Interviewer e7db9f0f739c1f77

Entrevista

Jozailto Lima

Compartilhar
Cover image 6ae1950fb4728b7a

Jackson Barreto:“Ainda me frustram coisas que não posso implementar”

PUBLICADO EM  2 set 2017, 20h00

Eleito governador de Sergipe em 2014, exatamente 20 anos depois de ter quase chegado lá, numa disputa que levou a eleição para um segundo turno com Albano Franco, Jackson Barreto, PMDB, 73 anos, atingiu o posto número do Executivo sergipano num dos piores momentos da crise brasileira. “As circunstâncias de 1994 para cá são muito diferentes. O país é outro, a economia é outra, as dificuldades também são de outra ordem”, diz ele, em entrevista ao JLPolítica.

Internal image 216d19c56a093db3
Atingiu o posto número do Executivo sergipano num dos piores momentos da crise brasileira.

JLPolítica - O senhor tentou ser governador em 1994, mas só conseguiu 20 depois, em 2014. Teria sido melhor ter chegado lá num tempo sem tantas dificuldades?
Jackson Barreto -
Tem uma frase do filósofo Heráclito que diz que nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio, pois na segunda vez, o rio não será o mesmo, nem tão pouco o homem. As circunstâncias de 1994 para cá são muito diferentes. O país é outro, a economia é outra, as dificuldades também são de outra ordem. E eu mudei também. Não nas convicções, mas na forma de enxergar muitas coisas, de um jeito que só a experiência do passar dos anos pode nos mostrar. Minha eleição é um acerto de contas com uma geração que quando jovem lutou muito e sonhou com um país livre, democrático, mais justo. Confesso que eu sabia que enfrentaríamos momentos difíceis, mas eu não esperava que o país fosse sair de um patamar de crescimento como vínhamos tendo até 2014 para um PIB negativo por dois anos seguidos, 2015 e 2016. Isso afetou muito negativamente as contas públicas, gerou desequilíbrio e impactou muito fortemente em nosso planejamento estratégico que precisou ser revisto pela falta de recursos para tocarmos todas as políticas públicas que tínhamos desenhado, mas que não puderam ser realizadas pela falta de recursos. Tenho a consciência de que, se por um lado, cheguei ao governo no momento errado para quem possui minha história de lutas pelos direitos sociais, mas, ao mesmo tempo, na hora certa por Sergipe, pois é durante as piores tempestades que os barcos precisam dos seus comandantes mais experientes para não deixar o navio naufragar. Vamos superar essas dificuldades, mas a custa de muitos sacrifícios.
 
JLPolítica – O que tem sido possível empreender de dezembro de 2014 até agora lhe contempla, lhe realiza, enquanto governador?
NB - Não totalmente. Ainda me frustram algumas coisas que, por causa da crise, não estou podendo implementar. Como projetos nas áreas sociais que gostaria de realizar, pela minha proximidade maior com o povo mais pobre. Meu governo é de todos, mas minhas prioridades são para os mais pobres. Tenho buscado atender as demandas daqueles que mais precisam do poder público, mas sei que posso fazer mais, e vou buscar fazer enquanto tiver forças. Se estou implementando 14 escolas profissionalizantes em todas as oito regiões do Estado, é por que sei aonde quero chegar. Sei da riqueza que é oferecer a oportunidade de uma profissão para um jovem filho do povo, para que ele possa agarrar essa que talvez seja sua única oportunidade de ascensão social. Da mesma forma, o ensino de tempo integral que está sendo responsável por altos índices de aprovação de alunos da rede pública nas universidades. Eu acredito na educação pública e na nossa juventude, e mesmo com tantas dificuldades, direciono meus esforços para eles. Estamos desenhando alguns projetos importantes na área social que pretendo implementar ainda no meu mandato. Essa é a minha praia.

DIFICULDADES
É durante as piores tempestades que os barcos precisam dos seus comandantes mais experientes para não deixar o navio naufragar. Vamos superar essas dificuldades, mas a custa de muitos sacrifícios”


JLPolítica – O senhor deixará aplicados todos os recursos do Proinveste até 31 de dezembro de 2018?
JB - Sim. O Proinvest é um projeto estruturante de médio e longo prazo e possui duas etapas. A primeira já está quase que totalmente aplicada, e assim que finalizarmos alguns investimentos, que estão em andamento, iremos iniciar a segunda fase. Vamos deixar todos os projetos senão acabados, em andamento. Do Proinvest já foram entregues as obras do Centro Administrativo Governador Augusto Franco, na Zona Oeste de Aracaju, na qual foram investido R$ 18.726.873,43; o Mercado Municipal de Lagarto, um investimento de R$ 19.150.000; infraestrutura da avenida Tancredo Campos, loteamento Santa Tereza e adjacências, no qual foram investidos mais de R$ 18 milhões; o contorno rodoviário norte da sede do município de Itabaianinha, um investimento de R$ 11.796.607,16. Também foi entregue o acesso ao povoado Calumbi, a Orla do São Braz, ambas em Nossa Senhora do Socorro; a rodovia SE-427, a Rodovia do Arroz, que liga os povoados Santa Cruz e São Miguel, em Propriá; a terraplanagem do Hospital do Câncer, em Aracaju e a pavimentação asfáltica de ruas, também em Socorro. Foram investidos mais de R$ 916 mil nos perímetro irrigados da Cohidro, uma parte dos recursos do Centro Estadual de Educação Profissional Governador Seixas Dória, em Socorro e investimentos para aquisição de equipamentos da rede de Saúde do Estado. Em execução, temos as rodovias de Itabaiana a Itaporanga e Pirambu a Pacatuba, e a grande obra do Ceasa em Itabaiana.

JL – Qual legado o senhor quer deixar na sua passagem pelo governo para a Educação?
JB - Tudo o que eu sou devo a educação que minha mãe, dona Neuzice, me deu em casa e da instrução que recebi nos bancos das escolas públicas. Eu sei na pele a importância da escola pública como instrumento de ascensão social das camadas mais pobres da sociedade. Muitas vezes a única chance dessas pessoas. Então eu invisto bastante. Na construção e reformas de escolas profissionalizantes, já investimentos R$ 76 milhões. Encontramos Sergipe com duas escolas profissionalizantes estaduais. Vamos deixar 16, nas diversas regiões do Estado, sempre levando em consideração a vocação econômica de cada região, a exemplo da primeira escola profissionalizante do Brasil em área de assentamento, que construímos no povoado Queimadas, em Poço Redondo, que está oferecendo cursos ligados às áreas agronômicas para os filhos do povo. Essa escola me dá muito orgulho. Além disso, já entregamos quase 80 escolas, entre reformadas e novas, em um investimento de mais R$ 100 milhões. No ensino integral, que já provou pelos resultados apresentados que tem capacidade para deixar nossos alunos no mesmo nível competitivo com as escolas particulares, a exemplo do Atheneu Sergipense, que aprovou uma aluna em primeiro lugar na USP, e centenas em diversas universidades pelo Brasil afora, saímos de três para mais de 30. São muitos avanços na área da educação. Estamos fazendo nosso dever de casa.

53583e4a334410a8
Eleito governador de Sergipe em 2014, exatamente 20 anos depois de ter quase chegado lá, numa disputa que levou a eleição para um segundo turno com Albano Franco, Jackson Barreto, PMDB, 73 anos

JLPolítica - Mas qual é a marca do seu Governo? Pelo que Jackson Barreto será lembrado dentro de mais 10 ou 20 anos como ex-governador?
JB - Minha marca é o social. Sempre foi. As obras do nosso governo são voltadas para atender ao povo mais pobre. Eu lhe pergunto: quando construímos e reformamos as escolas públicas, como eu citei há pouco, a quem é que beneficiamos? Quando investimos na saúde pública, a quem é que beneficiamos? Estamos construindo um centro de referência para tratamento de pessoas com qualquer tipo de deficiência, seja física ou mental. O rico tem recursos para tratar seus filhos, mas o povo pobre não. Quantas famílias nas periferias das cidades, e até mesmo na zona rural, possuem pessoas com deficiências dentro de suas casas sem poder oferecer nenhum tipo de tratamento? Agora vai poder. Estamos construindo o Hospital do Câncer, mesmo com todos os problemas que a construtora está dando. Fizemos um convênio com a Clinradi, que vai oferecer tratamento de radioterapia com um dos melhores equipamentos do mundo, para pessoas que não podem pagar e fazem tratamento contra o câncer pelo SUS, acabando com aquelas filas de espera. Nós tivemos a coragem de enfrentar esse problema. Estamos construindo um novo bunker no Huse para um novo equipamento de radioterapia que está em uma fase bastante adiantada e que pretendemos inaugurar ainda esse ano. Estamos comprando 30 ambulâncias do Samu com recursos próprios, mesmo com essa obrigação, perante a Lei que criou o Samu, sendo do Governo Federal, mas como não vem mesmo, vamos fazer esse investimento, além de estarmos consertando as ambulâncias que estão em uso, para que elas possam ter melhores condições para rodar. Nessa semana que passou fui visitar as obras da antiga Maternidade Hildete Falcão, que após dez anos de fechada, iremos reabrir à custa de muitos sacrifícios. Pense numa reação altamente positiva que tivemos da própria classe médica. Temos a certeza de estarmos fazendo o nosso melhor para ajudar as famílias carentes do nosso estado. Como eu disse, o rico tem plano de saúde. Pode pagar exames e hospitais privados, os pobres dependem desse trabalho para ter acesso à saúde.

JL - O senhor já falou da educação e da saúde, mas e a segurança? O que fazer com esse grave problema?
JB -
A violência é uma doença social grave. A sociedade precisa parar e refletir as causas dessa doença. Só no primeiro semestre desse ano, foram assassinadas mais de 28 mil pessoas no Brasil. A previsão dos especialistas é que poderemos passar de 60 assassinatos nesse ano. É uma guerra civil deflagrada nas ruas do nosso país e as causas são conhecidas, são crimes ligados às drogas e às armas, que pela Constituição Federal são crimes que devem ser combatidos pelo Governo Federal e não vemos políticas públicas específicas voltadas para esses crimes, seja no combate efetivo ao contrabando nas fronteiras do país que estão abertas. Isso estoura aonde? No colo dos governadores de Estado que precisam fazer a sua parte e suprir essa falta de efetividade do Governo Federal em combater os crimes ligados às drogas e às armas. Outro fator gritante no aumento da violência é a desigualdade social. Vivemos num país altamente desigual, com concentrações de renda nas mãos de poucos, enquanto a grande maioria da população fica com quase nada. Outros fatores que agravam a violência, a falta de uma melhor estrutura familiar, falta de políticas públicas voltadas para que os jovens possam ocupar suas mentes em coisas saudáveis ao invés de estar envolvidos em coisas erradas. Passa também pela melhoria da educação, da saúde, da economia para gerar mais oportunidades. Para sermos realistas, uma segurança mais consolidada em nosso país, só vai vir quando conseguirmos resolver esses problemas, mas não vai ser por causa disso que iremos adotar uma postura de inércia nem de conformismo e dizer “ah, não tem jeito mesmo”, e ficar por isso mesmo. Ao contrário. Nosso governo teve a coragem de fazer concursos para as policias militar e civil, que há mais de dez anos não fazia. Já convocamos 1,3 mil novos soldados para a PM e mais de 200, entre agentes e escrivães para a Polícia Civil, todos para reforçar os municípios do interior. Fizemos pela primeira vez na história de Sergipe um concurso para peritos. Investimos em comunicação digital. Hoje Sergipe é o único estado brasileiro onde 100% dos municípios são atendidos por comunicação digital integrando todas as forças da segurança pública. Temos a ajuda da Força Nacional que veio juntar seus esforços com nossos competentes policiais militares e civis. A Força Nacional já iria embora essa semana, mas eu consegui prorrogar até 31 de dezembro. Com tudo isso, conseguimos sair do estado mais violento para o estado que mais conseguiu diminuir os índices de violência no Nordeste e o quinto do país. Quem disse isso não foi nosso governo não, apesar de que temos as estatísticas mais confiáveis, mas o jornal O Estado de São Paulo que fez um levantamento do mapa da violência do país. Estados que vinham bem, como Pernambuco e Alagoas, tiveram uma regressão, mas nós conseguimos avançar e temos as maiores reduções graças a competências das nossas policias, do trabalho de inteligência aliado aos investimentos que fizemos e a um planejamento minucioso.

DISCUSSÃO POLÍTICA
Estamos atravessando problemas administrativos gravíssimos e não estamos tendo tempo de fazer discussões de ordem política. É possível que possamos iniciar algumas conversas agora na segunda quinzena de setembro”

JL – Além dessas três áreas principais, Educação, Saúde e Segurança, quais outras áreas do seu governo que o senhor acha que também merecem destaque?
JB
- Temos ações em todas as áreas. Por exemplo, quando doamos sementes de arroz e milho de qualidade e alta produtividade para os pequenos produtores rurais, quem é que beneficiamos? Sergipe esse ano vai bater recordes em produção de grãos e uma parte isso é graças a esse trabalho que realizamos para os pequenos, aqueles que vivem da agricultura familiar. Da mesma forma, quando investimos R$ 8 milhões por ano no programa Mão Amiga, a quem é que beneficiamos? Os catadores de laranja da região Sul e Centro-Sul, os cortadores da cana-de-açúcar das regiões leste do Estado, Barra do Cotinguiba, Vale do Japaratuba e Baixo São Francisco. Temos o projeto Dom Távora, onde já investimos mais de R$ 9 milhões atendendo mais de mil famílias. São pequenos produtores rurais. Nós injetando recursos direto na veia dessas pessoas que mais precisam, incentivando os arranjos produtivos e o empreendedorismo dessas pessoas que estão tendo a oportunidade de aprender a beneficiar aquilo que produzem, agregando valor, e recebendo mais por isso, melhorando sua vida através de mais ocupação e mais renda. Quantas coisas falamos aqui apenas voltadas para esse povo mais pobre? Fora tudo que estamos fazendo no Estado como um todo, afinal, governamos para todos. São mais de 2,2 milhões sergipanos. Quando escreverem minha biografia, tenho a convicção que será a história de um homem público que dedicou sua vida aos mais pobres.


JLPolítica – Impacta sobre o senhor em grau ver o Estado pagando salários a servidores da ativa ou aposentado com uma certa irregularidade?
JB - Fortemente. Já disse reiteradas vezes e não tenho problema nenhum em dizer que me sinto humilhado. Nenhum governante que tenha coração, sente-se confortável com uma situação como essa. Mas pergunto: fui eu que criei essa crise? Fui eu que criei esse monstro que é o déficit da Previdência que mês a mês retira recursos dos cofres públicos mais de R$ 100 milhões? Já existem 12 Estados brasileiros atrasando ou parcelando os salários dos servidores. Isso é muito ruim. Machuca, mas estou trabalhando sem descanso pra buscar amenizar esse problema e não permitir que Sergipe entre num ciclo muito pior, como estão Estados ricos como o Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

D8b393dfa0602bd0
“As circunstâncias de 1994 para cá são muito diferentes. O país é outro, a economia é outra, as dificuldades também são de outra ordem”, diz ele

JLPolítica - Independe do seu interesse ou poder dar uma manutenção a contento a todas as estradas de Sergipe?
JB - Estamos trabalhando para resolver essa questão também. Tivemos um período de muitas chuvas. Danificou muito nossas estradas, principalmente porque algumas delas são muito velhas, possuem mais de 20, 30 anos. Agora, que estamos num período mais estiado, estamos em plena operação tapa-buracos em diversas regiões do Estado. Temos agora um projeto de grande porte para construirmos uma extensão muito grande de rodovias, que precisam de um trabalho de base, profundo, retirar o asfalto antigo e colocar um novo, alargar as pistas e implantar acostamentos. Em breve, teremos muitas novidades nessa área com esse projeto que vai nascer na região de Itabaiana e Moita Bonita, passar por Campo do Brito, São Domingos, Lagarto, Riachão do Dantas, Tobias Barreto, Poço Verde, Simão Dias e Pinhão.

JLPolítica – O senhor diria o que a quem acusa o Estado de uma certa falta de planejamento maior e melhor?
JB - É uma política mesquinha. Ficam repetindo pra ver se vira verdade. Temos um planejamento estratégico em curso que foi elaborado pelos gestores que ocupam cargos de comando em nosso governo. Esse planejamento virou um documento que serve de guia para nossos gestores. É evidente que todo planejamento é dinâmico, e ele está sendo revisado constantemente, por causa dos cenários macroeconômicos que mudam a todo momento que faz com que tenhamos que revisar metas, realocar recursos, priorizar, cortar, enfim, fazer gestão pública com responsabilidade. A oposição está numa posição cômoda ao criticar. É o papel dela buscar gerar desgaste político ao nosso grupo que está governando no momento da maior crise dos últimos cem anos. Mas ainda bem que Sergipe não está sendo governado por eles. Já teríamos naufragado, como alguns Estados que estão no fundo do poço. Temos, sim, planejamento, direcionadores estratégicos que apontam o caminho para a aplicação de políticas públicas que estamos colocando em prática, trabalhando, fazendo a caravana passar, enquanto eles olham.

PELO SOCIAL
Minha marca é o social. Sempre foi. As obras do nosso governo são voltadas para atender ao povo mais pobre. Eu lhe pergunto: quando construímos e reformamos as escolas públicas, a quem é que beneficiamos?”

 JLPolítica – O senhor disse em junho a este Portal que agosto seria o mês limite para decidir um avanço na ormatação de sua sucessão. O que pode acontecer a partir de setembro, enfim?  
JB -
Estamos atravessando problemas administrativos gravíssimos e não estamos tendo tempo de fazer discussões de ordem política. É possível que possamos iniciar algumas conversas agora na segunda quinzena de setembro com todo grupo aliado. Tenho conversado separadamente com alguns companheiros e acho que as coisas estão evoluindo naturalmente, mas é que os problemas administrativos se agravaram e tiraram da gente as condições de fazer discussões politicas. Minha cabeça está voltada para a gestão.

JLPolítica – O senhor há de convir que tudo depende da sua opção pessoal de ficar ou não no Governo. De disputar ou não o Senado. Como está a sua decisão frente a isso?
JB –
Num primeiro momento, eu reagia. Não queria nem ouvir falar na ideia de ser candidato ao Senado Federal. Existe um movimento que tenta me convencer a disputar. Percebo que esse movimento vem crescendo não apenas pelos amigos e aliados, mas também pelas pessoas do povo na capital e no interior. Recebo muitas manifestações nesse sentido que estão me fazendo refletir sobre os motivos. Antes eu não aceitava nem conversar, mas hoje já converso. Troco ideias sobre essa possibilidade. 

B948d1f3a6e4137e
JB não cede às críticas dos que acusam seu Governo de falta de planejamento

JLPolítica - Se não for Belivaldo Chagas a opção do PMDB, poderia ser quem?
JB -
Todos sabem que Belivaldo Chagas é o vice-governador do Estado e é o nome que está sendo discutido. Vamos reunir nossos companheiros e iniciar as conversas. Uma coisa eu tenho certeza: vamos unir nosso grupo para disputar, e estaremos todos unidos e coesos em torno de um nome para ganhar.
 
JLPolítica - Mas convenhamos: permanecer peemedebista com Temer alinhado ao PSDB para 2018, e o senhor naturalmente desalinhado em relação a ele, não lhe é algo um tanto conflitante? 
JB -
O PMDB em Sergipe terá um rumo totalmente diferente do PSDB.

BELIVALDO
Todos sabem que Belivaldo Chagas é o vice-governador do Estado e é o nome que está sendo discutido. Vamos reunir nossos companheiros e iniciar as conversas. Uma coisa eu tenho certeza: vamos unir nosso grupo para disputar”

JLPolítica - Qual foi a leitura que o senhor fez do Anuário Socioeconômico da UFS, no qual Sergipe aparece com uma fotografia amarrotada do ponto de vista do desenvolvimento?
JB -
Esse anuário aponta algumas coisas interessantes que precisamos analisar, mas possui muitas falhas também. Dizer que diminuímos em 67% os números de leitos nas unidades de saúde pública de 2009 pra cá, é algo que não possui respaldo na realidade. Na verdade, esses números cresceram, pois construímos os hospitais de Lagarto e Estância, reabrimos o de Propriá, Socorro, São Cristóvão, ampliamos os leitos em Itabaiana, inclusive com leitos de UTI, construímos uma nova UTI no Huse, saindo de 17 leitos para mais de 90 quando somados os infantis. Na área de saneamento básico, implementamos em diversos municípios do interior e mais que dobramos a cobertura em Aracaju que com os investimentos que já fizemos entre outros que estão em andamento irão deixar nossa capital com mais de 90% de localidades atendidas. Podemos apontar outras situações que discordamos na metodologia. O anuário compara muitos indicadores com a média nacional e achamos que para ser mais justo deveria comparar Sergipe com os Estados do Nordeste. Um exemplo é o da mortalidade infantil, que Sergipe foi o Estado que mais diminuiu no Nordeste. Mas somos comparados com Estados muito mais ricos e aí o anuário mostra que comparados a esses, não caímos tanto assim. Mas caímos.

E4474fc9647f2255
"Mas ainda bem que Sergipe não está sendo governado por eles. Já teríamos naufragado, como alguns Estados que estão no fundo do poço”, diz JB

HOSPITAL DO CÃNCER
“Já houve uma paralisação (nas obras do Hospital do Câncer) e uma ameaça de paralisação que notificamos, ambas sem motivo. Estamos notificando as paralisações e falhas, e vamos entrar na Justiça. Se a empresa não cumprir com o que rege o contrato, iremos rescindir”

JLPolítica – Afinal, o Estado de Sergipe rescinde ou não o contrato de licitação com o Consórcio Honcose na construção do Hospital Especializado em Câncer Governador Marcelo Déda Chagas? Não seria aconselhável reparar o mal no começo que vê-lo degradar mais à frente? JB - Eu denunciei. Não fui omisso. Infelizmente, vivemos em um país regido por leis anacrônicas. Eu fui pessoalmente em Brasília, no gabinete do ministro-substituto do TCU, Weder de Oliveira, que foi o relator do processo que julgou o edital da licitação do nosso Hospital do Câncer, denunciar que o pior poderia acontecer. Mas não fui ouvido. Eu deixei uma correspondência com o ministro, demonstrado que uma das empresas do consórcio que ganhou a licitação está em recuperação financeira judicial. De nada adiantou. O absurdo é que a Lei de licitações estabelece que mesmo o poder público sabendo de antemão que aquela proposta apresentada não tem viabilidade de ser executada, tem que contratar desde que a empresa tenha cumprido todos os requisitos legais e as regras do edital de licitação. Nós tentamos deixar o edital mais específico para que apenas empresas com know-how e condições de pegar a obra do porte do Hospital do Câncer pudesse concorrer, mas o ministro do Tribunal de Contas da União mandou tirar e abriu a porteira para que qualquer empresa sem as qualificações necessárias pudesse concorrer. Resultado, um consórcio com uma empresa quebrada, sem capital de giro, mergulhou no preço da obra e ganhou por um valor muito abaixo do mínimo estabelecido pelo edital. Infelizmente, esse consórcio não tem condições de fazer a obra. Já houve uma paralisação e uma ameaça de paralisação que notificamos, ambas sem motivo. Estamos notificando as paralisações e falhas, e vamos entrar na Justiça. Se a empresa não cumprir com o que rege o contrato, iremos rescindir.

8c398f1698c96b3d
"Temos um planejamento estratégico em curso que foi elaborado pelos gestores que ocupam cargos de comando em nosso governo" , defende