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Entrevista

Jozailto Lima

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Belivaldo Chagas: “Nosso grupo não sofre de fadiga”

Publicado em 16 set 2017, 20h00

"As pessoas confiam em mim, e a minha candidatura a governador será uma novidade”

Seguro de si. Aliás: seguro é pouco. Muitíssimo seguro, direto e preciso nos propósitos e nas ideias. Tanto no aspecto político, quanto no eleitoral, e nas convicções administrativas presentes e futuras. Até nos afetos elevados a ódio, que ele não admite, ao ex-parceiro e padrinho Antonio Carlos Valadares.

É assim que nesta entrevista o JLPolítica captura e revela o político Belivado Chagas Silva -  o vice-governador Belivado Chagas, a quem o grupo governista alimenta como um eventual futuro candidato ao Governo de Sergipe nas eleições do ano que vem.

Quem pensa em deparar um Belivaldo Chagas pálido e claudicante perante o futuro processo eleitoral, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Ele tem uma autoestima bem-resolvida, pensa politicamente forte, com autonomia, e não põem em infusão para amanhã o seu querer eleitoral.

Belivaldo quer com precisão a disputa da eleição de governador, e acredita nesse querer. Mesmo que não se mate por ele. “Acho que tenho, no campo político, uma relação muito boa com todos os que compõem nosso agrupamento político. Desde então, sinto-me preparado, sem problema nenhum para aceitar esse desafio se esse for o desejo do grupo. Eu enfrentaria um processo de eleição como um desafio muito importante em minha vida”, diz ele.

Mas o mais inusitado na autoestima política de Belivaldo Chagas vem do fato de ele não achar que haja fadiga dos sergipanos em torno do projeto do seu grupo - ele seria o quarto governador seguido a ser eleito pelo mesmo agrupamento desde 2006, com Marcelo Déda duas vezes (2006 e 2010) e Jackson Barreto, uma (2014).

“O grupo não apresenta fadiga, porque tem tido renovação. Veja que tivemos as eleições de Marcelo Déda e de Jackson Barreto. Tivemos a continuidade das ações e, o mais importante de tudo isso, temos conteúdos a apresentar à sociedade. Portanto, não dá para dizer que esse é um grupo que sofre de fadiga”, avisa.

“Aliás, se vier a se confirmar, a minha candidatura a governador será uma novidade. E por que digo isso? Eu não tenho tradição política. Não sou de família política. Nunca liderei nenhum agrupamento e, de repente, saio como candidato ao Governo. Isso é fruto também de uma ação própria. Fruto de uma relação de amizade que consegui conquistar e, pela oportunidade que aparece, automaticamente você abraça”, reforça ele

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"Jackson Barreto tem vida própria. Tem história", ressalta

JLPolítica - O senhor acha que é chegada a hora de os governistas botarem o bloco da sucessão na rua?
Belivado Chagas -
Acho que está chegando a hora de começar efetivamente a discutir. O governador Jackson Barreto colocou, em algumas oportunidades, que neste momento precisava tratar das questões do Estado, até por estarmos atravessando um momento de dificuldades. Mas, em paralelo a isso, não deixamos de acompanhar a movimentação de Brasília no que diz respeito à reforma política, por exemplo.

JLPolítica – E haverá tempo para a reforma política?
BC -
Eu particularmente acho que não teremos nada, porque o fato é que os prazos estão se esgotando agora dia 6 de outubro. Não sei se daqui para lá vai dar tempo de votar na Câmara, no Senado. Mas estabelecidas as regras do jogo, sendo as mesmas ou não, acho que aí, sim, será a hora. O processo começa a afunilar, já que o governador reúne as diversas lideranças que compõem o nosso bloco e discutirá a composição das chapas. Especialmente a majoritária.

MARKETING DE BELIVALDO
“Fala-se muito em marketing para eleição. Mas o meu marketing é exatamente a minha maneira de ser. Sou o que sou desde o primeiro momento em que entrei no campo político. O marketing de Belivaldo é ser um cara sincero, correto, totalmente aberto ao diálogo”

JLPolítica - Se for a opção do bloco, o senhor estaria pronto para assumir uma pré-campanha e uma candidatura a seguir?
BC –
Sim, sem nenhum problema. Acho que tenho, no campo político, uma relação muito boa com todos os que compõem nosso agrupamento político - e aqui não quero dizer que ache que tenho a unanimidade. Mas creio que a maioria. Só que isso não é um processo decidido por mim. Não posso ser candidato por mim mesmo. Esta é uma disputa entre o meu nome e de outros. Mas só saberemos a partir do momento em que se disserem que o nome é o meu, que minha candidatura é viável, até dentro da possibilidade de Jackson se afastar para ser candidato ao Senado, que é quando a gente fica mais na prateleira. Mas desde então, sinto-me preparado, sem problema nenhum, para aceitar esse desafio se esse for o desejo do grupo.

JLPolítica - O que Belivaldo e o marketing do político Belivaldo terão a dizer aos sergipanos do candidato Belivaldo?
BC –
Olha, fala-se muito em marketing para eleição. Mas o meu marketing é exatamente a minha maneira de ser. Sou o que sou desde o primeiro momento em que entrei no campo político. O marketing de Belivaldo, se é que se pode chamar de marketing, é ser um cara sincero, um cara correto, totalmente aberto ao diálogo – ninguém tem dificuldade para ter acesso a mim. E isso na política é um fator importante.

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"Não tenho nenhum motivo para pensar assim (que seja um traidor de Valadares)" , diz

JLPolítica – O senhor acha isso o suficiente para enfrentar uma campanha e vencê-la?
BC –
Não digo o suficiente, mas o importante. Porque as lideranças políticas sempre se sentem carentes de atenção. É preciso ouvir. É preciso sentar, dialogar, discutir. E quando você sente que é fácil chegar a Belivaldo, sente que pelo menos tem como levar um problema público a ser discutido. Ainda que não se resolva, mas você não vai ter aquela angústia de não conseguir chegar lá. Então, como tenha essa facilidade de dialogar com as pessoas, encaro isso como uma bandeira importante. Além da bandeira da sinceridade, da maneira correta, direta. Comigo é assim: sim-sim, não-não. E a partir daí é agregar com o conhecimento que você tem da administração porque, sem vaidade nenhuma, posso dizer que tenho esse conhecimento pela experiência que adquiri.

JLPolítica - O senhor se acha razoavelmente ou muito bem inserido no contexto dos grotões de Sergipe?
BC -
Com muita sinceridade, acredito que no campo político eu estou muito bem. Me dou bem e me entroso bem com as pessoas. Agora, no que diz respeito a esses grotões, é preciso que a gente apareça mais. Mas isso não é uma preocupação, porque haverá tempo suficiente, se for essa a decisão, para que a gente chegue aos grotões.

SIM-SIM, NÃO-NÃO
“Comigo é assim: sim-sim, não-não. E a partir daí é agregar com o conhecimento que você tem da administração porque, sem vaidade nenhuma, posso dizer que tenho esse conhecimento pela experiência que adquiri”

JLPolítica – Como fazer isso?
BC -
Levado pelas lideranças que compõem nosso agrupamento. A eleição majoritária é totalmente diferente da eleição proporcional: na proporcional, você precisa estar o tempo todo presente para que se torne conhecido bem antes de qualquer campanha. Na majoritária, você acaba sendo levado por aquelas pessoas que confiam e que vão mostrar quem é o candidato majoritário. 

JLPolítica - O grupo e o Governo do qual o senhor faz parte de 2006 para cá teriam musculatura e energia para reeleger mais um, e o quarto, governador sergipano seguido?
BC -
Creio que sim. Até mesmo porque temos o que mostrar. Isso, inclusive, defendendo um governo de continuidade em algumas ações, o que é bem diferente de um governo de continuísmo. Temos ações importantes no campo social, que dão para ser levadas adiante. Temos o que apresentar. Somos um grupo que tem uma forte musculatura e tranquilamente pode sair vitorioso da eleição.

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"Nos cargos em que passei no campo do Executivo, tive a experiência de ser gestor", relembra

JLPolítica - O senhor não receia o efeito fadiga por parte do eleitorado?
BC -
Não. E sabe por que? Porque, em que pese eu estar na política há um bom tempo, não estive na política como a figura principal. Como o líder. Mas sempre no campo de um liderado, respeitando as decisões do grupo. Então, não dá para dizer que cansaram de mim. O grupo também não apresenta fadiga, porque tem tido renovação.

JLPolítica – Como assim?
BC -
Veja que tivemos as eleições de Marcelo Déda e de Jackson Barreto. Tivemos a continuidade das ações e, o mais importante de tudo isso, temos ações a apresentar à sociedade. Portanto, não dá para dizer que esse é um grupo que sofre de fadiga, porque não está circulando naquela história da mesmice.

NOS GROTÕES
“No campo político eu estou muito bem. Me dou bem e me entroso bem com as pessoas. Agora, no que diz respeito aos grotões, é preciso que a gente apareça mais. Mas isso não é uma preocupação, porque haverá tempo suficiente”

JLPolítica – Como o senhor se define como pré-candidato neste contexto da tradição?
BC -
Aliás, se vier a se confirmar, a minha candidatura a governador será uma novidade. E por que digo isso? Eu não tenho tradição política. Não sou de família política. Nunca liderei nenhum agrupamento e, de repente, saio como candidato ao Governo. Isso é fruto também de uma ação própria. Fruto de uma relação de amizade que consegui conquistar e, pela oportunidade que aparece, automaticamente você abraça. Uma eventual candidatura minha não pode ser dita como imposta. Mas sim uma candidatura conquistada. Construída.

JLPolítica – O senhor acha que nome passa confiança à classe política?
BC -
Acredito que sim. E devo dizer que, no momento, infelizmente, a classe política, como um todo, tem sofrido muito por todos esses problemas que estão sendo apresentados. Há um descrédito, uma desconfiança geral nela. Mas eu não tenho sentido nenhum tipo de rejeição a mim, à minha pessoa. Tenho circulado e recebido apoio de pessoas que nunca vi. Isso se dá num supermercado, no shopping, na feira. As pessoas vêm e dizem que confiam em mim. Que gostam do meu jeito de ser. Em entrevistas que concedo, como aconteceu esta semana em Itabaiana, uma ouvinte ligou e disse que gostava da minha maneira de se colocar, que eu falava a linguagem do povo, que discutia assunto sério com simplicidade. Então, acho que passo certa segurança.

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Ao trocar o PSB pelo PMDB de Jackson Barreto, Belivado viu o afeto que o senador Valadares lhe devotava demudar-se num azedo ódio

JLPolítica – O senhor acha que o fato de não “morrer e nem matar” pelo poder lhe favorece?
BC –
Favorece, porque você não deve ter uma candidatura como se fosse a única coisa da vida, a tábua de salvação. Eu enfrentaria um processo de eleição como um desafio muito importante em minha vida. Mas não como a única coisa a ser feita na minha vida.

JLPolítica – O senhor teme que a situação econômica do Estado e do país se agrave mais e complique o processo político-eleitoral?
BC –
Sim. Todos nós temos essa preocupação. Porque a situação político-econômica tem deixado todos nós preocupados. Você não consegue crescer na indústria, no comércio, porque estão todos com medo. Em Sergipe, algumas ações têm acontecido no campo da agricultura, da agropecuária, porque houve chuvas e, com elas, uma boa produção de grãos. Isso acaba elevando um pouco a nossa economia. Mas é preocupante, porque a gente fica procurando um norte. Em Sergipe, temos uma coisa extremamente importante que poderá atrair o progresso, que é a termelétrica. Acho que ano que vem começa a melhorar, mas de forma bem lenta. Ninguém pense que em três ou quatro anos a gente vai ter o que tinha antes.

CONTINUIDADE X CONTINUÍSMO
“Defendendo um governo de continuidade em algumas ações, o que é bem diferente de um governo de continuísmo. Temos ações importantes no campo social, que dão para ser levadas adiante. Somos um grupo que tem uma forte musculatura e tranquilamente pode sair vitorioso da eleição”

JLPolítica – Muitos falam que o projeto de JB em 2018 vai ser salvar-se enquanto candidato a senador. O senhor teme que haja verdade nisso e que a sua eventual candidatura ao Governo possa pagar um preço caro?
BC -
Acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Jackson Barreto tem vida própria. Tem história. O que está acontecendo é que nós, enquanto agrupamento e mais uma parcela da sociedade, sentimos uma necessidade real da continuidade de Jackson na política. A presença de Jackson enquanto senador é de extrema importância. No processo eleitoral, vamos saber unir as forças, quando tiver que unir, e separar quando tiver que separar. Mas acredito que teremos uma campanha bem unida, bem coesa no que diz respeito às candidaturas de governador e de senador. Não apenas e especificamente a de Jackson, mas de toda a chapa, já que são dois candidatos a senador e nós não vamos priorizar um em detrimento do outro.

JLPolítica – Então não há receio com relação a isso?
BC –
Não. Não existe isso. Você vai encontrar aqui e acolá, e é natural, alguém que vote em Jackson e não vote com Belivaldo, até mesmo porque são duas vagas. Ou seja, pode haver situações em que um prefeito da oposição, reconhecendo o trabalho de Jackson e considerando que são duas vagas de senador, vote nele. Mas no nosso agrupamento, eu tenho certeza de que isso não existe.

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Mas o mais inusitado na autoestima política de Belivaldo Chagas vem do fato de ele não achar que haja fadiga dos sergipanos em torno do projeto do seu grupo

JLPolítica – O senhor acredita na possibilidade de os governistas elegerem dois senadores de um mesmo lado, como aconteceu em 1994, com Valadares e Zé Eduardo Dutra, e em 2010, novamente com Valadares e Eduardo Amorim?
BC -
Acho isso possível. Basta que tenhamos a convicção, a consciência, a humildade de trabalhar em conjunto. Se o grupo sair unido, é mais do que possível. Porque, repito, temos muito mais musculatura do que o bloco de oposição.

JLPolítica - Quem é o segundo candidato que o senhor vê com perspectiva de amalgamar essa possibilidade?
BC -
Nós ainda não temos esse nome definido. Até mesmo porque eu estaria falando por outras pessoas. Há nomes que são colocados como possíveis candidatos, como os do pastor Heleno, Rogério Carvalho, Fábio Mitidieri – embora Fábio já tenha dito que não seria candidato ao Senado se Jackson fosse. Então, é uma coisa que vamos definir lá na frente. Porque é dado o direito a qualquer um componente do nosso agrupamento ser candidato a governador ou a senador.

DA TRADIÇÃO POLÍTICA
“Eu não tenho tradição política. Não sou de família política. Nunca liderei nenhum agrupamento e, de repente, saio como candidato ao Governo. Isso é fruto também de uma ação própria”

JLPolítica – A sua experiência de deputado estadual e quatro mandatos, de vice duas vezes e de secretário de Estado da Educação e da Casa Civil têm que serventia numa campanha de governador e num eventual Governo?
BC –
Tem a total e absoluta. Nos cargos em que passei no campo do Executivo, tive a experiência de ser gestor. Ainda cedo, fui coordenador-Geral do Projeto Nordeste em Sergipe - um projeto de US$ 30 milhões. E fomos contemplados com uma medalha da Confederação Nacional da Agricultura como sendo o melhor projeto Nordeste em atuação. Então já comecei a adquirir experiência ali. E minha passagem pela Assembleia fez com que eu me tornasse um cara mais atencioso, mais maleável e palatável no campo político. Eu aprendi a conviver com o contraditório.

JLPolítica - Que tipo de Governo o senhor se imagina executando entre 2019 e 2022?
BC -
Falaria aqui só em dois aspectos: o primeiro, no campo social, onde precisamos avançar para recuperar o tempo perdido. E quando falo em social, estou me referindo a um social abrangente, que se preocupa com a educação, até pela experiência como secretário da área, na qual, se não fiz tudo que gostaria, pelo menos sei o que é preciso e o que pode se fazer. E o segundo seria o campo da geração de empregos, principalmente com relação à descentralização de indústrias, que hoje estão localizadas no eixo Grande Aracaju-Estância. A gente precisa criar polos de indústrias nas diversas regiões. Sem falar no tripé social-educação-segurança, que é universal e não tem o que se discutir.

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"Nós não nos escondemos quando Lula esteve em Sergipe pela história de Jackson", esclarece

JLPolítica – O senhor é o tipo de homem público que acha que o planejamento aplicado hoje Sergipe é o suficiente, se basta?
BC -
Olhe, temos um planejamento, mas estamos revendo sempre, porque dependemos do que acontece lá fora. Você planeja uma coisa, aí vem a conjuntura atual: crise política, crise financeira, e você vai fazer o que? Como atrair indústrias num momento como esse, do qual acabei de falar? Então, na verdade, você planeja, mas nem sempre consegue executar. Mas tem que se pensar no que se tem hoje e num cenário para os próximos 10 anos, que é quando a economia voltará a crescer em índices próximos aos que tínhamos até 2012. Antes disso, não vai acontecer.

JLPolítica – Qual é o espaço que o PT deve ter numa coalização que traga seu nome como eventual candidato ao Governo?
BC –
O espaço que é próprio de qualquer segmento que faça parte de uma composição política. O PT já tem um espaço no Estado no que diz respeito ao campo administrativo. O PT já manifestou interesse de, na composição, sair com candidato majoritário - ou ao Senado ou ao Governo. E isso vai ser discutido. Então, não podemos negar que temos um excelente relacionamento com todos que fazem o PT em Sergipe e que, portanto, ele faz parte do nosso grupo.

NENHUM TIPO DE REJEIÇÃO
“Não tenho sentido nenhum tipo de rejeição a mim, à minha pessoa. Tenho circulado e recebido apoio de pessoas que nunca vi. Isso se dá num supermercado, no shopping, na feira. As pessoas vêm e dizem que confiam em mim”

JLPolítica - É óbvio achar que o bloco dos senhores marcharia com uma candidatura de Lula a presidente?  
BC -
Não há nenhuma dificuldade em relação a isso. Mas é claro que a gente fica discutindo o cenário de hoje e o de amanhã, quando a gente não sabe o que vai acontecer. Mas nós não nos escondemos quando Lula esteve em Sergipe pela história de Jackson, o que em nenhum momento significou dizer que aquilo gerou um compromisso, uma amarração de apoio para uma eventual eleição. A interrogação continua na cabeça de todos nós. Lula será candidato ou não? Vamos ver o que vai acontecer daqui para lá.

JLPolítica – O senhor sente-se desconfortável frente a um eventual corpo mole do prefeito Edvaldo Nogueira perante uma também eventual candidatura sua?
BC -
Muito pelo contrário. Primeiro, não podemos falar em corpo mole agora, porque não começamos a campanha. E, depois, tenho, pessoalmente, uma relação muito boa com Edvaldo Nogueira. Ainda que de forma extremamente rápida, em algumas vezes nos últimos 30 dias, em encontros e solenidades, conversamos sobre política e sobre a necessidade de sentar para conversar. E se há uma pessoa de que tenho a certeza de que se eu for candidato terei o apoio, essa pessoa é Edvaldo Nogueira. E um apoio efetivo. De ir para rua. De defender a bandeira da minha candidatura, como eu fui para defender a bandeira da dele ao passado. Aliás, só para relaxar: tenho até foto segurando a bandeira dele (risos).

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Com Priscila, a filha primogênita e o filho Guilherme

JLPolítica - O senhor acha que deu um bom passo ao filiar-se ao PMDB?
BC -
Sim. Porque, veja, o que significa? O ideal é que a população votasse nos candidatos conhecendo a ideologia partidária de cada um. Nós estamos vivendo um momento em que se vota nas pessoas. Então o PMDB, e qualquer partido, é o instrumento legal para que você seja candidato. Não me sinto desconfortável, porque temos, no PMDB, um partido grande que nasceu a partir do MDB, figuras que têm história, como Jackson Barreto. O meu PMDB é o PMDB, mais conhecido como MDB, de Jackson Barreto.

JLPolítica - Se André Moura filiar-se ao PMDB, traz que implicações?  
BC -
Primeiro, não vejo em hipótese alguma esta possibilidade de André se filiar ao PMDB, porque não sei que vantagem ele teria. Vejo em André Moura um político que hoje tem certa atuação por causa do cargo que ocupa, mas que acho que ficaria perdido a partir do momento que se filiasse ao PMDB, por ter que dividir espaço com os grandes figurões dessa sigla. Talvez onde ele se encontra hoje tenha condições de montar um bloco e operar melhor. Mas se ele vier, é preciso que a gente analise: vem para que? Para ser filiado ou para comandar? Se fosse para comandar, seria quase uma intervenção, porque seria tomar o partido. A verdade é: em nenhum momento paramos para discutir filiação ou não de André Moura ao PMDB. É um assunto que está fora da nossa pauta.

ESPAÇO DO PT
“O PT já tem um espaço no Estado no que diz respeito ao campo administrativo. O PT já manifestou interesse de, na composição, sair com candidato majoritário - ou ao Senado ou ao Governo. E isso vai ser discutido”

JLPolítica – Se pudesse escolher opositor, o senhor optaria por quem entre os senadores Valadares e Eduardo Amorim como candidatos?
BC -
Tanto faz. Conheço os dois. Muito mais o Valadares, claro. Para mim, são dois nomes de respeito. Duas pessoas que a gente tem obrigação de respeitar. Mas que eu não teria problema nenhum em enfrenta-los. E acrescentaria ai até o nome de André Moura. Conhecemos a maneira de ser e de agir de todos eles, portanto não tenho problema com nenhum.

JLPolítica - A experiência e a tradição de Valadares lhe provocam alguma desvantagem ou inibição numa eventual campanha?
BC –
Não. Pelo contrário. Acho que até me dá mais vantagem, porque eu conheço a maneira dele de ser e de agir, o que me facilita.

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"Se há uma pessoa de que tenho a certeza de que se eu for candidato terei o apoio, essa pessoa é Edvaldo Nogueira", aposta

JLPolítica – O senhor se sente um traidor da confiança do ex-aliado Antônio Carlos Valadares? 
BC -
Não. Não tenho nenhum motivo para pensar assim. Até mesmo porque eu estou onde ele me colocou. Quem saiu do agrupamento foi ele. Se fosse para falar algo, eu diria que foi ele que me abandonou e não eu a ele. Porque estou onde ele me colocou. Me sinto confortabilíssimo onde estou. Não sei se ele se sente confortável onde está.

JLPolítica - As reações que Valadares tem à sua pessoa eventualmente lhe magoam?
BC –
Num primeiro momento, confesso que fiquei chateado. Mas depois relaxei. Como hoje me sinto livre, leve e solto, eu simplesmente olho e deleto aquilo que ele andou escrevendo sobre a minha pessoa.

FILIAÇÃO DE ANDRÉ AO PMDB
“A verdade é: em nenhum momento paramos para discutir filiação ou não de André Moura ao PMDB. É um assunto que está fora da nossa pauta. Se fosse para comandar, seria quase uma intervenção, porque seria tomar o partido”

JLPolítica – O senhor desconhece as virtudes que viu em Vavazão durante 30 anos de convivência? 
BC -
Não desconheço. Talvez ele tenha desconhecido as minhas virtudes quando, e isso deixo no campo da política simão-diense, tuitou que eu não passava de um covarde, um traidor e um oportunista. Então eu desconheço esse Valadares quando ele usa esse tipo de palavreado a meu respeito. Porque entendo política como uma ação de mão dupla: se ele foi bom pra mim, também fui bom pra ele.

JLPolítica – O que o senhor apontaria de ruim e de não referendável na figura de Valadares?
BC –
Talvez, não antes, mas agora, essa maneira explosiva de ser dele. Quando mais novo, Valadares foi mais comedido. Pensou mais antes de agir. Agora, quando ele deveria estar mais comedido, parece que ficou mais assanhado, no sentido de usar palavras de forma intempestiva. Ele é muito inteligente, e sei que algumas ações dele nesse campo são mesmo para provocar. Para que ele esteja sempre na mídia. Ele provoca, por exemplo, o governador, que não é homem de levar nada para casa, e quando ele faz isso, se mantém na mídia e busca o objetivo, que é o de ser candidato a senador.

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"Me sinto confortabilíssimo onde estou. Não sei se ele se sente confortável onde está”, diz sobre Valadares

DA INTEMPESTIVIDADE DE VALADARES
“Quando mais novo, Valadares foi mais comedido. Pensou mais antes de agir. Agora, quando ele deveria estar mais comedido, parece que ficou mais assanhado, no sentido de usar palavras de forma intempestiva”

JLPolítica – A partir de quando o senhor acha que as pesquisas terão importância e deverão ser levadas a sério neste processo?
BC -
Para mim, já estão tendo importância. Porque digo isso? Em 1986, na eleição de Valadares e José Carlos Teixeira, Valadares saiu com 7% e virou governador. Como eu estou abaixo dois dígitos, já me dá esperança também. Na eleição de Marcelo Déda para prefeito de Aracaju, em 2000, ele começou lá embaixo e acabou ganhando. Mais recentemente, tivemos a eleição do próprio Jackson Barreto, que começou nas pesquisas com 8%, 9%, 13%, e ganhou em primeiro turno. Além da de Valadares Filho, na qual ele teve no segundo turno 19% de frente e perdeu a eleição. Então dou importância à pesquisa como estou dizendo, porque, se for para analisar, em nenhum momento me coloquei como candidato. Uma eleição minha é, inclusive, uma vantagem muito grande para o agrupamento, porque se assumo e ganho já terei ido para a reeleição. Portanto, em quatro anos já tem espaço para meio mundo de gente.

JLPolítica – O senhor está preparado para ter um olho no Governo e outro na eleição?
BC –
Sim. Até mesmo porque ninguém governa sozinho. E sim em equipe. 

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A mãe, Dona Belizana Chagas, aos 77 anos, anotou os adjetivos traidor, covarde, ingrato e oportunista e determinou a ele que colocasse a anotação no caixão dela quando morrer