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Entrevista

Jozailto Lima

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João Tarantella: “Defendo na política de Sergipe uma gestão decente”

Publicado em 1 de setembro de  2018, 20:00h

“Eu tenho a cara do povo. Sou um cidadão comum”

Falando num ambiente sereno, com pausa, bem fustigado e quando não seja num evento que o permita jogar para a plateia, João Tarantela é um cara meio lúcido. Pacato, bem postado. E da sua lucidez saltam pérolas convincentes, que o cidadão, comum ou não, gostaria de ouvir e de ver materializadas nas modorrentas políticas nacional e sergipana.

Do tipo: “Eu defendo mandatos de cinco anos para governador, prefeito e presidente. Para todos, numa eleição de todos juntos, porque o custo Brasil é muito alto. E defendo mais: que caiam em 50% os componentes das Câmaras de Vereadores, das Assembleias e de todo o Congresso”, diz ele.

Não há lucidez nisso? Ah, você viu mais populismo que lucidez? Ok, este lead respeita sua opinião. Mas “ouça mais um pouco” o que ele tem a dizer sobre isso: “Ninguém aguenta mais o custo de se ter 513 deputados federais, mais de 80 senadores e as Assembleias Legislativas inchadas. A população não tem que ter essa quantidade de pessoas nos poderes, até porque eles não estão lá para representar os interesses da sociedade e sim os deles e dos grupos que eles representam”.

Certo. Gostando ou não, é com esse discurso, e com aquele radicalismo que você está acostumado a vê-lo em entrevistas de rádio e nos debates, que o itabaianense João Paes da Costa, do PSL, apelidado de João Tarantella - ele tem duas pizzarias, das quais se apropriou do codinome – vai para a sua quarta eleição.

Agora João Tarantella quer ser governador de Sergipe. Ele é da laia de Jair Bolsonaro, do PSL - e avisa que não haverá nenhuma interdição da Justiça a seu partido. Já tentou ser vereador de Aracaju em 2012. Passou batido. Já tentou ser deputado estadual em 2014, e idem. Em 2016, botou a cabeça de fora com a intenção de ser prefeito de Aracaju. Amealhou minguados 14.106 votos.

Mas nada disso matou pela cepa o Dom Quixote - ou o Sancho Pança - que há nesse João Tarantella. Agora, para 2018, ele vê seus moinhos de possibilidades muito mais reluzentes que antes. E morde forte a sua fatia de sonho. 

“Eu me sinto um vitorioso nesse processo. Posso sair com um voto, que é o meu garantido, ou ter 200 mil, 300 mil votos. Eu tenho certeza de que eu vou estar no segundo turno. Eu acredito que nosso candidato a presidente deve ter em torno de 500 mil votos em Sergipe e basta 300 mil pessoas seguirem esse projeto nacional que eu estarei no segundo turno”, diz João Quixote - ops, Tarantella.

Sendo generoso e sem forçar barra, não há como negar que João Tarantella tem lá aquele carisma que só os itabaianenses têm. De toda a matriz que compõe o povo de Sergipe, o de Itabaiana é meio diferente. Têm lá uma certa luz que alumia de um outro modo as coisas em todas as esferas. Nesse aspecto, Tarantella tem muito a dizer - mas esse lead não vai se estender na tradução disso. Quem quiser saber mais, que leia no corpo desta entrevista com ele.

DEFESA DE UMA GESTÃO DECENTE
“O que defendo na política de Sergipe e de forma geral é uma gestão decente, com técnicos exclusivamente para trabalhar para a população”

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Acredita que será governador e Bolsonaro presidente
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João Paes da Costa nasceu em 13 de setembro de 1961

FALANDO COM A CARA DO POVO
“O cidadão que votar em mim é como se estivesse votando nele próprio. Eu tenho a cara do povo. Eu represento o povo. Às vezes eu falo errado. Ou seja, eu sou um cidadão comum”

JLPolítica - Por que o senhor se candidata a governador de Sergipe? 
João Tarantela -
Porque eu quero, com esse meu projeto, dar esperança à população de Sergipe. Esse formato que está aí, com esses agrupamentos e coligações, acabou com o Estado em todos os aspectos.

JLPolítica - De que forma?
JT -
Olha, quando o Governo dá determinada secretaria a um grupo, o governador passa a não ter ingerência nenhuma sobre ela. Ou seja, o governador eleito pelo povo, que é quem deve satisfação à população, termina delegando, e sem força, o que é o mais grave. Porque se ele delegasse e pudesse interferir... Mas não pode. Um exemplo é o que aconteceu com Almeida Lima na Saúde. Não tenho nada contra nenhum deles. A minha briga é política, para que cada um pague pelo que fez. O que defendo na política de Sergipe e de forma geral é uma gestão decente, com técnicos exclusivamente para trabalhar para a população.
 
JLPolítica – Mas por que acha que o sergipano deve votar no senhor para esta missão de governar o Estado?
JT –
Porque pela primeira vez ele tem um sergipano, que nasceu na roça, e aos 12 anos vendia batata na feira de Itabaiana com muito orgulho, que há mais de 30 anos gera emprego e renda em Aracaju, e que está preparado. Ou seja, o cidadão que votar em mim é como se estivesse votando nele próprio. Eu tenho a cara do povo. Eu represento o povo. Às vezes eu falo errado, engulo um “s”, não cheguei a me formar, prestei vestibular para Administração, mas cancelei por causa do meu trabalho do dia a dia. Ou seja, eu sou um cidadão comum. Mas já ajudei a todos esses que estão na política em Sergipe, e não me arrependo. Quem errou não fui eu e sim eles, os que foram ajudados. Eles tinham discursos fáceis, chegaram ao poder e na prática fizeram exatamente o que os outros faziam e o contrário do que pregavam. Eu estou preparado, tenho conhecimento e sou o único que tem coragem para enfrentar todos eles. Posso ir a um debate e enfrentá-los com argumentos, porque tenho conhecimento e coragem para falar o que o cidadão comum gostaria de dizer se tivesse uma oportunidade. Eu falo a língua do povo. Ou seja, eu sou um representante legitimo da população sergipana.

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Diz que ele e Bolsonaro defendem a ordem para o Brasil e para Sergipe

AJUDOU OS QUE HOJE CONDENA
“Já ajudei a todos esses que estão na política em Sergipe, e não me arrependo. Quem errou não fui eu e sim eles. Tinham discursos fáceis, chegaram ao poder e na prática fizeram o contrário do que pregavam”

JLPolítica - Quem é Hélio Rubens de Oliveira, seu candidato a vice-governador. Qual é a biografia dele?
JT –
É um empresário que está no comércio de Aracaju há mais de 40 anos. Um cidadão de bem, que se você puxar a ficha vai ver que nunca teve problema nenhum. É um cidadão do povo. A gente teve o cuidado de montar uma chapa com cidadãos bons, pessoas que querem o bem do Estado, que trabalham para a população. Porque esse formato que está aí quebrou o Estado. A partir de 2019, se a população assim desejar, a gente vai arrumar Sergipe, com essas pessoas de bem.
JLPolítica - Por que a sua chapa vai com apenas um candidato ao Senado, na pessoa de Carlos Eduardo Silva, e quem é politicamente ele? 

JT - O Carlos Eduardo Silva é um cidadão na mesma linha de Hélio. É professor, ético. Muitas pessoas apareceram querendo ser candidato ao Senado e nós barramos, porque eram pessoas que não se adequavam ao nosso sistema, ao sistema do projeto. Ele, assim como os nossos demais candidatos, são todos pessoas de bem.

JLPolítica - Quantos segundos terá o PSL no rádio e na TV para a propaganda eleitoral?
JT –
Em torno de oito a dez segundos. É muito pouco. Mas dá para dar um recado básico. O que salva hoje nosso projeto é o corpo a corpo e as redes sociais, porque a gente não tem estrutura financeira. Temos dificuldades. Não fiz santinho ainda. Mandamos fazer dois mil adesivos, colocamos nas redes e o exército de pessoas que abraçou nosso projeto já deu conta de distribui-los. Vamos distribuir mais. O que pedimos para os nossos apoiadores é que usem nossas redes sociais para divulgar nosso projeto, e a partir daí as pessoas vão ver nosso perfil, de que lado a gente está e o que a gente defende.  

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Tem fé na consciência da juventude

EM COMPANHIA DE BONS CIDADÃOS
“Esse formato que está aí quebrou o Estado. A partir de 2019, se a população assim desejar, a gente vai arrumar Sergipe, com pessoas de bem. A gente teve o cuidado de montar uma chapa com cidadãos bons”

JLPolítica - Não lhe desanima que seu nome apareça com tão baixa referência de opção de voto nas pesquisas eleitorais?
JT –
Não, de jeito nenhum. Essas pesquisas, não só aqui, mas no Brasil inteiro, são meio que manipuladas. Duas coisas eu condeno e acho que devem mudar: a reeleição e as pesquisas. Elas prejudicam demais. Dos oito candidatos, só Belivaldo Chagas, que tem a máquina, se beneficia diretamente desse sistema. Os outros demais ficam soltos, largados. Sem estrutura.

JLPolítica - Que mudanças o senhor defenderia?
JT -
Eu defendo mandatos de cinco anos para governador, prefeito e presidente. Para todos, numa eleição de todos juntos, porque o custo Brasil é muito alto. E defendo mais: que caiam em 50% os componentes das Câmaras de Vereadores, das Assembleias e de todo o Congresso. Ninguém aguenta mais o custo de se ter 513 deputados federais, mais de 80 senadores e as Assembleias Legislativas inchadas. A população não tem que ter essa quantidade de pessoas nos poderes, até porque eles não estão lá para representar os interesses da sociedade e sim os deles e dos grupos que eles representam.

JLPolítica - O senhor sente preconceito por estar, hipoteticamente, entre os candidatos que aparece com a menor intenção de voto?
JT -
Em hipótese alguma. Eu me sinto um vitorioso nesse processo. Posso sair com um voto, que é o meu garantido, ou ter 200 mil, 300 mil votos. Eu tenho certeza de que eu vou estar no segundo turno. Acredito que nosso candidato a presidente deve ter em torno de 500 mil votos em Sergipe e bastam 300 mil pessoas me seguirem nesse projeto nacional que eu estarei no segundo turno. Graças a Deus, temos nove candidatos. Valadares Filho, Eduardo Amorim e Belivaldo Chagas fazem parte das mesmas coligações agora desfeitas. Essa turma que está com Amorim estava com Jackson há 12 anos. E eles quebraram o Estado. Agora, mudaram de agrupamento. Repito: não tenho nada contra eles, eu inclusive gosto de Belivaldo como pessoa, mas ele faz parte de uma engrenagem que quebrou o Estado. Veja: ele perdeu Fábio Henrique, do PDT, e foi buscar Zé Franco. É esse modelo de gestão que Sergipe não aguenta mais.

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Em 2016, tentou ser prefeito de Aracaju. E acorrentou-se, em vigília, na porta da TV Sergipe, em protesto por não ter sido convidado para o debate

DA ESCOLHA DO CANDIDATO AO SENADO
“Muitas pessoas apareceram querendo ser candidato ao Senado e nós barramos, porque não se adequavam ao nosso sistema, ao projeto. Carlos Eduardo Silva, assim como os nossos demais candidatos, é pessoa de bem”

JLPolítica - O tempo gasto com a atividade de campanha não lhe suprime condições de tocar melhor seus negócios no ramo de alimentação?
JT -
Sim, eu me agastei. Me tirou 100%. Hoje quem comanda as empresas são minha esposa e minha filha. Até porque, elas têm um dom especial e as empresas estão indo muito bem. Pessoas de bem têm que estar cercadas de pessoas de bem. Inclusive na família.

JLPolítica – Há uma onda de nomes de fora da política tentando uma vaga no Executivo ou Legislativo. No caso do senhor, o que o fez optar pelo ingresso na política partidária?
JT -
Eu acompanho a política de Sergipe há mais de 20 anos. Fui muito importante para o projeto de Jackson em 1994. Eu gostava do estilo dele naquela época. Ele foi para o enfretamento com João Alves, com Albano Franco, com a Rede Cabaú. Era uma figura de oposição. Não existe governo bom com oposição fraca. E eu sempre tive essa linha de fazer oposição dura. Mas já ajudei a todos eles. Apesar disso, nunca peguei cargo em comissão. Nunca fiz parte de governo nenhum, porque na hora que as pessoas ganhavam e assumiam que tinham uma postura no palanque e outra na prática, eu me afastava. A nossa linha é essa: a de trabalhar pela população.

JLPolítica – Nos debates, o senhor não admite que usa uma linguagem um pouco violenta?
JT -
Sim, admito. Eu sou duro. E cobro. Vou para o enfrentamento. Fui para um debate recentemente e se não fosse a minha presença todo mundo iria dormir. Só eu cutuco. Só eu tenho coragem de enfrentar Amorim, Mendonça, Valadares Filho, o próprio governador Belivaldo e os senadores. Valadares está há 24 anos no Senado e quer mais oito. Eu pessoalmente não tenho nada contra eles: nem o pai, nem o filho. Mas Valadares Filho faz parte dessa engrenagem. O senador Valadares tem que ir para casa e Valadares Filho, a partir de 2019, vai ter que arranjar um emprego, já que estará desempregado. Onze anos no Congresso e só vota de acordo com a orientação do pai. É isso que a população de Sergipe vai querer para um governante? Não. O governante de Sergipe a partir de 2019 tem que ser uma pessoa com o meu perfil, que represente a população, que não faz coligação. A gente defende o Estado Mínimo, a redução de 22 Secretarias para 12. A gente não tem alinhamento político com esses senhores. Eu vou exigir dos meus secretários que não tenham vínculo político, porque vão se dedicar exclusivamente a servir a população.   

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“Esse formato que está aí quebrou o Estado", argumenta

ESCASSO TEMPO NO RÁDIO E NA TV
“Em torno de oito a dez segundos. O que salva hoje nosso projeto é o corpo a corpo e as redes sociais, porque a gente não tem estrutura financeira. Não fiz santinho ainda”

JLPolítica – Quais são os pontos nucleares do seu programa de Governo?
JT -
Os principais deles são o da segurança, da saúde e da educação. Na área da segurança, a gente tem polícias eficientes, o que falta é a gestão. A PM tem o Getam, que é a polícia mais respeitada de Sergipe. Tem 80 motos, mas só funcionam 15. No nosso governo, vai passar de 80 para 500 funcionando, porque o custo de uma moto chega a ser 15% do de uma viatura-carro. E é mais ágil. Vamos colocar essa polícia nas divisas, nos 75 municípios. O cidadão do campo, que é quem produz a batata, o feijão, o inhame para a gente aqui na cidade, está desprotegido. Trabalha no campo e tem que morar na cidade. O governo é falho com essa sociedade que tanto produz e ajuda o Estado. Vamos pegar o Banese para beneficiar o pequeno e o médio produtor. Assim como a Deso. O projeto é, em parceria com as Prefeituras, criar cooperativas para em cada município ter um caminhão para cavar poços. Ou seja, a gente vai estar diretamente ligado aos vereadores, que são os representantes que têm mais contato com a população. Como governador de Sergipe, a cada 90 dias eu estarei reunido com essa turma, para conhecer as necessidades de cada município. Eu vou ser um governador presente, que vai atuar em parceria com vereadores, prefeitos, deputados, senadores em benefício da população.
 
JLPolítica – Qual é a sua visão do modo como Sergipe foi administrado de 1982 para cá, quando começam os ciclos dos governadores eleitos pelo voto direto?
JT –
Nos governos de João, Valadares e Albano, o Estado de Sergipe não tinha chegado à situação a que chegou hoje. Tinha falhas, porque todos os governos têm, mas depois que essa turma do PT e Jackson assumiu o Estado, o Brasil e Sergipe entraram em parafuso. Hoje, os agrupamentos reúnem 10, 12 partidos, aí quando o cidadão monta o governo, acabou, tem que entregar uma Secretaria para cada um e o governante, eleito pelo povo, passa a não ter mais força nenhuma. Ele acaba virando um boneco, um fantoche, e a população que o elegeu é lesada. Isso vem acontecendo principalmente nos últimos 12 anos. 
 
JLPolítica - Na visão do senhor, quem foi o melhor governador de Sergipe de antes e depois da ditadura militar?
JT -
Quem fez a diferença - não vou dizer que foi o melhor - foi João Alves, apesar da tragédia como prefeito agora na reta final.

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Com tempo escasso no rádio de TV, aposta nas redes sociais

ENXUGANDO O TAMANHO DA MÁQUINA POLÍTICA
“Defendo mandatos de cinco anos para governador, prefeito e presidente. Numa eleição de todos juntos, porque o custo Brasil é muito alto. Que caiam em 50% os componentes das Câmaras, das Assembleias e de todo o Congresso”

JLPolítica – Na visão do senhor, quem foi o pior governador de Sergipe de antes e depois da ditadura militar?
JT -
O pior foi Jackson Barreto, porque ele tinha como fazer um governo diferente. Ele tinha como combater essa dinastia. Jackson falava da Rede Cabaú, foi ao enfretamento com João, e quando chegou ao poder não fez nada. No Governo de João, a Assembleia era uma extensão do Palácio do Governo, assim como no de Jackson. E por que ele não usou essa força para o bem da população? Ele poderia ter entrado para a história de Sergipe, apesar de ele já ter pego o Estado numa situação complicada. Bastava ele dizer aos deputados que agora iriam fazer o contrário. Pegar as Secretarias e reduzir, reduzir cargos em comissão e montar um modelo diferente para trabalhar. Ele escancarou, ampliou a malandragem. Ele teve apoio do Judiciário, do Tribunal de Contas e tinha tudo para fazer um belíssimo governo, e não fez.

JLPolítica – O senhor é do partido de Bolsonaro e um dos apoiadores dele em Sergipe. O que o faz defender a candidatura dele e como está a adesão a esse projeto por aqui?
JT –
Eu tenho um perfil bem parecido com o de Bolsonaro, que é baseado na sinceridade. Posso errar aqui ou ali, Bolsonaro também, porque ninguém é perfeito. Mas o que ele defende para o Brasil e eu para Sergipe é a ordem. Tem que ter um presidente que bote ordem na Casa, um governador que bote ordem no Estado. Existe muito folclore em torno dele. A grande imprensa vai para cima dele. O que fazem com ele nos debates é uma piada. Tem jornalista que questiona Bolsonaro com raiva, e se ele não responder aquilo que o jornalista quer ouvir vão para o enfretamento. Ele vai também. Ou seja: ele é um cidadão que fala com a cara e a alma do povo brasileiro.

JLPolítica - Como o senhor avalia a participação dele no Jornal Nacional?
JT -
Muito boa. Tentaram encurralar ele, principalmente com a questão da desigualdade entre os salários de homens e mulheres. Ela mesma, que tentou encurralar ele, ganha menos que Bonner. Ele deu a volta por cima. Não adianta o jornalista tentar encurralar, porque ele vai para cima.

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Foi expor suas ideias na Amase: Associação dos Magistrados de Sergipe

CERTEZA DE UM SEGUNDO TURNO?
“Eu me sinto um vitorioso nesse processo. Posso sair com um voto, que é o meu garantido, ou ter 200 mil, 300 mil votos. Eu tenho certeza de que eu vou estar no segundo turno”

JLPolítica - Jair Bolsonaro defende a militarização do Governo por ser um militar. Como senhor vê isso?
JT –
Se for para botar ordem no Brasil, qual o problema? É melhor se cercar de militares linha-dura do que dessa marginalidade que o PT botou aí. Eu defendo as forças de segurança. Aliás, defendo que Bolsonaro eleito, mude a lei e coloque 30% das forças armadas para tomar conta da população brasileira. Tem uma guerra no Brasil que as polícias não dão mais conta. Os Estados estão quebrados, não têm como fazer mais concursos, então porque não pegar as forças de segurança, que já têm treinamento, fazer um outro treinamento específico e colocá-las na rua? O Brasil tem mais de 17 mil quilômetros de fronteiras, porque não colocar as forças de segurança para protegê-las, evitando a entrada de drogas e armas pesadas? Eu defendo essa militarização, sim. Quem tem que ter o direito de estar nas ruas, soltas, são as pessoas de bem. O marginal, preso. Hoje é o contrário: são as pessoas de bem presas e os marginais soltos.  

JLPolítica - Não lhe causam desconfortos as declarações dele com relação às mulheres, negros, gays e indígenas? Ou o senhor tem as mesmas opiniões?
JT –
Ele pode até pecar e exceder em algumas colocações. Mas no geral ele defende a família, o pequeno e o médio produtor. O agronegócio, que é quem vem sustentando o país. É por isso que, na minha visão, Bolsonaro pode até ganhar a eleição no primeiro turno. Porque a maioria da população enxerga nele seriedade. Ele não tem marqueteiro. Nem eu, e fala com o coração. Exatamente em cima da necessidade da população.

JLPolítica - Se o senhor não fosse candidato, em quem votaria para o Governo de Sergipe, e por quê?
JT –
Eu teria muita dificuldade, porque os três maiores são todos bem parecidos. São farinha do mesmo saco. Neles eu não votaria. Ia buscar um nome de pessoas simples, que estivessem se lançando, com projetos diferentes.

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É casado com Maria José da Cruz Menezes

SAUDADE DE UM JACKSON QUE SE PERDEU
“Eu gostava do estilo dele naquela época. Ele foi para o enfretamento com João Alves, com Albano Franco, com a Rede Cabaú. Era uma figura de oposição. Não existe governo bom com oposição fraca”

JLPolítica – Quais aprendizados a eleição de 2016 deixou para o senhor?
JT –
O aprendizado foi o do contato direto com as pessoas. Eu estou nesse projeto graças ao que aprendi na eleição de 2016. Tive uma postura decente. Já fui candidato a vereador e nunca tive voto em Aracaju. A eleição que tive mais votos foi a de deputado em Aracaju, em 2014, com 500 votos, porque a gente não faz parte dessa engrenagem de compra de votos, coligações e malandragem. Quando fui ao debate na Via Mídia em 2016, fui para o enfrentamento e as pessoas não conheciam nem minhas propostas nem o projeto de governo, que era um dos melhores em várias áreas, então tive uma visibilidade muito grande. Hoje estou presidente do partido do futuro presidente, que é Jair Bolsonaro; estou candidato liderando esse projeto em nível estadual, além do aprendizado, mostrei que tenho credibilidade. Outra coisa: quando terminou a eleição, a maioria foi apoiar quem venceu, eu continuei indo para o enfretamento com a minha Executiva, eles tinham fechado um acordo e eu disse que não apoiaria nem Valadares e nem Edvaldo Nogueira, porque são bem parecidinhos. Graças a essa postura, as pessoas que votaram comigo na eleição passada porque alguém pediu, hoje vota porque quer mesmo. Como critico durante a campanha e no segundo turno vou apoiar? É esse tipo de incoerência que a população não aceita mais.

JLPolítica – O senhor vai coordenar a campanha de Bolsonaro em Aracaju?
JT –
Na verdade, eu represento hoje o projeto maior, mas a gente tem um grupo de pessoas. Bolsonaro tem lideranças nos 75 municípios, independentemente de filiação partidária, e isso nos deixa feliz. Tem presidente de outros partidos que dizem que votam em Bolsonaro. Então essa questão de liderar a gente vai se ajeitando. Tem eu e tem mais pessoas de bem que nos ajudam.

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E pai da jornalista Juliana Menezes Paes