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Entrevista

Jozailto Lima

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Capitão Samuel: “Bandido que atira pra matar, vai receber tiro pra morrer”

Publicado em 13 de abril de 2019, 20h00

“Ninguém aguenta mais a violência, a impunidade e a corrupção”


Pensando bem, e olhando para as marcas de atuação do mandato do deputado estadual Samuel Alves Barreto, PSD, há de se encontrar uma lógica entre a origem social dele e a sua ação parlamentar por oito anos e que emenda agora a caminho dos 12, com o terceiro mandato obtido ano passado e iniciado em 1º de fevereiro último.

Samuel Alves Barreto elegeu-se três vezes deputado estadual batendo continência para o nome Capitão Samuel - PSL duas vezes e PSC no ano passado. Ele vem da Polícia Militar, e foi dela que tirou o extratão de 43.370 votos em 2010, na primeira disputa que o elegeu, e a renovação dos dois demais.

E, por lógica, é no universo da segurança pública - nas questões de classe dos policiais, nos aspectos gerais de proteção da sociedade e no enfrentamento às drogas - que o Capitão Samuel transita com maior desenvoltura. “Trabalho para a segurança pública e para a população em geral”, diz ele. E acha que vai bem nas duas frentes.

“Tudo aquilo que cobrei durante os oito anos de mandatos, deu resultado. Desde o primeiro ano eu cobrava prevenção, concurso público e um projeto de segurança pública para o Estado de Sergipe. Do que eu cobrei, o governo realizou o concurso público e, com isso, os números de 2017 e 2018 melhoraram de forma significativa. O número de homicídios caiu, o número de roubos a ônibus foi reduzido, que é a efetividade da prevenção que tanto cobrei”, diz ele.

Na defesa que faz das prerrogativas e da sobrevivência aos da sua categoria, o Capitão Samuel tem um discurso duro e frontal, segundo o qual bandido que mata policial não deve ser poupado com vida. Para ele, isso não é fomento direto à violência. “Estou praticando o discurso da escolha. A polícia não escolhe matar, mas o bandido pode escolher não roubar, não estuprar e não enfrentar a polícia”, diz ele.

“O bandido que morre é aquele que escolhe encarar o sistema. No sistema de segurança pública, o bandido tem que ter medo da polícia. Ele tem que saber que se atirar para matar, vai receber tiro para morrer. Isso não é violência. Isso é a lei do retorno. Quem escolhe não é a polícia. É o bandido”, justifica o parlamentar.

Essa visão, que alguns podem considerar politicamente incorreta e dura, Capitão Samuel confronta e atenua com outra visada mais social de enfrentamento às drogas - na teoria e na prática. Na primeira vertente, ele diz não ter dúvida de que as drogas são responsáveis por 50% das 700 mil prisões brasileiras. Na segunda, ele vai pra cima da vida real com a materialização do Batalhão da Restauração, uma ONG com a qual ajuda famílias de dependentes químicos.  

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Samuel Alves Barreto elegeu-se três vezes deputado estadual batendo continência para o nome Capitão Samuel
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Samuel Alves Barreto nasceu no dia 3 de fevereiro de 1970 em Malhador

EM SINTONIA COM A INDEPENDÊNCIA DO ELEITOR
“Aquilo que o eleitor buscou quando foi procurar um candidato, que é a independência e a luta efetiva pela causa do povo sergipano, é o que estou buscando para este mandato”

JLPolítica - O senhor diz que neste terceiro mandato vai prestar mais atenção no que querem os eleitores. Afinal, o que eles querem?
Capitão Samuel -
A política tinha um Norte até a última eleição e o que eleitor demonstra hoje é a expressão do voto e não da fala. A votação dada na última eleição será a diretriz do meu mandato. Aquilo que o eleitor buscou quando foi procurar um candidato, que é a independência e a luta efetiva pela causa do povo sergipano, é o que estou buscando para este mandato.

JLPolítica - Qual a justificativa para o senhor vir de 43 mil votos em 2010 para 15 mil votos em 2018?
CS - Eu fui eleito por uma paixão da instituição Polícia Militar. Esta paixão virou uma relação normal de um casamento que tem soluções e tem problemas. Desta forma, vendo problemas e não apenas as soluções, surgiram 20 candidatos que dividiram totalmente a PM e o número de votos obviamente caiu. Graças a Deus e pelo trabalho realizado ao longo dos dois mandatos, continuamos com os nossos amigos e conseguimos mais uma reeleição.

JLPolítica - O senhor foi votado em apenas 48 dos 75 municípios de Sergipe em 2018. Qual o problema com os demais 27?
CS -
Não vejo problemas nisso. Eu centralizei a minha campanha na Grande Aracaju, tanto que maior parte dos meus votos é dessa região. Além disso, tive pouco tempo para rodar os demais municípios, e isso pode ter sido uma das razões. A campanha eleitoral era de três meses e hoje reduziu para 45 dias, que acaba virando uma correria grande e o tempo fica curto. Outra questão é a parte financeira, onde lideranças esperavam ajudas financeiras para pedir voto.

JLPolítica - O senhor não dispôs disso?
CS -
Esta é uma prática que eu não adoto na minha campanha, até porque o povo brasileiro não quer mais esta velha campanha da compra e da venda de votos. A política mudou e eu já me adequei a um perfil que quero ver acontecer no país inteiro.

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Foram dois mandatos pelo PSL e este é pelo PSC

NÃO NEGA E NEM TRAI AS ORIGENS
“Sou policial e se não defender a minha categoria, não me defendo. Eu sou um policial, continuarei sendo. Até o meu nome no cenário político é Capitão Samuel. Não tem como dissociar o meu trabalho da defesa dos profissionais de segurança”

JLPolítica - A sua atuação como parlamentar classista ligado à PM o senhor considera mais positiva em favor dos trabalhadores da segurança pública ou da população de modo geral?
CS -
Trabalho para a segurança pública e para a população em geral. Tudo aquilo que cobrei durante os oito anos de mandatos, deu resultado. Desde o primeiro ano eu cobrava prevenção, concurso público e um projeto de segurança pública para o Estado de Sergipe. Do que eu cobrei, o governo realizou o concurso público e, com isso, os números de 2017 e 2018 melhoraram de forma significativa. O número de homicídios caiu, o número de roubos a ônibus foi reduzido, que é a efetividade da prevenção que tanto cobrei. Para a população, eu cobro serviço e se o governo ouvir mais terão maiores benefícios para a população. Sou técnico de segurança pública há 26 anos, e o difícil é a gestão ouvir. Mas mesmo assim, espero que ouça cada vez mais.

JLPolítica - Qual é o perfil do bloco dos cinco parlamentares que os senhores consideram os independentes da Alese?
CS -
Existe um bloco de cinco parlamentares que decidiram ter uma forma de agir independente. Que são todos independentes um do outro, independentes do bloco e independentes politicamente, não importando se situação ou oposição. Cada um decide a sua vida em detrimento de cada projeto - este que é o bloco independente. Terão projeto que os cinco serão favoráveis e um será contra, então isto caracteriza o que é um bloco realmente independente, onde todos respeitam a opinião de cada um.

JLPolítica - Quem mais necessita de uma proteção parlamentar, os policiais militares, que têm um dos melhores salários do Brasil – se é que isso procede -, ou a sociedade, que enfrenta altos índices de
violência?
CS -
Ambos precisam. A sociedade, sobretudo, necessita de um parlamentar que entenda de segurança pública aqui na Assembleia Legislativa para dar ideias sobre o setor. Vou continuar cobrando e dando sugestões para que os números da violência no Estado deem mais tranquilidade ao nosso povo. Eu sou policial e se eu não defender a minha categoria, eu não me defendo. Eu sou um policial, continuarei sendo. Até o meu nome no cenário político é Capitão Samuel. Não tem como dissociar o meu trabalho da defesa dos profissionais de segurança pública, especialmente dos Policiais Militares e do Corpo de Bombeiros.

JLPolítica - Quando o senhor defende que bandido que mata policial deve ser eliminado, não estaria praticando um discurso de violência?
CS -
Não! Estou praticando o discurso da escolha. A polícia não escolhe matar, mas o bandido pode escolher não roubar, não estuprar e não enfrentar a polícia. O bandido que morre é aquele que escolhe encarar o sistema. Se eu defendo que o sistema não age em relação a isso, imagine quando morre o cidadão comum? No sistema de segurança pública, o bandido tem que ter medo da polícia. Ele tem que saber que se atirar para matar, vai receber tiro para morrer. Isso não é violência. Isso é a lei do retorno. Quem escolhe não é a polícia. É o bandido.

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As questões de classe dos policiais sempre estão na ordem do dia seu mandato

ARREPENDIMENTO PELO QUE NÃO FEZ
“Eu teria, logo no primeiro ano, criado uma instituição de prevenção à violência. Hoje tem jovens com 18 anos conhecendo nosso trabalho e vivenciando a cultura da paz. Se tivessem crescido com esse preparo, já teríamos uma sociedade mais calma”

JLPolítica – Que tipo de reação o senhor tem enfrentado da sociedade diante desse discurso?
CS –
Reação positiva! Mais de 85% da população me aplaude. Isso porque a maior parte da população trabalha, estuda, dá o seu suor e sabe a dificuldade de viver com um salário mínimo. Imagine este mesmo cidadão que presenteia o seu filho com telefone celular, e acaba sendo roubado. Pense também num pai de família que tem a sua filha estuprada. O que a sociedade não aguenta mais é passar a mão na cabeça dos bandidos. Eles têm alternativas mesmo depois que roubam. Os criminosos podem assumir o crime para ter uma pena menor. Tem a alternativa de se entregar na hora da prisão para não ser morto. Tem a alternativa de buscar a ressocialização dentro da prisão. O bandido tem mil alternativas. Quem não tem alternativa é o cidadão que trabalha e que na hora do delito não tem como correr e às vezes perde até a sua vida.

JLPolítica – O senhor faz uma autocrítica dos seus oito anos enquanto parlamentar? No que mudaria?
CS -
Eu teria, logo no primeiro ano, criado uma instituição de prevenção à violência. Eu não sei se seria de acolhimento para os dependentes químicos, uma instituição que cuidasse dos idosos ou uma ONG para pregar a cultura de paz para as crianças. Eu sei que hoje, depois dos oito anos de mandato, tem jovens com idade próxima dos 18 anos conhecendo o nosso trabalho e vivenciando a cultura da paz. Se estes jovens tivessem crescido com esse preparo, já teríamos hoje uma sociedade mais calma.

JLPolítica - Por que lhe agrada tanto o pacote anticrime, do ministro da Segurança, Sérgio Moro?
CS -
Porque ninguém aguente a violência, ninguém aguenta a impunidade, a corrupção. Ninguém aguenta o Brasil do jeito que está, onde parece que o errado está certo e o certo está errado. O pacote de combate ao crime vem dar uma pequena resposta em relação a isso. Quem aguenta ter uma filha estuprada e depois ver o criminoso preso e condenado ao máximo da pena, e em seguida vê-lo em liberdade após cinco anos de pena? Ele pensa logo que o cara vai estuprar outra criança filha de um cidadão de bem. Se fosse comigo? Se eu me encontrasse com esse cara no meio da rua? Sinceramente, eu não sei se não pegaria ele com as minhas próprias mãos para fazer uma loucura. Esta é a sensação de impunidade que faz com que a sociedade se revolte para abraçar este pacote do ministro Sérgio Moro. Este parece um grande passo para a grande mudança de transformação do país.

JLPolítica – O pacote do Sérgio Moro por se si basta?
CS -
O pacote dele precisa de ações dos Governos Federal e Estaduais, pois traz a possibilidade de dobrar a população carcerária do país. Atualmente temos um total de 700 mil detentos no Brasil, onde a capacidade é para a metade disso. Precisamos agilizar, o maior rápido possível, o número de penitenciárias, pois com o aperto na legislação vamos precisar dobrar esta capacidade.

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Defende que bandido que mata policial não deve ser poupado com vida

CONTRIBUTO DA DROGA PARA VIOLÊNCIA
“Esse percentual é absurdo. Digo que metade deste percentual está atribuído às drogas. Basta ir ao sistema prisional, onde estão 700 mil presos e analisar os processos. Ali, 350 mil deles têm envolvimento com as drogas”

JLPolítica - No seu modo de ver, qual o percentual de contribuição das drogas na sociedade para o aumento da violência?
CS -
Esse percentual é absurdo. Sem titubear, digo que metade deste percentual está atribuído às drogas. Basta você ir ao sistema prisional, onde estão os 700 mil presos e analisar os processos de forma direta e indireta. Ali, 350 mil deles têm envolvimento com as drogas. Ou o cidadão trafica, usou drogas e cometeu um delito, ou roubou para usar o entorpecente. Quando junta todos eles, soma esses mais de 350 mil casos. É uma coisa clara, que está na cabeça de todo mundo e o Estado precisa ver e trabalhar a prevenção. O estado brasileiro foi muito competente no combate a AIDS, na prevenção da mortalidade infantil, onde fomos exemplo mundial. Se demos exemplo nestes casos, por que que não podemos ser exemplo no combate e prevenção às drogas?

JLPolítica – Qual tem sido o papel prático da sua ONG Batalhão da Restauração na problemática da droga?
CS - O papel do Batalhão é o de mostrar para o Estado, para as prefeituras e para a sociedade sergipana que o dependente químico é um doente e, como doente, ele precisa ser tratado. Esse tratamento não pode ser feito apenas nos CAPS. Precisa ser feito também nas clínicas terapêuticas. Depois de tantas críticas feitas às comunidades terapêuticas, só sugiro uma coisa: que conheçam o Batalhão da Restauração para saber como funciona a realidade. Eu trouxe o Batalhão para mostrar para as autoridades que dá para restaurar vidas. Que dá para restaurar a família do dependente químico, dá para evitar que ele seja um futuro residente do presídio. Que dá para ele passar a ser um cidadão de bem na rua. É possível ressocializar, e esta é a missão trazida pelo Batalhão. Espero que os municípios e que o Estado de Sergipe façam alguma coisa pelas famílias que estão jogadas no sofrimento no mundo das drogas.

JLPolítica - Com que recursos o senhor mantém essa instituição?
CS -
O Batalhão é mantido pelos meus esforços pessoais e pela ajuda de amigos da classe política, empresários, feirantes, amigos que vendem no Ceasa. O Batalhão é mantido por pessoas que têm recurso e pelo suor de pessoas que não têm recurso, mas entendem que o trabalho é importante e dá um pouquinho do seu suor para essa instituição.

JLPolítica - O senhor identifica alguma ação real e concerta da União, do Estado e dos municípios sergipanos no enfretamento à problemática da droga?
CS - Identifico diversas ações, mas ineficientes. O Governo Federal passou esta responsabilidade dos municípios para os Caps, porém ele recebe R$ 28 mil ao mês, e quando você vê as exigências feitas à necessidade imediata é de R$ 50 mil só com o pagamento dos profissionais. Os recursos emanados para o CAPS estão sendo uma enganação do estado brasileiro enquanto União, Governo do Estado e Governos Municipais. Como não tem este recurso, os profissionais que estão lá vão fazendo do jeito que é possível. Isso não pode acontecer, pois precisamos ter compromisso com os resultados. Se fizermos uma pesquisa em todos os usuários dos CAPs e aqueles que se restauraram, teremos uma surpresa muito negativa - e aqui eu não culpo os profissionais. Apesar de estes profissionais criticarem as comunidades terapêuticas, eles estão encaminhando pessoas para o Batalhão da Restauração.

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Com o coronel Yunes, então comandante geral da PM de Sergipe

SEM LIBERAR MACONHA E APERTO CONTRA ÁLCOOL
“Sou a favor de manter da forma que está e ainda de proibir qualquer tipo de propaganda de bebida alcoólica. Nós não podemos fazer propaganda para um tipo de droga que vai nos deixar viciados”

 JLPolítica - O senhor é a favor ou contra à descriminalização da maconha?
CS -
Eu sou a favor de manter da forma que está e ainda apertar as regras contra o álcool. Eu sou a favor de proibir qualquer tipo de propaganda de bebida alcoólica. Nós não podemos fazer propaganda para um tipo de droga que vai nos deixar viciados. Nós proibimos em relação ao cigarro e agora acho conveniente proibir com relação à bebida alcoólica. Acho que já passou da hora de estas propagandas desaparecerem dos veículos de comunicação.

JLPolítica - O seu planejamento para 2020 passa ou não pela candidatura a prefeito de Nossa Senhora do Socorro?
CS -
Ainda estamos debatendo o que faremos em 2020, pois ainda estou no PSC e tenho que discutir com o partido sobre um município da Grande Aracaju. Quatro municípios fazem parte da Grande Aracaju - Barra dos Coqueiros, São Cristóvão, Nossa Senhora do Socorro e Aracaju -, e se houver viabilidade, se o partido desejar e bancar campanhas no Estado de Sergipe, podemos pensar numa candidatura para prefeito.

JLPolítica - O que é que de mal-entendido houve entre o senhor, o PSC e as figuras de André e Reinaldo Moura para que haja tanto bate-boca?
CS -
Reinaldo Moura é um brincalhão e gosta de trocar “gentilezas” através das redes sociais, assim como eu também gosto. Já com André, não existem brigas. Tenho ótimo relacionamento com ele. Só não concordo com algumas opiniões dele. Amigo é aquele que concorda e que discorda. Então acho que ele devia encontrar um caminho legal para me liberar do PSC. Ele não pensa da mesma forma e eu respeito a opinião dele, e assim cada um segue a vida.

JLPolítica - O senhor considera Reinaldo Moura um desafeto pessoal?
CS -
Reinaldo é gente boa. É um cara que dá as opiniões dele - muitas vezes dá uma apimentada e às vezes não. Mas a minha relação com ele é tranquila e é da paz.

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É contra a liberação da maconha

DOS CALUNDUS COM REINALDO, ANDRÉ E O PSC
“Reinaldo Moura é um brincalhão e gosta de trocar “gentilezas” através das redes sociais, assim como eu. Já com André, tenho ótimo relacionamento. Só não concordo com algumas opiniões dele. Ele devia encontrar um caminho legal para me liberar do PSC

JLPolítica – Afinal, o PSC lhe ajudou ou não na campanha em 2018?
CS -
Tive zero de ajuda do PSC.

JLPolítica - O senhor vê algum indício de que esta legislatura iniciada em 1º de fevereiro de 2019 possa ser melhor do que a passada?
CS -
Eu não tenho dúvida de que o Poder Legislativo e a legislatura atual serão melhores que a passada. Eu acho que o Poder Legislativo passou por um momento difícil e está agora renovado em 50% de suas energias. Chegaram novos deputados com o desejo de fazer um trabalho diferente, até porque as urnas deram um recado muito forte com essa grande renovação. Aqueles que foram reeleitos também precisam estar atentos para este recado. Eu acredito que o povo sergipano é quem ganha com isso. A população de Sergipe e o Poder Legislativo terão uma legislatura muito mais movimentada e com mais eficiência no papel do parlamento.

JLPolítica - O senhor acredita no peso dessa crise toda de que fala o governador Belivaldo Chagas com relação às finanças públicas de Sergipe?
CS -
A crise existe, é do conhecimento de todos e não tem como negá-la. Não é só em Sergipe. É no país inteiro. Precisamos resolver o problema da Previdência, porque se essa questão não for resolvida o Estado de Sergipe e nem os demais Estados do Brasil irão levantar a cabeça. Se esse problema for resolvido, o país vai começar a caminhar e aí poderá a aparecer uma situação boa nos próximos anos. Mesmo sofrendo críticas, só nos três primeiros meses de gestão do Governo Bolsonaro o Fundo de Participação do Estado e a arrecadação de fundo aumentaram. Aumentando a arrecadação, os entes públicos começam a ter mais condição de prestar melhor serviço à população. Isso só com as primeiras atitudes que ele tomou. Eu não tenho dúvidas de que passada a reforma da Previdência, o Estado de Sergipe decola e teremos uma grande gestão do governador Belivaldo Chagas. Se isso não acontecer, o futuro será de choro, até porque desde 2006 o Estado vive de empréstimos para tapar buraco. Só que chegamos num momento em que nem mais um empréstimo o governador consegue tomar.

JLPolítica – Qual vai ser a sua linha de atuação frente ao Governo do Estado?
CS - A minha postura será a mesma dos últimos quatro anos. Sempre tratando o governo com o respeito devido, fazendo as críticas de forma respeitosa e apresentando as soluções devidas. Se o governo vai tomar um a solução ou não, a sociedade que faça a seu julgamento, sobretudo no campo da prevenção à violência e da segurança pública. O governo de Jackson Barreto ouviu muito em relação a concurso público e a projeto de lei que melhorou a carreira do Militar. Espero que Belivaldo também ouça. Eu acredito que por Belivaldo ter passado por esta casa por quatro mandatos e conhece-la mais do que eu, ele vai saber dialogar com todos, encaminhando bem o relacionamento entre o Executivo e o parlamento.

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É casado com Débora Passos, com quem tem Beatriz, de seis anos, e é ainda pai de Samira, de 20 anos.