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Entrevista

Jozailto Lima

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Ivan Leite: “Estância não pode ficar sem deputado”

Publicado em 12 Jan 2018, 20h00

“Não dá pra deixar de ser otimista, e não deve haver corrupção”

Ivan Leite, 62 anos, é reconhecido em Sergipe pelo rigor como leva a sério as coisas na vida pública e na vida particular. Isso equivale a dizer sem concessões ao que não seja estritamente correto, legal e justo nas tratativas particulares e públicas.

E foi este traço que o engenheiro Elétrico e administrador de Empresa pela USP Ivan Leite imprimiu no DNA da política de Sergipe, com quatro mandatos eletivos, dois de deputado estadual - de 1990 a 1998 - e dois de prefeito de Estância - 2004 a 2012 - e um cargo de secretário de Estado, logo a área que diz respeito a ele, o da Indústria, Comércio e Turismo.

Neto do senador e industrial Júlio Leite e filho do empresário e industrial Jorge Leite, Ivan responde hoje pelo posto de diretor-presidente da Sulgipe, em sucessão ao pai, que está fora da gestão depois de 50 anos de atividade. “Penso que preferia muito mais assinar como diretor-gerente, como eu era, e ele como diretor-presidente. É uma falta muito grande”, diz, na tradução do respeito que tem ao seu velho Jorge.

Há cinco fora da gestão pública - ele foi sucedido por Carlos Magno em 2012 -, Ivan Leite não aliena sua visão política. Continua lendo esta atividade com olhar aceso. Lê com cuidado e sem radicalismo os problemas do Brasil, de Sergipe e de Estância.

Acha, por exemplo, que a corrupção não serve a nada e que precisa, obviamente, ser banida. “A corrupção, seja em que lugar do mundo for, infelizmente, está presente. O que não pode é ela virar uma instituição dentro de um governo. Isso é péssimo. Desmotiva qualquer cidadão, seja o funcionário, o dono da microempresa, o grande empresário”, diz ele.

Na leitura que faz das questões políticas de Sergipe, Ivan diz que hoje votaria em Belivaldo Chagas para o Governo do Estado, defende que Jackson Barreto pode colaborar com o Brasil com um mandato de senador e vê a necessidade de André Moura voltar a Brasília como deputado ou até ampliando seu leque de importância, com um mandato de senador.

Com relação a Estância, o foco de Ivan Leite parece mais aguçado. Não só pelo fato de ter na esposa, a vice-prefeita Adriana Leite, uma pré-candidata a deputada estadual, mas por levantar a bandeira de que a cidade deve tomar tino para eleger até mais do que um deputado estadual.

Calçada

Ao final da escada havia uma rua,
antes dela porém, uma calçada nua
a esperar os meus passos de estudante
franzino firme na convicção do que fazer. 

Descia ladeira subia ladeira ao ponto
do ônibus chegava às vezes em dias 
frios chuvosos na ida, quentes na volta
da Teodoro Sampaio à Av Consolação. 

Aos treze anos, já então firme determinado
com o respaldo distante fisicamente do pai
mas com a presença marcante da sua lição. 

Descer calçada, subir calçada, calçando
convicto um futuro de trabalho alicerçado 
no estudo que pelo exemplo me foi ensinado. 

Ivan Leite
24/10/2017 
Imagem espelhar em tempo distinto!

Publicado no seu perfil no Facebook, dedicado ao pai Jorge Leite. Abaixo, foto postada junto com o poema.

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O industrial Jorge Leite é seu pai
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Vive sob o mesmo abrigo de Adriana Leite, sua esposa e vice-prefeita de Estância

JLPolítica - Como empresário e como político e gestor público, qual é o seu sentimento de Brasil diante de tantos problemas na política e na economia?
Ivan Leite -
No mês de janeiro, não dá para deixar de ser otimista. Portanto, nós somos otimistas e esperançosos. Não no sentido de esperar sentado, mas de procurar trabalhar para que a realidade venha a ser aquela que esperamos. Com relação ao que acontece no Brasil hoje, seria uma situação muito rara alguém se dizer contente no que diz respeito às realizações do país. Este ano, ainda estamos num período de retomada de crescimento. O desemprego é algo extremamente preocupante e acho que a principal preocupação de qualquer gestor público, como dizia tão bem Luiz Gonzaga, porque a dignidade de um homem passa pelo trabalho.

JLPolítica – O senhor já vivenciou outros ciclos de tensões políticas e econômicas, como parte da ditatura militar, os Governos de inflação de Sarney, de tensão de Collor, de reforma de FHC e de mudanças sociais do ciclo do PT. Vê algum paralelo com os últimos três ou quatro anos?
IL
- A percepção da realidade política é algo mutável, não apenas em função não apenas de as realidade serem de fato diferentes, mas também pela fase de vida em que a pessoa se encontra, do envolvimento político dela no momento. Isso tudo influencia na visão do que é quente e do que é frio. Insisto: infelizmente, a questão do desemprego é uma das mais sérias que o país já passou, mesmo com a percepção de que está havendo uma melhoria nesse aspecto.

JLPolítica - O que é que o seu sensor interno diz sobre tudo isso que aparece nas diversas etapas da Operação Lava Jato e que vêm sob o rótulo de corrupção?
IL -
A corrupção, seja em que lugar do mundo for, infelizmente, está presente. O que não pode é ela virar uma instituição dentro de um governo. Isso é péssimo. Desmotiva qualquer cidadão, seja o funcionário, o dono da microempresa, o grande empresário. Ele se sente desmotivado em estar trabalhando, pagando impostos e esse dinheiro sendo desviado para atividades outras que não são educação, saúde e demais obrigações do Estado.

ESPERANÇA SEM ESPERAR SENTADO
“Em janeiro não dá para deixar de ser otimista. Portanto, somos otimistas e esperançosos. Não no sentido de esperar sentado, mas de procurar trabalhar para que a realidade venha a ser aquela que esperamos”

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Os filhos Yvette e Jorge

JLPolítica - Há que se tirar algum proveito da corrupção?
IL -
Há: a do lição de que não deve haver corrupção. Não vejo outro proveito possível para ela.

JLPolítica - O senhor entenderia o Brasil como um país eminentemente corrupto?
IL -
É difícil julgar, porque sinceramente não conheço a índole de outras instituições de outros países para poder comparar. Mas conversando recentemente com uma italiana, ela me disse que há uma dificuldade em se ser empreendedor na Itália. E isso passa pela famosa ideia do “gerar dificuldades para vender facilidades”. Isso é péssimo. Não posso dizer que o Brasil é campeão, líder mundial sob esse aspecto, porque não vejo na índole do povo essa característica. Mas a gente precisa verificar se, mesmo não sendo a índole do povo, se não está prevalecendo nas lideranças esse tipo de característica.

JLPolítica - O senhor ousaria apontar uma solução, um caminho, para que o Brasil saísse do perrengue da eterna condição de em desenvolvimento?
IL –
Sim: a educação, que é condição essencial. E fico muito à vontade em falar sobre isso, porque não é uma coisa que falo da boca pra fora, mas sim de algo que pratiquei pessoalmente. Saí de Sergipe aos 12 anos para ir morar sozinho em São Paulo com o objetivo de estudar. E voltei de lá com dois diplomas: um de engenheiro, da USP, e outro, de administrador de empresa, da FEA, também na Universidade de São Paulo. E não se consegue nenhum desses dois diplomas faltando, brincando, fazendo pouco. É preciso ter empenho no estudo. Se acreditei para mim, acreditei para os meus filhos e venho pregando isso com muita insistência como instrumento de independência e de crescimento pessoal. Para o país crescer, também aposto na mesma coisa: que cada cidadão deseje o crescimento próprio, porque o crescimento sustentável do país, evidentemente, é o crescimento da soma da população.

DESEMPREGO É QUESTÃO SÉRIA
“Insisto: infelizmente, a questão do desemprego é uma das mais sérias que o país já passou, mesmo com a percepção de que está havendo uma melhoria nesse aspecto”

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Em mosaico e ainda em preto e branco, distantes tempos adolescentes

JLPolítica – Como gestor público, o senhor acha que cumpriu um papel razoável na Educação?
IL –
Com certeza. Menos do que gostaria, mas dentro do que era possível ser feito, fizemos bastante: durante oito anos como prefeito, viabilizamos reformas em todas as escolas de forma a terem uma boa estrutura, transporte escolar saindo de um único ônibus para mais de 30 novos veículos para transportar os alunos, seja na sede ou nos povoados, de modo que nenhum estudante de Estância ficasse sem escola, fosse por falta do ambiente escolar ou pela do transporte. Havia merenda escolar em todos os períodos; os professores tinham os salários pagos rigorosamente em dia, com férias, 13º e todos os direitos trabalhistas garantidos. Essas são condições básicas, essenciais. É claro que gostaríamos de ter feito muito mais, mas para isso é preciso de uma somação ainda maior, não apenas através do gestor, mas também da população, no sentido de valorizar a educação pública.

JLPolítica - Seus antecessores, Júlio e Jorge Leite, foram empreendedores desgarrados de uma visão educacional?
IL –
De forma alguma. Tanto meu avô Júlio Leite quanto meu pai Jorge Leite são pessoas que valorizaram, muito e sempre, a educação. Inclusive, eu tive a alegria de encontrar, em mais de uma ocasião, pessoas que diziam da gratidão que tinham por eles por terem sido importantes no estímulo à educação, e esse estímulo não se deu apenas com a questão material, que eles também viabilizaram, mas principalmente com o exemplo e a palavra de incentivo pelo aprendizado.

JLPolítica - O senhor acha razoável ou perigoso que as opções de solução eleitoral para o Brasil se encaminhem em 2018 para Lula e Bolsonaro?
IL -
O Golbery do Couto e Silva tinha uma expressão que falava da sístole e da diástole fazendo uma metáfora ao movimento de contração e descontração. A história tem os movimentos vitorianos e libertários; então, toda a história da humanidade passa, de certa forma, por ciclos. Nesse momento, a população, independentemente de Ivan Leite querer ou não, tem a percepção de que a democracia representativa está sendo omissa, falha. E, sendo falha, soluções mais fortes passam a ser desejadas, principalmente na busca pela segurança. Porque a população, seja o pobre que só tem um televisor, seja o rico que tem uma Mercedes, todos estão igualmente vítimas da violência. E isso, muitas vezes, é um chamariz para soluções de força.

É PRECISO TER FÉ NA EDUCAÇÃO
É preciso ter empenho no estudo. Acreditei para mim, acreditei para meus filhos e venho pregando isso com muita insistência como instrumento de independência e de crescimento pessoal”

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Os cabelos ainda eram pretos, quando começou a vida pública

JLPolítica - O senhor está apontando, com isso, que é por isso que o Bolsonaro estaria em ascensão?
IL -
Isso é evidente.

JLPolítica – O senhor se definiria um ser social e político sob uma ideologia mais de centro ou mais à direita?
IL -
Definir uma postura de vida em função de um rótulo é muito complexo. Sou avesso a rótulos, especialmente nesse aspecto. Mas do ponto de vista conceitual, a social democracia ou democracia cristã, em que se defende a livre inciativa, a liberdade de empreender, a liberdade de criar, com respeito à garantir as condições mínimas de ascensão social, seja dando saúde, educação básica, eu me encaixaria nessa espectro do ambiente político. Mas não sou, por definição, avesso a boas soluções, sejam elas adotadas pela esquerda ou pela direita. Soluções que viabilizem o progresso da população.  

JLPolítica - Mudemos para a realidade local: o senhor acha que Estados mais pobres, como Sergipe, pagam um pato mais caro no cardápio da corrupção e deste eterno em desenvolvimento que não deslancha? 
IL -
Acho que toda vez que você pega uma comunidade menor fica mais fácil identificar os pontos que estão fora da linha, que estão divergentes numa situação de normalidade. Isso acontece em um condomínio, em um clube, em um bairro e em uma cidade. Evidentemente que quanto menor for a cidade, mais fácil fica apontar e visualizar onde estão as distorções.

UMA VISÃO DE AVÔ, PAI E FILHO
“Tanto meu avô Júlio Leite quanto meu pai Jorge Leite são pessoas que valorizaram a educação. Tive a alegria de encontrar pessoas que diziam da gratidão que tinham por eles por terem sido importantes no estímulo à educação”

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Inauguração da Brahma, ele era secretário da Indústria. Com Jorge Leite, Dona Angelina (sua mãe) e Marco Maciel, então vice-presidente da República

JLPolítica - Desde que se entende por político, inclusive com mandatos e com cargos públicos em âmbito do Estado a partir dos anos 90, o senhor se dá por plenamente satisfeito com o que pensam e o que fazem pelo futuro de Sergipe?
IL -
Se eu me dissesse plenamente satisfeito, deixaria de ser poeta (risos). Mas olhando no retrospecto da minha existência política, sem dúvida há partes que me fazem realizado, oportunidades que me fizeram enfrentar e ter conseguido aprovação, como, por exemplo, uma coisa simples que foi extremamente prazerosa, porque eu fiz política estudantil em São Paulo e fui o único presidente de Centro Acadêmico em toda a USP que não era de extrema esquerda, e o nome da nossa chapa era “Chapa Nova”, justamente porque queríamos criar uma situação de independência numa atividade estudantil, em defesa da educação, porque no futuro cada um teria condição de fazer o seu próprio caminho.

JLPolítica - Seu mandato de deputado teve sempre interlocução com as questões de educação?
IL -
Dentro desse contexto, aprovamos aqui uma lei que concedia meia-entrada a todos os estudantes de Sergipe. Passei um ano brigando por essa aprovação, porque havia uma tendência muito forte contra a aprovação, mas conseguimos aprovar e também colocá-la em prática. Fomos com estudantes universitários, do ensino médio, até os cinemas exigir o cumprimento e, graças a Deus, ela frutificou e vigorou até hoje, mesmo com modificações ao longo do caminho. Outra situação que tenho orgulho de ter enfrentado: o Estado de Sergipe, até a década de 90, tinha um tratamento diferenciado para homens e mulheres funcionários públicos. Numa mesma escola, um professor homem tinha direito a ter sua esposa dependente do Ipes e, consequentemente, ser amparada pelo serviço que o Ipes prestasse. Se fosse o contrário, a mulher que fosse a professora - e todos sabemos que elas são maioria no magistério -, o marido não poderia ser dependente. E eu consegui mudar isso na legislação, passando a exigir que fosse respeitada a Constituição, que desde de 1988 é explícita quando diz que homens e mulheres são iguais nos direitos e deveres. Então, essa foi uma vitória muito grande, porque sabíamos das dificuldades que geraria.

JLPolítica - Mas a pergunta é: o senhor se dá por contente pela forma de se pensar Sergipe pela classe política?
IL -
Hoje, se você disser “boca de forno”, vamos sentar 20 pessoas para discutir o Estado de Sergipe, você pode até conseguir aglutiná-las em dois ou três encontros num ano, mas de forma sistematizada, com discussões pautadas, dificilmente conseguirá manter esse ciclo. Já existiu aqui em Sergipe o Condese -  Conselho de Desenvolvimento do Estado de Sergipe -, uma instituição que tinha como característica reunir pessoas das universidades, da inciativa privada, para pensar o que era bom para Sergipe. E quando você tem várias pessoas pensando numa alternativa de melhorias para o futuro, vão surgindo ideias que podem e acabam sendo aproveitadas. 

OMISSÃO DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA
“A história tem os movimentos vitorianos e libertários. Toda a história da humanidade passa por ciclos. Nesse momento, a população tem a percepção de que a democracia representativa está sendo omissa, falha”

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Esteve na Alese por dois mandatos consecutivos: De 1990 até 1998

JLPolítica - O senhor sente nos nomes que pululam aí, querendo suceder Jackson Barreto - Belivaldo Chagas, Antonio Carlos Valadares, Eduardo Amorim, André Moura, Dr Emerson, Professor Dudu - algum projeto mais ancorado em nome de um Sergipe diferente?
IL -
É difícil a gente avaliar o que cada um deles pensa e quer. Evidentemente, como teoria, acredito que nenhum deles tenha um desejo diferente do que eu mesmo desejo para Sergipe. Há nuances diferenciadas. Não dá para dizer o que é melhor no pensamento de algum deles.

JLPolítica - Há riscos de o senhor não estar ao lado do grupo de Jackson Barreto no processo eleitoral deste ano?
IL -
Não. Nem risco nem falta de risco. Nossa postura política tem sido de tomar atitudes em cima de um trabalho junto a equipes que desejam realizar alguma ação, buscando espaço para realizar aquilo que penso, e tenho encontrado, de certa forma, esse espaço. O quadro que aí está posto é um quadro ainda em andamento. É claro que temos um excelente relacionamento com Belivaldo Chagas, que goza de nossa simpatia e é um dos quadro que estão postos.  

JLPolítica - O senhor não teria hoje um nome em quem votar?
IL -
Sendo a eleição neste momento, nosso voto seria para Belivaldo Chagas.

SOB O RÓTULO DA SOCIAL DEMOCRACIA
“Sou avesso a rótulos. Mas do ponto de vista conceitual, a social democracia, em que se defende a livre inciativa, a liberdade de empreender e de criar, com respeito à garantir as condições mínimas de ascensão social, me encaixaria nesse espectro”

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No Governo de Albano Franco, foi secretário de Indústria, Comércio e Turismo

JLPolítica - O senhor acredita ser imprescindível, para o grupo governista, que Jackson Barreto deixe o Governo e que dispute um mandato de senador?
IL –
Esta é uma decisão extremamente pessoal para ele. Hoje, não seria adequado desconhecer o aspecto da nova realidade do Governo Federal. Essa nova realidade demonstra cabalmente uma ascensão enorme do deputado federal André Moura. Acho que é importante a reeleição ou a eleição dele para um outro cargo, para que Sergipe tenha espaço na conjuntura nacional, como está tendo, e que ele tem conseguido aproveitar bem para alavancar conquistas para o Estado. Mas de forma alguma se pode desconhecer todo o histórico de trabalho político de Jackson Barreto, que tem também um acesso a grande parte dos políticos nacionais e uma reconhecida capacidade de luta. Essa capacidade, como senador, também poderia ser utilizada em favor de Sergipe. Então, é um nome que poderá ser senador e ajudaria muito o Estado. Eu defendo que quando os interesses de Sergipe estão em jogo, é preciso ser objetivo e não se ignorar a real situação de cada momento.

JLPolítica - Não ficou muito claro: então o senhor defende a candidatura de André Moura ao Senado?
IL –
Eu entendo que ele está com uma posição e um espaço político federal extremamente relevantes. Por isso, ele tanto poderá continuar como deputado federal, mantendo esse espaço que já mostrou que tem habilidade para ocupar, quanto poderá almejar outro cargo maior.  

JLPolítica - O senhor descarta disputar algum mandato eletivo este ano?
IL -
Tenho respondido para mim mesmo que, se tiver juízo, descarto. Mas o grande problema na política é ter juízo.

MUDANDO OS PARADIGMAS
“O Estado de Sergipe tinha um tratamento diferenciado para homens e mulheres funcionários públicos. E eu consegui mudar isso na legislação”

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Foi duas vezes prefeito de Estância. Gilson Andrade, hoje prefeito, foi seu vice

22JLPolítica - O senhor tem juízo?
IL -
Não sei (risos).

JLPolítica - Estância estaria pensando pequeno se pretendesse eleger apenas um deputado estadual em 2018?
IL -
Estância precisa ter cuidado para não deixar de eleger nenhum deputado estadual. Se houver uma divisão muito grande, corre o risco de eleger nenhum. Mas Estância tem, sim, condições de eleger um deputado e, eventualmente, até dois. Acho que Estância não deve se dar ao luxo de excessos de visão, que podem acarretar o que já aconteceu num passado recente, quando a cidade ficou sem deputado.

JLPolítica - A vice-prefeita Adriana Leite, que vem a ser a sua esposa, estaria politicamente preparada para o exercício de um mandato de deputada estadual?
IL -
Sem dúvida. Esse politicamente preparada eu coloco até pelo retrospecto de vida dela: alguém que começou a trabalhar como professora aos 17 anos, que tem uma visão religiosa e pessoal de fé baseada em solidariedade, tem embasamento mais do que suficiente para ser deputada estadual. Ela é formada em Letras pela Universidade Federal de Sergipe e em Direito pela Universidade Tiradentes, além de ter uma boa bagagem educacional e de ter tido conhecimento político durante a minha gestão, quando nos ajudou tanto como chefe de gabinete quanto na Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres, o que ela fez com muito brilhantismo, sempre levando a bandeira da mulher de forma destacada, o que é necessário para a valorização da mulher nos espaços públicos. Então, sem dúvida, ela tem todo um bom perfil.

A ARTE DE PENSAR SERGIPE
“Já existiu aqui em Sergipe o Conselho de Desenvolvimento do Estado de Sergipe, uma instituição que tinha como característica reunir pessoas das universidades, da inciativa privada, para pensar o que era bom para Sergipe”

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Já foi Tucano, como o prefeito de São Paulo, João Dória

JLPolítica - E quais as reais condições eleitorais de Adriana na disputa? Ela vai atuar, em busca da eleição, apenas em Estância?
IL -
Não. Como candidata a deputado estadual, ela deve ser votado em todo o Estado, e pela atuação dela nas redes sociais, percebemos desde já que ultrapassa enormemente as fronteiras municipais. É claro que a principal base eleitoral dela é Estância, onde as pessoas já conhecem mais de perto a atuação política dela. Mas uma atuação e um reconhecimento que abrangem todo o Estado.

JLPolítica - Por que as forças estancianas não se unem em nome de um projeto de eleição de um deputado federal?
IL -
Não é uma tradição de Estância ter agrupamentos políticos mais vinculados à candidaturas federais - acho isso até curioso. Mesmo porque nós sentimos falta de um.

JLPolítica - Quais são as carências desenvolvimentistas da cidade de Estância? O senhor acha que, industrialmente, o município parou no tempo ou avançou?
IL -
Sem falsa modéstia, podemos dizer que a parte industrial de Estância tem muito a ver com a minha atividade pessoal, porque foi como secretário de Indústria e Turismo que conseguimos trazer a fábrica da Brahma - hoje Ambev - para Estância. Foi quando eu era prefeito que conseguimos trazer a fábrica Craw. Outras dezenas de empresas, de médio e pequeno portes, foram implantadas, e implantadas de uma forma transparente. Enquanto prefeito, nós compramos terrenos, oferecemos esses terrenos à Codise para que a escolha fosse técnica e não política. Qualquer industrial que tivesse um bom projeto poderia se instalar aqui.

OPÇÃO POR BELIVALDO CHAGAS
“Sendo a eleição neste momento, nosso voto seria para Belivaldo Chagas”

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Mas era muito próximo do petista Marcelo Déda

JLPolítica - E no turismo, Estância perdeu o contrapé ou vai bem?
IL -
Tem uma situação que precisa ser resolvida, que é a questão das praias, e ela independe do gestor municipal, porque tem mais a ver com a legislação federal. Nós entendemos que não pode haver um tratamento discriminatório em relação a Mangue Seco, vizinho da Bahia, com a Praia do Saco. O Mangue Seco tem tido obras com recursos federais que melhoram as condições gerais de recepção turística e aqui, Estância está com as construções proibidas, porque é o que a legislação federal preconiza. Mas essa legislação precisa ser mudada, criando zonas de preservação de manguezais, fauna e flora, mas também permitindo que haja regiões de desenvolvimento, porque o turismo continua sendo um dos vetores de desenvolvimento que menos males causa ao meio ambiente. E se a gente quer - e precisa - do desenvolvimento com indústria, também precisamos do lazer, porque cada vez mais as populações têm mais tempo para usufruir. Precisamos, então, pensar no futuro.

JLPolítica – Qual é o conceito que o senhor tem da gestão do prefeito Gilson Andrade, de Estância?
IL -
O prefeito Gilson Andrade tem apenas um ano de gestão. É pouco tempo. Mas completou esse um ano ao lado da vice-prefeita Adriana com uma belíssima festa na Praia do Abaís, no Réveillon. E o que é interessante: valorizando os artistas de Estância e de Sergipe. Foi realmente muito gostoso, num clima de harmonia, demonstrando, nesse final de ano, que foi um ano proveitoso. Mas acredito que ele quer muito mais, assim como todo cidadão.

JLPolítica - O prefeito Gilson Andrade costuma trocar ideias com o senhor, lhe ouvir de quando em vez, em questões universais do município?
IL –
Não vou aproveitar sua entrevista para dar nenhum recado a ele (risos). Mas é sempre um prazer conversar com ele, dar sugestões. E quando isso acontece, tenho o respeito e o cuidado de evitar dizer do meu ponto de vista, até para não parecer que a gente está querendo fazer intervenção na gestão dele - o que ele não aceitaria. 

JUÍZO DE ESTÂNCIA NA DISPUTA PELA ALESE
“Estância precisa ter cuidado para não deixar de eleger nenhum deputado estadual. Se houver uma divisão muito grande, corre o risco de eleger nenhum”

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Foi recepcionar e agradecer o que Lula fez por Estância, quando o líder petista esteve na cidade

JLPolítica - O senhor acha que Gilson Andrade soma-se com a pré-candidatura de Adriana Leite?
IL -
Acho que é o natural, e ele até já explicitou isso em entrevistas.

JLPolítica - Os volumes de negócios da Sulgipe cresceram, mantiveram-se estáveis ou caíram em 2017?
IL –
Foi um ano muito difícil, um ano de redução não apenas na Sulgipe, mas em toda a região Nordeste, especialmente na área industrial tradicional. Tivemos a questão da cerâmica, por exemplo, de Itabaianinha, que, por sua vez, reduziu a produção em função da crise na construção civil.

JLPolítica - A quantos usuários a Sulgipe atende hoje e quantos empregos diretos gera?
IL -
São mais de 120 mil consumidores e temos mais de 600 colaboradores. 

PREPARO DE ADRIANA LEITE PARA ALESE
“Politicamente preparada eu coloco até pelo retrospecto de vida: alguém que começou a trabalhar aos 17 anos, que tem visão religiosa e pessoal de fé baseada em solidariedade, tem embasamento mais do que suficiente para ser deputada”

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Hoje, devota no PRB do evangélico Heleno Silva. Caminha na base de Jackson e vota em Belivaldo para próximo governador

JLPolítica – O senhor tem problema em revelar qual foi o faturamento da Sulgipe durante 2017?
IL –
Não. Foi superior a R$ 100 milhões.

JLPolítica - O grupo empresarial da sua família pensa em abrir novos negócios para além do de redistribuição de energia elétrica?
IL –
Há possibilidades na área de turismo e na de construção civil.

JLPolítica - A compulsória retirada da cena administrativa do Dr Jorge Leite, seu pai, gerou que tipo de falta?
IL -
Gerou uma falta gigantesca e insubstituível. Ele foi o fundador da Sulgipe e a dirigiu diretamente desde a sua fundação e por mais de 50 anos. Eu trabalhei lado a lado com ele por mais de 30 anos e, ainda hoje, quando vou assinar como diretor-presidente, penso que preferia muito mais assinar como diretor-gerente, como eu era, e ele como diretor-presidente. Então, é uma falta muito grande.

PATRIMÔNIO DEIXADO POR JORGE LEITE
“Ficou a coragem de enfrentar as dificuldades, mantendo uma postura ética e com tratamento uniforme, seja para o pequeno funcionário, seja para a mais alta autoridade do Estado”

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Tem fé em Adriana: "tem uma visão religiosa e pessoal de fé baseada em solidariedade, tem embasamento mais do que suficiente para ser deputada estadual", justifica

JLPolítica - O que é que de mais importante lhe ficou, como filho, dos ensinamentos dele?
IL -
Ficou a coragem de enfrentar as dificuldades, mantendo uma postura ética e com tratamento uniforme, seja para o pequeno funcionário, seja para a mais alta autoridade do Estado.

JLPolítica - Ao senhor, que é um homem que gosta de cultura e que até escreve no campo da literatura, não parece que haja um certo desprezo público pela memória cultural de Estância, com seus poetas, escritores e pintores? Não deveria haver quem cobrasse mais do setor público?
IL –
Se eu insistir nisso, vai parecer que eu estou querendo que editem meu livro (risos). Mas, falando sério, durante o período em que fui prefeito nós editamos quatro livros, se não me falhe a memória. E o prefeito atual já tem estimulado realmente atividades na área de cultura.

JLPolítica - Mas no aspecto do Estado...
IL -
A parte cultural do Estado confesso que não tenho acompanhado.

CORRUPÇÃO NO BRASIL 
"Não posso dizer que o Brasil é campeão, líder mundial sob esse aspecto, porque não vejo na índole do povo essa característica"

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Nas artes, não domina apenas a poesia: também arrisca uns passos, como bom estanciano

Assista ao vídeo

Quando prefeito de Estãncia, em seu último mandato, de 2008 a 2012, Ivan Leite presidiu a Fames - Federações dos Municípios do Estado de Sergipe. Nesta condição, ele representou os prefeitos sergipanos em audiência pública na Câmara dos Deputados sobre os problemas financeiros dos municipios. Veja o discurso dele. 

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