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Entrevista

Jozailto Lima

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Darcy Tavares: “Humanização plena do Huse é um dever de Estado”

Publicado em  12  de maio de  2018, 20:00h

“Belivaldo ajuda muitíssimo mais a saúde do que a atrapalha”

Darcy Tavares Pinto não é mais menino. Nascido em Batalha em 28 de julho de 1954, criado em Pão de Açúcar e tornado médico pela Universidade Federal de Alagoas, ele fez residência em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo em 1980 e pós em Ortopedia e Transplantes no Hospital da Agroindústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas.

Para sorte de Sergipe, Darcy Tavares Pinto optou por aplicar 100% deste cabedal científico aqui, e o fez dirigindo complexos hospitais de massa, como o Garcia Moreno Filho, de Itabaiana, o Cirurgia, São Vicente de Paula, em Propriá. Foi o homem por trás desses postos complexos que o governador Belivaldo Chagas identificou para trazer para dar um jeito no Hospital de Urgências de Sergipe - o velho e humanitário Huse.

Darcy Tavares Pinto não titubeou. Aceitou na hora. Além de aceitar, incorporou antes mesmo da posse os ideais exigidos pelo governador Belivaldo: os da eliminação peremptória das filas quilométricas de espera para uma cirurgia, do fim de uma hotelaria que dura até quatro meses com pacientes internados ali em busca de um ato cirúrgico. Enfim, o do sonho da humanização do Huse.

E é exatamente isso que Darcy Tavares Pinto, naquele seu jeitão discreto mas propositivo, está garantindo. “Como técnico, eu asseguro com convicção: vou conseguir a humanização plena no Huse. Isso não é apenas um desejo meu e do governador. É um dever nosso enquanto agentes de Estado”, diz ele.

Apesar da convivência recente, Darcy Tavares Pinto e Belivaldo Chagas parecem ter sido ungidos na mesma pia batismal de propósitos. Como o governador, o superintendente do Huse não acha que mais leitos seja a real necessidade desse “grande hospital”. O que lhe contempla mais é uma melhor administração dos já disponíveis. Maior fluência, de onde viria a tal da humanização.

“Sinceramente, não estou preocupado com número maior de novos leitos”, diz ele, em rechaço educado à tese do ex-secretário Almeida Lima, de que com o Centro Administrativo da Saúde Senador Gilvan Rocha ele teria criado mais 200 leitos no Huse.

“Pelo meu diagnóstico inicial, o que precisamos é de gerenciamento dos leitos existentes e não de aumento, já que temos hoje quase 600 leitos no Huse, mas estão abarrotados, com macas pelos corredores. Se botarmos 1.000 deles, vamos ter o mesmo problema. O que precisamos é agilidade no gerenciamento desses espaços para que a rotatividade de fato aconteça”, reforça.

Outra condição que une superintendente e governador: a de que Belivaldo bem mais ajuda do que atrapalha os destinos da saúde pública sergipana - esta visão é em combate à fala de Almeida, que, ao ser demitido, disse de público que Belivaldo é um estorvo para a saúde.

“Eu fui convidado como um técnico para este trabalho no Huse, esta briga é política e não me pertence. Mas, por um dever de justiça, devo testemunhar e dizer que sinto muito boa vontade no governador Belivaldo Chagas no enfrentamento aos problemas da saúde do Estado. Talvez seja este o setor público que ele mais visitou nestes 30 e poucos dias de Governo, sempre manifestando inquietação e vontade forte de solucionar”, certifica Darcy.

UMA VISÃO INICIAL DO HUSE
“A gente já tem uma visão e aponta o que tínhamos pensado: que precisa melhorar alguns pontos críticos, principalmente com o fluxo interno, que depende exclusivamente de gestão”

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Como o governador, o superintendente do Huse não acha que mais leitos seja a real necessidade do Huse
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Nascido em Batalha em 28 de julho de 1954, criado em Pão de Açúcar e tornado médico pela Universidade Federal de Alagoas

INDO NO FOCO DA HUMANIZAÇÃO
“Como técnico, eu asseguro com convicção: vou conseguir humanização plena no Huse. Isso não é apenas um desejo meu e do governador. É um dever nosso enquanto agentes de Estado”

JLPolítica - Já deu tempo de o senhor fazer seu pet scan do Hospital de Urgências de Sergipe nestes 23 dias que o senhor o administra?
Darcy Tavares Pinto -
Um pet scan inicial, deu. A gente já tem uma visão, embora não muito profunda e esse reconhecimento aponta o que tínhamos pensado: que a gente precisa melhorar alguns pontos críticos, principalmente com ao fluxo interno, que depende exclusivamente de gestão. E já iniciamos esse procedimento. Também identificamos outras situações que precisamos de mais movimentos para termos condição de efetuar as ações com mais efetividade.

JLPolítica – O Huse é um hospital bem suprido de equipamentos e medicamentos?
DTP -
É, sim. É um hospital muito bem suprido. É o de maior complexidade do Estado, então tem bastante equipamento. Temos algumas falhas, às vezes, com medicamentos, mas nada que prejudique o andamento do hospital.

JLPolítica – O senhor detectou, por exemplo, que o hospital está sem diretor Clínico há algum tempo. Por quê?
DTP –
Já detectemos qual a dificuldade em tê-lo. Sei que o diretor Clínico é uma peça importante, visto que a função dele é servir de elo entre a gestão do hospital e o corpo clínico. Mas ele é eleito pelos próprios médicos. Já estamos em contato com o nosso diretor Técnico para que providencie os procedimentos, porque há toda uma normativa para isso, para que a eleição seja realizada o mais rápido possível. Estamos iniciando o processo.   

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Contesta a tese de Almeida Lima, de que Belivaldo é um estorvo para a saúde

PRAZO PARA COLOCAR AS COISAS NOS EIXOS
“Não gosto de estabelecer prazo, porque é perigoso. Mas estou com empenho total e com apoio do governador para, dentro do menor tempo possível, fazer isso. Já iniciamos a resolução”

JLPolítica - Qual é o foco central de problema do Huse enquanto maior instituição de saúde pública de Sergipe?
DT -
Nesse momento, certamente é a humanização. E quando em falo em humanização, refiro-me a tentar desobstruir aquele número excessivo de pacientes nos corredores. Essa fila enorme de pacientes aguardando cirurgia. Esse é nosso foco principal, e foi isso talvez que tenha sensibilizado a recomendação do governador. Mas, como técnico, eu asseguro com convicção: vou conseguir humanização plena no Huse. Isso não é apenas um desejo meu e do governador. É um dever nosso enquanto agentes de Estado.

JLPolítica – O senhor se dá a si mesmo que tempo para colocar as coisas nos eixos?
DTP -
Não gosto de estabelecer tempo e prazo, porque é um pouco perigoso. Às vezes a gente pensa que resolve um problema em dois dias e isso não acontece – vai para quatro. Mas estou com empenho total e com apoio do governador para, dentro do menor tempo possível, fazer isso. Aliás, nós já iniciamos a resolução. Mas um tempo específico não gostaria de firmar.

JLPolítica - Qual foi o pedido central do governador Belivaldo Chagas quando lhe convidou para esta Superintendência? Foi só essa desobstrução?
DTP -
O pedido central do governador foi exatamente o de que a gente tentasse humanizar o Huse. Ou seja, dar certo conforto e atendimento mais humanizado no sentido de a gente desobstruir esse excesso de pacientes. E para isso, a gente precisa avançar no fluxo das cirurgias, dos internamentos, e é nisso que estamos trabalhando: na funcionalidade do hospital internamente e externamente.  

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Já administrou os principais hospitais regionais de Sergipe

O PEDIDO CENTRAL DO GOVERNADOR
“Foi exatamente o de que a gente tentasse humanizar o Huse. Ou seja, dar certo conforto e atendimento mais humanizado no sentido de a gente desobstruir esse excesso de pacientes”

JLPolítica - Mas filas de pacientes amontoados nos corredores, que levam à metaforização de um campo de concentração, são uma “prerrogativa” do Huse ou de todos os hospitais de urgência do Brasil?
DTP -
Pelo que a gente observa na imprensa, isso existe em praticamente todos os hospitais de urgência do Brasil – mas queremos fugir da regra e ser a exceção. Com relação ao Huse, o que a gente está trabalhando, como já falei, é na tentativa de detectar quais os gargalos internos e tentar melhorá-los, como, por exemplo, agilizando os exames, as altas, os internamentos, a transferência, porque tudo isso ajuda na desobstrução e, assim, a reduzir essa sensação de “hotelaria”, como o próprio governador falou.

JLPolítica - Pela experiência do senhor no Garcia Moreno e no Cirurgia, há uma justificativa para a existência dessa “hotelaria”?
DTP -
A gente faz uma comparação na entrada e saída, que têm que ter certa resolutividade. Hoje tenho em torno de 150-180 pacientes que estão além da capacidade. Então, tenho que trabalhar no sentido de equalizar a equação. Pelo menos que ela fique igual, que o número de pacientes entrando seja correspondente ao que sai, ou ao que foi resolvido. Se tenho entrada de 17 pacientes, tenho que ter a resolutividade de outros 17. Mas se tenho a entrada de 17 e só resolvo 12, fico com cinco estacionados. Isso diariamente. É nesse sentido que estamos trabalhando.

JLPolítica - Estas filas lhe tocam como um homem de saúde de viés voltado para o setor público?
DTP -
Tocam bastante, mas não somente como homem da saúde pública, e sim como médico. Acho que a gente que abraçou a Medicina não pode ser insensível. Ver um hospital com lotação enorme e o pessoal clamando por solução e ficar sem condição de resolver, nos deixa tristes, preocupados.

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É alagoano de berço e sergipano por adoção

O INCÔMODO DAS FILAS DO HUSE
“Tocam bastante, não somente como homem da saúde pública, e sim como médico. A gente que abraçou a Medicina não pode ser insensível. Um hospital com lotação enorme nos deixa tristes”

JLPolítica – Mas qual a justificativa para que essas filas existam?
DTP -
São vários fatores. Temos o hospital de apoio, que é o Cirurgia, parado há um ou dois meses. O resultado é o aprisionamento de doentes. O Cirurgia é hoje a grande referência que temos em Cardiologia - já foi inclusive referência nacional por ter sido o primeiro hospital do Nordeste a realizar um transplante de coração. Então, se há um paciente que precisa fazer um cateterismo, por exemplo, e o Cirurgia para, eu não tenho como realizar o cateterismo nem como mandar o paciente embora. Ele vai ficar no hospital da rede - ou no Huse ou em algum hospital do interior. Então a gente precisa dessa fluidez e agilidade para diminuir essa ação. A outra coisa é a ação interna, agilizar o procedimento interno. Nesses poucos dias que a gente está aqui, já agilizamos algumas neurocirurgias, estamos fazendo cerca de três por semana.  

JLPolítica - Então o senhor vê como muito significativa essa interação entre o Huse e o Hospital de Cirurgia.
DTP -
Sim, não só como muito significativa. Diria que ela é fundamental. E isso já está se dando, porque estamos em tratativa com o Cirurgia e já transferimos na primeira semana 32 pacientes para lá. Para ter ideia, já resolvemos de uma fila de 80 pacientes que aguardavam cirurgia, levando 40. Chega a 50% da fila. Essa parceria é fundamental e deve ser perene.

JLPolítica - Qual o efetivo total de servidores do Huse?
DTP -
Hoje, são cerca de seis mil funcionários, contando com os terceirizados, que são muitos. Seguramente, é a maior e mais complexa instituição de saúde do Estado.

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Antes de chegar ao Huse, dirigia o Hospital Regional de Itabaiana

O CIRURGIA E O PODER DA PARCERIA
“O Cirurgia é hoje a grande referência que temos em Cardiologia - já foi inclusive referência nacional por ter sido o primeiro hospital do Nordeste a realizar um transplante de coração”

JLPolítica – O conceito “hospital de portas abertas”, por ser uma matriz do SUS, deve ser rima para acúmulo de pessoas internadas em sem solução pros seus problemas?
DTP -
Acho que o fato de ser porta aberta contribui, mas nesse momento a gente tem que mantê-lo. Penso de num futuro a médio prazo começar a repensar essa questão, para que o Huse funcione com paciente referenciado, porque há um grande número de pacientes que não deveriam estar aqui. Pacientes com leve dor de cabeça, inflamação na unha. Se ele tivesse procurado o serviço da rede básica para depois ser referenciado para o Huse, ajudaria bastante.

JLPolítica - O que é um paciente referenciado?
DTP -
É aquele que passou por um sistema de hierarquização do serviço. O Huse é o ponto final. É para onde o paciente vai depois que não tem mais opção. O Huse não tem para onde referenciar. Então, é preciso criar esse sistema de referência e, se possível, de contrarreferência hierarquizado. Para isso, todo o sistema deve estar funcionando, se não a população fica desassistida. É preciso muita reponsabilidade, porque se “fecha a porta aberta agora” cria-se um caos.

JLPolítica - A implementação e intensificação de cirurgias nos hospitais regionais de Itabaiana, Lagarto Estância, Glória, Socorro teriam que impacto no alívio das cirurgias do Huse? 
DTP -
Teriam um grande impacto e estamos trabalhando nisso. Já contatamos Itabaiana e estamos transferindo para lá alguns pacientes ortopédicos, de procedimentos que inicialmente não estavam sendo feitos, mas que através de um acordo passaram a ser feitos, que são os casos de algumas fraturas de pé. Também estivemos com o superintendente do Hospital de Lagarto, e ele se prontificou em ceder algumas vagas cirúrgicas e já vamos iniciar na próxima semana. Ele também se prontificou em realizar algumas cirurgias gerais e essa somação de esforços é que vai fazer com que a gente saia dessa situação crítica. Nós temos a perfeita consciência de que sozinhos não vamos a lugar algum, de que precisamos de ação conjunta, da compreensão de todos. E foi isso que falei na minha posse que conclamava a todos, inclusive vocês da imprensa, que têm papel fundamental.  

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Exerce a medicina desde 1980

REPENSAR O CONCEITO PORTAS ABERTAS
“Penso de num futuro médio começar a repensar essa questão, para que o Huse funcione com paciente referenciado, porque um grande número que não deveria estar aqui. Pacientes com inflamação na unha”

JLPolítica - O senhor espera ter que tipo de relação com as Prefeituras de Sergipe, no sentido de que elas colaborem com seus serviços de saúde e desinflacionem o Huse?
DTP -
Gostaria de ter, e vou me esforçar, a melhor relação possível. Já tenho a intenção de conversar com a secretária de saúde do município de Aracaju, que está mais perto da gente, no sentido de ver onde podemos nos afinar e atingir um objetivo que acredito que seja comum a todos, não pode pensar que a solução ou o problema seja o Huse. O Huse é a solução, mas junto aos outros.

JLPolítica – Qual é a tradução da carta branca que o senhor teria recebido do governador Belivaldo Chagas para atuar? Isso lhe tornaria independente da Secretaria de Estado da saúde?
DTP –
Não. Acho que o governador só passou mais responsabilidade para mim, mas isso não me torna independente, seja lá quem for o secretário. Sou apenas o superintendente do Huse e acredito que quando ele se referiu a “carta branca” deve ser no sentido de que, administrativamente, eu me sentisse à vontade para fazer as modificações que eu achar necessárias - e é assim que estamos trabalhando, fosse com Almeida, seja com Valberto de Oliveira Lima. Mas jamais independência total em relação à SEES. Eu sou mais um soldado aqui. Sigo a hierarquia da Secretaria e da Fundação.

JLPolítica - Que tipo de relação o senhor esperaria ter com José Almeida Lima se ele continuasse, uma vez que o senhor não foi indicado por ele para estar aqui?
DTP -
A minha indicação foi diretamente do governador, mas sempre tive uma boa relação com o ex-secretário Almeida Lima, até porque, como ele disse numa entrevista, eu já fazia parte do quadro. Fui superintendente do hospital em Itabaiana e durante esse período tive um relacionamento muito direto com ele e sempre fui tratado com muito respeito e cordialidade. Não haveria dificuldade de tratativa com ele.

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Para especializar-se em saúde pública, voo até São Paulo e fez residência na USP

CIRURGIAS NOS HOSPITAIS REGIONAIS 
“Teriam um grande impacto e estamos trabalhando nisso. Já contatamos Itabaiana e estamos transferindo para lá pacientes ortopédicos. Sozinhos não vamos a lugar algum”

JLPolítica - Qual é o seu conceito da saúde pública que foi praticada sob a gestão de Almeida Lima?
DTP -
Cada um tem o seu estilo. Eu acho que o ex-secretário Almeida Lima, em determinados momentos, esteve certo em sua visão administrativa, na qual ele investiu bastante, como em equipamentos e setor físico. Itabaiana mesmo teve uma ampliação muito importante na recepção do hospital e na capacidade da unidade em 20 leitos, além da chegada de um tomógrafo. Então o investimento nesse primeiro momento foi voltado para instalação e equipamento, mas agora o momento é o da funcionalidade e é essa a orientação do governador Belivaldo Chagas.É de fazer com que esses instrumentos investidos pelo ex-secretário tenham funcionalidade, porque do contrário não há razão para eles. A gente precisa que a saúde funcione. O que o povo quer é resultado, e o resultado vem com funcionamento.

JLPolítica - Depois de demitido, ele disse que Belivaldo Chagas atrapalha os planos da Saúde. Como o senhor vê isso?
DTP -
Bem, eu fui convidado como um técnico para este trabalho no Huse, está briga é política e não me pertence. Mas, por um dever de justiça, devo testemunhar e dizer que sinto muito boa vontade no governador Belivaldo Chagas no enfrentamento aos problemas da saúde do Estado. Talvez seja este o setor público que ele mais visitou nestes 30 e poucos dias de Governo, sempre manifestando inquietação e vontade forte de solucionar. Para mim, isso diz muito significativamente. O governador tem demonstrado com ações concretas que está empenhado em fazer o melhor e em resolver os problema da saúde. Na minha visão, Belivaldo ajuda muitíssimo mais a saúde do que a atrapalha. Ele está diretamente envolvido com a busca de resolutividade e não tenho dúvida de que ele vai conseguir. Aliás, já tem conseguido.

JLPolítica – O senhor contará com esses supostos 200 leitos a mais que Almeida dizia ter criado no Huse com a efetivação do Centro de Administração Senador Gilvan Rocha?
DTP -
Sinceramente, não estou preocupado com número de novos leitos. Pelo meu diagnóstico inicial, o que precisamos é de gerenciamento dos leitos existentes e não de aumento, já que temos hoje quase 600 leitos no Huse, mas estão abarrotados, com maca pelos corredores. Se botarmos 1.000 deles, vamos ter o mesmo problema. O que precisamos é agilidade no gerenciamento desses espaços para que a rotatividade de fato aconteça.

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Tem pós em Ortopedia e Transplantes no Hospital da Agroindústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas

O SUPERINTENDENTE COM CARTA BRANCA
“Deve ser no sentido de que, administrativamente, me sentisse à vontade para fazer as modificações que achar necessárias. Jamais independência total em relação à SEES. Sou mais um soldado aqui”

JLPolítica – Belivaldo Chagas diz querer menos obras e mais serviços. O que deve ser concluído ou paralisado no Huse?
DTP -
Ainda não tive tempo de fazer esse diagnóstico do que está sendo construído aqui no Huse. Sei que tem obra, mas estou focado na funcionalidade. Vamos observar e se houver oportunidade de sugerir ao governador a paralisação de algumas, eu farei tranquilamente.

JLPolítica - O senhor acha mesmo que é necessário o Ministério Público Federal baixar uma resolução dizendo que o Huse não deve ser usado politicamente em sua ação de saúde?
DTP -
Acho que o Ministério Público está no papel dele, que é o de zelar pela população. E não tenho muita preocupação quanto a isso, porque o que a gente tem feito nos locais por onde passamos é exatamente cumprir a normatização legal.

JLPolítica - Portanto não seria uma obviedade essa proibição?
DTP -
Acho que saúde não deve ser usada como política. Creio que o MPF está apenas alertando para o que já é feito. Pelo menos por mim por onde passei e aqui.   

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Adotou Sergipe como sua pátria na medicina

O MOMENTO É O DA FUNCIONALIDADE
“O investimento nesse primeiro momento foi voltado para instalação e equipamento, mas agora o momento é o da funcionalidade e é essa a orientação do governador Belivaldo Chagas”

JLPolítica - O senhor viu indícios de uso político do Hospital nos últimos tempos?
DTP -
Não. Não vi indício nenhum. Inclusive nós temos hoje um acompanhamento muito intenso não só do sistema de regulação, que é o Sistema Interfederativo de Garantia de Acesso Universal - Sigau -, que praticamente faz uma regulação intensa e dentro de uma movimentação especifica de cada paciente, como do próprio Ministério Público, que muitas vezes detém até a lista de pacientes que precisam de determinado procedimento. Então, o acompanhamento é de perto.

JLPolítica - O senhor não acha que há um limite tênue entre aquele favor que um líder comunitário ou político faz enviando gente para o Huse e uma central de Adelson Barreto ou Gilmar Carvalho enviando pacientes?
DTP -
Eu não sei qual é essa central. A preocupação que tenho é a de que seja obedecida a regra, o critério. E seguimos o critério de classificação de risco. O que temos que garantir é que esse doente seja atendido dentro desse critério e não dentro da vontade política de A ou B. O paciente que chega tem que ser atendido pela gravidade, e vou cobrar isso, sempre.  

JLPolítica - Resgatar o Hospital da Polícia Militar pode trazer que reflexo para o Huse?
DTP -
Eu gostaria muito de tê-lo funcionando e colaborando com o Huse, mas não sei quais são os obstáculos que existem para esse funcionamento. Acho que o Hospital da PM poderia contribuir bastante, principalmente na questão de traumas, ortopedia.

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É pai do advogado e professor Diogo Dória Pinto e do publicitário Thiago Dória Pinto

BELIVALDO AJUDA MAIS A SAÚDE DO QUE ATRAPALHA
“Na minha visão, Belivaldo ajuda muitíssimo mais a saúde do que a atrapalha. Ele está diretamente envolvido com a busca de resolutividade e não tenho dúvida de que ele vai conseguir. Aliás, já tem conseguido”

JLPolítica - Qual o critério que o senhor vai utilizar para montar definitivamente sua equipe de trabalho?
DTP -
A minha equipe tem que estar afinada com a missão que recebi do governador. Ou seja, a da humanização e da resolutividade. Tem que ter gente com competência técnica e com o objetivo de atingir a meta de melhorar as condições de atendimento do hospital. Esse é meu critério.

JLPolítica - Com o senhor na Superintendência do Huse, Belivaldo está dispensado de vir aqui?
DTP -
Não. Pelo pouco que o conheço, está muito focado na saúde e está correto. Gosto disso, porque sei que assim a gente tem uma pessoa empenhada na resolução desses problemas dificílimos. Portanto, eu queria que ele viesse aqui era toda semana.

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É casado há 37 com a enfermeira e fisioterapeuta Maria de Fátima Rezende Dória Pinto