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Entrevista

Jozailto Lima

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Belivaldo Chagas: “Não sou do tipo que costuma esconder os apoiadores”

Publicado em 24  de outubro de  2018, 20:00h

“A redução de Secretarias será bastante significativa”

Dentro de mais quarto dias, os quase 1,6 milhão de eleitores de Sergipe finalmente vão decidir, entre Belivaldo Chagas, PSD, e Valadares Filho, PSB, quem botará a mão no leme, ou no mouse, do comando do Estado de Sergipe pelos próximos 48 meses, ou quatro anos.

Na peneira do primeiro turno, o candidato do PSD passou com uma boa vantagem de votos sobre o candidato do PSB – foram 191.083 mil votos a mais. Os observadores mais experientes das cenas eleitorais costumam considerar que num segundo turno zera-se tudo e todos começam da estaca zero. Isso pode ser relativizado, sobretudo quando um candidato sai-se muito bem sobre outro e cria condições de um para outro turno bem mais favoráveis.

Sem dúvida alguma, isso ocorreu com o candidato Belivaldo Chagas. Além dos quase 200 mil votos de frente, ele atraiu mais apoio e fez uma campanha de segundo turno com mais corpo. Aqui, Belivaldo Chagas contesta Valadares Filho, que trabalhou maniqueisticamente a ideia de que ele estabeleceu uma parceria de segundo turno com o deputado federal André Moura.   

“Essa é mais uma tática desesperada de Valadares Filho. Aliás, repito: não sou do tipo que costuma esconder os apoiadores. Quem costuma fazer isso é Valadares Filho, que teve o apoio de André Moura e de Eduardo Amorim em 2016, assumiram compromissos para 2018 - e não cumpriram –, e por isso mesmo está agora sozinho. As pessoas perderam a confiança em Valadares Filho”, diz ele.

Apesar das vantagens, Belivaldo determinou que as pessoas do seu grupo e que lhe dão apoio jamais se debruçassem sobre a janela da vantagem. Ao ser ele uma das “surpresas positivas” do primeiro turno, Belivaldo postou-se numa linha cuidadosa, mas sem temer que possa haver uma inversão e ele vire “uma surpresa negativa no segundo”.

“Com toda a sinceridade e humildade do mundo, eu não vejo razão para que eu me torne uma surpresa negativa. Eu continuo o mesmo Belivaldo do primeiro turno, respeitando os adversários, não detratei ninguém, não tirei o foco do que deve ser uma gestão transparente, mirando o desenvolvimento, com austeridade e modernidade”, diz ele.

“O Belivaldo do primeiro turno está sendo o mesmo de agora. Continuamos fazendo campanha. Aliás, uma coisa que também estranhei no segundo turno foi o fato de o meu concorrente não ter feito campanha. Não conheço nenhum ato de campanha dele nesse período”, diz.

Para Belivaldo Chagas, as três semanas que separaram o primeiro do segundo turno, só não foram melhores por causa do tom que ele considera violento e agressivo adotado pelo seu opoente Valadares Filho.

“Só se preocupou em usar a rede social, disseminando uma quantidade excessiva de fake news, assim como fez na TV, nos seus programas, mas, até o momento desta entrevista, ele já perdeu 12 processos do TRE, com a campanha de fake e a agressividade dele. A campanha não foi voltada para o desenvolvimento de Sergipe e sim para atacar a minha honra, para inventar mentiras”, diz Belivaldo.

Para além desses dissabores de campanha, e ainda que adotando cuidados e evitando o triunfalismo do já-ganhou, Belivaldo Chagas já pensa uma agenda de reeleito para a próxima segunda-feira, 29. “Na segunda-feira mesmo já estarei fazendo reunião no Palácio e já definindo, se tudo der certo, a criação de um grupo de trabalho para formatar o projeto que será a reforma administrativa a ser encaminhado para a Assembleia Legislativa”, diz ele.

“A ideia é de que eu encaminhe esse projeto ainda este ano, para que ele seja aprovado até o dia 15 de dezembro e colocá-lo em execução a partir de janeiro. Na sequência, estarei pegando um avião para ir a Brasília discutir com a bancada as emendas do orçamento da União, defendendo os interesses de Sergipe”, completa.

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Na última terça, 23 , debate acalorado na TV Atalaia, com seu oponente, Valadares Filho
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"Eu continuo o mesmo Belivaldo do primeiro turno, respeitando os adversários", assegura

RAZÕES DA EXPRESSIVA VOTAÇÃO DO 1º TURNO
“A população entendeu e passou a confiar no governador e no cidadão Belivaldo Chagas a partir do momento que compreendeu o meu jeito de ser enquanto gestor, com um governo aberto, transparente e que vai a fundo para resolver os problemas”

JLPolítica - Qual a justificativa para a sua votação de 1º turno ter quase superado as de Valadares Filho e Eduardo Amorim juntos?
Belivaldo Chagas -
Eu quero crer que isso se deu pelo fato de a população ter compreendido as nossas propostas, que foram apresentadas em condições de serem realizadas. Acredito que a população também entendeu e passou a confiar no governador e no cidadão Belivaldo Chagas a partir do momento que compreendeu o meu jeito de ser enquanto gestor, com um governo aberto, transparente e que vai a fundo para resolver os problemas. Eu fiz questão de colocar, desde o primeiro momento em que assumi, que cheguei para resolver. E estou resolvendo as coisas, dentro do critério da tranquilidade, sem avançar de forma atabalhoada e sem passar para a população aquela imagem do cara que fala muito e faz pouco. Então acho que houve essa compreensão. Em havendo essa compreensão, entendo que isso acabou se transformando em voto. Acho que se restabeleceu a esperança da comunidade num governo sério, austero e voltado para a população de modo geral.

JLPolítica – O senhor sabia da existência latente desse Belivaldo gestor ou se surpreendeu quando assumiu o Governo?
BC –
O Belivaldo Chagas gestor sempre existiu dentro de mim. Até mesmo porque por onde passei procurei ser um gestor e não um político. Eu assumi, lá nos idos de 1980, por exemplo, a Presidência da Segrase e a encontrei em situação extremamente delicada, atuando no vermelho. Quando deixei a empresa, para cada R$ 1 devido, ela tinha R$ 16 para receber. Portanto, com um alto índice de liquidez. Passei pelo Projeto Nordeste e pela Secretaria de Educação e também procurei ali ser um gestor e não apenas exclusivamente um político. Então acho que isso foi o suficiente pela maneira de agir. A questão relacionada à quantidade de votos que tivemos a mais que Valadares Filho nunca paramos para fazer a conta especificamente do porquê. Mas nós fazíamos avaliações internas, via pesquisas, que mostravam um crescimento grande em relação à aceitação da nossa candidatura. Mas admito: para mim foi uma grata surpresa chegar ao final do 1º turno com mais de 40% dos votos válidos. E eu tenho mais é que agradecer à população que votou em mim, a esses cerca de 403 mil eleitores que acreditaram na proposta de Belivaldo Chagas.

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No primeiro turno, com quase 403 mil votos, teve motivo de sobra para comemorar

O GESTOR COMO PREPONDERANTE
“O Belivaldo Chagas gestor sempre existiu dentro de mim. Até mesmo porque por onde passei procurei ser um gestor e não um político. Mas admito: para mim foi uma grata surpresa chegar ao final do 1º turno com mais de 40% dos votos válidos”

JLPolítica – O senhor esperava ter 191.083 mil votos a mais que Valadares Filho?
BC –
Não, de maneira nenhuma. Nunca havíamos feito a conta da possibilidade de chegar a essa diferença. Mas atribuo isso à confiança. Ela foi restabelecida, assim como a esperança. A população compreendeu o meu jeito de ser ético, transparente, austero, sincero. De pouca conversa, mas de muita ação.

JLPolítica – O senhor considera uma espécie de “prevaricação branca” o gestor que deixa o Governo correr solto e não toma as rédeas?
BC –
Não. Entendo que cada governante tem seu estilo próprio de governar. Talvez, e quero crer que tenha sido isso, a população tenha se identificado mais com o meu jeito. Prevaricação se dá quando você tem conhecimento do que está acontecendo e não toma providência. Às vezes você acha que está agindo de maneira correta, mas não está ouvindo, não está olhando no olho da população para entender o que ela pensa de você.

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Mas não deu para seu antecessor, JB, do MDB: perdeu, pela segunda vez, a disputa para o Senado

ESPERAVA TER 191 MIL VOTOS A MAIS?
“De maneira nenhuma. Nunca havíamos feito a conta da possibilidade dessa diferença. Mas atribuo isso à confiança. Ela foi restabelecida, assim como a esperança. A população compreendeu o meu jeito de ser ético, transparente, austero, sincero”

JLPolítica - Em Aracaju, o senhor obteve 32,61% contra 22,61% de Valadares Filho. Qual o seu palpite para este 2º turno na capital?
BC –
Eu espero que aumente, porque a população passou a nos conhecer mais ainda, especificamente a de Aracaju. Eu enfrentei, no primeiro turno e agora no segundo, um cidadão que se candidatou a prefeito de Aracaju em 2016 e achava que ganharia a eleição, como a gente ouvia ele dizer por aí. No entanto, ele perdeu, e perdeu porque a população passou a conhecê-lo melhor agora e viu que ele não está preparado. Que ele não tem proposta e com isso entendeu que esse não é, jamais, melhor candidato, e que o melhor é Belivaldo. Então estou convencido de que venceremos o segundo turno também em Aracaju e com uma margem superior a que vencemos no primeiro. E digo isso sem vaidade nenhuma, mesmo porque o Valadares Filho, na minha maneira de pensar, perdeu uma grande oportunidade de se apresentar como o novo real. Porque na verdade ele se apresentou como o novo, mas o novo com defeito.

JLPolítica – Qual é o seu sentimento em relação às pesquisas eleitorais, como a do Ibope lhe dando um ponto atrás de Valadares Filho no sábado véspera da eleição?
BC –
Meu sentimento é o mesmo de sempre: nunca me apoiei nelas. Fizemos pesquisas para consumo interno e a leitura que fazíamos delas era a do crescimento. Aliás, de um bom crescimento. Saber o que se daria era difícil de imaginar, mas as pesquisas, todas delas, mostravam o Belivaldo que saiu de 3% lá atrás para chegar ao percentual que chegamos na eleição, superando os 40%.

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Já a segunda tentativa de Rogério Carvalho, do PT, foi bem aventurada

DA DERROTA DE VALADARES FILHO EM ARACAJU
“Ele perdeu porque a população passou a conhecê-lo melhor agora e viu que não está preparado. Que não tem proposta e com isso entendeu que esse não é, jamais, melhor candidato”

JLPolítica - Olhando para os resultados, quais foram para o ente político Belivaldo Chagas, as maiores surpresas desta eleição no primeiro turno?
BC –
Eu diria que a grande surpresa realmente foi o resultado que Adelson Barreto obteve. A previsão que todos tínhamos era de que ele seria o primeiro ou no máximo o segundo colocado nesta eleição. Outra surpresa que, claro, ninguém previa, foi a eleição do senador Alessandro, fruto do ambiente e do momento que estamos vivendo. A sensação que temos é de que as pessoas cansaram um pouco da mesmice, dos mesmos candidatos, principalmente daqueles que se apresentavam como candidatos com vagas certas.

JLPolítica – O senhor não coloca a queda do senador Valadares de 1º para 5º como uma delas?
BC –
Sim, também. Foi o que quis dizer. A primeira grande surpresa foi a derrota de Adelson, a segunda, a de Valadares, que se posicionou o tempo todo como o candidato favorito, se achando o tal ao ponto de abraçar uma candidatura de Senado para ele e uma de governador para o filho.

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Com 102.899 votos, Fábio Mitidieri, do seu PSD, reelegeu-se deputado federal na primeira colocação. A sua coligação fez 4 das 8 vagas sergipanas na Câmara dos Deputados

DA LEITURA DAS PESQUISAS ELEITORAIS
“Meu sentimento é o mesmo de sempre: nunca me apoiei nelas. Fizemos pesquisas para consumo interno e a leitura que fazíamos delas era a do crescimento. Aliás, de um bom crescimento”

JLPolítica – O senhor estranha o endurecimento do clima da campanha neste 2º turno?
BC –
Confesso que sim. Até porque não vejo necessidade nenhuma disso. Você fala em endurecimento. Eu falo em mentira deslavada o tempo todo. Eu chamaria de desregramento total e absoluto. Uma campanha baseada em notícias falsas, em fake news, e partindo lamentavelmente de uma pessoa que conhece toda a minha vida, todo o meu passado. Valadares Filho fez uma campanha de mentiras com o objetivo de tentar desconstruir minha imagem, atingir a minha honra e a minha moral.

JLPolítica – O que mais lhe chamou a atenção neste clima dela?
BC –
Essencialmente, o desespero do meu concorrente. O que me abalou foi ver esse desespero dele, querendo se agarrar a qualquer tábua de salvação para continuar no poder. Isso talvez fruto de se tratar de uma pessoa que desde o dia em que nasceu até a presente data nunca tenha convivido com o período que eu vou chamar de “sem poder”, com s, porque ele sempre conviveu com o período do “cem poder”, já que sempre teve o pai no poder, o tio, um parente. Quando não tinha o poder no Estado, buscava na República; quando não tinha na República, buscava em Simão Dias. E desta vez não tem nem Simão Dias, nem o do pai em Brasília e nem o dele, e aí notei que o desespero tomou conta e ele acabou partindo para uma campanha que a população não aceita em hipótese alguma.

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Maísa Mitidiere (PSD), irmã de Fábio, com 35.707 votos, chegou à Alese como a segunda mais votada. A coligação de Belivaldo conquistou 11 das 24 cadeiras do parlamento sergipano

ESTRANHA ENDURECIMENTO NO CLIMA DA CAMPANHA
“Até porque não vejo necessidade. Você fala em endurecimento. Falo em mentira deslavada o tempo todo. Eu chamaria de desregramento total e absoluto. Uma campanha baseada em notícias falsas, em fake news, e partindo de uma pessoa que conhece toda a minha vida”

JLPolítica – Quais as reais chances de o senhor deixar de ser uma das surpresas positivas do 1º turno para ser uma surpresa negativa no 2º?
BC –
Com toda a sinceridade e humildade do mundo, eu não vejo razão para que eu me torne uma surpresa negativa. Eu continuo o mesmo Belivaldo do primeiro turno, respeitando os adversários, não detratei ninguém, não tirei o foco do que deve ser uma gestão transparente, mirando no desenvolvimento, com austeridade e modernidade. O Belivaldo do primeiro turno está sendo o mesmo de agora. Continuamos fazendo campanha. Aliás, uma coisa que também estranhei no segundo turno foi o fato de o meu concorrente não ter feito campanha. Não conheço nenhum ato de campanha dele nesse período. Só se preocupou em usar a rede social, disseminando uma quantidade excessiva de fake news, assim como fez na TV, nos seus programas mas, até o momento desta entrevista, ele já perdeu 12 processos do TRE, com a campanha de fake e a agressividade dele. A campanha não foi voltada para o desenvolvimento de Sergipe e sim para atacar a minha honra, para inventar mentiras.  

JLPolítica – O senhor vê lógica na criminalização de suas parcerias políticas no segundo turno?
BC –
Não há logica alguma. A começar pelo fato de eu não ter feito nenhuma parceria que não seja de conhecimento da população. Aliás, desde o primeiro momento, tenho dito que minha aliança primeira e maior é com a população. Claro que tenho compromisso com o leque de partidos que compõem a coligação, mas no segundo turno tive pessoas que me apoiaram independentemente de vinculação política com A ou B. Não conversei com nenhum chefe político, muito menos assumi compromisso. As pessoas, de forma espontânea, vieram me dizer que acreditavam em mim e que por isso me apoiariam. Outros resolveram procurar Valadares Filho. Portanto, isso é natural.

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Venceu em 67 dos 75 municípios do Estado. Entre eles, Aracaju, administrada pelo comunista Edvaldo Nogueira

SEM MEDO DE VIRAR UMA SURPRESA NEGATIVA
“Com toda a sinceridade e humildade, não vejo razão para que eu me torne uma surpresa negativa. Continuo o mesmo Belivaldo do primeiro turno, respeitando os adversários, não detratei ninguém, não tirei o foco do que deve ser uma gestão transparente”

JLPolítica - Como o senhor explica o seu profundo deslocamento em relação a Jackson Barreto, ao ponto de o senhor ficar 198.575 mil votos à frente dele?
BC –
Essa é a primeira vez que efetivamente eu disputo uma campanha no campo majoritário. Participei de outras como candidato a vice, mas as pessoas votam é no candidato a governador. Jackson Barreto tem uma história bonita de luta, que tenho certeza que a população respeita, mas também está há muito tempo no campo político. Talvez tenha chegado o momento de ele ir para casa, e a população acabou dando esse recado. Se Jackson entendeu isso ou não antes da eleição, só ele pode responder. Mas acredito que não, já que ele disputou. Então esse deslocamento se deu em função de meu estilo de governar, que é diferente do dele, e do fato de ele já ter pleiteado vários mandatos - já foi deputado federal, já foi prefeito e vereador de Aracaju, governador. De repente alguém chega e pensa: agora é hora desse ir para casa. Tanto é que tivemos dois senadores eleitos que nunca ocuparam o mandato, Alessandro Vieira e Rogério.

JLPolítica - O senhor acha acertado, diante disso, que seus oponentes insistam no 2º turno em colar sua imagem à imagem dele?
BC –
É, sem dúvida, uma tática errada. A população já fez essa leitura e negou essa necessidade. Eu tive praticamente o dobro de votos que JB teve, assim como o dobro do senador Valadares. Então, se eu participei de um governo com Jackson, fui para uma campanha ao lado dele na chapa e tive o dobro de votos dele, natural é compreender que fomos totalmente dissociados. É um erro total insistir nisso.

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Foi com Haddad no primeiro turno e segue com ele. Mas não se constrange em despachar com Bolsonaro, se ele vir a ser o presidente da República

SEM LÓGICA CRIMINALIZAR PARCERIAS POLÍTICAS
“A começar pelo fato de eu não ter feito nenhuma parceria que não seja de conhecimento da população. Aliás, desde o primeiro momento, tenho dito que minha aliança primeira e maior é com a população”

JLPolítica - Existe um compromisso do senhor em trazer JB para uma Secretaria de Estado, caso ganhe a eleição?
BC -
Não, nenhum. Jackson nunca me pediu isso, nunca acenou para essa possibilidade e eu tenho certeza de que ele não pretende isso. Com toda a sinceridade, e respeito por ele, não tenho nenhum interesse em convidá-lo para fazer parte da nossa futura equipe, até mesmo porque estou convencido de que tudo que Jackson quer agora é viver a vida particular dele. Ele já deu a contribuição dele para a administração e para Sergipe.

JLPolítica – Como o senhor recebe a insistência de que sua campanha teria feito um pacto com André Moura envolvendo, inclusive, uma concessão de uma Secretaria para ele em caso de sua reeleição?
BC -
Essa é mais uma tática desesperada de Valadares Filho. Aliás, repito: não sou do tipo que costuma esconder os apoiadores. Quem costuma fazer isso é Valadares Filho, que teve o apoio de André Moura e de Eduardo Amorim em 2016, assumiram compromissos para 2018 - e não cumpriram -, e por isso mesmo está agora sozinho. As pessoas perderam a confiança em Valadares Filho. Em nenhum momento, nem no primeiro turno nem no segundo, eu tive qualquer contato político com André Moura, nem ele teve comigo. Aliás, André Moura tem se comportado de forma correta. Tem dito que não apoia nenhum de nós, mas os amigos dele foram liberados, a exemplo do ex-prefeito de Monte Alegre, Tonhão, delegado do Ministério da Agricultura em Sergipe, indicado por ele, que vota em Valadares Filho.

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Para o segundo Governo, por enquanto, anuncia apenas a permanência de Ademário Alves, secretário da Fazenda

A POPULAÇÃO MANDOU JB PARA CASA
“Jackson Barreto tem uma história bonita de luta, que tenho certeza que a população respeita, mas também está há muito tempo no campo político. Talvez tenha chegado o momento de ele ir para casa, e a população acabou dando esse recado”

JLPolítica – O apoio de Alessandro Vieira a Valadares Filho azeda a perspectiva de uma relação republicana entre ele e um futuro governo seu, caso o senhor seja reeleito?
BC –
Não, em hipótese alguma. Meu compromisso é com Sergipe e creio que o dele deve ser também. Aliás, devo esclarecer um outro ponto: eu fui procurado por Alessandro. No sábado seguinte à eleição, ele foi ao meu apartamento conversar comigo, dizer que enquanto senador estaria à disposição do Estado de Sergipe. Quando ele me procurou, quando foi em minha casa para se colocar à disposição, eu até fiz a leitura de que ele estava acreditando mais na minha eleição do que na de Valadares Filho. Mas fez questão de dizer, na minha casa, que faria a opção pelo voto em Valadares por questões meramente pessoais, mas que acreditava no projeto Belivaldo Chagas. Eu o respeitei, e espero que estejamos todos unidos em defesa dos interesses de Sergipe. Ele já resolveu a parte dele, já foi eleito, eu estou tentando resolver a minha. Se reeleito for, o procurarei para que, juntos, possamos defender os interesses do Estado.

JLPolítica – O senhor já se pegou imaginando despachando com Jair Bolsonaro, caso ele seja eleito presidente, e o senhor reeleito governador?
BC –
Eu me vejo despachando e buscando defender os interesses de Sergipe com o próximo presidente da República, independentemente de ele ser Bolsonaro ou Fernando Haddad. Tenho a minha opção, desde o primeiro momento com o meu agrupamento, que sempre foi Haddad. Mas não estou preocupado em, se necessário for, despachar com o presidente da República que de repente possa vir a ser o Bolsonaro. Teremos que respeitar a decisão soberana da sociedade brasileira.

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Promete reforma administrativa para reduzir o número de secretarias

JB NÃO SERIA CONVIDADO PARA SECRETÁRIO
“Com toda sinceridade, e respeito por ele, não tenho nenhum interesse em convidá-lo para fazer parte da nossa futura equipe, até mesmo porque estou convencido de que tudo que Jackson quer agora é viver a vida particular dele”

JLPolítica - Qual é o seu palpite para o resultado do 2º turno em Sergipe e da eleição presidencial?
BC –
Com certeza, dará Fernando Haddad. Ele vencerá em Sergipe. Até mesmo porque, como eu não parei no segundo turno e a minha proposta ainda é a de conversar com a população, tenho percorrido os municípios e tenho sentido o apelo, a decisão, o carinho do eleitorado para com o Haddad.

JLPolítica - Nesta campanha, se falou muito na redução da quantidade de Secretarias. Isso contempla suas pretensões?
BC –
Sim, claro. Nós faremos uma reforma administrativa na qual teremos a diminuição do tamanho da máquina do Estado. A gente precisa reencontrar o equilíbrio das nossas finanças, e isso passa por uma estrutura mais enxuta e mais moderna. Mas ainda não tenho como quantificar isso. Preciso antes discutir com os técnicos para saber quais Secretarias podemos fundir, extinguir, etc. Não trabalho com chutômetro. Mas a redução de Secretarias será bastante significativa.

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"A população compreendeu o meu jeito de ser ético, transparente, austero, sincero”, avalia-se

VALADARES FILHO E PERDA DA CONFIANÇA
“Valadares Filho teve o apoio de André Moura e de Eduardo Amorim em 2016, assumiram compromissos - e não cumpriram - para 2018, e por isso mesmo está agora sozinho. As pessoas perderam a confiança em Valadares Filho”

JLPolítica - Caso reeleito, o senhor tem pretensão de reconfirmar alguns dos nomes do 1º escalão desse atual governo?
BC -
Eu vou arriscar apenas um nome, mas isso não significa dizer que outros não serão aproveitados: nesse presente momento só tenho um compromisso, que é com o secretário de Estado da Fazenda, o Ademário Alves. Quanto aos demais, há pessoas competentes, corretas, que poderão continuar no Governo, mas não é o momento de dizer se é A ou B. Como não vamos extinguir a Sefaz, posso adiantar que ele ficará, se quiser, porque é muito competente. Ademais, deixou o Banco do Nordeste em Recife para dar a sua contribuição a esse projeto que está dando certo. Portanto, esse ficaria.

JLPolítica - Se for reeleito, o que o senhor pretende fazer a partir de segunda-feira, dia 29? Quais serão seus primeiros passos?
BC –
Na segunda-feira mesmo já estarei fazendo reunião no Palácio e já definindo, se tudo der certo, a criação de um grupo de trabalho para formatar o projeto que será a reforma administrativa a ser encaminhado para a Assembleia Legislativa. A ideia é de que eu encaminhe esse projeto ainda este ano, para que ele seja aprovado até o dia 15 de dezembro e colocá-lo em execução a partir de janeiro. Na sequência, estarei pegando um avião para ir a Brasília discutir com a bancada as emendas do orçamento da União, defendendo os interesses de Sergipe. Uma das emendas, que é a impositiva, coletiva, que tem a garantia de que os recursos saiam, será voltada para a área de Educação. Porque a Educação será a prioridade das prioridades em meu futuro governo. Embora a que foi colocada no ano passado, de R$ 50 milhões, para a Saúde, tenha sido anunciada, mas não tenha saído nada ainda.

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E à confiança da população, ele atribui os 191 mil votos de diferença para o segundo colocado, no primeiro turno

“FUI PROCURADO POR ALESSANDRO VIEIRA”
“Alessandro foi ao meu apartamento conversar comigo, dizer que enquanto senador estaria à disposição de Sergipe. Fez questão de dizer que faria a opção por Valadares por questões pessoais. O respeitei, e espero que estejamos todos unidos em defesa de Sergipe”

JLPolítica - Como o senhor viu o uso da delegada Danielle Garcia nesta campanha pelos seus oponentes?
BC –
Eu confesso que vi isso de uma forma exagerada. Não havia necessidade de tanto. Devo dizer com todas as letras que no Governo Belivaldo Chagas a delegada nunca foi perseguida. Se foi em outros governos, não é do meu conhecimento. Quero garantir que a delegada Danielle Garcia terá toda a tranquilidade do mundo para garantir as atividades dela num eventual futuro governo meu e no resto do atual.

JLPolítica – Os governos de JB e do senhor perseguiram ou não, de fato, os delegados da Deotap envolvidos na investigação da corrupção sergipana?
BC -
As coisas estão acontecendo dentro e fora da Deotap. A Danielle foi delegada, saiu, mas a equipe que ficou é remanescente do trabalho dela, que atua com toda a dignidade. Aliás, quero prestar toda a minha solidariedade ao Ministério Público, ao Tribunal de Justiça, a toda a Secretaria de Segurança Pública, porque esses órgãos juntos estão trabalhando para combater a corrupção. Temos delegados abnegados, inteligentes, competentes, uma Polícia Civil que trabalha, uma Polícia Militar idem. Portanto, só tenho que defender todos que fazem a Segurança e todos que têm o interesse em fazer com que a gente combata a corrupção e combata os índices de criminalidade, enfim, atuando como tem que atuar em respeito à população. Quero frisar também que quem criou esse Departamento, o Deotap, foi o então delegado e hoje secretário de Segurança Pública João Eloy, no Governo Marcelo Déda e de Belivaldo Chagas. Então não seria agora que o secretário iria destruir esse trabalho. Pelo contrário: as coisas estão avançando. O trabalho está acontecendo e estamos todos felizes com isso.

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E assim, aposta que está no rumo certo