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Entrevista

Jozailto Lima

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Jackson Barreto: “Lula não pode falar só para o PT”

Foto de abertura: César de Oliveira


 “Não quero viver num país dominado por assassinos e milicianos”
15 de dezebro de 2019 - 8h00


No jornalismo não existe esta de “dispensa apresentação”. Dito isto, é preciso dizer-se mais: ele é Jackson Barreto de Lima, nascido no dia 6 de maio de 1944.

É advogado, foi vice-governador de Sergipe e  duas vezes governador, foi prefeito de Aracaju por dois mandatos, deputado federal durante quatro mandatos, deputado estadual e vereador aracajuano.

Do que quis e buscou nas urnas, só não conseguiu se sair bem no teste de senador. Disputou duas eleições e as perdeu - ambas em oito: 1998 e 2018. O número oito não lhe parece apontar pro infinito.  

Para a última eleição, a do ano passado, dá uma justificativa óbvia, divertida e irônica: o senhor tem uma explicação para o fato de não ter sido eleito senador em 2018? “Tenho: não fui eleito porque não tive votos suficientemente. E como sou um democrata, aceitei tranquilamente o resultado”, responde ele, entre risos.

Este é Jackson Barreto. Ou simplesmente JB. Para Sergipe, uma espécie de ACM pros baianos – ressalvada as diferenças de apreço pela democracia.

Claro: fala-se ACM no aspecto do maniqueísmo: por JB, muitos daqui nutrem afeto aberto; outros tantos, ódios e restrições às escâncaras. Como era com ACM lá.

Mas JB não está nem aí - e, pelo currículo, percebe-se que já deu braçadas largas neste oceano de querências e rejeições ao ter sido de um quase tudo em Sergipe e por Sergipe no campo político.

Engana-se, no entanto, quem pensa que o viejo JB vai pendurar as chuteiras no trono da dispensa, ou de um quarto qualquer de bugigangas da sua casa. Nada disso - ele inclusive preside a Executiva Municipal do MDB de Aracaju.

Despojado de mandato, JB está na ativa, atento a tudo que se passa na política de Sergipe e do Brasil e muitíssimo preocupado com o que ele chama de ameaças ao Estado Democrático de Direito, à democracia, vindas do modo de ser, de existir e de tocar o país de Jair Bolsonaro e de sua gente.

“Porque eu não quero viver num país governado pela extrema-direita. Não quero viver num país dominado por fascistas nem racistas, preconceituosos, e por ladrões disfarçados de gente fina. Dominado por assassinos e milicianos. E tudo isso envolve o governo de Jair Bolsonaro”, alerta.

“Nós lutamos nas décadas de 60, 70 e 80 até redemocratizarmos o Brasil contra tudo isso, e eu não esperava chegar à idade em que estou e ver tudo isso acontecer de novo no meu país”, complementa.

Mas, e qual a saída para esse tudo isso? Aí, turma da direita, arrupiai-vos: JB prescreve Lula. Jackson tem sido um quase adolescente da antiga UNE - quando havia uma boa UNE - quando a pauta é a defesa do espólio e da inocência de Lula. O isso faz com mais gana e gozo do que determinados petistas.

“Porque notei, como militante político histórico e como advogado que sou, toda a picaretagem de Sérgio Moro como juiz e de Deltan Dellagnol, como procurador do Ministério Público Federal do Brasil”, afirma.

“E eu sei perfeitamente o que é viver uma injustiça, porque eu vivi na pele essa experiência. É evidente que fui mais feliz, tenho certeza. E sabemos que nada disso contra o Lula aconteceu por acaso. Foi fruto de uma articulação política interna do nosso país com o capital internacional para afastar do povo brasileiro um líder popular que levou o país a avançar nas conquistas sociais, desagradou a elite e ao mercado”, diz.

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Pede mudança no discurso de Lula
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Apostou e obteve sucesso na aposta de fazer Belivaldo Chagas seu sucesso no Palácio Olímpio Campos

DA ARTE DE NÃO SE DEIXAR MORRER PARA A POLÍTICA
“O que me move é o respeito que tenho da sociedade e dos companheiros, que sempre me estimularam e me estimulam. Mas eu não abro alas nem tomo posições a priori. Acho que já dei minha contribuição e vou aguardar o que vier a acontecer pelo futuro”

 JLPolítica - Desde que deixou o Governo em abril de 2018, disputou no Senado e perdeu que o senhor dá sinais de que não se deixa morrer politicamente. O que, enfim, lhe move no espaço?
Jackson Barreto -
O que me move é o respeito que tenho da sociedade e dos companheiros, que sempre me estimularam e me estimulam. Aliás, se dependesse da vontade popular, os apelos que recebo para retornar à vida pública são uma coisa impressionante. Mas eu não abro alas nem tomo posições a priori. Acho que já dei minha contribuição e vou aguardar o que vier a acontecer pelo futuro.

JLPolítica - O senhor tem uma explicação para o fato de não ter sido eleito senador em 2018?
JB -
Tenho: não fui eleito porque não tive votos suficientemente. E como sou um democrata, aceitei tranquilamente o resultado (risos).

JLPolítica - A sua eventual reinserção na vida pública com disputa eleitoral passará por 2020 ou 2022?
JB -
Posso afirmar que em 2020 eu estarei participando da campanha do prefeito Edvaldo Nogueira, mas sem disputar. Em 2022 eu só serei candidato dentro de um movimento popular e democrático liderado por Lula no plano nacional. Eu quero me inserir nesse projeto nacional. Fora disso...

JLPolítica - Então, dentro desse contexto, o senhor já se admite um pré-candidato em 2022?
JB - Não. Não admito pré-candidatura ainda. Quero esperar para fazer uma análise da conjuntura e ver o que acontecerá em 2022. Não posso antecipar os fatos. De antemão, digo que o Brasil de hoje me preocupa.

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"Tudo se viabilizou no meu governo, na minha gestão - mas claro que não desconheço o papel inicial do saudoso governador Marcelo Déda", reconhece, sobre a Celse em Sergipe

RAZÕES PRA LEVANTAR TANTO O CRACHÁ PRÓ-LULA
“Porque notei, como militante político histórico e como advogado que sou, toda a picaretagem de Sérgio Moro como juiz e de Deltan Dellagnol, como procurador do Ministério Público Federal do Brasil. E eu sei perfeitamente o que é viver uma injustiça”

 JLPolítica - Por que o senhor virou um arauto quase adolescente em favor da campanha do Lula Livre?
JB -
Porque notei, como militante político histórico e como advogado que sou, toda a picaretagem de Sérgio Moro como juiz e de Deltan Dellagnol, como procurador do Ministério Público Federal do Brasil. E eu sei perfeitamente o que é viver uma injustiça, porque eu vivi na pele essa experiência. É evidente que fui mais feliz, tenho certeza. E sabemos que nada disso contra o Lula aconteceu por acaso.

JLPolítica – E aconteceu em nome de quê?
JB -
Foi fruto de uma articulação política interna do nosso país com o capital internacional para afastar do povo brasileiro um líder popular que levou o país a avançar nas conquistas sociais, desagradou a elite e ao mercado porque perderam espaços e tinham um medo de perder mais privilégios. Mas o povo avançou, o país avançou, as conquistas sociais avançaram. Fiz de tudo, não como um adolescente, a não ser pela força que tem os jovens, porque eu realmente fui com tudo. Como nordestino, eu sei como a vida do povo do Nordeste melhorou a partir de Lula. Eu sei quanta fome Lula matou no Nordeste. 

JLPolítica - Mas Lula e o PT não erraram?
JB -
Sim, cometeram erros. Não vou dizer que não. Mas eu não acredito nesse processo, na sacanagem desse Triplex, porque a Justiça nunca provou que o apartamento era de Lula. E eu aprendi em Direito que se sou o proprietário, tenho que ter o título da propriedade. Da mesma forma, o Sítio de Atibaia, cujo dono foi depor e disse que era o proprietário, que tinha a escritura. Nada disso foi levado em conta, porque eles queriam a informação de testemunhas que depusessem contra Lula. Para mim, as chamadas delações premiadas não passam de uma safadeza para atender aos interesses de quem quis afastar Lula do comando da oposição do país.

JLPolítica - O senhor não subscreve delação premiada?
JB -
Depende de quem seja o delator. Se forem picaretas envolvidos em corrupção, não subscrevo. Isso é um tapa na cara do povo brasileiro.

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Diz que Zezinho Guimarães tem comportamento desleal

MAS, E LULA E O PT NÃO ERRARAM?
“Sim, cometeram erros. Não vou dizer que não. Mas não acredito nesse processo, na sacanagem desse Triplex, porque a Justiça nunca provou que o apartamento era de Lula. Da mesma forma, o Sítio de Atibaia, cujo dono foi depor e disse que era o proprietário”

JLPolítica - O senhor não acha que Lula, ao ser liberado da prisão, perdeu a chance de um discurso pacificador em nome do Brasil e preferiu cair no ódio raso?
JB -
Eu acho que nos primeiros momentos Lula saiu ferido, carregado, mas depois ele abrandou e entendeu qual é o papel dele nesse momento.

JLPolítica - E qual é o papel dele?
JB -
O papel de Lula é o de unir todas as forças democráticas e populares. Eu aprendi nos documentos clandestinos do Partido Comunista da década de 70 que só a união das amplas forças democráticas populares seria capaz de derrotar a ditadura.

JLPolítica – Isso vale para hoje?
JB -
Eu quero dizer novamente que aqueles documentos valem para hoje, sim. O discurso de Lula tem que ser o mais amplo possível para unir todos do campo democrático e popular. Lula não pode falar só para o PT. Não pode falar de forma isolada, porque o PT tem seu percentual, mas não o elege. Então Lula precisa ampliar seu discurso com os setores populares e democráticos, trazendo para nós um projeto que o povo brasileiro possa confiar.

JLPolítica - Por que o senhor teme tanto o futuro do país sob Jair Bolsonaro?
JB -
Porque eu não quero viver num país governado pela extrema direita. Não quero viver num país dominado por fascistas nem racistas, preconceituosos, e por ladrões disfarçados de gente fina. Dominado por assassinos e milicianos. E tudo isso envolve o governo de Jair Bolsonaro. Nós lutamos nas décadas de 60, 70 e 80 até redemocratizarmos o Brasil contra tudo isso, e eu não esperava chegar à idade em que estou e ver tudo isso acontecer de novo no meu país.

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Na sua segunda tentativa de chegar ao Senado, perdeu para Alessandro Vieira, que foi delegado-geral da Polícia Civil no seu Governo

DO PAPEL DE LULA NESTA HORA
“O papel de Lula é o de unir todas as forças democráticas e populares. O discurso de Lula tem que ser o mais amplo possível para unir todos do campo democrático e popular. Lula não pode falar só para o PT, porque o PT tem seu percentual, mas não o elege”

 JLPolítica - Quais os perigos de se exaltar tanto um ato tão inconsequente e violento quanto o AI-5?
JB -
São todos os perigos. Todos nós sabemos que Paulo Guedes quer impor os projetos dele como uma ditadura econômica, ele que é fruto do modelo do Chile sob a ditadura do general Augusto Pinochet. De forma democrática o Guedes não conseguiria trazer isso para o Brasil, porque só no Chile que Pinochet conseguiu. E até o processo de redemocratização do país, o Chile carregou essa farsa, porque se concedeu liberdade política e eleitoral, mas do ponto de vista da economia foi proibido mexer na Constituição. Enquanto o Brasil teve uma Constituição cidadã, comandada por Ulysses Guimarães, no Chile, a Constituição foi deixada por Pinochet e até hoje é intocável.

JLPolítica – É irresponsabilidade social tocar no nome do AI-5?
JB –
É irresponsabilidade política e social, porque a ditadura de Pinochet tirou, como Guedes e Bolsonaro estão tirando do Brasil, recursos da educação e da saúde. Eles estão acabando com a Previdência Social, igualzinho ao Chile. E foi esse modelo que papocou o Chile de agora, e não tem quem segure.

JLPolítica – Como é que o senhor vê o PT de Sergipe anunciando para janeiro o lançamento da candidatura de Márcio Macedo a prefeito da capital?
JB -
O PT é um partido que tem estatura, que tem apelo popular, tem movimentos sociais, tem um líder forte nacionalmente e é extremamente forte no Nordeste em obviamente em Sergipe. Agora, é preciso fazer uma análise do quadro da política sergipana: se vencemos até agora, é porque sempre estivemos juntos e unidos. Dividir agora pode criar sequelas em 2020 para 2022. 

JLPolítica - O senhor subscreve a tese de alguns analistas e de políticos de que Edvaldo Nogueira está fazendo uma guinada de centro-direita?
JB -
Não subscrevo, em hipótese alguma. Não vejo isso. Até porque os compromissos populares de Edvaldo Nogueira estão muito claros com as suas obras que, por si só, falam do compromisso social dele com a cidade e os mais necessitados. Evidente que, na Prefeitura, ele fez um leque amplo de alianças para viabilizar a administração. Mas não acredito que isso seja motivo para ele mudar a sua posição. É bem verdade que aquele Edvaldo Nogueira do passado do PCdoB apresenta mudanças de pensamento político, o que não significa dizer que seja uma guinada de direita.   

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E para Rogério Carvalho, seu companheiro na chapa que reelegeu Belivaldo governador

UM FANTASMA SOB OS ESCOMBROS DE BOLSONARO
“Não quero viver num país governado pela extrema-direita. Não quero viver num país dominado por fascistas nem racistas, preconceituosos, e por ladrões disfarçados de gente fina. Dominado por assassinos e milicianos. E tudo isso envolve o governo de Jair Bolsonaro”

 JLPolítica - O senhor acha natural que ele procure deixar o PCdoB?
JB -
Acho natural. E eu já disse que entre Edvaldo Nogueira e o PT participarei da campanha de Edvaldo. Isso não significa uma posição contra o PT, mas sim de quem busca uma unidade, até porque o governador Belivaldo Chagas também já fez essa declaração.

JLPolítica - O senhor se sente um derrotado do MDB de Sergipe?
JB -
Não. Quem tem a história que eu tenho no partido, quem conheceu Jackson Barreto desde o final da década de 60 até a data de hoje, sabe que eu tive muito mais vitórias eleitorais do que derrotas. E mesmo derrotas e vitórias são naturais de quem participa de um processo democrático. Eu não tenho, na minha cabeça, esse sentimento. Não tenho formação para ditador.

JLPolítica - O senhor acha que Fábio Reis renova o MDB?
JB -
A renovação que eu acredito na política é a renovação de ideias. E Fábio Reis tem sua posição política, de homem de centro, e eu respeito a posição dele, mesmo porque fazemos parte de um partido que se chama movimento. E nesse movimento, desde Ulysses Guimarães, que havia direita, centro e esquerda, embora é bem verdade que hoje há muito mais direita do que esquerda. Mas isso não mata o MDB, até o renova. Mas desde já eu afirmo: não pretendo participar do MDB se em 2022 ele tiver na base de Jair Bolsonaro. Aí eu estarei fora.

JLPolítica - E iria pra onde? Para o PT?
JB -
Não sei ainda.

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Pede mais atenção do secretariado para com o governador Belivaldo Chagas

EDVALDO FAZ UMA GUINADA DE CENTRO-DIREITA?
“Não vejo isso. Até porque os compromissos populares de Edvaldo Nogueira estão muito claros com as suas obras que, por si só, falam do compromisso social dele com a cidade e os mais necessitados. É bem verdade que aquele Edvaldo do passado do PCdoB apresenta mudanças de pensamento político”

 JLPolítica - Por que o senhor abriu um campo de tamanha desconfiança em relação ao deputado estadual Zezinho Guimarães?
JB -
Não gosto de político desleal e a minha história já provou isso. E não gosto especificamente do comportamento desleal de Zezinho Guimarães. Ele tem como maior base eleitoral município de Itabaianinha e se você fizer um levantamento histórico naquele município vai ver que nunca houve um governador que realizou tantas obras ali quanto Jackson Barreto. Mesmo assim, Zezinho comandou a campanha contra mim ao lado do prefeito Danilo Carvalho, sendo os dois do MDB. Por trás disso, é evidente que Zezinho deve ter recebido boas ofertas. 

JLPolítica - Tendo sido governador em tempo de crise e olhando agora de fora, o senhor se julga que foi que tipo de gestor público?
JB -
Governar como eu governei, no momento de crise, me considero um sobrevivente. Porque saí com honra e tenho a consciência de que realizei um volume de obras muito grande. No levantamento de município por município, faço aqui um desafio: quero saber qual foi o governador do Estado que tenha feito tanto quanto eu. Estou disposto a esse desafio com quem quiser. 

JLPolítica - O senhor teria uma marca de Governo para chamar de sua?
JB -
Sim. Eu considero que tenho duas grandes marcas: a primeira é a termoelétrica, que já mudou a história de Sergipe, o perfil da nossa economia, garantindo o futuro do Estado. A segunda é o trabalho que eu realizei na educação pública, com a reforma de mais de um terço das escolas do Estado, de ter sido um governador que construiu mais escolas profissionalizantes na história de Sergipe, e o governador que prometeu em campanha implantar o tempo integral nas escolas e que conseguiu deixar o Estado com 45 delas de tempo integral. 

JLPolítica - O senhor se sente constrangido de ter sido governador num momento em que o Brasil quase quebra a partir de 2013, 2014? 
JB -
Sim. Principalmente pela situação financeira do Estado. Sergipe sofreu muito, porque houve um refluxo dos recursos, até mesmo dos constitucionais. Porque se o governo arrecadava menos também repassava menos. Isso me criou um desconforto que maculou a minha história sempre ligada aos trabalhadores, com o atraso no salário dos servidores. Isso foi o que mais me constrangeu, mas também só tem isso de ruim na história do meu mandato de governador. 

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Ele e Valadares estavam juntos na chapa que reelegeu Déda governador em 2010

DA RELAÇÃO COM UM ZEZINHO GUIMARÃES CHAMADO DE DESLEAL
“Não gosto de político desleal, e a minha história já provou isso. E não gosto especificamente do comportamento desleal de Zezinho Guimarães. Ele comandou a campanha contra mim (em Itabaianinha) ao lado do prefeito Danilo, sendo os dois do MDB. Por trás disso, é evidente que Zezinho deve ter recebido boas ofertas” 

 JLPolítica - Por que lhe agradou tanto que o conselheiro Ulices Andrade tivesse dito em seu discurso de troca de presidentes do TCE que a atração da Celse com a sua hidrelétrica para Sergipe vale por uma Governo inteiro?
JB -
Agradou-me demais ouvir esse reconhecimento de Ulices Andrade, porque até o presente momento nunca tinha ouvido de uma autoridade no Estado, ou de qualquer cidadão comum, tamanho reconhecimento pelo que fiz pelo Estado. Hoje, as discussões de gás nos planos nacional e internacional se devem à termoelétrica, e foi Jackson Barreto quem venceu as batalhas dos leilões, quem perambulou pelos gabinetes de Brasília e do Rio de Janeiro, quem contatou com o exterior, com empresas importantíssimas dos Estados Unidos, do Canadá, da Noruega, e viabilizou o projeto, inclusive, chegando até o ponto de ser o governador que vendeu o terreno da Codise para a implantação da termelétrica. Tudo se viabilizou no meu governo, na minha gestão - mas claro que não desconheço o papel inicial do saudoso governador Marcelo Déda, que deu os primeiros passos na discussão desse colossal projeto e muito me entristece como ser humano e político que ele não esteja aqui entre nós para colher os louros de tudo a partir de janeiro de 2020. 

JLPolítica - Quais foram os lances mais marcantes e nervosos para a viabilização da vinda da Celse para Sergipe?
JB -
Foram os da disputa dos leilões e a batalha para vencer a má vontade que existia de alguns setores para com o Estado de Sergipe. Mas tudo deu certo.  

JLPolítica - O que é que o senhor espera que ocorra no desenvolvimento do Estado de Sergipe a partir da Celse?
JB -
Na minha avaliação, Sergipe passa a viver um novo ciclo de bonança econômica, como vivemos na década de 1960 com a Petrobras. A gente inicia um novo ciclo com a termoelétrica, com a energia capaz de abastecer, segundo a própria Celse, até 18% da capacidade do Nordeste. Tudo isso vai possibilitar fazer uma discussão da política de gás, que hoje é fundamental para o desenvolvimento da economia do estado e do país, e trazer aporte de investimentos do exterior, não só para o Brasil, mas de forma específica para Sergipe e o Nordeste. Isso, sem dúvida alguma, vai mudar a história da economia Sergipe e ajudar até o próprio Brasil. Se sempre fomos importadores de gás da Bolívia, a partir de agora podermos ser até exportadores. 

JLPolítica - O senhor acha que nascerá uma nova realidade industrial nesse entorno? 
JB -
A coisa mais natural é que nasça uma cadeia produtiva ao lado da termoelétrica e das ações da Celse, aproveitando essa experiência e essa riqueza que serão trazidas. O eixo central de toda essa história é o gás de Sergipe. 

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Mas nega boatos de reaproximação ao ex-senador Antonio Carlos Valadares e pede que se leia artigo no qual o acusa pela sua interdição na primeira gestão de Aracaju

UM GOVERNO PARA CHAMAR DE SEU
“Governar como governei, no momento de crise, me considero um sobrevivente. Porque saí com honra e tenho a consciência de que realizei um volume de obras muito grande. No levantamento de município por município, faço um desafio: quero saber qual foi o governador que tenha feito tanto quanto eu”

JLPolítica - As pessoas em Sergipe apontam muita inferência do senhor no Governo de Belivaldo Chagas. Isto tem pertinência?
JB -
Não tem. Não há interferência nenhuma minha. Belivaldo Chagas é um governador de personalidade muito forte e faz um governo do jeito dele, com a cara dele, com o estilo dele. Não há interferência minha em nada.

JLPolítica - Para o senhor, Belivaldo Chagas mais erra do que acerta?
JB -
Eu posso dizer com toda sinceridade que quem viu o que aconteceu mês passado com Belivaldo Chagas, com o problema de saúde, pressão alta, sobrecarregado, o Estado com deficiência de recursos financeiros, e ele lutando muito para segurar o caixa, deve sentir a presença de mais acertos. Ainda não conseguiu realizar o sonho dele, que é pagar o servidor em dia ao invés de pagar de duas vezes, porque ele sempre lutou por isso. Mas eu acho que ele está conseguindo segurar o barco de maneira muito positiva, apesar das dificuldades que o Estado enfrentou e enfrenta, com frustração de receitas - pelos cálculos da cessão onerosa, por exemplo, Sergipe iria receber R$ 400 milhões, depois caiu para R$ 300 milhões, veio a R$ 200 milhões e, agora, a informação é a de que vai ser pouco mais de R$ 100 milhões. Com esses recursos a maior, Belivaldo havia planejado resolver o problema da Previdência, colocar o salário do servidor em dia e reconstruir as rodovias sergipanas, que são o calcanhar de Aquiles.

JLPolítica - Politicamente, o senhor não acha o governador solitário?
JB –
Não, não acho. Porém, acho que na verdade os secretários dele precisam acompanhá-lo mais. Precisam demonstrar mais presença, porque um governador se sente forte quando seus secretários e assessores imediatos estão ao seu lado. Eles precisam acompanhar e ser mais solidários. Belivaldo precisa dessa força, desse carinho e dessa compreensão, porque se num momento difícil você olha para um lado, olha para o outro e vê os companheiros ali, não tenha dúvida, você se sente fortalecido.

JLPolítica - Que história é essa de que o senhor e o ex-senador Valadares estariam ensaiando uma reaproximação? 
JB -
É uma balela. Eu lhe dou como resposta o último artigo que escrevi sobre a querida advogada Laete Fraga, falecida agora em novembro. Quem lê, vai ter a resposta a esta sua pergunta. (No artigo “A presença de Laete”, publicado no site do Jornal do Dia de 30 de novembro  - Jackson escreve o seguinte trecho: “É conhecido dos sergipanos o modo perverso e sórdido pelo qual os meus adversários, liderados pelo então governador Antônio Carlos Valadares, tentaram destruir a minha carreira política, com processos que me afastaram do mandato de prefeito que recebi do povo aracajuano e que, em última análise, tinham a pretensão de banir a minha participação na vida política de Sergipe”).  Vide link

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E nesta dinâmica de alternância de palanque, já esteve até do lado de João Alves, quando este retornou ao Governo de Sergipe, em 1990

TERMELÉTRICA DA CELSE VALERIA POR UM GOVERNO
“Agradou-me demais ouvir esse reconhecimento de Ulices Andrade, porque até o presente momento nunca tinha ouvido de uma autoridade no Estado, ou de qualquer cidadão, tamanho reconhecimento pelo que fiz. Tudo se viabilizou no meu governo”

 JLPolítica - O senhor consegue visualizar um lugar específico para o senador Alessandro Vieira e seu grupo na política estadual de Sergipe?
JB -
Não consigo. O senador Alessandro Vieira é um homem de direita e eu não estou, não sou, não vou e não quero participar de projeto político da direita. O projeto dele não me interessa.

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Mas diz que segue caminhando com Edvaldo Nogueira. Ainda que este e o PT estejam separados