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Entrevista

Jozailto Lima

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Georgeo Passos: “O que importa é a qualidade e não a quantidade de colegas”

Publicado 20 de mar 20h00 - 2017

Ele é um dos mais novos parlamentares estaduais sergipanos. Tem 35 anos e está no primeiro mandato. Mas entra para a história da Alese como herdeiro de uma quase dinastia que remonta a 13 mandatos – oito do avô Chico Passos e cinco do pai, Antônio Passos, incontestáveis lideranças no agreste sergipano, a partir da cidade de Ribeirópolis.

Georgeo Antônio Céspedes Passos, PTC, que adota o nome parlamentar de Georgeo Passos, é advogado, técnico judiciário e é tido como uma revelação no Legislativo de Sergipe. Estudioso, comprometido e, como opositor, visceralmente corajoso na fiscalização ao Governo, a cada instante ele desperta uma interjeição positiva em observadores do seu mandato e da sua performance, independentemente de ideologias.

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Georgeo Antônio Céspedes Passos, PTC, que adota o nome parlamentar de Georgeo Passos, é advogado, técnico judiciário e é tido como uma revelação no Legislativo de Sergipe

JLPolítica – Qual a diferença de ser um parlamentar de oposição nos últimos dois anos e agora assumir a coordenação desta oposição, liderando mais cinco colegas?
Georgeo Passos –
 Creio que será um momento importante deste meu mandato. Lógico que iremos manter a mesma pegada que tivemos nesses dois primeiros anos. É uma responsabilidade maior representar os colegas nos embates nesta Casa e agradeço a confiança de todos. Mas, será uma liderança compartilhada. Estarei sempre analisando em conjunto com os demais colegas de bancada as pautas e fazendo o nosso papel de fiscalização do Poder Executivo, doo Poder Judiciário, do Tribunal de Contas e do Ministério Público. Vamos apresentar legislações em conjunto, como fizemos essa semana para beneficiar todos os municípios sergipanos. Creio que com o passar do tempo vamos nos firmando nesta posição. Claro que a gente tem que, em alguns momentos, ponderar mais e ser mais tranquilo. Nesses dois primeiros anos de mandato, percebi que passávamos um pouco do limite, e agora na liderança isso deve ser o mínimo possível.

JLPolítica – Não passar do limite é fazer concessões ao Governo do Estado?
GP –
 Não. A gente não está aqui para conceder nada. Eu acho que os acordos que até então existiam entre as lideranças a gente vai começar do zero, principalmente a questão de votação, de tramitação de projetos, de fiscalização e de cobrança. Mas é lógico que a sociedade tem que entender que em uma bancada de seis parlamentares, em um universo de 24, a nossa possibilidade de êxito em alguma votação se restringe. É óbvio. A nossa possibilidade de apresentar requerimentos e a bancada de Governo se sensibilizar e aprovar também se restringe. O que a gente pode fazer? Iremos sim é usar sempre a tribuna e os meios de comunicação, apresentar os requerimentos. Se o Governo não quiser transparência, peça à bancada que rejeite.

JLPolítica – Dói ser líder em uma bancada de seis contra 18?
GP –
 Eu acho que para nós o que importa é a qualidade desses colegas que resistiram e ficaram na oposiçãoNós não temos em mente a questão da quantidade. Lógico que para a aprovação de matérias a quantidade é importante, mas com a qualidade dos debates dos deputados que ficaram na oposição com certeza iremos, sim, dar muito trabalho ao Governo Jackson Barreto. Claro que não faremos uma oposição do quanto pior melhor, mas iremos sim trazer vários temas que merecem atenção. Temos exemplos onde a oposição sempre cobrou e o Governo sempre escondeu informações, como a Fundação Hospitalar de Saúde e o Proinveste. E agora está mais do que provado, onde o próprio secretário de Estado de Saúde, em entrevista a este Portal, afirmou que o problema era de gestão. Que os recursos tinham. E isso a oposição tem cobrado desde que a Legislatura começou nesta Casa. E o Governo nunca nos ouvia.

FAMILIA PASSOS
"Acho que honrar o nome da família Passos é uma responsabilidade grande, pois foram duas figuras que realmente deixaram, cada um no seu tempo, a sua marca. Francisco Passos foi um homem respeitado pela situação, pela oposição, pela palavra que ele sempre teve. Antônio Passos não foi diferente"

JLPolítica -A relação entre o Legislativo e o Executivo é blindada. Ninguém pode intervir. Há outros meios que os senhores possam recorrer para saber de coisas do Governo de Sergipe que lhe sejam lacradas?
GP –
 Tem sim. Fizemos solicitações há vários secretários, e aqui posso citar o secretário Valmor Barbosa, como um dos que não escondem as informações. O que a gente pede ele encaminha imediatamente. Já outros secretários a gente encaminha a solicitação e não temos o mesmo êxito. Para reparar isso, protocolamos representações junto ao Ministério Público e isso não será diferente agora na liderança.

JLPolítica – Mas isso dá em alguma coisa?
GP –
 Alguns desses casos até viraram ação de improbidade contra secretários de Estado que tiveram seus bens bloqueados no ano passado. Não vai ser diferente agora na liderança. Faremos o requerimento e se ele não for aprovado, mas a informação for necessária, vamos buscar a ajuda do Ministério Público e do Tribunal de Contas. O que importa é mostrar à sociedade onde está sendo gasto o dinheiro dos tributos.

JLPolítica – Quem ganha e quem perder com um Governo sem transparência?
GP –
 Acho que a sociedade perde muito quando o Governo esconde as informações e tem medo de mostrar o que está fazendo realmente. Afinal de contas, recentemente vimos que, graças a imprensa sergipana, o Governo recuou em um contrato, que chamou muita atenção, com uma empresa de informática na casa dos R$ 90 milhões feito para um ano. A sociedade não tolerou, a imprensa divulgou e o Governo teve que recuar. Acho que isso é salutar em uma democracia. Em um momento como este, onde não temos recursos para tudo, temos que usar bem os poucos que temos.

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Ele é um dos mais novos parlamentares estaduais sergipanos. Tem 35 anos e está no primeiro mandato

JLPolítica – Que perfil que o senhor faz dos seus cinco colegas que compõem a minúscula oposição na Alese?
GP –
 São parlamentares técnicos e que tem experiência, a exemplo do deputado Luciano Pimentel que, apesar de estar em seu primeiro mandato, tem uma vivência muito grande no setor público. Passou pela Caixa Econômica. Contribui muito com o debate nesta Casa. Pastor Antônio, que já foi nosso líder, vem de vários mandatos, assim como a deputada Maria Mendonça, o deputado Venâncio Fonseca e também Vanderbal Marinho. Tenho certeza de que esses que ficaram na oposição irão estudar os temas da atualidade, as contas do Governo e estarão na parte de fiscalização de proposição. Também não adianta a oposição neste momento querer somente apresentar problemas. Temos que apresentar o problema e a solução. Um exemplo disso, é o que fizemos agora, quando mostramos que o Governo estava arrecadando dinheiro através do Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal e denunciamos, já apresentando uma solução – um projeto de lei foi protocolado pelos seis parlamentares para que o governo possa ratear os 25% que cabem aos municípios, conforme diz a Constituição. Essa é a oposição que nós queremos.

JLPolítica – De que forma o FEEF burla o ICMS?
GP –
 Ele burla no momento em que diz que o Fundo é constituído por um encargo que vai incidir sobre a diferença do ICMS que a empresa beneficiária de isenção fiscal paga e aquilo que ela deveria pagar se não tivesse o benefício. Lógico que essa receita é ICMS e, assim sendo, 25% são dos municípios. Agora, passaram a mão e não querem compartilhar com os municípios sergipanos.

JLPolítica – Isso resulta em um empobrecimento a mais dos municípios?
GP –
 O Governo Federal faz isso com o Estado e os Municípios, e agora o Governo Estadual está fazendo a mesma coisa com os Municípios. Ou seja, quem está sempre sofrendo, arrebentando a corda, são os municípios. Se o Governo tem dificuldades, não tenho dúvidas de que os 75 municípios também as têm. Pela divisão dos índices de ICMS, o maior prejudicado é a Capital, que fica com a maior parte do bolo. Mas Jackson quer comer esse bolo só.

ARMAS
"Eu acho que cada um luta com as armas que tem. Nós estamos preparados para fazer um debate técnico, que é o que temos feito até aqui, de modo sempre respeitoso"

JLPolítica – Qual foi o critério para chegar ao seu nome? Qual perfil foi analisado?
GP –
 Na verdade, as lideranças dos blocos que representamos entenderam que seria importante, a cada ano, fazer um rodízio de liderança. Quando assumimos esta Legislatura, quando o então líder Venâncio Fonseca entregou a liderança, o deputado Samuel Barreto assumiu, ficou um ano e depois o Pastor Antônio foi escolhido pela bancada. E agora chegou a nossa vez. Acho que é fruto do reconhecimento do trabalho que o deputado Georgeo Passos tem nesta Casa. No próximo ano, outro colega da nossa bancada vai ter essa oportunidade de liderar. E isso é importante para que todos tenham essa experiência. Pelo que nós combinamos, a liderança será anual, para que a cada ano tenhamos a oportunidade de ver outro colega desempenhando esse papel.

JLPolítica – O líder do Governo tem um aspecto muito conhecido que é o da zombaria dos opositores e das ideias contrárias. O senhor está preparado para enfrentá-lo?
GP –
 Eu acho que cada um luta com as armas que tem. Nós estamos preparados para fazer um debate técnico, que é o que temos feito até aqui, de modo sempre respeitoso. Conhecemos o estilo do deputado Francisco Gualberto, que é o líder do Governo. Com certeza é uma marca que ele tem, essa questão de tratar temas importantes às vezes com descontração. Lógico que todo mundo tem o seu limite e um ponto onde chegar. Claro que se o deputado fizer algo que vá além desse nosso limite certamente a resposta será dada a contento.

JLPolítica – O senhor seria capaz de descrever em palavras o que chamamos hoje de oposição, na Alese, no Congresso Nacional, nas prefeituras? Quem é ela? Que perfil tem? É grande? É pequena? É incipiente?
GP –
 Acho que quem faz a oposição é o povo, o eleitorado. Já vimos na história do nosso país – e em Sergipe nunca foi diferente – momentos onde grupos adversários até então se uniram, através do capital e que o povo deu a resposta, votando no candidato que não estava com esse número todo de lideranças. Isso é coisa que já aconteceu.

JLPolítica –E como é que a comunidade estaria vendo o Governo de Sergipe neste momento?
GP – 
No momento, percebemos que a população sergipana não está satisfeita com o Governo Jackson Barreto. Tanto que o governo usa a estratégia de levar para seu lado cada vez mais lideranças de oposição. Porque se estivesse confortável, não estaria atrás de mais ninguém.

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Estudioso, comprometido e, como opositor, visceralmente corajoso na fiscalização ao Governo

JLPolítica – E como tem sido a atuação da oposição neste campo?
GP –
 A oposição tem uma atuação responsável. Temos a figura do senador Eduardo Amorim, que hoje realmente é quem encabeça, na nossa visão, este bloco de oposição. Tivemos a somação do senador Antônio Carlos Valadares, com todo o seu agrupamento já na última eleição municipal e que vai estar junto na próxima, para estadual. Tivemos, na última reunião de bancada, a presença já do empresário Ricardo Franco, sinalizando também que pode vir junto neste agrupamento. O que importa é a gente passar para a sociedade o que está acontecendo, como essa oposição pode ajudar a melhorar em sendo eleito um dos seus representantes. É uma posição que quer o melhor para Sergipe. Vamos lutar muito para isso.

JLPolítica – De 0 a 10, qual nota o senhor daria para o Governo de JB?
GP –
 Quem avalia o governador é a população. Não cabe ao deputado Georgeo Passos avaliar o governo Jackson Barreto. E pelo que a gente sente hoje, até pelas pesquisas recentemente, o Governo não vem sendo bem avaliado. Acho que se a eleição fosse hoje, ele estaria reprovado. Claro que temos mais de ano para chegar a eleição. O cenário político muda a cada dia. Mas acho que o povo não vai esquecer o que este governo fez nos últimos anos.

JLPolítica – Sobe-lhe à cabeça a lisonja de que o senhor está entre os melhores, se não o melhor, deputado estadual, e ainda com o agravante de ser um parlamentar de primeiro mandato?
GP – 
Em momento algum. Acho que não faço nada mais do que fazem os outros colegas deputados. Venho para a Assembleia, compareço às sessões e às Comissões. Temos condições de ter uma assessoria que nos ajuda muito neste trabalho, pois sozinho não se faz nada. Lógico que a consideração, o respeito e o reconhecimento é fruto disso. Mas em momento algum me sobe à cabeça. E espero continuar esses dois anos nessa luta e nesse mesmo perfil. Pois foi para isso que fomos eleitos: para estar aqui trabalhando, debatendo e trocando experiências, até mesmo com deputados de outros Estados. A gente fica satisfeito. Mas a gente sabe que no jogo político, muitas das vezes esse trabalho não é tão reconhecido pela população. Às vezes, o eleitor vai votar pelos favores que alguma pessoa tenha feito. Mas não podemos mudar a nossa essência, a nossa personalidade.

OPOSIÇÃO
"Acho que quem faz a oposição é o povo, o eleitorado. Já vimos na história do nosso país – e em Sergipe nunca foi diferente – momentos onde grupos adversários até então se uniram, através do capital e que o povo deu a resposta, votando no candidato que não estava com esse número todo de lideranças. Isso é coisa que já aconteceu"

JLPolítica – Sobre sua formação política, qual espólio pesa mais: o de Antônio Passos ou de Chico Passos?
GP
  Acho que honrar o nome da família Passos é uma responsabilidade grande, pois foram duas figuras que realmente deixaram, cada um no seu tempo, a sua marca. Francisco Passos foi um homem respeitado pela situação, pela oposição, pela palavra que ele sempre teve. Antônio Passos não foi diferente. Quando foi presidente da Assembleia, conseguiu dar outra visibilidade, abrindo a TV Alese, propiciando bastante debates. E eu tenho agora essa incumbência de honrar esse nome familiar e manter ele sempre no devido local. Lógico que com cuidado, neste momento onde temos as redes sociais e as informações circulando mais rápido. É um outro estágio que estamos vivendo. Aos poucos, com bastante pé no chão e humildade, vamos mantendo o nome desta família.

JLPolítica – Como neto, o senhor tem Chico Passos na condição de coronel?
GP –
 Na época que ele foi político, até pela forma como teve que entrar na política, com o assassinato do irmão dele dentro da residência, lógico que as pessoas tinham uma energia maior. E isso propiciou que ele recebesse esse título, mas as pessoas que conviveram com ele de perto sabem da pessoa que ele era. Da tranquilidade. Agora, se alguém também quisesse partir para cima dele, também não deixaria barato. E aí, tanto fazia ser um cidadão ou até mesmo o próprio governador. Ele sempre foi uma pessoa de grupo, mas que sempre manteve a palavra. Mas quando a pessoa descumpria a palavra com ele, as coisas não ficavam dentro da normalidade.

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“É uma responsabilidade maior representar os colegas nos embates nesta Casa e agradeço a confiança de todos", diz