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Entrevista

Jozailto Lima

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Belivaldo Chagas: “Nosso planejamento pensa Sergipe para até 2055”

“Em hipótese alguma se fecha 2019 sem déficit no caixa do Estado”
29 de junho - 20h00 


O governador Belivaldo Chagas, PSD, encerra neste domingo, 30 de junho, seus primeiros seis meses de gestão à frente de um Sergipe conflagrado por extremas dificuldades financeiras e fiscais - isso de um Governo para o qual fora eleito, porque de abril a dezembro do ano passado ele foi governador de por receber de espólio o mandato deixado por Jackson Barreto.

Dificuldades que estão expostas no osso das realidades do dia a dia do Estado e do país, e que nem carecem que o próprio Belivaldo - com perdão do trocadilho - exiba as suas chagas. Todos conhecem-nas.

Para começo de conversa, Belivaldo Chagas está em julho, mas já garante uma complexidade clara para dezembro. “Em hipótese alguma se fecha 2019 sem déficit no caixa do Estado”, avisa ele. Para isso, pondera: “Na pior das hipóteses, eu precisaria ter aí recursos extras da ordem de, pelo menos, R$ 500 milhões”. Uma quimera.

Mas que ninguém espere encontrar um Belivaldo Chagas macambúzio, deprimido, alquebrado e com uma visão de gestor cabisbaixo. Ao contrário. O déficit financeiro de que fala encontra nele uma espécie superávit de esperança. Não larga o osso das probabilidades de encontrar uma saída.

“Faço um balanço extremamente positivo, até mesmo porque nós estabelecemos como meta para 2019 pensar o Estado. Conhecer o Estado da forma mais profunda possível”, diz ele, sopesando os rescaldos do primeiro semestre deste ano.

E aqui, Belivaldo Chagas se debruça sobre duas realidades que, acredita, são positivas e promissoras para Sergipe e que lhe embalam os sonhos. A primeira: o planejamento estratégico para o futuro de Sergipe que ele elabora com rigor e pressa.

A segunda: as coincidências positivas do presente no setor de energia que pipocaram agora, com a disposição da Petrobras de investir no gás na bacia de Sergipe e com a proposta de um parque de energia solar dos chineses em Canindé.

A tudo isso, ele soma a termelétrica da Celse - Centrais Elétricas de Sergipe -, um investimento de R$ 6 bilhões e que está sendo concluído na Barra. Todas essas convergências, assegura o governador, são plausíveis, e nada vai minguar. “Não fará água. Isso é mais do que real. É real a termoelétrica. Estará funcionando a partir de janeiro do próximo ano”, diz ele.

“A realidade do gás hoje é nacional e mundial. O mundo busca energias alternativas, energias limpas, energias baratas. Então você não pode deixar de levar em consideração hoje a necessidade de crescer na área do gás e na da energia solar, que pode se tornar uma realidade também. Tudo está convergindo num conjunto. Não numa ação própria e exclusivista de Sergipe”, projeta o governador.

“O Governo Federal, dentro das suas pesquisas, descobriu que Sergipe tem gás para vários anos, e o mundo do gás hoje é sedutor. Os empreendedores e os investidores já estão com os olhos voltados para Sergipe. Só diria que não dá é pra se pensar que com essa descoberta, daqui a seis meses sejam atendidas todas as carências do Estado”, pondera ele.

Para além do presente, que recai automaticamente sobre os ombros do Estado com essas novidades energéticas, Belivaldo Chagas diz que seu Governo está apertando firme os comandos de um planejamento estratégico que vislumbra e compulsa o desenvolvimento sustentável de Sergipe.

E aqui Belivaldo surpreende com um dado novo. “O Pensar Sergipe vai até 2055. Portanto, é uma balela dizer que nosso plano se limita a 2022. Esse será o nosso projeto”, diz ele, negando os boatos de que o plano pensaria somente até ano em que fecharia o Governo sob a responsabilidade dele.

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Com presidente Jair Bolsonaro. Foi recebido junto com o deputado federal Fábio Reis, MDB-SE
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Dona Belisana, a mãe, de sangue no olho, enfrenta qualquer um para defender a figura do filho. E ele se diverte

JLPolítica - Qual é o balanço que o senhor faz dos seis primeiros meses do Governo?
Belivaldo Chagas -
Faço um balanço extremamente positivo, até mesmo porque nós estabelecemos como meta para 2019 pensar o Estado. Conhecer o Estado da forma mais profunda possível. Em que pese a insistência geral de que “ah, Belivaldo já havia sido vice-governador, passara pelo governo, fora secretário”. Certo: não esqueçamos esse período. Não posso me desvincular dele como um todo, porque isso me ajudou a conhecer o funcionamento da máquina do Estado. Isso dá, sim, mais um plus à nossa gestão, porque o que eu já conheço ajudou a identificar problemas antes, e eu tenho mais facilidade para corrigi-los agora.

JLPolítica -A partir dessa plataforma, o que seu Governo concebe?
BC -
Portanto, o que a gente pensou? Num Sergipe em 2019 dentro de um planejamento estratégico. Mas um planejamento estratégico que estamos fazendo com uma discussão profunda. Com o governador discutindo especificamente sempre com determinadas áreas - não serei um governador a receber pronto um relatório de planejamento estratégico do Estado e a subscrevê-lo. Isso não é de mim. Feito tudo isso, o que a gente vai ter de pronto? Para o Sergipe de 2019, de 2020, o que é que eu vou poder fazer? O que é que eu vou poder iniciar enquanto governador? Eu não vou estar governador para os próximos 30 anos. Mas, partindo disso, a gente também vai estar pensando e já estamos trabalhando nesse projeto um Sergipe para até o ano 2055.

JLPolítica - O senhor quer dizer que acompanha de perto essas escalas, o planejamento de cada setor, de cada segmento dos vários setores do Governo? 
BC -
Claro. Nós tivemos um primeiro momento com todos os setores da administração reunidos. A partir daí, o pessoal sentou com a equipe técnica, colocou no papel todas as metas, as estratégias, os indicadores, o que se pretende fazer para 2019, 2020, 2021 e 2022 dentro das ações deste Governo em curso. O que pretendo fazer em termos de modernização administrativa? Eu quero atingir a 100% da modernização máquina, a digitalização dentro do período de quatro anos - que provisoriamente estamos chamando de Governo Direto, uma via expressa e por meio digital entre o cidadão sergipano e seu Governo. Então, estabeleço uma meta x para 2019, uma y para 2020, e por aí vai. Nesse caso em especial, não vou pensar em 2026. Vou pensar em meu governo, como o quero entregá-lo em 2023.

JLPolítica - Não precisa, no presente contínuo, pensar no 2026.
BC -
Não vou pensar em 2026. Tenho que pensar em meu Governo, como quero entregar. Só um dia desta semana eu sentei, discutindo com toda a equipe da Secretaria da Fazenda, com a Procuradoria Geral do Estado, com a Secretaria da Administração, com a Secretaria de Transparência e Controle, com a Agência Reguladora dos Serviços Públicos, discutindo a parte financeira e a parte orçamentária.

JLPolítica - Quando é que sai esse resultado do planejamento estratégico do Estado?
BC -
Ontem mesmo (a entrevista foi na sexta, 28) trabalhamos sobre esse assunto, e a ideia é a de que até o final de julho, no máximo até a primeira quinzena de agosto de 2019, tenhamos todo esse planejamento estratégico disposto, porque paralelo a ele nós já trabalhamos na Superintendência de Planejamento, que hoje está diretamente ligada ao gabinete do governador, à Secretaria Geral do Governo, o nosso banco de projetos, nosso banco de programas. Estaremos lançando nos próximos dias também o nosso portfólio de possíveis PPPs, e para tanto estaremos criando a Superintendência de Parcerias Público-Privadas, e teremos à frente o Oliveira Júnior como superintendente. Então a gente vai estar com o nosso portfólio mostrando o que pretendemos, e claro, receberemos também sugestões para as nossas PPPs.

O QUE RESTOU DOS SEIS PRIMEIROS MESES
“Faço um balanço extremamente positivo, até mesmo porque nós estabelecemos como meta para 2019 pensar o Estado. Conhecer o Estado da forma mais profunda possível”

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Com a filha caçula Maria Clara

JLPolítica - Procedem as informações de que o senhor delimitou este Pensar Sergipe só até o ano de 2022?
BC -
Não. Muito pelo contrário. O Pensar Sergipe vai até 2055, conhecido como os 200 anos da capital. Esse será o nosso projeto. Veja: por que isso? Porque uma coisa as pessoas insistem em não querer entender. Uma coisa é o planejamento estratégico para até 2022, que é o período que vou estar governador. Então o que eu coloco? Eu pretendo para agora até o 2022, que é factível nas atividades sob o nosso governo. Agora, no Pensar Sergipe, nós vamos estar fazendo até 2055. Portanto, é uma balela dizer que nosso plano se limita a 2022.

JLPolítica - O senhor está superando o Ceará, que pensou até 2050.
BC -
Não custa nada botar mais cinco anos na frente.

JLPolítica - O senhor prometeu no começo do ano, antes de tomar posse, que pensava em fundir a Emsetur e a Secretaria de Turismo. Essa intenção foi apagada?
BC -
Não. Nós estamos prestes a entrar nesse segundo momento, discutindo o que fazer com a Emsetur e a Setur. Eu acho que agora chegou mais do que o momento de colocar a Emsetur, eu diria assim, em fase de hibernação e termos uma Secretaria do Turismo ou uma Superintendência voltada à parte operacional.

JLPolítica - Que incorporasse o passivo da Emsetur?
BC -
Exatamente. Por quê? Porque a Emsetur tem esse passivo que é extremamente problemático. Eu quero iniciar agosto sem esse modelo de Secretaria mais Emsetur. A ideia é esta. Assim como nós vamos rediscutir, sim, a questão do que é a Emgetis hoje. Eu vou precisar de uma Emgetis que trabalhe no mundo da tecnologia. Bom: qual o modelo que está sendo implantado hoje? O que a Emgetis está oferecendo, de que forma pode ampliar? É para ficar nesse modelo, ou de repente pode deixai de existir enquanto Emgetis? Isso está em estudo. Ou que a gente tenha uma Superintendência que, aliás, já existe, voltada para essa área de tecnologia, na própria Secretaria da Administração. Estamos trabalhando nesse sentido, mas a tendência é a de que até o final do ano a gente diminua alguns órgãos da administração indireta. Você pode colocar aí: o Governo é dividido em administração direta e indireta, mas o maior custo hoje vem da máquina da administração indireta. É um custeio alto, pesado e que precisa sair do peso do Governo.

JLPolítica - Há uma anomalia nisso.
BC -
Há sim, grande. E nós estamos trabalhando para corrigi-la. O que quero colocar é que ninguém pense que eu estou parado nesse período. A gente vai a Brasília em busca de liberação de recursos, mas o meu dia a dia aqui tem sido de despacho constante com os secretários. Até atendo no campo político também, a prefeitos, deputados, enfim, mas 90% do meu tempo é voltado para a área de gestão, de planejamento. Pensando exatamente num Sergipe para até 2055.

DA EXTENSÃO DESSE PENSAR SERGIPE
“O Pensar Sergipe vai até 2055. Esse será o nosso projeto. Portanto, é uma balela dizer que nossos plano se limita a 2022”

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Numa rara manifestação sobre sucessão de 2020: não tem dúvidas de que apoiará Edvaldo Nogueira, se ele for à reeleição de prefeito de Aracaju

JLPolítica - Há indicativos que apontem para o fechamento do ano de 2019 sem déficit no caixa do Estado?
Belivaldo -
Não. Isso, em hipótese alguma. O déficit não é indicativo relativo. Essa história de indicativo só se acontecer um milagre. O que eu chamo de milagre? O que está posto pelo Governo Federal como bônus de assinatura, sessão onerosa, fundo social, securitização, Plano Mansueto, possibilidade de liberação de recursos da Lei Kandir, Facs. Enfim, num cenário positivo desses, eu poderia ter aí R$ 500 milhões, R$ 600 milhões, R$ 800 milhões, ou até R$ 1 bilhão. Mas não sabemos. Se acontecer isso, claro, eu poderia zerar o déficit. Mas eu não posso garantir. Nós estamos dependendo do Governo Federal.

JLPolítica - Qual seria a sua demanda hoje de recursos para chegar até o final do ano com um risinho menos pálido?
BC -
Na pior das hipóteses, eu precisaria ter aí recursos extras da ordem de, pelo menos, R$ 500 milhões.

JLPolítica - Tem causado desconforto em gente um pouco mais cética essa convergência de eventos positivos para Sergipe, como os da Celse, da Petrobras e do Parque de Energia Solar dos chineses em Canindé. Isso tudo é coisa real ou pode fazer água, minguar?
BC -
Não fará água. Isso é mais do que real. É real a termoelétrica. Estará funcionando a partir de janeiro do próximo ano. O Governo Federal, dentro das suas pesquisas, descobriu que Sergipe tem gás para vários anos, e o mundo do gás hoje é sedutor. Os empreendedores e os investidores já estão com os olhos voltados para Sergipe. É só destacar que nós teremos agora nos dias 4 e 5 de julho um evento voltado para o gás, um seminário que só vai acontecer em Sergipe, onde a gente teve uma previsão de 200 pessoas inscritas, mas nós já temos mais de 400 procurando meios de fazer inscrição para participar.

JLPolítica - Isso revela o peso da área?
BC -
Eu a vejo como uma realidade para os próximos anos. Nesse evento, deveremos contar com figuras extremamente importantes do mundo do gás, a exemplo do próprio ministro de Minas e Energia, Bento Costa Lima Leite, que já confirmou a presença aqui.

JLPolítica - O que é que o senhor diria aos céticos dessa nova realidade?
BC -
Só diria que não dá é pra se pensar que com essa descoberta, daqui a seis meses sejam atendidas todas as carências do Estado. Teremos investimentos. A Petrobras, que está quebrando o monopólio do gás, vai fazer com que, a partir de uma nova regulamentação, surjam um novo horizonte, um novo marco regulatório. Portanto, que a gente tenha realmente um crescimento nessa área em Sergipe.

MEXIDA, ENFIM, NA ESTRUTURA DO TURISMO
“Acho que chegou mais do que o momento de colocar a Emsetur, eu diria assim, em fase de hibernação e termos uma Secretaria do Turismo”

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Com o amigo deputado Luciano Pimentel: reatamento político num momento em que o Estado entra num foco de novas energia, pauta do parlamentar desde 2015

JLPolítica - O senhor não vê nenhuma simetria entre essas ocorrências de agora e aquela da refinaria que foi prometida lá em 2012, 2014? Aquele polo hoteleiro que João Alves prometeu pro litoral sul e o polo cloroquímico da Barra, que terminou dando em nada?
BC -
Não vejo. E por que? O que aconteceu? Ali a gente pode identificar como um fato isolado por parte do governo no caso do pensamento da refinaria. A realidade do gás hoje é nacional e mundial. O mundo busca energias alternativas, energias limpas, energias baratas. Então você não pode deixar de levar em consideração hoje a necessidade de crescer na área do gás e na da energia solar, que pode se tornar uma realidade também. Tudo está convergindo num conjunto. Não numa ação própria e exclusivista de Sergipe.

JLPolítica - Mas Sergipe está se planejando para construir um horizonte paralelo a tudo isso? Ou seja, gerar indústrias, serviços e empregos a partir dessa nova matriz energética?
BC -
Nós já estamos trabalhando dentro de uma área que será o nosso polo portuário aqui em Sergipe, na Barra. A partir do Porto Ignácio Barbosa, com a possibilidade de ampliação do Porto, com a possibilidade de várias empresas se instalarem ali naquela região. Nós teremos ali um polo voltado para a cadeia produtiva do gás e, portanto, para a cadeia produtiva de energia como um todo.

JLPolítica - É nesse contexto que entra aquela suposta possível fábrica de caminhões que o senhor anunciou na semana passada?
BC -
Veja: o que está posto com o advento do gás é a possibilidade real de nos tornarmos a estrela do gás do Brasil, por causa da termoelétrica, por causa dessas descobertas que tivemos na Petrobras. A presença da Celse hoje e todo o seu conglomerado - a Golar Power, a Exxon - enfim, já estão dentro de um projeto que vai acontecer com a distribuição de postos de gás no Estado de Sergipe. Nós deveremos ter pontos de distribuição de gás em Itabaiana, Lagarto, Glória, Propriá e Simão Dias. Para isso, você vai ter um Centro de Distribuição de Gás que vai levar o gás daquela região, e daí para o gasoduto você distribui como um todo.

JLPolítica - Mas onde entram os caminhões?
BC -
É já projeto da Celse trazer para o Brasil, especificamente para a nossa região, em torno de mil caminhões movidos à gás. Da China, prontos, já montados. Com isso, a gente vai trabalhar, e a Celse vai nos ajudar com a possibilidade de o Brasil receber uma montadora desses caminhões. Quando a gente fala Brasil, a gente puxa para o Nordeste. Quando a gente puxa para o Nordeste, aí se eu puder puxar para Sergipe nós vamos fazê-lo. Isso será uma realidade. Quero dizer que esses postos de abastecimento de que falei há pouco não ficarão apenas localizados em Sergipe, mas vão até Petrolina, Pernambuco, e, possivelmente, até o Piauí. A capacidade de autonomia de um caminhão desses é em torno de mil a 1.100 quilômetros. Então se você tem um posto em Itabaiana e tem um posto em Petrolina, você sai daqui, vai para Petrolina e volta.

JLPolítica - A BR-235 faria parte dessa cadeia.
BC -
Com a BR-235 toda hoje recuperada, e com a possibilidade inclusive de ser privatizada no futuro, esse elo que você traz hoje para o Porto de Sergipe vai fazer com que a gente tenha também um grande escoamento de produção. Veja: há uma possibilidade de que, se não nesse ano, mas no início do próximo, a gente vá à China para conhecer essa montadora de que falei. A Celse está tratando disso. Assim como os governadores do Nordeste em conjunto estão trabalhando uma agenda para a China e também para a Alemanha, governadores já estão com projetos adiantados e eu especificamente tenho trabalhado, nessa conversa que temos tido com a Celse, com essa possibilidade de buscarmos a montadora para Sergipe. E se não o for, que seja para o Nordeste. Se teremos uma montadora, se teremos o caminhão a gás, automaticamente se vai ter um mercado aberto aí para o gás.

NADA DE SUPERAÇÃO DE DÉFICIT PÚBLICO EM 2019
“Na pior das hipóteses, eu precisaria ter aí recursos extras da ordem de, pelo menos, R$ 500 milhões. O déficit não é indicativo relativo”

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Com o ministro Dias Toffoli, presidente do STF

JLPolítica - A expertise do Governo de Sergipe está sendo parceira e solidária com a Celse e as suas necessidades?
BC -
Sim, sem nenhum problema. Abertura total e absoluta. Onde a gente detecta qualquer probleminha, a gente de imediato vai lá e apaga esse fogo, já que o assunto é energia à gás.

JLPolítica - O senhor conseguiu botar no mercado as ações preferenciais do Banese para fazer caixa e ajudar ao tesouro estadual?
BC -
Está em processo bastante avançado. Trata-se de um processo complexo, que envolve todo um estudo. Consultorias já foram contratadas, relatórios já estão sendo produzidos. A expectativa é a de que efetivamente a gente tenha isso até abril do próximo ano. Não é do dia para a noite que se consegue lançar no mercado ações de um banco.

JLPolítica - O senhor espera capturar quanto com isso?
BC -
A expectativa nossa é que a gente consiga captar aí pelo menos entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões.

JLPolítica - Em que pé está a disposição do Estado para terceirizar os serviços da Deso?
BC -
Não discuto terceirização de serviços da Deso. Não estou discutindo privatização da Deso. Não estou discutindo nada da Deso que não seja a modernização da empresa e a busca da sua eficiência. Nós estamos fazendo isso com reuniões constantes. Há a perspectiva de que agora no início do segundo semestre a gente aplique um PDV - Programa de Desligamento Voluntário - para a Deso, porque nós temos um quadro de servidores antigo. Temos aposentados que precisam dar espaço aos mais novos. Estamos buscando uma linha de crédito para dar cobertura a esse PDV. Com isso, poderemos tirar da Deso pelo menos 100 servidores.

JLPolítica - Qual é, para o senhor, o significado da Deso na estrutura dos serviços prestados pelo Estado de Sergipe?
BC -
É um conceito positivo e importante, desde que ela se modernize. Por que privatizar é possível? É. Mas repito: não estou tratando disso. Acho que ela pode se tornar uma empresa viável, considerando o tamanho do nosso Estado, mas desde que procure agir de forma mais eficiente, principalmente nos municípios em que a Deso tem retorno financeiro. Porque a empresa chega, com água ou com esgotamento sanitário, a vários municípios e a taxa que se cobra não é suficiente para despesa que se tem ofertando aquele serviço. Mas o município maior, que é Aracaju, obviamente dá essa cobertura.

NOVA FASE DE INVESTIMENTOS NÃO MINGUARÁ
“Não fará água. Isso é mais do que real. É real a termoelétrica. Estará funcionando a partir de janeiro do próximo ano. O mundo do gás hoje é sedutor”

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Diz que Marival Santana e ele, se tiverem juízo, devem marchar juntos na sucessão de Simão Dias, em 2020

JLPolítica - Essa modernização passa pela redução dos desperdícios?
BC -
Sim. São 48% de desperdício, e é preciso reduzir isso pelo menos para 30%, e já estamos trabalhando nisso.

JLPolítica - Qual é o ideal?
BC -
Hoje é a metade disso. Num primeiro momento, uns 25%.

JLPolítica - O Estado dá por perdida a guerra para receber recursos devidos pela Petrobras à Sergas?
BC -
Não, de maneira alguma. Vamos continuar lutando na justiça. É porque esse tipo de demanda judicial é extremante demorado.

JLPolítica - De quanto seria esse débito hoje?
BC -
São vários números que são colocados aí: há quem fale em R$ 1 bilhão. Há quem diga que são R$ 200 milhões. Eu sei que há um débito, e o Estado vai buscar o que lhe é de direito.

JLPolítica - O senhor conta com esse dinheiro para incorporar essas perspectivas do Estado?
BC -
Não posso deixar de lutar. Ainda que não consiga no meu governo, queira deixar o mais próximo para ser pago ao Estado e que possa fazer investimento. Se eu puder conseguir ainda no meu governo, eu vou.

SERGIPE NO CONTEXTO UNIVERSAL DO GÁS
“A realidade do gás hoje é nacional e mundial. O mundo busca energias alternativas, limpas e baratas. Não é uma ação própria e exclusivista de Sergipe”

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A seu lado, o governador da Bahia, Rui Costa. Ao centro, o vice-presidente da Republica, Hamilton Mourão

JLPolítica - Qual é o seu conceito para a política de preços do gás praticada pela Sergas?
BC -
Hoje, é um conceito que, infelizmente, está sendo colocada em prática no Brasil como um todo: uma política do gás muito caro. Então, a minha opinião hoje é a de que a gente barateie o preço do gás para trazer mais investimentos para Sergipe.

JLPolítica - As obras de duplicação da adutora Piauitinga iniciam mesmo no ano que vem?
BC -
Estive reunido na semana passada, com ministro Gustavo Canuto, do Ministério do Desenvolvimento Regional. Antes estive também com ele e com o presidente Jair Bolsonaro. Ouvi de ambos que isso seria resolvido. Nessa visita que fiz semana passada, na companhia do deputado Fábio Reis, tivemos a garantia de que no máximo em 15 dias a Autorização de Início de Obras - AIO - será liberada para que a gente efetivamente comece essa obra que é tão importante para região e deverá atender entre 180 e 200 mil pessoas.

JLPolítica - Ela custará quanto?
BC -
Em torno de R$ 85 milhões.

JLPolítica - O senhor faz uma mea culpa pelo fato de Sergipe ter uma boa legislação de PPPs e ser tão atrasado na materialização dela?
BC -
Sim. Acho que todos temos que fazer essa mea culpa. Sergipe começou a discutir a sua legislação de PPP há 10 anos, quando o Estado do Piauí também iniciou. Nós temos boa legislação e zero de realização. Enquanto isso, o Estado do Piauí tem hoje 33 obras em PPPs, nas mais diversas áreas. Hoje nós temos PPPs acontecendo no Brasil até para a construção de escolas, para a construção e manutenção de rodovias. Como é que se faz uma PPP para uma escola, por exemplo? Você busca uma parceria para que a empresa construa escola e o Estado a alugue. Como hoje a Caixa Econômica faz: ela não constrói mais prédios. Ela os aluga. Se você não tem recursos para construir aquela escola, busca-se alguém que possa fazê-lo e, inclusive, fazer também a manutenção.

JLPolítica - Mas o que o seu Governo fará para recuperar o tempo perdido nesse sentido?
BC -
Como disse há pouco, já estamos criando, partir de agora, uma Superintendência voltada única e exclusivamente para as PPPs, com um portfólio específico mostrando o que queremos o que estamos buscando. O que me interessa muito, por exemplo, é uma PPP para a construção de um novo Ceasa aqui em Aracaju. Eu mandei fazer avaliação da área do Ceasa hoje, nua, sem as benfeitorias, e ela vale em torno de R$ 20 a R$ 25 milhões. Nós temos aqui em Aracaju, na rodovia que sai do Bugio para pegar a BR-235, a Lauro Porto, uma área excelente do Estado, que pode ser trabalhada numa PPP para a construção de um novo Ceasa. Nós temos um Ceasa que está concluindo agora em Itabaiana, cujo investimento foi de R$ 36 milhões que não justifica o Estado tomar conta. É uma área para PPP. Nós temos um Centro de Convenções que está em processo de reforma e ampliação e que nosso objetivo é que ele também seja administrador via PPP. Podemos discutir PPPs para rodovias, maiores e menores. Por exemplo, justifica hoje o Estado tomar conta da Orla da Capital? Temos aqui o Parque dos Cajueiros, uma área bonita. O Estado vai lá, reforma, e pouco tempo depois está depredado. Por que não fazer uma PPP para que alguém possa explorar aquele espaço, vê um atracadouro para ancorar uma lancha, um jet-ski, restaurante, uma área de lazer? Enfim, PPPs de todos os tamanhos podem ser feitas, desde que haja interesse. Vamos lançar o portfólio e esperar as sugestões. 

VISITA À CHINA PRA VER MONTADORA DE CAMINHÕES
“Há uma possibilidade de que, se não nesse ano, mas no início do próximo, a gente vá à China para conhecer essa montadora (de caminhões) de que falei”

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Mais amistoso como o trade turístico, recebe representantes e diz que divulgação do Estado deve ser feita pelo Estado e pelo empresariado

JLPolítica - Não passa pelo seu sonho dotar Sergipe de um Centro de Convenções maior via PPP?
BC -
O Centro de Convenções que está sendo reformado hoje é mais do que suficiente para atender o Estado de Sergipe por muitos anos.

JLPolítica - O que foi que saiu de positivo no encontro entre o senhor e o pessoal do trade turístico de Sergipe?
BC -
O que coloco de muito positivo é a clareza com que tratamos o assunto, a responsabilidade e a necessidade que foram postos no sentido de que essa relação seja enfrentada pelos dois lados. Não é papel único e exclusivo do Estado divulgar o Estado. O trade tem que fazer a sua parte. Agora, é preciso que a gente faça isso em conjunto. Se o Estado faz sozinho, e não faz portanto pensando e discutindo com o trade, erra. Se o trade faz sozinho, e não buscar o Estado, erra também o trade.

JLPolítica - Qual é o meio termo disso?
BC -
Então: que a gente quer é o estreitamento da relação para que a gente possa enfrentar essas ações juntos e divulgar melhor o Estado lá fora. Reconheço que erramos, que há falhas por parte do Governo. Mas é preciso que cada um também procure a sua falha. Acho que o fato de termos tido, nos últimos anos, uma série de secretários de Turismo atrapalhou, porque você não tem uma sequência: um entra e pensa de uma maneira; outro entra, e pensa de outra maneira. Isso atrapalha, e eu acho que foi o que aconteceu. Vamos buscar alguém que possa estar à frente da Secretaria e fazer com que ela trabalhe com profissionalismo. Eu acho que do jeito que as coisas estão sendo colocadas hoje, não estão boas, e eu preciso rever a situação do Turismo e da pasta como um todo.

JLPolítica - O senhor se sente confortável com a maturidade de Marco Queiroz na Sefaz?
BC -
Eu devo dizer que estou extremamente feliz e satisfeito. Tenho feito questão de agradecer ao Ademário Alves pelo período que ele passou, que foi extremamente importante. Nos ajudou atravessar 2018 e nos deu um norte para 2019. E o Queiroz, com aquela maneira tranquila dele e extremamente confiante no futuro, tem demonstrado esses dias que realmente eu acertei novamente no nome dele para que a gente possa, em conjunto, evoluir. Fizemos na última sexta-feira, por exemplo, uma reunião com a Secretaria de Saúde e todas as suas vinculações, e também a interventora do Hospital de Cirurgia, para discutirmos a saúde da rede como um todo, e nessa reunião com secretário da Fazenda, o procurador-Geral do Estado, para discutirmos finanças e maneiras mais fáceis de transformar nossos processos licitatórios em mais ágeis.

JLPolítica - O que o senhor acha que virá da auditoria que está sendo feita em São Paulo sobre o Huse?
BC -
Ela tem mostrado o seguinte: que o Huse tem um gasto excessivo, que há um excesso de servidores e, portanto, um norte nos será apresentado, para que se reduza custos e melhoremos os serviços para a população.

O QUE PODE VIR DAS AÇÕES DO BANESE
“A expectativa nossa é que consiga captar aí pelo menos entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões. Está em processo bastante avançado. Trata-se de processo complexo, que envolve todo um estudo”

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Com Eduardo Maranhão, presidente da Celse. Para ele, a termelétrica da Barra já se incorporou como parceira do futuro de Sergipe

JLPolítica - De cara, tem-se Valberto de Oliveira, na Saúde, George Trindade, na Administração, e Cristiano Barreto, na Justiça, pré-candidatos a prefeitos em 2020. Qual é a orientação do senhor para os seus secretários que queiram disputar eleições municipais ano que vem?
BC -
Todo e qualquer secretário que tenha interesse em ser candidato - e não posso proibir que seja -, que me comunique e, que, portanto, a partir de 1º de março do próximo ano deixa o Governo. Não vou esperar o prazo eleitoral, não.

JLPolítica - Procede, governador, a história de que há um pacto entre o senhor e Fabio Mitidieri para que, a partir de janeiro, a Secretaria de Saúde passe a ser comandada por eles?
BC -
Não tenho pacto com ninguém. Pacto só tenho com Deus. Posso ter qualquer pessoa indicando em qualquer Secretaria no campo político, desde que a indicação tenha um perfil técnico. Tenho uma excelente e extremamente estreita relação com o grupo de Mitidieri. Tenho-os como meus líderes políticos, porque faço parte do partido, somos correligionários, o Fábio é meu líder maior em termos partidários. Mas nós não fizemos pacto nenhum nesse sentido.

JLPolítica - O senhor consegue visualizar a vice-governadora Eliane Aquino, PT, disputando a Prefeitura Municipal de Aracaju contra o prefeito Edvaldo Nogueira em 2020?
BC -
Me recuso a tratar de eleições de 2020. Bote essa resposta e diga assim: ele pulou essa parte.

JLPolítica - Com tamanha antecedência, o senhor teria um lado hoje nessa pendenga entre parte do PT e Edvaldo Nogueira?
BC -
A única coisa que eu posso colocar aqui agora é: Edvaldo Nogueira é o meu candidato.

JLPolítica - Por que o senhor o teria como candidato? Ele está fazendo um trabalho que justifica?
BC -
Está fazendo sim, justifica e eu não vejo razão para que eu possa apoiar outro candidato. Respeito qualquer outra candidatura, se porventura vier acontecer, e é por isso que eu tenho me recusado a tratar de política agora. Mas, em sendo Edvaldo Nogueira candidato a reeleição, esse será o meu candidato.

A DESO ESTÁ FORA DE UMA TERCEIRIZAÇÃO
“Acho que ela pode se tornar uma empresa viável, considerando o tamanho do nosso Estado, mas desde que procure agir de forma mais eficiente. São 48% de desperdício, e é preciso reduzir isso pelo menos para 30%

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Marco Queiroz: experiência e equilíbrio na Sefaz que Belivaldo admite que o deixam "feliz". Mas é grato pelos desafios primeiros vencidos por Ademario Alves

JLPolítica - O senhor tem pretensão de marchar ao lado de Marival Santana na sucessão municipal de Simão Dias?
BC -
Se tivermos juízo, esse é o caminho natural. Essa parceria, Belivaldo e Marival, tem sido extremamente importante para Simão Dias. No campo político, se tivermos juízo, sentaremos e buscaremos o melhor nome para prefeito e para vice-prefeito de Simão Dias. Mas também devo lhe dizer que, até esse momento, nunca sentei com Marival para discutir eleições de Simão Dias para o próximo ano.

JLPolítica - Quando sentar o senhor vai querer indicar o candidato?
BC -
Essa discussão será feita com juízo entre os dois. O melhor nome, seja de um lado ou do outro, a gente coloca para prefeito; o segundo, pra vice. Poderemos até fazer uma pesquisa nesse sentido. Enfim, como nunca discuti esse assunto, prefiro não adiantar.

JLPolítica - O senhor subscreve a tese de apartar da União Estados e Municípios na Reforma da Previdência?
BC -
Veja, é extremamente importante colocar o seguinte: nós, governadores do Nordeste, em nenhum momento nos colocamos contra a reforma da Previdência. Nós nos colocamos contra alguns pontos dela - mexer no BPC, aposentadoria do trabalhador rural, desconstitucionalização das regras da Previdência e a tal da capitalização, que não deu certo no Chile e o modelo que o Brasil está pensando implantar é o mesmo chileno e já está mostrado que está falido. Feito isso, e o Governo está acenando com a possibilidade de retirar esses itens, o que se espera - e o que ficou pactuado o tempo todo - é que Estados e Municípios estariam contemplados também na reforma. De repente, resolveram tirar os benefícios do relatório. Ora, tudo bem, se é para permanecer o relatório do Governo, que permaneça.

JLPolítica - Mas o senhores interpõem que questionamento aí?
BC -
É: e como os Estados sairão desta crise absoluta no que diz respeito ao déficit da Previdência? O que estamos buscando é o que será feito do recurso do bônus da assinatura, da cessão onerosa, do fundo social, tem uma lei de securitização, tem déficit da Lei Kandir. Por exemplo, de 1996 até 2018 Sergipe, só da Lei Kandir, tem o equivalente a R$ 1,750 bilhão a receber. 

JLPolítica - O que é a Lei Kandir?
BC -
É a Lei Kandir trata de impostos voltados à questão da indústria. Estados como São Paulo, Minas e Paraná recebem recursos altíssimos. Mas, veja: eu estou falando de R$ 1,750 bilhão por causa de um recurso de 1996 até agora. Só que a União deve aos Estados, por causa da Kandir, R$ 400 bilhões. E aí, o que surgiu de repente? Pega parte desses recursos, que é dinheiro novo - da cessão onerosa, do bônus da assinatura, por causa dos leilões do Pré-sal - para fazer esse pagamento. Nós não aceitamos. Simples: dinheiro novo é para coisa nova. Então, vá pagar o que deve, encontre a sua fórmula. Por exemplo: se a gente tem, dos recursos dessas fontes que eu citei, a ser liberados, eu teria o aporte financeiro extraordinário para 2019 de aproximadamente R$ 600 milhões. Isso diminuiria em 50% o meu déficit financeiro deste ano.

DO QUE A PETROBRAS DEVE À SEGRAS
“São vários números que são colocados aí: há quem fale em R$ 1 bilhão. Há quem diga que são R$ 200 milhões. Eu sei que há um débito, e o Estado vai buscar o que lhe é de direito”

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Pop star do Papo Reto: “A minha conversa no Papo Reto é simples, direta, aberta e extremamente parecida com - vou usar este termo - o linguajar do povo. Vou direto ao assunto”

JLPolítica - Seriam perenes?
BC -
Serão recursos com garantia de continuidade, a partir dos próximos anos. Então, o que a gente quer é: querem o apoio dos Estados? Querem incluir a gente? Tudo bem. Deputado federal age, hoje, de forma independente. Ninguém manda em voto deles e de senador. Mas, se a gente chega em determinado deputado que está em dúvida se vota ou não vota na reforma da Previdência e mostra que, “meu amigo, se a reforma for aprovada a gente vai ter a garanti de recursos de aproximadamente R$ 1 bilhão para Sergipe e isso vai trazer desenvolvimento, eu preciso do seu apoio, do seu voto, isso é importante para Sergipe”, eu quero crer que a gente consegue. Mas, enfim, repito: é extremamente importante e espero que os Estados voltem ao relatório da reforma. Se não conseguir, vamos ver o que é aprovado lá e o que a gente terá que fazer para alterar a nossa legislação previdenciária aqui em Sergipe. 

JLPolítica - O que o senhor tem achado do seu modelo comunicacional posto em prática no Programa Papo Reto?
BC -
É um modelo que a população aprovou. Até porque a minha conversa no Papo Reto é simples, direta, aberta e extremamente parecida com - vou usar este termo - o linguajar do povo. Vou direto ao assunto. kTem pergunta, eu respondo. É importante esse diálogo e eu lamento que não possa ter com mais frequência, em que pese o nosso compromisso de, a cada 15 dias, na terça-feira. Mas, às vezes tenho que viajar a Brasília, e não consigo fazer, e faço na semana seguinte.  

JLPolítica - O senhor tem pesquisa lhe certificando ou não da eficácia do seu estilo às vezes irônico, às vezes brincalhão por outros reativo, no programa e no dia a dia?
BC -
Eu nunca mandei fazer pesquisa sobre qualquer tipo de avaliação, nem a meu respeito do governador ou do Governo. Tenho informações aqui e acolá, de que nesse processo que se aproxima de eleições municipais, alguém faz uma pesquisa e, de repente, faz-se uma avaliação sobre o Governo. O que têm me dito é que há uma avaliação positiva. A população compreende que estou vivendo um momento de arrumação da casa, de busca de recursos e acompanhando com todo cuidado o que vem acontecendo no Governo Federal. 

DO PREÇO DO GÁS DA SERGAS
“(É) uma política do gás muito caro. Então, a minha opinião hoje é a de que a gente barateie o preço do gás para trazer mais investimentos para Sergipe”

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Com Marcelo Déda, de quem já foi vice-governador

JLPolítica - Incomoda-lhe, governador, que em meados de 2019 já se esteja com conjecturas para a eleição de 2022?
BC -
Incomoda, e muito. Isso é falta de compromisso com o Estado. Não é o momento de discutir eleição de 2020, imagine a de 2022. Não me incomoda mais, porque quando tocam no assunto e saio logo de perto. Eu tapo os ouvidos. 

JLPolítica - O senhor já conseguiu compreender o jeito de Jair Bolsonaro presidir o país?
BC -
Veja, a questão não é compreender ou deixar de compreender. O fato concreto é: temos um presidente da República que foi eleito pelo povo. Ponto. O que a gente tem que aprender, sim, é a conviver com esse jeito, e sempre na expectativa de que ele também vai aprender, compreender o que é governar, o que é ter um bom relacionamento com o Congresso, o que é ter um bom relacionamento com os governadores e, com isso, automaticamente ele encontre o norte para que se retome o crescimento do país.

JLPolítica - O senhor está entre os que pensam que os novos fatos de escuta na esfera da Lava Jato são suficientes para liberar Lula da prisão?
BC –
Não. Acho que estou entre aqueles que demonstram certa preocupação com a narrativa que tem sido apresentada nessas gravações. Isso preocupa o meio jurídico, político e a sociedade como um todo. 

TODOS POR UMA MEA CULPA NAS PPPS
“Sergipe começou a discutir sua legislação de PPP há 10 anos, quando o Piauí também iniciou. Nós temos boa legislação e zero de realização. Enquanto isso, o Piauí tem hoje 33 obras em PPPs”

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Participando de uma plenária de planejamento estratégico