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Entrevista

Jozailto Lima

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Edmilson Brito: “Vivemos, sim, um momento de precarização do jornalismo”

“Sindijor ganhou o respeito dos jornalistas, da sociedade e da classe patronal”
26 de abril - 8h00

De uma profissão de grande estatura até outro dia, a ponto de ser classificada eufemisticamente de o quarto poder, a do jornalismo vem sofrendo reveses insuportáveis no Brasil e em Sergipe.

A cada golpe, tentam lhe amputar polegadas e polegadas de importância. E nem são as mudanças de meios os seus maiores inimigos, como a evolução avassaladora do status online e a migração de conceitos.

Em 2009, o Supremo Tribunal Federal promoveu-lhe a primeira tungada, ao derrubar a exigência do diploma de curso superior de Comunicação Social para que se tenha acesso à profissão de jornalismo.

Imagine se um médico ou um engenheiro civil entrassem para a medicina e para a engenharia sem terem passado pelos respectivos cursos da área. Mas com o jornalismo isso se deu há 11 anos e ninguém jamais conseguiu mais alterar.

Agora, sob a Presidência do capitão Jair Bolsonaro, a tentativa de golpe foi um pouco mais abaixo da linha da cintura: na Medida Provisória 905 que ele mandou ao Congresso Nacional, pediu o fim da exigência do registo profissional no Ministério do Trabalho como salvo conduto para que se exerça a profissão de jornalista.

Ou seja, se era possível ingressar na atividade sem diploma, que agora não houvesse qualquer controle de classe. Era como se se matassem a OAB dos advogados - como, aliás, é a intenção do atual Governo Federal, que não respeita nada que se constitua organizado para além dos interesses dele.

Felizmente, a MP 905 caiu no Congresso semana antepassada por mera caduquice. Gorou. Mas, antes, ela atravancou a pauta de luta de Federação Nacional dos Jornalistas - Fenaj - e dos Sindicatos dos Jornalistas Profissionais dos Estados, os chamados Sindijors. 

E o Sindijor de Sergipe esteve atento ao pé disso. Com a justificada preocupação que a medida apresentada exigia. “Ele pode editar novamente outra medida. Esperamos que com a nova medida não trate da questão do registro profissional do jornalista, pois com a pressão de sindicatos, Fenaj e de centrais sindicais na votação da Câmara já havia sido modificado o artigo que tratava deste assunto”, diz o jornalista Edmilson Brito, presidente do Sindijor de Sergipe.

Com um pé adiante e um outro atrás, Edmilson Brito celebra a morte por caduquice da MP 905. “Estava esperando isso com muita ansiedade e recebi com alegria, pois foram dias de luta para derrubar mais uma medida que penaliza ainda mais a nossa profissão de jornalista por um governo que busca desregulamentar as profissões e tirar direitos dos trabalhados conquistados à base de muita luta e até sangue de muitos líderes sindicais ao longo da nossa história”, diz ele.

Edmilson Brito, 46 anos, tomou posse na Presidência do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Sergipe no ano passado para um mandato de 36 meses. Mas já conhece por dentro a realidade da categoria pela vivência de seis anos como vice-presidente das gestões de Paulo Sousa.

E Edmilson Brito não é do tipo que doura pílula. “Vivemos, sim, um momento de precarização do jornalismo”, diz ele. “Com o fechamento ou o encolhimento dos grandes impérios de comunicação, os jornalistas partem para o empreendedorismo e para as assessorias públicas, que são comissionadas ou contratadas de forma terceirizada e isso, muitas vezes, leva à precarização da atividade. Sem contar que nas redações também já há essa precarização”, sustenta Edimilson.

Tudo isso se dá mesmo com o Sindijor não baixando a meio pau sua bandeira de luta. Edimilson diz que entre os presumíveis dois mil profissionais de comunicação de Sergipe - os com diploma -, só cerca de 30% deles se filiam ao Sindijor e que com esses 30% transformados em 100% a participação em contribuição é baixa.

“Em média a inadimplência gira em torno de 25% a 30%. Estamos vivendo um problema maior agora na pandemia, por causa de muitos cortes de salário e até de suspensão de contratos, o que somos contrários, mas entendemos que o momento é de garantir o emprego”, diz ele.

Nesta Entrevista Edmilson Brito vai dizer o que o Sindijor faz para dificultar a vida dos chamados jornalistas precários, informará que ações a instituição toma para favorecer os diplomados que se filiam e sustentará que os dois cursos de Comunicação Social existentes no Estado não entregaram o corpo ao chão apesar do fim da exigência do diploma.

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Tomou posse na Presidência do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Sergipe no ano passado para um mandato de 36 meses
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Edmilson Santos Brito nasceu no dia 14 de fevereiro de 1974 na cidade de Nossa Senhora da Dores

SUSPENSÃO DA DESREGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO
“Estava esperando com muita ansiedade e recebi com alegria, pois foram dias de luta para derrubar mais uma medida que penaliza ainda mais a nossa profissão de jornalista, por um governo que busca desregulamentar as profissões”

JLPolítica - Como é que o senhor recebe a morte da intenção de acabar com o registro do jornalista profissional, feita a partir da caducagem da Medida Provisória 905 da Presidência da República, onde esta intenção estava inserida?
Edmilson Brito -
Estava esperando isso com muita ansiedade e recebi com alegria, pois foram dias de luta para derrubar mais uma medida que penaliza ainda mais a nossa profissão de jornalista, por um governo que busca desregulamentar as profissões e tirar direitos dos trabalhados, conquistados à base de muita luta e até sangue de muitos líderes sindicais ao longo da nossa história. 

JLPolítica - O senhor teme que esta intenção seja ressuscitada lá na frente?
EB -
Sim. A medida provisória 905, que tratava da carteira verdade e amarela e da questão da queda do registro profissional de jornalista e de mais de uma dezena de profissões junto a um órgão governamental iria caducar na segunda-feira passada, porém o presidente da República a revogou em um acordo com o presidente do Senado. Dessa forma, ele pode editar novamente outra medida. Esperamos que com a nova medida não trate da questão do registro profissional do jornalista, pois com a pressão de sindicatos, Fenaj e de centrais sindicais na votação da Câmara já havia sido modificado o artigo que tratava deste assunto.

JLPolítica - A quem serve a desregulamentação total da profissão de jornalista?
EB -
Só não serve à sociedade e a nós profissionais, pois o registro é a garantia de termos o controle dos profissionais que atuam. Em nosso caso, de jornalistas, prestamos um serviço relevante, pois tratamos de notícias que podem mudar o curso de vidas, e é extremamente prejudicial, principalmente em tempos de fake news.

JLPolítica - Aquele primeiro golpe do STF, inclusive com a chancela do ministro sergipano Carlos Ayres Britto, que tornou desnecessária a habilitação acadêmica para o exercício do jornalismo em 2009, não terá condição de ser anulado?
EB -
Foi realmente um grande golpe a queda da flexibilização do diploma de nível superior para o exercício da nossa profissão. Não somente para nós profissionais jornalistas, mas para a sociedade, pois na era moderna, em tempos que a comunicação é cada vez mais dinâmica e o jornalismo integrante desse ramo é parte de uma ciência que tem métodos e técnicas próprias que são aprimoradas a cada instante, é algo inaceitável e isso depois de mais de 40 anos de regulamentação. Por isso, nós do Sindijor/SE continuamos lutando para este reestabelecimento e somos o único sindicato no Brasil a amparar em nossa convenção coletiva a obrigatoriedade do diploma de nível superior em jornalismo para a contratação de jornalistas nas empresas de comunicação de Sergipe.

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É casado com economista e professora de Português e Espanhol - concursada do Governo do Estado como professora - Ana Lúcia dos Santos Brito, com quem é pai do garoto Saullo dos Santos Brito, de 8 anos

SONHANDO POR ABOLIR O GOLPE DO STF
“Foi realmente um grande golpe a queda da flexibilização do diploma de nível superior para o exercício da nossa profissão. Não somente para nós jornalistas, mas para a sociedade, pois na era moderna, em tempos que a comunicação é cada vez mais dinâmica, é algo inaceitável”

JLPolítica - Mas esforços continuam sendo feitos para restituir o diploma?
EB -
Sim. Continuamos lutando junto com a Fenaj e demais sindicatos do Brasil, para poder anular essa decisão com a aprovação da proposta da PEC 33, se não me engano de 2009, de autoria do então senador Antonio Carlos Valadares, que já foi aprovada no Senado e está em tramitação na Câmara Federal, que já passou por todas as comissões e é esperada para ser votada em plenário.

JLPolítica - É fácil o exercício sindical numa atividade que está sendo bicorada e desconstituída a todo instante no dia a dia?
EB -
Não. Não é fácil, porém ao longo dos últimos anos na gestão de Paulo Sousa, da qual fui vice-presidente pelos mandatos, demos uma nova roupagem ao Sindijor/SE, trazendo filiados antigos e conquistando novos. Logicamente que ainda não é o suficiente, mas acho que o sindicato ganhou respeito dos jornalistas, da sociedade e até da classe patronal, à medida que antes de qualquer atitude radical buscamos sempre o diálogo.

JLPolítica - Na prática, isso tem deixado bons resultados?
EB -
Isso tem acarretado em resultados importantes, pois nos últimos anos sempre tivemos reajuste um pouco acima da inflação, conquistamos o plano médico e odontológico, a cláusula na convenção obrigatória do diploma, como já disse, prêmios de jornalismo e tantas outras parcerias. Sempre estivemos e estaremos na vanguarda e na defesa dos jornalistas e do jornalismo em Sergipe.

JLPolítica - Mas qual é o verdadeiro espaço do jornalismo nesta seara de mídias socais, na qual o cidadão-só-consigo-mesmo e um dispositivo eletrônico se constituem meio, mensagem e razão absoluta?
EB -
As mídias sociais vêm tomando um espaço gigantesco e mudando conceitos e formas de atuação da comunicação, abrindo caminhos para que qualquer cidadão possa exercer de forma mais abrangente sua liberdade de expressão. É um caminho livre para qualquer pessoa se expressar. Não sou contra isso. Porém é preciso ter regras, pois muitos com uma câmara na mão se acham repórteres e às vezes disseminam notícias não verdadeiras, as chamadas fake news. Por isso a nossa profissão é tão importante, pois tem todo o conhecimento técnico e condições de checagem das notícias com probabilidade de errar menos. Apesar desta invasão às nossas atividades jornalísticas, as mídias sociais e a própria internet como um todo passaram a ser uma válvula de escapa. Mais do que isso: tem sido o meio para o qual grandes profissionais têm migrado e garantido a sua sobrevivência. Logicamente que defendemos um maior controle naquilo que é a sua liberdade de se expressar e no que seria a invasão da atividade jornalística. Pra isso precisamos de normas regulamentadoras que garantam e promovam a nossa profissão de forma mais específica na internet e de mídias sociais que é um campo, a meu ver, propício para que qualquer pessoa se expresse, mas não para a atividade jornalística de apurar, depurar e disseminar notícias. 

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Ele é filho de José Brito e Delice Santos Brito

DA NECESSIDADE DE REGRAS PARA AS MÍDIAS SOCIAIS
“As mídias sociais vêm tomando um espaço gigantesco e mudando conceitos e formas de atuação da comunicação, abrindo caminhos para que qualquer cidadão possa exercer de forma mais abrangente sua liberdade de expressão. É um caminho livre para qualquer pessoa. Não sou contra isso. Porém é preciso ter regras”

JLPolítica - O Sindijor tutela o que e a quem numa hora e numa circunstância desta?
EB -
A tutela do Sindijor é com os jornalistas profissionais - e aí entendemos os que têm nível superior e com o jornalismo, nada mais. É a nossa bandeira de luta, sendo uma espécie de fio condutor.

JLPolítica - Quais são as orientações mais nobres da Fenaj nesta hora e diante de tudo isso?
EB -
A Fenaj, da qual tenho orgulho de fazer parte como vice-presidente para a região Nordeste 2 (Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe), tem sido a grande defensora, em nível nacional, dos nossos direitos. A orientação dela é sempre de defesa das nossas conquistas, não ficando escondido, criando estratégias de negociação e de diálogo constante. Apesar de, como a maioria das entidades sindicais, o Sindijor enfrentar as dificuldades de um momento de enfraquecimento cada vez mais voraz das entidades representativas dos trabalhadores. Porém, a Fenaj mantém-se firme junto aos sindicatos, nos orientando e nos fortalecendo no enfrentamento dessa nova filosofia liberal, conservadora e autoritária que se instalou no Brasil.

JLPolítica - É uma utopia achar que uma entidade sindical possa competir com as fake news e extingui-las?
EB -
Talvez a entidade sindical sozinha, sim. Mas ela tem papel importante no diálogo e na conscientização dos profissionais para o enfretamento deste mal que sempre existiu, é bem verdade, mas que toma forma gigante com a internet e as mídias sociais. Essa utopia pode ser superada com a união, a organização e a nossa atuação constante.

JLPolítica - O que move a mão, a mente e a ética de quem produz e compartilha notícias falsas?
EB -
Com certeza, não é o bem comum, mas sim o interesse particular do divulgador ou de quem o contratou, que acaba levando milhares de pessoas que, às vezes, não tem maldade nem o preparo técnico a propagarem estas notícias falsas para interesses de concorrência. Dos fins políticos e tantos outros.

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“Foi realmente um grande golpe a queda da flexibilização do diploma de nível superior para o exercício da nossa profissão", lamenta

DO SUPORTE QUE VEM DA FENAJ
“A Fenaj mantém-se firme junto aos sindicatos, nos orientando e nos fortalecendo no enfrentamento dessa nova filosofia liberal, conservadora e autoritária que se instalou no Brasil. Fenaj, da qual tenho orgulho de fazer parte como vice-presidente para a região Nordeste 2, tem sido a grande defensora dos nossos direitos”

JLPolítica - Qual é o peso da mídia online hoje na comunicação social de Sergipe?
EB -
Não somente em Sergipe, mas no Brasil e no mundo o peso é muito forte. Prova disso é o impacto nas receitas dos veículos de comunicação, que agora são obrigados a dividir a fatia da publicidade com pequenos e grandes investidores da comunicação online. Aqui em Sergipe percebo que os veículos de comunicação, principalmente os jornais, não investiram neste ramo ou investiram de forma equivocada.

JLPolítica - Mas o fato de ela, a mídia online, ter dado cabo dos coronéis da comunicação, isso não resulta em algo positivo?
EB -
Não resta dúvida que a mídia online deu espaço ao emergente é e importante, como já tinha dito antes, para a abertura de um novo campo de atuação e de protagonismo dos jornalistas, por isso positivo, como é o caso deste Portal JLPolítica e de outros aqui conhecidos em nosso Estado e do Brasil.

JLPolítica - Mas falta algo?
EB -
Sim. Falta uma melhor regulamentação, pois estamos vendo muita gente despreparada se arvorando de imprensa e tomando espaço de quem realmente sabe e tem competência para fazer jornalismo.

JLPolítica - Há muita informalidade da mão de obra do setor do jornalismo hoje?
EB -
Sim, com o fechamento ou o encolhimento dos grandes impérios de comunicação, os jornalistas partem para o empreendedorismo e para as assessorias públicas, que são comissionadas ou contratadas de forma terceirizada e isso, muitas vezes, leva à precarização da atividade. Sem contar que nas redações também já há essa precarização. Vivemos, sim, um momento de precarização do jornalismo.

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“A Fenaj mantém-se firme junto aos sindicatos, nos orientando", assegura

HÁ INFORMALIDADE E PRECARIZAÇÃO DA MÃO DE OBRA
“Sim, com o fechamento ou o encolhimento dos grandes impérios de comunicação, os jornalistas partem para o empreendedorismo e para as assessorias públicas, que são comissionadas ou contratadas de forma terceirizada e isso, muitas vezes, leva à precarização da atividade”

JLPolítica - Não é preconceito tratar de jornalista precário a quem pulou o muro da formação acadêmica e se apossou de um registro profissional da DRT?
EB -
Talvez a palavra não fosse essa. Mas como podemos aceitar chamá-lo de profissional. O Sindijor não associa pessoas que não passaram por uma faculdade ou universidade para aprimorar as técnicas e os conceitos do bom jornalismo, que é reconhecido como uma ciência humana, que lida com a vida e as liberdades humanas. Pois temos conhecimento de inúmeros casos que uma notícia mal elaborada, sem a devida investigação, pode acarretar em danos enormes para quem teve seu nome envolvido de forma equivocada e, quem sabe, até maldosa.

JLPolítica - Quantos há nesta situação em Sergipe?
EB -
É uma boa pergunta, mas não temos este levantamento - quem sabe isso seja uma provocação para buscarmos esse número.

JLPolítica - Esse tipo de jornalista é sindicalizável ou o Sindijor não o acolhe?
EB -
O Estatuto do Sindijor é bem claro e somente aceita filiação de quem cursou uma faculdade de nível superior em jornalismo, ou aqueles que a gente chama de provisionados antigos, que foram acolhidos por anos de experiência antes da lei que regulamentou a nossa profissão e que lá atrás puderam se regularizar.

JLPolítica - Quantos são os jornalistas em Sergipe atualmente sob condição de registro profissional?
EB -
Temos em torno de uns dois mil profissionais e uma dificuldade de ter esse número exato em virtude do controle ser via governo e misturou com o registro dos não diplomados.

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Gente de comunicação: aqui, Edmilson Brito com Cris Silva, Manuelly Santos, Paulo Sousa e Amália Roeder

O JORNALISTA PRECÁRIO É BARRADA DA SINDICALIZAÇÃO
“O Estatuto do Sindijor é bem claro e somente aceita filiação de quem cursou uma faculdade de nível superior em jornalismo, ou aqueles que a gente chama de provisionados antigos, que foram acolhidos por anos de experiência antes da lei que regulamentou a nossa profissão

JLPolítica - Quanto por cento disso é sindicalizado?
EB -
Esse é um dos desafios que temos que enfrentar: temos cerca de 30% de filiados, porque há muita rotatividade. Quando se perde emprego deixa de contribuir com o sindicato.

JLPolítica - Qual é o índice de inadimplência?
Edmilson Brito -
Em média a inadimplência gira em torno de 25% a 30%, porém muitos passam um tempo sem contribuir e depois vão ao sindicato e regularizam. Estamos vivendo um problema maior agora na pandemia, por causa de muitos cortes de salário e até de suspensão de contratos, o que somos contrários, mas entendemos que o momento é de garantir o emprego.

JLPolítica - No que deu a ideia de se unificar em Sergipe os sindicatos de jornalistas e de radialistas?
EB -
Houve um momento em gestões passadas que se entendeu a necessidade dessa unidade, porém por causa de alguns contratempos e de pontos de vistas na tática, essa unidade foi desfeita para a questão da convenção, mas temos pontos em comum em que não há problema de junção, como foi o caso do enfrentamento da MP 905 da queda do registro profissional, que foi reestabelecido com a revogação, em que atuamos juntos. Portanto, essa ideia digamos que está adormecida.

JLPolítica - O Sindijor hoje é um aparelho político a serviço de grupos como fora em gestões passadas recentes?
EB -
Não compreendo como aparelho político nestas gestões, mas como método de atuação diferente do nosso, que preferimos não nos alinhar com nenhum agrupamento, mesmo em partido ou com quem apoiamos individualmente.

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Edmilson Brito ao lado dos colegas Rosa Vasconcelos, diretora de Jornalismo da TV Sergipe, Miro Ribeiro, tesoureiro do Sindijor e Guilherme Fraga, do Departamento Jurídico e Paulo Sousa, ex-presidente do Sindicato

SOFRÊNCIA PARA MANTER MATERIALMENTE O SINDICATO
“Em média a inadimplência gira em torno de 25% a 30%, porém muitos passam um tempo sem contribuir e depois vão ao sindicato e regularizam. Estamos vivendo um problema maior agora na pandemia, por causa de muitos cortes de salário e até de suspensão de contratos”

JLPolítica - Mas o senhor é filiado a um partido.
EB -
Sim, sou filiado ao PT de São Cristóvão muito antes de me filiar ao Sindijor. Mas todos sabem a minha atuação e busco me preservar e preservar a entidade que represento. Tenho o dever pessoal de não colocar o Sindijor alinhado a grupos, porque assim entendo e formamos uma diretoria plural, além dos filiados também terem os seus posicionamentos. O que não abrimos mão é da defesa daquilo que é princípio do Sindijor, a defesa dos direitos dos trabalhadores, em especial dos jornalistas.

JLPolítica - Como é que está a participação de Sergipe na atual composição da Fenaj?
EB -
A presença de Sergipe na Fenaj está bem posicionada, com dois representantes - eu como vice-presidente para a Região Nordeste 2, representando e acompanhando os Estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe, e Paulo Sousa como diretor Institucional. Há muito tempo Sergipe não tinha nenhum representante na Fenaj, mantendo-se na oposição, mas agora conseguimos essa articulação.

JLPolítica - O que o Sindijor gera, materialmente, em favor de quem é sindicalizado?
EB -
Primeiro, entendo que o principal papel do sindicato é representar. É ser a voz do colega no diálogo um pouco mais positivo com a classe patronal, pois entre o profissional e o patrão você é muito mais desigual nessa negociação. Mas, efetivamente, nós temos buscado parcerias que dê ainda mais visibilidade a nossa profissão e contribua com a qualificação permanente.

JLPolítica - Por exemplo?
EB -
Temos uma parceria de pós-graduação no campo de assessoria de comunicação, mídias sociais e ética, além de outros cursos, com desconto de 20%. Temos uma parceria com outra faculdade no ramo de direito com desconto de 40% para quem é sindicalizado e fechamos uma outra parceria para cursos rápidos de técnicas de comunicação, que foram suspensos por causa da pandemia e que retornará logo após tudo isso passar. Além de tantas outras conquistas, como os prêmios de jornalismo, a meia entrada em cinemas e eventos culturais em Aracaju, vagas no concurso da Alese, que já ocorreu, e em breve da Câmara de Aracaju.

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Com o vice-presidente Milton Junior, o ex-presidente Paulo Sousa e a colega Tâmara Oliveira

DE OUTRAS ARTIBUIÇÕES LEVADAS A CABO PELO SINDIJOR
“O principal papel do sindicato é representar. É ser a voz do colega no diálogo um pouco mais positivo com a classe patronal. Mas, efetivamente, temos buscado parcerias que dê ainda mais visibilidade a nossa profissão e contribua com a qualificação permanente. Temos uma parceria de pós-graduação no campo de assessoria de comunicação, mídias sociais e ética, além de outros cursos, com desconto de 20%”

JLPolítica - Há algum convênio com planos de saúde?
EB -
Conseguimos colocar na convenção coletiva o direito dos empegados das empresas de comunicação à obrigação de obterem plano médico e odontológico com coparticipação de 50% da empresa.

JLPolítica - Como é esta parceria para pós-graduação e a da graduação entre o Sindijor e faculdades?
EB -
Os sindicalizados que estiverem com as contribuições em dia podem procurar o sindicato, pegar uma declaração e levar até a faculdade para obter o desconto pactuado.

JLPolítica - Qual é a interlocução entre o Sindijor e os dois cursos de Comunicação Social existentes no Estado - o da Unit e o da UFS?
EB -
De muito diálogo e de muita parceria, sempre que procuramos as duas universidades somos bem atendidos. Talvez esteja precisando de uma aproximação maior por parte nossa. Iríamos realizar, por exemplo, no Dia do Jornalista deste ano, o 7 de abril, juntamente com a Unit, um encontro dos estudantes e profissionais com a presidente nacional da Fenaj, mas por causa da pandemia tivemos que cancelar.

JLPolítica - Esses cursos se sentem depreciados depois de tantos ataques à formação acadêmica e à profissão em si?
EB -
Em um primeiro momento, achei que sim. Mas as duas universidades mantêm os cursos da mesma forma e sempre com uma procura razoável, talvez pela forma como temos atuado na valorização da nossa profissão, na exigência do diploma confirmado na convenção e, diga-se de passagem, as emissoras de Sergipe têm cumprido esse acordo, com alguma pontualidade de problemas que no diálogo resolvemos.

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“O principal papel do sindicato é representar. É ser a voz do colega no diálogo um pouco mais positivo com a classe patronal", pontua

DO USO POLÍTICO DO SINDIJOR POR SEUS CONDUTORES
“Sou filiado ao PT de São Cristóvão muito antes de me filiar ao Sindijor. Mas todos sabem a minha atuação e busco me preservar e preservar a entidade que represento. Tenho o dever pessoal de não colocar o Sindijor alinhado a grupos, porque assim entendo e formamos uma diretoria plural”

JLPolítica - Qual o impacto da Pandemia da Covid-19 para a atividade jornalística?
EB -
Tivemos um efeito devastador, desde o risco do exercício da profissão à perda de direitos, assim como está sendo para todos os demais trabalhadores, ainda mais tendo um presidente de República que faz questão de ir de encontro à ciência. Quando o mundo e países desenvolvidos tentam proteger as pessoas em primeiro lugar, ele defende por primeiro as empresas, a economia, que podem se recuperar, mas quem perde a vida e quem perde um ente querido não tem mais volta.

JLPolítica - As medidas do Governo dele não são eficazes nestas horas?
EB -
Olha, esse presidente edita uma nova Medida Provisória com o argumento de proteger os empregos, porém quem se beneficia mais são as empresas que têm o direito de reduzir salários e de suspender contatos de trabalho e o governo cobre apenas parte, deixando o trabalhador, que em sua maioria já ganha pouco, com salário reduzido. Nós combatemos e não aceitamos isso de forma veemente.

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"Tenho o dever pessoal de não colocar o Sindijor alinhado a grupos, porque assim entendo e formamos uma diretoria plural”, explica