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Entrevista

Jozailto Lima

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Emanuel Oliveira: “Shopping Prêmio deu dignidade e lazer ao povo de Socorro”

“No meu país, há muito mais empreendedorismo do que Governo”
 8 de junho de 2019, 20h00


Emanuel Teles Oliveira é um sergipano de apenas 53 anos, mas já deu demonstração plausível de que tem braços e pernas longas quando o alcance tem que ser o empreendedorismo, o nervoso e fantástico mundo empresarial.

Com atuação em Sergipe e na Bahia, Emanuel Oliveira constrói há mais de 20 anos galpões e sedes para empresas e grupos empresariais, como o Cenconsud, mantenedor do GBarbosa - ele não revela a quantidade de lojas feitas especificamente para esse supermercado -, capitaneia quatro hotéis - três em Aracaju e um em Salvador -, e desde o ano passado está em fase de construção do segundo shopping de seu Grupo, o Shopping Praia Sul, na zona Sul de Aracaju.

O primeiro desses seus empreendimentos fará oito anos no próximo dia 1º de outubro deste ano. Trata-se do Shopping Prêmio, no município de Nossa Senhora do Socorro que, através da ousadia desse empresário, leva a chancela de o primeiro shopping do interior de Sergipe.

Para Emanuel Oliveira, o Shopping Prêmio, depois de três investidas de expansão e ampliação, hoje surfa numa condição de “excelente”. Maduro, se pagando e deixando os resultados que todo investidor busca. “O Shopping Prêmio, como dizem as pessoas de Socorro, foi uma benção. A grande obra que deu àquela população dignidade e lazer”, sustenta ele.

“Antes, o lazer do povo de Socorro era uma pracinha com uma Towner com o som ligado e o churrasquinho na jante sendo vendido. Hoje, você vê aquela população bem vestida, lotando um shopping que é um verdadeiro sucesso”, diz Emanuel.

Sim, além de lazer e dignidade ao povo de Socorro, o Shopping Prêmio deu expertise, régua e compasso para que Emanuel Oliveira partisse para o segundo empreendimento nessa seara, que é o Shopping Praia Sul, na zona Sul da capital de Sergipe. “Se Deus quiser, até 2022 ele estará pronto, lindo maravilhoso”, anuncia.

O Shopping Praia Sul está sendo plantado numa área de aproximadamente 90 mil metros quadrados. “Dividindo isso, temos 50% em área de construção de prédio e 50% em área de construção externa, com estacionamento, docas, recuos. O investimento vai ser maior do que o do Shopping Prêmio”, diz ele, guardando a sete chaves os valores de um e do outro.

Emanuel Oliveira é um sujeito leve, descontraído, brincalhão, de uma conversa cativante e aprumada e, obviamente, de muita visão. Como as águias, ele vê do alto. E é por ser assim que seu grupo gera hoje cerca de 500 empregos diretos, e não para.

Está com um empreendimento novíssimo, que vai contemplar de início e largada quatro Estados brasileiros e mexer com multidões. Pede segredo por alguns dias para revelar. Mas nem tudo nesse Emanuel é alegria: ele tem profundas queixas do descompasso entre o ritmo ativo dos empreendedores do Brasil e de Sergipe e dos modos passivos dos Governos de Sergipe e do país. 

Para Emanuel, “sem sombra de dúvidas”, o Brasil acontece apesar dos Governos. “No meu país, há muito mais empreendedorismo do que Governo”, fulmina. Ele vê o trato que o Governo de Sergipe dá ao turismo como algo deplorável.

“A presença do Estado é péssima. A pior possível. Nós somos uma peça diferente. Para trazer o turista para Aracaju, você precisa ter programação de lazer, orla, volume de restaurante próximo aos hotéis, barracas de praia para todos os níveis de público, infraestrutura, mercados populares, museu e o palácio-museu. Temos tudo isso, e o governo hoje só tem uma coisa a fazer pelo turismo, que é a divulgação. E isso ele não faz”, diz Emanuel.

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Para Emanuel Oliveira, o Shopping Prêmio, depois de três investidas de expansão e ampliação, hoje surfa numa condição de “excelente”.
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Nasceu em Aracaju no dia 14 de outubro de 1965

JLPolítica - No próximo dia 1º de outubro deste 2019, o Shopping Prêmio vai completar oito anos. Qual a performance dele nesse período?
Emanuel Oliveira -
Excelente. O Shopping Prêmio, como dizem as pessoas de Socorro, foi uma benção. A grande obra que deu àquela população dignidade e lazer. Antes, o lazer do povo de Socorro era uma pracinha com uma Towner com o som ligado e o churrasquinho na jante sendo vendido. Hoje, você vê aquela população bem vestida, lotando um shopping que é um verdadeiro sucesso.

JLPolítica - Houve insegurança no senhor enquanto empreendedor para instalar o primeiro shopping no interior de Sergipe?
EO –
Não. Na verdade, nós tínhamos uma pesquisa que apontava a necessidade de uma grande loja do supermercado GBarbosa naquela região. Ao procurar um terreno para fazer essa loja, observei um terreno extremamente bem localizado, mas difícil de se construir algo, porque era uma ribanceira, uma coisa complicada. Os empresários da área da indústria que chegavam ali, corriam do terreno. Diferentemente de mim, que encarei e fiz um shopping da cidade que hoje é bem localizado e, como disse anteriormente, é uma verdadeira benção.

JLPolítica - O Shopping Prêmio é um empreendimento hoje maduro e que já se paga?
EO -
Completamente maduro, apesar de estarmos em plena crise econômica. Deparamo-nos semana passada com uma das grandes marcas famosas do mercado querendo entrar para botar mais uma âncora lá, e nós não temos a vaga.

JLPolítica - Ele já sofreu quantas ampliações nesse período?
EO –
Assim que foi inaugurado e numa das primeiras visitas que fiz ao shopping observei onde eu havia errado e corrigi para solucionar. Então, considero que a primeira ampliação foi feita na minha primeira visita ao Shopping Prêmio logo depois da inauguração. No geral, nós já tivemos três ampliações.

JLPolítica - O que é o Shopping Prêmio fisicamente?
EO -
Ele é um shopping com 162 lojas, que a gente chama de espaço ou ABL, porque a pessoa pode alugar duas lojas. Dessas 162, 12 são âncoras famosas, como McDonald’s, Burguer King, C&A, Riachuelo, Líder, Marisa, GBarbosa, Emmanuelle - tudo o que tem nos demais grandes shoppings. Aliás, nós temos mais que os demais shoppings de Aracaju.

UM SHOPPING QUE TROUXE DIGNIDADE
“O Shopping Prêmio, como dizem as pessoas de Socorro, foi uma benção. A grande obra que deu àquela população dignidade e lazer. Antes, o lazer do povo de Socorro era uma pracinha com uma Towner com o som ligado e o churrasquinho na jante”

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Ele é filho Moacir Oliveira, falecido recentemente, e de Lucércia Teles OIiveira

JLPolítica - Até que ponto a expertise adquirida pelo senhor com o shopping de Socorro lhe estimulou a partir para o segundo empreendimento nessa área, que o Shopping Praia Sul, em construção em Aracaju?
EO -
Eu sempre tive essa pegada de empreendedorismo. Sempre tive a consciência de que estar onde estão os gigantes exige dificuldade e requer ação. Da compra do terreno até a disputa de espaços com os que já estão consolidados. Então, uma coisa que aprendi muito com meu pai foi colocar a planta de Aracaju na mesa, apontar as setas de para onde a cidade está indo, traçar um caminho e dali tirar grandes sacadas. Foi o que nós fizemos com o Shopping Prêmio e é o que estamos fazendo agora com o Shopping Praia Sul.

JLPolítica - O senhor acha que o crescimento de Aracaju passa por lá, pela zona de onde está sendo implantado o Shopping Praia Sul?
EO -
É impossível não passar. Basta consultar hoje os cadernos da Energisa: a região que mais cresce em volume de busca de instalações é aquela.

JLPolítica - Seu planejamento prevê inaugurar o Shopping Praia Sul quando?
EO -
Na verdade, por causa dessa crise que estamos passando, nós preferimos não estabelecer uma data. Mas, culturalmente, no Brasil um shopping passa de três a quatro anos para ser inaugurado. Como há essa insegurança, vemos muitos empreendimentos adiando suas inaugurações. Porque se não tiver lojista, não tem shopping.

JLPolítica - O senhor considera que essa sua obra começou quando?
EO -
Ano passado. No final de 2018. Se Deus quiser, até 2022 ele estará pronto, lindo maravilhoso.

JLPolítica - Qual o tamanho físico do Shopping Praia Sul e qual será o investimento nele?
EO -
O Shopping Praia Sul foi planejado para uma área de tamanho inicial de 104 mil metros quadrados, mas teve um percentual reduzido em respeito à lei federal que manda que doemos para a Prefeitura um percentual em torno de 15%, perfazendo um total de aproximadamente 90 mil metros quadrados. Dividindo isso, temos 50% em área de construção de prédio e 50% em área de construção externa, com estacionamento, docas, recuos. O investimento vai ser maior do que o do Shopping Prêmio.

CONSCIÊNCIA E PEGADA DE EMPREENDEDORISTA
“Eu sempre tive essa pegada de empreendedorismo. Sempre tive a consciência de que estar onde estão os gigantes exige dificuldade e requer ação. Da compra do terreno até a disputa de espaços com os que já estão consolidados”

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'A grande obra que deu àquela população dignidade e lazer”, sustenta ele

JLPolítica - O Shopping Praia Sul será o quarto equipamento nessa linha de empreendimento numa cidade com 650 mil habitantes. O senhor acha que há espaço para todos?
EO -
De fato, se eu entendesse somente a nossa cidade com 650 mil habitantes, eu não faria esse outro equipamento. Mas no meu entendimento Aracaju tem um benefício muito grande, que são esses 650 mil habitantes detectados pelo IBGE, mas aos quais deve-se somar, pela proximidade, a população de municípios colados que vive aqui, como Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão. Isso eleva a população-alvo a quase 1 milhão. Esse é meu pensamento e foi por aí que me guiei.

JLPolítica - Onde é mais difícil de atuar, numa comparação, entre shoppings e hotelaria?
EO -
A hotelaria é muito mais difícil, porque, em primeiro lugar, não é área que dependa de uma ação exclusivamente sua enquanto empreendedor. A hotelaria faz parte de uma árvore que é abastecida pelo trade turístico.

JLPolítica - Em Sergipe, como em qualquer outro lugar, essa ação também precisa do Estado. A presença do Estado é boa?
EO -
Não. A presença do Estado é péssima. A pior possível. Nós somos uma peça diferente. Para trazer o turista para Aracaju, você precisa ter programação de lazer, orla, volume de restaurante próximo aos hotéis, barracas de praia para todos os níveis de público, infraestrutura, mercados populares, museu e o palácio-museu. Temos tudo isso. Mas nós tínhamos um calo muito grande, que é o acesso. O maior emissor de turistas para Sergipe era Bahia. O então governador Marcelo Déda fez aquelas duas pontes unindo Sergipe e Bahia – a do Vaza-Barris e a da Terra Caída -, que são extremamente mal utilizada, porque o governo hoje só tem uma coisa a fazer pelo turismo, que é a divulgação. E isso ele não faz.

JLPolítica – Mas o trade não tem reclamado disso?
EO -
O trade reclama muito do governo. Todo o trade dispõe a ajudar e a mostrar os caminhos para fazer de forma mais econômica. Porque todos nós sabemos que o governo, como um todo, compra mal, e até nisso nós já nos disponibilizamos, pensamos em fazer um convênio com a ABIH e o governo fica sempre adiando esse sonho. Hoje, o dólar está a R$ 4,20. E nas viagens sempre há alguma surpresa. Hoje o Brasil quer viajar. As grandes marcas de parque de diversão do mundo já perceberam isso. Todos os parques, se não a maioria, já tem um percentual comprado por investidores internacionais. Tudo isso porque eles perceberam que o Brasil, um país com 210 milhões de habitantes, vai viajar o Brasil. Vai viajar para o Brasil. Mas, infelizmente, Sergipe não acordou, e nós temos concorrentes grandes. Concorrer com Maceió e Salvador, por exemplo, não é mole. Fortaleza também tem isso como grande filão. Veja que o turismo alimenta 54 setores. Essa semana mesmo fizemos uma pesquisa, e saímos pelos restaurantes e eles estavam vazios, assim como os shoppings, os mercados.

JLPolítica - Excluir Sergipe e a sua capital de uma grande ação turística prejudica a quem?
EO –
A todos. Observe a Europa, com a Espanha falida. O que ela fez? Buscou arrumar a casa e se tornar um destino turístico. Hoje o PIB da Espanha depende 82% do turismo. Nós temos uma cidade admirada, todo turista fica apaixonado por Aracaju. O parque hoteleiro dessa cidade está numa região que parece mais um resort, porque você consegue caminhar com muita facilidade mesmo estando na cidade-capital. O que falta aqui é dedicação na divulgação do destino. Então, reforço: prejudica a toda a população sergipana, ao próprio Estado, que deixa de receber recursos, aos bares, aos restaurantes, aos hoteleiros.

CRESCIMENTO DE ARACAJU PASSA PELA ZONA SUL
“É impossível não passar. Basta consultar hoje os cadernos da Energisa: a região que mais cresce em volume de busca de instalações é aquela. Se Deus quiser, até 2022 ele (o Shopping Praia Sul) estará pronto, lindo maravilhoso”

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"A região que mais cresce em volume de busca de instalações é aquela", sobre a zona de expansão de Aracaju

JLPolítica - O que fazer para que Aracaju se tornasse de fato um destino turístico para o Brasil?
EO -
Eu conversaria com o prefeito e com o governador, desatrelava as duas Secretarias da área de qualquer partido político, teria duas pequenas equipes voltadas exclusivamente para o turismo e operaria de forma profissional com essas Secretarias, que teriam a incumbência de trabalhar dia a dia os passos para atrair turistas. Só isso.

JLPolítica - Quantos hotéis compõem o seu mix empresarial?
EO -
Nós temos quatro hotéis que somam, juntos, 514 apartamentos. São o Real Praia Hotel, o Hotel Parque das Águas, o Real Classic e o Real Classic Bahia Hotel.

JLPolítica - Quanto de ocupação um hotel precisa ter para ser um bom negócio?
EO -
Teria que ser algo entre 65% e 80%. Hoje, Aracaju amarga números feios, tristes. Tirando dias de pico, como os três de junho que são o São João, os números estão abaixo de 29%.

JLPolítica - Como empreendedor, o senhor acha que o Estado de Sergipe é bem-pensado pela classe política?
EO -
De hipótese alguma. Infelizmente, nós temos políticos que são amigos íntimos, como Jackson Barreto, Rogério Carvalho, que hoje é um cara que pensa economia - eu não consigo ouvir uma frase que não inicia com emprego e crescimento econômico do nosso Estado – da parte de Rogério. No entanto, eu não percebo dos governantes que aí estão o respeito ao empreendedorismo.

JLPolítica - Para quem empreende, isso é péssimo?
EO -
Mais que péssimo. É horrível. Vejamos: no segmento turístico, temos dois secretários que não dialogam com o trade turístico. O que entrou agora em Aracaju, Marlysson Magalhães, e o Manelito Franco Neto, do Estado. Eles sentam para escutar e pronto. Não dialogam. E quem mais sabe do turismo não são eles. São os componentes do trade turístico.

DO TAMANHO QUE TERÁ O SHOPPING PRAIA SUL
“Foi planejado para um tamanho inicial de 104 mil metros quadrados, mas teve um percentual reduzido em respeito à lei federal que manda que doemos para a Prefeitura em torno de 15%, perfazendo um total de aproximadamente 90 mil metros quadrados”

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“Foi planejado para um tamanho inicial de 104 mil metros quadrados", sobre o Shopping Praia Sul

JLPolítica - Quantos empregos diretos seus negócios geram?
EO -
Os hotéis, as construtoras e outros negócios que tenho, dão algo em torno de 500 empregos diretos.

JLPolítica - O senhor considera Emanuel Oliveira um Grupo econômico?
EO -
Sim. Porque são diversas empresas ligadas a uma mesma pessoa.

JLPolítica - A sua vocação empreendedora deve que percentual ao seu pai Moacir Oliveira?
EO -
Eu diria que 99% são devidos ao meu pai e à minha mãe. Eles são exemplos para mim. Desde o exemplo pelo respeito ao trabalho, aos horários, à dedicação em si. Como jovens, nós poderíamos passear, nos divertir, e se chegássemos às 5h40 da manhã, às 6h teríamos que estar acordados, porque às 7h tínhamos que abrir a loja. Quem não tivesse tomado banho, ia entrar no carro sem tomar banho.

JLPolítica - Seu pai atuou em que?
EO -
Meu pai foi da área de confecção, junto com os irmãos – eles eram 15 irmãos. Na época, eram lojas de tecido e confecção, depois cada um migrou para um setor específico. Meu pai migrou para o setor da construção civil. Isso ainda jovem. Daí, minha paixão pela construção civil.

JLPolítica - Qual é o significado da sua parceria com o Grupo Cenconsud, mantenedor do Grupo GBrabosa?
EO -
É um significado excelente. No momento em que conheci o antigo presidente do GBarbosa, Gerard Scheij, nos tornamos amigos. Ele apostou que eu fizesse uma das lojas do grupo GBarbosa, porque eu insistia com ele que na Zona de Expansão de Aracaju existia um número absurdo de pessoas que nem se sabia que existia. Eles precisaram alugar um helicóptero, buscar números com a Energisa para poder se convencer. Desde minha primeira loja do GBarbosa, das várias que tenho aqui e fora daqui alugadas por ele, quando se dão ao luxo de dizer por aí que, em plena crise, houve baixa de faturamento, nenhuma das nossas baixou.

ESTADO TEM UMA PÉSSIMA ATUAÇÃO NO TURISMO
“A presença do Estado é péssima. A pior possível. Nós somos uma peça diferente. Temos tudo e o governo hoje só tem uma coisa a fazer pelo turismo, que é a divulgação. E isso ele não faz. O trade reclama muito do governo. Todo o trade dispõe a ajudar e a mostrar os caminhos”

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“A presença do Estado é péssima. A pior possível. Nós somos uma peça diferente", queixa-se

JLPolítica - O senhor tem quantas lojas alugadas pelo GBarbosa?
EO -
A gente não pode divulgar os números, mas nós atuamos em parceria com eles aqui e na Bahia.

JLPolítica - Foi só para o Cenconsud que sua empresa construiu sede para aluguel?
EO –
Não. Nós atuamos em outras áreas. Na de logística, na área do Estado, na área de distribuição nacional, próximo à aeroportos, temos atuado em diversos setores com prédios para arrendamentos.

JLPolítica - Por que, entre o mix dos seus negócios, a revenda de pneus e supermercados simbolizados pelas Lojas Bandeirantes, não avançaram?
EO -
Na verdade, eu tinha uma coisa em mente: o respeito ao meu tamanho. Eu sempre entendi que queria entrar no segmento de hotel, de shopping, então, num dado momento, eu não podia pensar em ir para o shopping porque os meus recursos financeiros não permitiam. Então criei empresas que são importantes para mim, mas que foram degraus. Eu pensava assim: vou investir aqui porque é que eu posso. Depois eu vou ganhar e partir para um negócio maior. Fiz isso e saímos muito bem em todas as empresas, tanto que todas entram e saem do setor com a documentação, regulamentação. Ou seja, entram e saem dignamente.

JLPolítica - O senhor mantém a Construtora Bandeirantes?
EO -
A Construtora Bandeirantes hoje é uma empresa patrimonial, de propriedade dos meus pais. Meu pai já faleceu e minha mãe atua nela.

JLPolítica - Seus três irmãos são seus sócios?
EO -
Não tenho sócios.

PARA O TURISMO DAR CERTO E SER FELIZ...
“Eu conversaria com o prefeito e com o governador, desatrelava as duas Secretarias da área de qualquer partido político, teria duas pequenas equipes voltadas exclusivamente para o turismo e operaria de forma profissional”

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"Teria duas pequenas equipes voltadas exclusivamente para o turismo e operaria de forma profissional”, opina sobre política de Turismo

JLPolítica - Qual foi o significado do executivo Sílvio Pedra na sua vida de empreendedor?
EO -
O Sílvio Pedra é um cara muito preparado, que trabalha muito, que pegou o Cenconsud aqui no Brasil com 28 lojas e quando saiu da Presidência para atuar em seus próprios negócios entregou 388 lojas Cenconsud. Ele é muito inteligente na área comercial, na área empreendedora, e foi uma das duas pessoas que não abriram mão da minha pesquisa pessoal para os muitos pontos do GBarbosa. Porque quando o antigo presidente saiu, ele assumiu e nada mudou. Eu continuei e estou lá até hoje.

JLPolítica - O senhor se preocupa em deixar um grande legado empresarial, fruto do seu trabalho, para a sua família?
EO -
Sem dúvida. Meus filhos tem 10 e 8 anos, e eu tenho momentos para tudo com eles. Tanto o momento de brincar, com jogos, quanto o de falar de economia.

JLPolítica - Qual o conceito do senhor para o ato de trabalhar?
EO -
Trabalhar é o que eu mais gosto na minha vida. Viajar é bom. Ir para a fazenda é bom, ir para a casa de praia é bom, mas quando eu vou trabalhar, eu vou mais eufórico do que para qualquer outra dessas atividades. Eu faço do trabalho uma extensão da alegria. Eu vou trabalhar com prazer. Se você disser que hoje se alongou no trabalho, para mim isso é motivo de felicidade.

JLPolítica - Quem é mais trabalhador, entre o senhor e Álvaro Neto, da Petrox?
EO -
(Risos). Vamos dizer que nos espelhamos um no outro. Eu admiro muito Alvinho. Ele é meu amigo de infância. E dificilmente em nossos bate-papos dos 16 anos de idade até hoje pode deixar de existir o trabalho, a pesquisa e os sentimentos empresariais. E a gente se cruza em alguns setores. Ele tem, por exemplo, hotelaria, com o NB Hotel, que é muito bonito. Já eu estou na área de aluguéis de supermercados e hipermercados, como ele e a família dele. E hoje ele tem dois shoppings e participação em vários shoppings do Brasil - eu também atuou na área. Mas a gente se admira muito, se respeita muito. Seu Noel Barbosa, o pai dele, é uma pessoa maravilhosa. Eu respeito muito os dois.

JLPolítica - O Brasil está assustando a quem quer empreender e a quem precisa trabalhar?
EO -
Infelizmente, está. Essa semana me deparei com uma situação com um grande amigo meu, que estava chorando ao telefone e dizendo-me: estou embarcando meu filho para fora do Brasil, porque esse país não absorve o profissional.

QUEM DEVERIA PENSAR SERGIPE, NÃO O FAZ
“Infelizmente, nós temos políticos que são amigos íntimos, no entanto eu não percebo dos governantes que aí estão o respeito ao empreendedorismo. (Isso é) mais que péssimo. É horrível”

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"Eu não percebo dos governantes que aí estão o respeito ao empreendedorismo", avalia

JLPolítica - A classe empreendedora tem alguma culpa nisso?
EO -
Jamais. Nós estamos em um Estado que, geneticamente, tem o empreendedorismo na alma, pelo lado comercial, pelo lado industrial. Temos grandes exemplos, como o Grupo Maratá, do José Augusto Vieira. É um orgulho chegar em outra cidade, tomar um café ou um chá, e ouvir um isso aí é da Maratá. Como já aconteceu comigo em um hotel em Brasília.

JLPolítica - O senhor diria que o Brasil acontece apesar dos Governos?
EO –
Diria. Sem sombra de dúvidas. No meu país, há muito mais empreendedorismo do que Governo.

JLPolítica - A sua relação com o município de Nossa Senhora do Socorro tem conduzido a boatos de que o senhor pode disputar a Prefeitura dali. Isto é possível?
EO -
De fato, houve convites de alguns grupos. E eu disse que aprendi com uma frase de João Alves Filho, com ele dizendo que a tinha ouvido do pai dele: se quer entrar no mundo político, venda as empresas. E eu não quero vender as minhas.

JLPolítica – E em Aracaju, existe alguma pretensão na disputa pela prefeitura?
EO -
Em Aracaju, de fato, a pressão foi maior. Alguns amigos dizendo que agora é o momento, que os Estados Unidos botou empresário, assim como alguns estados brasileiros. Eu dei a mesma resposta.

JLPolítica - Que grau de verdade há nos comentários de que o senador Rogério Carvalho lhe é um sócio?
EO –
Grau zero. Eu não tenho nenhum sócio, em nenhuma empresa. A não ser minha família.

DE ONDE VEM A VEIA EMPREENDEDORA?
“Eu diria que 99% são devidos ao meu pai e à minha mãe. São exemplos. Desde pelo respeito ao trabalho, aos horários, à dedicação em si. Poderíamos nos divertir, e se a chegássemos às 5h40 da manhã, às seis teríamos que estar acordados, porque as 7h tínhamos que abrir a loja”

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“Eu diria que 99% são devidos ao meu pai e à minha mãe", sobre a veia empreendedora

JLPolítica - Nem Zé Franco?
EO -
  Não. Zé Franco é um amigo querido, um cara que acreditou no Shopping Prêmio desde a primeira hora. E aqui, a propósito disso, eu tenho uma passagem interessante para contar: nós estávamos prestes assinar um compromisso de fazer o Shopping Prêmio em Paulo Afonso, na Bahia. Foi quando Zé Franco, um louco apaixonado por Socorro, soube, me procurou e, sem nem me desejar bom dia, foi logo me dando uma bronca e dizendo que não iríamos investir em Paulo Afonso e sim em Socorro.

JLPolítica - O senhor chega com ele prefeito do lugar. Deu suporte à implantação?
EO -
Do dia em que eu cheguei lá até o dia de iniciar a obra, não tinha uma semana em que eu não recebesse telefonemas ousados de Zé Franco perguntando quando ia começar. E desde o dia que a obra começou, ele manteve isso. Zé Franco foi um parceiro muito importante. Mas sociedade não existe. Nem com Rogério Carvalho, nem com Zé Franco e nem com Sílvio Pedra. Porque infelizmente eu sofro do mal que atinge os sergipanos que crescem, que é o de se dizer que tem algum sócio. Você lembra que as duas grandes empresas daqui eram atreladas a um nome. As pessoas diziam que Seu Oviedo Teixeira era dono da Bomfim. E Lauro da Bonfim era 10 vezes maior que Seu Oviedo. Um tempo desses, o professor Jouberto Uchôa de Mendonça, que é meu vizinho, me contou que as pessoas diziam que Albano Franco era o dono da Universidade Tiradentes. E a Unit está aí, um espetáculo a ser admirado, fruto da ação de Uchoa e da família dele.

JLPolítica - O senhor associa isso a um certo olho gordo?
EO -
Eu prefiro nem pensar nisso. Prefiro tirar na gozação e na brincadeira.

JLPolítica - O que o senhor está achando dos cincos meses do Governo Jair Bolsonaro?
EO -
Até aqui, não deu para admirar nada, porque o que é preciso é de um aquecimento na economia. É triste ver o sentimento do desemprego no Brasil e em nosso Estado, que está um caos nesse sentido. Para se ter ideia, hoje nos currículos as pessoas estão tirando seus conhecimentos para não assustarem os setores de Recursos Humanos. Aconteceu agora na minha construtora. Peguei um currículo, soube que a pessoa era pós-graduada em duas áreas de cálculo estrutural e ela disse que tirou porque a empresa poderia pensar que ela estava acima do nível do emprego. Chegou-se a um ponto de um engenheiro formado dizer que queria ser empregado em qualquer setor da obra. Até como um apontador.

JLPolítica - Quem é o seu modelo de empresário em Sergipe e no Brasil?
EO -
Meus modelos principais em Sergipe nasceram todos da minha família. Eu tenho 15 tios e a conversa em casa para se divertir era sobre o modelo empresarial. Negócio. Então, são os valores do meu pai, que foram colocados na minha empresa. Esse é o modelo: meu pai, minha mãe, meus irmãos. Mas, externamente, têm os admirados de fora, como Raimundo Juliano, Jouberto Uchôa de Mendonça, Oviedo Teixeira, José Augusto Vieira, Luciano Barreto, da Celi. Wagner Oliveira, do Primavera, é um homem que merece muito elogio enquanto empreendedor em Sergipe e fora daqui. Alguém teria ideia do que seria Sergipe hoje sem o Hospital Primavera? Eu aplaudo esse médico e esse empreendedor. Mas esses todos aí são os ícones em Sergipe.

IMPORTÂNCIA DO GBARBOSA EM SUA VIDA
“É um significado excelente. No momento em que conheci o antigo presidente Gerard Scheij, nos tornamos amigos. Ele apostou que eu fizesse uma das lojas do grupo, porque eu insistia que na Zona de Expansão de Aracaju existia um número absurdo de pessoas que nem se sabia que existia”

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“O Shopping Prêmio, como dizem as pessoas de Socorro", foi uma benção