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Entrevista

Jozailto Lima

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Jerônimo Reis: “Não me considero aposentado. Mas acho que já dei minha parcela”

“Fábio Reis em Brasília ajuda muito mais a Sergipe do que na Prefeitura de Lagarto”
20 de julho - 20h00


 Assim que fez 31 anos, Jerônimo de Oliveira Reis, hoje prestes a completar 64 anos, tornou-se deputado estadual. Era novembro de 1986.

Dois anos depois, Jerônimo Reis elegeu-se vice-prefeito da cidade de Lagarto, num tempo em que os mandatos poderiam ser cumulativos – o velho amigo de até hoje Zezé Rocha fora eleito o prefeito.

Em 1990, Jerônimo deu um passo mais largo e conquistou o primeiro de três mandatos de deputado federal - depois em 1994, quando saiu no meio da legislatura para ser prefeito lagartense em 1996 e se reeleger em 2000 - e deputado de novo em 2006.

Em 2002, Jerônimo Reis deixou a Prefeitura para disputar um mandato de senador - mas lhe faltou fôlego político e não chegou lá.

Sim, Jerônimo é um Reis - uma entidade política, cuja matriz nasce no velho Artur Reis, o Artur do Gavião, 93 anos, o pai - hoje em coma.

Artur fora prefeito em 1982, teve alguns mandatos de deputado estadual e fôlego para catapultar a família - elegeu deputado estadual em 1982 o trabalhador-industrial José Augusto Vieira, seu genro, tem a filha Goretti Reis em terceiro mandato de estadual, o neto Fábio Reis em segundo mandato e meio de federal, e já viu o outro neto, Sérgio Reis, passar por Brasília com um mandato.

Portanto, Jerônimo Reis, emedebista, não é um político qualquer. Ele tem tônus. É uma liderança da política estadual sergipana em estágio de hibernação, mas de bem consigo mesmo e com a escolha que fez.

“Não me considero um aposentado. Não me considero velho. Sou relativamente jovem. Eu tenho quase 64 anos e preciso viver um pouco também. Mas acho que já dei minha parcela. Apesar de que ainda não disse oficialmente que não me candidataria mais. Mas hoje não pretendo. Daqui a um ano, tudo pode acontecer diferente”, diz ele nesta Entrevista.

Transigente e de uma escola de raposas velhas da política, Jerônimo Reis - que de aposentado não tem mesmo nada -, acha que 2020 pode ser um ano de retorno do seu grupo à Prefeitura Municipal de Lagarto. Mas não impõe nenhum dos seus.

“Eu confesso que gostaria, se surgisse, de um terceiro nome. Quem sabe de um amigo, e a gente ajudar”, diz ele. E aqui Jerônimo justifica bem porque não levanta logo o crachá em favor de uma candidatura do filho Fábio Reis - Fábio já disse que topa – ou da irmã Goretti Reis à Prefeitura.

“Porque Fábio em Brasília pode ajudar muito ao município e ao futuro prefeito, assim como Goretti Reis na Assembleia. Mas se precisar de um da família Reis, ninguém vai arregar não. Estaremos presentes”, diz.

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Família federal. Ele e Sérgio já foram deputados federais. Fábio exerce o mandato pela terceira vez
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Jerônimo de Oliveira Reis, hoje prestes a completar 64 anos

 JLPolítica - Em setembro, o senhor completa 64 anos. Não é uma idade muito nova para dar adeus à política? Para disputas pessoais, o senhor se considera um aposentado político?
Jerônimo Reis -
Não me considero um aposentado. Não me considero velho. Sou relativamente jovem. Eu tenho quase 64 anos e preciso viver um pouco também. Mas acho que já dei minha parcela. Apesar de que ainda não disse oficialmente que não me candidataria mais. Mas hoje não pretendo. Daqui a um ano, tudo pode acontecer diferente.

JLPolítica - O senhor está limpo, judicialmente falando?
JR –
Limpo eu sempre fui. Se alguém quis me sujar, não sei. Mas não fui eu que me sujei. Que eu saiba, não há nenhuma interdição a mim, porque aquele processo de 2010 no meu mandato de deputado federal já foi dissipado. Até o momento, posso afirmar nada que não há nada de errado.

JLPolítica - O senhor teve sete mandatos, entre Executivo e Legislativo. Houve algum deles que lhe marcou mais profundamente?
JR –
Digo que todos eles me marcaram, porque todos os mandatos que eu tive foram levados a sério e procurei servir às pessoas que me procuravam. Mas os mandatos de prefeito têm uma carga maior, é quando a gente consegue fazer mais e ajudar mais às pessoas. Porque o Executivo dá chances de atender a um número maior de pessoas. Então, ter “dois mandatos” de prefeito de Lagarto, entre aspas, porque um eu renunciei com um ano e dois meses para concorrer ao Senado, foi muito gratificante, porque eu pude realizar o desejo de muitas famílias.

JLPolítica - O senhor guarda mágoas profundas ainda hoje da cassação do seu mandato de deputado federal em 2010, faltando quatro meses pro término dele?
JR -
Guardar mágoas, não, porque nunca fui disso. Nunca tive mágoa, raiva, ódio de ninguém. Por mais que me criticassem ou até caluniassem, sempre procurei conversar, sempre fiz de conta que aquilo que diziam não valia a pena, porque realmente não valia. Tenho pra mim que só vale o que é verdade. E aquilo que falavam de mim era mentira, porque eu conheço a minha vida. Naquele episódio, faço uma pequena ressalva ao gesto do Ministério Público, que provocou aquele processo, quando sabia da realidade, pois quando apurou os fatos viu que eu não tinha envolvimento. Que eu não usei o dinheiro público.

JLPolítica - Que processo foi aquele?
JR -
Foi um processo de um servidor que recebia e distribuía para mais três pessoas, e o próprio confessou que dava a outros três funcionários que trabalhavam na Administração. E eu fui cassado por não ter mais um cargo em comissão e por ter aumentado o salário de um que já existia para que ele distribuísse aos outros três que trabalhavam.

DA NÃO-MÁGOA POR TEREM LHE TOMADO UM MANDATO
“Nunca tive mágoa, raiva, ódio de ninguém. Por mais que me criticassem ou até caluniassem. Tenho pra mim que só vale o que é verdade. E aquilo que falavam de mim era mentira”

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Esteve aliado e adversário de João Alves. No último governo dele, 2002 a 2006, fez seu filho, Sérgio Reis, secretário de Agricultura e rompeu aliança com o PT de Marcelo Déda. Em 2006, pelo PFL de João (hoje, DEM), elegeu-se deputado federal

JLPolítica - Por que o DEM, partido ao qual o senhor pertencia, não lhe saiu em defesa segura ali em 2010?
JR -
Porque acho que havia pro DEM pessoas mais importantes que eu, porque eu sempre fui independente e eles queriam gente que pudessem manipular - eu entendi assim. Acho que foi uma atitude para beneficiar Pedrinho Valadares, que Deus o tenha, porque antes de ele chegar a Brasília todos do partido estavam solidários e queriam providências. Depois que ele chegou lá, mudaram de opinião.

JLPolítica - Essa atitude não lhe garantiu uma certa mágoa?
JR -
Não carrego mágoa, em hipótese nenhuma. Eu aprendi uma coisa com o saudoso Lourival Baptista: faça raiva, mas não tenha raiva, porque ela só destrói a si próprio. Por isso eu não tenho raiva. Deixo isso para os outros.

JLPolítica - Quanto tempo depois o senhor foi inocentado daquelas acusações e lhe ocorreu algum ressarcimento pelo dano sofrido?
JR -
Uns três anos depois. Eu perguntei ao advogado que poderia recorrer e buscar um ressarcimento e ele disse que era melhor não. Deixei pra lá.

JLPolítica - Qual é a implicação daquela cassação de 2010 sobre a candidatura a deputado federal do seu filho Fábio Reis na eleição do mesmo ano?
JR -
Não acredito que tenha prejudicado a Fábio. Acho que vale mais o fato de que Fábio era jovem ainda, não era conhecido na política, embora já andasse comigo em algumas eleições. Mas ele não tinha da política o conhecimento que eu detinha. E eu estava um pouco angustiado e tímido pelo que aconteceu.

JLPolítica - Então a supressão do seu mandato impactou negativamente?
JR -
As pessoas achavam que eu fui cassado por corrupção e não foi. Foi por um ato administrativo sem grandes complicações. E eu fiquei com vergonha, até porque um homem que é sério, sente vergonha dessas coisas. Me sentia envergonhado por ter sido afastado, sendo que em 2006, quando me elegi, eu já havia dito que seria meu último mandato. De repente, fui pego de surpresa, mas Deus é maior e eu pude continuar trabalhando e sobrevivendo.

DO IMPACTO DE 2010 SOBRE FÁBIO REIS
“Não acredito que tenha prejudicado a Fábio. Acho que vale mais o fato de que Fábio era jovem ainda, não era conhecido na política, embora já andasse comigo em algumas eleições”

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Mas seu filho, Fábio Reis, seguiu no então PMDB de JB (hoje, MDB). Por ele, Fábio Reis ficou na primeira suplência de deputado federal , mas assumindo com a renúncia de Heleno Silva

JLPolítica - De qualquer modo, esse constrangimento seu afetou a candidatura de Fábio…
JR -
Eu acho que não. Acho que faltou mais foi consistência dele, porque era muito jovem. Foi pego de surpresa também. Sérgio Reis, o irmão, não quis ir. Então, a população pode não ter acreditado muito nele naquela época - e mesmo assim ele não entrou por apenas mil votos, mas assumiu dois anos depois.

JLPolítica - Qual o conceito que o senhor tem do mandato de Fábio Reis com deputado federal?
JR -
Hoje, o Fábio dá um show de mandato. Tenho muito orgulho pelo fato de ele, em pouco tempo, ter se desenvolvido tanto, e sozinho. Trabalhando, trazendo benefícios para o Estado, andando com suas próprias pernas. Eu já não preciso andar com Fábio para ajudar nas campanhas, porque ele está fazendo o trabalho dele por si próprio.

JLPolítica - Como o senhor mede isso?
JR -
Quem está dizendo isso são as duas últimas eleições dele, quando a população entendeu que trata-se uma pessoa realmente digna de exercer um mandato de deputado federal. Porque foi assim que o avô dele, Artur Reis, ensinou. E foi assim que o pai e o irmão dele ensinaram.

JLPolítica - O senhor acha que o mandato dele serve mais a Lagarto do que ao resto do Estado?
JR -
Eu diria que o mandato dele serve ao Estado inteiro, sobretudo onde ele teve apoio. Não tem um prefeito ou uma liderança que reclame do mandato de Fábio Reis, e disso me orgulho muito. E é a mesma coisa com Lagarto. Aqui, são dezenas de obras. Inclusive mesmo sendo adversários gerindo a cidade, as obras são todas fruto de Fábio Reis.

JLPolítica - Até que ponto o senhor infere e interfere no mandato dele?
JR -
Não interfiro em nada. Ele tem autonomia para fazer. Claro que às vezes ele me liga e pergunta o que eu acho disso ou daquilo, eu digo qual o meu pensamento e reforço que ele que tem que decidir o que quer fazer.

FÁBIO REIS DÁ UM SHOW DE MANDATO
“Tenho muito orgulho pelo fato de ele, em pouco tempo, ter se desenvolvido tanto, e sozinho. Trabalhando, trazendo benefícios para o Estado, andando com suas próprias pernas”

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Hoje, estão todos no MDB e abraçados com o Governo de Belivaldo Chagas. Mas no PT, não votam.

JLPolítica - O senhor e o seu pai Artur Reis já foram prefeitos de Lagarto, mas vai pra 20 anos o último, que foi o senhor em 2000. A eleição de 2020 pode trazer um Reis de volta ao Executivo lagartense?
JR -
A família Reis está na quarta geração com mandatos, e isso nos orgulha ver, porque sentimos que hoje há um reconhecimento por parte da população. Porque se não fizéssemos, não estaríamos onde estamos hoje: sempre que colocamos nomes ligados a nós, somos referendados. Mas ainda não sei se em 2020 vai ter um Reis ou não na Prefeitura. Quem vai saber é o grupo do qual faço parte.

JLPolítica - O senhor pensa especificamente o que sobre isso?
JR -
Eu confesso que gostaria, se surgisse, de um terceiro nome. Quem sabe de um amigo, e a gente ajudar. Porque Fábio em Brasília pode ajudar muito ao município e ao futuro prefeito, assim como Goretti Reis, na Assembleia. Mas se precisar de um da família Reis, ninguém vai arregar não. Estaremos presentes. 

JLPolítica - Mas quem seria esse Reis?
JR -
O próprio Fábio Reis já se colocou à disposição, e lhe disse e vou continuar dizendo: essa é uma decisão dele. Se quer, quer. Mas eu continuo entendendo que Fábio Reis em Brasília ajuda muito mais a Sergipe, e a Lagarto, do que na Prefeitura de Lagarto. Mas é um direito dele pensar. A mesma coisa digo de Goretti Reis. Se ela entender que é melhor, tudo bem - avance. Mas eu sugiro aos dois que permaneçam em seus mandatos e que a gente busque um terceiro nome, que seja ou não da família, porque temos muitos amigos aqui que talvez desejem exercer um mandato e nós poderíamos apoiar.

JLPolítica - Mas entre Fábio e Goretti, o senhor optaria por quem?
JR -
Aí não tem opção. Seria por quem tivesse melhores condições e mais preparado. Digo preparado me referindo ao processo de enfrentamento da eleição, porque politicamente todos estão preparados.

JLPolítica - Como o senhor analisa o momento político de Lagarto, com Valmir Monteiro afastado e Hilda Ribeiro sob uma longa interinidade?
JR -
Para mim, nada muda: é a mesma administração. Eles foram eleitos juntos. Não há diferenças entre eles. E se a gestão fosse boa, a cidade não estaria como está. Dê uma volta em Lagarto e veja as praças, as escolas, as unidades de saúde, escute as pessoas, porque o que eu disser você vai achar que é por ser um adversário. Mas se você ouvir a população, ela vai exigir coisas melhores. Não quero aqui culpar a atual prefeita, porque ela está há pouco tempo e ainda não mostrou a sua cara. A Hilda está começando. Assumiu e tirou Valmir da jogada, porque tirou todos os aliados dele e botou a equipe dela.

UM REIS VOLTARIA OU NÃO À PREFEITURA EM 2020?
“Ainda não sei se em 2020 vai ter um Reis ou não na Prefeitura. Quem vai saber é o grupo do qual faço parte. Eu confesso que gostaria, se surgisse, de um terceiro nome. Quem sabe de um amigo”

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Com os seus sete irmãos. Ele tem sete filhos

JLPolítica - O senhor encontra algum paralelo entre o drama de Valmir Monteiro, agora em 2019, e o seu em 2010?
JR -
Eu não estou feliz pela situação de Valmir. Pelo contrário. Acho que o único culpado é a própria Justiça, que permitiu que ele fosse candidato a prefeito condenado, pois ele já estava, em 2018, com vários processos em andamento. Então, acho até que o povo de Lagarto tem uma parte de culpa nessa parcela, mas o principal culpado é o Poder Judiciário, que permitiu que ele fosse candidato. A meu ver, não deveria ter sido, porque já tinha esses processos e estava protelando. Ele achava que continuaria protelado, e continuou fazendo as mesmas besteiras que fez no primeiro mandato.

JLPolítica - Que besteiras foram essas?
JR -
As que estão aí nos processos. Mas o que quero dizer é que ele está pagando pelo que ele fez e errado.

JLPolítica - Há perspectiva de em 2020 o agrupamento da sua família aliar-se com o de Valmir Monteiro?
JR -
Não, de hipótese alguma. E digo logo que nem com o de Valmir e nem com o de Gustinho Ribeiro. Nós não temos interesse nenhum. Nós vamos ter candidato próprio, do nosso partido, para vencer as eleições. Tenha certeza disso.

JLPolítica - O ex-prefeito Lila Fraga poderia voltar?
JR -
Não. Primeiro, porque Lila não quer. Ele mesmo se afastou. Naquela em ocasião, em 2012, o povo de lagarto só queria ele para prefeito. Como membro e dirigente do partido, eu escutei o povo. Colocamos ele. Apesar de ser um amigo, um aliado, mas ele foi por causa do povo e fez a administração do jeito que ele imaginou, sem ouvir ninguém. Isso é dele, e a gente respeita. Lila administrou fazendo o que ele entendia que era certo. E acertou em muita coisa. Ele administrou com responsabilidade, ajustou a gestão, entregou a Prefeitura saneada, sem débitos. O erro de Lila foi o jeito de atender às pessoas. Ele não foi popular. Não queria conversa com professor, com ninguém. Mas queria as coisas certas. Só que sem diálogo, e isso obviamente desagradou as pessoas. Mas ele não era um homem de enganação. De enrolação. Pecou apenas por esse modo. Mas ele foi candidato e prefeito porque o povo quis, como quis Valmir Monteiro, e agora está vendo...

JLPolítica - O senhor acompanha o mandato de Goretti Reis, sua irmã? Qual o conceito que tem dele?
JR -
Então: eu já fui deputado estadual, meu pai também foi, e tantos outros de Lagarto, e eu desafio que tenha uma pessoa mais qualificada a exercer um mandato legislativo do que Goretti Reis. Em termos de conhecimento, de comprometimento com o mandato que o povo lhe confiou. Mas ela tem um lado que a população questiona, que é do carisma. Goretti não tem carisma. Se perguntarem se eu tenho, dirão que sim. De Fábio, também. Já Goretti, não. Ela é mais trancada, do tipo sim-sim, não-não. Isso vem do nosso pai. Eu analiso mais. Não respondo no momento. Eu penso primeiro. E Goretti não: ela dá as respostas na hora. Sei que depois ela se arrepende. Ela é pavio curto. Curtíssimo. 

VALMIR E HILDA, FARINHA DO MESMO SACO
“Para mim, nada muda: é a mesma administração. Eles foram eleitos juntos. Não há diferenças entre eles. E se a gestão fosse boa, a cidade não estaria como está”

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Foi vice-prefeito de Zezé Rocha, eleito em 1988. E duas vezes consecutivas prefeito de sua cidade: 1996 até 2002, quando renunciou para disputar a eleição para o Senado

JLPolítica - Qual a explicação para que Sérgio Reis, talvez o mais político da sua família, esteja segregado das disputas eleitorais?
JR -
Desde a eleição de 2002, quando eu renunciei ao mandato de prefeito para ir ao Senado, Sérgio não se candidatou. Mas não porque não quis. É que eu tinha meu pai como estadual e eu a senador, e não tinha como colocar ele como deputado federal, porque dentro do grupo haveria rejeição ao meu nome para o Senado, e me comportei assim para viabilizar a candidatura. Não deu certo, claro, mas foi uma experiência que tive na vida. De lá para cá, Sérgio resolveu não querer mais exercer um mandato. Mas pode voltar a querer. 

JLPolítica - O senhor acredita que se Fábio Reis se elegesse prefeito seria o caminho natural que Sérgio tentasse ocupar um espaço na Câmara Federal?
JR -
Poderia ser. Não sei se ele ainda quer. Mas não tenha dúvidas de que seria uma oportunidade para ele retornar, caso queira.

JLPolítica - Como pai e político, o senhor tem apreço pelo estilo de um dos dois filhos em detrimento de outro?
JR -
Não. Tenho sete filhos e a todos considero do mesmo jeito. Politicamente, os dois são bons. Fábio, mais retraído, e Sérgio, mais agressivo na negociação, na conversa, no contato, no entendimento. Diria que Sérgio é mais parecido comigo. 

JLPolítica - Como a família encara o drama do coma de Artur Reis há tantos?
JR -
Dói, mas tem que se acostumar. Deus determinou que assim fosse e a gente tem que aceitar. Ele está em cima de uma cama há quase cinco anos, dependendo das pessoas para tudo, só abre os olhos, mas ninguém sabe se ele reconhece ou não. Ele vai fazer agora em agosto 93 anos. 

JLPolítica - O senhor tem algum tipo de participação, ou fomento, nas rusgas entre seu filho Sérgio e sua irmã Goretti Reis?
JR –
Não. O desentendimento deles eu vejo como algo provocado por terceiros: genro, filhos, alguém que discorda e começa a botar coisa na cabeça do outro.

SEM ALIANÇA COM VALMIR E GUSTINHO EM 2020
“Não, de hipótese alguma. E digo logo que nem com o de Valmir e nem com o de Gustinho Ribeiro. Nós não temos interesse nenhum. Nós vamos ter candidato próprio, do nosso partido, para vencer as eleições. Tenha certeza disso”

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Com o rei do futebol: Edson Arantes do Nascimento

JLPolítica – E o senhor, o que faz para apaziguar?
JR -
Já tentei apaziguar e estou tentando. Até ameacei não participar da eleição de há dois anos se continuassem assim, mas você sabe como é: filho é filho e irmão é irmão. Mas hoje já houve um recuo e acredito que na próxima eleição as coisas serão bem diferentes. Isso é o que eu quero e o que todos da família esperam.

JLPolítica - Qual é o futuro do MDB de Sergipe sob o domínio de Fábio Reis?
JR -
Na posse de Fábio, tinha alguns membros novos do partido e eu falei a eles que ou essa turma nova toma conta do MDB ou ele se acaba. Então, acredito que Fábio e outros como ele em outros Estados, tomando o domínio dessas raposas velhas, deem uma outra visão, outra dinâmica ao partido.

JLPolítica - O senhor acha que o mandato do deputado federal Gustinho Ribeiro tem alguma chance de longevidade, duração, ou para por aqui?
JR -
Se ele trabalhar, sim. Mas se continuar dormindo, não.

JLPolítica - Quais são as grandes demandas do município de Lagarto hoje, que devam ser supridas pelos Governos do Estado e da União?
JR -
Eu venho defendendo algumas, desde como deputado federal lá em Brasília. Ao Escritório da Representação de Sergipe levei uma pauta com 10 reivindicações para Lagarto, de projetos estruturantes. Alguns já foram atendidos, a exemplo do Hospital Regional, o Mercado, a água que está chegando – que foi inaugurada na época do presidente Figueiredo. Naquela época, era para uma população de 60 mil a 70 mil habitantes. Hoje somos cerca de 110 mil, com a mesma rede. Além disso, a água era exclusiva para Lagarto e hoje vai para Simão Dias, Tobias Barreto, Poço Verde, Riachão do Dantas e não suporta isso. Também solicitei saneamento básico, que está quase em conclusão. Mas pedi pelo Anel Viário, que para mim é o mais importante hoje tanto para o município quanto para a região Centro-Sul. E não é obra de Prefeitura. É obra de Governo de Estado e de Governo Federal, porque é grande. Eu peço sempre ao governador, que passa por aqui sempre que vai a Simão Dias, terra dele, e ele vê o tempo que ele leva ali do caldo de cana da chegada à saída do matadouro, rumo a Simão Dias. Então o anel viário mais que é necessário. O projeto já está pronto, o ex-governador Jackson Barreto o fez. Na época, ele custaria R$ 80 milhões. Se ele fizer um lado só, por exemplo, já adianta, porque é uma obra imprescindível. A cidade não suporta mais esse trânsito passando por dentro dela.

JLPolítica - Qual é a sua visão dos primeiros meses da gestão de Belivaldo Chagas?
JR –
Depois da eleição, não estive com ele. Mas acho que precisa dar uma sacudida em alguns pontos, que prefiro não citar.

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“Goretti não tem carisma. Se perguntarem se eu tenho, dirão que sim. De Fábio, também. Já Goretti, não. Ela é mais trancada, do tipo sim-sim, não-não. Isso vem do nosso pai. Eu analiso mais”

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Com o empresário e apresentador, Silvio Santos

JLPolítica - E o Governo de Jair Bolsonaro, o que é que o senhor acha que traz de positivo?
JR -
Bolsonaro quer acertar, mas ele conviveu com o Congresso e sabe que ali ou você senta para conversar ou não governa. É isso que Bolsonaro precisa entender. Ele tem que sentar e conversar. A Reforma da Previdência, por exemplo, é essencial. É necessária. Mas ele e os filhos falam demais. Um Governo tem que medir o que vai falar, porque apenas uma palavra de um presidente pode afetar a economia do país e gerar danos.

JLPolítica - O senhor, então, discorda da forma com que ele encara a classe política?
JR –
Sim. Eu estou acreditando que vai dar certo, que vai melhorar. E sugiro até à oposição que antes de dizer que Bolsonaro não pode dar certo na administração, que pare e pense e veja que não é por aí.

JLPolítica - Como está o senhor em seus negócios particulares? Foi difícil adaptar-se?
JR -
Confesso que eu tinha dúvida se ia gostar, mas estou gostando tanto que isso está me distanciando mais de uma possível candidatura daqui pra frente. Estou gostando da minha vida assim.

JLPolítica - Qual é a sua atividade hoje?
JR -
Eu compro e vendo, pesquiso, em várias áreas dentro da informática. Loco máquinas, como impressoras, copiadoras, scanners. Eu tenho de tudo um pouquinho, além de ser um mecânico: conserto máquina, entrego máquina. Sou o peão-chefe.

JLPolítica – Seu negócio é só para empresas públicas ou particulares também?
JR -
É para todas elas. Eu tenho locação para empresas públicas, para o Governo do Estado, Prefeituras e empresas particulares também, comerciantes. 

QUEM PESA MAIS POLITICAMENTE: FÁBIO OU SÉRGIO?
“Tenho sete filhos e a todos considero do mesmo jeito. Politicamente, os dois são bons. Fábio, mais retraído, e Sérgio, mais agressivo na negociação, na conversa, no contato, no entendimento. Diria que Sérgio é mais parecido comigo” 

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Com Luis Eduardo Magalhães, deputado federal baiano, filho de ACM, morto em 1998