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Entrevista

Jozailto Lima

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Gilson Andrade: “Turismo e indústria são o polo forte de Estância”

Publicado 13 de maio 20h00 - 2017

A medicina e a política sempre andaram emparelhadas com Gilson Andrade de Oliveira e deram régua e compasso à vida dele. Ama as duas numa mesma proporção, quer seguir entre uma e outra, mas adverte: se fosse forçoso escolher apenas uma, ficaria com a medicina. Obstetra e ginecologista, este itabaianense se entregou de corpo e alma a Estância e ao seu povo.

Ano que vem, Gilson Andrade faz 30 anos de formado pela Universidade Federal de Sergipe. Ele é filho de uma família simples – o pai, Antônio Viera de Oliveira, um pequeno produtor rural, e a mãe, Valdice Andrade de Oliveira, uma professora primária. Com 55 anos, é o mais velho de cinco filhos. Os pais moram ainda em Itabaiana. Ele teve dois filhos.

De um mandato de vice-prefeito de Estância, de 2005 a 2008, de dois de deputado estadual e desses primeiros dias de prefeito, Gilson contabiliza hoje 10 anos e quatro meses de vida pública. O suficiente para se afeiçoar a ela. Hoje ele diz, por exemplo, estar muito feliz com o mandato de prefeito.

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De um mandato de vice-prefeito de Estância, de 2005 a 2008, de dois de deputado estadual e desses primeiros dias de prefeito, Gilson contabiliza hoje 10 anos e quatro meses de vida pública

JLPolítica – Como o senhor recebeu o município do ponto de vista da sanidade financeira? Bem ou mal?
Gilson Andrade – Do ponto de vista administrativo, numa situação muito ruim. Já resolvemos parte da frota de veículos, que em boa quantidade estava sucateada e vai, inclusive, a leilão.

JLPolítica – Isso significa quantos veículos?
GA – São mais de 50 carros sem condições de ser utilizados.

JLPolítica – Isso é consequência de que? Mau uso, falta de zelo, falta de visão de patrimônio público?
GA – É consequência da falta de cuidado e da falta de compromisso em manter bem a frota, e também os prédios públicos.

JLPolítica – Do ponto de vista das dívidas…
GA – Recebi muitas dívidas com rescisões de funcionários que foram demitidos entre março e dezembro de 2016, que somam mais de R$ 1 milhão. Com a Previdência, também. No final de dezembro, o ex-prefeito fez um refinanciamento de algo em torno de R$ 4 milhões para serem pagos em cinco anos. Ou seja, todo o nosso mandato e mais um do mandato seguinte estarão comprometidos em quase R$ 50 mil ao mês.

SERVIDORES
"O ex-prefeito enviou para a Câmara um projeto para  reajustar o salário dos  servidores em pouco mais de 5% e não pagou em  nenhum mês esse reajuste. Nós negociamos com os  servidores e estamos  pagando, dentro  do mês, a folha"

JLPolítica – Havia dívidas com fornecedores?
GA – Com os fornecedores, havia uma dívida de mais de R$ 4 milhões, que já estamos pagando. Também baixamos um decreto dizendo que aquele que queira receber em uma única vez terá que dar um desconto de 30% do valor ou então será dividido em 36 parcelas. As rescisões nós parcelamos: as que foram feitas entre março e setembro, pagamos em abril. As de outubro, pagaremos em maio; as de novembro, em junho, e as de dezembro pagaremos em julho.

JLPolítica – E o senhor acha que até o junho a gestão estará mais aliviada?
GA – Não, porque temos toda essa parcela dos débitos com os fornecedores, prestadores de serviços, como uma empresa que o município devia quase R$ 2 milhões.

JLPolítica – E suas rotinas, estão em dia?
GA – Sim, literalmente em dia. Estamos pagando, inclusive, o piso dos professores, que o gestor anterior não cumpriu em todo o ano de 2016. O ex-prefeito também enviou para a Câmara um projeto para reajustar o salário dos servidores em pouco mais de 5% e não pagou em nenhum mês esse reajuste. Nós negociamos com os servidores e estamos pagando, dentro do mês, a folha. E continuaremos assim.

JLPolítica – Estância merece um desenvolvimento econômico, industrial melhor do que ela vem recebendo nos últimos 20 anos?
GA – Merece. Estância carece de mais infraestrutura e estamos vendo a possibilidade de viabilizar isso, embora esse ano seja difícil de isso acontecer. Estamos, inclusive, buscando recursos federais. Também estamos buscando, via Prodetur, investimentos para as Praias do Abaís e do Saco, que precisam de projetos de reurbanização.

JLPolítica – O senhor diria que as duas tangentes maiores para o desenvolvimento de Estância seriam o turismo e a indústria?
GA – Não tenho dúvidas disso. O turismo e o nosso polo industrial, são, sim, o nosso forte. Precisamos dar os primeiros passos nesse sentido, porque Sergipe por si só é um Estado que ainda carece muito na área de turismo e em Estância não é diferente. Precisamos de recursos para poder criar o mínimo de infraestrutura.

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Gilson Andrade diz que recebeu de Carlos Mango uma Estância meio de pernas pro ar do ponto de vista administrativo e financeiro

JLPolítica – O senhor teme que o fato de ser oposição ao Governo do Estado possa inibir esse planejamento?
GA – É possível que isso aconteça, mas estamos tentando buscar o diálogo com o Governo. Já fui ao Palácio conversar com o govenador Jackson Barreto no sentido de viabilizar projetos para o turismo, e para que o Governo também possa dar incentivo à cidade, que é polo da Região Sul e precisa que recursos do Governo do Estado sejam alocados aqui.

JLPolítica – O senhor acha que o apoio dos últimos Governos para Estância está aquém da importância do município?
GA – Sim, está muito aquém da importância de Estância, seja no cenário político, econômico ou histórico. A cidade é hoje o maior polo industrial de exportação de Sergipe, com a Maratá e a Trop Fruit.

JLPolítica – O senhor tem a experiência de quatro anos de vice e seis anos de legislador estadual. Nesses quatro meses de prefeito, o senhor acha que fez uma troca boa ao assumir o Executivo?
GA – Creio que sim. Dá trabalho e é algo novo para mim. Uma experiência nova. Se me perguntar se estou arrependido, diria que não. Apesar de todas as dificuldades que estamos enfrentando, estou muito motivado a trabalhar diuturnamente. De domingo a domingo. Acordo cedo e vou visitar escolas, postos de saúde, creche, para ter esse contato direto com a população.

JLPolítica – Mas entre o Executivo de Estância e o Legislativo Estadual, o senhor prefere o que?
GA – Prefiro o Executivo aqui de Estância, porque possibilita um contato maior com a população e a realização de ações diretas para beneficiar toda essa comunidade. E é isso que quero: fazer acontecer nesses quatro anos de Governo.

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"Já fui ao Palácio conversar com o governador Jackson Barreto no sentido de  viabilizar projetos para o turismo, e para que o  Governo também possa dar incentivo à cidade, que é polo da Região Sul e precisa que recursos do Governo do Estado sejam alocados aqui"

JLPolítica – O senhor acha que obrigatoriamente Estância, em 2018, precisa ter um sucessor seu na Assembleia?
GA – É importante que Estância tenha um representante, um deputado estadual, que seja do nosso agrupamento, porque fortaleceria muito a minha gestão.

JLPolítica – O senhor acha que Adriana Leite pode ser a candidata?
GA – É possível. Em algumas situações, ela já demonstrou esse interesse. Temos também o vereador Misael Dantas, que é o líder do Governo na Câmara e também já demonstrou interesse. Espero que haja um diálogo entre eles dois, que o melhor nome possa ser definido e que se saia com apenas um.

JLPolítica – Entre seus oponentes, há quem diga que sua relação com Ivan Leite não está das melhores. Isso procede?
GA – Não. Minha relação com Ivan está muito boa, inclusive estive com ele esta semana, temos conversado. Isso não procede.

JLPolítica – Qual é o orçamento de Estância para 2017?
GA – Foi o aprovado o de R$ 185 milhões, que é o mesmo do ano de 2016.

JLPolítica – Qual o papel que deverá ser de Ivan Leite na próxima eleição? Ele deve disputar ou ficar de fora? Ele sonha com uma candidatura majoritária?
GA – Pelo que tenho conversado com ele ultimamente, Ivan tem o desejo de ser candidato a deputado federal, a senador ou a vice-governador. É um bom nome no cenário político estadual. O meu sonho é que e ele estejamos num mesmo palanque. (Nota: Ivan hoje está ligado a Jackson Barreto).

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Ano que vem, Gilson Andrade faz 30 anos de formado pela Universidade Federal de Sergipe

JLPolítica – O ex-prefeito Carlos Magno afirma que o senhor pega muito no pé dele. Como se ele tivesse feito tudo certinho e o senhor tivesse potencializando um errinho. O senhor enxerga assim?
GA – Fez tudo certinho? Se ele tivesse feito teria sido reeleito. Ele fez tanta coisa errada, enganou tanto o povo, aqueles que lhe deram a chance de se redimir dos erros do passado, que ele fez tudo como antes. Errou da mesma forma. Enganou a população estanciana e a população deu a resposta nas urnas.

JLPolítica – Então o senhor não estaria exagerando?
GA – De forma nenhuma. Tem coisas que poderíamos estar divulgando, mas que por questões éticas, não fazemos.

PREFEITURA
"Prefiro o Executivo aqui  de Estância, porque possibilita um contato  maior com a população  e a realização de ações diretas para beneficiar toda comunidade. E é isso que quero: fazer acontecer nesses quatro anos de Governo"

JLPolítica – Como o senhor vê a eleição de governador em 2018? Acha que a oposição tem chance de fazer bonito?
GA – A oposição tem chance, sim, diante do governo que aí está, que não tem correspondido às expectativas da população sergipana. Um governo fragilizado na segurança pública, na saúde, nos investimentos. Então, a oposição tem as condições necessárias de fazer o governador.

JLPolítica – O senhor aposta numa unidade entre Valadares e Amorim?
GA – Eu acredito que essa unidade já exista. Estive em Brasília há três semanas e em dezembro do ano passado e percebi a mesma aproximação entre o senador Valadares, Valadares Filho e Eduardo Amorim.

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Ela defende que o município deve ter um deputado estadual eleito em 2018