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Entrevista

Jozailto Lima

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Elber Filho: “Tínhamos que optar entre Valadares ao Senado ou de Valadares Filho ao Governo”

“Em 2018, Belivaldo Chagas chegou a dar ordens de serviço fictícias para obras”
24 de novembro às 8h


Sem preconceito contra a patente de vereador - uma espécie de deputado municipal -, mas Elber Filho, PSB, que exerce um terceiro mandato na Câmara de Aracaju - 2004, 2008 e 2016 -, pensa um pouco acima da escala ou da jurisdição municipal.

Para além da sua formação em Direito, talvez esse plus venha da sua condição de dirigente partidário - é um velho presidente do PSB de Aracaju, apesar da jovem idade. Ele nasceu no dia 20 de novembro de 1973 - portanto, está com apenas 46 anos.

E Elber Filho exerce esse “pensar diferente” sem afetação, sem radicalismos formais e, sobretudo, sem concessões baratas num território em que o experiente e respeitado ex-senador e ex-governador Antonio Carlos Valadares tem voz alta, temida e ainda dá cartas. E é por esse “pensar” e em nome desse “pensar” que Elber Filho se faz um quadro equilibrado, pertinente, beirando a coerência, quando não essencialmente dentro dela.

Elber Filho tem visões críticas sobre o seu próprio partido, o PSB, as suas práticas e erros no curso histórico, sobre os atos de antes, de quando eram aliados, e de agora do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PCdoB, e do governador Belivaldo Chagas, sobretudo no que se refere ao processo sucessório do ano passado, quando ele ganhou a eleição ao derrotar Valadares Filho num segundo turno.

Como membro efetivo da oposição, Elber Filho tem sido um crítico cáustico e contumaz de Edvaldo Nogueira no Legislativo, apesar de um dia, como aliado, ter lhe beijado a mão com o anelão. 

“O conceito de Edvaldo Nogueira é o pior possível. Ele não tem interlocução. Vários vereadores, inclusive da bancada da situação, reclamam do destrato. Não há uma relação republicana. Há uma relação de imposição”, diz Elber.

No que diz respeito ao seu PSB, Elber Filho acha que o partido cometeu alguns erros históricos, que vão desde a somação em favor do impeachment da então presidente da República Dilma Rousseff à opção de ir com pai e filho Valadares para a disputa ao Governo do Estado e ao Senado em 2018.

Mas Elber Filho não dá isso - essa duplicidade de candidaturas familiares - como razão principal para terem perdido a eleição para Belivaldo Chagas.

Ele acha que ter dividido as oposições ajudou, mas o motivo maior teria sido o abuso de poder político e econômico dos governistas, capitaneados pelo próprio Belivaldo, então no exercício do mandato de governador e candidato à reeleição.

“O que mostramos e que a Procuradora Eleitoral investigou com brilhantismo foi o fato de uma verdadeira fraude eleitoral em 2018. O governador Belivaldo Chagas chegou a dar ordens de serviço fictícias para obras que sequer a licitação foi concluída. Isso está provado no processo”, diz o presidente do PSB de Aracaju.

“Houve situações graves de utilização da máquina pública, por exemplo. Se houvesse, por exemplo, um comício em Campo do Brito no sábado, na quinta as máquinas do DER chegavam e asfaltavam Campo do Brito inteira, e aí o governador fazia a carreata pelas ruas asfaltadas”, complementa.

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Com seu correligionário, ex-deputado federal, Valadares Filho
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Elber Andrade Batalha de Goes, ainda criança, com o pai, Elber Batalha de Goes

RISCOS DO EXCESSO DE GOVERNISSMO
“Essa gestão (de Edvaldo) tem se notabilizado por ter uma bancada de apoio de voto maciço. Alguns deles se perdem nesse compromisso exacerbado com o apoio a toda e qualquer proposta trazida a este parlamento pelo prefeito Edvaldo Nogueira”

JLPolítica - Dói e empena o eixo da atuação ser vereador de oposição numa casa de 24 como 20 governistas?
Elber Filho -
Não. Na verdade, não acho que dói ou que empene o eixo, mas que a Câmara perde uma grande possibilidade de que os debates existam efetivamente, porque a situação tem valorosos vereadores, assim como a oposição, mas que ficam com sua atuação comprometida pelos compromissos que assumem com a gestão. Essa gestão tem se notabilizado por ter uma bancada de apoio de voto maciço. Alguns deles se perdem nesse compromisso exacerbado com o apoio a toda e qualquer proposta trazida a este parlamento pelo prefeito Edvaldo Nogueira.

JLPolítica - Não são atitudes republicanas, então?
EF -
Eu não tenho como crer que seja outra coisa. Ontem mesmo nós (a Entrevista é da quarta-feira, 20) discutimos aqui uma situação e eu disse que não tinha como crer que alguns vereadores, alguns até que têm história de labuta política, de comprometimento, votem cegamente em projetos de um prefeito que não paga o piso do magistério, que há quatro anos sequer dá o repasse inflacionário aos servidores e, que, o pior, nem recebe os sindicatos para dizer que não pode dar, e que processa criminalmente o presidente do Sindicato dos Médicos, Mesmo assim essa bancada, que, inclusive, tem representantes dessas categorias, cegamente vota de forma aleatória. De modo que para mim, não dói, mas é triste porque o parlamento perde o enriquecimento do debate, porque ficamos nós da oposição mostrando o que entendemos daquele projeto e a situação, em regra, votando sim, sem enriquecer o debate. Eu gostaria, muitas vezes, de ser convencido a votar a favor, mas não há sequer essa argumentação nessa direção.

JLPolítica - O que é que pode o mandato de um vereador, quando ele, por lei, é vedado de mexer em questões socioeconômicas?
EF -
O mandato do vereador é iminentemente fiscalizador. E é por isso que digo que a legislatura fica empobrecida quando você tem hoje, 18 ou 19 vereadores – são 4 declaradamente da oposição e Cabo Didi e Américo de Deus que, apesar de não se declararem, votam quase que 99% das vezes conosco - governistas. O mandato é para melhorar as ideias que outros vereadores trazem.

JLPolítica - O senhor certamente tem mais perdido que ganhado em suas proposições na Câmara?
EF -
Felizmente, perdi em algumas. Por exemplo, ao tentar cumprir a revogação do IPTU que Edvaldo prometeu e não cumpriu, consegui a revogação na Justiça. Perdemos agora, recentemente, a questão da modificação da sinalização das empresas de Aracaju, a famigerada taxa das placas, mas a nossa pressão fez com que o prefeito fosse obrigado a rever aquela postura. Então, não entendo que a gente perca essencialmente. Uma vitória que tivemos recentemente foi a de darmos outro nome ao antigo bairro Pau Ferro, que agora se chama Dom Luciano Cabral Duarte, que foi um projeto da Igreja Católica, capitaneada pelo padre Marcelo Conceição, que fez um belíssimo projeto naquela Paróquia. Mas entendo que as vezes criamos projetos de lei que são extremamente banais, com todo o respeito aos colegas. Eu acho que temos que apresentar projetos que modifiquem a vida das pessoas. Ocorre hoje entre os vereadores - e eu sou um crítico disso e que veto -, essa história de mudar nomes de ruas e de tentar colocar nomes de pessoas ligadas ao vereador e ganhar votos com isso.

JLPolítica - O senhor está dizendo que as vezes há banalidade na ação legislativa?
EF -
Sim, e sobretudo quando se aproxima o período eleitoral, a exacerbação de concessão de títulos de cidadania e de modificação de nomes de rua é imenso. É um jogo para angariar apoio político para as eleições.

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Elber Filho com as irmãs, o pai e a madrasta Maria Euzani Gomes Batalha de Goes, que chama de "boadrasta

DA BANALIZAÇÃO DO EXERCÍCIO DO MANDATO
“Entendo que as vezes criamos projetos que são extremamente banais. Acho que temos que apresentar projetos que modifiquem a vida das pessoas. Ocorre entre os vereadores essa história de mudar nomes de ruas e de tentar colocar nomes de pessoas ligadas ao vereador e ganhar votos”

JLPolítica - Os projetos que seu mandato tem aprovado na Câmara tem sido sancionados com acolhimento ou vetados pelo prefeito da capital?
EF -
Em alguns casos, o prefeito, quando vê que não vai vetar, não há uma manifestação. Mas, em regra, ele determina que a bancada não aprove, para que nem chegue a ele.

JLPolítica - Qual é o perfil do seu mandato nesta legislatura?
EF -
É um mandato propositivo, essencialmente fiscalizador e cobrador das promessas de campanha que o prefeito fez. Até porque eu entendo que nós só vamos recuperar a credibilidade na política se o político voltar a fazer aquilo que prometeu, que era uma cultura do político antigo. Então, na essência, é isso: um mandato propositivo, de oposição, cobrador das propostas, mas sem fazer uma oposição radical, no sentido de que tudo que é mandado para cá é ruim.

JLPolítica - Há exemplos disso?
EF -
Sim. Votei favorável a dois empréstimos que o prefeito Edvaldo pediu, e a maioria da oposição não votou. Votei favorável ao empréstimo de modernização dos serviços públicos, porque vários servidores me pediram, afirmando que o sistema de Tecnologia da Informação era péssimo, eu procurei saber junto ao Banco do Brasil e de fato o empréstimo só serviria para isso. E o outro que votei favorável foi o da construção de mil casas no desfavelamento da Invasão das Mangabeiras. Não me dói a consciência, de forma nenhuma, votar projetos assim.

JLPolítica - O senhor tem queixas da condução dos trabalhos do vereador Josenito Vitale na Presidência da Câmara?
EF -
De minha parte, não. Eu já tive embates ferrenhos com ele nas discussões, mas tenho que reconhecer que Nitinho é um presidente que respeita o espaço da oposição, tanto o espaço legislativo quanto trata com igualdade os vereadores nas questões internas.

JLPolítica - Qual é o conceito que o senhor tem do prefeito Edvaldo Nogueira na interlocução com o Poder Legislativo de Aracaju?
EF -
O conceito de Edvaldo Nogueira é o pior possível. Ele não tem interlocução. Vários vereadores, inclusive da bancada da situação, reclamam do destrato. Não há uma relação republicana. Há uma relação de imposição através das parcerias que ele firma com a bancada dele e que não precisa nem dar satisfação. Muitas vezes, eles não são nem chamados para discutir os projetos. Só recebem os pacotes prontos. Então, Edvaldo não tem uma relação republicana com a Câmara, e sim uma relação de acordo político e de cobrança desse acordo através do voto cego nos projetos que ele lança.

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Com um grupo de bons amigos na sacrossanta mesa de bar improvisada na casa do amigo Valadares Filho

DO PERFIL DO PRÓPRIO MANDATO
“Na essência, é isso: um mandato propositivo, de oposição, cobrador das propostas, mas sem fazer uma oposição radical, no sentido de que tudo que é mandado para cá é ruim. Porque entendo que só vamos recuperar a credibilidade na política se o político voltar a fazer aquilo que prometeu”

JLPolítica - A quem serve um voto cego?
EF -
Só serve Edvaldo Nogueira e aos seus próprios propósitos, que cada vez mais estão diferentes do que era a linha de atuação dele no início da política.

JLPolítica - O que mudou no Edvaldo Nogueira de quem o senhor foi líder em 2009 para o Edvaldo de hoje, a quem o senhor faz oposição?
EF -
Edvaldo, com todo o respeito à pessoa dele - porque não faço política desmerecendo a pessoa física -, era um enquanto existia a liderança de Marcelo Déda. A partir do trágico vácuo de Marcelo Déda, Edvaldo migra de um político de esquerda para um político de centro-direita hoje, o que é um direito dele, mas que fere todos os compromissos históricos e, inclusive, fizeram com que ele vencesse as eleições, porque um medo da população aracajuana em 2016 foi o de que aquela aproximação meio que forçada do DEM com o PSB quando a campanha de Valadares foi para o segundo turno fizesse com que Aracaju voltasse a ser governada pela direita, face aquela administração desastrosa de João Alves Filho que estava em curso.

 JLPolítica - E o que impacta sobre a imagem de Edvaldo essa aderência ao centro-direita?
EF -
Isso é uma migração total de uma história para outra. Praticamente uma desconstrução de uma história política. Seria o mesmo que eu hoje levantar bandeira de Bolsonaro pelas ruas, embora eu não critique quem vota em Bolsonaro.

JLPolítica - É uma orientação programática das oposições que os quatro oposicionistas da Casa experimentem a liderança?
EF -
Sim. Eu fui líder no primeiro ano de governo, os três colegas me solicitaram um acordo de revezamento anual e eu concordei de pronto, até porque seria muito cabotinismo achar que só eu teria competência para exercer. No segundo ano foi o vereador Cabo Amintas e acredito que Lucas e Emília fizeram um acordo para revezar e ano que vem seja entre eles. Mas a ideia é dar espaço para todos, até porque somos poucos e precisamos dividir esse espaço para que a oposição atue sem que haja uma personificação dela.

JLPolítica - O senhor recebe salário da Câmara Municipal ou da Defensoria Pública do Estado de Sergipe?
EF -
Eu trabalho nos dois, recebo dos dois. A lei permite isso, diferentemente do que ocorria quando eu era secretário de Estado. Dou plantão quatro dias por semana na Defensoria Pública e atuo aqui também.

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Elber Filho com Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB, e Valadares Filho, presidente estadual de Sergipe

CONCEITO DE EDVALDO É O PIOR POSSÍVEL
“Edvaldo Nogueira não tem interlocução. Vários vereadores, inclusive da situação, reclamam do destrato. Não há uma relação republicana. Há uma relação de imposição através das parcerias que ele firma com a bancada dele e que não precisa nem dar satisfação”

JLPolítica - Como está o PSB de Aracaju no âmbito organizacional?
EF -
O PSB está passando por uma fase de reorganização, inclusive no âmbito nacional. O resultado eleitoral nacionalmente foi muito bom, mas em Sergipe tivemos perdas significativas, como a do mandato do senador Antonio Carlos Valadares, o insucesso de Valadares Filho na campanha de Governo e eu não ter conseguido me eleger deputado federal, ficando na primeira suplência. Agora, o partido passa por uma reconstrução. Estamos fazendo um grande projeto da Fundação João Mangabeira e indo para o terceiro sábado seguido - a Fundação é presidida pela amiga Niully Campos, que está fazendo uma reformulação imensa na juventude do partido. Eu participarei na próxima quarta, quinta e sexta, junto com Valadares Filho, no Rio de Janeiro, de uma grande reunião nacional do partido, com discussões sobre o papel do socialismo no mundo moderno. O PSB vai fazer um novo estatuto, e essa é a primeira reunião para isso. O PSB quer dar ao estatuto uma visão do socialismo nesse quadro do capitalismo moderno, para que modernize sobre o que era o socialismo antes e o que é hoje. O partido também tem se preocupado em trazer para seus quadros parlamentares ou candidatos que tenham links com a sua ideologia, porque a gente quer evitar o que aconteceu recentemente, com o PSB tendo 33 deputados federais e, deles, 12 ou 13 votando contrários às suas linhas estabelecidas. Então, o nosso partido hoje passa por uma reconstrução não só em Sergipe, mas no âmbito nacional. Seria uma depuração, fazendo uma mea-culpa dos erros históricos que cometeu. Ao meu ver, o maior deles foi o impeachment de Dilma Rousseff, que tinha seus defeitos, mas que num processo republicano o correto era deixá-la acabar o mandato, como o correto é deixar Jair Bolsonaro ir até o fim, já que ele foi eleito democraticamente.

JLPolítica - O senhor acha que o partido deverá ir em 2020 com uma candidatura de Valadares Filho à Prefeitura de Aracaju?
EF –
Eu acho que o PSB deve ter candidato a prefeito de Aracaju e, sem dúvida nenhuma, Valadares Filho é um nome que tem a maior referência para isso. Ele tem um grande recall, teve cerca de 48% dos votos de Aracaju nas duas últimas eleições, mas se essa não for a intenção dele, já coloquei meu nome à disposição, porque nessa eleição será indispensável uma coisa: com um novo cenário que se desenha, com o fim das coligações proporcionais, o partido que não tiver boas candidaturas a prefeito fatalmente terá comprometida a sobrevivência no âmbito dos municípios, porque agora o voto da legenda conta somente do partido que tem o candidato a prefeito.

JLPolítica - Quais seriam as chances de Valadares Filho, ou outro do PSB, obter êxito?
EF –
Acho que tem todas as chances. Edvaldo Nogueira tem tentado disseminar na sociedade que ele ganhará a eleição por W x O, e eu sou daqueles que não concordam com isso - mas começaram a disseminar no seio da política essa ideia. E acho que essa chance de vitória nossa fica muito mais comprometida agora, com um novo momento político traçado pela liberdade do ex-presidente Lula.

 JLPolítica - O que levaria Edvaldo a ter essa visão?
EF -
Eu acho que a convicção de que a cooptação de vários partidos através de cargos e espaços políticos - veja que a aliança governista de Edvaldo une do Partido dos Trabalhadores ao PP de Laércio Oliveira, autor da reforma trabalhista, a ex-demistas como Vinícius Porto, que foi o líder do DEM na Casa. Então, é uma aliança pragmática, sem nenhum viés ideológico. Você não consegue traçar nenhuma linha de coerência nessas alianças, e a crença dele é essa. Eu creio que a liberdade do ex-presidente Lula e essa articulação política que ele tenta fazer, sobretudo para que o PT tenha também candidatura e que ela tenha uma linha de coerência, vão dar uma mexida grande na política. 

JLPolítica - Aqui em Sergipe, o PSB pode se reanexar ao PT?
EF -
Como eu disse, o PSB tem uma proposta de ter candidato próprio para Aracaju, mas nacionalmente não podemos negar que há uma movimentação nacional para que PSB, PDT, PT os partidos de esquerda, se unam no sentido de frear iniciativas desastrosas no Governo Bolsonaro, a exemplo dessa última do contrato de trabalho verde de amarelo e do fim do DPVAT, que é um seguro que serve a tantas pessoas pobres que são vítimas de acidentes de trânsito.

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Ele é divorciado e convive em união estável com a estudante de Arquitetura Patrícia Oliveira Teixeira

SALÁRIO DE VEREADOR OU DE DEFENSOR?
“Eu trabalho nos dois, recebo dos dois. A lei permite isso, diferentemente do que ocorria quando eu era secretário de Estado. Dou plantão quatro dias por semana na Defensoria Pública e atuo aqui também”

JLPolítica - Os senhores do PSB não estariam muito desidratados de grupos para disputar a eleição da capital ano que vem?
EF -
Não. Eu acho que um dos nossos erros no passado foi o de achar que precisávamos de tantos grupos para ganhar eleição. Essa eleição de 2018 deu uma grande lição nas pessoas, sobretudo nas que disputavam mandatos majoritários. O senador Alessandro Vieira ganhou a eleição com um grupo minúsculo, se brincar sem grupo até. Vários políticos tiveram votação significativa. Mas aí podem dizer: “ah, mas Belivaldo Chagas venceu as eleições porque tinha um grande grupo”. Não. Ele venceu por dois fatores: a atuação da máquina política, e isso está mais do que provado pelos julgamentos de que é alvo, e pela cooptação desses grupos através da utilização dos espaços de poder.

JLPolítica - O PSB não faz uma mea-culpa por ter ido à eleição de Governo em 2018 fragmentando as oposições?
EF -
Eu acho que o PSB tinha suas razões em fazer restrições a algumas alianças, mas poderia ter entendido melhor o momento histórico e arrumado também melhor os espaços. Acho que, em determinado momento, poderíamos ter entendido que tínhamos que ter uma opção entre a candidatura de Valadares ao Senado ou de Valadares Filho ao Governo.

JLPolítica - Se os Valadares, Eduardo Amorim e André Moura estivessem unidos a vocês o resultado poderia ter sido diferente?
EF -
Poderia, sim. Não posso dizer que venceríamos, porque foi disputada. A prova é que a soma dos dois - Valadares Filho e Amorim - no primeiro turno foi basicamente o empate com Belivaldo Chagas. Mas talvez as ranhuras que ocorreram antes e durante o pleito, que geraram a fragmentação da oposição, fizeram com que grande parte dos apoiadores do ex-senador Amorim votasse no candidato Belivaldo por uma questão de protesto, de mágoa.

JLPolítica - O senhor acha que aqueles 309 mil votos de frente de Belivaldo sobre Valadares Filho no segundo turno vêm daí, desse voto descontente da parte de Eduardo Amorim?
EF -
Não estou desmerecendo o mérito da vitória do governador Belivaldo, mas muito dessa diferença vem daí. 

JLPolítica - Seria impossível uma aglutinação em 2020 do PSB com o grupo novo de Alessandro Vieira, mais Eduardo Amorim e André Moura na disputa por Aracaju?
EF -
Em política você não pode dizer que nada é impossível. Mas, de minha parte, eu posso dizer que cada vez mais, com a modernização das coisas, com a dinâmica que a política tem tomado, temos que ter muito cuidado com a leitura que a população vai fazer das nossas alianças.

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Não conseguiu ser deputado deputado federal. Na sua coligação, foi eleito Fábio Henrique

“O PSB PASSA POR UMA RECONSTRUÇÃO”
“O resultado eleitoral nacionalmente foi muito bom, mas em Sergipe tivemos perdas significativas, como a do mandato do senador Valadares, o insucesso de Valadares Filho na campanha de Governo e eu não ter conseguido me eleger deputado federal”

JLPolítica - Como assim?
EF -
Eu acho que as alianças têm que ser feitas, sobretudo, com pessoas e partidos que pensem igual aos ideais do partido. Se estamos vivendo um momento de modificar o regimento interno, o estatuto partidário, dando linhas do que entendemos para a economia do país e para as políticas sociais, não dá para fazer aliança casuística. E eu, particularmente - talvez os dirigentes do partido não concordem -, faço uma mea-culpa: o PSB começou a se perder do eixo quando perdemos a noção clara de que nossas alianças tinham que, acima de tudo, manter a nossa aparência ideológica. E acho que o impeachment da Dilma foi o pontapé inicial do desgaste e daí deflagrou várias outras inconsistências com a nossa postura de alianças e com o que nós pensamos ideologicamente.  

JLPolítica - Sem os mandatos de senador e de deputado federal, o PSB de Sergipe estaria ameaçado de ir a uma derrocada?
EF -
Não. Eu até acredito que há males que vêm pro bem, mesmo sendo isso um assumido clichê. Os três mandatos do senador Valadares foram de suma importância, talvez seja ele o senador que mais contribuiu para a história de Sergipe com dividendos, com exposição política positiva. Mas o fechamento desse ciclo talvez provoque uma renovação nos quadros - uma oxigenação no partido que não ocorreria com um quarto mandato dele. 

JLPolítica - Qual é a sua leitura para a perda pelo PSB do deputado estadual Luciano Pimentel?
EF -
Eu, particularmente, lamento muito a saída de Luciano Pimentel. Foi - ainda é, mas já não se considera do partido – um companheiro valoroso. Luciano teve participação efetiva nos nossos mandatos anteriores. Foi prestigiado, ocupou posições de destaque, como a de superintendente regional da Caixa em Sergipe e se elegeu devido a esses espaços. Luciano declara ter algumas mágoas do partido, e elas têm razão de existir. Mas eu pergunto: quem na política não as tem? Eu acho que a política é a imposição da maturidade, de entendermos o processo, e queira ou não, ele foi eleito novamente pela legenda, e com votos de valor, mas que não o elegeriam em nenhum outro partido.

JLPolítica - O senhor acha que os benefícios que ele teve dentro do grupo são superiores às mágoas que eventualmente tenha agora?
EF -
Sim. Não tenho a menor dúvida disso.

JLPolítica - O PSB de Sergipe trabalha para que Belivaldo Chagas perca, enfim, o mandato de governador?
EF -
Não. O PSB ajuizou inicialmente a ação, que foi depois encampada pelo Ministério Público, que fez um brilhante trabalho iniciado pela procuradora Eunice Dantas e continuado por seu sucessor. E nosso intuito era o de que a eleição fosse justa e equilibrada.

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Mas está no seu terceiro mandato de vereador

DAS RAZÕES DA VITÓRIA DE BELIVALDO CHAGAS
“Mas aí podem dizer: “ah, mas Belivaldo venceu as eleições porque tinha um grande grupo”. Não. Venceu por dois fatores: a atuação da máquina política, e isso está mais do que provado pelos julgamentos de que é alvo, e pela cooptação de grupos através da utilização dos espaços de poder”

JLPolítica - O que a ação do PSB apontava?
EF -
O que mostramos e que a Procuradora Eleitoral investigou com brilhantismo foi o fato de uma verdadeira fraude eleitoral em 2018. O governador Belivaldo Chagas chegou a dar ordens de serviço fictícias para obras que sequer a licitação foi concluída. Isso está provado no processo. Sabia-se que o recurso havia chegado muito próximo ao período eleitoral e não dava tempo legalmente concluir a licitação para fazer o ato de lançamento, então, se sabia que a licitação não seria concluída, e antes do prazo eleitoral se fez um ato simulando a ordem de serviço. Houve situações graves de utilização da máquina pública, por exemplo. Se houvesse, por exemplo, um comício em Campo do Brito no sábado, na quinta as máquinas do DER chegavam e asfaltavam Campo do Brito inteira, e aí o governador fazia a carreata pelas ruas asfaltadas, que antes não tiveram o mínimo cuidado durante a administração.

JLPolítica - Em síntese, o senhor acredita que o futuro da chapa de Belivaldo Chagas e Eliane Aquino é comprometedor?
EF -
Eu diria que se a justiça for feita, como brilhantemente o TRE fez no julgamento do mérito e agora já está em 3 a 0 contra os embargos de declarações, Sergipe terá novas eleições de Governo justas e equilibras para que os concorrentes vençam com regras claras e honestas. Nós ficamos muito mais à vontade nesse processo, porque com a retirada de Belivaldo não é Valadares Filho que vai assumir caso haja outra eleição. É o povo de Sergipe que vai escolher democraticamente quem será o governador.

JLPolítica - E o PSB iria com uma candidatura?
EF -
Muito provavelmente. Mas isso é algo a se discutir posteriormente.

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Elber Filho foi empossado na Defensoria Pública de Sergipe em 2007, por Marcelo Déda governador, quando o pai Elber Batalha era o defensor-geral