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Entrevista

Jozailto Lima

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Heleno Silva: “Tenho perfeita confiança no casamento com André”

Publicado em  2  de Junho de  2018, 20:00h

“As pesquisas mostram Jackson Barreto empatado comigo”

Um camarada seguro de si mesmo e da opção política feita em cima da perna, de última hora, deixando o grupo dos governistas para aderir ao dos oposicionistas do PSDB, Eduardo Amorim, e do PSC, de André Moura. Seguro, do tipo que acredita que vai ser um dos dois senadores eleitos pelos sergipanos na eleição deste ano.

Esse cara é Heleno Silva, 50 anos, técnico agrícola formando pela Escola Agrotécnica de São Cristóvão nos anos 80, hoje um IFS, funcionário de carreira Secretaria de Estado da Agricultura e um militante da Igreja Universal do Reino de Deus - IURD. Um pastor sem púlpito. Menino pobre de Monte Alegre, nascido em 22 de julho de 1967, é bom não se menosprezar as convicções e crenças políticas de Heleno. Até porque, ele foi bem-sucedido em toda empreitada política em que se meteu até hoje.

A consequência disso é que, apesar da sua pouca idade, já botou a mão em quatro mandatos populares significativos: elegeu-se deputado estadual em 1998, pulou direto para a Câmara Federal em 2002, em 2010 voltou a Brasília e em 2012 elegeu-se prefeito de Canindé do São Francisco.

No primeiro mandato federal, tropeçou nas malhas da Operação Sanguessuga, na qual parlamentares foram acusados de ganhar dinheiro sujo na compra de ambulância com dinheiro público, pelo que responde processo até hoje. De técnico agrícola, Heleno Silva chegou a secretário de Estado da Agricultura, no Governo de Albano Franco, em primeiro mandato parlamentar.

Heleno Silva defende com extrema naturalidade a troca de grupo político feita por ele recentemente. Para ele, foi uma opção compulsória. Forçosa. Na base dessa decisão, vê o DNA de Jackson Barreto. “A minha pré-candidatura foi incentivava pelo próprio Jackson Barreto, olhando nos meus olhos e dizendo: “construa uma pré-candidatura ao Senado, porque eu não pleitearei essa vaga””, relembra Heleno.

“Então, fui com essa fé, com esse objetivo. E depois ele mudou os planos, fechou aliança com Rogério Carvalho e fechou também as possibilidades de me dar espaço. Então, o que elas (as pessoas) falam é por falar. O mundo político deve entender que eu tenho razão. Primeiro, a decisão foi política”, diz ele.

Feito isso, Heleno afirma estar convencido de que acertou na opção da parceria e não nutre o menor receio ou arrependimento. Ao contrário. “Eu nunca recebitanto sorriso, tanto abraço e tantas palavras de incentivo. Desde o dia do lançamento, o 18 de maio, tenho rodado Sergipe com Eduardo - mais até do que com André, porque as agendas deles são diferentes - e sempre recebendo esse carinho”, diz.

Viria, na visão de Heleno Silva, desse “incentivo” a convicção de que o bloco dele leva esta eleição de porteira fechada - elegendo o governador e os dois senadores. “Grupos políticos do interior, forças políticas da Grande Aracaju, todas dizem que estão fechados com o grupo, que votam nos dois senadores e no governador. Então, do meu ponto de vista e dos que estão junto comigo, a aliança foi muito proveitosa para nós”, diz.

O ânimo de Heleno Silva não baixa guarda nem para a suposta importância histórica, política e eleitoral de Jackson Barreto, que acaba de desincompatibilizar-se do Governo do Estado com o objetivo de disputar o mandato de senador.

“As pesquisas mostram Jackson Barreto empatado comigo. E ele é um monstro na política sergipana. Era o governador até ontem, então a projeção de crescimento dele tem um limite. De Rogério, nós sabemos que a força dele está em Lula. Se ele conseguir pegar o eleitorado de Lula, ele pode nutrir essa esperança. Eu vou na minha pegada: estou num grupo político que tenho certeza de que agregou valor à minha eleição. Vou num debate eleitoral onde me garanto, onde sei que vou fazer a diferença”, diz. 

O SONHO DO SENADO QUE CRESCEU
“Todo Sergipe sabe da pretensão do PRB em ter um candidato ao Senado. Cresci numericamente, segundo pesquisas. Alguns líderes achavam que meu sonho era muito distante. Hoje veem como possiblidade”

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Sempre esteve no mesmo grupo politico, a mudança é inédita
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Tem redondos 50 anos de idade

ONDE TODOS DANÇAM COM TODOS
“Todo mundo da política estadual já esteve com todo mundo, então ninguém pode reclamar que Jackson está contra Amorim, que Amorim está contra Jackson ou Valadares. Essa mudança só é ruim na cabeça de esquerdistas por parte do Governo”

LPolítica - Por que o senhor mudou de lado, trocando o projeto de Belivaldo Chagas pelo de Eduardo Amorim?  
Heleno Silva
– Primeira, a decisão foi política. Todo o Estado de Sergipe sabe da pretensão do PRB em ter um candidato ao Senado. Eu trabalhei muito no último ano em pré-campanha. Eu cresci numericamente, segundo pesquisas. Alguns líderes achavam que meu sonho era muito distante, mas hoje já veem como possiblidade, e no grupo onde nós estávamos não havia espaço para mim. 
 
JLPolítica – O eleitor entende essa mudança com naturalidade?
HS - O eleitor em Sergipe é muito definido quanto a essas questões políticas, até porque todo mundo da política estadual já esteve com todo mundo aqui, então ninguém pode reclamar que Jackson está contra Amorim, que Amorim está contra Jackson ou Valadares. Essa mudança só é ruim na cabeça de alguns esquerdistas por parte do Governo, que chegaram no sertão e disseram que agora estou aliado de Michel Temer. A aliança não tem nada a ver. Eduardo é um candidato a governador livre nos seus posicionamentos e a gente está acreditando no projeto dele. 

JLPolítica - O senhor está dizendo então que há naturalidade na sua opção?
HS
- Há. Tanto que por parte do meu eleitorado não houve reação em nenhum momento quanto à minha mudança. Eu expliquei, fui em emissoras de rádio, em comunidades que trabalho, busquei a minha base e eles entenderam meu posicionamento. Porque eu não cometi nenhuma aberração.

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Seu partido, o PRB, participou dos Governos Lula e Dilma e fechou questão contra o chamado "golpe de Michel Temer e Eduardo Cunha"

FINAL FELIZ COM BELIVALDO CHAGAS
“Toda separação tem efeito colateral. Sei da minha importância e Belivaldo Chagas também. Não tinha outra coisa a fazer. No fim das contas, ele me desejou boa sorte e eu a ele. A história acabou assim”
 

JLPolítica - O senhor achou normal o seu desfecho com Belivaldo Chagas, ou entende que deveria ter sido mais suave e menos tenso?
HS -
Toda separação tem efeito colateral. Sei da minha importância política e o governador Belivaldo Chagas também. Não tinha outra coisa a fazer. Essa é a verdade. No fim das contas, nós nos falamos. Ele me desejou boa sorte e eu a ele. A história acabou assim. 

JLPolítica - Como é que o senhor recebe a alegação de Belivaldo Chagas e de Jackson Barreto de que o senhor não tinha motivos para deixá-los?
HS -
Eles sabem que eu tinha, porque a minha pré-candidatura foi incentivava pelo próprio Jackson Barreto, olhando nos meus olhos e dizendo: “construa uma pré-candidatura ao Senado, porque eu não pleitearei essa vaga”. Então, fui com essa fé, com esse objetivo. E depois ele mudou os planos, fechou aliança com Rogério e fechou também as possibilidades de me dar espaço. Então, o que elas falam é por falar. O mundo político deve entender que eu tenho razão. 

JLPolítica - Então a sua mudança não foi apenas espontânea. Foi também forçosa.
HS -
Por aí. Foi uma questão eleitoral auto estimulada. 

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Mas,, pela ambição do Senado, não vê problema na aliança com André Moura, que lidera o Governo Temer no Congresso Nacional. E com o senador Eduardo Amorim, do PSDB, que integra a base de Temer

NA TERRA DOS SORRISOS E DOS ABRAÇOS
“Eu nunca recebi tanto sorriso, tanto abraço e tantas palavras de incentivo. Desde o dia do lançamento, o 18 de maio, tenho rodado Sergipe com Eduardo e sempre recebendo esse carinho”

JLPolítica - O senhor está seguro de que do lado de Eduardo Amorim lhe será o melhor caminho eleitoral?
HS -
Eu nunca recebi tanto sorriso, tanto abraço e tantas palavras de incentivo. Desde o dia do lançamento, o 18 de maio, tenho rodado Sergipe com Eduardo - mais até do que com André, porque as agendas deles são diferentes - e sempre recebendo esse carinho. Grupos políticos do interior, forças políticas da Grande Aracaju, todas dizendo que estão fechadas com o grupo, que votam nos dois senadores e no governador. Então, do meu ponto de vista e dos que estão junto comigo, a aliança foi muito proveitosa para nós. 

JLPolítica - O senhor sente segurança na pegada de Eduardo Amorim enquanto pré-candidato ao Governo de Sergipe?
HS -
Sinto muita segurança. Ele está preparado para o embate. Ele adquiriu musculatura política, experiência. E nada melhor para isso do que o embate de quatro anos atrás. Sergipe sempre precisou de grandes homens em grandes momentos de sua história. Já precisou das grandes obras de João Alves, já teve a época de Albano Franco, onde o Estado foi industrializado; a esposa de Déda, com os programas sociais e o apoio de Lula, e agora é o momento de Amorim, para ajudar o Estado nesse momento difícil que atravessa. 

JLPolítica – O que é que o senhor sabe do projeto de Governo dele?
HS -
O projeto de governo que ele tem para Sergipe é, acima de tudo, na linha humano-social. É isso que ele tem passado para nós. Que todos os planos estão sendo montados. Nós estamos disponibilizando dois assessores nossos da área de Agricultura e do Turismo e Meio Ambiente para agregar ideias do PRB a esse plano, principalmente no campo da agricultura familiar. Eduardo fala muito na questão da saúde pública. Diz que ele como governador as mães não vão precisar ficar um ano na fila de espera para fazer uma tomografia. Ele também fala muito na questão dos servidores públicos, que terão prioridade nos salários. Estou muito empolgado com a pegada dele, com o jeito dele, com a vontade dele. Só acredito em quem faz as coisas com paixão, com vontade. E ele tem isso. 

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Deixou o palanque do Galeguinho Belivaldo Chagas

DA MUSCULATURA POLÍTICA DE EDUARDO GOVERNADOR
“Sinto muita segurança nele. Adquiriu musculatura política, experiência. Sergipe sempre precisou de grandes homens em sua história. Já precisou das grandes obras de João, já teve a época de Albano”

JLPolítica - O senhor será candidato a senador embasado em que projeto?
HS -
Meu principal projeto será a defesa do Nordeste brasileiro. Principalmente do meu Estado, Sergipe, que há muitos anos deixou de ser prioridade para o Governo Federal. O Senado representa os Estados e os deputados federais representam o povo. Eu quero representar Sergipe com toda a experiência e força que tenho, para que o Governo Federal volte a fazer investimentos estruturantes no Estado, porque perdemos qualidade de vida, aumentamos o número da pobreza extrema, e isso é reflexo da política do Governo Federal, que há 17 anos não termina a duplicação de 180 KM da BR-101, que tem oito anos que prometeu o Canal do Xingó, que seria a redenção do Sertão, que nos prometeu revitalização do rio São Francisco, bem como o saneamento básico das cidades ribeirinhas, e nada disso foi feito. A Codevasf ficou devendo muito isso. É com essa pegada que vou ao Senado Federal representando as classes menos favorecidas do Estado, porque vim desse lugar e gosto muito desse povo. 

HS – Mas o senhor acha que um senador pode tanto? 
HS -
Pode! Senador é uma força política muito grande. São Paulo é o coração do Brasil, em economia, em riqueza, e tem três senadores. Sergipe o menor Estado, e também tem três. No Senado Federal, força política é igual. Na minha opinião, cada agente público na política tem o seu jeito. Meu jeito é esse, de correr, de ir atrás, de brigar, de falar. Eu fiz muito isso. 

JLPolítica – Que garantias o senhor tem de que seus problemas na Justiça Eleitoral estão dissipados e que poderá ser mesmo candidato ao Senado? 
HS -
Eu tenho garantias jurídicas. O processo que eu respondia e que eu venci no Estado de Sergipe, e que foi para Recife e meu advogado não me defendeu, praticamente foi condenado à revelia, consegui reverter no STJ. É um processo que, inclusive, prescreveu. E digo isso a você em primeira mão. Então, tem uma garantia total. Em que pese adversários divulgarem que eu não posso ser candidato, mas isso faz parte do jogo. 

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Também deixou JB, apesar de ter participado de seus dois Governos e ter tido o apoio dele na corrida pela prefeitura de Canindé do São Francisco

FOCOS DO PROJETO DE GOVERNO DE EDUARDO
“Eduardo fala muito na saúde pública. Diz que com ele governador as mães não vão precisar de um ano na fila de espera para fazer uma tomografia. Também fala muito nos servidores públicos”

JLPolítica - Naquela questão das ambulâncias, conhecida como Operação Sanguessuga, qual o seu grau de culpa?
HS -
Meu grau de culpa é zero. Essa situação já me causou muito constrangimento, mas parece que só veio mesmo para me fazer levantar a cabeça e continuar a minha vida pública, porque depois desse hiato eu já ganhei duas eleições: uma de deputado federal e outra de prefeito. Foi um desgaste emocional para mim. Financeiro também, porque tive que contratar advogados por causa de algo que eu não participei, por uma conjuntura nacional, onde apareceram os números de 80 deputados que teriam ganhado R$ 10 mil, R$ 20 mil. Até parece que na época foi uma manobra para esconder o escândalo do Mensalão. Isso foi muito falado em Brasília. Que teria sido uma cortina de fumaça, há seis meses da eleição, para esconder o Mensalão, que na época era o principal escândalo do país. 

JLPolítica - O universo do sertão e da fé é o suficiente para um desempenho eleitoral que lhe renda um mandato de senador?
HS -
É o ponto de partida. É por onde já começo o processo eleitoral com 30% daquilo que preciso para ganhar uma eleição. O restante virá dos grupos políticos, hoje o do senador Eduardo Amorim que é o nosso pré-candidato a governador. E o outro restante, no meu ponto de vista, será decidido na televisão, na propaganda eleitoral, onde você apresenta suas propostas e quem for convincente, demonstrar sinceridade e pegada, terá a chance. 

JLPolítica - O que leva o senhor à garantia de que poderá superar nomes como de Jackson Barreto, Rogério Carvalho, que quase se elegeu em 2014, e nomes novos, como o de Henri Clay Andrade?
HS -
O que me leva a crer é minha história política, de quem já foi deputado estadual, federal, prefeito, e de quem os números acenam para um crescimento. As pesquisas mostram Jackson Barreto empatado comigo. E ele é um monstro na política sergipana. Era o governador até ontem, então a projeção de crescimento dele tem um limite. De Rogério, nós sabemos que a força dele está em Lula. Se ele conseguir pegar o eleitorado de Lula, ele pode nutrir essa esperança. Eu vou na minha pegada: estou num grupo político que tenho certeza de que agregou valor à minha eleição. Vou num debate eleitoral onde eu me garanto, onde sei que vou fazer a diferença. 

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Ivan Leite, ex-prefeito de Estância, garante voto para Heleno, mas segue com JB e Belivaldo

FOCOS DO PROJETO DE GOVERNO DE EDUARDO
“Eduardo fala muito na saúde pública. Diz que com ele governador as mães não vão precisar de um ano na fila de espera para fazer uma tomografia. Também fala muito nos servidores públicos”

JLPolítica - É possível medir quanto por cento de votos a sua opção por Eduardo Amorim coloca no projeto dele?
HS -
Olhe, eu sei que somo muito. Eu levo para Eduardo uma pegada popular. Eu sou um político de massas, de rua. Sempre ganhei a eleição sem grandes lideranças políticas me apoiando. O povo que me elegeu, principalmente nesses dois segmentos - o da fé e o do Sertão. Então levo para Eduardo um cabedal político eleitoral muito grande de pessoas que acreditam no meu estilo de fazer política. Eu não tomo decisões políticas visando acordos, trocas, por isso acho que agrego um bom número de votos para ele. Mas não posso quantificá-los. 

JLPolítica - Quanto por cento do PRB ficou entalado do lado dos governistas?
HS -
Olha, acho que de 20% a 30%. Não é todo mundo que tem coragem de construir um caminho novo, junto à oposição. Geralmente o caminho do governo é o mais fácil, mais tranquilo, mas nossa decisão política foi feita com muita discussão com a Executiva Estadual do partido, referendada pela Executiva Nacional. Nós tivemos algumas perdas, mas dentro do processo natural. Dentro de um processo que a gente sabe que quase nenhum partido dará 100% para apoiar no grupo. 

JLPolítica - Nomes entalados lá, como o de Ivan Leite, votam no senhor para o Senado?
HS -
Votam. Ele já declarou. Ivan Leite é um grande quadro nosso. Um grande amigo. Nós entendemos a posição política dele. Ele sentou com a gente e explicou. É um dos melhores nomes do partido no Estado. O apoio do Ivan à minha candidatura me dá muita esperança de que na região Sul eu serei bem votado. 

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Jony Marcos segue coladinho, apesar de acreditar que "o Governo Temer está matando Andre Moura", como disse em entrevista aqui ao JLPolítica

“EU TENHO GARANTIAS JURÍDICAS”
“O processo que respondia e que meu advogado não me defendeu, praticamente foi condenado à revelia, consegui reverter no STJ. É processo que, inclusive, prescreveu. E digo isso em primeira mão”

JLPolítica – O senhor também acha que esta eleição de governador vai ser decidida num segundo turno? 
HS –
Sim, acho. No meu ponto de vista, estarão no segundo turno Eduardo Amorim, e Valadares e Belivaldo vão disputar páreo a páreo essa segunda vaga. Um pouco parecido com o que aconteceu em 2002, quando Francisco Rollemberg e José Eduardo Dutra disputaram assim e José Eduardo, na época com a força de Lula, conseguiu vencer. 

JLPolítica - Quem entre os dois - Valadares e Belivaldo - tem mais chances de ir ao segundo turno?
HS -
Não posso dar essa opinião, porque Valadares Filho vem com cara nova e Belivaldo tem a força do Governo, que ninguém pode menosprezar. Só sei que a disputa entre eles vai ser boa. Vai ser em estilo Hamilton e Sebastian Vettel. 

JLPolítica - O senhor confia plenamente que haverá uma campanha casada entre a sua pessoa política e a de André Moura?
HS -
Confio perfeitamente. Por causa dos grupos políticos. Há uma esperança no grupo coordenado por Eduardo Amorim e por parte de prefeitos, ex-prefeitos e lideranças também na eleição dos dois senadores. Todos falam que os dois vão ganhar. Então tenho perfeita confiança nesse casamento com André. Até porque a gente soma com eles e eles somam conosco. Acho que não haverá problemas. 

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"Meu grau de culpa é zero. Foi uma manobra para esconder o escândalo do Mensalão”, diz sobre o "Escândalo dos sanguessugas", que enfrentou quando deputado federal

CULPA É ZERO OPERAÇÃO SANGUESSUGA?
“Essa situação já me causou muito constrangimento. Foi um desgaste emocional e financeiro para mim. Mas meu grau de culpa é zero. Foi uma manobra para esconder o escândalo do Mensalão”

JLPolítica - E se não houver este casamento?
HS -
A Bíblia diz que casa dividida não fica em pé. Se não houver, é ruim pra todo mundo. E coisa que é ruim pra todo mundo, não é boa pra ninguém, obviamente. 

JLPolítica – O senhor está certo quando diz que não há mais risco de amasiamento eleitoral entre Jackson Barreto e André Moura?
HS -
Já foi. Jackson, a quem respeito e que tem uma história política em Sergipe, já viu que não vai dar certo. Já viu que tem que andar com as próprias pernas. Em entrevistas recentes, ele já virou a artilharia para André, para mim, para Valadares. Então, acho que se havia alguma ponte, ela foi detonada pelos tiros. 

JLPolítica - Jackson mudou por que?
HS -
Não sei, mas o que percebi dentro do grupo de Eduardo é que há uma porta fechada 100% para o nome dele. Não sei se há mágoas do passado... 

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No Governo Albano Franco, ocupou a pasta da Secretaria de Agricultura. É técnico agrícola de formação

UNIVERSO DO SERTÃO E DA FÉ É O SUFICIENTE?
“É o ponto de partida. É por onde já começo o processo com 30% daquilo que preciso para ganhar a eleição. O restante virá dos grupos políticos, hoje o do senador Eduardo, o nosso pré-candidato”

JLPolítica - O senhor acha que André está preocupado com a eleição de Eduardo ao Governo?
HS -
Acho. Ele tem dado uma grande contribuição. André é um animal político. Há um ano ele sonhou em concorrer com essa chapa majoritária e partiu para o trabalho. Não respeitou hora nem dia. Ele fez acontecer. A prova é que ele se estabeleceu como um dos nomes que concorrem ao Senado. 

JLPolítica - O senhor acha que ter a imagem dele colada à de Michel Temer prejudica?
HS -
Por um lado, há os questionamentos por ele ser líder de Temer, um governo aprovado apenas por 4% dos brasileiros, e, por outro, com essa força política ele conseguiu trazer para Sergipe, segundo ele mesmo diz, R$ 1,3 bilhão. Então se por um lado há o desgaste pela figura de Temer, por outro há a conquista de recursos para obras, para realizações. O povo vai botar isso na balança e decidir. 

JLPolítica – O deputado federal Jony Marcos sofre menos risco nesta aliança do que se permanecesse na dos governistas?
HS –
Não. A reeleição de Jony independe de lados. Ele trabalhou bem. Fez um mandato construtivo, principalmente no último ano, quando coordenou a bancada, se movimentou politicamente muito bem com prefeitos, com lideranças, com o governo, conseguiu liberação de recursos importantes e a eleição dele depende disso. O que Jony viu ao me apoiar na ida para o novo grupo foi o fortalecimento do partido comigo disputando o Senado junto com Eduardo. 

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Poderá ter o senador Valadares, aliado em tantas outras jornadas, como um dos principais adversários

FORÇAS E LIMITES DE JB E DE ROGÉRIO
“Pesquisas mostram Jackson empatado comigo. E ele é um monstro na política sergipana. Era o governador até ontem, então a projeção de crescimento tem limite. De Rogério, sabemos que a força está em Lula”

JLPolítica - O fato de não ter sido considerado um bom prefeito para Canindé de 2013 a 2016 pode alterar a química eleitoral do senhor no Sertão nesse projeto de Senado?
HS -
A priori, em Canindé não fui considerado mesmo um bom prefeito. Saí com 65% de rejeição. Mas hoje quem for lá vai ouvir 85% das pessoas querendo a minha volta. Não pergunte a mim, pergunte ao povo. Porque as pessoas entenderam que eu administrei uma cidade em profunda crise. A única no Brasil que perdeu 45% de receita líquida. Num primeiro momento, ninguém entendeu. Mas depois que eu saí e que o outro gestor assumiu passaram a entender e a me dar razão, inclusive considerando que fiz obras estruturantes na saúde, na educação, e no social. 

JLPolítica - O senhor está querendo dizer que foi perdoado?
HS -
Fui compreendido diante da situação financeira em que o município estava. 

JLPolítica - Qual é a real razão da exclusão do senhor e de Jony Marcos da condição de pastores da Igreja Universal do Reino de Deus - IURD?
HS -
Nós não somos pastores de altar desde o primeiro dia que entramos na política. Nós decidimos, junto com a Igreja, que iríamos nos dedicar só à vida pública. A Igreja Católica também tomou essa decisão para com os seus padres. Uma decisão justa lá e cá. Porque a atividade sacerdotal é algo muito exigido e muito sútil. Você tem que ter disponibilidade nas 24 hora do dia - e a razão foi essa. 

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Em 2012, elegeu-se prefeito prefeito Canindé e João Alves prefeito de Aracaju. João não se reelegeu. Heleno nem arriscou a reeleição

CONTRAPARTIDA QUE LEVA PARA EDUARDO AMORIM
“Eu levo para Eduardo uma pegada popular. Sou um político de massas, de rua. Sempre ganhei eleição sem grandes lideranças me apoiando. O povo que me elegeu nos segmentos da fé e do Sertão”

JLPolítica – Organicamente, a Igreja ainda vota com os senhores?
HS -
A Igreja apoia e vota na gente. 

JLPolítica – Ela vai lançar quantos candidatos a deputado estadual?
HS -
O pastor Eduardo Lima será o candidato a deputado estadual, com o apoio da Igreja. 

JLPolítica – Quem é essa figura?
HS -
Ele é um baiano que já está em Sergipe há sete anos. Trabalhou como pastor em 10 cidades do interior, tem chances eleitorais e, o principal, trabalha muito com os jovens. É um trabalho numa comunidade jovem. E, com ele, o PRB tem a chance de eleger três deputados estaduais: Jairo de Glória, Adriana Leite e o próprio pastor Eduardo. 

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"Sou um político de massas, de rua. Sempre ganhei eleição sem grandes lideranças me apoiando", gaba-se

PERCENTUAL DO PRB ENTALADO NO LADO GOVERNISTA
“Acho que de 20% a 30%. Não é todo mundo que tem coragem de construir caminho junto à oposição. Geralmente o caminho do governo é mais fácil. Mas nossa decisão foi feita com muita discussão

JLPolítica - Por que o senhor foi buscar em Itabaiana Adailton Resende para ser candidato a primeiro suplente de senador seu?
HS -
Fui pela importância que Itabaiana tem para Sergipe. Uma importância econômica e política. Se depender de mim, o segundo suplente também virá do interior, de uma outra cidade forte, porque eu, como cabeça de chapa pro Senado, represento a Grande Aracaju, o maior colégio eleitoral, e seria bom ter essas pessoas com sensibilidade de outras regiões do Estado. Meus suplentes não vêm por acordos políticos. São pessoas do povo, que podem agregar. E assumirão o mandato. Serão senadores e poderão dar a sua contribuição. 

JLPolítica – O senhor será o primeiro ou segundo voto de Valmir de Francisquinho?
HS -
Lá em Itabaiana não tem esse negócio. O povo de lá vota nos dois e eles têm força. Valmir de Francisquinho é um prefeito que surpreende e chama a atenção de Sergipe. 

JLPolítica - Os senhores serão os dois mais votados de Itabaiana?
HS -
Com certeza. Não tenho dúvida. André Moura e eu sairemos de Itabaiana emparelhados, parede-meia. 

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Diz que Jackson já virou a artilharia para André. "Para mim, para Valadares. Se havia alguma ponte, ela foi detonada pelos tiros”, avalia