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Entrevista

Jozailto Lima

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Eduardo Amorim: “Sergipe é uma ilha de má gestão”

Publicado em  18  NOV 2017, 20h00

“Farei um governo pensando no povo”

Em apenas três eleições, ele obteve 1.157.046 votos dos sergipanos - foram uma para deputado federal em 2006 e outra para senador em 2010 - nas quais sagrou-se como o mais votado do Estado, e a terceira em 2014, quando disputou o Governo de Sergipe e, obviamente, não foi o primeiro colocado, sendo derrotado por Jackson Barreto, PMDB.

Ele tem 54 anos, é médico anestesiologista e algologista (especialista em dor), foi secretário de Estado de Sergipe de 2003 a 2006 (na gestão de João Alves Filho) e é casado com Vilma Leite Machado Amorim, uma procuradora do Trabalho, com quem tem os filhos Lara e Lucas. Em síntese, poderia ser esta a biografia de Eduardo Alves do Amorim, PSDB, um itabaianense filho de Elieser Antonio da Cunha (já falecido) e de Celina Alves do Amorim.

Mas, embora levante a bandeira de um homem comum, dos que não acham que política seja profissão ou itinerário perene dos que a ela servem, Eduardo Amorim está com o firme propósito de acostar à sua biografia a condição de govenador de Sergipe entre 2019 e 2022. E não parece vacilar diante do projetado.

“Sou pré-candidato ao Governo. Considero-me preparado, determinado, conhecedor das mazelas e das necessidades do nosso Estado”, prefixa ele, logo na segunda resposta desta entrevista. Nem mesmo o fim do mandato de senador agora em 2018 o inibe a cair nas águas da disputa pela sucessão de govenador, onde naturalmente há apenas um vaga e alguém vai ter de boiar ao final.

“De forma nenhuma, porque não nasci senador e nem nasci governador”, diz ele, para afastar qualquer sombra de inibição de ir à luta. “Isso para mim é uma missão e toda missão tem início, meio e fim. Todo mandato também tem começo, meio e fim. Há um limite, sem dúvida nenhuma, temporal para tudo na vida de cada um de nós. É dessa maneira que encaro”, diz.

Eduardo Amorim garante se sente mais preparado para a disputa do que em 2014. Constata, com tristeza, que tudo de ruim que previu para Sergipe na última campanha está acontecendo desde aquela época, afirma que isso se dá por falta de gestão e faz um esboço do que pensa como eventual futuro gestor sergipano.

“Farei um governo pensando no povo, com o mérito em primeiro lugar. As alianças podem até ser ajustadas e acolhidas, desde que não comprometam o mérito. Não há perigo de abrir mão do foco para me manter no poder. Até porque, não prego a reeleição”, avisa Eduardo.

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É médico, advogado e estuda Jornalismo

JLPolítica - Em que pé se encontra o projeto do senhor de disputar o Governo de Sergipe em 2018? 
Eduardo Amorim -
Meu nome já foi colocado à disposição por diversas vezes. Mas essa é uma decisão que nosso bloco político só vai tomar no início do ano que vem. Ou seja, no ano eleitoral.

JLPolítica - Mas hoje o senhor se considera um pré-candidato?
EA -
Sim. Sou pré-candidato ao Governo. Considero-me preparado, determinado, conhecedor das mazelas e das necessidades do nosso Estado.

SERGIPE, A ILHA DE MÁ GESTÃO
“Alagoas melhorou todos os indicadores, assim como a Bahia. Alagoas vem pagando o servidor em dia; a Bahia também. Sergipe está ilhado. Antes, era uma ilha boa, hoje uma ilha de má gestão”

JLPolítica - Do ponto de vista da maturidade política, o que é que lhe faz diferente de 2014?
EA -
O tempo é um excelente componente para o amadurecimento da vida de qualquer um de nós. Ficaram algumas lições de 2014 que acho que a gente traz para qualquer momento e qualquer etapa da vida. Ali, nós usamos a verdade. Não nos afastamos em nenhum momento dela. E se você olhar com detalhe, vai ver que o diagnóstico dado pelo Anuário Socioeconômico da Universidade Federal de Sergipe sobre o Estado confirma praticamente tudo que nós dissemos. Lógico que a gente não tínha o detalhamento que o Anuário tem hoje, de cidade a cidade, mas no macro, nos indicadores e nas necessidades, os números foram quase iguais. O que não foi igual? No Anuário, a dívida em 2008 era de R$ 695 milhões. O levantamento que nós tínhamos era de R$ 829 milhões, mais os precatórios, que eram algo em torno de R$ 520 milhões, para chegar hoje a quase R$ 7 bilhões.

JLPolítica – Mas constatar que aquilo que o senhor previu se configurou para pior o alegra ou entristece?
EA -
A lição a é de que nós sergipanos estamos aprendendo da pior forma possível: com o sofrimento. E alguns de forma pior ainda, pagando com a própria vida, já que nos tornamos o Estado mais violento do Brasil, como dizíamos em 2014, embora confesse que, no otimismo do nosso diagnóstico, ficaríamos até o terceiro do país e não o primeiro em número de homicídios. Estados que eram os primeiros, reduziram. Alagoas melhorou todos os indicadores, assim como a Bahia. Alagoas vem pagando o servidor em dia; a Bahia também. Sergipe está ilhado. Antes, era uma ilha boa, hoje uma ilha de má gestão. Então, é claro que me entristece. Porque muitas pessoas perderam suas vidas e o descaso público não atinge apenas um e sim o coletivo.   

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Foi derrotado por JB e não chegou ao Governo de Sergipe

JLPolítica - Em que o saldo dos seus oito anos de Senado lhe ajuda numa campanha e num eventual Governo do Estado? 
EA -
O mandato de legislador é completamente diferente do de um executivo. Mas esse mandato nos amadurece. Abre portas e caminhos. Ensina. É verdade que Parlamento não é só para falar, mas também para propor. Tanto que nesses quase oito anos de mandato, já foi possível ajudar a todos os municípios. Todos. E não só com emendas, mas acompanhando prefeitos. Foi possível melhorar a vida de muita gente, mesmo estando no Legislativo, que não tem essa função como inicial.  
 
JLPolítica - O fato de ter um mandato de senador que se encerra agora em 2018 lhe inibe em partir para uma disputa de um mandato de governador?
EA –
Não, de forma nenhuma, porque não nasci senador e nem nasci governador. Isso para mim é uma missão e toda missão tem início, meio e fim. Então, todo mandato também tem começo, meio e fim. É dessa maneira que encaro. Há um limite, sem dúvida nenhuma, temporal para tudo na vida de cada um de nós.

LEGADO DO MANDATO DE SENADOR
“O mandato de legislador é completamente diferente do de um executivo. Mas esse mandato nos amadurece. Abre portas e caminhos. Ensina. Foi possível melhorar a vida de muita gente” 

JLPolítica - O senhor é sabidamente contrário às reeleições. Isso é hoje enquanto não tem um mandato de governador?
EA -
Não. Costumo ser coerente nas minhas atitudes. Lógico que pode haver redirecionamento. Até porque a vida nos ensina que às vezes quando o rumo não está certo é preciso redirecioná-lo. Mas sou contra, votei contra, por diversas vezes em que o tema tramitou no Senado. Acho que o mandato deveria ser de cinco anos para todo mundo e sem reeleição para o Executivo. 
 
JLPolítica - Quais erros o senhor cometeu como senador e corrigiria? 
EA -
Como senador, com certeza existiram erros, mas não sei se foram tão significantes a ponto de chamarem a atenção ou de serem corrigidos. Sou um cara que pensa e reflete muito sobre o que diz e pensa e sobre as minhas atitudes.

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Sonha em ir à sucessão em harmonia com Valadares e André

JLPolítica - O senhor leva a política muito ao pé da letra e não abre transigência para a desfaçatez da área. Isso não lhe prejudica?
EA -
Levo as coisas com muita seriedade, principalmente no trato e na responsabilidade com as causas dos outros. Estar na vida pública é tratar permanentemente da vida dos outros e acho que isso merece muita seriedade na condução, no zelo e no cuidado. 

JLPolítica - Quais eventuais erros de 2014 o senhor não repetiria em 2018? 
EA -
O do marketing, por exemplo. O do enfrentamento direto a quem está no Governo, porque hoje a gente percebe que enfrentar a máquina pública, sobretudo num Estado pequeno, é difícil. É pesado. Poucas vezes um governador perdeu a reeleição em Sergipe, que eu lembre. Acho que só João para Déda na história recente, mas, mesmo assim, Déda ganhou com a ajuda do presidente da República, Lula, no momento mais alto do mandato dele.

O CICLO DO PODER PASSA
“Não nasci senador e nem nasci governador. Isso para mim é uma missão e toda missão tem início, meio e fim. Então, todo mandato também tem começo, meio e fim. É dessa maneira que encaro”

JLPolítica - O senhor não considera que Belivaldo Chagas representa a extensão de uma reeleição de JB?
EA -
Belivaldo Chagas está mergulhado no atual Governo, então o que ele ou qualquer outro candidato irá propor será a continuidade. Se é continuidade, não deverá trazer muitas mudanças. Mas não costumo olhar muito para o lado. Eu gosto de olhar para a frente, e não escolho adversário. 

JLPolítica - O senhor não aplica sobre Belivaldo essa sua tese de que dificilmente o Governo perde uma reeleição, se ele é extensão de JB?
EA -
Mas agora a gente vive uma realidade diferente: o povo está sofrendo como nunca sofreu. O sergipano está com a panela vazia, com a geladeira vazia, com o dono do mercadinho batendo à porta, o cartão de crédito cobrando juros altíssimos diariamente. O servidor nunca sofreu tanto. E nossos indicadores nunca estiveram tão ruins. A diferença é essa, porque, não tenha dúvida, tudo isso é a gestão. 

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Respeita Dória, mas ver Alckmin como o melhor candidato a presidente para o PSDB

JLPolítica - O senhor não receia disputar a eleição do ano que vem como se estivesse indo a um segundo turno que não houve em 2014?
EA -
Não. Nem penso nisso. E em 2014 eu me preparei muito mais para ganhar, mas também para não levar. E de que maneira? Assim que terminou, fui para um hotel e disse: “vocês verão, não sei em quanto tempo, quem pregou a verdade, se nós ou se o Governo”. Naquela época, lembro-me de que ainda citei a corredora/maratonista Gabriele Ândice, na Suíça, nas Olimpíadas de Los Angeles, que chegou toda estropiada, toda amassada, mas chegou, e inclusive ninguém lembra de quem ganhou a medalha e sim dela. Eu me senti um pouco ela naquela chegada, porque não recordo de nenhum sergipano que tenha apanhado tanto politicamente, em mídia, como eu apanhei. Existiu um marketing muito forte para me espancar.

JLPolítica - O senhor baniu da sua enciclopédia política o verbete “não levar” em 2018?
EA -
Sim. De forma nenhuma penso nisso. Mais do que nunca, estou preparado e motivado e acho que a nossa mensagem hoje é extremamente realística. Naquela época, ela era um diagnóstico, uma previsão. Hoje ela já aconteceu. É consertar o que está aí.

ZELO E CUIDADO COM OS OUTROS
Levo as coisas com muita seriedade, principalmente no trato e na responsabilidade com as causas dos outros. Estar na vida pública é tratar permanentemente da vida dos outros e acho que isso merece zelo e no cuidado” 

 JLPolítica - O senhor está seguro de que seu discurso do caos de Sergipe vai colar mesmo em Jackson Barreto e em Belivaldo Chagas, ou ele será diluído no caos maior em que se converteu o Brasil inteiro?  
EA -
Acho que o fato é que a realidade é exatamente essa: as panelas e geladeiras estão vazias. Aí vai chegar o momento em que os eleitores irão se questionar: “vamos conviver com essa bagunça ou vamos consertar tudo isso que está aí?”. É sobre isso que o sergipano vai opinar. 
 
JLPolítica - O senhor foi tratado pelo marketing de JB em 2014 como uma espécie de belzebu, um político que estava se candidatando a se apropriar do Estado para interesses inconfessáveis. O senhor tem bitola para medir o quanto isso solapou a sua imagem?
EA -
Não tenho essa bitola, esse espectômetro, mas carrego minha consciência muito tranquila. Tenho dito sempre que Deus, em quem acredito, e o povo, só me deem qualquer mandato se acharem que eu sou um instrumento para fazer o bem. Se não acharem, que não me deem. Sou o primeiro a pedir isso.    

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Diz ter identidade com Alckmin

JLPolítica - Do ponto de vista de marketing político, o senhor terá que antídoto contra aquela visão do marketing de JB?
EA -
Primeiro, o conhecimento das táticas, das técnicas e da condução, além de que, agora, temos em nosso favor a realidade: o que pregamos está aí. O povo quer mudar ou não?

JLPolítica - O senhor tem pesquisas que falem sobre esse sentimento do povo hoje?
EA -
Essas pesquisas são muito fáceis de a gente apurar. Basta uma conversa com o povo nas ruas, no dia a dia, para entender que hoje as pessoas querem um gestor, querem alguém que administre, alguém que conduza a coisa pública como quem conduz algo sagrado, precioso, com todo o zelo e o cuidado. É isso que eu vejo. Não tem outro caminho. Não é a política que faz o mal. Alguns é que se apoderam da política para fazer o mal. 

A DOR NA PANELA DO POVO
“Agora a gente vive uma realidade diferente: o sergipano está com a panela vazia, com a geladeira vazia, com o dono do mercadinho batendo à porta, o cartão de crédito cobrando juros altíssimos”

 JLPolítica - O senhor planeja ter marqueteiro sergipano ou vai apostar num de fora, de novo?
EA -
Eu fui fazer Comunicação e Jornalismo até para aprender um pouco a lidar com esse ambiente. Sou ávido por aprendizado. E diria que um substantivo que me identifica é o da determinação. Eu tenho apostado na prata da casa. Basta olhar a nossa equipe, cuja metade dela é de Comunicação. E, não bastando, fui aprender também. Não estou dizendo que não precise vir um outro elemento, mas aí eu digo: seria um ou outro elemento somente.

JLPolítica - Mas em 2014 o senhor escolheu alguém que não conhecia a realidade sergipana, como o grupo de Lavareda. O senhor insistiria nessa prática?
EA -
Não. Estou dizendo que a condução vai ser a do aprendizado daqui mesmo. Conversando com várias outras pessoas, montando diagnósticos, preparando a equipe até já sabendo qual o comportamento do outro lado. 

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Se sente mais preparado para a disputa do que em 2014

JLPolítica - Mas o fato de o senhor ter ido estudar Comunicação não significa que o senhor vai ser seu próprio marqueteiro...
EA
- Não. Claro que não. Mas isso facilita até para interpretar e refletir sobre o que serve ou não serve. Quem traz de fora, está muitas vezes fora da realidade local. Tendo esse conhecimento, a gente pode julgar se determinada coisa pertence a Sergipe ou não.  
 
JLPolítica - O afastamento progressivo do seu irmão Edivan Amorim do seu entorno político faz parte de uma estratégia de marketing para desmontar aqueles danos de 2014?
EA -
Não. Não é uma estratégia de marketing. É uma estratégia de vida. Ele está cuidando das coisas dele e eu, já que a missão é minha, estou a conduzindo as minhas. Edivan não está afastado estrategicamente e sim por opção, assim como permaneço por opção.

DEUS E O POVO
“Tenho dito sempre que Deus e o povo só me deem qualquer mandato se acharem que sou um instrumento para fazer o bem. Se não acharem, que não me deem. Sou o primeiro a pedir isso” 

JLPolítica - O afastamento dele lhe beneficia ou lhe é indiferente?
EA -
Edivan Amorim, como qualquer irmão, conversa bastante comigo, e eu gosto muito desse diálogo. Mas o marketing do mal fez uma casca, uma coisa dura, extremamente maldosa. Ele não é o único empresário nem o mais rico ou o todo poderoso de Sergipe, como alguns quiseram colocar. Isso foi muito perverso. Vejo gente muito mais poderosa no lado de lá. Ele é aquele amigo presente. Não lembro de algum amigo tê-lo procurado e ele, num primeiro momento, ter dito não. E nunca teve mandato ou trabalhou em órgão público. Diferentemente de quem já foi prefeito, de quem já foi governador, empresário, e nunca fizeram essa casca perversa em torno. Fizeram somente com Amorim, lógico, para tentar colar na gente, já que, seguramente, vasculhando a vida da gente, não acharam nada de expressivo. Mas o povo está consciente. E aquela coisa de “quem manda em Eduardo é fulano”, como diziam, acabou. Quem manda em mim são os meus princípios. Gosto muito de escutar e procuro falar só o que devo.

JLPolítica - O senhor identifica, do lado de Jackson Barreto, alguém de influência mais danosa sobre o governador do que a de Edivan sobre o senhor?
EA -
Eu identifico muita gente danosa, mas não vou nominar não. Sergipe conhece. Sergipe tem uma pequena geografia, e isso favorece a percepção. Mas existe muita gente extremamente danosa lá.

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É casado com Vilma Leite Machado Amorim, Procuradora do Trabalho

JLPolítica – O senhor acha que a sua defesa contra o marketing do mal será suficiente para enfrentar bem a eleição?
EA -
Tudo na vida tem estratégia, e o silêncio é uma delas. Mas a gente está, não apenas agindo no silêncio, mas semanalmente em todas as regiões de Sergipe. Sempre com agenda corrida, conversando humildemente com o povo. Agora, não é a oposição somente que vai salvar Sergipe, e sim a consciência e o amor do sergipano.
 
JLPolítica - Qual será, em síntese, o projeto que o senhor apresentará aos sergipanos pela segunda vez para convencê-los de que merece ser o governador deles? 
EA -
O do zelo, da responsabilidade, da valorização a cada centavo público, o da qualidade do gasto do dinheiro.

O SONHO DO CONDUTOR ZELOSO
“Basta uma conversa com o povo nas ruas para entender que hoje as pessoas querem um gestor que administre, que conduza a coisa pública como quem conduz algo sagrado, precioso, com todo o zelo”

JLPolítica - Prensado entre o senador Antônio Carlos Valadares e o deputado federal André Moura, o senhor se sente um cordeiro entre lobos?
EA -
Não. Não penso assim. Convivo, não só com André ou Valadares, mas também com outras pessoas, talvez até de convívios mais difíceis. Cada um tem seu jeito, seus princípios. E dos meus eu não abro mão, seja diante de Valadares, de André, do governador...
 
JLPolítica - Ao seu ver, qual é o projeto Antônio Carlos Valadares para 2018?
EA -
Bom, ele tem dito que deseja a candidatura ao Governo, mas também não descarta a candidatura ao Senado. Não dá para falar muito das opções alheias.

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Com Vilma, a esposa, e a filha Lara

JLPolítica - Ao seu ver, qual é o projeto de André Moura para 2018?
EA -
A minha vontade é A de que André seja um dos nomes na chapa majoritária. Ele tem ajudado muito Sergipe, abrindo portas do Governo Federal para o Estado.

JLPolítica - O senhor já se acostumou com os movimentos imprevisíveis do senador Valadares no cenário político?
EA -
Aprendi a conhecê-lo. Não só a ele, mas a muitos outros. Um pouco de cada um. E aprendi a respeitar também. E a discordar quando for necessário discordar. No caso Valadares, tem havido até discordâncias fortes, como na bancada quando ele apresentou a proposta para a Codevasf e eu disse que meu desejo também era o do Canal de Xingó, mas que existia um acordo e acordo tem que se cumprir. E a proposta era que as bancadas governista e de oposição fariam a indicação de uma emenda. O nosso desejo era de que todos os municípios sergipanos fossem contemplados. Os governistas não entenderam isso. Houve uma discordância, mas o respeito prevaleceu.

AFASTAMENTO DE EDIVAN É NATURAL
“Não é uma estratégia de marketing. É uma estratégia de vida. Ele está cuidando das coisas dele e eu conduzindo as minhas. Edivan não está afastado estrategicamente e sim por opção, assim como permaneço por opção”

JLPolítica - A crônica política diz que aquele foi um dos momentos mais tensos entre o senhor e ele.
EA -
Foi quando o respondi de maneira mais dura e entendo que era necessário, até para que ele pudesse me entender, porque nem sempre a vida é feita de “sins”. A vida muitas vezes é feita de “nãos”, e “nãos” norteadores. Mas houve respeito. Ele seguiu o que o bloco de oposição entendia e tinha tratado com o Governo.

JLPolítica - Restaram sequelas?
EA -
Não. Nenhuma. Só aprendizado.

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Torce pelo Itabaiana e o filho Lucas pelo Confiança

JLPolítica - O senhor se vê disputando uma eleição tendo Valadares na sua oposição?
EA -
Eu espero que ele esteja ao nosso lado, como estivemos desde a campanha para prefeito de Aracaju de 2016. É verdade que na eleição de governador ele estava do outro lado, indicando até o vice.

JLPolítica - Mas os senhores também estiveram juntos em 2010...
EA -
Sim, mas todo mundo lembra dos atritos, das divergências. Não lembro que ninguém do PSB tenha votado na gente, mas nos nossos aliados sim, votaram.  

ANDRÉ MOURA NO CENTRO DA VONTADE
“A minha vontade é a de que André seja um dos nomes na chapa majoritária. Ele tem ajudado muito Sergipe, abrindo portas do Governo Federal para o Estado”

JLPolítica - Haverá espaço numa chapa majoritária encabeçada pelo senhor para Valadares pai, ao Senado, e Valadares Filho, a vice-governador?
EA -
Sim, há. Acho que, dependendo, há sim. Valadares Filho é um bom nome para ser vice, mas não é o único que pode se apresentar. É um entre tantos outros.

JLPolítica - O senhor não veria aí um excesso de Valadares numa chapa majoritária?
EA -
Não penso nisso. Penso mais na figura da contribuição, mas isso realmente vai depender do momento. Então, se tivermos que agregar, que trazer, o espaço de vice é um a ser ofertado - por isso que digo que Valadares Filho é um dos prováveis nomes. 

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Não descarta a candidatura a reeleição para o Senado

JLPolítica - Não existe um paradoxo, uma contradição, entre a horrível visão financeira que o senhor tem de Sergipe e a sua vontade de governá-lo?
EA -
Dificuldades são para ser enfrentadas. E se não forem, não serão dissipadas e continuarão mais difíceis. Vão se agigantando. No meu entendimento, o rombo que está feito, dura três ou quatro décadas, que é o tempo que levaremos para pagar todos esse endividamento e o tempo que talvez se leve para sanear definitivamente a Previdência do Estado. Se você fizer as contas, será esse o tempo. Então, é gigantesco, não é qualquer buraco. Aliás, os buracos nas estradas, as pontes caindo, são os símbolos do descaso do que vivemos nessa administração, um Governo que gosta de dinheiro fácil, que não quer fazer sacrifício, que não corta na própria carne, o que seria necessário para investir melhor. É um Governo que gosta de empréstimo, porque é fácil, mas passando a dívida para outra geração. 
 
JLPolítica - Política e eleitoralmente, o que é que Belivaldo Chagas simboliza para o senhor?
EA -
Não penso muito na figura do concorrente. Não sou eu que vou escolher o adversário. Eu brigo para ser o escolhido do nosso bloco. Não tem como eu interferir na escolha de quem quer que seja. A quem eles indicarem, teremos que enfrentar.

PREFERÊNCIA PELA CANDIDATURA DE ALCKMIN
“Acho que Alckmin sai na frente. Eu tenho uma identidade não só profissional com ele - somos médicos -, mas até de conduta e de postura de vida. Vamos ver o que vai acontecer” 

JLPolítica - O senhor acha que ele será, definitivamente, o escolhido?
EA -
Provavelmente. O governador mesmo já disse, já fez a indicação.   

JLPolítica - É bom ou ruim ir à eleição com Jackson Barreto candidato ao Senado?
EA -
Não me preocupo com isso. Já aprendi um pouco de cada um e, como disse, costumo olhar para a frente. 

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Reconhece o papel de André Moura em relação ao Governo Federal

JLPolítica - Qual é o principal foco que um gestor público tem que ter, sobretudo com as dificuldades de Sergipe?
EA –
O de organizar a casa. Para que todos saibam qual a direção a seguir. E para fazer isso, é essencial que todos estejam motivados nas suas devidas missões.

JLPolítica - O senhor faria um governo levando em conta o mérito da equipe ou somente o aspecto da necessidade das alianças?
EA -
Farei um governo pensando no povo, com o mérito em primeiro lugar. As alianças podem até ser ajustadas e acolhidas, desde que não comprometam o mérito. Não há perigo de abrir mão do foco para me manter no poder. Até porque, como eu disse, não prego a reeleição.

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"Belivaldo Chagas está mergulhado no atual Governo, então o que ele ou qualquer outro candidato irá propor será a continuidade"

JLPolítica - O senhor acha que se administra muito empiricamente no Brasil?
EA -
Acho que se administra sem planejamento, sem olhar para o depois. Por isso vemos obras que são inauguradas dando apenas a ordem de serviço. O momento festivo foi invertido, especialmente em Sergipe: ele não é mais no final da obra, e sim no início. Sendo antes, o povo pode ser até enganado, a obra pode ficar inacabada, o dinheiro público sumir e nada ser feito. Mas isso a gente vê todos os dias. Não é só o Hospital do Câncer, não. São dezenas de obras. Por isso que lá atrás a oposição exigiu que se nominasse todas as obras, até para lembrarmos.

JLPolítica - O senhor acredita que esse dinheiro do novo empréstimo, os R$ 560 milhões, vai mesmo para os reparos das estradas?
EA -
Parece que o Governo Federal está condicionando que seja pago após cada obra. Se for assim, vai ser feito. Se todo empréstimo fosse assim, seria ótimo. Essa coisa da Conta Única mistura tudo. É manter a bagunça até para ficar difícil fiscalizar. 

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Não acha que política seja profissão

45JLPolítica - Como está o PSDB de Sergipe do ponto de vista da configuração enquanto partido?
EA –
Está se reestruturando, assim como no Brasil. Diria que o PSDB, nacionalmente, viveu dois momentos: o primeiro, o da construção, com a saída de grandes nomes de outros partidos para a sua criação, e o segundo agora, com a recondução, admitindo que houve equívocos e enganos nessa condução. Poucos partidos admitiram isso. Nós fizemos isso publicamente. Apesar do momento de divisão, devemos sair mais fortes depois de todo esse aprendizado. Em Sergipe, ele vive uma reconstrução. Já foi o maior partido e, agora, não temos nem um deputado estadual, então estamos partindo para essa reconstrução também.

JLPolítica – Geraldo Alckmin tem que perspectiva política em 2018?
EA –
Acho que ele deve ser o nome indicado pelo partido à disputa da Presidência da República. São dois nomes: o dele e o de João Dória, mas a história política de Dória está muito ligada a Alckmin, portanto, antes que essa decisão chegue ao partido, eles já deverão chegar a uma definição. E acho que, nesse aspecto, Alckmin sai na frente. Eu, particularmente, tenho uma identidade não só profissional com ele –somos médicos -, mas até de conduta e de postura de vida. Vamos ver o que vai acontecer. 

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Acha que está bem no PSDB