo mandato a partir de fevereiro consigam trazer R$ 1,5 bi, R$ 1,8 bi ou R$ 2 bi, e que o povo reconheça o talento e o valor de cada um deles e diga: “Poderia ser mais se André Moura estivesse lá”. Mas eu não quero desempenho ruim de nenhum. Quero que todos façam. Que minha ausência na Câmara motive o desempenho de quem esteja lá, porque se eu tivesse lá estaria me somando a todos eles.

JLPolítica - O senhor não faz nenhum tipo de mea-culpa da sua relação muitíssimo amistosa com Eduardo Cunha?
AM -
A minha relação com Eduardo Cunha se deu no âmbito da Câmara Federal, e foi uma relação que a maioria dos deputados também tinha. Nem eu e nem ninguém poderíamos saber os problemas que ele carregava consigo. Só tomamos conhecimento depois. Mas ninguém pode deixar de reconhecer que ele, enquanto parlamentar, tinha amplo conhecimento, era preparado, sabedor profundo do Regimento da Casa, e essas qualidades a gente não pode esquecer. Assim como não podemos tirar os erros que ele cometeu, e ele está pagando de forma justa e correta por eles.  

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Não tiveram a companhia dos Valadares e diz que "o senador prejudicou a oposição como um todo"

“NÃO DEFENDO A REELEIÇÃO DE EDVALDO NOGUEIRA”
“Edvaldo tem todo o direito de ser candidato à reeleição. Mas o PSC hoje tem a possibilidade muito clara e real de uma candidatura própria, que é a de Gilmar Carvalho. Gilmar tem conhecimento da realidade de Aracaju. Experiência se constrói”

JLPolítica - Com tamanha inserção no Congresso Nacional, como o senhor sempre acreditou, porque lhe faltou convite para uma função graúda sob o Governo de Bolsonaro?
AM -
Eu ocupei um espaço no Congresso, enquanto líder do Governo, que construí desde quando cheguei lá. Meu partido me deu a oportunidade de ser líder, o que me deu a possibilidade de mostrar a minha atuação, me proporcionou vitrine para que o Governo pudesse me enxergar capaz de conduzir a bancada na Câmara e depois nas duas Casas. Mas tudo isso era de um governo que terminou dia 31 de dezembro. O governo do qual fiz parte não esteve no projeto da eleição de Bolsonaro. Não tem continuidade aí. Se o governo do qual fiz parte tivesse contribuído para essa eleição, lógico que eu criaria expectativa de ocupar espaço no novo governo. Mas em momento algum isso aconteceu.

JLPolítica - Sua indicação à queima roupa para a Anvisa lhe seria uma válvula de escape?
AM -
Não foi uma válvula de escape. Foi um gesto, até de reconhecimento e, como ele mesmo disse, de gratidão do ex-presidente Michel Temer pelo trabalho que eu fiz. Um dado importante: fui o único líder da Câmara e do Senado que saiu sem sofrer uma só derrota. Não tive nenhuma. Em todas as votações sob a minha liderança, o Governo saiu vitorioso. E Temer teve um gesto de reconhecimento a isso. E na Anvisa era um espaço, diferentemente do que disseram, uma Diretoria de Gestão e Orçamento, e de orçamento, até mesmo pela prerrogativa de líder, eu entendo, porque até o orçamento deste ano, com o qual o presidente Bolsonaro vai trabalhar, foi construído por mim. Eu tinha expertise para isso.

JLPolítica - E por que a senadora Marta Suplicy não colocou em votação na CCJ?
AM -
Por uma questão pessoal. Ela queria indicar uma pessoa dela, e todos sabem disso lá. Ela foi pedir ao ex-presidente Temer e ele negou. Marta, logicamente, se vingou não colocando na pauta a minha sabatina.

JLPolítica - O senhor acredita que as lideranças políticas, ou o povo, não entenderam a sua linguagem de “o maior trazedor de dinheiro para Sergipe”?
AM -
Se a maioria dos sergipanos tivesse entendido, lógico que o resultado não seria esse. Eu teria sido eleito.

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Admite uma amizade pessoal com Belivaldo Chagas, mas segue na oposição

O ÔNUS E O BÔNUS DE SER LÍDER DE TEMER
“Eu quebrei um tabu: fui o primeiro deputado a ser líder do Congresso - Câmara e Senado. E entendo que tudo isso foi válido para Sergipe. Foram mais de R$ 1,8 bilhão que estão transformando a qualidade de vida das pessoas”

JLPolítica - Mas aquela montanha que ultrapassaria R$ 1,8 bilhão foi mesmo real?
AM -
Sim, é real. É mais do que real. E a testemunha disso são os prefeitos, e todos publicamente falaram. O próprio Edvaldo Nogueira disse que, diferentemente do que a oposição fala, os R$ 300 milhões destinados a Aracaju estavam na conta. E isso foi dito por todos os demais prefeitos. O que tem que deixar claro é que a minha missão foi colocar recursos à disposição para o município. Se o município tem um problema, não tem certidão e não consegue conveniar, não fez licitação, não executou a obra, isso já não é problema meu. Mas os recursos chegaram aos cofres, Chegaram ao Estado. A prova é que esse fim de semana estive na inauguração de diversas obras.

JLPolítica - Entre o senhor, Eduardo Amorim e Valadares Filho a quem compete reunir os cacos da oposição sergipana a partir de agora?
AM -
Eu entendo que o tempo é o senhor da razão e, naturalmente, ele vai mostrar o responsável para reunir e conduzir a oposição. Nós precisamos, primeiro, ter humildade para reconhecer os erros que cometemos. Todos nós que desempenhamos o papel de líderes da oposição temos que ter esse desprendimento para fazer a mea-culpa.

JLPolítica - Mas, e então?
AM -
Depois disso, discutir os rumos que tomaremos. Não significa que todos nós estaremos juntos em um mesmo agrupamento. Cada um pode fazer o seu papel, mas que possamos convergir, porque se a oposição continuar se dividindo, seja ela quem for, ou tem consciência de que é preciso deixar de lado as questões pessoais para construir um projeto viável, de unidade, ou vai acontecer o que ocorreu agora em 2018: vamos ser derrotados, como já fomos nas últimas eleições.

JLPolítica - O senhor vê futuro no futuro de Alessandro Vieira, ou ele será um Gilvan Rocha? Ou seja, um senador de um mandato só e nada mais?
AM -
O Alessandro Vieira carrega uma responsabilidade muito grande, pelos mais de 474 mil votos obtidos. Não só como legislador, que será uma das funções dele, mas a de trabalhar, arregaçar as mangas para viabilizar recursos.

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Com Eduardo Cunha, diz ter tido apenas uma relação institucional

NÃO SONHOU ESPAÇOS SOB JAIR BOLSONARO
“O governo do qual fiz parte não esteve no projeto da eleição de Bolsonaro. Não tem continuidade. Se tivesse contribuído para essa eleição, lógico que criaria expectativa de ocupar espaço no novo governo”

JLPolítica - O senhor vê esse perfil nele, ou ele é retraído para isso?
AM -
É muito cedo para dizer isso. Quando eu comecei a sonhar em ser candidato a prefeito da minha querida Pirambu, meu pai dizia: “Como você vai ser candidato. se você não dá um bom dia a ninguém? Você é tímido, envergonhado”. Mas o próprio dia a dia mudou isso em mim. Então espero que Alessandro, assim como Rogério e todos demais os outros nove, cumpram um grande papel como legislador, mas também esse outro, o de viabilizar os recursos, que é quase uma função executiva. Torço para que eles façam por Sergipe ainda mais do que a gente fez.

JLPolítica - O senhor concorda ou discorda da intenção de Reinaldo Moura, seu pai, em disputar a Prefeitura da Barra em 2020?
AM -
Por incrível que pareça, ainda nem conversamos sobre essa possibilidade. Eu vi algo pela imprensa. Lógico que, até por ser meu pai, qualquer que seja a decisão dele, terá meu total e irrestrito apoio. Mas todos sabem que na Barra sempre tivemos um agrupamento do amigo Gilson dos Anjos, e que eu espero que se proceder essa informação, que isso seja construindo ao lado de Gilson, o que me deixaria muito feliz.

JLPolítica - O senhor tem pretensão de abeirar-se politicamente de Belivaldo Chagas, ou vai manter-se distante?
AM -
Sou amigo pessoal de Belivaldo Chagas. Tive a oportunidade de trabalhar com meu pai na Assembleia quando Belivaldo era deputado. Pessoalmente, não tenho nada contra ele. São apenas divergências políticas, por estarmos em campos opostos. De vez em quando, até ligo para ele para fazer pleitos simples. Liguei na Festa de Reis de Japaratuba para pedir o policiamento, e ele autorizou. Também pedi para agilizar uns processos em tramitação na Adema, de licença ambiental para início de obras em Japaratuba, de novo me atendeu. Mas, politicamente, temos em campos diferentes. Torço para que o governo dele dê certo. E espero que eu esteja errado quando disse, na campanha, que o governo dele seria uma continuidade do de Jackson Barreto. Espero mesmo que faça uma gestão diferente. Como sergipano, torço por isso. Independentemente de a partir da próxima semana não estar mais deputado. Já disse a ele que construímos amizades em Brasília e se eu puder ajudar, estou pronto para isso. Mas não estaremos politicamente alinhados.

JLPolítica - Depois de tudo que lhe ocorreu politicamente em 2018, está arquivado o seu desejo de um dia governar Sergipe?
AM -
Não. Não arquivarei. Igual a qualquer jogador, que sempre sonha em um dia jogar na Seleção do seu país ou no maior clube do mundo, que é o Flamengo (risos), eu estarei em campo. Quando será esse momento, eu não sei. Não estou discutindo possibilidades de candidatura em 2022, até porque acho precipitada essa discussão a esta altura. Em Brasília, eu convivi com parlamentares dos 27 Estados e nenhum deles está discutindo processo de 2020, muito menos 2022. Aqui as coisas são muito precipitadas.

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Admite que seu partido pode lançar Gilmar Carvalho para a prefeitura de Aracaju

A QUEM COMPETE REUNIR OS CACOS DA OPOSIÇÃO?
“Nós precisamos, primeiro, ter humildade para reconhecer os erros que cometemos. Todos nós que desempenhamos o papel de líderes da oposição temos que ter esse desprendimento para fazer a mea-culpa”

JLPolítica - Por falar em precipitação, como o senhor vê a atitude do deputado federal reeleito pelo Rio, Jean Wyllys, de abrir mão do mandato e autoexilar do Brasil?
AM -
Eu respeito a posição dele. Lógico que me causou surpresa, porque sempre tive uma visão diferente dele. Convivi com o Jean Wyllys durante oito anos na Câmara e ele sempre foi muito aguerrido ao defender seus ideais. Eu confesso que não esperava isso dele. Achei que ele ia contribuir até o fim por essa causa. Lutar contra a discriminação e a perseguição.

JLPolítica – Esse gesto dele faz mal à imagem do Brasil lá fora?
AM -
Bem não faz. O parlamentar deixa de exercer o mandato, eleito por quem acreditou nele, então não é bom.

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Sobre o seu mandato para Sergipe: "foram mais de R$ 1,8 bilhão que estão transformando a qualidade de vida"