Baderna que afeta o PMDB nacional “não atinge Sergipe”

Por Jozailto Lima
27 maio 2017, 19h00

Quem garante isso é João Augusto Gama que, para além de presidente desta sigla no Estado, é um velho militante dela desde o tempo em que era somente MDB – Movimento Democrático Brasileiro. Pois é: pela lógica dele, a baderna que afeta o PMDB nacional “não atinge Sergipe” de modo algum.

“Os estilhaços dessas explosões atingem Sergipe de alguma forma”, pergunta-lhe o JLPolítica. “Não. De forma nenhuma. Temos aqui um PMDB que teve um comportamento extremamente ético, que tem sido ético no poder em Sergipe e o próprio governador Jackson Barreto o tem conduzido com muita seriedade”, responde Gama.

E completa: “Você não ouve falar em um escândalo no Estado. Uma compra irregular, um envolvimento do governador ou de um secretário. E não estou aqui salvando a pele de ninguém não, mas o que a gente percebe é que o Governo tem conduzido o Estado com seriedade e competência”.

Como consequência disso tudo, João Augusto Gama faz uma previsão eleitoral ousada com 16 meses de antecedência – e é bom lembrar que ele tem sido um palpiteiro com excelente margem de acerto. “Jackson se elege senador com os pés nas costas e faz o governador do Estado. Eu lhe dizia que Jackson ganhava a eleição de prefeito de Aracaju em 2016 e você não acreditava. E que JB ganhava em 2014. E ele ganhou ambas”, diz.

Nesta entrevista, Gama, que foi um marcante prefeito de Aracaju entre 1997 e 2000, é secretário de Estado da Cultura e é um bom leitor de política, diz que o Brasil está pagando um preço amargo pelos desencontros na política – “as empresas estão fechando, os Estados quebraram” -, prefixa “que se precisa encontrar alguém que faça as reformas que o país” exige e toca num assunto de ordem pessoal que possivelmente nunca tenha abordado em entrevista: a sua evolução empresarial nos últimos 20 anos.

“Óbvio que cresci. Tenho aqui na parede um prêmio de Lojista do Ano de 1993. Ou seja, há 24 anos. Portanto, antes de ser prefeito de Aracaju. Não poderia ter sido eleito melhor lojista pelos colegas da CDL se eu fosse um bodegueiro – não que bodegueiro não tenha valor”, diz. Nesta entrevista, ele fala, ainda, da importância de Marcelo Déda, diz porque não foi candidato à reeleição em 2000, avisa que não há dúvida de que JB disputa o Senado em 2018 e faz loas para as qualidades de Belivaldo Chagas como um eventual futuro candidato ao Governo de Sergipe. Leia.

JLPolítica – O Brasil suporta tanta crise política?
João Augusto Gama – Em princípio, sim. Está suportando. Mas precisa encontrar, com urgência, uma solução. E o que está se falando, essa tentativa de eleições diretas agora, é absolutamente inconveniente. É levar a nação para uma solução demorada, longa, que não vai resolver o problema. O que se precisa é encontrar alguém que faça as reformas que o País precisa.

JLPolítica – Mas está suportando a que custo?
JAG – Com um custo elevado. As empresas estão fechando, os Estados quebraram. Ou a gente encontra uma solução para uma Previdência no Brasil e um regime de Previdência próprio nos Estados, ou eles quebrarão ainda mais.

JLPolítica – Para onde esta atual levará o Brasil?
JAG – Não é possível prever. Pode-se encontrar uma solução rápida e também pode-se acabar com uma agitação nas ruas, um tumulto popular que precise de outras intervenções. A situação é de absoluta insegurança. Tanto é que as pessoas que têm recursos e queriam investir, nesse momento preferem aguardar. Se retraem.

JLPolítica – Mas o senhor acha que Temer se segura?
JAG – Se se segurar, ficará num governo fraco, sem condições de levar adiante as reformas que ele mesmo iniciou. Será um governo extremamente fragilizado. Ele está na defensiva. O núcleo do poder está todo contaminado. A gente sente na maioria dos partidos que dão sustentação ao Governo um envolvimento com a Lava Jato e agora com a carne, a turma do Friboi.

JLPolítica – Qual a sua leitura dos Governos do PT? O partido acertou mais do que errou?
JAG – Lula acertou em cheio. A própria carta aos brasileiros é um diagnóstico disso e a gente viu ali o dedo de José Dirceu.      Quando ele viu a grande crise do Governo, viu que as famílias brasileiras ainda podiam se endividar. Depois, o programa social, Bolsa Família, é fantástico – precisa de aperfeiçoamento. Mas isso é outra história – a preocupação social dele foi muito forte, intenso, enfim, segurou as famílias pobres e, por outro lado, quando veio a crise, ele incentivou o consumo através de empréstimos.

JLPolítica – Lula ainda teria um algum saldo para servir ao Brasil nesse momento?
JAG – Não sei, porque não conheço os projetos atuais dele. Ele tem uma presença muito forte na nação. É realmente um líder, mas ainda não disse qual o projeto se fosse presidente da República.

JLPolítica – Mas o senhor não vê demérito nenhum no modus operandi do partido dele?
JAG – Não só no dele. Até no meu. Os dois partidos precisam acertar contas com a sociedade.

JLPolítica – O seu partido, com Temer, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Renan Calheiros, Jorge Picciani, resiste após esta hecatombe? O PMDB já não deu o que tinha que dar?
JAG – Tem que se reciclar. Precisa mudar. Assim como há lideranças contaminadas por esse grande processo de corrupção que envolveu o País, há lideranças como o governador Jackson Barreto, que ninguém viu envolvido em nenhum desses escândalos.

“Se Temer se segurar,
ficará num governo
fraco, sem condições
de levar adiante as
reformas que ele
mesmo iniciou. Será
um governo
extremamente
fragilizado. Ele está na
defensiva. O núcleo do
poder está todo
contaminado”

JLPolítica – Os estilhaços dessas explosões atingem Sergipe de alguma forma?
JAG – Não. De forma nenhuma. Temos aqui um PMDB que teve um comportamento extremamente ético, que tem sido ético no poder em Sergipe e o próprio governador Jackson Barreto o tem conduzido com muita seriedade. Você não ouve falar em um escândalo no Estado. Uma compra irregular, um envolvimento do governador ou de um secretário. E não estou aqui salvando a pele de ninguém não, mas o que a gente percebe é que o Governo tem conduzido o Estado com seriedade e competência.

JLPolítica – Qual o seu conceito da figura pública de JB, num tempo em que se fala de pecadilhos pelo patrimonialismo?
JAG – Sob esse sentido, o meu conceito é melhor possível, porque se há um político que não fez patrimônio em sua longa vida pública, foi Jackson Barreto. Se você olhar o perfil financeiro dele, não vai encontrar nenhum indício de riqueza. Ele é um homem que tem conduzido a vida pública com muita seriedade.

JLPolítica – Até que ponto a perspectiva eleitoral de um candidato ligado a JB e ao Governo dele pode ser atrapalhado em 2018 pelos obstáculos da sigla?
JAG – Não acredito que possa, porque o povo sabe separar. Pode ter certeza de que o povo sabe o comportamento do PMDB de Sergipe de seu líder, Jackson Barreto. Ele não pode ser misturado nesse processo nem penalizado, já que não participou de nada. O partido aqui tem uma tradição libertária, e isso o povo entende. E sabe que em nenhum momento ele foi manchado pela corrupção aqui em Sergipe.

JLPolítica – Quem deve ser o herdeiro desse espólio eleitoral em 2018?
JAG – Tenho muita cautela em falar sobre isso, porque na eleição de 2016, todo mundo sabe do meu envolvimento em nome de um quadro nosso, que era Zezinho Sobral. Mas fomos vencidos em função de acordo feito. Isso foi o motivo principal para que o PMDB apoiasse a candidatura de Edvaldo Nogueira. E, feito isso, eu fiz campanha. O que acho engraçado é que estão falando agora que o PCdoB jogou dinheiro nas vésperas da eleição, e a campanha foi extremamente pobre.

JLPolítica – O José Antônio Torres Neto, da Torre, não jogou dinheiro mesmo?
JAG – Se jogou, deixou pela Bahia. Aqui em Aracaju, não houve isso. Participei de toda a campanha e posso assegurar. Na véspera da eleição, no sábado, estava com Padre Inaldo, que já havia sido eleito em Nossa Senhora do Socorro, e fomos para diversos bairros da periferia, sem dinheiro algum.

JLPolítica – Esse seu depoimento confronta o que se levantou com a investigação da Polícia, de que José Antônio é suspeito de ter dado dinheiro…
JAG – Mas em contrapartida, se comentava que havia uma pessoa de fora, num carro de luxo, ligada ao candidato da oposição, em encontros nos estacionamentos dos shoppings de Aracaju. Mas não tenho nenhuma prova disso, e sei que tanto Valadares pai quanto o Filho são pessoas corretas.

JLPolítica – Esse seu pé atrás em não falar de um eventual candidato do PMDB não é uma visão que barra Belivaldo?
JAG – Não. Eu, pessoalmente, e por isso não queria dizer, acho até que o candidato deve ser ele. Porque ele junta todas as condições, é um vice-governador capaz, um secretário da Casa Civil conciliador, que ouve todo mundo, tem a visão das necessidades do Estado, conhece o aparelho estatal de Sergipe, sabe o que Sergipe precisa, tem capacidade como gestor e é um extraordinário conciliador.

JLPolítica – O partido tem se renovado em Sergipe?
JAG – Temos um grande quadro em Sergipe, que é Zezinho Sobral. Mas ele não é tão jovem. Mesmo assim, poderia considerá-lo a grande renovação do PMDB.

 “O PMDB tem que se
reciclar. Precisa mudar.
Assim como há lideranças
contaminadas por esse
grande processo de
corrupção que envolveu
o país, há lideranças
como Jackson Barreto
que ninguém viu
envolvido em nenhum
desses escândalos”

JLPolítica – Qual a característica de Zezinho que lhe leva a pensar assim?
JAG – Ele é um grande executivo. Um homem de soluções, de fácil diálogo. Comunicativo, perfeitamente palatável politicamente. A mãe foi uma grande prefeita, muito respeitada, e o pai um político que marcou a Assembleia.

JLPolítica – O que o senhor diria de que o senhor e Almeida fazem sombra a uma eventual candidatura de Belivaldo?
JAG – Não diria nada, porque não faço e não acredito que nem Almeida faça. Não faço, primeiro, porque nunca passou pela minha cabeça ser governador de Sergipe. Não tenho nenhuma pretensão e, segundo, porque não tenho essa vaidade. Não me encanta.

JLPoítica – O senhor já teve essa vaidade e não foi suprida?
JAG – Não. Como político, já fui prefeito quando nem pleiteei. Mas, hoje, nem por convocação eu aceitaria uma candidatura ao Governo do Estado.

JLPolítica – Até hoje não está justificado porque o senhor não foi candidato à reeleição em 2000, quando tinha direito e tinha um governo considerado bom.
JAG – Não fui por uma razão muito simples: eu achei que tinha cumprido a minha missão. E tanto cumpri que, ainda hoje, passo nas ruas, nos supermercados e shoppings e as pessoas se recordam, falam. E isso é extremamente gratificante para mim. Não tem um dia que eu não ouça um elogio à minha administração. E você pensa que não avaliei isso? Pensava: será que vou repetir isso num segundo mandato? Não sei. Então, todo esse processo estava muito presente na minha vida, porque sei do meu real papel na cidade. Como não sou político profissional, diria que fui um diletante da política, não me encantava e achei que tinha cumprido minha missão e que não a repetiria com tanto êxito.

JLPolítica – O senhor vê Jackson cansado para uma eventual eleição ao Senado?
JAG – Não. Acho que ele está em campanha. Ele pode até negar, e nega. Mas eu conheço Jackson e estou vendo toda essa movimentação dele. Ele está fazendo o que sabe fazer e faz com muita competência.

JLPolítica – O senhor o aconselharia a ser?
JAG – Evidente! Porque Jackson é um grande político. É um homem de 73 anos de idade, mas com idade biológica de 50, portanto, ainda tem muito a oferecer. Nesse momento crítico que estamos vivendo, se Jackson fosse senador, tenho certeza de que ele estaria fazendo um papel histórico, como ele sempre fez. Jackson é uma presença muito forte na nossa geração.

JLPolítica – Uma candidatura de JB ao Senado seria que tipo de âncora para uma candidatura apoiada por ele ao Governo?
JAG – Jackson se elege senador com os pés nas costas e faz o governador do Estado. Eu lhe dizia que Jackson ganhava a eleição de prefeito de Aracaju em 2016 e você não acreditava. E que JB ganhava em 2014. E ele ganhou ambas.

JLPolítica – As reiteradas pesquisas com Valadares e Eduardo Amorim sempre liderando para o Senado e para Governo sinalizam desânimo para vocês?
JAG – Não vi essas pesquisas, não. Primeiro, ninguém se disse candidato ainda. Jackson até nega a candidatura dele. Como pesquisar Jackson como candidato se ele nega a candidatura dele? Então, não sei se dá para faturar essas pesquisas nem positiva nem negativamente. Não vejo base científica nisso.

“Pessoalmente, acho até
que o candidato deve ser
Belivaldo. Ele junta
todas as condições,
é um vice capaz, um
secretário conciliador,
que ouve todo mundo,
tem a visão das
necessidades do Estado
e sabe do que Sergipe
precisa”

JLPolítica – O senhor se dá por contente e realizado com o grau de pensamento e planejamento de Sergipe desde 2006, no pós-João Alves? 
JAG – Não se pode pensar muito Sergipe fora do contexto nacional. Sergipe é um reflexo disso. Daí você teve uma forte crise, por exemplo, no regime próprio de Previdência do Estado. Nesse caso, se não houver uma solução nacional, não vai haver solução local. Essa questão messiânica, de grandes obras, não existe. Não tem mais essa visão de grandes investidores, de grandes projetos.

JLPolítica – Pernambuco e Bahia têm atraído muitas coisas.
JAG – Mas isso foi programado bem antes. Sergipe tem uma dimensão que lhe permite explorar o que realmente ele tem, como o turismo, o petróleo, com ou sem a Petrobras. Então, Sergipe tem possibilidades de desenvolvimento. Agora, dentro do contexto nacional. Por exemplo, precisamos do aeroporto, e o governador está trabalhando nisso. Tem que conservar as estradas. E uma visão de se vender melhor enquanto destino na área turística. Temos um parque industrial têxtil, mas o setor vive uma crise profunda. Assim como a construção civil. Então, a solução é nacional e não sergipana. Não podemos pensar que vamos ter a genialidade de fazer de Sergipe uma ilha de desenvolvimento se não fizermos um projeto de desenvolvimento nacional.

JLPolítica – Por que o senhor defende que a Deso deve ser privatizada?
JAG – Porque não presta um bom serviço e não tem recursos para investir. Toda vez que precisa investir na Deso, quem é chamado é o acionista majoritário. Ou seja, o Estado. E esse dinheiro iria para outros investimentos. É engraçado quando as pessoas falam que a Deso é patrimônio de Sergipe. É patrimônio de quem? Uma empresa desgastada, que tem uma perda grande. Ela cumpriu um grande papel. Mas lembro de que quando fui prefeito houve a privatização da Energipe, e o governo teve que tomar uma linha de crédito para pagar o ICMS que estava atrasado. Hoje, a Energisa é uma das maiores contribuintes do Estado.

JLPolítica – O senhor e seu partido estão preparados para o fim das coligações?
JAG – O fim das coligações é uma necessidade. Deve ser feito para que se crie partidos fortes. No Congresso, entre os mais de 30 partidos representados, deve ter um ou outro que se elegeu por seu próprio partido. A coligação é uma ilusão. A pessoa se elege pela coligação e depois vem dizer que se elegeu por esse ou aquele partido. É uma enganação ao eleitor.

JLPolítica – E esse fim das coligações já deve se aplicar agora em 2018?
JAG – Não. Não acredito que esse Congresso faça essa reforma.

“Déda deixa uma
saudade muito grande.
Morreu muito cedo.
Do talento dele,
nem falo, porque
isso todos conheceram.
O que era desconhecido
de muitos era o
lado humano em
Déda, o homem
capaz de chorar”

JLPolítica – Nos bastidores da política há buchichos de que o senhor se fez grande empresarialmente depois que deu de braços com a política, foi prefeito e depois seguiu o Governo e, sobretudo, seu amigo Jackson. O que o senhor teria a dizer disso?
JAG – Tenho aqui na parede (ele se levanta e vai até o certificado emoldurado na sua biblioteca) um prêmio de Lojista do Ano de 1993. Ou seja, há 24 anos. Portanto, antes de ser prefeito de Aracaju. Não poderia ter sido eleito melhor lojista pelos colegas da CDL se eu fosse um bodegueiro – não que bodegueiro não tenha valor. Mas antes de ser político já era distribuidor o maior da Shell em Sergipe. E tinha uma pequena transportadora. Óbvio que cresci. E cresci mais no Governo Lula, porque ele deu oportunidade aos empresários brasileiros. E agora estou decrescendo, mas vamos nos recuperar. Meu crescimento econômico e empresarial não está aliado à minha militância. Até porque ninguém nunca encontrou nenhuma indignidade minha.

JLPolítica – O senhor sente necessidade de ser “um servidor do Estado” ainda, mesmo sendo empresário bem-sucedido?
JAG – Enquanto Jackson Barreto for governador, tenho muito orgulho em dar minha contribuição ao Estado. Sinto-me muito confortável com isso.

JLPolítica – É mais uma necessidade sua ou dele?
JAG – É uma necessidade de ambos. Sinto-me muito confortável ao lado dele e de nossos companheiros, porque é a minha geração. Só lastimo a morte de Rosalvo Alexandre, porque essa é a realização de uma geração que lutou para chegar ao poder. Pena que foi num momento de tanta dificuldade. Mas a gente tem sabido desincumbir a missão.

JLPolítica – Em momento nenhum, o senhor cita o nome de Marcelo Déda no contexto da história política do Estado ou de relação com a sua pessoa. Ele não lhe teve significado?
JAG – Teve, e muito. Ele deixa uma saudade muito grande. Morreu muito cedo. E seu aspecto humano deixa saudade (Gama enche os olhos de lágrimas nesta hora). Marcelo Déda sempre disse que se elegeu prefeito de Aracaju no primeiro turno por causa do meu apoio. E tenho certeza de que o meu apoio foi mesmo fundamental. Dei organicidade e rumo à campanha dele naquele ano de 2000. Tenho orgulho disso. Seis anos depois, para se eleger governador, Jackson também o ajudou, com meu apoio. De modo que tenho certeza do meu papel com Marcelo Déda. Do talento dele, eu nem falo, porque isso todos conheceram. O que era desconhecido de muitos era o lado humano em Déda, o capaz homem de chorar ouvindo uma música, lendo um livro. A presença de Déda foi muito marcante, porque ele era um elo entre a minha geração e a geração mais nova. Ele representou essa modernidade. Era um homem antenado, de bom gosto, um homem do mundo, uma companhia adorável. Mas, como todos nós, com seus defeitos e idiossincrasias na ação política.