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Entrevista

Tanuza Oliveira

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Jackson Barreto diz que volta por ter muito ainda a fazer por Sergipe e pelo Brasil

Publicado em 8  de setembro de  2018, 20:00h

Com uma memória ativadíssima, não fugindo ao debate das dificuldades que enfrentou, Jackson não acolhe o título de pior governador de Sergipe e põe em questão as fragilidades de André Moura, Valadares pai e filho e de Eduardo Amorim. “Tenho certeza de que o povo sergipano não vai julgar Jackson Barreto apenas por esse mandato de governador”, diz

Há quatro anos, seria quase inimaginável que Jackson Barreto de Lima, MDB, estivesse entre os candidatos deste pleito e, consequentemente, sendo entrevistado por este Portal nessa condição. 

É que, naquela ocasião, ele anunciou que estaria se aposentando da atividade política e que jamais se candidataria novamente, chegando a fazer o seguinte apelo: “não votem em mim se eu me candidatar”.

Hoje, Jackson tenta se desvencilhar do que considera uma decisão acertada à época, mas que precisou ser alterada em virtude da atual conjuntura política do país, que, na opinião dele, saiu do caminho do Estado Democrático de Direito.

“O golpe que tirou Dilma do poder nos levou a tomar posição. Quem combateu a ditadura militar com a coragem que tivemos, não podia ir para casa, acomodado, depois de ver, inclusive, a injustiça feita com o presidente Lula. Está na hora de os guerreiros voltarem a assumir o seu papel”, justifica Jackson Barreto.

Mas é claro que a oposição usaria as palavras de JB contra ele mesmo durante a campanha. Porém, o candidato não parece preocupado com isso. “Caberá a nós, com a campanha, explicar ao povo que quando falei aquilo o país vivia uma situação política diferente da de hoje. E o momento de hoje exige que os homens que têm experiência e coragem partam para a linha de frente”, reforça. 

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Em 2010, na reeleição Déda ao Governo, foi o vice. A chapa reunia Eduardo Amorim e Valadares para o Senado
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Diz tem o apoio dos movimentos sociais. Cita o MST

VOLTOU ATRÁS EM NÃO SE CANDIDATAR
“O Brasil mudou do momento em que eu falei que não seria mais candidato para o atual. Naquela época, estávamos num Estado Democrático de Direito e minha mudança ocorreu porque o país saiu desse caminho. O golpe que tirou Dilma do poder nos levou a tomar posição”

JLPolítica – O que o fez voltar atrás na decisão de não mais disputar uma eleição?
Jackson Barreto –
O Brasil mudou do momento em que eu falei que não seria mais candidato para o momento atual. Naquela época, estávamos num Estado Democrático de Direito e minha mudança ocorreu porque o país saiu desse caminho. O golpe que tirou Dilma do poder nos levou a tomar posição. Quem combateu a ditadura militar com a coragem que tivemos, não podia ir para casa, acomodado, depois de ver, inclusive, a injustiça feita com o presidente Lula. Está na hora de os guerreiros voltarem a assumir seu papel.

JLPolítica – O senhor acha que foi um comunicado precipitado?
JB –
Não foi, porque eu não tinha a visão de que o país atravessaria essa situação política que atravessa hoje. O país foi praticamente destruído do ponto de vista da ética, da economia, dos valores. E o povo não ia admitir que eu fosse para casa nesse momento.

JLPolítica – O que o leva a crer que as pessoas vão ignorar o seu pedido de que não votassem no senhor?
JB –
Elas não vão ignorar, isso está no consciente coletivo. Mas caberá a nós, com a campanha, explicar ao povo que quando falei aquilo o país vivia uma situação política diferente da de hoje. E o momento de hoje exige que os homens que têm experiência e coragem partam para a linha de frente. Esse é o meu pensamento. 

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Com os problemas de saúde de Déda, assumiu o Governo por diversas vezes, até se efetivar

O QUE AINDA PODE FAZER NA POLÍTICA
“Nesse exato momento, o que há por fazer é a reconstrução democrática do país. Lutar como lutei pelas Diretas, contra a ditadura enquanto preso político, por acreditar num sonho de liberdade e no bem-estar social do nosso povo. O país regrediu com o golpe que aconteceu com Dilma, e isso faz com que a gente retome o gosto pela vida pública”

JLPolítica – O senhor já foi prefeito, deputado, governador, vice-governador e agora concorre ao Senado. O que acha que ainda há por fazer?
JB –
Nesse exato momento, o que há por fazer é a reconstrução democrática do país. Lutar como lutei pelas Diretas, como lutei contra a ditadura militar enquanto preso político, por acreditar num sonho de liberdade e no bem-estar social do nosso povo. O país regrediu com o golpe que aconteceu com Dilma, e isso faz com que a gente tenha vontade e retome o gosto pela vida pública, porque se nós não colocássemos a nossa candidatura ao Senado, elegeríamos quem? As pessoas comprometidas com essa situação, com o golpe que foi dado? Com a destruição do Estado Democrático de Direito? Então as pessoas que têm uma linha política diferente têm que estar na linha de frente para ocupar esses postos e fazer com que o país não retome apenas o seu crescimento, mas também ao Estado Democrático de Direito e a manutenção das conquistas sociais.

JLPolítica – Como o senhor recebe o título que a oposição e outros setores lhe deram de “o pior governador que Sergipe já teve”?
JB –
A grande maioria dos que me dão esse título está comprometida com a corrupção. Eu tenho orgulho de dizer que fiz um governo ético, sério, respeitador do dinheiro público. Esta é uma grande marca do governo Jackson Barreto. Por isso, desafio que provem que não fui um governador que muito organizou, porque eu tenho convicção disso. Fiz muito por Sergipe e desafio meus adversários a percorrerem o Estado, município por município, porque fizemos diversas obras e obras com ética, comprometidas com o social e que construíram o desenvolvimento de cada município. Eu os desafio a provarem o contrário. Estou à disposição para ir a cada cidade e comparar o que cada um fez. Eu tenho certeza de que isso não passa de uma palavra de ordem de campanha eleitoral de quem tem o interesse de destruir a nossa imagem.  

JLPolítica - O senhor acha que lhe seria uma ingratidão, ou no mínimo injustificável, os sergipanos julgarem os seus 46 anos de vida pública apenas pelo mandato de seis anos de governador num tempo de crise?
JB –
Eu tenho certeza de que o povo sergipano não vai julgar Jackson Barreto apenas por esse mandato de governador,e sim pela história de combatente, de lutador em favor da democracia, de comprometido com os mais pobres. Vai lembrar como alguém que luta pela defesa da liberdade, da reconstrução do Estado Democrático de Direito. Nós vencemos desafios como preso político, fomos julgados nos Tribunais Militares, sempre estivemos na linha de frente na defesa dos interesses do povo brasileiro e do povo sergipano. Eu acho que o julgamento de Jackson Barreto para um mandato de senador tem o condimento de sua passagem pelo Governo, mas também das obras realizadas em todo o Estado mas, acima de tudo, de sua história de vida, de luta com o brasileiro e com o sergipano.

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Em 2014, reelegeu-se governador tendo Eduardo Amorim como principal adversário

É DO MDB, MAS NÃO APOIA TEMER
“Eu mantive a minha história, a minha coerência política. A minha vida não podia ser manchada com o título de golpista. Quem defendeu a liberdade e o Estado de Direito não pode ser cúmplice daqueles que destruíram o projeto democrático do nosso país”

JLPolítica – O senhor aposta que o peso pessoal e eleitoral de Lula nas pesquisas de opinião tem grande importância para quem esteja solidário a ele nesta campanha? 
JB –
Sim, não tenho dúvida disso. Todo marqueteiro e todo analista político falam isso, por que sabem muito da influência do presidente Lula, principalmente aqui no Nordeste. Essa é uma coisa que está muito clara para todos nós, afinal de contas, ele transformou a realidade da nossa região, melhorou as condições de vida do nosso povo, ajudou muito os Estados, transformou a vida de milhares de pessoas. Ele tem muita força e terá uma influência muito grande no processo eleitoral. 

JLPolítica - “Jackson Barreto: O povo quer, o Brasil precisa”. O senhor confia mais em qual das duas afirmativas desse seu slogan de candidato? 
JB –
Nas duas. Ambas têm o mesmo peso. Porque acho que meu nome é importante para Sergipe e para o Brasil. Você já pensou o Congresso Nacional composto por esse grupo de senadores que não têm compromisso com o Estado Democrático de Direito, com a democracia, com os trabalhadores? Quantas conquistas os trabalhadores perderam com esse cenário que está aí? Então, é preciso mudar.

JLPolítica – Que missões, emergenciais, lhe esperariam no Senado debaixo do bordão de que “o Brasil precisa” do senhor em Brasília?
JB –
Além da reconstrução da economia nacional, que está praticamente destruída, e para isso vai ser necessário ter senadores comprometidos com o projeto real de desenvolvimento, inclusive levando em conta a inclusão social que foi totalmente perdida, a da luta pela volta do Estado Democrático de Direito. É preciso recompor a nação como um todo. E esses que estão aí e os novos adversários não têm compromisso com essas teses. 

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O PSB de Valadares o acompanhou, indicando Belivaldo como vice

O POVO QUER OU O BRASIL PRECISA
“Ambas (as afirmações) têm o mesmo peso. Acho que meu nome é importante para Sergipe e para o Brasil. Você já pensou o Congresso composto por esse grupo de senadores que não têm compromisso com o Estado Democrático de Direito, com a democracia, com os trabalhadores?”

JLPolítica – Os sergipanos estão informados das reais dificuldades que o senhor enfrentou de dezembro de 2013 a abril de 2018 como governador?
JB –
Acho que a situação do nosso Estado se agravou mais depois da queda da nossa presidente Dilma. O Estado passou a sofrer muitas perseguições pelo fato de eu não ter assumido posição a favor do golpe mesmo sendo do PMDB. Eu mantive a minha história, a minha coerência política, a minha vida não podia ser manchada com o título de golpista. Quem defendeu a liberdade e o Estado de Direito não pode ser cúmplice daqueles que destruíram o projeto democrático do nosso país. 

JLPolítica – Mas os sergipanos percebem as dificuldades?
JB –
Eu não tenho a menor dúvida de que esse processo será bastante entendido pela população durante a campanha.

JLPolítica – Valendo-se da sua sensibilidade para os embates populares, o que o senhor tem tirado de lição no contato de campanha com cada um dos sergipanos?
JB –
A população anda muito descrente com o processo eleitoral, com os políticos. O que precisa é a população fazer a necessária separação entre o joio e o trigo. Hoje, o que se discute mais é a corrupção, a desonestidade, o “político ladrão”. Mas graças a Deus, eu não tenho essa mancha na minha testa, no meu mandato, no meu compromisso popular. E acho que isso levará a sociedade a refletir, porque nem todos os candidatos ao Senado podem falar como eu estou falando. 

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O PT indicou Rogério Carvalho para o Senado

SENTIMENTO COM CAMPANHA NAS RUAS
“Hoje, o que se discute mais é a corrupção, a desonestidade, o “político ladrão”. Mas graças a Deus, não tenho essa mancha na minha testa, no meu mandato, no meu compromisso popular. Acho que isso levará a sociedade a refletir, porque nem todos os candidatos ao Senado podem falar como estou falando”

JLPolítica – Qual é o grau de segurança de que o seu projeto vai dar certo e de que o senhor tomará pose no mandato de senador em 31 de janeiro de 2019?
JB –
Acho que a compreensão do povo sergipano de ter Jackson Barreto no Senado será pelo meu compromisso, pela minha história, porque sempre estive ao lado do povo brasileiro, sempre tive lado e sempre mantive a minha coerência. É isso que me dá segurança de que no momento de reflexão o povo vai chegar e pensar: nas dificuldades do país, ele sempre esteve ao lado do povo.

JLPolítica - O senhor recebe muitas críticas por pertencer ao MDB, partido que teria orquestrado o impeachment de Dilma Rousseff, de quem o senhor é aliado. Não seria mais fácil trocar de partido?
JB –
Poderia ter trocado, mas eu pensei que já no final de minha vida pública, não seria bom mudar de partido. Mas o PMDB sempre teve em seu histórico ser um movimento político e não um partido, com fundamentação ideologia. Ele não tem nada de ideologia. Eu diria que o PMDB é um aglomerado de pessoas com várias tendências ideológicas, e me cabia. E cabe. Mesmo com a minha posição diferenciada. Eu não tenho nada a ver com Temer, não tenho nada a ver com esse povo que está aí.

JLPolítica – Fisicamente, a sua energia pessoal está suficiente para ritmo de uma campanha tão curta?
JB –
Muito mais do que suficiente. Estou com disposição, com trabalho, andando, dormindo pouco... a mesma disposição. Mas agora com um pouco mais de experiência. As ruas, as caminhadas e carreatas são minha academia. E nelas me sinto bem.

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Votou duas vezes em Dilma

PORQUE NÃO TROCAR DE PARTIDO
“Eu diria que o MDB é um aglomerado de pessoas com várias tendências ideológicas, e me cabia. E cabe. Mesmo com a minha posição diferenciada. Eu não tenho nada a ver com Temer. Não tenho nada a ver com esse povo que está aí”

JLPolítica – Tem um, entre os demais 12 concorrentes do senhor, que muito lhe incomoda?
JB –
Não, eu olho os adversários e, para mim, todos são iguais.

JLPolítica – O senhor estranha o grau de críticas que o candidato André Moura tem lhe feito, depois de uma convivência harmoniosa enquanto o senhor era governador e ele líder do Governo Temer no Congresso?
JB –
A convivência harmoniosa não passou de um blefe para tirar retratinho, fotografia, dar uma roupagem nova a André Moura em Sergipe. Porque, na verdade, ele não atendeu nada dos pedidos que encaminhamos com ele e Brasília. Quer um exemplo? Temos o caso do Aeroporto Santa Maria, cujos recursos de R$ 110 milhões já estavam na conta da Infraero para fazer a reforma, na semana de assinar a ordem de serviço, o Governo Federal aparece com uma lista para serem privatizados e nessa lista constava o de Aracaju. André sabia disso, como líder do Governo. Ele estava à frente desse projeto. Não era falta de recursos, pois tínhamos a emenda de bancada de R$ 70 milhões e eu consegui com Romero Jucá mais R$ 40 milhões extras no Orçamento da União, totalizando os R$ 110 milhões. E onde estava André Moura? Se escondeu, me enganou e enganou ao povo sergipano.

JLPolítica – O senhor não subscreve a história de que ele trouxe R$ 1,5 bilhão para Sergipe?
JB –
Essa é a maior mentira de André Moura na história de Sergipe. E o desafio a mostrar onde estão esses recursos, para ele poder dizer que investiu em Sergipe mais do que o governador. Eu nunca um blefe, uma mentira, tão grande. Isso é retórica de campanha eleitoral.

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Em 2016, abraçou, e foi decisivo para a vitória, a candidatura de Edvaldo Nogueira à prefeitura Aracaju

EX-RELAÇÃO COM ANDRÉ MOURA
“Ele não atendeu os pedidos que encaminhamos com ele em Brasília. Temos o caso do aeroporto Santa Maria, cujos recursos de R$ 110 milhões já estavam na conta da Infraero quando o Governo Federal aparece com uma lista para serem privatizados e nessa lista constava o de Aracaju. Ele sabia, como líder do Governo. Me enganou e enganou ao povo sergipano”

JLPolítica – E essa retórica cola?
JB –
Não cola. É uma mentira muito grande. Ele trouxe recursos, ele ajudou. Mas dizer que trouxe R$ 1,5 bilhão? Eu quero saber onde estão esses recursos. Dizer que empenhou recursos é uma coisa. Mas isso não é garantido, porque depois da eleição esses empenhos, com a crise que o Governo Temer está vivendo, e vai querer fechar as contas, os tira de campo. Porque a gestão pode entrar na Lei de Responsabilidade Fiscal. E o Estado que tiver empenho, pode ter tudo cancelado para que as contas do Governo Federal fechem. Fica só na promessa, no discurso e no blábláblá. Por isso faço o desafio a André em termos de realizações e obras: vamos a cada município para ver quem trabalhou mais. Eu começo por Itabaiana, para saber quanto eu fiz em obras e quanto ele fez. Lagarto a mesma coisa. Eu quero é a prática. O dia a dia. A obra acontecendo, o dinheiro sendo investido e a vida das pessoas melhorando. Discurso não resolve nada.

JLPolítica – O senhor põe em dúvida o voto de Edvaldo Nogueira no senhor e em Rogério Carvalho?
JB –
Não. Não ponho. Ele já declarou publicamente, e eu acredito nele. Senão, não teria participado de sua campanha eleitoral de 2016.

JLPolítica – O senhor admite que haja uma relação de amor e ódio entre a sua pessoa e a do senador Antônio Carlos Valadares?
JB –
Não. Ele é que sempre teve um ciúme e uma inveja muito grandes de Jackson Barreto. Por diversas vezes, ele tentou boicotar uma candidatura minha ao Governo do Estado. Colocou dificuldades para mim lá em 1990. Em 1994, Valadares foi aliado porque era interessante para ele. Em 1998, criou dificuldade e na eleição passada também. Nunca foi uma convivência harmoniosa.  

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Com ele, permanece Rogério Carvalho. Agora, numa segunda tentativa de chegar ao senado. Os dois foram derrotados pela senadora Maria do Carmo Alves, do DEM: JB em 1998 e Rogério em 2014

AMOR E ÓDIO COM VALADARES PAI
“Ele sempre teve um ciúme e uma inveja muito grandes de Jackson Barreto. Por diversas vezes, tentou boicotar uma candidatura minha ao Governo, colocou dificuldades para mim lá em 1990. Em 1994, foi aliado porque era interessante para ele. Em 98, criou dificuldade. Na eleição passada, também. Nunca foi uma convivência harmoniosa”

JLPolítica – Qual é a sua tradução do modo de ser e de fazer política do homem público Antônio Carlos Valadares?
JB –
Valadares só conjuga o verbo na primeira pessoa do indicativo do presente: eu, eu, eu. Tanto é verdade, que é assim: eu e meu filho; eu e meu sobrinho; eu e minha mãe; eu e meu pai.

JLPolítica - Ele pode pagar por isso agora em 2018?
JB –
O povo é que vai julgar.

JLPolítica – Como é ter dois ex-aliados, Valadares e Amorim, como opositores?
JB -
É a roda da vida. Quando você tem um projeto político que é o mesmo projeto nacional e estadual, é natural da caminhada deixar alguns alinhados que não tenham a percepção do que é o compromisso popular. Isso já tinha acontecido em outras eleições e eu não quero aqui falar sobre as coligações que foram feitas no passado, até porque tenho que respeitar lideranças políticas que hoje não estão mais entre nós. Mas eu nunca me senti responsável pelos fatos, afinal, nós tínhamos que trabalhar numa linha de direção harmoniosa, todo o grupo político. Eu não tenho preocupação e nem olho para Valadares Filho como um político que tenha algum projeto na sua cabeça.

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E se junta Eliane Aquino. Viúva de Déda e simbolo da aliança histórica entre o PT e o MDB de Sergipe

MAS E AMORIM E VALADARES, EX-ALIADOS
“Não cabe a mim julgá-los. São pessoas que sempre tiveram uma vida de privilégios, que nunca precisaram trabalhar para sobreviver. Quando Valadares Filho se formou, o pai deu de presente um mandato de deputado federal. Acho que falta experiência nele. Amorim precisa de mais credibilidade”

JLPolítica – E ele tem o que?
JB -
Ele tem frases de efeito. Fala no novo, na idade, mas nunca teve uma experiência administrativa, nunca trabalhou na vida. É verdadeiramente um filhinho de papai. Diferentemente de mim, que tive uma infância difícil, trabalhei como balconista, fui funcionário dos Correios, tenho toda uma história. São pessoas que sempre tiveram uma vida de privilégios, que nunca precisaram trabalhar para sobreviver. Quando Valadares Filho se formou, o pai deu de presente um mandato de deputado federal. Acho que falta experiência nele. E a questão de Amorim é que ele precisa de mais credibilidade. Tanto que a grande parte dos aliados dele da eleição passada hoje faz críticas por não acreditar nele. Mas não cabe a mim julgá-los. O povo é quem vai fazer isso. Agora, o povo quer um governador que tenha experiência, que conheça a máquina administrativa e que não tenha nenhum compromisso ao seu redor com pessoas que querem o poder para se locupletar. Criticam, e podem criticar o Governo Jackson Barreto, mas de uma coisa eu tenho orgulho: não há uma sequer mancha na condução do meu Governo. E não fiz nenhum favor à sociedade, mas sim cumpri a minha obrigação. Fiz um governo ético, que respeitou o dinheiro público.  

JLPolítica - O senhor foi patrimonialista?
JB -
Não, nunca fui patrimonialista. Nunca me preocupei com patrimônio. A minha vida é viver. Ser feliz e tornar as pessoas felizes.

JLPolítica – Analisando historicamente, o senhor se sentiu lesado eleitoralmente em 1994, naquela eleição em que o senhor ganhou no primeiro turno e perdeu no segundo?
JB –
Sim, e a sociedade sabe que fui lesado. Em todos os aspectos.

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E ficou Belivaldo, "legado" do PSB, que foi seu vice, vice de Déda e tenta ser governador pela segunda vez

ROMPIMENTO DE BELIVALDO E VALADARES
“(Tive) zero de participação. O que aconteceu foi apenas a incoerência do senador Valadares, que estava dentro de um grupo político, apoiando Marina, no segundo apoiaria Dilma, nossa coligação era com o PT e ele foi apoiar Aécio Neves. Belivaldo não quis acompanhá-lo, preferiu manter a coerência de ficar com o grupo”

JLPolítica – Quanto por cento houve de colaboração pessoal do senhor no rompimento de Belivaldo Chagas com os Valadares?
JB –
Zero de participação. O que aconteceu apenas foi a incoerência do senador Valadares, que estava dentro de um grupo político, apoiando Marina. No segundo, apoiaria Dilma, porque nossa coligação era com o PT e ele, quando chegou esse segundo turno, foi apoiar Aécio Neves. Fez discurso de que Aécio era o paladino da honestidade e depois caiu com os burros, porque Aécio se mostrou altamente comprometido com a corrupção. Belivaldo não quis acompanhá-lo. Preferiu manter a coerência de ficar com o grupo. 

JLPolítica – O senhor vê algo pejorativo à sua pessoa no marketing de Belivaldo Chagas, quando diz que ele veio para recuperar Sergipe? 
JB -
Não. Não me sinto em nada atingido, porque todos nós temos a responsabilidade, seja governador, ex-governador, candidato, com o crescimento e a melhoria da qualidade de vida do povo sergipano. Por exemplo: na semana passada, o Ministério da Educação mostrou que só quatro Estados cresceram no ensino de Português e Matemática, e Sergipe foi um dos quatro – os demais foram Tocantins, Goiás e Espírito Santo. Ainda para aqueles que criticavam o Governo na área da Educação, hoje o IDEB, pela primeira desde 2005, apresentou crescimento. Em 2015, a nota foi de 2,6 e em 2017 foi para 3,1, invertendo a curva tradicional de queda na qualidade de ensino. Isso é altamente positivo. Na semana passada, Sergipe também foi destaque no desempenho com relação ao Ensino Médio. No mês passado, os dados da Segurança no país mostraram que Sergipe melhorou muito e deixou de ser considerado o Estado mais violento, passando à sexta posição, superando inclusive Pernambuco, que tinha um programa especial comandado pessoalmente pelo governador Eduardo Campos. Isso se chama política pública voltada para esses setores.

JLPolítica – E a saúde?
JB –
Também melhorou. O Huse avançou na oferta de radioterapia, hoje aquela fila enorme está quase zerada. Ainda é grande, mas caiu significativamente, em virtude da implantação da nova unidade de radioterapia de Sergipe no nosso Governo. Tinha uma unidade que foi criada no Governo de Albano Franco, há 20 anos, e nós implantamos a nova. O Huse está crescendo: criamos cem novos leitos. A Unidade de Nefrologia, que teve aquele escândalo, e o próprio então secretário admitiu o erro, serve como uma referência de conforto e respeito ao ser humano que vai fazer hemodiálise. O Estado de Sergipe reformou o Hospital Regional de Itabaiana, levamos UTI para lá. Também criamos 60 leitos de UTI no Huse, estamos reformando o Hospital Regional de Nossa Senhora da Glória... quer dizer, cresceu a educação, a saúde e a segurança, os setores mais questionados pela sociedade. Além disso, num momento de crise, de falta de confiança dos investidores, de falta de confiança na economia do pais, eu trouxe para Sergipe o maior investimento da América do Sul, a termoelétrica, um investimento de quase R$ 6 bilhões. E agimos de forma republicana, participei dos leiloes, fui ao Rio de Janeiro e a Brasília por diversas vezes, lutando pela atração dela, e hoje é uma realidade. Como eu posso ser o pior governador de Sergipe? O homem que mudou a história de Sergipe? Porque a termoelétrica será, assim como a Petrobras em 1963, um divisor de águas para o Estado. Agora, é um novo setor, produtor, e condutor do processo de desenvolvimento, porque não é apenas a termoelétrica, mas toda a cadeia produtiva de várias empresas para gerar rendar, economia e emprego para o Estado. Esse governador não pode ser o pior. 

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É do MDB, mas se opõe a Michel Temer

BELIVALDO FALA EM “RECUPERAR SERGIPE”
“Não me sinto em nada atingido, porque todos nós temos a responsabilidade, seja governador, ex-governador, candidato, com o crescimento e a melhoria da qualidade de vida do povo sergipano”

JLPolítica – Vêm de onde as certezas que lhe levam a achar que Belivaldo Chagas vai ao segundo turno e que se reelege governador?
JB –
Vem de o povo analisar a competência e a experiência administrativa, o compromisso com o futuro do nosso país, com a democracia, com a liberdade, com as conquistas sociais, porque os adversários de Belivaldo não têm nenhum compromisso de manutenção dessas conquistas, nem a experiência administrativa. Belivaldo conhece a máquina. E o futuro presidente da República, sem dúvida alguma, será um presidente aliado do governador de Sergipe, de Belivaldo. Acho que isso vai dar a ele as condições de fazer Sergipe crescer mais. 

JLPolítica - O senhor acha que seja algo espetaculoso ou vê um quê de muito real nas tantas denúncias de corrupção trazidas à público pela Lava Jato na política nacional?
JB –
Há as duas coisas. Tem questões reais e tem espetáculo. E tem o mais grave: uma justiça seletiva. Isso é que é a vergonha nacional.

33JLPolítica – O senhor acolhe com naturalidade a hostilidade da ala Articulação de Esquerda, do PT, à sua pessoa?
JB –
Que ala?

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Chama de mentiroso o líder de Temer: deputado federal André Moura

ANA LÚCIA E A ALA DISSIDIENTE DO PT
“Que ala? A mim não preocupa esse grupo. Afinal de contas, é um grupo muito pequeno, muito insignificante. As iniciativas das professoras Ana Lúcia e Ângela Melo são insignificantes pela falta de representatividade. Elas têm mais é ódio. Não sabem o que é o amor. Querem fazer política com ódio, pelo fígado”

JLPolítica – A de Ana Lúcia e os seus seguidores, por exemplo.
JB –
(Risos). A mim não preocupa esse grupo. Afinal de contas, é um grupo muito pequeno. Muito insignificante. Esse pessoal faz questão de tentar me atingir, por isso não acolho com naturalidade. Até porque as iniciativas da professora Ana Lúcia e da professora Ângela Melo são insignificantes pela falta de representatividade delas. Elas têm mais é ódio. Não sabem o que é o amor. Querem fazer política com ódio, pelo fígado. Mas quero lembrar às duas que quando eu estava nas ruas, defendendo a democracia, lutando contra a ditadura, sendo preso e julgado pelo Tribunal Militar, nenhuma delas, apesar das idades parecidas com a minha, estava lá também. Por outro lado, essas figuras foram as mesmas que fizeram o enterro e o velório de Marcelo Déda, com ele ainda vivo, mas doente. Eu nuca vi tanto desrespeito. Quem é capaz de um gesto desses, fez pouco comigo. Fez foi nada.

JLPolítica – O senhor sente cumplicidade com a sua candidatura da parte do pessoal de Rogério Carvalho, de Eliane Aquino e dos demais petistas?
JB –
Eu não estou vendo problemas. A campanha começou com alguns questionamentos, mas estou sentindo que há um perfeito entendimento, entrosamento, de todos os setores, inclusive dos movimentos sociais. Porque eu sempre fui envolvido com eles, como o MST, por exemplo, que tem por mim uma boa atenção e um bom carinho, porque meus mandatos como deputado federal foram na luta em defesa da reforma agrária e de outras pautas dos movimentos. Fui sempre aberto a eles. Nosso secretário de Agricultura, Esmeraldo Leal, foi um home que veio indicado pelos movimentos sociais. Tivemos uma convivência harmoniosa. Ele se colocou como um competente e eficiente gestor.

JLPolítica - Seu grupo faz quatro deputados federais?
JB –
Não tenho a menor dúvida disso. Nosso grupo pode fazer até mais.   

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Vota, novamente, em Lula

DO QUE SE ARREPENDE NA POLÍTICA
“A única coisa que não faria, porque não desejo viver novamente num país como a crise que vivi, é atrasar e parcelar salário de servidor. Não tive culpa dessa situação, e já pedi desculpas aos servidores, embora saiba que não foi um problema exclusivamente nosso – 14 ou 15 Estados passaram pela mesma situação”

JLPolítica – O que o senhor fez na vida pública que não faria se tivesse de reviver tudo de novo?
JB –
A única coisa que eu não faria, porque não desejo viver novamente num país como a crise que vivi, é atrasar e parcelar salário de servidor. Mas eu não tive culpa dessa situação, e já até pedi desculpas públicas aos servidores do Estado, embora saiba que não foi um problema exclusivamente nosso - 14 ou 15 Estados passaram pela mesma situação. Os governadores de Minas e Rio Grande do Sul, inclusive, estão com dificuldades na reeleição por isso. A crise nacional e a própria perseguição que nosso governo sofreu por parte de Temer me levaram a isso, porque na medida em que você tem recursos liberados pelo Governo Federal para atender às diversas carências do Estado e fazer a máquina funcionar, você pode pegar os recursos do tesouro do Estado e aplicar unicamente na folha de pagamento. Mas quando faltam e quando são cortados os recursos da União, você tem que usar o pouco que tem para atender às demandas do Estado em diversas áreas. Na hora da crise, faltaram recursos.  
 
JLPolítica - As pesquisas que seu grupo faz para consumo interno lhe deixam mais animado do que estas quem têm sido publicadas pela mídia?
JB –
Isso não me preocupa. Essa semana foi divulgada a pesquisa da Única/TV Atalaia e meu nome está disputando bem o mandato de senador.
 
JLPolítica – Qual é o grau de consideração que o senhor teve, ou ainda mantém, pelo senador Leite Neto, o líder do PSD em Sergipe nos anos 50/60?
JB –
Leite Neto é uma fonte de inspiração muito grande para mim e para minha família. Foi um político calmo, tranquilo. Apaixonado pelo seu Estado, que usou toda a sua capacidade em favor de Sergipe. Foi um brilhante deputado federal, comandou a Comissão do Orçamento da criação de Brasília, era homem de confiança de Juscelino Kubitscheck e ajudou muito o Estado com essa ligação nacional. Pena que morreu muito precocemente enquanto exercia mandato de senador. Era um grande amigo da minha família e ajudou muito a minha mãe Neuzice. Eu tenho dele muitas saudades, muitas lembranças, porque pequeno, ainda de menor idade, convivi com ele. Foi um político que na hora das dificuldades de nossa família, a mão dele nos era estendida.

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Ou Fernando Haddad, se for o caso

REFERÊNCIAS NA CENA POLÍTICA
“JK, em virtude do compromisso com o desenvolvimento do país. O Brasil tem que ser analisado antes e depois dele, os 50 anos em 5. Além dele, do ponto de vista das conquistas sociais, Getúlio Vargas foi um grande nome e mais do que todos eles, desse ponto de vista do social e contemporaneamente, Lula”

JLPolítica – Quem é a sua referência nacional na política?
JB –
Juscelino Kubitscheck, em virtude do compromisso com o desenvolvimento do país. O Brasil tem que ser analisado antes e depois dele. O crescimento em diversas áreas, os 50 anos em 5, a ida para o Centro-Oeste, com a interiorização do Brasil, as rodovias, a indústria automobilística, a geração de emprego. Enfim, ele impulsionou o país em todas as direções. E deu ao Brasil um respeito muito grande da comunidade internacional. Além dele, do ponto de vista das conquistas sociais e trabalhistas, Getúlio Vargas foi um grande nome. E, mais do que todos eles, desse ponto de vista do social e da contemporaneidade, o presidente Lula.

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Com a mãe, Neuzice Barreto Lima, e a faixa de prefeito eleito de Aracaju. Dela, diz ter herdado a vocação para a política