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Entrevista

Jozailto Lima

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Fernando Mota: “Lucro do Banese vem da confiança que os sergipanos têm nele”

Publicado em 31 de março de  2018, 20:00h

“O Banese é um banco contemporâneo, moderno”

Em quatro anos, de 2014 a 2017, num período classicamente marcado por uma crise na economia nacional, o lucro líquido do Banco do Estado de Sergipe - Banese - teve uma elevação positiva de 1.238%. Ele foi de R$ 7 milhões para R$ 93,7 milhões.

O economista Fernando Mota, que desde o começo de 2014 preside o Banese pela segunda vez, aponta uma série de fatores que levaram o banco este exemplar desempenho. Mas ele os sintetiza em apenas um aspecto, que considera o mais elementar: “Devo reconhecer que o lucro do Banese vem da confiança que os sergipanos têm nele”, diz Fernando Mota.

Mas esta confiança tem uma causa. Ou várias. E Fernando Mota enumera uma série delas pelas quais o Banese resolveu pagar nesta nova gestão dos últimos quatro a se completarem ainda neste semestre. Uma delas foi a da alta aposta em tecnologia no Banese e em todo o Sistema Banese.

“Dou aqui um exemplo muito significativo: nosso autoatendimento saiu de 39,2 milhões em 2015 para 88,5 milhões em 2017. Só via internet e celular, pulamos de 15,5 milhões de atendimentos em 2015 para 66,2 milhões em 2017. Então, o banco recuperou-se muito em dois anos, desde quando iniciou esse processo mais intenso, no primeiro semestre de 2016”, diz o presidente.

Fernando Mota não esconde de ninguém a alegria que ele e toda a Diretoria desfrutam por esta “confiança que os sergipanos têm” no Banese. “Se observarmos, a evolução do lucro do Banese de 2014 para 2017 é sempre crescente. Isso foi em função de um planejamento que foi feito lá em 2014, que praticamente começou a ser executado, de uma forma mais intensa, a partir de 2015 e hoje colhemos os efeitos. Então, isso vem dando resultado crescente, apesar do quadro adverso da economia nacional”, constata ele.

Na verdade, os números associados ao Banese são todos passivos de alto reconhecimento. Isso vai das receitas às despesas, com aquelas superando essas, e chega ao grau de investimento do banco no fomento ao desenvolvimento de Sergipe. “O Banese tem um volume de recursos alocados nos diversos setores da economia que chega praticamente aos R$ 2,3 bilhões, com base em dezembro de 2017. O Banese, direta e indiretamente, com este volume de recursos cria empregos e ativa a economia sergipana. O Banese pagou em 2017 cerca de R$ 338 milhões em salários, impostos, tributos e assim por diante. Então, isso gera demanda, renda, novos impostos”, reforça Fernando.

Segundo o presidente do Banese, há uma perfeita simbiose, uma exemplar sintonia, entre a confiança que os sergipanos têm no banco e a liberdade que sua Diretoria recebe do acionista maior da instituição, que é o Governo do Estado. Aliás, mais diretamente do governador do Estado, Jackson Barreto. 

  “É da compreensão natural das pessoas imaginar que o Banese sofre interferência política do Governo do Estado. Mas não. Nesse aspecto, ao governador Jackson Barreto agradeço profundamente por isso. Sei que ele até é pressionado por isso, para que alguma interferência aconteça, mas delegou-me toda uma responsabilidade para comandar o Sistema Banese”, diz Fernando Mota.

“Então, eu diria que, graças a esse comportamento do governador, há segurança para desenvolver os projetos de uma forma tranquila, sem maiores percalços. E não tenho a menor dúvida em afirmar que o bem-estar no desempenho do Banese vem também daí”, reforça.

O que Fernando chama de Sistema Banese é uma realidade composta, como ele mesmo explica, do “próprio Banco, do Banese Card, que é uma empresa; da Corretora de Seguros Banese, do Instituto de Previdência, sobre o qual o banco tem responsabilidade; da Caixa de Assistência Médica aos funcionários do banco, que é outra empresa para a qual contribuímos para a saúde dos colaboradores; e o banco tem também o Clube Banese, que damos também uma contribuição para a manutenção. Então, todas essas empresas compõem o Sistema Banese”.

Nesse Sistema Banese há 1,7 mil empregos diretos - o que é altamente significativo numa grade composta por 31,5 mil servidores públicos da ativa no Estado. “Além disso, tem o apoio da contribuição que o banco dá a diversos órgãos do Governo do Estado no apoio à Cultura, Turismo, Segurança e assim por diante”, constata Mota.

Executivo discreto, até tímido, do tipo que dá um boi para não aparecer na mídia, Fernando Mota não nega um profundo apego e afeto por tudo que diga respeito ao Banese, e é capaz de dar uma boiada para defendê-lo. No dia 26 junho, Fernando vai fazer 73 anos e desde os 20 é um baneseano de carreira, devidamente concursado.

“Tenho até vergonha de dizer, porque vai revelar que eu sou muito antigo, velho (risos): entrei no Banese dia 30 de junho de 1965, quando o banco tinha apenas 20 funcionários e era presidido por Manoel Conde Sobral”, relembra. Foi como servidor do Banese que ele se tornou, em 1972, um economista pela Universidade Federal de Sergipe, formação que o fez chegar ao topo da carreira de Estado como secretário da Fazenda no Governo de Albano Franco - mesmo posto ocupado antes na Prefeitura de Aracaju, na gestão de Jackson Barreto.

Fernando Mota é um sergipano baiano: pelo fato de o pai (já falecido) era um funcionário público federal - dos Correios -, ele nasceu em Jequié, na Bahia, de onde veio embora aos cinco anos, com a família se fixando definitivamente em Sergipe, de onde ele nunca saiu sequer para trabalhar. Tem seis irmãos, é casado e pai de três filhas e avô de duas netas.

TUDO É FRUTO DE PLANEJAMENTO
“Se observarmos, a evolução do lucro do Banese de 2014 para 2017 é sempre crescente. Foi em função de um planejamento que foi feito lá em 2014, que praticamente começou a ser executado a partir de 2015”

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Entrou no Banese em dia 30 de junho de 1965, quando o banco tinha apenas 20 funcionários
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Economista, desde o começo de 2014, preside o Banese pela segunda vez

INVESTIMENTO EM QUALIFICAÇÃO DE PESSOAL E TECNOLOGIA
“O Banese investiu muito em qualificação de pessoal, em tecnologia, em redesenho das suas agências. Melhorou os critérios de concessão de créditos. Fez uma intervenção muito forte na estrutura de seus custos, equilibrou receitas e despesas”

JLPolítica - Que leitura pode se fazer do fato de o lucro do Banese ter pulado de R$ 65,5 para a R$ 93,7 milhões de 2016 para 2017?
Fernando Mota -
A melhor das leituras. Se observarmos, a evolução do lucro do Banese de 2014 para 2017 é sempre crescente. Isso foi em função de um planejamento que foi feito lá em 2014, que praticamente começou a ser executado, de uma forma mais intensa, a partir de 2015 e hoje colhemos os efeitos. Então, isso vem dando resultado crescente, apesar do quadro adverso da economia nacional.

JL Política - Mas é consequência apenas do planejamento?
FM -
Olha, o Banese investiu muito em qualificação de pessoal, em tecnologia, em redesenho das suas agências. Melhorou os critérios de concessão de créditos. O Banese fez o programa de estímulo à aposentadoria. Portanto, fez uma intervenção muito forte na estrutura de seus custos, equilibrou receitas e despesas, e obtivemos sucesso até na inadimplência. Para se ter ideia, a inadimplência geral do mercado financeiro em 2017 foi de 3,4% e a do Banese, de 1,17%. Então, tudo isso, todo esse conjunto de ações ao longo do tempo, foi de uma forma gradativa contribuindo para a obtenção de resultados positivos e crescentes.

JLPolítica - Em 2014, o banco tem um lucro de R$ 7 milhões e em 2017, quatro anos depois, pula para R$ 93,7 milhões. Isso não é muito fora da reta num período de crise na economia brasileira exatamente nessa fase?
FM -
Reconheço nosso desempenho bastante significativo. Mas a gente tem que considerar também que 2014, apesar de ter sido um ano político, de eleição, foi um ano em que a folha da Prefeitura de Aracaju passou do Banese para Caixa Econômica, inclusive, sendo objeto de muita especulação que não iríamos suportar aquela perda. E devo reconhecer que o lucro do Banese vem da confiança que os sergipanos têm na instituição.

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É contra a privatização do Banco

ATIVOS NO MONTANTE DE R$ 5 BILHÕES
“O banco teve crescimento importante. Saiu de R$ 3,7 bilhões naquele difícil 2014 para R$ 4,9 bilhões de 2017. Hoje, por exemplo, o balancete de fevereiro já registrou ativos no montante de R$ 5 bilhões”

JLPolítica - E o que fez o Banese?
FM -
Naquele ano, que realmente prejudicou o resultado de 2014 e que resultou naqueles apenas R$ 7 milhões de lucro, o banco tomou uma série de medidas estratégicas, todas em favor de uma solidez e de um planejamento mais consistente a ser cumprido em todo um programa, e já em 2015 a lucratividade líquida nossa foi de R$ 27,2 milhões, um aumento de 288,6% em relação ao ano anterior.

JLPolítica - Isso confirma que as estratégias do Banese exigiam mesmo mudanças?
FM -
Realmente, hoje a gente acredita que a estratégia que adotamos foi a melhor possível. O Banese vem de forma consistente aumentando os seus resultados. Se fortalecendo. Se você olhar por uma série de indicadores, por exemplo, o seu ativo, o banco teve crescimento importante. Saiu de R$ 3,7 bilhões naquele difícil 2014 para R$ 4,9 bilhões de 2017. Hoje, por exemplo, o balancete de fevereiro já registrou ativos no montante de R$ 5 bilhões - veja que tudo isso se deu apesar de termos perdido a folha da Prefeitura Municipal de Aracaju, e também perdido, lá atrás, um volume de recursos dos depósitos judiciais que foram usados pelo Estado. Então, tudo isso foi compensado por uma ação mais organizada, planejada, disciplinada e possibilitada em função de uma série de ações desenvolvidas, como treinamento pessoal e, sobretudo, investimento em tecnologia para mais produtividade, assim por diante.

JLPolítica - Na sua exposição do desempenho do Banese para 2017, chama a atenção o avanço tecnológico dele. Mas o senhor não acha que o banco começou atrasado nessa disposição de tecnologia para a sociedade sergipana?
FM -
Acho exatamente isso. Você pode constatar em nossos gráficos que nós tínhamos quatro anos de atraso em relação ao mercado nesse aspecto tecnológico e não podia continuar assim. Mas agora, no exercício de 2017, nos equiparamos na realidade informacional do mercado. Por tudo isso, somos um banco contemporâneo, moderno. Como se vê, hoje o volume de transações realizado em forma de autoatendimento, através do celular e outros canais de atendimento, cresceu. O índice de participação é o mesmo do sistema bancário privado mais sofisticado.

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Acredita que os resultados positivos do banco são consequência da confiança do povo sergipano

UM BOM ARRANQUE NO AUTOATENDIMENTO
“Dou aqui um exemplo significativo: nosso autoatendimento saiu de 39,2 milhões de transações em 2015 para 88,5 milhões em 2017. Só via internet e celular, pulamos de 15,5 milhões em 2015 para 66,2 milhões em 2017. O banco recuperou-se muito em dois anos”

JLPolítica - O senhor tem exemplos práticos desse crescimento?
FM -
Sim, e dou aqui um exemplo muito significativo: nosso autoatendimento saiu de 39,2 milhões de transações em 2015 para 88,5 milhões em 2017. Só via internet e celular, pulamos de 15,5 milhões de atendimentos em 2015 para 66,2 milhões em 2017. Então, o banco recuperou-se muito em dois anos desde quando iniciou esse processo mais intenso, no primeiro semestre de 2016.O banco encerrou 2017 com níveis de participação entre atendimento presencial e digital equiparados aos melhores bancos privados do país. Isso para nós conta muito.

JLPolítica - Quais são os níveis de relacionamento do banco com a sociedade sergipana em termos de conta, captação, negócios? Como é que ele se posiciona?
FM -
Posso informar isso com alguns dados: por exemplo, o Banese é líder na captação de recursos de depósitos a vista, de depósitos a prazo. Então, se o Banese é líder, é porque tem a confiança e a credibilidade da população em manter suas economias aqui na instituição deles, do Estado. O banco, por exemplo, é líder também na concessão de crédito para área comercial.

JLPolítica - Quantos mil correntistas o banco dispõe hoje?
FM -
O Banese possui hoje como clientes 743 mil pessoas físicas, 35 mil jurídicas e temos mais outras 540 mil portadoras do cartão Banese Card - parte dessa clientela são portadores de cartão, mas temos portadores do cartão puro, que não tem conta corrente aqui com a gente. . Outro dado que demonstra a importância do cartão com a bandeira Banese é a existência de 40 mil lojistas conveniados.

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É capaz de dar uma boiada para defender o Banese

LÍDER EM DEPÓSITOS A VISTA E A PRAZO
“O Banese é líder na capitação de recursos de depósitos a vista, de depósitos a prazo. Então, se o Banese é líder, é porque tem a confiança e a credibilidade da população em manter suas economias aqui”

JLPolítica - Nesses R$ 93,7 milhões de lucro está incluso o lucro do Banese Card?
FM –
Não está. O lucro do Banese Card não está computado. Com esse lucro, o do Sistema Banese passaria dos R$ 110 milhões.

JLPolítica - Como está distribuído o banco no Estado do ponto de vista presencial?
FM -
O Banese tem 63 agências distribuídas por Sergipe, tem 240 correspondentes bancários, cerca de 508 caixas eletrônicos que fazem autoatendimento e 13 postos de atendimento bancário. Além disso, o banco atende através do celular, de forma eletrônica, o internet banking, que é um canal de autoatendimento. Então, o Estado de Sergipe hoje está muito bem atendido pela Rede Banese.

JLPolítica - O senhor recentemente inaugurou duas agências bonitas na Capital, nos dois shoppings. Com esta política voltada para a tecnologia, supõe-se que haja muita demanda para modernizar as agências do Banese interior adentro. Procede?
FM –
 Com os intensos arranjos e avanços da tecnologia, a tendência é transformar essas agências de atendimento tradicional num atendimento mais especializado. Então, a tendência é acabar aquelas agências que existiam lá atrás, com aqueles auditoriozinhos e com caixas, porque as pessoas farão suas transações através do celular ou do internet banking. Então, essas agências serão transformadas gradativamente em pontos de negócios. O redesenho delas se faz urgente e já iniciamos com essas duas agências dos shoppings citadas na sua pergunta. Agora, nos próximos dias, vamos iniciar na Agência José Figueiredo - ali na Francisco Porto. Mas vamos fazer isso em cada agência e, em função da sua localização, teremos um modelo apropriado. Em Itabaiana, começamos agora também. Então, a tendência é essa: a cada dia a mais propiciar condições de estrutura física que dê atendimento rápido, mais humano, de maior qualidade.

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Diz que resultado é fruto de planejamento que foi feito lá em 2014

TEM 743 MIL PESSOAS FÍSICAS COMO CLIENTES
“O Banese possui hoje como clientes 743 mil pessoas físicas, 35 mil jurídicas e temos mais outras 540 mil portadoras do cartão Banese Card. Com a bandeira do Banese, 40 mil lojistas o utilizam”

JLPolítica - Em suas falas públicas, o senhor tem exaltado muito a prudência e a parceria do sócio majoritário desse negócio, que é o Governo do Estado. Ele tem sido cavalheiro, tem deixado o comando do Banese livre para atuar, ou tem inferências políticas aqui?
FM -
Esse registro eu faço questão de fazê-lo, porque é da compreensão natural das pessoas imaginar que o Banese sofre interferência política do Governo do Estado. Mas não. Nesse aspecto, ao governador Jackson Barreto, agradeço profundamente. Sei até que ele é pressionado por isso, para que alguma interferência aconteça, mas delegou-me toda uma responsabilidade para comandar o Sistema Banese. Então, eu diria que graças a essa postura do governador, há segurança para desenvolver os projetos de uma forma tranquila, sem maiores percalços. E não tenho a menor dúvida em afirmar que o bem-estar no desempenho do Banese vem também daí.

JLPolítica - O que tem de novidade nesse planejamento da Diretoria do Banese prorrogado para até 2022?
FM -
A novidade é que, primeiro, o Banese tem como meta maior ser um banco forte, competitivo, que entregue valor realmente aos nossos clientes e acionistas. Um banco que contribua para o desenvolvido do Estado; um banco rentável; um banco que realmente apoie, além dessa questão digamos assim das atividades econômicas, também as atividades culturais. Que tenha atuação forte na área social. E esse banco necessita, para atingir esses objetivos, ter sempre um planejamento bem feito, avaliado, e bem executado. Então, fizemos inicialmente este planejamento lá em 2014 e projetamos até 2020. Mas agora atualizamos e alongamos por mais dois anos, de forma que o banco fica num ciclo de quatro, cinco anos renovando, atualizando.

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Diz que não há interferência política no Banese e agradece a Jackson Barreto

SEM NENHUMA INTERFERÊNCIA POLÍTICA DO GOVERNO
“É da compreensão natural das pessoas imaginar que o Banese sofre interferência política do Governo do Estado. Mas não. Nesse aspecto, ao governador Jackson Barreto agradeço profundamente por isso. Sei até que ele é pressionado por isso”

JLPolítica – O senhor utiliza muito a expressão Sistema Banese e as pessoas lá fora geralmente focam apenas o Banese. No máximo o Banese Card. De que é composto o Sistema Banese?
FM -
Ah, o Sistema Banese é composto do próprio Banco; do Banese Card, que é uma empresa coligada; da Corretora de Seguros Banese; do Instituto de Previdência, sobre o qual o banco tem responsabilidade; da Caixa de Assistência Médica aos funcionários do banco, que é outra empresa para a qual contribuímos para a saúde dos colaboradores; o Clube Banese, para o qual contribuímos para sua manutenção; além o Instituto Banese-Museu da Gente Sergipana. Então, todas essas empresas compõem o Sistema Banese.

JLPolítica - O Banese tem atuado sob consultorias externas, ou seu corpo técnico se acha autossuficiente?
FM -
 Toda empresa, por mais sofisticada que seja, sempre procura consultorias especializadas, porque a gente ganha tempo na implementação e no desenvolvimento de processos. Então, o Banese tem uma série de parcerias mesmo nesta linha.

JLPolítica - Por que os clientes do Banese que viajam para outros Estados reclamam tanto da indisponibilidade eletrônica deste banco lá fora?
FM -
Confesso que não temos essa informação. Acho que é muito mais falta de informação (dos clientes). Hoje, um cliente Banese pode ir ao exterior e sacar nos caixas eletrônicos que existem mundo afora, através de um convênio que temos com Mastercard Card. São parceiros que temos para prestar este serviço. Por exemplo, você vai para o Rio Grande do Sul, para o Espírito Santo, o Pará, onde tem banco estadual, você pode usar os equipamentos “Saque e Pague”. Você também pode usar a rede Banco24Horas. Então, o banco está expandido as parcerias no sentido de ampliar a capacidade de atendimento à sua clientela. O banco vai passar agora a ter o chip no cartão, por exemplo. Já estamos distribuindo no Banese Card os cartões com chip para aqueles portadores de cartão sem conta corrente. Recebi a informação de que estão testando o chip com a nossa clientela do banco. Um colega, que está em São Paulo, em treinamento, fez uma operação com cartão-chip que foi concluída com sucesso. Então, começamos agora a fazer esses testes para depois fazer a distribuição dos cartões com chip, conferindo mais segurança na utilização desses canais.

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"Banese apoia à Cultura, Turismo, Segurança e assim por diante”, constata Mota

A META MAIOR DE SER UM BANCO FORTE
“Tem como meta maior ser um banco forte, competitivo, que entregue valor realmente aos nossos clientes e acionistas. Que contribua para o desenvolvido do Estado; rentável; que realmente apoie, também, as atividades culturais”

JLPolítica - Qual é o papel do Banese no fomento ao desenvolvimento de Sergipe?
FM -
É muito relevante. Na medida em que hoje o banco tem um volume de recursos alocados nos diversos setores da economia que chega praticamente aos R$ 2,3 bilhões, com base em dezembro de 2017. O Banese, direta e indiretamente, com este volume de recursos cria empregos e ativa a economia sergipana. O banco, em consequência de suas atividades, desembolsou, somente em 2017, cerca de R$ 338 milhões em salários, impostos, tributos e assim por diante. Então, isso gera demanda, renda, novos impostos. Você imagine que, quando uma empresa fecha no Estado é um prejuízo porque vai deixar de ter emprego e, sem emprego, não tem salário e, não tendo salário, não tem consumo, não tendo consumo, não tem imposto. A cadeia, a repercussão, é integrada. O Sistema Banese tem hoje cerca de 1.700 de funcionários diretos, que garantem, assim, um nível de consumo bastante razoável. Além disso, contribui para diversos órgãos do Governo do Estado no apoio à Cultura, Turismo, Segurança e assim por diante.

JLPolítica - O que fez do Banese ser preservado como um dos pouquíssimos bancos estatais no Brasil?
FM –
Foi porque o Banese desempenha seu papel com muita eficiência e eficácia. O que aconteceu no passado? As pessoas exploraram muito a ideia de que “banco de Estado” é um banco político, e, por isso, inviável. Mas esquecem que não foram fechados somente os bancos estatais. Você veja que no sistema bancário privado desapareceram dezenas de bancos importantes, como Banco Nacional, Banco Econômico, Banco Mercantil de Pernambuco, Banco Nacional do Norte, Banca da Lavoura, Bamerindus. Muitos bancos enormes. Então, credito isso à deficiência de gestões.

JLPolítica - O senhor vê no horizonte um futuro governador pensando numa eventual privatização do Banese?
FM -
 Mantidos os resultados positivos e a competitividade, se um futuro Governo que vier por aí tiver um pouco de juízo, acho que não faria isso. E não vejo possibilidade até de a sociedade aceitar isso, porque realmente não é uma medida que vá contribuir em nada. Pelo contrário, porque com uma privatização haveria direcionamento de recursos para fora do Estado e provável perda de apoio ao desenvolvimento social e a atividades culturais locais, setores hoje bastante prestigiados pelo Banese.

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Dilatou de 2020 para 2022 o seu planejamento estratégico

QUARTO ENTRE OS 20 MAIORES DE PEQUENO PORTE
“Em 2016, o Banese obteve a quarta classificação entre os 20 bancos classificados de pequeno porte de rentabilidade. Entre os 100 maiores, o Banese está classificado na 57ª posição em 2016”

JLPolítica - Qual é a reputação do Banese na seara bancária nacional? Ele é visto ou a passa despercebido?
FM -
A reputação é boa e posso exemplificar pela avaliação de uma fonte isenta e de atuação nacional, o site Reclame Aqui, que classifica a qualidade de serviço do Banese como ótima, superior à de bancos renomados. Em 2016, o Banese obteve a quarta classificação entre os 20 bancos classificados de pequeno porte quanto ao critério rentabilidade. Entre os 100 maiores, o Banese está classificado na 57ª posição em 2016. Quando for apurada a posição de 2017, vai melhorar mais ainda, pois teve um desempenho proporcionalmente superior à média registrada pelo sistema bancário. Mas reconheço que é uma deficiência nossa não ser mais agressivo em nos mostrar, nos expor. Realmente, o banco não investe o necessário para se tornar mais conhecido. Precisamos mudar isso.

JLPolítica - Quais os fatores mais significativos na composição da credibilidade de uma instituição bancária?
FM -
Eu acho que a qualidade dos seus administradores, dos seus produtos oferecidos e dos serviços prestados. Tudo isso compõe um conjunto de variáveis que dá às pessoas uma avaliação de credibilidade e de transparência. No caso do Banese, ele nunca se envolveu em nenhum escândalo. Em nenhuma situação que comprometesse sua imagem.

JLPolítica - O senhor tem alguma pesquisa que aponte como o sergipano vê o Banese? Como o senhor acha que o sergipano visualiza o banco?
FM -
 Sou suspeito de dizer, mas acho que o Banese é visto com bons olhos, até pelo número de correntistas, pela liderança na captação de depósitos à vista e a prazo. Ou seja, a população confia em manter suas economias no banco. Uma pesquisa de satisfação foi aplicada entre os clientes em todo o Estado e foi identificado que temos uma preferência no mercado e, entre os sergipanos, a marca é bastante lembrada.

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Nasceu em Jequié, na Bahia. Mas radicou-se, definitivamente, em Sergipe aos 5 anos de idade

O ACERTO DO LARGO DA GENTE SERGIPANA
“Acho que com o Largo da Gente Sergipana o banco volta a afirmar de forma bastante altiva a importância da autoestima dos sergipanos. Não temos registros nas redes sociais de forma negativa como tínhamos antes da inauguração”

JLPolítica - O senhor acha que a fúria de alguns sergipanos datados contra a feitura do Largo da Gente Sergipana, com apoio do Instituto Banese, já dissipou depois da inauguração do equipamento?
FM -
Acho que dissipou completamente. Pelo menos, não temos registros nas redes sociais de forma negativa como tínhamos antes da inauguração. Acho que com o Largo da Gente Sergipana o banco volta a afirmar de forma bastante altiva a importância da autoestima dos Sergipanos. Mas sabemos que o momento é muito tenso entre segmentos importantes no aspecto político-eleitoral, que usam de todas as possibilidades de exploração e de depreciação da imagem do Governo.

JLPolítica - Qual a importância do Instituto Banese no relacionamento social do banco com os sergipanos?
FM -
Acho o Instituto Banese importante na medida em que aproxima segmentos não privilegiados economicamente de acesso às manifestações culturais próprias do Estado. Se você for verificar, quem visita e quem participa dos eventos patrocinados por esta instituição vai ver que é o povo simples. Nós temos um programa no qual recebemos a rede de alunos da área pública que está ali interagindo, sendo informada das raízes do povo sergipano, da cultura sergipana. Veja também que mais de 34 mil pessoas foram contempladas por entidades apoiadas pelo Instituto Banese nas áreas de assistência social, educação, cultura e esportes. Isso fixa na mente dessas pessoas a marca Banese.

JLPolítica - É importante para o Banese ter na sua direção funcionários de carreira?
FM -
 Acho isso de fundamental importância. Esta é a segunda vez que sou diretor do banco e, nessas duas vezes todo o quadro de diretores é do banco.

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Tem seis irmãos, é casado e pai de três filhas e avô de duas netas.

NA IDADE DA PEDRA BANESEANA
“Tenho até vergonha de dizer, porque vai revelar que sou muito velho (risos): entrei no Banese dia 30 de junho de 1965, quando o banco tinha apenas 20 funcionários e era presidido por Manoel Conde Sobral”

JLPolítica – Qual é seu histórico pessoal no banco?
FM -
Tenho até vergonha de dizer, porque vai revelar que eu sou muito antigo, velho (risos): entrei no Banese dia 30 de junho de 1965, quando o banco tinha apenas 20 funcionários e era presidido por Manoel Conde Sobral. Fiquei aqui até dezembro de 1992, quando fui requisitado para ser secretário de Finanças do Município de Aracaju, no Governo de Jackson Barreto. Em agosto de 1996, fui convocado a voltar ao banco para ser presidente. O Banese passava por uma situação bastante delicada, difícil, com aquele sofrimento decorrente dos planos econômicos. Naquela época, o banco teve que demitir a metade dos seus quadros. Graças a Deus eu não estava aqui, nesta função. Realmente, foi uma situação bastante sofrida ver colegas de 15 anos, 20 anos de casa perder o emprego. Então, assumi num momento realmente difícil, num ambiente de autoestima lá para baixo, mas, com a colaboração de todos, erguemos o banco e fiquei aqui até setembro de 1999, quando daí o governador Albano Franco me convocou para ser secretário da Fazenda, e fiquei até 2002. Nesse período em que voltei para o banco, aposentei-me. Depois que saí da Fazenda, fui convidado pelo presidente do Tribunal de Justiça e passei dois anos como secretário de Administração do Judiciário. E agora volto ao banco em 2014 por solicitação, a convite do governador Jackson Barreto, assim como me convidou para ser secretário de Finanças em 1993.

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"O Banese tem como meta maior ser forte, competitivo, que entregue valor realmente aos nossos clientes e acionistas", anuncia

Assista ao video

Depoimento de Fernando Mota, do final do ano de 2011, em documentário sobre os 50 anos do Banese

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