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Entrevista

Jozailto Lima

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Dilson Barreto: “José Rollemberg Leite foi um homem à frente do seu tempo”

“Zé Leite deixou marcada uma grande história para Sergipe”
14  de setembro - 20h00


O economista Dilson Menezes Barreto, 77 anos, e o engenheiro de Minas e Civil José Rollemberg Leite, nascido em 19 de setembro de 1912 e falecido em 24 de outubro de 1996, são dois homens muito importantes no tecido social, político e econômico de Sergipe.

Os dois compartilharam ideias e espaços públicos. O primeiro, como técnico de apoio, secretário de Estado. O segundo, como senador e sobretudo como governador de Sergipe por dois mandatos.

Há quem compare José Rollemberg Leite com uma espécie de Juscelino Kubitschek à sergipana, pelos fundamentos em favor do desenvolvimento de Sergipe em seus dois mandatos de governador - um eleito pelo voto direto na década de 40 e outro biônico, angariado em 1974 junto aos militares da ditadura.

Dilson Barreto, que fora secretário de Estado do Planejamento no segundo Governo de Zé Leite, tomou fôlego e partiu a campo numa pesquisa que durou cinco anos para jogar luzes sobre esse personagem altamente significativo, mas pouco iluminado do ponto de vista de grandes publicações.

O resultado é um livraço robusto, capa dura e bem editado em 532 páginas, chamado “José Rollemberg Leite - Trajetória de um Homem Público”, que Dilson Barreto lança a partir das 17h30 desta terça-feira, 17 de setembro, no Museu da Gente Sergipana. 

Em “José Rollemberg Leite - Trajetória de um Homem Público”, Dilson Barreto escarafuncha com rigor, zelo e fidelidade a vida deste personagem que marcou a sergipanidade.

E Dilson Barreto garante, sem rodeios: apesar do tamanho do livro, não ofertará aos seus leitores uma história maçante. Nem enfadonha e cansativa. “A garantia está na forma mais ou menos simples com que eu elaborei e desenvolvi o livro. E a sequência que lhe é dada - do início da vida até o final dela. Toda uma trajetória”, diz o autor.

“Está escrito de forma bem leve para que o leitor possa se debruçar sem trabalho e possa entender. Até a parte de análise sobre as obras eu procurei dar uma leveza no relato para não cansar o leitor”, reforça.

José Rollemberg Leite foi um homem à frente do seu tempo”, garante Dilson. E é exatamente a história por trás desse homem, ou para além dele, que o autor se propõe a contar.

José Rollemberg Leite foi um homem público de grande valor e deixou marcada uma grande história para o Estado de Sergipe em termos de administração pública e de exemplo de dignidade e de trabalho. Ele era um homem que vivia a problemática do Estado e estimulava os seus assessores a acompanharem essa trajetória/problemática, dando valor às coisas importantes”, diz Dilson.

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Nasceu em 27 de abril de 1942 na velha e histórica Maruim
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Dilson é casado com Maria Luíza Boaventura Barreto

JLPolítica - Nas 532 páginas de “José Rollemberg Leite -  Trajetória de um Homem Público” foi possível apreender e repassar a real importância desse personagem da vida política sergipana?
Dilson Barreto -
Foi, e com bastante singularidade. José Rollemberg Leite foi um homem público de grande valor e deixou marcada uma grande história para o Estado de Sergipe em termos de administração pública e de exemplo de dignidade e de trabalho. Ele era um homem que vivia a problemática do Estado e estimulava os seus assessores a acompanharem essa trajetória/problemática, dando valor às coisas importantes no Estado. José Rollemberg Leite foi um homem à frente do seu tempo.

JLPolítica - Quando nasce e morre José Rollemberg Leite?
DB -
José Rollemberg Leite nasce no dia 19 de setembro de 1912 e morre no dia 24 de outubro de 1996, em função de um câncer.

JLPolítica - Sociologicamente, qual é a origem de José Rollemberg Leite?
DB -
Ele é originário da aristocracia rural sergipana, a nobreza daquela época. Eram o Barão de Japaratuba, o Barão de Itaporanga, o Barão de Estância. E em Riachuelo, o avô dele, Francisco Rabelo Leite, que era um homem da cana-de-açúcar.

JLPolítica - Como e onde se deram as formações escolares e acadêmicas dele?
DB -
Zé Leite começou a estudar no Colégio Salesiano. Aos nove anos, ele foi para Salvador. Ali, estudou no Colégio Padre Antônio Vieira, para onde iam quase todos os sergipanos da sua geração. Quando concluiu o curso médio, foi para Ouro Preto, em Minas Gerais, já com 17 anos, e lá ele cursou Engenharia de Minas e Civil. Formou-se aos 23 anos, em 1935.

JLPolítica - Qual é o principal traço de Rollemberg Leite que saltou aos olhos da sua pesquisa enquanto agente público?
DB -
Como agente público, ressalta-se a dedicação pelo trabalho, o interesse em realizar uma boa ação. O cuidado especial que ele tinha com a educação e com o desenvolvimento de Sergipe era algo singular. Isso me marcou bastante, me deixou interessado em rebuscar essa história dele e certamente as novas gerações se identificarão com isso.

UM NOME DE GRANDE VALOR PARA SERGIPE
“José Rollemberg Leite foi um homem público de grande valor e deixou marcada uma grande história para o Estado de Sergipe em termos de administração pública e de exemplo de dignidade e de trabalho”

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É pai de Carlos André Boaventura Barreto

JLPolítica - Isso se manifesta em que aspecto, Dilson? Como se dá esse cuidado com a educação, com o desenvolvimento?
DB -
De diversas maneiras. O cuidado especial dele era com a educação e com a indústria, logo, com o desenvolvimento. Principalmente no segundo mandato. Ali, em função das riquezas minerais de Sergipe, ele tem a visão, juntamente com Aloísio Campos, de que a consolidação do desenvolvimento de Sergipe seria através da exploração dos recursos minerais. A Petrobras acontece entre o seu primeiro e segundo governos, nos anos 1960, quando José Rollemberg já tinha sido governador, acontece dentro dele entre um período e outro. E são essa vinda da Petrobras e a descoberta desses minerais que dão o manancial de possibilidade para que se desenvolva um trabalho voltado para o desenvolvimento sergipano – ele estava antes e depois. É a esperança de Sergipe, a industrialização. E marcou Sergipe.

JLPolítica - Quanto tempo o senhor levou pesquisando a vida desse personagem?
DB -
Eu comecei a pesquisar há 5 anos. Foi um trabalho de prospecção nas bibliotecas, nos jornais, em livros, em consultas e nas próprias instituições onde Zé Leite estudou. Houve algumas épocas em que eu parei em função do meu desejo da perfeição, de perfeccionismo, em saber se aquilo era realmente o caminho que eu desejava trilhar e escrever. Em virtude disso, eu cheguei a fazer quatro versões do livro e algumas versões eu submetia aos amigos. Para Marco Melo, Jorge Carvalho, Ibarê Dantas, Jackson Silva Lima. E eles orientavam-me, mostrando algumas coisas que eu deveria seguir e me aprofundar mais. Essas pessoas davam orientação da condução do roteiro do trabalho, a quem eu muito agradeço.

JLPolítica - Em síntese, o que diz o professor Ibarê Dantas no prefácio que ele faz ao livro?
DB -
Ibarê considera um trabalho de valor. Ele inclusive é até bondoso comigo em relação a isso, mostrando que eu, em função da minha relação com Zé Leite, procurei desvendar bem a vida desse homem público. E mostra-me e aos leitores que realmente valeu a pena fazer esse trabalho.

JLPolítica - Como economista, o senhor trabalhou no segundo governo dele?
DB -
Trabalhei, sim, no segundo governo. Inicialmente, eu era secretário adjunto de José Aloísio de Campos. Aloísio saiu para ser reitor da Universidade Federal de Sergipe e eu passei a ser secretário de Planejamento.

JLPolítica - Mas nesse momento tem um caso curioso sobre sua vida se cruzando com a ditadura militar?
DB -
Sim, nesse ponto, tem uma coisa interessante. Como eu era adjunto, passei a responder pelo expediente do Condese como secretário de Planejamento e sempre que eu ia despachar com Zé Leite, dizia-lhe que estava na hora dele indicar um titular. Ele dizia: “Continue trabalhando como se fosse o secretário”. E eu ali continuava. Uma tarde ele me chama e me dá um envelope, falando que ali era o meu ato liberatório do Quarto Exército - porque eu havia sido preso em 1968, como estudante e membro do Movimento Estudantil. Veja: em silêncio, ele buscou a minha liberação, e ali saiu o decreto me nomeando secretário.

UMA FORMAÇÃO ESCOLAR ITINERANTE
“Zé Leite começou a estudar no Salesiano. Aos nove anos, foi para Salvador. Estudou no Colégio Padre Antônio Vieira, para onde iam quase todos os sergipanos da sua geração. Quando concluiu o curso médio, foi para Ouro Preto, em Minas”

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E de Andrea Carla Barreto Miranda

JLPolítica - É possível dizer que José Rollemberg Leite está entre os melhores governadores se Sergipe nesses 200 anos de história e emancipação do Estado?
DB -
É possível, sim. Eu acho que Zé Leite é um dos maiores governadores de Sergipe. Isso com base no trabalho dele, na seriedade dos seus princípios. Na visão política, de quem agiu sem fazer politicagem. Tinha as concessões políticas para agradar a Arena, mas não fazia politicagem no comando do governo. Era sensato.

JLPolítica - O senhor o compararia a qual outro governador de Sergipe nesses 200 anos?
DB -
Eu o compararia ao grande Graccho Cardoso. E faço isso em função justamente do valor da educação que Graccho Cardoso dava e também porque Graccho Cardoso foi um homem íntegro. Honesto. Essa postura de Graccho Cardoso era também a postura de Zé Leite. E posteriormente a 1974, as de Augusto Franco e de João Alves Filho.

JLPolítica - Em que áreas as ações dos dois governos dele mais marcaram a vida de Sergipe?
DB -
No primeiro governo, ele marcou profundamente a educação. No segundo, o desenvolvimento industrial, na exploração dos recursos minerais, inclusive quando acabou a licença do Grupo Lúmem, surgiu a Petromisa/Petrobras, numa campanha de Aloísio Campos, do jornalista Orlando Dantas, de Zé Leite, que também assumiu essa defesa dos interesses de Sergipe. O Governo criou, então, a Petrobras Mineração, daí veio o boom do potássio, da Petromisa.

JLPolítica - Como Zé Leite começa a vida pública e política?
DB -
Veja a coincidência: ele se inicia na vida pública como diretor do Departamento de Educação na gestão de Milton Azevedo na intervenção do Estado, durante o Estado Novo. A visão política dele só vai acontecer com Azevedo, o interventor por cerca de um ano e meio, mais ou menos, porque depois entra Maynard Gomes e encerra o período do Estado Novo. Aí Zé Leite era apenas um técnico jovem. Então a iniciação política dele mesmo só vai acontecer com a redemocratização. Aí se filia ao Partido Social Democrático, o velho PSD de então. Começa assim a iniciação política dele.

JLPolítica - A primeira candidatura dele é ao Governo do Estado? Ele não disputou nada antes?
DB –
Sim. A primeira candidatura dele é ao Governo de Sergipe, em 1947. É aí que ele inicia a carreira política. Você não pode chamar Zé Leite de político na expressão da lata da palavra. Eu estou dizendo que ele não era um político. Por que? Porque ele não corria atrás, ele não brigava pra ser político. Não ligava pra ser governador, pra ser deputado. As coisas aconteciam e ele aceitava. Ele não era nada impositivo. Diferentemente de Leandro Maciel, diferentemente de Júlio Leite e do irmão Leite Neto, senador.

DA DURAÇÃO DA PESQUISA PRO LIVRO
“Comecei a pesquisar há 5 anos. Foi um trabalho de prospecção nas bibliotecas, nos jornais, em livros e nas próprias instituições onde Zé Leite estudou. Houve épocas em que parei em função do meu desejo da perfeição”

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É avô de Pedro Augusto, 20 anos, e Mariana, 10, da parte de Andrea, e de Dilson Neto, 17, e Luis Felipe, 10, da de André

JLPolítica - Há uma diferença entre a ação de Zé Leite no governo democrático dele para o biônico? Há diferença de ação como governador?
DB -
Há. Em função das limitações financeiras, em função das disponibilidade de equipe técnica - isso no primeiro mandato. Ali, havia dificuldade financeira, limitação da equipe técnica. Ele foi muito melhor governador no segundo, justamente em função da disponibilidade financeira e da disponibilidade de montar uma equipe técnica de qualidade, porque tinha um órgão de desenvolvimento que deu todo suporte a ele.

JLPolítica - Zé Rollemberg foi o primeiro suplente do próprio irmão Leite Neto no Senado. Em que circunstâncias ele assumiu o mandato de senador e por que período?
DB -
No final de dezembro de 1964, Leite Neto faleceu. Então como suplente, Zé Leite assume em janeiro de 1965 e vai até janeiro de 1971. Praticamente Leite Neto só passou um ano no Senado.

JLPolítica - O que de novo sua pesquisa indica do mandato dele como senador? O que de diferente ele fez?
DB -
Zé Leite teve uma postura proativa de observador. Ele não procurou ter uma postura crítica, de muita revolução. Nada disso. Ele ficou mais na postura de observador, e limitava-se a fazer seus pronunciamentos voltados para economia. A economia nacional, a do Estado, a do Nordeste. Inclusive ele é considerado por Petrônio Portela o “o senhor do silêncio profícuo”, justamente porque Zé Leite ficava observando, ouvindo, mas não emitia opinião pra tudo.

JLPolítica - Além da condição de sobrinho, quais foram os outros elos entre ele e o senador Júlio Leite?
DB -
Ele tinha uma admiração muito grande por esse tio industrial e político. E dizem que mesmo já velho ele ainda pedia a bênção a Júlio Leite, como era de costume aos da geração dele. O respeito era tão grande que ele pedia a bênção todos os dia ao tio Júlio Leite.

JLPolítica - Como se deu a história de que Júlio Leite arrumou um jeito de fazer um emenda legislação eleitoral do Brasil para que Zé Leite concorresse ao Governo de Sergipe em 1947 mesmo sem estar com os 35 anos exigidos?
DB -
Bom, com a eleição, o PSD estava em dificuldade de indicar um candidato. A minha impressão que está no livro, é a de que Leite Neto, o irmão, queria ser o candidato. Queria se candidatar a governador. Tanto que ele abriu em todos municípios do Estado vários diretórios municipais do PSD. Mas veja: Júlio Leite não aceitava Leite Neto como candidato. Então, quem seria o candidato que Leite Neto aceitasse? Júlio Leite indicou então Zé Rollemberg Leite, mas esse não tinha os 35 anos exigidos pela legislação. Júlio Leite era brigado com Leite Neto, dessas brigas políticas. Aí Júlio Leite resolveu criar uma emenda da lei eleitoral para reduzir a idade para 30 anos, porque José Leite tinha 34 anos e 6 meses. A UDN achava que não ia passar e que o presidente da República não ia sancionar essa lei. Engano. A lei foi aprovada e sancionada pelo presidente da República. Isso garantiu a Zé Leite a candidatura ao Governo do Estado.

DESENCRAVANDO UMA INTERDIÇÃO DA DITADURA
“Uma tarde ele me chama e me dá um envelope, falando que ali era o meu ato liberatório do Quarto Exército - porque eu havia sido preso em 1968, como estudante e membro do Movimento Estudantil”

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Em 1968, ele se fizera economista pela Universidade Federal de Sergipe

JLPolítica - Com quantos votos de diferença ele ganha a eleição em 1947 para Luiz Garcia?
DB -
Ganha com 15 mil votos de frente. Para época, foi uma boa vitória. Em 1952, Luiz Garcia ganha com apenas 4.700 votos de diferença.

JLPolítica - Além de Acrísio Cruz e de Aloísio de Campos, que outros nomes sergipanos tiveram papeis fundamentais nos Governos de Zé Rollemberg?
DB -
Muita gente. Figuras como Manoel Cabral Machado e João de Araújo Monteiro foram secretários de Segurança Pública. Monteirinho no primeiro. No segundo governo teve Everaldo Prado Aragão na Educação; Adroaldo Campos, Geraldo Barreto na Agricultura; Fernando Porto, um grande amigo dele; Enivaldo Araújo, que foi o secretário da Fazenda. Foram grandes nomes.

JLPolítica - Quais os papéis do Barão de Japaratuba, bisavô, e de Gonçalo Rollemberg, o avô, na política e na formação pessoal de José Rollemberg Leite?
DB -
O Barão de Japaratuba era um coronel que mandava na política da região do Cotinguiba. Quer dizer: a influência para José Rollemberg Leite veio em função da descendência. Ele chegou a conviver com o avô, Gonçalo Rollemberg. Então, toda essa engenharia da política ele absorveu. O pai dele era Sílvio César Leite, o médico. Gonçalo Rollemberg foi senador.

JLPolítica - Como João Alves Filho cruza o caminho do governador José Rollemberg e vira prefeito biônico de Aracaju com o aval dele?
DB -
José Leite conheceu João Alves numa palestra que ele estava proferindo na Escola Superior de Guerra sobre Aracaju. Era sobre a estrutura urbana de Aracaju e possíveis soluções para o desenvolvimento da cidade. Ele ficou bastante impressionado com aquele jovem, e por isso o convidou para conversar. Em função dessa conversa, partiu o convite para assumir a Prefeitura de Aracaju. A relação entre os dois era muito boa. Apareceu ali um relacionamento bastante integrado entre eles.

JLPolítica - Por que e em quais circunstâncias Rollemberg Leite perde o mandato de senador para Lourival Batista?
DB -
Inicialmente, houve uma discussão com o presidente da República de que Zé Leite seria o candidato ao Senado via eleição e Lourival Batista também seria candidato ao Senado.

EM SINTONIA COM O BOOM MINERAL DE SERGIPE
“No primeiro governo, ele marcou profundamente a educação. No segundo, o desenvolvimento industrial, na exploração dos recursos minerais. O Governo criou, então, a Petrobras Mineração, daí veio o boom do potássio, da Petromisa”

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Foi um militante estudantil e terminou preso pela ditadura militar

JLPolítica - Via eleição direta? Os dois?
DB -
Sim, e isso foi em 1971. Mas, no momento em que ele estava prestes a ganhar a eleição, Augusto Franco também se candidata. Então, ficaram três candidatos. Na votação lá do partido para a escolha dos nomes, Lourival Batista teve 61 votos enquanto Zé Leite teve 60. Ou seja, perdeu a eleição por um voto.

JLPolítica - O senhor conviveu com Rollemberg Leite até 1996. O que lhe leva a caracterizá-lo como um homem progressista?
DB -
Creio que pelo pensamento dele, sempre voltado para o progresso e para o desenvolvimento. Pelas ideias que ele tinha com relação a esse processo de desenvolvimento de Sergipe. Pela maneira estabelecida e a trajetória para construção de um processo de desenvolvimento do Estado. Pela forma como ele encarava a gestão do Estado.

JLPolítica - Qual a garantia que o leitor terá de que não lerá no seu um livro cansativo?
DB -
A garantia está na forma mais ou menos simples com que eu elaborei e desenvolvi o livro. E a sequência que lhe é dada - do início da vida até o final dela. Toda uma trajetória. E está escrito de forma bem leve para que o leitor possa se debruçar sem trabalho e possa entender. Até a parte de análise sobre as obras eu procurei dar uma leveza no relato para não cansar o leitor.

JLPolítica - O senhor considera o livro uma biografia completa?
DB -
Diria que não. Eu não sou um historiador. Eu creio que se trate de biografia sob o olhar de um economista. Um historiador e um pesquisador certamente irão encontrar novas vertentes para completar essa biografia. Mas o livro instaura um caminho muito promissor.

JLPolítica - O senhor submeteu o livro a alguns intelectuais sergipanos. A quem e como eles reagiram?
DB -
Todos a quem submeti reagiram muito bem. Inclusive, estimulando a continuar a pesquisa, orientando novas diretrizes, corrigindo aspectos que não estavam bem colocados e me animando para que transformasse aqueles escritos em um livro. Acolhi todas as observações. Inclusive, as de Teresinha Oliva, a quem submeti também. Inclusive, mostrando que em vez de eu falar somente na parte política, abordasse a parte de economia. Já que sou um economista, tinha que ter um foco econômico da época.

DOS DOIS MANDATOS DE ZÉ LEITE
“Ele foi muito melhor governador no segundo, justamente em função da disponibilidade financeira e da disponibilidade de montar uma equipe técnica de qualidade, porque tinha um órgão de desenvolvimento que deu todo suporte a ele

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A partir do segundo Governo de Zé Leite, ocupou a Secretaria de Estado do Planejamento

JLPolítica - O senhor carrega as tintas na economia?
DB –
Diria que sim. O comportamento da economia naquele período em que José Leite foi governador.

JLPolítica - Essa pesquisa pode lhe estimular a se aventurar na biografia de algum outro sergipano do mundo político?
DB -
Pode, sim. Estou muito motivado para continuar nessa trajetória de escrever biografias. Tenho em mente dois grandes nomes: José Aloísio de Campos e João Alves Filho. Merecem.

JLPolítica - Qual a importância de Aloísio de Campos para o Estado de Sergipe?
DB -
Ele foi um visionário para o desenvolvimento de Sergipe. A luta pela industrialização e pelos recursos minerais passa impreterivelmente por ele. E o papel que o Condese deveria exercer de liderança como órgão que comandasse o desenvolvimento. Tudo isso é fruto dessa perspicácia e dessa vontade. Dessa visão de Aloísio Campos. Dessa boa e sana ambição que ele tinha pela industrialização de Sergipe.

JLPolítica - Ele não teve cargo eletivo?
DB -
Não. Foi só e somente um técnico.

JLPolítica - O senhor acha que Sergipe reconhece ou subestima a importância de João Alves Filho enquanto agente público?
DB -
Creio que Sergipe reconhece. Mas acho que ele mereceria mais. João Alves Filho tem uma importância muito grande na reconstrução de Aracaju e no desenvolvimento do Estado como um todo. Ele deveria ser muito mais homenageado e reconhecido.

DO RESPEITO DE ZÉ LEITE AO TIO JÚLIO LEITE
“Ele tinha uma admiração muito grande por esse tio industrial e político. E dizem que mesmo já velho ele ainda pedia a bênção a Júlio Leite, como era de costume aos da geração dele”

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Aqui, com duas figuras de peso da Economia: Antonio Carlos Borges e Otaviano Canuto

JLPolítica - Qual a importância do apoio que o senhor recebeu da senadora Maria do Carmo e do advogado José Rollemberg Leite Neto para a publicação deste livro?
DB –
Teve toda importância. Mas, em primeiro lugar, gostaria de dizer o seguinte: esse apoio não existiria se não fosse o papel do Portal JLPolítica. Eu estava preocupado em como publicar esse livro, pois eu não tinha recursos financeiros para custear na envergadura que eu tinha escrito. E você, Jozailto Lima, colocou isso em seu Portal. Como consequência da nota, a primeira pessoa a se prontificar para custear a publicação do livro foi a senadora dona Maria do Carmo. Ela me ligou no dia em que o Portal deu a notícia e entrou com 50% e José Rollemberg Leite Neto com os outros 50% do custo.

JLPolítica - Do neto, sabe-se os motivos. Mas e dona Maria, por que teve esse desprendimento?
DB -
Pela gratidão que ela teve com o ex-governador Zé Leite, em função de ter sido ele quem introduziu João Alves Filho na política. Na Prefeitura de Aracaju dali por diante João se fez.

JLPolítica - O senhor tirou quantos exemplares?
DB -
Foram 600 exemplares.

JLPolítica - Por que o senhor decidiu doar integralmente para a Avosos a renda a ser gerada com o livro?
DB -
Pelo seguinte: eu ganhei a publicação. Se eu ganhei, não seria honesto eu querer me valer da venda do livro para benefício próprio. Tenho que reverter essa receita para alguém. Escolhi a Avosos em função do trabalho bonito e digno que ela presta no combate ao câncer em Sergipe.

JLPolítica - Depois de ter o livro editado, o senhor descobriu algum fato que gostaria de ter se aprofundado mais e não o fez?
DB -
Ainda não. Mas isso pode ocorrer. Se houver uma segunda edição, eu farei a revisão.

NO CONTEXTO DE UMA OLIGARQUIA
“O Barão de Japaratuba era um coronel que mandava na política da região do Cotinguiba. Quer dizer: a influência para José Rollemberg Leite veio em função da descendência. Ele chegou a conviver com o avô, Gonçalo Rollemberg”

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Aqui, com o amigo João Oliva, que faleceu recentemente