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Entrevista

Jozailto Lima

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Eduardo Amorim: “Eu temo a força da grana na hora final”

Publicado em 3 de outubro de  2018, 21:00h

“Para defender os pobres, boto a faca entre os dentes e vou à guerra”

Nada de fogo morto. O senador Eduardo Amorim, PSDB, trata a sua candidatura ao Governo do Estado de Sergipe como um engenho de chaminé ativa. Em plena moagem, à espera de uma safra positiva na contagem final da sua lavoura eleitoral neste domingo, dia 7.

“Acredito que eu serei eleito governador de Sergipe”, diz Eduardo Amorim, na resposta à pergunta “Se o senhor não for eleito, abandona a política?”, formulada nesta entrevista. “Nem penso nisso”, diz. “Mas eu tenho profissão, e é a Medicina”, arremata.

Esta é a segunda vez que Eduardo Amorim disputa o Governo de Sergipe - o fez em 2014, quando perdeu para Jackson Barreto por 121 mil votos num primeiro turno. Ele passou quatro anos se aplicando para uma espécie de revanche contra seus algozes. Chegou a ser líder nas pesquisas.

Hoje, às vésperas da eleição, Eduardo Amorim ocupa uma nada simpática terceira posição em todas as pesquisas, e se vê engessado por uma rejeição um tanto salgada. Mas ele não perde o bonde e a esperança, e se recusa a voltar pálido para casa antes da hora.

Acha que durante a campanha passou um bom recardo aos sergipanos, entende que eles compreenderam e acredita que dia 7 fará uma boa colheita. “O sergipano está sentindo na pele, e alguns no bolso, o descaso que aí está. Agora é hora da mudança. E com certeza, muitos sabem disso até mais do que eu. Eles conseguiram sim captar nossa mensagem. Só defende esse Governo quem tem algum interesse nele”, diz.

Ao fim da mensagem, acredita Eduardo, os sergipanos indecisos haverão de ver nele o mais preparado, e lhe referendarão. “A gente vê que mais de 40% dos eleitores ainda não se decidiram com relação ao voto de Governo. Existe um vácuo muito grande. E a maioria vai decidir no momento final. Essas pessoas vão sentir o caos que aí está, e esse caos só muda com algo diferente. E a diferença sou eu. Algumas (pessoas estão) pagando com a própria vida, então, com certeza, isso vai influenciar fortemente na tomada de decisão”, diz Eduardo.

“Tenho todos os pré-requisitos: estudei, me preparei, me qualifiquei, sou humilde, honesto, carrego realmente virtudes que todo mundo espera que um político tenha. Não sou espalhafatoso. Não entro na casa de ninguém para ver panela ou geladeira. Eu sou uma pessoa normal. Todo mundo defende a decência e eu busco viver a decência, assim como a humildade. Espero que o sergipano me entenda dessa forma. Sou um cara que quando a causa é para defender os pobres, bota a faca entre os dentes e vai para a guerra. Não tenho medo de nada. Só tem coragem de enfrentar esses poderosos quem não tem rabo preso, como eu”, diz.

Sem entregar o corpo ao chão, Eduardo Amorim só levanta um receio: o da força da grana na hora h alterando o resultado do jogo democrático. “Sim, eu temo a força da grana na hora final. Ela pode vir de quem está administrando. O dinheiro público pode ser utilizado. O dinheiro do remédio que falta, da segurança fraca e que poderia estar consertando a educação pode entrar nisso. Tenho recebido muitos alertas com relação ao aumento de circulação de dinheiro em algumas zonas de Aracaju da campanha deles. Isso macula a democracia. E espero que a Justiça fique de olho nisso”, alerta Eduardo Amorim.

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Aposta que o grande volume de indecisos lhe conduzirá ao segundo turno e depois a vitória final
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Nascido em Itabaiana em 17 de maio de 1963

O BALANÇO DA CAMPANHA É POSITIVO
“Levamos nossa mensagem para os quatro cantos do Estado. Foi um tempo curto, mas deu para visitar praticamente todas as cidades num ritmo muito intenso. O cansaço físico foi vencido e superado pelo desejo de mudança” 

JLPolítica - Qual é o balanço que o senhor faz da pré-campanha e da campanha que se encerra oficialmente nesta quinta-feira?
Eduardo Amorim -
O balanço é positivo: levamos nossa mensagem para os quatro cantos do Estado. Foi um tempo curto, mas deu para visitar praticamente todas as cidades num ritmo muito intenso. Poucas horas dormidas, muitas refeições não-feitas, mas o cansaço físico foi vencido e superado pela força de vontade, pelo desejo de mudança.

JLPolítica – O sergipano conseguiu compreender a essência das suas propostas e do seu projeto de Governo?
EA -
Sim, e bem. O sergipano está sentindo na pele, e alguns no bolso, o descaso que aí está. Agora é hora da mudança. E com certeza, muitos sabem disso até mais do que eu. Eles conseguiram sim captar nossa mensagem. Só defende esse Governo quem tem algum interesse nele. 

JLPolítica - E quem tem algum interesse nesse Governo? 
EA -
Quem está no próprio Governo, quem tem negócios com ele. Não tem ideologia nisso que está aí. Não há ideologia na defensa do caos a que chegou o Governo de Sergipe. 

JLPolítica – Qual é o grau de compreensão e preocupação real do povo com a crise que afeta de Sergipe?
EA –
Creio que é alto e espero que as pessoas entendam que voto não tem preço, tem consequência. E uma consequência duradoura. Que as pessoas entendam que voto não é mercadoria. Serão 1.461 dias de sofrimento se a escolha for errada. Se escolher certo, serão 1461 dias de esperança, de educação, de saúde, segurança boas. Então, espero que eles tenham compreendido.

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Entende que o desejo de mudança do povo sergipano lhe fará governador. A seu lado, na foto, a senadora Ana Amélia, PP-RS, candidata à vice-presidente de Geraldo Alckmin, PSDB

AGORA É HORA DA MUDANÇA
“O sergipano está sentindo na pele, e alguns no bolso, o descaso que aí está. E com certeza, muitos sabem disso até mais do que eu e conseguiram captar nossa mensagem. Só defende esse Governo quem tem algum interesse nele”

JLPolítica - O senhor acha que os sergipanos lhe entendem como a pessoa mais adequada para mudar esse quadro?
EA –
Sim. Tenho todos os pré-requisitos: estudei, me preparei, me qualifiquei, sou humilde, honesto, carrego realmente virtudes que todo mundo espera que um político tenha. Não sou espalhafatoso. Não entro na casa de ninguém para ver panela ou geladeira. Eu sou uma pessoa normal. Eu ouvi de uma senhora nessa campanha que só sairia para votar porque era em mim. Então, acredito que o povo compreendeu, sim. Todo mundo defende a decência e eu busco viver a decência, assim como a humildade. Espero que o sergipano me entenda dessa forma. Sou um cara que quando a causa é para defender os pobres, bota a faca entre os dentes e vai para a guerra. Não tenho medo de nada. Só tem coragem de enfrentar esses poderosos quem não tem rabo preso, como eu.

JLPolítica - O que é que lhe faz acreditar que possa estar num 2º turno, quando as recentes pesquisas lhe mostram em 3º lugar?
EA -
Primeiro, que a gente vê que mais de 40% dos eleitores ainda não se decidiram com relação ao voto de Governo. Existe um vácuo muito grande. E a maioria vai decidir no momento final. Aí essas pessoas vão sentir o caos que aí está, e esse caos só muda com algo diferente. E a diferença sou eu. Vejo que as pessoas estão sentindo na pele, muitas no bolso, esse caos. Algumas pagando com a própria vida, então, com certeza, isso vai influenciar fortemente na tomada de decisão. Se o que está aí continuar, não vejo expectativa de mudança.

JLPolítica – O que a Coordenação da sua campanha fará nesses últimos quatro dias para atrair esse percentual dos indecisos?
EA –
Vai fazer o que sempre fez: trabalhar, ir para as ruas.

JLPolítica - Quem o senhor acha que será o seu oponente lá no 2º turno?
EA –
Não escolho oponente. Venha quem vier – são iguais. Todos estavam juntos há quatro anos. Se separaram e se dividiram para aumentar as chances. Isso é uma nova forma de enganar.

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De Estância, trouxe seu candidato à vice. Ivan Leite é ex-prefeito da cidade e ex-deputado estadual. "Ivan Leite agrega princípios e valores", avalia

VOTO NÃO É UMA MERCADORIA
Que as pessoas entendam que voto não é mercadoria. Serão 1.461 dias de sofrimento se a escolha for errada. Se certo, 1.461 dias de esperança, de educação, de saúde, segurança boas”

JLPolítica – Qual é o maior defeito de Valadares Filho?
EA -
É o de não estar preparado para ser governador. Não se preparou para isso e vejo ai um defeito gravíssimo. Como você vai tratar de alguém se não conhece o diagnóstico?

JLPolítica – E qual o maior defeito de Belivaldo Chagas?
EA –
É o de ter sido conivente com todo esse caos que vive Sergipe. Participou de tudo, embora diga que é diferente. Ele foi vice-governador duas vezes, secretário da Casa Civil e de Educação. Ele é o continuísmo.  

JLPolítica – Como é que o senhor vê a declaração de Belivaldo e de que só ele está preparado para, nos próximos 4 anos, projetar Sergipe para os próximos 30 anos?
EA –
Isso é mais um estelionato eleitoral. Mais uma enganação entre tantas outras que ele ostenta. Parece que realmente ele aprendeu na escola de Jackson Barreto.

JLPolítica – O senhor não acha que a campanha de André Moura ao Senado, com um peso tão importante quanto a sua, lhe foi prejudicial nos finalmente?
EA –
Não penso nisso. Foquei realmente na campanha ao Governo. Aliados são aliados. Nem em tudo a gente concorda um com o outro, mas há respeito nas decisões. Divergência a gente tem até dentro de casa.

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Ivan Leite e Heleno Silva, candidato ao Senado, são do PRB e povoavam a base governista de Jackson Barreto

PESSOA MAIS ADEQUADA PARA MUDAR ESSE QUADRO
“Tenho todos os pré-requisitos: estudei, me preparei, me qualifiquei, sou humilde, honesto, carrego realmente virtudes que todo mundo espera que um político tenha. Não entro na casa de ninguém para ver panela ou geladeira. Eu sou uma pessoa normal”

JLPolítica – Como foi para o senhor administrar a crise de identidade entre André Moura e Heleno Silva?
EA -
Há uma disputa, é natural. Em 2010, pela mesma coligação de Déda, Valadares não me apoiou. Aliás, nenhum prefeito do PSB me apoiou em 2010. É isso: quando há duas candidaturas, não deixa de haver uma disputa, e isso está acontecendo até mesmo na chapa do governo. Jackson Barreto e Rogério andaram se engalfinhando até nos programas eleitorais. Diria que isso é natural.

JLPolítica – Qual foi o erro do senador Valadares em 2010 com relação à sua pessoa?
EA –
Ele não errou. Ele simplesmente não foi um parceiro, não foi um aliado. Eu agi com toda a honestidade. Gente minha votou nele. Mas ninguém dele votou em mim.

JLPolítica - Mas o senhor acha que o resultado obtido em 2010, com o senhor e ele eleitos sob uma mesma chapa, pode se repetir agora na sua base?
EA –
Pode. Eu tentei fazer isso construindo a unidade. Tive foco nisso.

JLPolítica – Qual o destino de André e Heleno neste domingo?
EA –
Espero que os dois sejam eleitos, porque ambos são bons nomes.

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André Moura é do PSC e aliado histórico

COM A FACA ENTRE DENTES EM NOME DOS POBRES
“Sou um cara que quando a causa é para defender os pobres, bota a faca entre os dentes e vai para a guerra. Não tenho medo de nada. Só tem coragem de enfrentar esses poderosos quem não tem rabo preso, como eu”

JLPolítica – Sua campanha teve dificuldade de recursos financeiros?
EA –
Eu não tive todo o recurso que o partido programou no TSE. Seriam mais de R$ 4 milhões - eu não tive isso. Tive metade. Pode ser que ainda chegue algum recurso, mas eu não estou pensando nisso. Fiz uma programação e gastei dentro dessa programação. Mas recebi do partido a metade do limite legal.

JLPolítica – O senhor sentiu na pele o arsenal de mentiras, fake news, distribuído durante a campanha?
EA –
Sim, e muito. Foram muitas mentiras. É o instrumento de quem tenta a todo custo se manter no poder. Mas a verdade é uma verdade só, e só ela prevalece.

JLPolítica – A sua campanha praticou fake news ou mentiras?
EA –
Não. Não permitiria isso. Não é do meu jeito. Eu falo a verdade.

JLPolítica - Se o senhor não for eleito, abandona a política?
EA –
Nem penso nisso, porque acredito que eu serei eleito governador de Sergipe. Mas eu tenho profissão, e é a Medicina.

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Diz que a separação Belivaldo e Valadares não passa de um novo estelionato

FÉ NA LEGIÃO DA ÚLTIMA HORA
“A gente vê que mais de 40% dos eleitores ainda não se decidiram com relação ao voto de Governo. Existe um vácuo muito grande. E a maioria vai decidir no momento final”

JLPolítica – A Medicina ainda lhe é um caminho pronto e montado ao qual possa seguir?
EA -
Sempre será. E em nome dela também continuarei aprendendo. Anote aí: mesmo governador, terminarei minha terceira graduação, que é Comunicação Social – Jornalismo.

JLPolítica - Até que ponto a Medicina lhe será útil enquanto governador de Sergipe?
EA –
Até o máximo, como serviu na minha vida. Eu sempre gostei de servir às pessoas, e agora estou na política para cuidar mais ainda delas.

JLPolítica – O senhor entrou na campanha achando que Geraldo Alckmin decolaria melhor. Como encara o baixo desempenho dele?
EA –
A polarização entre Bolsonaro e o Haddad gerou isso. As pessoas estão entendendo que só o extremo pode resolver, quando, na verdade, o melhor caminho é o do equilíbrio.

JLPolítica - O senhor ainda aposta numa surpresa na esfera do Geraldo Alckmin?
EA –
As pesquisas mostram que a diferença é muito grande, então seria uma surpresa gigantesca. Mas em política tudo é possível.  

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E que oposição de fato em Sergipe é feita por ele e seu grupo. "Os Valadares não são oposição", sentencia

O MAIOR DEFEITO DE VALADARES FILHO
“É o de não estar preparado para ser governador. Não se preparou para isso e vejo aí um defeito gravíssimo. Como você vai tratar de alguém se não conhece o diagnóstico?”

JLPolítica – Se o senhor for ao 2º turno e lá a disputa for entre Bolsonaro e Haddad, o senhor terá dificuldade de se atracar com o primeiro? 
EA –
Bolsonaro já foi do mesmo partido que eu. Éramos do PSC. Não concordo com tudo que ele diz, mas ele tem razão em alguns quesitos. No entanto, no momento não penso nisso. Penso em focar no meu candidato, que é Geraldo Alckmin.

JLPolítica – Afinal Edivan Amorim foi pulverizado, ficou de fora ou não, nesta campanha?
EA –
Edivan Amorim está cuidando das empresas dele. Está cuidando da vida dele e eu cuido da minha. O caminho que escolhi foi o da política, então estou cuidando disso. Eu cuido desde a Coordenação, da parte de finanças, até a ida para a rua. Não podem me chamar de corrupto, de desonesto, de incompetente. Não podem dizer que não me preparei, que não estudei para isso, aí vão buscar defeitos paralelos, numa atitude covarde.

JLPolítica – Mas não foi duro para o senhor assumir todas essas atribuições?
EA –
Eu me preparei para isso. E o Ivan Leite me ajudou muito.

JLPolítica – O senhor teme um abuso econômico nessa reta final da campanha?
EA –
Sim, eu temo a força da grana na hora final. Ela pode vir de quem está administrando. De um Governo que negocia com a Petrobras e que abre mão de receitas, de juros, de muita coisa que tinha para receber e que na hora h aumenta a arrecadação exorbitantemente, acho que isso poderá ocorrer, sim. E espero que a Justiça fique de olho nisso. O dinheiro público pode ser utilizado. O dinheiro do remédio que falta, da segurança fraca e que poderia estar consertando a educação, pode entrar nisso. Tenho recebido muitos alertas com relação ao aumento de circulação de dinheiro em algumas zonas de Aracaju da campanha deles. Isso macula a democracia. Quem compra, quem vende, não o faz por convicção. A consequência não é para quem vendeu ou deu mal o voto. É para todos. O mau eleitor prejudica o destino de toda uma sociedade.

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Mas ele começou a vida pública na situação, como secretário da Saúde do último Governo de João Alves: 2003 a 2006. Foi deputado federal de 2007 a 2010

O MAIOR DEFEITO DE BELIVALDO CHAGAS
“É o de ter sido conivente com todo esse caos que vive Sergipe. Participou de tudo, embora diga que é diferente. Ele foi vice-governador duas vezes, secretário da Casa Civil e de Educação. Ele é o continuísmo”
 

JLPolítica – Da sua parte não ocorrerá isso?
EA –
Não. Eu não tive nem o limite pros gastos legais. Não sei se os outros dois estarão no teto do limite.

JLPolítica – Olhando para a reta final da campanha, o senhor acha que as oposições erraram em não estarem unificadas?
EA –
Em Sergipe não existe duas oposições. Só existe uma. Valadares é da escola de Belivaldo Chagas. Belivaldo é da escola de Valadares. Agora se separam, numa nova estratégia. Na verdade, são dois contra um nessa eleição. Esse um sou eu.

JLPolítica – Então o senhor não se arrepende dessa fragmentação?
EA –
Não. Eu estou onde sempre estive: na oposição. Eu que enfrentei eles há quatro anos.

JLPolítica – E os Valadares deveriam se arrepender por não estarem ao lado do senhor?
EA –
Não. Cada um segue o caminho que quer. Mas a decisão deles foi estratégica, se separam para ser dois contra um. Eu estou no mesmo lugar. Belivaldo ocupou 11 cargos públicos na vida política dele de mais de 31 anos. Todos os 11 foram indicação de Valadares: os mandatos, o secretariado, a vice-governadoria, a direção de empresas, todos. Então, essa separação não passa de um novo estelionato.

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E em 2010, foi eleito senador no mesmo palanque que elegeu Dilma e reelegeu Déda

DO BAIXO DESEMPENHO DE GERALDO ALCKMIN
“A polarização entre Bolsonaro e o Haddad gerou isso. As pessoas estão entendendo que só o extremo pode resolver, quando, na verdade, o melhor caminho é o do equilíbrio”

JLPolítica – Na base política de Sergipe, se faz cálculos de que a coligação de Belivaldo faz quatro deputados federais, a sua faz três e a de Valadares, um. O senhor concorda com esse cálculo?
EA –
Não. Acontecerá o contrário: nós iremos fazer quatro, talvez o Governo faça três e Valadares não sei se fará um. Quem apontou esse cálculo está equivocado.

JLPolítica – Se Valadares não fizer um, o senhor vai a cinco ou fica 4 a 4?
EA –
Pode ser 4 a 4 ou 5 a 4.

JLPolítica - Quais candidatos do seu bloco o senhor aponta como eleitos?
EA -
Todos têm chance.

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Todos juntos: na chapa de 2010, em que ele foi eleito senador: tinha Valadares, também senador; e JB, como vice de Déda

DO TEMOR DO ABUSO ECONÔMICO NA RETA FINAL
“Sim, eu temo a força da grana na hora final. Ela pode vir de quem está administrando. De um Governo que negocia com a Petrobras e que abre mão de receitas, acho que isso poderá ocorrer, sim”

JLPolítica - Olhando para saúde, educação e segurança pública de Sergipe, qual das três o senhor diria que chegou ao pior estágio? 
EA –
Todos os três estariam na UTI se fosse pacientes. Estão em estágios gravíssimos. O Estado tem uma das piores saúdes públicas, com cirurgia cardíaca fechada por dois meses. A saúde pública em Sergipe chegou ao fundo do poço. Pessoas estão pagando com a própria vida. Tem gente que passa dois anos para conseguir uma tomografia. Morre sem o diagnóstico, quanto mais o tratamento. Na educação, Sergipe também é um péssimo aluno. Um Estado que não valoriza a educação profissional é um Estado que não valoriza a qualificação do professor e a Educação. Na Segurança, sendo o Estado mais violento, nem preciso dizer mais nada. E olhe aqui só temos dez entradas e saídas. Se tivéssemos uma polícia de divisa, nenhum bandido ia roubar o carro e comercializar em outro Estado. E nós vamos fazer isso, instalar a polícia de divisa. Além disso, 85% dos homicídios e furtos são envolvidos com o uso de entorpecente. Se instalo a polícia, eu inibo esse tipo de crime.

JLPolítica – O senhor fala muito em saúde e em segurança pública. O senhor acha que eles são os mais graves?
EA –
Não posso desprezar a educação. Nem o desrespeito com o servidor público. Enquanto o governador tem um salário de mais de R$ 70 mil líquidos, sem os gordos jetons, muitos servidores não recebem nem um salário mínimo. E outra coisa: o salário do servidor ele ainda divide com os juros do cheque especial e de cartão de crédito.

JLPolítica - O senhor confia na integridade do apoio dos 36 prefeitos que lhe seguem?
EA –
Sim, é o que espero, já que fui coreto com todos eles. Espero e sei que terão a mesma lealdade que sempre tive. Quando você é leal, o que você espera de retorno é a lealdade.

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Em 2014, reencontrou os ex-aliados do DEM, João Alves e Maria do Carmo (que se reelegeu senadora). Ele perdeu a eleição para Jackson Barreto, que tinha Belivaldo como vice-governador, indicado pelo PSB dos Valadares

O VERDADEIRO RESPRESENTE DA OPOSIÇÃO
“Em Sergipe não existe duas oposições. Só existe uma. Valadares é da escola de Belivaldo Chagas. Belivaldo é da escola de Valadares. Agora se separam, numa nova estratégia. Na verdade, são dois contra um nessa eleição. Esse um sou eu”

JLPolítica - O senhor refuta o cálculo do governador Belivaldo Chagas de que o Hospital do Câncer custaria R$ 1 milhão/dia?
EA –
Refuto completamente. Só num governo superfaturado, como é o dele, poderia ter esse custo. Isso daria R$ 365 milhões por ano. Segundo Henrique Prata, do Hospital de Barretos e especialista com quem conversei, o custo seria de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões ao mês. Ou seja, R$ 300 mil/dia. A fala de Belivaldo ou demonstra superfaturamento ou total desconhecimento de gestão.

JLPolítica – O senhor concorda com esse modelo que ele propõe, de construir o HC aos poucos, de forma modulada?
EA –
Por que ele não propôs isso há quatro anos? Ele não está governador? Por que ele não disse ao governador que essa forma estava errada? No mínimo, ele foi omisso. E a omissão dele muitas pessoas pagaram com a própria vida.

JLPolítica - O que Ivan Leite, o candidato a vice, agrega à sua chapa?
EA –
Ivan Leite agrega princípios e valores. É um home probo, honesto, bem sucedido que veio para a vida pública para contribuir e ajudar. Para tirar Sergipe do caos.  

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Tem convicção que uma grande onda de mudança fará o médico, Eduardo Alves do Amorim, governador do Estado de Sergipe