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Entrevista

Tanuza Oliveira

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Henri Clay: “Serei senador para contribuir com a mudança da vida das pessoas”

Publicado em 26 de agosto de  2018, 20:00h

O presidente licenciado da OAB/SE diz que o cenário de Sergipe é o pior possível e que isso o levou a ampliar sua atuação política 

Aos 49 anos, advogado militante há 25 e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe – OAB/SE – há três mandatos, Henri Clay Andrade compõe o grupo dos novos nomes na disputa eleitoral deste ano.

Ele é candidato ao Senado pelo Partido Pátria Livre – PPL –, um dos mais tardios a oficializar o nome e a coligação, aliás. Mas Henri Clay deixou para trás qualquer dúvida ou receio em torno de sua candidatura e hoje ela é real, ativa e, porque não dizer, possível.

“Minha candidatura se consolidou como uma alternativa real, de modo muito vigoroso, a partir do apoio de diversos setores, da advocacia, do movimento social, sindical, mas sobretudo de um amplo respaldo popular”, afirma Henri Clay.

Ele é natural de Lagarto, casado com Rosa Helena Andrade e pai de quatro filhos. Pós-graduado em Direito Processual, foi professor de Direito da Universidade Federal de Sergipe e da Universidade Tiradentes, além de diretor-geral da Escola Superior da Advocacia da OAB/SE, conselheiro federal, ouvidor-Geral e Diretor-Geral da Escola Nacional da Advocacia do Conselho Federal da OAB.

Com uma carreira jurídica tão bem consolidada, o que o levou a ingressar na política partidária? A indignação. “Acompanhando o que expressam todas as pesquisas de opinião pública, minha avaliação é a pior possível. O governo Jackson e Belivaldo resulta numa grave retração econômica e na dramática mazela social. O governo responde com inércia à grave crise econômica”, opina.

Questionado pelo Portal JLPolítica sobre as diferenças e semelhanças entre as disputas internas da OAB e a eleitoral, ele afirma que “todos os espaços públicos são importantes para o processo de engajamento e participação política”.

“É da melhor tradição da OAB colocar-se na linha de frente para a discussão dos grandes temas nacionais. Porém, os processos de escolha das representações na política institucional são, naturalmente, muito diversos da disputa partidária eleitoral”, admite.

Mas desconversa quando o assunto é tomar gosto pelas disputas eleitorais, como fez com as da Ordem. “O fundamental é não perder de vista que a atividade política não é uma profissão e que eleições não são um fim em si mesmo. A política não pode ser reduzida a uma eterna disputa por espaços de poder. Política é a expressão de uma visão de mundo, de uma concepção de sociedade”, define.

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Valadares Filho e Silvia Fontes são seus companheiros de chapa
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Com Valmir Monteiro, prefeito da cidade onde ele nasceu: Lagarto

INDIGNADO COM CENÁRIO POLÍTICO
“O Brasil vive um momento extremamente difícil. Em um curto espaço de tempo, o Governo Temer, desaprovado por mais de 95% da população, promoveu uma grande desagregação social, com o aprofundamento da crise econômica”

JLPolítica – Esta é a primeira vez que o senhor se candidata fora da esfera da advocacia. O que de fato o motivou?
Henri Clay –
A indignação. O Brasil vive um momento extremamente difícil. Em um curto espaço de tempo, o Governo Temer, desaprovado por mais de 95% da população, promoveu uma grande desagregação social, com o aprofundamento da crise econômica, do desemprego e a retirada brutal de direitos sociais. Isso coloca em questão o próprio sentido da política e dos processos eleitorais para as pessoas. E esse desencanto generalizado abre espaço para projetos autoritários e antipopulares. Tornou-se impossível dar as costas a essa realidade. Acredito que a única resposta possível, como pai, como advogado de trabalhadores e cidadão, é ampliar minha participação política para além da representação de minha categoria profissional. Por isso, decidi encarar o desafio de disputar uma eleição. Para contribuir, de forma decisiva, com um processo de mudança e resgate da democracia e do poder do voto. 

JLPolítica – Por que o senhor fez tanto mistério antes de lançar oficialmente a candidatura? Era receio de ela não se consolidar?
HC –
Não acredito que houve mistério, nem qualquer ponto obscuro no processo de construção de minha candidatura. As negociações para a composição de nossa frente partidária se deram de forma muito aberta e transparente, desde sua gênese. Minha candidatura se consolidou como uma alternativa real, de modo muito vigoroso, a partir do apoio de diversos setores, da advocacia, do movimento social, sindical, mas sobretudo de um amplo respaldo popular. 

JLPolítica – E por que já começar pela disputa de um mandato para o Senado? Não começou por cima demais?
HC –
Não enxergo a atividade política como uma carreira profissional em que se é promovido com o tempo de serviço. O Senado é, por definição, um pilar da estabilidade democrática, mas não creio que seja pertinente hierarquizar ou medir a importância das instituições. O fundamental mesmo é o papel que o parlamentar vai desempenhar. Não creio que se trate de possuir menor ou maior importância. O desempenho do vereador da menor das cidades é extremamente importante para a sua comunidade. Se não entendermos a responsabilidade que envolve o exercício de qualquer função pública, condenaremos a democracia ao descrédito. A participação política não pode ser apenas um jogo de poder, uma busca por cargos e posições.

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Ele e Valadares vão tentar ocupar as duas vagas do Senado

NÃO VÊ POLÍTICA COMO PROFISSÃO
“Não enxergo a atividade política como uma carreira profissional em que se é promovido com o tempo de serviço. O Senado é, por definição, um pilar da estabilidade democrática, mas não creio que seja pertinente hierarquizar ou medir a importância das instituições”

JLPolítica – Quais as razões que levaram o senhor a optar por uma aliança com o PSB?
HC –
A afinidade com o projeto político de um partido que se insere, historicamente, no campo progressista. Meu partido, o Partido Pátria Livre, compartilha desses valores, da defesa do desenvolvimento com base na soberania nacional, na democracia e no empoderamento popular como única forma de resgatar a esperança dos sergipanos e dos brasileiros em dias melhores. Nossa aliança é baseada em princípios comuns, baseado na ética social, no cuidado com as pessoas e não no interesse de grupos de poder.

JLPolítica – Qual foi a leitura que o senhor fez durante a pré-campanha das suas reais chances de ser um dos dois eleitos? 
HC –
Nossa pré-campanha nos encheu de esperança e nos deu a firme convicção de que nosso projeto está em plena sintonia com o sentimento dos sergipanos. Em minhas andanças por todas as regiões de nosso estado, tive sempre a oportunidade de ouvir e aprender com as pessoas. Porque eu tenho ido ao encontro de pessoas, de seus desejos, de sua história, e não simplesmente de eleitores. Onde alguns candidatos vêm apenas votos potenciais, eu prefiro enxergar pessoas reais. Esse, aliás, é um ponto fundamental de diferenciação da nossa candidatura.

JLPolítica – Qual tem sido a reação/recepção do sergipano à sua pessoa e ao seu projeto?
HC –
A receptividade popular tem sido de uma dimensão surpreendente e a cada dia recebo apoios espontâneos das pessoas comuns, que estão fora da política partidária. Existe um forte anseio de mudança e as pessoas sabem identificar quem corresponde a esse desejo, por suas propostas, por sua história, mas também pelo contato direto, pelo “olho no olho”.  

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Ficou surpreso com a adesão de Fábio Henrique a André Moura

RAZÕES DA ALIANÇA COM PSB
“A afinidade com o projeto político de um partido que se insere, historicamente, no campo progressista. Nossa aliança é baseada em princípios comuns, baseado na ética social, no cuidado com as pessoas e não no interesse de grupos de poder”

JLPolítica – Afinal, senhor Henri Clay Andrade, qual é mesmo o seu projeto de mandato? Em nome de que o senhor se propõe a ser senador?
HC –
Em nome do resgate da esperança, da crença inabalável na democracia como único meio de se construir um estado e um país melhor para todos, com justiça social. Uma pesquisa revela que, hoje, metade dos brasileiros se diz pessimista ou muito pessimista com o futuro do país. Isso não é aceitável. Serei senador para contribuir com a mudança da vida das pessoas. Para defender os interesses do povo sergipano e trazer os recursos necessários à recuperação da economia de nosso estado. De forma muito objetiva, já em fevereiro, assim que tomar posse, irei propor a revogação da Reforma Trabalhista que retirou direitos duramente conquistados, ampliou a pobreza e o desemprego. Vamos lutar para barrar o projeto da reforma da previdência; propor uma reforma tributária justa, que desonere o setor produtivo, os trabalhadores e o consumo; propor a revogação do congelamento dos investimentos sociais por 20 anos; propor o fim do foro privilegiado. Vamos defender a soberania nacional, contra o desmonte e a privatização de nossas empresas estratégicas e a entrega de nossos recursos naturais. Serei senador para provar que a democracia ainda é o melhor instrumento de transformação. Vou exercer um mandato participativo, democrático e popular, marcado pela defesa dos direitos sociais e da economia nacional.

JLPolítica – O senhor esperava contar com defecções de sua base, como a liderada por Fábio Henrique, que se declara eleitor de André Moura e não do senhor?
HC –
Não sei se podemos falar em “defecções na base”. A nossa aliança tem por base os partidos e o PDT jamais foi vacilante no papel de integrante dessa composição. Acredito que todos nós que compomos essa frente recebemos com surpresa o anúncio dessa adesão que, mais do que contrariar um entendimento local consolidado, parece contrariar a própria lógica que tem orientado nacionalmente as alianças do PDT, que se coloca na oposição a Michel Temer. Apesar de enfrentar minha primeira disputa eleitoral partidária, sempre tive clareza sobre o que enfrentaria: a velha forma de se fazer política. De minha parte, valorizo as posições firmes, os partidos políticos como fundamentais para a democracia e tenho como princípio de vida cumprir os acordos e sempre firmá-los à luz do dia, de forma aberta, direta, democrática, republicana. Há um desgaste muito preocupante e danoso à democracia, provocado pela inconsistência de posições. Isso também ajuda a explicar o próprio desgaste da imagem da política e a sua associação com o conchavo, com os arranjos. Minha candidatura se distancia daqueles que reduzem a política a um mero jogo pelo poder. 

JLPolítica – Neste caso de Fábio Henrique, o senhor se deu por contente com a reação do senador Antonio Carlos Valadares, que o repreendeu em nota?
HC –
Tenho que registrar que o Senador Valadares tem mantido uma postura coerente no curso de todo esse processo eleitoral. A nota, mais do que reafirmar o apoio do conjunto de nossa composição à minha candidatura, empreende uma defesa da lealdade como princípio político. Acredito firmemente que essas eleições não vão premiar a incoerência.

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Tem os aplausos do seu vice, o presidente interino Inácio Krauss

PORQUE QUER SER ELEITO SENADOR
“Serei senador para contribuir com a mudança da vida das pessoas. Para defender os interesses do povo sergipano e trazer os recursos necessários à recuperação da economia de nosso Estado”

JLPolítica – Como jurista, o senhor acha que a política brasileira está muito judicializada?
HC –
Como tenho sempre afirmado, o funcionamento democrático é assegurado pelas instituições e um Poder Judiciário forte e independente é inerente à democracia. Mas magistrados e autoridades do Judiciário não podem ser alçados à posição de “pop stars”, nem transcender seu âmbito de atuação, se render à espetacularização midiática ou resvalar para comportamentos de natureza messiânica ou autoritária. Isso não contribui em nada com a necessária reconstrução do país.  

JLPolítica – E quais as consequências disso?
HC –
As consequências são um deslocamento e mesmo um esvaziamento do debate político, em uma verdadeira confusão entre os papéis institucionais. O desencanto com a política que aqui apontamos guarda, em nosso entendimento, relação direta com esse processo.

JLPolítica – Mas a classe política não deu muito motivos para esta judicialização?
HC –
Não se pode atribuir uma uniformidade de posicionamento à “classe política”, sob pena de reforçarmos o perigoso discurso de desmoralização da democracia. Ademais, a judicialização não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. Temos que debater a forma de ampliar o controle social e a participação da cidadania no processo político. O caminho é envolver as pessoas na vida pública, expandir o monitoramento da atividade dos políticos. Esse é o desejo da sociedade.

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Mas não é ovacionado pelo ex-aliado e ex-presidente Carlos Augusto Monteiro

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“Acredito que todos nós que compomos essa frente recebemos com surpresa o anúncio dessa adesão que, mais do que contrariar um entendimento local consolidado, parece contrariar a própria lógica que tem orientado nacionalmente as alianças do PDT, que se coloca na oposição a Michel Temer”

JLPolítica – O senhor acha que o Congresso e a sociedade brasileira terão meios de reparar os estragos deixados pela era Temer?
HC –
Invertendo, acredito que a sociedade brasileira primeiramente e, como reflexo dessa mobilização social, o Congresso Nacional, vão ter que reparar a verdadeira tragédia social que será o legado do Governo Temer. Mais que um desafio, essa é uma condição fundamental para a sobrevivência de nosso país como nação soberana, independente e socialmente viável. E para a sobrevivência do povo brasileiro, mergulhado no desemprego, na violência e no desamparo. Por isso, é preciso muito critério na escolha dos novos congressistas. Porque é preciso eleger parlamentares que tenham coragem para revogar medidas destrutivas como a Reforma Trabalhista, como o insustentável congelamento dos investimentos públicos por vinte anos. É necessário compromisso com a aposentadoria da maioria da população, para barrar a Reforma da Previdência, para reconstruir a rede de proteção aos mais vulneráveis, aos jovens, aos idosos, à população pobre do campo e da periferia das cidades.

JLPolítica – O que lhe leva a crer que Valadares Filho será governador de Sergipe?
HC –
Valadares Filho é uma jovem liderança, mas com grande projeção e experiência políticas, o que é atestado pelos seus sucessivos mandatos na Câmara Federal e pelas expressivas votações que tem recebido nos pleitos que disputou. Acreditamos que seu nome representa uma esperança real de mudança nos rumos da gestão estadual, há tanto sonhada pelo povo sergipano. Um novo quadro que vai chegar ao Executivo reunindo as melhores condições para promover as transformações que vão fazer Sergipe reestruturar a máquina administrativa e retomar o desenvolvimento econômico. 

JLPolítica – O que o senhor espera de um eventual governo dele?
HC –
Que inaugure uma nova forma de governar nosso Estado, voltado para a maioria de nosso povo e não um governo para promover o interesse de poucos privilegiados. Esperamos que sua eleição represente um sopro de ar fresco em uma estrutura viciada, engessada pelo continuísmo e pela inação. Sobretudo, esperamos que promova o desenvolvimento econômico e social do estado, enfrentando os graves problemas que tanto afligem nossa gente, com coragem e transparência. E estamos certos de que Valadares Filho está à altura desse desafio.  

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Carlos Augusto e Henri Clay rezavam juntos na cartilha de Cezar Britto

POLÍTICA BRASILEIRA ESTÁ JUDICIALIZADA?
“Magistrados e autoridades do Judiciário não podem ser alçados à posição de “pop stars”, nem transcender seu âmbito de atuação, se render à espetacularização midiática ou resvalar para comportamentos de natureza messiânica ou autoritária. Isso não contribui em nada com a necessária reconstrução do país”

JLPolítica – Qual a sua avaliação sobre a atual e recentes gestões do Estado de Sergipe?
HC –
Acompanhando o que expressam todas as pesquisas de opinião pública, minha avaliação é a pior possível. O governo Jackson e Belivaldo resulta numa grave retração econômica e na dramática mazela social. O governo responde com inércia à grave crise econômica que o país enfrenta e o resultado é visível: Sergipe é destaque nacional pelo caos na área da Saúde e pelos índices de violência; nossa taxa de desemprego está entre as piores do país; empresas fundamentais para nossa economia, como a Fafen, estão fechadas; na Educação, a queda no número de matrículas, do nível de ensino e mesmo a invasão das unidades escolares por criminosos passaram a ser a regra. Um quadro de ausência de gestão e abandono inaceitáveis.  

JLPolítica – Como cristão novo, o senhor já tem nomes definidos para votar para a Câmara e Alese?
HC –
Sou um nome novo, por nunca ter disputado uma eleição de natureza partidária, ainda que tenha uma larga trajetória de participação política, de presidente do Grêmio de minha escola, em Lagarto, e do Diretório Acadêmico de Direito à presidência da OAB/Sergipe por três vezes. Mas novo mesmo é o projeto que represento, de renovação da prática política e da defesa da ética social. O nosso partido, o PPL, está apresentando excelentes nomes para esse pleito. Da mesma forma, tenho a felicidade de contar com candidatos muito respeitáveis em nossa coligação. 

JLPolítica – O senhor pretende contar com o apoio da sua classe, a dos advogados, em que grau?
HC –
Seria muita pretensão de minha parte supor qualquer unanimidade em torno de minha candidatura, especialmente em uma categoria como a dos advogados, marcada pelo alto grau de politização, de pluralidade de opiniões e orientações políticas. Mas não é possível deixar de reconhecer que construí uma relação de muita confiança e proximidade com meus pares ao longo de minha trajetória como representante de classe. E isso tem sido expresso pela enorme receptividade, demonstrada pelos advogados, em todas as regiões que temos visitado no estado, o que nos enche de orgulho e alimenta grandes expectativas. 

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Contestado ou não, pelos braços da sua categoria, chegou 3 vezes à presidência

INÁCIO KRAUSS
"Inácio Krauss é um grande companheiro e preside, neste momento, com todas as condições e absoluta competência, a nossa querida Ordem"

JLPolítica – O senhor volta para o mandato de presidente da OAB?
HC –
Estou licenciado do cargo, como prevê a lei. Volto como senador eleito para concluir o mandato de forma honorífica.

JLPolítica – Há dúvida de que seu candidato seja Inácio Krauss?
HC –
Não acredito ser pertinente, em meio a um processo eleitoral histórico como o presente, discutir questões atinentes à sucessão na Ordem dos Advogados. Nesse momento, estou absolutamente focado no processo eleitoral. Inácio Krauss é um grande companheiro e preside, neste momento, com todas as condições e absoluta competência, a nossa querida Ordem. Ele é decente e conquistou legitimidade natural para candidatar-se à presidência da OAB/SE. 

JLPolítica – O senhor admite ter usado a Presidência da OAB politicamente, como seus adversários chegaram a cogitar?
HC –
Adversários, normalmente, gostam de “cogitar” as mais diversas coisas, inclusive despropositadas. Exercer, por três mandatos, a presidência da Seccional da OAB evidencia representatividade e envolvimento com minha categoria, mas não consigo visualizar como isso poderia ser “usado” para dar base a uma candidatura ao Senado. Primeiramente, porque isso seria desprezar a consciência política dos membros da advocacia. E sejamos sinceros: em uma eleição em que enfrentamos todo o poder da máquina do Governo do Estado por um lado, e da máquina do Governo Federal por outro, apontar um uso da OAB soa, com todo o respeito, ridículo.  

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Foi presidente pela primeira vez em 2004

A OAB
"É, inegavelmente, um grande instrumento de expressão e de organização da sociedade civil e isso vai muito além da defesa exclusiva das prerrogativas da advocacia"

JLPolítica – Em que se assemelham e se diferenciam as campanhas para presidir a OAB e a campanha partidária eleitoral?
HC –
Todos os espaços públicos são importantes para o processo de engajamento e participação política. É da melhor tradição da Ordem dos Advogados do Brasil colocar-se na linha de frente para a discussão dos grandes temas nacionais. A OAB é, inegavelmente, um grande instrumento de expressão e de organização da sociedade civil e isso vai muito além da defesa exclusiva das prerrogativas da advocacia. Porém, os processos de escolha das representações na política institucional são, naturalmente, muito diversos da disputa partidária eleitoral. 

JLPolítica – O senhor parece ser duro no trato com seus adversários dentro da gestão da OAB. Fora dela também o é/será?
HC –
Honestamente, não acredito que seja essa a reputação que construí ao longo de vinte anos de participação ativa na OAB. Não parece razoável supor que tenha exercido três mandatos no ambiente político de uma instituição como a Ordem, marcado pelo alto grau de politização e de tradição de convivência democrática, sendo “duro” no trato com os adversários. Tenho muita firmeza na defesa de meus princípios e concepções, mas isso não se traduz, de forma alguma, em inflexibilidade, intransigência ou desapreço pelo diálogo. 

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Em janeiro de 2016, assinou o termo de posse do terceiro mandato

MILITÂNCIA NA OAB
"Toda a minha trajetória de vida é marcada pela participação na vida pública. Minha militância na OAB é uma marca indelével nessa trajetória. O momento político nos colocou, agora, novos desafios"

JLPolítica – O senhor está em um terceiro mandato de presidente da Ordem. Sente que tomará gosto pelas disputas eleitorais também?
HC –
Toda a minha trajetória de vida é marcada pela participação na vida pública. Minha militância na OAB é uma marca indelével nessa trajetória. O momento político nos colocou, agora, novos desafios. O fundamental é não perder de vista que a atividade política não é uma profissão e que eleições não são um fim em si mesmo. A política não pode ser reduzida a uma eterna disputa por espaços de poder. Política é a expressão de uma visão de mundo, de uma concepção de sociedade. Se não for um instrumento que torne possível a transformação da realidade, a disputa eleitoral perde todo o sentido.

JLPolítica – O que o senhor diria aos seus colegas advogados que apostam que o senhor está nesta disputa de senador se cacifando para disputar a de prefeito de Aracaju em 2020?
HC –
Não ouço isso dos colegas advogados. O que vejo e sinto é engajamento, entusiasmo e pertencimento coletivo da nossa candidatura ao Senado. Os colegas apostam na nossa vitória, porque sabem que terão uma representação combativa, propositiva e acessível. O ano de 2018 consiste um divisor de águas na história da democracia brasileira, um verdadeiro teste para nossas instituições, para a nossa organização social. Seria um disparate, senão uma irresponsabilidade, imersos que estamos na maior crise que já vivenciamos, projetar uma pretensão eleitoral para o ainda distante, e hoje imponderável, ano de 2020.

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Sabe se relacionar com a classe politica