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Entrevista

Jozailto Lima

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Fábio Henrique: “Precisamos melhorar a atuação da classe política em favor de Sergipe”

“Não podemos viver num país que tem uma crise por dia provocada pelo presidente da República”
3 de maio - 8h00

Apesar de estar no primeiro mandato de deputado federal, Fábio Henrique, 47 anos, não é um neófito. Não é um estreante em política.

Ele já venceu quatro eleições - uma de vereador de Aracaju, com antológica votação, duas de prefeito de Nossa Senhora de Socorro, incluindo a reeleição, e a que o mandou a Brasília.

Pode ainda ser creditada ao currículo dele a eleição da esposa, a jornalista Sílvia Fontes, para a Assembleia Legislativa de Sergipe em 2014, com expressivos 42.613 votos - 7.387 a mais do que os 35.226 votos obtidos por ele em 2018.

Embora, portanto, não possa mais ser rotulado como um emergente, Fábio Henrique sempre pontua nas análises de Sergipe como um dos nomes novos da política do Estado - ao lado de Edvaldo Nogueira, dos dois demais Fábios federias - o Reis e o Mitidieri -, Rogério Carvalho, Valadares Filho, Alessandro Vieira, Zezinho Sobral, Luciano Pimentel, Georgeo Passos, Valmir de Francisquinho, entre alguns mais.

E de fato Fábio Henrique de Carvalho pensa largo. Grande. E expõe sem embaraços o que pensa - com uma certa franqueza. Não manca do pensamento, embora tenha trejeitos clássicos e comuns aos simãodienses, que por vezes revelam menos do que o que de fato pensam.

Na análise que faz do seu mandato em Brasília, Fábio Henrique embute visões assertivas que vão desde o campo pessoal ao institucional de Sergipe e do Brasil.

Acha, por exemplo, que são mais que necessárias mais “serenidade e união” da classe política sergipana no modo de pensar Sergipe, e defende que ninguém merece um presidente de República como Jair Messias Bolsonaro, que acende uma crise política na bagana da outra todos os dias. Um viciado em desarranjos.

“Evidente que precisamos melhorar a atuação de toda a classe política em favor do Estado de Sergipe. É preciso que exista serenidade e união. A bandeira principal não pode ser a da ideologia e nem a do partido, mas a da soberania do nosso Estado”, diz Fábio. “Defendo a união de toda classe política em favor de Sergipe”, reforça.

No plano nacional, Fábio Henrique nutre uma visão dura, mas realista, sobre Jair Bolsonaro e as suas diabruras políticas na mais das vezes elevadas ao desrespeito. “Não podemos viver num país que tem uma crise por dia provocada pelo presidente da República. Precisamos de paz e sensatez”, defende.

“O que o Brasil precisa hoje, em 2022 e sempre precisará, é de equilíbrio. Sou um deputado de oposição a Bolsonaro, mas o faço com muito equilíbrio e responsabilidade. Tudo do Governo Bolsonaro que foi encaminhado para a Câmara e que foi bom para o Brasil, contou com o meu voto. Não posso fazer oposição ao Brasil. Precisamos de equilíbrio e fugir do radicalismo”, diz.

Fábio Henrique julga que faz um mandato dentro de uma boa média de desempenho. “Dizer que já superei as dificuldades seria arrogância, prepotência e falta de humildade. As dificuldades são superadas diariamente e cada dia é um aprendizado. As dificuldades são muitas. A Câmara é uma casa de líderes, as pautas e as definições de votações são decididas em “colégio de líderes””, afirma ele.

“Somos 513 e eu sou de um partido com 28 deputados - considerado médio, e de oposição. Sou do menor Estado do Brasil e situado do Nordeste. Tudo isso gera dificuldade de adaptação, mas com muito esforço, trabalho e rompendo barreiras, com muita interlocução, tenho conseguido conquistar espaços importantes na Câmara Federal”, completa.

Da cena sergipana, o deputado diz que Belivaldo Chagas faz um Governo sensato, sobretudo nessa hora de pandemia - “o Governo Belivaldo tem agido com responsabilidade”, diz -, avisa que é um pré-candidato a prefeito de Nossa Senhora do Socorro e manda um recado direto aos seus oponentes.

“Não há nenhuma pendência jurídica que me impeça de disputar qualquer eleição. Nem processo transitado e julgado em segunda instância, e nenhuma condenação criminal. Tem um grupo de adversários que espalha isso, que é uma grande fake news que eles acreditam ser estratégia política. Meus adversários atacam diariamente a mim e a minha família”, diz.

E como pré-candidato a prefeito, Fábio Henrique antevê que o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, que é também pré-candidato à reeleição, vai estar no seu palanque em Socorro e não no do prefeito Padre Inaldo Luis da Silva.

Edvaldo Nogueira é do nosso partido. Ele veio para o PDT atendendo ao nosso convite e estará no nosso palanque da mesma forma que eu estarei no dele em Aracaju”, avisa.

No plano intimamente pessoal - familiar, diga-se -, Fábio Henrique diz que não passam de fofoca os boatos de que ele e a esposa Sílvia Fontes estariam separados.

“Lamento muito que meus opositores não venham para o debate político e entrem no debate pessoal. Essa é uma pergunta de cunho absolutamente pessoal, mas vou lhe responder em respeito a você e ao JLPolítica, e em respeito ao povo sergipano: eu e Sílvia não estamos separados. Nunca estivemos separados. Isso é mais uma fofoca”, diz.

Fábio Henrique Santana de Carvalho nasceu no dia 19 de junho de 1972 em Simão Dias. Ele é filho de Adilson de Carvalho Silva e Maria Joselice Santana de Carvalho.

Ele é bacharel em Direito pela Universidade Tiradentes e tem formação técnica em Radialismo, área em que muito atuou em Aracaju em programas de rádio. Mas tem pós-graduações em Direito Público e em Direito Eleitoral.

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Ele é filho de Adilson de Carvalho Silva e Maria Joselice Santana de Carvalho
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Fábio é casado com Sílvia Tereza Fontes Caldas

A AVALIAÇÃO DESTE POUCO MAIS DE ANO DE MANDATO
“Extremamente positiva. Como deputado federal em primeiro mandato, de um partido médio, como é o PDT, que é oposição, eu participei ativamente de 11 Comissões. Tenho aprendido diariamente, e tenho buscado fazer um bom mandato em favor do meu Estado”

 JLPolítica - Qual é a análise que o senhor faz deste um ano e meio de seu mandato na Câmara Federal?
Fábio Henrique -
Extremamente positiva. Como deputado federal em primeiro mandato, de um partido médio, como é o PDT, que é oposição, eu participei ativamente de 11 Comissões. Até começar a pandemia, eu estava titular das Comissões Segurança Pública, de Esportes, de Turismo; além de membro da principal Comissão desse mandato, que foi a da Reforma da Previdência, na qual tive participação atuante e destacada, tenho votado muito consciente, na defesa dos interesses e dos direitos dos trabalhadores. Estou vice-líder do partido na Câmara dos Deputados e, para mim, o mais importante: tenho procurado levar os problemas de Sergipe para serem debatidos na Câmara Federal. Tenho aprendido diariamente, e tenho buscado fazer um bom mandato em favor do meu Estado.

JLPolítica - O que de real e de concreto o senhor e seu mandato conseguiram gerar ou trazer para Sergipe?
FH -
É preciso fazer uma análise: as pessoas associam muito os deputados federais às liberações de emendas. Neste aspecto, como estou no primeiro mandato, só tive direito a colocar emendas no final do ano passado e deverão ser pagas neste ano de 2020. E aí destinei emendas para vários municípios e para o Estado.

JLPolítica - Mas que escala deve medir um deputado federal?
FH -
Na minha avaliação, o principal aspecto do deputado deve ser o que é produzido em favor do Brasil e de Sergipe. Nesse sentido, acredito que tenho contribuído muito quando levo a Brasília os debates do nosso Estado. Como exemplo, o escândalo da inacabada BR-101, o desmonte da Petrobras em Sergipe, sob os olhares silenciosos da esmagadora maioria da classe política do nosso Estado; a defesa do pacto federativo, que são leis que redistribuem recursos e aumenta as fontes de renda de Estados e municípios para que os gestores possam fazer obras sem passar o pires de pedido para o Governo Federal. No aspecto legislativo e no político, tenho a consciência de que tenho ajudado muito Sergipe.    

JLPolítica - O senhor sente uma unidade de ação dos 11 representantes sergipanos no Congresso em favor de Sergipe neste momento de coronavírus?
FH -
Sim. Naturalmente cada um dos oito deputados e dos três senadores possui as suas diferenças ideológicas. Eu tenho com alguns deputados diferenças gritantes na forma de pensar o Estado e a política. Porém, no momento que houve a nossa reunião para pensar as emendas de bancada, houve praticamente um consenso. A esmagadora maioria ajudou ao Estado de Sergipe e agora, com o coronavírus, que houve a possibilidade de remanejamento de emendas, percebi que os 11 parlamentares se propuseram reforçar essa ajuda ao Estado, independentemente do viés político. 

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É pai Bruna Fontes de Carvalho, de 19 anos, e de Danielle Fontes de Carvalho, de 11, impondo-as o credo rubro-negro

DA SUPOSTA UNIDADE DOS 11 NO CONGRESSO
“Naturalmente cada um dos oito deputados e dos três senadores possui suas diferenças ideológicas. Tenho com alguns deputados diferenças gritantes na forma de pensar o Estado e a política. Porém, no momento que houve a nossa reunião para pensar as emendas de bancada, houve praticamente um consenso. A esmagadora maioria ajudou ao Estado”

 JLPolítica - O senhor já superou todas as dificuldades de adaptação na Câmara quem podem atingir a alguém de primeiro mandato?
FH -
As dificuldades são muitas. A Câmara é uma casa de líderes, as pautas e as definições de votações são decididas em “colégio de líderes”. Somos 513 e eu sou de um partido com 28 deputados - considerado médio -, e de oposição. Sou do menor Estado do Brasil e situado do Nordeste.

JLPolítica - Isso atrapalha?
FH -
Tudo isso gera dificuldade de adaptação, mas com muito esforço, trabalho e rompendo barreiras, com muita interlocução, eu tenho conseguido conquistar espaços importantes na Câmara Federal. Mas dizer que já superei as dificuldades seria arrogância, prepotência e falta de humildade. As dificuldades são superadas diariamente e, como já disse, cada dia é um aprendizado.  

JLPolítica - O senhor conseguiu se encaixar bem no território das Comissões Temáticas do Câmara?
FH -
Acredito que sim. Como já disse lá no início, participava de 11 comissões quando começou a pandemia da Covid-19. Sou um membro que o PDT coloca em diversas Comissões, porque me dedico, estudo os temas, crio emendas, faço preposições e debato. Participei da Comissão da Reforma da Previdência, a mais importante desse mandato, sou membro titular de diversas outras. Participo da CPI que apura o derramamento de óleo nas praias, tenho me dedicado aos trabalhos das comissões e, olhe, isso requer estudo e dedicação. 

JLPolítica - Qual é o impacto desta pandemia sobre a atividade parlamentar do Congresso Nacional?
FH -
É gigantesco, como o é para toda a sociedade. O Congresso Nacional tem uma média de 30 mil pessoas circulando semanalmente, com todas as categorias profissionais de iniciativas públicas e privadas, onde todas as leis são produzidas. Costumo dizer que é no Congresso Nacional onde a vida dos brasileiros é decidida, e para isso a ação presencial é fundamental. A pandemia impede que os parlamentares estejam em Brasília, atuando nas comissões internas, nos debates, nas plenárias, nas reuniões dos gabinetes. Quero ressaltar a postura correta do presidente Rodrigo Maia, que fez da Câmara Federal a primeira casa legislativa do Brasil a montar sessões virtuais, e assim temos trabalhado e votado em projetos importantes para o Brasil. Mas a atuação presencial é muito importante. Diria que fundamental.

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Nega a boataria de que ele e Silvia estejam separados

IMPACTO DA PANDEMIA SOBRE O CONGRESSO
“É gigantesco, como o é para toda a sociedade. O Congresso Nacional tem uma média de 30 mil pessoas circulando semanalmente, com todas as categorias profissionais de iniciativas públicas e privadas. Costumo dizer que é no Congresso onde a vida dos brasileiros é decidida e a pandemia impede que os parlamentares estejam em Brasília”

 JLPolítica - Qual é a sua visão do modo de o Governo do Brasil lidar com a pandemia do coronavírus no Brasil?
FH -
O presidente Jair Bolsonaros trata a questão do coronavírus, desde o primeiro momento, com desdém e pouco caso. A mais recente declaração dele, foi de minimizar e desdenhar de quase 500 pessoas morreram em um único dia. Isso deixa claro a posição dele e a que seu Governo passou a assumir. Aliás, o Governo brasileiro agora tem feito o contrário do que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde, ao contrário de tudo que é feito no mundo, inclusive contra o grande ídolo de Bolsonaro, que é o presidente dos EUA, Donald Trump. O próprio Trump deu uma declaração de que o Brasil vivia uma crise grave porque ia de encontro ao praticado nos demais países da América Latina.

JLPolítica - Qual é a sua visão do modo de o Governo de Sergipe lidar com a pandemia do coronavírus no Estado?
FH -
O Governo Belivaldo tem agido com responsabilidade. Evidentemente que quando você determina medidas de isolamento social desagrada, principalmente aos setores do comércio, porque gera desemprego. Mas são atitudes necessárias e o Governo de Sergipe tem buscado ampliar as suas capacidades de atendimento, mesmo com uma série de dificuldades. Belivaldo Chagas tem feito também uma coisa certa, que é a tomada de atitude ouvindo os técnicos, decidindo com amparo técnico. Minha sugestão é também uma atuação maior no contexto social, no amparo às pessoas. 

JLPolítica - O senhor acha que os prefeitos Edvaldo Nogueira e Padre Inaldo, de Aracaju e Nossa Senhora do Socorro, fazem bem o dever de casa frente à pandemia?
FH -
Edvaldo Nogueira acredito que tem tido uma atuação correta, seguindo um caminho semelhante ao do governador Belivaldo, de acompanhar as orientações técnicas. Mas defendo que todos os entes precisam fazer mais em favor da população. Infelizmente, a Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro se preocupa muito mais em fazer propaganda política das ações do prefeito do que com as ações da Saúde. Eu tenho dito que, nesse momento, é preciso que se desça do palanque, não se pode pensar em política. Acho que a Prefeitura de Socorro está fazendo pouco! É preciso que se crie um programa de distribuição de recurso, de renda, as pessoas estão passando necessidade. Que se tenha coragem para promover medidas de isolamento necessárias e no aspecto social.

JLPolítica - Até onde vai o seu grau pessoal de preocupação com essa pandemia?
FH -
Ao grau máximo. Há uma preocupação com a saúde da população. Estamos vendo os casos aumentar no nosso Estado e no Brasil. Tem muita gente morrendo, tem casos subnotificados, acredito em muito mais gente morrendo com o coronavírus. Essa deve ser uma preocupação de qualquer ser humano, de qualquer cristão, que é com a vida. Não consigo entender como alguém que se diz cristão e não está nem aí para a vida do seu semelhante.

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Ele e o irmão, Adilson Júnior (vice-prefeito de São Cristóvão), participaram do primeiro governo de Belivaldo Chagas. Mas não apoiaram a sua reeleição. Silvia Fontes foi a vice da chapa de Valadares Filho

DA ATUAÇÃO DO GOVERNO DE SERGIPE FRETE À PANDEMIA
“O Governo Belivaldo tem agido com responsabilidade. Evidentemente que quando você determina medidas de isolamento social desagrada, principalmente ao comércio, porque gera desemprego. Mas são atitudes necessárias e o Governo de Sergipe tem buscado ampliar as suas capacidades de atendimento”

 JLPolítica - E há as questões de ordem econômicas.
FH -
Sim. Há também uma preocupação com o aspecto econômico, estamos testemunhando muita gente passando necessidade, perdendo o emprego e até passando fome. Há pouca eficácia do poder público. Os governos precisam fazer mais para atender a população e unir todos em atuação nas esferas federal, estaduais e municipais. Também tenho uma preocupação de como será o Brasil pós-pandemia. Da recessão econômica que viveremos. Quanto tempo para a recuperação e para gerar empregos?

JLPolítica - Quais são as pendências jurídicas do ex-gestor Fábio Henrique que possam vir a impedi-lo de disputar a Prefeitura Municipal de Nossa Senhora do Socorro este ano?
FH -
Nenhuma. Não possuo nenhuma pendência, nem processo transitado e julgado em segunda instância, e nenhuma condenação criminal. Não há nenhuma pendência jurídica que me impeça de disputar qualquer eleição. Tem um grupo de adversários que espalha isso, que é uma grande fake news que eles acreditam ser estratégia política. Meus adversários atacam diariamente a mim e a minha família.

JLPolítica - Então o senhor acha que não tem o que dissipar para ir de fato a uma candidatura?
FH -
Sim. Não tenho o que dissipar.

JLPolítica - O senhor ainda acredita na realização das eleições municipais este ano?
FH -
Acredito que serão realizadas ainda esse ano. A eleição é importante. É a manifestação da vontade do povo. Acho que, a depender do desenvolvimento da pandemia, as eleições podem ser prorrogadas para novembro ou dezembro. Esse é o entendimento do presidente do Tribunal Superior Eleitoral e da Presidência da Câmara dos Deputados. Qualquer alteração, teria de passar pela esfera legislativa. Isso não significa que eu não concorde com eleições gerais, mas as eleições devem ocorrer ainda esse ano.

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No governo de JB, Fábio foi secretário de Turismo

HÁ AÇÕES QUE O IMPEÇAM DE DISPUTAR ELEIÇÃO EM 2020?
“Nenhuma. Não possuo nenhuma pendência, nem processo transitado e julgado em segunda instância, e nenhuma condenação criminal. Não há nenhuma pendência jurídica que me impeça de disputar qualquer eleição. Tem um grupo de adversários que espalha isso, que é uma grande fake news”

 JLPolítica - Procedem as informações de que o senhor já teria na vereadora Maria da Taiçoca sua pré-candidata a vice-prefeita?
FH -
A chapa começa a ser consolidada na semana das convenções, portanto não falo de candidaturas porque tenho evitado tratar de questões políticas nesse momento. O nosso foco tem que ser na saúde da população. Porém, devo dizer que há conversas muito adiantadas com Maria da Taiçoca, com o PSD. Maria foi a presidente da Câmara de Nossa Senhora do Socorro nos oito anos em que fui prefeito, é uma mulher digna e honrada, uma senhora moradora do município e tem todas as qualidades para ser vice-prefeita. Para mim, seria uma honra tê-la como vice.

JLPolítica - Qual é o papel ainda reservado a José Franco na política municipal de Nossa Senhora do Socorro?
FH -
Zé Franco é um amigo, antes mesmo de termos uma relação política. Na nossa trajetória política passamos muito mais tempo aliados do que adversários. Temos dialogado, Zé tem as pretensões dele e eu tenho as minhas. Mas tenho muita esperança que estaremos juntos na eleição de 2020 e na de 2022 para trabalharmos para tirar Nossa Senhora do Socorro da situação em que ela se encontra.

JLPolítica - Qual o espaço que o senhor vê como possível para seu irmão Adilson Júnior na sucessão municipal de São Cristóvão?
}FH -
De forma muito habilidosa, ele construiu a sua pré-candidatura a prefeito. Tem cinco partidos que o apoiam. Adilson Júnior é extremamente competente, foi muito capaz quando era meu secretário e depois também como secretário de Estado do Turismo e Esporte. Acho que seria muito bom para São Cristóvão, para levar as mudanças que o município efetivamente precisa.

JLPolítica - O senhor sustenta suas críticas ao prefeito de São Cristóvão?
FH -
Em 2016, fomos para as ruas e defendemos o projeto do atual prefeito, mas Marcos Santana não cumpriu com o que pactuou, a exemplo de levar um distrito industrial para o município, promover as obras que se comprometeu e faz uma gestão questionável administrativamente. Construímos uma vida política em São Cristóvão. Júnior participa ativamente do dia a dia da cidade. Então, Adilson Júnior é pré-candidato a prefeito de São Cristóvão com todo o meu apoio e do nosso agrupamento.

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Foi prefeito de Socorro por dois mandatos consecutivos: 2009-2016

DA CRENÇA DE QUE HAVERÁ ELEIÇÕES ESTE ANO
“Acredito que serão realizadas ainda esse ano. A eleição é importante. É a manifestação da vontade do povo. Acho que, a depender do desenvolvimento da pandemia, as eleições podem ser prorrogadas para novembro ou dezembro. Esse é o entendimento do presidente do Tribunal Superior Eleitoral e da Presidência da Câmara dos Deputados”

JLPolítica - Se o senhor for candidato a prefeito de Socorro, espera ver Edvaldo Nogueira sobre seu palanque?
FH -
Evidente. Edvaldo Nogueira é do nosso partido. Ele veio para o PDT atendendo ao nosso convite e estará no nosso palanque da mesma forma que eu estarei no dele em Aracaju.

JLPolítica - Mas como o senhor recebe a aparente afinidade entre Edvaldo Nogueira e o Padre Inaldo?
FH -
Quem sou eu para julgar as relações afetivas entre as pessoas? As pessoas têm afinidade com quem desejam ter. Entendo, aliás, que Edvaldo e o atual prefeito de Nossa Senhora do Socorro precisam ter afinidade porque administram cidades que são vizinhas e extremamente interligadas. Portanto, a relação precisa existir em favor dos dois municípios. Quanto à questão política, repito que Edvaldo é do PDT, eu sou do PDT e estaremos juntos.

JLPolítica - O senhor sente que sua relação política com Belivaldo Chagas se perdeu para sempre, ou pode haver um atalho de relacionamento dos senhores lá na frente?
FH -
Belivaldo é um amigo de família. Somos ambos de Simão Dias, e na eleição passada, por uma conjuntura política, não estivemos juntos, mas sempre nos respeitamos. Depois da eleição, já conversamos várias vezes, já coloquei o nosso mandato de deputado à disposição do governador e destinei emendas parlamentares para ajudar ao meu Estado. Tenho com Belivaldo uma excelente relação pessoal, respeitosa e institucional. Portanto, diria que as nossas relações estão absolutamente tranquilas. Minha opinião é a de que Belivaldo Chagas tem muitas dificuldades, porém faz um bom mandato e reafirmo que nosso mandato sempre estará à disposição do que for preciso para ajudar nosso Sergipe.

JLPolítica - Qual é o seu conceito do modo de o presidente Jair Bolsonaro operar a política nesta hora e desde sempre?
FH -
O presidente Bolsonaro é o que sempre foi. Às vezes as pessoas esquecem que ele foi deputado federal por 28 anos - eu falei 28 anos - e com os mandatos absolutamente improdutivos. Jair Bolsonaro foi eleito por uma circunstância política em que as pessoas queriam votar, sem entrar no mérito, contra o PT, em função de tudo que foi divulgado. Bolsonaro foi o candidato que, naquele momento, se apresentou como o antipetismo e é o que ele alimenta para 2022. O sonho de Bolsonaro é uma nova disputa entre ele e Lula, PT, porque entende que irá se repetir esse fenômeno. Então, Bolsonaro é o que sempre foi, fazendo as coisas que sempre foram feitas.

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Está deputado federal desde 2019. Na imagem, com colegas da bancada do PDT

DE SÃO CRISTÓVÃO E DE ADILSON JÚNIOR
“Fomos para as ruas e defendemos o projeto do atual prefeito, mas Marcos Santana não cumpriu com o que pactuou, a exemplo de levar um distrito industrial para o município, promover as obras que se comprometeu e faz uma gestão questionável. Construímos uma vida política em São Cristóvão. Júnior participa ativamente do dia a dia da cidade. Então, Adilson Júnior é pré-candidato a prefeito com todo o meu apoio e do nosso agrupamento”

 JLPolítica - Tem sustentação a ideia de que ele não negocia politicamente?
FH -
Não existe esta essa história de Bolsonaro não fazer o “toma lá, da cá”. É uma mentira. O Governo Bolsonaro agora está se aproximando do Centrão, que é um grupo de partidos que está sempre no poder negociando a liberação de emendas, cargos e fazendo tudo aquilo que os outros sempre fizeram. Eu torço para que o Brasil dê certo, porém estamos passando por crises de saúde e econômica e, infelizmente, por uma crise política pelo modo de agir do presidente Bolsonaro.  

JLPolítica - Ciro Gomes, com aquelas superlatividade e quase violência verbal todas, seria diferente de Jair Bolsonaro em quê?
FH -
Há diferenças fundamentais. É inegável a capacidade intelectual de Ciro Gomes. Ele é um dos homens mais preparados do Brasil. Se alguém vai para o debate sobre economia com Ciro Gomes, tem-se alguém que conhece, que foi ministro da Economia com menos de 30 anos. Foi Ciro Gomes que implantou o Plano Real no Brasil, homem com experiência. Foi também governador e é um homem honesto. Não há nada que deponha contra ele. Acho que Ciro é a grande alternativa, inclusive para o Brasil sair dessa radicalização de esquerda e de direita. Ciro Gomes é a alternativa para administrar o Brasil com a capacidade suficiente e com o equilíbrio que o nosso país precisa. 

JLPolítica - Politicamente, no plano nacional, do que mais necessita o Brasil hoje e sobretudo em 2022?
FH -
O que o Brasil precisa hoje, em 2022 e sempre precisará é de equilíbrio. Sou um deputado de oposição a Bolsonaro, mas o faço com muito equilíbrio e responsabilidade. Tudo do Governo Bolsonaro que foi encaminhado para a Câmara e que foi bom para o Brasil, contou com o meu voto. Não posso fazer oposição ao Brasil. Precisamos de equilíbrio e fugir do radicalismo. Não podemos viver num país que tem uma crise por dia provocada pelo presidente da República. Precisamos de paz e sensatez.

JLPolítica - A ex-deputada estadual Sílvia Fontes vai desistir definitivamente da política?
FH -
A ex-deputada Sílvia Fontes é eternamente grata ao povo de Sergipe, que a fez a deputada mais votada em 2014 e a mulher deputada com a maior votação da história de Sergipe. É eternamente grata aos socorrenses que fizeram dela a deputada com a maior votação que já teve no município. É eternamente grata a todos os companheiros que participaram desse projeto. Mas nesse momento, o projeto de Sílvia é outro, que não é o político, e ela tem o direito de pensar assim.

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Tem curso técnico de radialismo e DRT de jornalista, o que o habilitou a ter sido apresentador do Balanço Geral da TV Atalaia

APOSTA DE QUE EDVALDO NOGUEIRA ESTARÁ NO SEU PALANQUE
“É do nosso partido. Edvaldo Nogueira veio para o PDT atendendo ao nosso convite e estará no nosso palanque da mesma forma que eu estarei no dele em Aracaju. As pessoas têm afinidade com quem desejam ter. Entendo, aliás, que Edvaldo e o atual prefeito de Socorro precisam ter afinidade porque administram cidades que são vizinhas e extremamente interligadas”

 JLPolítica -  Seus oponentes em Socorro dizem que o senhor e ela estão separados. Procede?
FH -
Meus opositores em Nossa Senhora do Socorro dizem tantas coisas (risos). Eu lamento muito que meus opositores não venham para o debate político e entrem no debate pessoal. Essa é uma pergunta de cunho absolutamente pessoal, mas vou lhe responder em respeito a você e ao JLPolítica, e em respeito ao povo sergipano: eu e Sílvia não estamos separados. Nunca estivemos separados. Isso é mais uma fofoca. O interessante é que meus adversários não querem debater política comigo. O que quero debater é trabalho, o que cada um fez pelos socorrenses. Eu transformei o município de Nossa Senhora do Socorro quando fui prefeito, consegui fazer muitas obras, promovi o crescimento econômico, implantamos um shopping no município, fomos o quinto município que mais gerou empregos do Nordeste. E é isso que eu quero debater, mas eles não sabem e não têm capacidade de falar sobre isso, então entram em questões pessoais. Não estamos separados e continuamos bem casados, graças a Deus.

JLPolítica - Esta é uma pergunta recorrente deste Portal e nesta Entrevista Domingueira: agrada ao senhor o modo como a classe política pensa e projeta o futuro de Sergipe?
FH -
Evidente que precisamos melhorar a atuação de toda a classe política em favor do Estado de Sergipe. É preciso que exista serenidade e união. A bandeira principal não pode ser a da ideologia e nem a do partido, mas a da soberania do nosso Estado. Defendo a união de toda classe política em favor de Sergipe. Eu cito como exemplo o caso da Petrobras, que está saindo do nosso Estado, mesmo com a descoberta das reservas de gás. Temos uma BR-101 que tem uma obra em andamento há mais de 25 anos e não conclui. Meu primeiro serviço como policial rodoviário federal foi fiscalização da obra dessa BR em 1994, e não é possível que isso não se conclua. Precisamos pensar mais em Sergipe, menos na política e menos nos partidos.

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E Já esteve nas estradas, patrulhando o trânsito das rodovias federais. É um PRF licenciado