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Entrevista

Jozailto Lima

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José Carlos Machado: “Em nome do DEM, prometo luta e trabalho”

“Matar o bicho político que tem dentro de mim é matar a mim mesmo”
13 de outubro de 2019 - 8h


Na política de Sergipe, o engenheiro e empresário José Carlos Machado, já foi, eleitoralmente, muita coisa: deputado estadual e federal a vice-governador do Estado e vice-prefeito de Aracaju. Desde 1986 Machado disputa eleições. E do que ele não foi até hoje, bem que tentou.

Em 2010, por exemplo, deixou de lado a tentativa de uma reeleição de deputado federal para buscar o céu azul do Senado. Ficou em quarto lugar, com 260.158 votos, perdendo pros eleitos Eduardo Amorim e Antonio Carlos Valadares e para o terceiro colocado, Albano Franco, de quem fora vice-governador na eleição de 1994.

Aos 70 anos - ele é 17 de janeiro de 1949 -, aparentemente sólido e consistente na saúde, Machado é do tipo que mesmo os que lhe fazem restrição política - e são bem pouquíssimos -, não conseguem desabilitá-lo na sua importância política nos debates públicos sobre questões sergipanas e nacion ais.

E ele gosta dessas refregas. São-lhe uma cachaça. Portanto, Machado, seguramente, é o político sergipano sem mandato mais levado a sério e escutado por meios de comunicação e pela própria classe política. E ele bem que faz por onde assim o seja.

Ele pesquisa, levanta temas, propõe e provoca debates. Escreve artigos pertinentes. É, antes de tudo, um sujeito palatável. Cordial. Não radicaliza em nada. Quando ele diz seus constantes “não sei”, não creia. Escarafunche e aperte, que sabe bem mais do que a negativa tenta aparentar.

Seu último posto firme de poder lhe trouxe até o dia 31 de dezembro de 2016 em mandato - era o vice-prefeito de Aracaju na gestão de João Alves Filho. Em 2018, ensaiou uma candidatura de deputado federal pelo PPS, mas bateu na trave. Não foi às eleições.

Engana-se, no entanto, quem pensa que Machado quer ficar apenas no debate paralelo. Assim meio off-line. Nada disso. Quer estar on-line. Ele acaba de assumir a Executiva Estadual do DEM, partido no qual sempre militou e, apesar do seu cartesianismo, admite que ainda “sonha” com Brasília e suas algaravias políticas.

“Sonho. Se o que estamos planejando der certo, eu tenho que pensar numa candidatura a deputado federal ou a senador da República em 2022”, diz ele.

O “que estamos planejando” dito aí por Machado é a ressurreição do DEM. Botar de pé o partido, a convite do presidente nacional ACM Neto e com a aquiescência da senadora Maria do Carmo Alves, é um meio de José Carlos Machado manter vivo o “bicho político” que pulula nele.

Machado admite, novamente sem o cartesianismo dos engenheiros, que matar esse bicho seria a sua fatal extinção pessoal, o que jamais encontra eco nele, nos seus planejamentos pessoais.

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É um demista desde os tempos do velho PFL e de ACM avô
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Tem 70 anos - ele é 17 de janeiro de 1949

DE COMO ENCONTROU O DEM DE SERGIPE
“O ACM Neto me nomeou presidente da Comissão Provisória e eu me debrucei sobre um partido completamente desorganizado, quase extinto. E vencer essa burocracia tem sido muito difícil. Um partido hoje tem que funcionar quase que como uma empresa, com CNPJ ativo e prestação de contas ao cartório eleitoral”


JLPolítica - Depois de tantos anos, por que esse seu retorno ao DEM?
José Carlos Machado -
Depois de muita insistência, principalmente da cúpula do Democratas em nível nacional, o ACM Neto, José Carlos Aleluia e o Pauderney Avelino foram colegas e com quem eu convivi, no período de 2003 a 2010, tanto como deputado quanto na Executiva Nacional. Eu era parlamentar e participava da Executiva Nacional. Quando Rodrigo Maia foi presidente, eu cheguei a ser vice-presidente do partido. E depois de muita conversa, em uma delas eu disse que isso passa necessariamente pelo que pensa a senadora Maria do Carmo.

JLPolítica – E o que é que eles pensam e querem do DEM?
JCM -
O ACM Neto tem um discurso muito claro: ele acha que está na hora de recuperar o prestígio dos democratas, do antigo PFL, sobretudo no Nordeste brasileiro. Ele analisa a performance que o Partido dos Trabalhadores teve, sobretudo no Nordeste, que foi um negócio impressionante. Em Sergipe, o PT chegou a ganhar a eleição de segundo turno para presidente em todos os municípios. Isso não aconteceu em nenhum outro Estado. Onde o PT perdeu em muitos municípios do Nordeste foi em três ou quatro.

JLPolítica – Como é que está o DEM no âmbito nordestino?
JCM -
Eu não sei bem, mas eu recebi a missão aqui em Sergipe, a mesma de ACM Neto na Bahia, de Agripino Maia, no Rio Grande do Norte, em Alagoas vai continuar com seu José Tomás Nonô. O ACM Neto me nomeou presidente da Comissão Provisória e eu me debrucei sobre um partido completamente desorganizado, quase extinto. E vencer essa burocracia tem sido muito difícil. Um partido hoje tem que funcionar quase que como uma empresa, com CNPJ ativo, prestação de contas ao cartório eleitoral e, a cada ano, apresentar declaração de imposto de renda.

JLPolítica - E o que o senhor promete para o partido? 
JCM –
Em nome do DEM, prometo luta e trabalho. E as conversas tem ocorrido de forma permanente. Os resultados, se não apareceram até hoje, espero que até dezembro comecem a aparecer. Porque as conversas estão sendo muito boas. Eu tenho conversado, sobretudo, com aqueles agrupamentos que não estão embaixo do guarda-chuva do Governo. Porque convencer um político a deixar o governo é difícil. Tenho explicado que o partido está bem estruturado em nível nacional, que é um dos mais fortes, com os presidentes da Câmara Federal e do Senado e três Ministérios importantes. Tudo isso pode abrir portas, principalmente para aqueles grupos políticos que pretendem se eleger prefeito agora em 2020.

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Com dois correligionários, Maria do Carmo Alves (senadora por Sergipe) e ACM Neto ( prefeito de Salvador)

MAS O QUE PROMETE PARA O PARTIDO? 
“Em nome do DEM, prometo luta e trabalho. E as conversas tem ocorrido de forma permanente. Os resultados, se não apareceram até hoje, espero que até dezembro comecem a aparecer. Porque as conversas estão sendo muito boas”


 JLPolítica - O senhor sabe o tamanho da bancada do DEM no Congresso?
JCM -
  São cerca de 33 deputados, salvo engano. Além de oito ou nove senadores.

JLPolítica - Qual é o significado de 2020 nesse seu planejamento?
JCM -
As conversas com ACM Neto seguem essa linha de valoração de 2020, tanto que ele já me questionou sobre os municípios de Sergipe que tem mais de 50 mil habitantes. Ele tem essa preocupação, e é natural. Agora, Sergipe é um pouco diferente dos demais Estados: com mais de 50 mil habitantes nós só temos cinco municípios. Temos 70 municípios com menos de 50 mil habitantes. Em Aracaju, possivelmente teremos candidato. Assim como em São Cristóvão, Socorro, Estância e, talvez, em Itabaiana e Lagarto, onde as conversas já começaram a acontecer.

JLPolítica - E quem seria o candidato de Aracaju?
JCM -
Devo dizer que não sei. Nós não temos nada definido ainda. Mas especula-se a possibilidade de ser Gilmar Carvalho que, se conseguir um resultado satisfatório, migraria para o DEM. Garibaldi Mendonça também aposta nessa possibilidade. Mas nós vamos ficar só nessas hipóteses? Não. Temos filiados no partido que podem, porque preenchem as necessidades de uma candidatura, como a própria senadora Maria do Carmo. Recentemente, me lembraram de Georlize Oliveira e eu já conversei com ela sobre isso.

JLPolítica - A senadora Maria do Carmo é descartada como candidata?
JCM -
Não. Assim de pronto, ela disse que não sabe, que não dava. Mas isso é natural. Vamos esperar as coisas evoluírem. O que sei é que temos um plano A, um plano B, um plano C. E se tudo correr bem, nós devemos ter candidato em Aracaju.

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Com outro correligionário, Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil do Governo Jair Bolsonaro

QUEM O DEM TERIA NA DISPUTA POR ARACAJU
“Devo dizer que não sei. Especula-se a possibilidade de ser Gilmar Carvalho e Garibaldi Mendonça também aposta nessa possibilidade. Mas nós vamos ficar só nessas hipóteses? Não”


 JLPolítica - Entre Gilmar e Garibaldi, o senhor teria uma preferência?
JCM -
Não e eu nem poderia. Eu sou dirigente do partido, e tenho que ter muito cuidado com essa coisa de preferência. Eu tenho conversado e dito a ambos que se as pretensões deles avançarem, o importante não é somente ter conversado comigo ou com a senadora Maria ou com o ACM Neto. Se nós tivermos mais de um pleiteando, ótimo, e eu, a cúpula do partido, assim como a senadora, precisamos estar convencidos, mas é preciso convencer sobretudo outras esferas, como os vereadores que já estão com mandato pela legenda e também os prováveis candidatos a vereador. É preciso convencer a essas pessoas. Já disse isso a eles dois.

JLPolítica - Há uma especulação em Sergipe de que o senhor e a senadora Maria do Carmo não se combinam. Isso mudou?
JCM -
Vice já disse do que se trata: de especulação. Isso não procede. Eu me dou muito bem com a senadora Maria do Carmo.

JLPolítica - Qual foi a reação dela quando apresentaram seu nome?
JCM -
Ela, de pronto, olhou para Aleluia e para Pauderney e disse: “Não tem nome melhor”. Na hora, ela fez um ofício sugerindo de comum acordo conosco os membros da Comissão Provisória de Sergipe. Ela não impôs absolutamente nenhum. Ela disse: “Machado, a decisão é sua. Escolha os seis nomes que vou encaminhar para a Executiva Nacional”. Tenho conversado com dona Maria quase que diariamente. Aliás, ela tem dado um dinamismo novo ao mandato dela, percorrido alguns pontos de Aracaju e de Sergipe. Tem se colocado à disposição dos prefeitos - ela sempre fez isso, mas agora com mais ênfase. Estamos tentando organizar o partido e a senadora Maria do Carmo entende que tem obrigação de atender a todos, de encaminhar os problemas que chegam e estão ao seu alcance. 

JLPolítica - Mas o senhor vê nessa nova dinâmica dela uma perspectiva dela assumir uma campanha eleitoral em 2020?
JCM -
Eu torço por isso. Eu já disse a Maria o quanto gostaria de vê-la candidata a prefeita de Aracaju. Ela refuta, e é difícil você penetrar no íntimo das pessoas. Mas eu sempre digo isso a ela. Aliás, eu não me restrinjo a uma candidatura a prefeito de Aracaju, mas também sei da possibilidade da reeleição dela para o Senado. Qual é o problema? O que ela me diz que já estará com 78 ou 79 anos. E eu lhe digo disse: “Olhe que passou por nós, agora, um senador que tem mais de 90 anos”.

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Com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, outro companheiro de partido

REAÇÃO DE MARIA À INDICAÇÃO PRO COMANDO DO DEM
“Ela, de pronto, olhou para Aleluia e para Pauderney e disse: “Não tem nome melhor”. Na hora, fez um ofício sugerindo de comum acordo conosco os membros da Comissão Provisória de Sergipe. Ela não impôs absolutamente nenhum. E disse: “Machado, a decisão é sua””


 JLPolítica - O senhor acha que a doença de João Alves favorece também a ascensão do DEM?
JCM -
Não sei. O que sei é que eu gostaria de ver o João Alves portando mais saúde. Mas se favorece ou não, digo que isso é próprio dos brasileiros: nas dificuldades, começam a se lembrar mais, a usar como referência. O fato é que ninguém fez por Sergipe o que João Alves fez. Ele governou Sergipe por três vezes, Aracaju por duas vezes e fez por ambos coisas extraordinárias e de extrema relevância.

JLPolítica - Qual é a visão que a maioria da nova geração tem de João Alves?
JCM -
Acho que já começam a avaliar melhor. Digo isso baseado nas conversas que tenho com meu próprio filho e com os colegas dele, por exemplo. Eles começam a me questionar quem fez tal coisa e eu respondo que foi João. E outra coisa? Foi João também. Tudo isso ajuda, principalmente numa situação de quase marasmo que predomina em Sergipe de uns anos para cá. Sergipe passa por dificuldades extremas. Não quero aqui buscar culpar, porque não adianta. O que temos é que buscar alternativas para tirar Sergipe dessas dificuldades. E quem diz que esses anos foram perdidos não sou eu.

JLPolítica – Quem é que diz?
JCM -
Em 2017, técnicos da Universidade Federal de Sergipe apresentaram um relatório cuja conclusão era de uma década perdida. Sergipe piorou em tudo. Tem um fato importante: dos índices que mediam a qualidade de vida do sergipano, vigoraram antes de 2005, era motivo de orgulho para todo sergipano. Numa conversa com Delfim Neto, antes de uma reunião da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, eu comentei com ele sobre esses dados e, dias depois, ele escreveu um artigo para a Folha de S. Paulo dizendo que quem não é o maior, tem que ser o melhor. Naquela época, João tinha por objetivo enquanto governador de terceiro mandato universalizar o abastecimento de água em Sergipe, que foi o primeiro a universalizar o abastecimento de energia elétrica, através do Governo Federal, mas que aconteceu sobretudo pela disposição do governo estadual. E quando em todos os estados, a iniciativa era de 20%, 30%, em Sergipe aconteceu de forma acelerada porque o governo aumentou a contrapartida. Inclusive, em termos de abastecimento de água, o Estado só perdia para São Paulo e para o Distrito Federal.

JLPolítica - Nesse replanejar de DEM e da sua vida, o que pensa para o senhor em 2020?
JCM -
Eu não penso em candidatura, embora as conversas que tenho com prováveis candidatos sempre acabam com eles me questionando o motivo de eu mesmo não disputar. Eu ouço calado e adoto uma postura de reserva, porque estou no comando de um partido e não posso impor nada. Tenho que surgir naturalmente.

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Mas já esteve no PPS (hoje, Cidadania) e no PSDB de Aécio Neves

DA FALTA QUE FAZ JOÃO ALVES
“Eu gostaria de ver o João Alves portando mais saúde. O fato é que ninguém fez por Sergipe o que João Alves fez. Ele governou Sergipe por três vezes, Aracaju por duas vezes e fez por ambos coisas extraordinárias e de extrema relevância”


JLPolítica - Por que o senhor não mata o bicho político que tem aí dentro?
JCM -
Não posso. Matar o bicho político que tem dentro de mim é matar a mim mesmo. É me anular, porque esse bicho me ocupa quase que em 90%.

  JLPolítica –  O senhor ainda sonha com Brasília?
JCM -
Sonho. Se o que estamos planejando der certo, eu tenho que pensar numa candidatura a deputado federal ou a senador da República em 2022.

JLPolítica - O senhor foi feliz no PPS e no PSDB?
JCM -
Político nunca está completamente satisfeito com as coisas. Eu migrei para o PSDB depois de muita conversa, especialmente com João Alves, porque ia ser candidato a vice-prefeito dele e não podia ser uma chapa puro sangue. Fui para o PPS, porque via no partido uma perspectiva maior de me eleger deputado federal. Não deu certo. Mas eu não lamento, até porque voltei às origens e tenho a meta de reestruturar o Democratas, que eu não tenho dúvida nenhuma de ser possível. Nós já temos quatro prefeitos filiados ao partido e eu quero ver se saímos de 2020 com 12.

JLPolítica - Qual a culpa dos senhores políticos para Sergipe ter perdido um pouco o bonde da história e estar atrasado?
JCM -
Foi uma série de fatores, entre eles, o crescimento, muito acima da inflação, das despesas obrigatórias. Num passado recente, tínhamos três ou quatro servidores ativos para um inativo. Hoje é praticamente um para um, e isso, independentemente de quem seja o governo. Essa diferença cresce até de forma vegetativa, mas alguns governos podem ter impulsionado isso.

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Mas foi com João Alves a sua mais extensa parceria, de quem foi vice-prefeito de Aracaju, de 2013 a 2016

DO SONHO DE UM DIA VOLTAR A BRASÍLIA
“Matar o bicho político que tem dentro de mim é matar a mim mesmo. É me anular, porque esse bicho me ocupa quase que em 90%. Sonho. Se o que estamos planejando der certo, eu tenho que pensar numa candidatura a deputado federal ou a senador da República em 2022”


JLPolítica - O que o senhor tem achado do Governo Bolsonaro?
JCM -
O Jair Bolsonaro sofre de uma coisa que, necessariamente, ele tem que corrigir: o sincericídio. Ele, como presidente, não pode falar tudo o que pensa. Ele precisa fechar a boca e analisar bem o que vai responder.

JLPolítica - Quais as consequências do sincericídio na política?
JCM -
A geração desse tumulto. Tudo é um excesso de discussão, quando devíamos ser mais objetivos. O Governo, na área econômica, tem boas ideias. Mas na prática? Em minha opinião, essa reforma da Previdência, por exemplo, já deveria ter acontecido. Falta o que? Falta disposição do Governo de conversar com os setores da política. Porque a solução de tudo passa pela política.

JLPolítica - Se Bolsonaro tivesse o fair-play de Mourão aconteceria o que?
JCM –
Ah, eu prefiro esse estilo. Acho que as coisas estariam mais palatáveis.

JLPolítica - O senhor acha que Belivaldo Chagas ficará definitivamente no Governo?
JCM -
Eu torço para que ele fique, mas, óbvio, a decisão não será minha. As dificuldades, principalmente as fiscais, pelas quais passa o Estado, são tão grandes e ter mais essa, inibiria o Governo. É muita preocupação extra.

JLPolítica - Por falar nisso, lhe preocupa o fato de Sergipe estar perdendo a base administrativa da Petrobras para o Espírito Santo?
JCM –
Sim. Eu participei de uma reunião onde ficou decidido que seria enviado um ofício curto e grosso, ao presidente da Petrobras, dizendo que Sergipe merece respeito. Porque eu estive na Superintendência da Petrobras daqui na companhia de Luciano Bispo, Albano Franco e Luciano Pimentel e ouvi do superintendente momentos de pleno entusiasmo. Ele anunciou investimentos, anunciou o início da perfuração em águas profundas, o que acarretaria uma produção extraordinária do gás e até a feitura de um gasoduto de longa extensão para trazer o gás até o litoral. E depois disso anunciar o fechamento? É uma piada? Eu acho que a Petrobras está vacilando muito e que nós, políticos sergipanos, estamos aceitando as explicações - às vezes até sem lógica. A questão da Fafen, por exemplo, ou reabre ou não reabre. Porque o discurso de hoje é o mesmo de um ano atrás.

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De 1995 a 1998, foi o vice-governador de Albano Franco

DO SINCERICÍDIO QUE ATRAVANCA JAIR BOLSONARO
“O Jair Bolsonaro sofre de uma coisa que, necessariamente, ele tem que corrigir: o sincericídio. Ele, como presidente, não pode falar tudo o que pensa. Ele precisa fechar a boca e analisar bem o que vai responder”


 JLPolítica - Além da 101, qual seria outra demanda federal que Sergipe teria?
JCM -
A do Canal de Xingó, e me entristeço porque, lamentavelmente, a classe política do Estado não está entendendo a importância que essa obra pode ter para nós.

JLPolítica – E qual é a importância?
JCM -
É uma vazão transportada de 30 metros cúbicos por segundo. O que isso significa? O canal que abastece grande parte dos projetos de irrigação em Israel tem uma vazão de 60 metros cúbicos. O daqui seria a metade. Não é uma coisa pequena. É água suficiente para abastecer uma população de 8 milhões de habitantes. Seria uma segurança hídrica para Sergipe como um todo, além de para a Bahia.

JLPolítica - E por que não avança?
JCM -
Nós já ouvimos promessas de que a obra já estaria iniciada. Mas ouvi recentemente na Codevasf que não tem recurso para finalizar o projeto. Isso compete ao governador, numa conversa com a bancada, viabilizar recursos para essa finalidade. Fazer uma parceria com a bancada da Bahia. Outra demanda é a duplicação da BR-235, ligando Aracaju à entrada de Itabaiana. Porque com a inauguração da BR-235 entre Juazeiro e Carira, o tráfego vai aumentar de 30% a 40%. Ou duplica ou não vai andar.

JLPolítica - Sergipe excede-se em gás da Petrobras e estaria escasso de gás dos políticos para defender o futuro do Estado?
JCM -
Disposição, parece que tem. Mas não é só disposição. Se eu vou conversar com um ministro sobre isso ou sobre aquilo, eu tenho que estar, necessariamente, bem informado sobre isso ou aquilo. O que foi que o ministro prometeu? Concluir 25km da BR-101. Eu que estou ali representando meu Estado, eu tenho que saber que para concluir 25 km é preciso R$ 100 milhões, que têm que estar no orçamento. Aí eu vou olhar o orçamento do Dnit e ele tem só R$ 18 milhões.

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Tem dois mandatos de deputado estadual e dois de deputado federal

DA PREOCUPAÇÃO COM O FUTURO DE BELIVALDO E DE SERGIPE
“Eu torço para que ele fique, mas, óbvio, a decisão não será minha. As dificuldades, principalmente as fiscais, pelas quais passa o Estado, são tão grandes e ter mais essa, inibiria o Governo. É muita preocupação extra”


 JLPolítica - A conta não fecha.
JCM -
Se a obra vai ter continuidade, precisa colocar orçamento para o próximo ano. Então, eu acho que num momento de crise como esse, precisa haver unidade da classe política, dos empresários, da sociedade organizada, dos sindicatos, para tirar Sergipe desse buraco. Eu sou daqueles que torcem para que tudo dê certo.

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E , como deputado estadual, foi contemporâneo de Marcelo Deda