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Entrevista

Jozailto Lima

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Gilvani Santos: “Rebelar-se é a única forma de garantir o pleno emprego”

Publicado em 7 de setembro de  2018, 20:00h

“Rebelião é convocar os de baixo para derrubar os de cima”

Com Gilvani Santos, não há, politicamente, qualquer tipo de concessão. Pelos olhos e pela compreensão dessa ativa mulher, e do partido que ela representa, o modelo político e de produção de bens e serviços do Brasil - atingindo, obviamente, Sergipe - chegou ao fundo do poço. Putrefou.

Portanto, para esta candidata ao Governo de Sergipe e para o seu PSTU, só há uma saída: a rebelião geral e irrestrita da classe trabalhadora, que subleve e assuma tudo. É, literalmente, a retomada dos meios de produção do grande capital e a entrega total ao poder do Estado e dos trabalhadores. Você já viu algo igual alo redor do mundo, leitor?

Esse é o modelo que ela e o seu PSTU vão apresentar na campanha pelo Governo Estado. Obviamente, um modelo socialista, que calhe e que rime com a tradução literal do PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados. Estão todos em casa.

 “Estamos apresentando aos trabalhadores um chamado à rebelião. Apresentamos propostas que apontam para a ruptura com o capitalismo. Afirmamos que devemos lutar contra todos aqueles que governam ou governaram a serviço dos bancos, multinacionais e latifundiários, e que são responsáveis pela vida dura que nosso povo leva”, diz ela.

Gilvani Alves dos Santos é funcionária concursada da Petrobras desde 1989, atua no comando do Sindipetro e é, academicamente, uma historiadora, formado pela Universidade Estadual da Bahia - Uneb. Tem uma linguagem boa e aquela definição dura-durísima das coisas.

“Ter me formado em História ajuda a entender o presente, a percorrer o caminho que nos trouxe até aqui. Houve um genocídio dos povos indígenas no Brasil. Tivemos 350 anos de escravidão. Após muita resistência e luta, veio a abolição, mas não veio a reforma agrária ou qualquer reparação. Os ex-escravos foram empurrados para as periferias e para o assalariamento nas piores condições de trabalho e salário” diz ela, histórica e sociologicamente, cheia de pertinências.

O sonho de Gilvani é o de banir do horizonte da produção nacional as empresas que se patrimonializam maltratando os trabalhadores. “Ao longo de décadas, todos os governos deram benefícios e incentivos fiscais bilionários para empresas se instalarem aqui. Elas vêm, pagam baixos salários, sugam os cofres públicos, adoecem os trabalhadores, degradam o meio ambiente, depois demitem, fecham as portas e vão embora. Às vezes, sem sequer pagar os funcionários, como fez a Cimento Nassau”, denúncia Gilvani.

“A rebelião de que falamos é a defesa da oposição frontal dos trabalhadores ao sistema capitalista e aos governos que o administram. É convocar a mobilização contra o desemprego, a violência, a entrega de nossas riquezas e o desmonte do patrimônio público. Ao mesmo tempo em que dizemos que nessa luta só podemos confiar em nossas próprias forças, que devemos democraticamente eleger nossos representantes de forma direta, desde as fábricas, bairros, escolas”, defende.

“Rebelião é convocar os de baixo, que produzem a riqueza e vivem na pobreza, para derrubar os de cima que não dão um prego no sabão e que vivem no luxo. Nada disso é força de expressão. É um chamado real, concreto, que extrapola o calendário eleitoral”, teoriza Gilvani Santos.

LULA NÃO É UMA CAUSA DOS TRABALHADORES
“Não é tarefa dos trabalhadores lutar por Lula Livre. Mas lutar para colocar na cadeia todos os corruptos e corruptores e confiscar seus bens. Incluindo de juízes e desembargadores. Dos 82 que foram punidos por irregularidades ano passado, 53 continuam recebendo gordos salários”

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Clarckson Araújo (a sua esquerda), para o senado; e Djenal Prado, como seu vice-governador, compõem a chapa que ela encabeça
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Gilvani Alves Santos tem 51 anos de idade

DA SEGREGAÇÃO ÀS MULHERES
“Ser a única mulher candidata ao governo já mostra que favorecimento não é algo que nos acontece muito. A participação das mulheres na política, sobretudo das trabalhadoras, é tremendamente dificultada pelo machismo”

JLPolítica - A senhora acha que o fato de ser a única candidata mulher entre oito homens pode lhe favorecer diante do eleitorado?
Gilvani Santos
- Ser a única mulher candidata ao governo já mostra que favorecimento não é algo que nos acontece muito. A participação das mulheres na política, sobretudo das trabalhadoras, é tremendamente dificultada pelo machismo. Nos dizem que lugar de mulher é na cozinha, nos mandam calar, várias jornadas de trabalho. Não sobra tempo para pensar nessas questões, muito menos espaço às que se dispõem a discutir os problemas que vivemos no dia a dia. É interessante, quando observamos as propagandas eleitorais este ano, o quanto o debate de mulheres tem se evidenciado através de propostas para o combate ao feminicídio e sobre colocar mulheres no poder. Isso é fruto de um período muito intenso de luta das mulheres no mundo inteiro.

 JLPolítica – E o que diferencia o projeto da senhora e do PSTU das demais candidaturas?
GS -
A grande diferença é que apresentamos um programa classista, um projeto socialista para Sergipe. Um programa que denuncia as eleições como uma grande farsa e que chama os trabalhadores a se rebelarem contra esse sistema que nos impõe o desemprego, a violência e todo tipo de privação. Chamamos os trabalhadores a assumir diretamente a condução da sociedade, porque os problemas que enfrentamos não serão resolvidos apertando um botão.

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"Participação das mulheres na política é tremendamente dificultada pelo machismo”, constata

UM PROJETO SOCIALISTA PARA SERGIPE
“A grande diferença é que apresentamos um programa classista, um projeto socialista para Sergipe. Chamamos os trabalhadores a assumir diretamente a condução da sociedade, porque os problemas que enfrentamos não serão resolvidos apertando um botão”

JLPolítica – Quais são as principais linhas do Programa de Governo do PSTU para o Estado de Sergipe?
GS -
Nosso partido tem apresentado um conjunto de medidas para resolver os problemas mais sentidos pelos trabalhadores sergipanos, começando pelo desemprego. Atualmente, são 172 mil desempregados. Mas quando incluímos desalentados, subempregados, passa dos 400 mil. Sem contar a informalidade: há 130 mil pessoas trabalhando sem carteira assinada no setor privado, ganhando em média R$ 668,00.

JLPolítica – Houve algo que agravasse esse quadro no Estado de Sergipe?
GS –
Sim. A política de desinvestimento e a privatização da Petrobras aumentam ainda mais o problema e, pra completar, ainda querem fechar a Fafen. Ao longo de décadas, todos os governos deram benefícios e incentivos fiscais bilionários para empresas se instalarem aqui.

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Vera Lúcia é a candidato do seu partido à presidência

SUBMUNDO DO DESEMPREGO EM SERGIPE
“Atualmente, são 172 mil desempregados. Quando incluímos desalentados, subempregados, passa dos 400 mil. Sem contar a informalidade: há 130 mil pessoas trabalhando sem carteira assinada no setor privado”

JLPolítica – E isso não compensa?
GS –
Não. Elas vêm, pagam baixos salários, sugam os cofres públicos, adoecem os trabalhadores, degradam o meio ambiente, depois demitem, fecham as portas e vão embora. Às vezes sem sequer pagar os funcionários, como fez a Cimento Nassau. Por isso, é necessário estabelecer o controle operário sobre as empresas beneficiadas por incentivos governamentais e auditar as isenções. Estatizar as sonegadoras e devedoras, e reestatizar as que foram privatizadas. Manter a Fafen aberta, produzindo e sob o controle dos trabalhadores. Elaborar e realizar um plano de obras públicas para gerar emprego e resolver os problemas de saneamento, estradas, déficit de creches e hospitais. Além disso, é necessário realizar uma reforma agrária radical, que acabe com a concentração de terras e dê condições de produção aos assentados.

JLPolítica – Por que a esquerda não saiu unida, pelo menos PSOL e PSTU, na disputa ao Governo de Sergipe?
GS -
O PSTU tem optado por se apresentar sozinho nas eleições, porque embora defendamos pontos em comum com partidos como o PSOL, nossos programas são diferentes. Estamos apresentando aos trabalhadores um chamado à rebelião. Apresentamos propostas que apontam para a ruptura com o capitalismo. Afirmamos que devemos lutar contra todos aqueles que governam ou governaram a serviço dos bancos, multinacionais e latifundiários, e que são responsáveis pela vida dura que nosso povo leva. Infelizmente, a ampla maioria da esquerda tem apresentado como tarefa para os trabalhadores a de lutar pela liberdade de Lula. Não levam em conta que Lula chegou a esse ponto devido às relações que ele e seus governos estabeleceram com a burguesia corrupta desse país. Corretamente denunciam a seletividade da justiça, mas se distanciam daquilo que a esquerda sempre defendeu, que é a prisão e o confisco dos bens de todos os corruptos e corruptores.

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“Atualmente, são 172 mil desempregados em Sergipe", aponta

PUNIR RESPONSÁVEIS PELA VIDA DURA DO POVO
“Estamos apresentando aos trabalhadores um chamado à rebelião. Apresentamos propostas que apontam para a ruptura com o capitalismo
. Devemos lutar contra todos aqueles que governam a serviço dos bancos, multinacionais e latifundiários”

JLPolítica – O fato de ser uma historiadora lhe faz ver melhor os horrores que os trabalhadores brasileiros enfrentam?
GS -
Ter me formado em História ajuda a entender o presente, a percorrer o caminho que nos trouxe até aqui. Houve um genocídio dos povos indígenas no Brasil. Tivemos 350 anos de escravidão. Após muita resistência e luta, veio a abolição, mas não veio a reforma agrária ou qualquer reparação. Os ex-escravos foram empurrados para as periferias e para o assalariamento nas piores condições de trabalho e salário.

JLPolítica – Isso gera que gravidades na contemporaneidade aos trabalhadores brasileiros?
GS -
A violência e a brutalidade a que os trabalhadores estão submetidos hoje é reflexo disso. Ano passado, 70 pessoas foram assinadas lutando por acesso à terra. As greves são cada vez mais reprimidas pela polícia e pela justiça. A jornada de trabalho aumenta e as condições de trabalho pioram. A cada quatro horas e meia, alguém morre vítima de acidente no trabalho. Nós negras e negros, sofremos com as mais diversas formas de racismo. Ocupamos os piores postos de trabalhos e ganhamos menos. Vejo os horrores que os trabalhadores enfrentam olhando para o passado, mas, sobretudo, para o presente, porque vivo do trabalho. Trabalho no campo de Carmópolis e lá o que mais se vê é o horror do desemprego, causado pela política dos governos de desmontar a Petrobras e entregar nossas riquezas às potências estrangeiras, como têm feito todos os governos ao longo de nossa história. A nossa candidatura vem dizer justamente que já passou da hora de cobrar a conta aos responsáveis pelos horrores a que somos submetidos.

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Ingressou na Petrobras em 1989

OH SENHOR DEUS DOS MISERÁVEIS
“Tivemos 350 anos de escravidão. Veio a abolição, mas não veio a reforma agrária ou qualquer reparação. Ex-escravos foram empurrados para as periferias e para as piores condições de trabalho e salário”

JLPolítica – O fato de ter uma candidata mulher e sergipana à Presidência da República ajuda de algum modo a sua candidatura ao Governo de Sergipe?
GS –
Aju-da sim. Vera é candidata pelo PSTU à Presidência, é conhecida pelos sergipanos por toda uma trajetória na luta dos trabalhadores e sempre teve expressivas votações nos cargos que disputou. Sua candidatura é um orgulho para nós e abre muito espaço para o diálogo com os trabalhadores. Estamos apresentando candidaturas negras, operárias e socialistas para o país e para Sergipe, mostrando mais uma vez a coerência de nosso partido.

JLPolítica – Qual o papel da senhora no colegiado que dirige o Sindipetro SE-AL?
GS -
A hierarquia na tomada de decisões no Sindipetro se dá através de seus congressos, assembleias e reuniões da direção colegiada, que são abertas à categoria. No colegiado, todos têm direito a voz e voto, sem distinção. O que há é divisão de tarefas entre os diretores. Nos últimos mandatos, tenho me dedicado à pauta das mulheres da categoria e ao campo de Carmópolis, onde trabalho, e também acompanho as reivindicações dos petroleiros terceirizados.

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“Não é tarefa dos trabalhadores lutar por Lula Livre", adverte

A VOLTA DO CIPÓ DE AROEIRA NO LOMBO DE QUEM MANDOU DAR
“Nós negras e negros, sofremos com as mais diversas formas de racismo. Ocupamos os piores postos de trabalhos e ganhamos menos. Nossa candidatura vem dizer que já passou da hora de cobrar a conta pelos horrores a que somos submetidos”

JLPolítica - Qual o conceito, ao pé da letra, de rebelião dos trabalhadores brasileiros que o seu partido propõe nesta hora?
GS -
A rebelião de que falamos é a defesa da oposição frontal dos trabalhadores ao sistema capitalista e aos governos que o administram. É convocar a mobilização contra o desemprego, a violência, a entrega de nossas riquezas e o desmonte do patrimônio público. Ao mesmo tempo em que dizemos que nessa luta só podemos confiar em nossas próprias forças, que devemos democraticamente eleger nossos representantes de forma direta, desde as fábricas, bairros, escolas. Que esses representantes devem ter como compromisso a defesa dos interesses dos trabalhadores e que seus mandatos serão revogáveis e sem privilégios. Rebelião é convocar os de baixo, que produzem a riqueza e vivem na pobreza, para derrubar os de cima que não dão um prego no sabão e que vivem no luxo. Nada disso é força de expressão. É um chamado real, concreto, que extrapola o calendário eleitoral.

JLPolítica – O fato de haver oficialmente cerca de 13 milhões de desempregados não pode dificultar o chamamento à rebelião dos trabalhadores?
GS -
Ao contrário. Rebelar-se é a única forma de garantir o pleno emprego. A crise expõe a face mais cruel e desumana do capitalismo, e o desemprego é parte disso. Há milhares de trabalhadores desempregados no Estado e quem hoje está trabalhando sofre com a possibilidade de ser demitido. O Governo fez a reforma trabalhista dizendo que ia gerar emprego. Mas foi pura enganação. Retirou direitos, aumentou a jornada e precarizou ainda mais as relações de trabalho. Os desempregados têm lutado muito em Sergipe. O SOS Emprego é um exemplo: tiveram inclusive um líder assassinado, o Barriga, pela luta que travaram. Trabalhadores desempregados e empregados precisam lutar juntos e o programa capaz de atender às suas necessidades passa pela redução da jornada de trabalho, sem reduzir salários e o controle operário das grandes empresas.

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“Ser a única mulher candidata ao governo já mostra que favorecimento não é algo que nos acontece muito", ressalta

DA TEORIA À PRÁTICA DA REBELIÃO
 “A rebelião de que falamos é a defesa da oposição frontal dos trabalhadores ao sistema capitalista e aos governos que o administram. É convocar a mobilização contra o desemprego, a violência, a entrega de nossas riquezas”

JLPolítica - De onde a senhora tirou a informação de que o Brasil teria 65 milhões de trabalhadores desempregados?
GS -
Os 65 milhões são os brasileiros que a última PNAD do IBGE aponta que estão fora da força de trabalho. Ou seja, estão em idade para trabalhar, mas estão fora do mercado de trabalho. Sem contar que 40% das pessoas ocupadas estão na informalidade. São cerca de 37 milhões de pessoas.

JLPolítica - Por muito tempo o PSTU não participou da disputa eleitoral. O que o fez mudar de opinião?
GS -
A democracia dos ricos no Brasil é tão antidemocrática e as restrições impostas ao nosso partido são tantas, que muita gente sequer fica sabendo da existência do partido e das nossas candidaturas. Esse ano essa história se repete. Na campanha para presidente, temos cinco segundos na TV e rádio. Aqui, para o governo, são seis segundos. As emissoras impedem nossa participação nos debates e a população tem sempre que escolher entre os partidos das empresas e dos bancos. Mesmo com toda dificuldade, desde sua fundação o PSTU apresenta suas candidaturas. Não por ilusões de que alguma transformação virá dessa falsa democracia apodrecida, controlada pelo poder econômico. Mas para denunciar essa farsa e apresentar nosso programa.

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 “A rebelião de que falamos é a defesa da oposição frontal dos trabalhadores ao sistema capitalista", explica

DA TEORIA À PRÁTICA DA REBELIÃO II
“Rebelião é convocar os de baixo, que produzem a riqueza e vivem na pobreza, para derrubar os de cima que não dão um prego no sabão e que vivem no luxo. Nada disso é força de expressão. É um chamado real”

JLPolítica - Qual o papel da senhora dentro do PSTU de Sergipe antes desta candidatura?
GS -
Sou parte da direção estadual do partido aqui em Sergipe e de sua direção nacional. Integro também suas secretarias nacional e estadual de mulheres e sou presidente do diretório estadual.

JLPolítica – Qual a sua experiência em disputa por mandatos públicos anteriormente? 
GS -
Em 2004 fui candidata a vereadora em Alagoinhas, na Bahia, e em 2006 a suplente de senadora, também na Bahia. As duas candidaturas foram pelo PSTU.

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"As emissoras impedem nossa participação nos debates", queixa-se

EXPERIÊNCIAS POLÍTICAS ANTERIORES
“Em 2004 fui candidata a vereadora em Alagoinhas, na Bahia, e em 2006 a suplente de senadora, também na Bahia. As duas candidaturas foram pelo PSTU”

JLPolítica - Quem é o seu candidato a vice-governador Djenal Prado, e em que aspecto os currículos de vocês estão em sintonia?
GS -
Meu vice, Djenal Prado, tem 57 anos, é diretor licenciado do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Cimento, Cal e Gesso no Estado de Sergipe – Sindicagese - e da Federação dos Trabalhadores da Indústria no Estado de Sergipe. É também coordenador licenciado da Central Sindical e Popular - CSP-Conlutas. Le nasceu em General Maynard, passou infância e adolescência em Pirambu, onde deu início à sua militância política aos 15 anos no grupo de jovens da Igreja Católica. Estudou na Escola Técnica Federal (atual Instituto Federal) e concluiu o curso técnico em Edificações em 82. Trabalhou na construção civil e em seguida ingressou na fábrica de cimento Itaguassu/Nassau, onde deu início à militância sindical. No início dos anos 90 foi eleito para direção do Sindicagese, integrou também o grupo radical CUT pela Base. Djenal entrou no PSTU em 1994, ano de fundação do partido. Rompeu com a CUT em 2005, assim como eu, por discordar do apoio que ela prestava aos governos petistas. Em 2010 participou da fundação da CSP-Conlutas. Ele mora em Laranjeiras desde 1988, onde é reconhecido por três décadas de ativismo político e sindical. Djenal, assim como o conjunto dos militantes do PSTU, é um lutador que não se rendeu nem mudou de lado. É um grande orgulho para mim e para o partido tê-lo como candidato a vice-governador.

JLPolítica - Qual a sua visão desta disputa judicial para tentar viabilizar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência?
GS -
Lula tem razão numa coisa que diz: a Justiça e o Ministério Público funcionam de forma seletiva. Enquanto ele está preso e impedido, corruptos notórios como Temer, Alckmin, Aécio, Joesley Batista e tantos outros estão livres, sendo que muitos são candidatos. No entanto, por causa disso, não podemos negar que Lula está colhendo aquilo que plantou. Assim como os partidos que dizia combater, o PT e seus governos estabeleceram relações espúrias com as grandes empresas. E agora seu maior líder paga por isso. Não temos nenhuma confiança nessa justiça que é complacente com os poderosos e violenta com os trabalhadores. Além disso, é tão corrupta quanto os outros poderes. Fazem Lula e o PT de boi de piranha, enquanto protege e livra a cara dos corruptos dos outros partidos e principalmente dos empresários corruptores. Não é tarefa dos trabalhadores lutar por Lula Livre. Mas lutar para colocar na cadeia todos os corruptos e corruptores e confiscar seus bens. Incluindo de juízes e desembargadores, que dos 82 que foram punidos por irregularidades ano passado, 53 continuam recebendo gordos salários e aposentadorias.

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Foi candidata a vereadora em Alagoinhas, na Bahia

VICE, UM LUTADOR QUE NÃO SE RENDEU NEM MUDOU DE LADO
“Meu vice, Djenal Prado, assim como o conjunto dos militantes do PSTU, é um lutador que não se rendeu nem mudou de lado. É um grande orgulho para mim e para o partido tê-lo como candidato a vice-governador”

JLPolítica – Por que o PSTU lançou apenas o nome de Clarckson Nascimento para o Senado?
GS -
Acreditamos que concentrar forças numa única candidatura é mais adequado nesse momento, levando em conta o tamanho do nosso partido e os recursos de que dispomos.

JLPolítica - Como a senhora vê o avanço da direita no plano nacional?
GS -
A crise econômica, social e política para onde o capitalismo nos arrastou leva a uma polarização na sociedade. A piora das condições materiais de vida leva ao desespero político, que cria bases para os populismos de direita, manifestações reacionárias e preconceituosas que nesse momento se cristalizam na candidatura de Bolsonaro. Mas a situação política no país não é só isso, por isso não dizemos que existe uma onda conservadora como muitos falam, mas uma polarização. Ano passado tivemos uma forte greve geral em 28 de abril, em Aracaju, a mobilização foi superior às de junho de 2013. Em maio do ano passado houve uma forte marcha à Brasília, onde durante horas os trabalhadores resistiram contra uma brutal repressão. O número de greves no país aumentou. Tivemos a chance concreta de derrubar Temer, que só não foi adiante devido ao desmonte das mobilizações orquestrado pelas grandes centrais sindicais. Diante desse cenário, nosso partido atua junto aos trabalhadores, combatendo as mentiras da direita, mas também denunciando as traições da dita “esquerda”.

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Tem um filho: Romel Costa Sá, educador físico e empresário

LULA PAGA O PREÇO DO QUE SEMEOU
“Lula tem razão numa coisa que diz: a Justiça e o Ministério Público funcionam de forma seletiva. No entanto, não podemos negar que Lula está colhendo aquilo que plantou. Assim como os partidos que dizia combater, o PT e seus governos estabeleceram relações espúrias com as grandes empresas”

JLPolítica – Qual o seu conceito dos demais oito concorrentes da senhora?
GS -
Os meus adversários se propõem a administrar o capitalismo. Isso significa dizer, manter as coisas como estão. Benefício às empresas, baixos salários, desemprego e péssimos serviços públicos aos trabalhadores e trabalhadoras. Muitos deles foram ou são parlamentares e já passaram por diferentes governos, e a situação dos trabalhadores têm piorado. Eles não são alternativas. A crise nunca chegou pra eles.

JLPolítica – E qual é a saída?
GS -
A saída que o PSTU apresenta à classe trabalhadora de Sergipe e do Brasil é que façamos nós mesmos. Assumir não só a produção e circulação da riqueza, que já garantimos todos os dias, mas o seu destino. Planejar a produção de forma a assegurar pleno emprego e o atendimento das necessidades materiais e culturais do conjunto dos trabalhadores. Instaurar a verdadeira democracia, direta, que eleja representantes através de assembleias nas fábricas, nos bairros, nas escolas e universidades, no campo e nas forças armadas. Mandatos revogáveis que não proporcionem privilégios materiais ou jurídicos. E nas eleições chamamos aquelas e aqueles que concordam ou são simpáticos a essas ideias a votar 16.

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E avó de Malu Rosa, que também nasceu em 7 de outubro