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Entrevista

Jozailto Lima

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Jovanka Leal “Chego com a vontade imensa de ajudar meu país e a Sergipe”

“Não se pode banir do mapa o povoado Saco”


Jovanka Carvalho Praciano Ideburque Leal não pensa pequeno. E nem pequena é a missão que cabe a esta bacharel em Direito, pedagoga e professora da Universidade Federal de Sergipe atualmente no Estado, que é a de comandar a Superintendência do Patrimônio da União – SPU – em Sergipe.

Para se ter ideia do tamanho das atribuições de Jovanka Leal, sob a jurisdição do órgão que ela administra existem nada menos do que 32 mil imóveis em Sergipe. E cuidar desse espólio é apenas parte do ofício dela e dos poucos técnicos que a SPU dispõe em Sergipe.

“Nós gerenciamos muitos imóveis. Quando digo gerenciamos imóveis, estou falando de terrenos, casas. São cerca de 32 mil imóveis em Sergipe. É muita coisa. Quando recebi essa informação dos técnicos, quase caí de costas”, diz, com ar de espanto.

Há outras atribuições maiores, como as de licenciar obras e ações nas esferas públicas e particulares, ou de cobrar dívidas de usos de espaços públicos da União no Estado.

E aqui Jovanka dá uma informação bem abalizadora da dimensão da SPU. “O Governo (do Estado) não é o senhor das maiores demandas. É senhor das demandas mais complexas. Quem mais demanda (a SPU) é a iniciativa privada. Em questão de irregularidade na aquisição dos imóveis”, diz ela.

Mas se a missão é grande, ela vai encontrar em Jovanka Leal, 47 anos, uma disposição à altura. “Chego com um espírito colaborativo. Chego com espírito de amor ao Brasil, com uma vontade imensa de ajudar ao meu país e a Sergipe. Com um espírito patriótico”, diz a moça.

“Espero que a minha energia de servidora, de mulher, de brasileira, de uma pessoa que lutou por essa renovação política, some-se à força dos servidores, sempre na linha do que tenho recebido de Brasília para que a gente realmente consiga fazer uma gestão mais eficiente”, completa ela. A “renovação política” de que fala Jovanka é o bolsonarismo, de quem é uma signatária roxa.

Essa sua “vontade imensa de ajudar o país e a Sergipe” já lhe levou a dois encontros com o governador Belivaldo Chagas. E, naquele jeito quase superlativo dela, Jovanka Leal sentiu energia firme de parte a parte. “O governador Belivaldo Chagas tem recebido a gente com bastante boa vontade de terminarmos e acertamos o que temos para tratar juntos”, diz.

No horizonte do Governo do Estado, duas demandas rápidas junto a SPU: aprovar a liberação da licença para urbanização da Orla Sul de Aracaju, da Atalaia ao Vaza-Barris, e achar solução para uma dívida do Governo do Estado junto à União por uso dos espaços da Orla da Atalaia.

“Temos primeiro que negociar uma dívida bastante longa com a Orla da Atalaia por parte do Governo do Estado, que deve um valor significativo. Se formos calcular de quando deixou de ser pago, chegaria a R$ 250 milhões. Mas já fizemos uma consulta e vamos considerar somente os últimos cinco anos e procurar recalcular essa dívida em termos de metros quadrados, desconsiderando áreas livres”, diz Jovanka.

Prometendo uma SPU menos burocrática e mais pé no chão, Jovanka Leal vê com bons olhos a liberação da urbanização na Orla Sul de Aracaju. “Que a SPU dê prioridade a esse tipo de relação institucional. Então, quando a gente dá prioridade a esses procedimentos aqui internamente, a resolver essas questões que envolvem os entes da Federação, é bom para o Estado, bom para economia e gera empregos”, diz a executiva.

Jovanka Leal tem opiniões muito positivas sobre temas polêmicos, como o do massacre que a Justiça Federal e o Ministério Públicos Federal e Estadual querem fazer ao povoado Saco, em Estância. Ela não é a favor da possibilidade de banimento do mapa da existência do povoado.

Eu creio, e essa é uma orientação técnica que já recebi, que isso não é possível, porque a economia local seria muito prejudicada. Ali existe uma economia que vive em função daquilo. Existe vida econômica. Então não sou muito a favor dessa postura radical. Existem opiniões que têm que ser pautadas por estudos técnicos”, diz.

Mas tem opiniões controversas, quando em pauta está seu ídolo, o presidente Jair Bolsonaro. “Eu, particularmente, gosto do jeitão truculento do homem brasileiro que Bolsonaro representa. Quanto à capacidade de gestão dele, isso ainda está se desenrolando. Eu estou dando um voto de confiança”, diz. E pede apaziguamento entre as visões de esquerda e de direita retalham o Brasil neste momento. “Vamos parar de falar em esquerda e direita e vamos falar em Brasil”, apela.

Jovanka Carvalho Praciano Ideburque Leal nasceu em Paulo Afonso, na Bahia, e desde janeiro de 1997 mora em Sergipe. Ela tem um filho de 24 anos, do primeiro casamento, e é casada pela segunda vez com Fábio Santos Carvalho, filho do Tenente Aragão, sergipano falecido no exercício da profissão.

A professora Jovanka Leal é filha do professor, escritor e colunista Ivus Conde Ideburque Leal, cearense radicado no sertão baiano, e da professora Josefana Maria Praciano Leal, já falecida.

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Essa sua “vontade imensa de ajudar o país e a Sergipe” já lhe levou a dois encontros com o governador Belivaldo Chagas
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É casada com Fábio Santos Carvalho

JLPolítica - Com que espírito a senhora chega à Superintendência do Patrimônio da União em Sergipe?
Jovanka Leal -
Chego com um espírito colaborativo. Chego com espírito de amor ao Brasil, com uma vontade imensa de ajudar ao meu país e a Sergipe. Com um espírito patriótico. Espero que a minha energia de servidora, de mulher, de brasileira, de uma pessoa que lutou por essa renovação política, some-se à força dos servidores, sempre na linha do que tenho recebido de Brasília para que a gente realmente consiga fazer uma gestão mais eficiente.

JLPolítica - O que a senhora tem recebido de orientação de Brasília?
JL –
Tenho recebido a sugestão de que é necessário que a gente tenha um espírito austero, uma intensiva dedicação ao serviço público para resgatar o país dessa crise que entramos em decorrência de vários fatores. E nisso está Sergipe.

JLPolítica - Como é que o nome da senhora foi indicado para esta função?
JL -
O meu nome foi conhecido pela equipe de Bolsonaro através da atuação pró-governo durante a campanha, e efetivamente o meu currículo, que já estava disponibilizado no cadastro de servires, acabou chegando a uma pessoa que eu conhecia e apresentou um vídeo que eu tinha feito me colocando totalmente à disposição do Governo Federal para o que ele necessitasse.

JLPolítica – Isso em que esfera do Governo Federal?
JL -
Fui apresentada por essa pessoa ao pessoal da Segov - Secretaria Geral de Governo - comecei a colaborar em alguns relatórios e informações. Então, fizeram-me o convite. Ao fazerem-me o convite, meu currículo foi levado à equipe de desestatização e desinvestimento, que o analisou e fez uma entrevista comigo. Eu superei os técnicos de conhecimento de formação e também superei nas perguntas feitas sobre Sergipe e sobre como resolver os problemas. 

UM MANIFESTO DE INTENÇÕES
“Chego com um espírito colaborativo. Chego com espírito de amor ao Brasil, com uma vontade imensa de ajudar ao meu país e a Sergipe. Com um espírito patriótico”

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Tem Titulo de Cidadã Sergipana

JLPolítica - A senhora está se sentido bem no posto?
JL -
Estou apaixonada pela SPU. Eu entrei numa afinidade muito grande com a atividade da Superintendência. Estou alinhada e realmente gostando da atividade. Cuidar do patrimônio da União é uma honra para um servidor público.

JLPolítica - Quais são os grandes problemas e gargalos da SPU em Sergipe a serem resolvidos pela nova gestão?
JL -
Nós temos uma dificuldade no relacionamento com os cartórios e precisamos melhorar essa relação. É um passo que vamos tratar e dar aqui dentro. E temos também uma demanda judicial muito grande. A SPU tem sido chamada a cumprir várias limiares e decisões judiciais. O Ministério Público tem fiscalizado muito a atuação da SPU. E essas demandas judiciais são um grande peso nas costas da SPU. A omissão anterior do Governo Federal na pasta da SPU gerou essa grande demanda.

JLPolítica - Havia um grande abandono?
JL -
Havia, sim, um grande abandono. Um descumprimento das obrigações de fazer.

JLPolítica - A senhora e a sua gestão já têm o levantamento do que seja o patrimônio da União no Estado de Sergipe? É muita coisa?
JL -
É. Nós gerenciamos muitos imóveis. Quando digo gerenciamos imóveis, estou falando de terrenos, casas. São cerca de 32 mil imóveis em Sergipe. É muita coisa. Quando recebi essa informação dos técnicos, quase caí de costas. Mas é exatamente isso.

UM ENCAIXE PERFEITO, E COM AFETO
“Estou apaixonada pela SPU. Eu entrei numa afinidade muito grande com a atividade da Superintendência. Estou alinhada e realmente gostando da atividade. Cuidar do patrimônio da União é uma honra para um servidor público”

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Apresentando o seminário de projetos do DED -UFS

JLPolítica - Em que situação se encontra esse patrimônio no aspecto da preservação, e documentalmente?
JL -
A gente precisa fazer uma classificação desse patrimônio entre as áreas de imóveis que são adquiridos pela União por diversas questões judiciais, como penhora, reservas florestais, etc. Tudo precisa ser classificado. Então eu poderia responder essa pergunta por partes. Se tratarmos dos imóveis, temos três tipos de situação: os bem precários, que nem valem a pena restaurar e cuidar. Era melhor que fossem derrubados e tivessem o terreno disponível. Os que são perfeitamente recuperáveis, com uma pequena reforma e que podem servir a órgãos públicos, a associações, basta que tenhamos uma destinação eficiente, e temos aqueles imóveis bastante complicados, como é o caso do Hotel Palace.

JLPolítica - A senhora poderia dar como exemplo cinco imóveis da União que não são associados como públicos?
JL –
Há muitas casas dentro da cidade, como uma delas que nesse momento está com desvio de finalidade: é da União, foi cedida para o Estado e tem uma associação irregular e uma oficina funcionando lá.

JLPolítica – No país inteiro são 400 mil imóveis ou 700 mil imóveis?
JL -
Não posso lhe dizer este dados nacionais. Não disponho.

JLPolítica - De Sergipe, algo será vendido, leiloado?
JL -
Sim. Nós já enviamos para Brasília algumas informações para esse tipo de procedimento. Eles têm solicitado. Eles pediram poucos, porque vão fazer por blocos e a gente ainda não tem muita clareza de como será o calendário de vendas. Mas eles já começaram a pedir informações desses imóveis disponíveis, prontos para venda.

UM ASSOMBROSO E INVISÍVEL PATRIMÔNIO
“Nós gerenciamos muitos imóveis. Quando digo gerenciamos imóveis, estou falando de terrenos, casas. São cerca de 32 mil imóveis em Sergipe. É muita coisa. Quando recebi essa informação dos técnicos, quase caí de costas. Mas é exatamente isso”

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Com a sogra, Helena. Fábio, o marido, eu e o pai Ivus

JLPolítica - Como é que tem sido até agora a sua interlocução com o Governo do Estado de Sergipe?
JL –
Tem sido muito boa, mais do que eu esperava em termos de qualidade. O governador Belivaldo Chagas tem recebido a gente com bastante boa vontade de terminarmos e acertamos o que temos para tratar juntos. 

JLPolítica - Governo do Estado é o senhor das maiores demandas, ou é a iniciativa particular quem mais exige?
JL -
O Governo não é o senhor das maiores demandas. É senhor das demandas mais complexas. Quem mais demanda é a iniciativa privada. Em questão de irregularidade na aquisição dos imóveis.

JLPolítica - Quais são as principais demandas que o Governo do Estado tem apresentado?
JL -
Temos primeiro que negociar uma dívida bastante longa com a Orla da Atalaia por parte do Governo do Estado, que deve um valor significativo. Se formos calcular de quando deixou de ser pago, chegaria a R$ 250 milhões. Mas já fizemos uma consulta e vamos considerar somente os últimos cinco anos e procurar recalcular essa dívida em termos de metros quadrados, desconsiderando áreas livres.

JLPolítica - Essa dívida remonta a quantos anos?
JL -
Remonta ao ano de 2009.

DE SERGIPE, ALGUNS BENS DA UNIÃO IRÃO A LEILÃO
“Nós já enviamos para Brasília algumas informações para esse tipo de procedimento. Eles pediram poucos, porque vão fazer por blocos e a gente ainda não tem muita clareza de como será o calendário de vendas”

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Com Renan, de 24 anos, filho do seu primeiro casamento

JLPolítica - O governador era sabedor dela?
JL -
Não tenho como lhe dizer.

JLPolítica - A senhora fala muito da necessidade de se ajudar a Sergipe a sair da crise e a voltar a crescer. De que forma a SPU pode ser parceira nisso?
JL -
Muito boa essa pergunta: a população precisa saber disso. O Governo Federal pode estender a mão para que na atuação do Governo do Estado a economia se reaqueça, principalmente agilizando os processos burocráticos que envolvem a cessão tanto gratuita quanto onerosa da atividade do Estado.Então, vou dar como exemplo: nós temos algumas obras para serem realizadas pelo Governo do Estado e se esses processos ficarem presos ou demorarem demais dentro da SPU, eles acabam dificultando essa atividade do Estado. Para que o Estado consiga botar essa atividade em prática tem as licitações, as empresas, as construtoras etc, que aquecem o mercado e trazem empregos. Isso, sim, ajuda o Estado a sair da crise.

JLPolítica - O cordão umbilical da SPU está ligado a que órgão federal em Brasília? Tem alguma superintendência nacional?
JL –
Está ligado ao Ministério da Economia, à Secretaria Especial de Desestatização e Desinvestimento, logo depois vem a SPU. Ela está nesse nicho. Diretamente dentro da desestatização e do desinvestimento, com o doutor Salim Mattar, o secretário Especial da Desestatização e Desinvestimento.

JLPolítica - O que é que está faltando para a liberação da intervenção de urbanização na Orla Sul de Aracaju, de Atalaia ao Vaza-Barris?
JL -
Exatamente como acabei de falar: que a SPU dê prioridade a esse tipo de relação institucional. Então, quando a gente dá prioridade a esses procedimentos aqui internamente, a resolver essas questões que envolvem os entes da Federação, é bom para o Estado, bom para economia e gera empregos. Então, as vezes as pessoas têm a pequena noção de que nós demoramos para fazer a transferência de imóvel pessoal. Por exemplo, você vende seu imóvel e precisa que a SPU agilize o procedimento aqui, internamente, mas efetivamente se nós nos dedicarmos um pouco mais, nosso corpo técnico a resolver as questões institucionais, é bom para Sergipe de um modo geral. Gera arrecadação e a gente vê a estrutura melhorando, as obras acontecendo e o governo atuando. Esse é o foco que a gente precisa dar. Sempre pensar no global. Obviamente que o cidadão sente a demora de um despacho aqui dentro para resolver um problema de transferência de imóvel, mas quando a gente tem que optar o que que a gente dá prioridade, o que que a gente destina à atividade da equipe, a gente sempre pensa nesse sentido.

DA BOA PARCERIA COM O GOVERNO DO ESTADO
“O governador Belivaldo Chagas tem recebido a gente com bastante boa vontade de terminarmos e acertarmos o que temos para tratar juntos. (Mas) o Governo não é o senhor das maiores demandas. É senhor das demandas mais complexas”

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Ela formou-se em Direito pela Universidade Tiradentes, em Pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia

JLPolítica - O que a senhora está dizendo é que sob a sua gestão a SPU não vai ser uma dificultadora?
JL -
Para o Governo do Estado, não. Nós vamos inclusive tentar apoiá-lo para que a gente veja esse governo conseguindo realizar as propostas que de fato ele tem.

JLPolítica - A senhora não considera a situação do prédio do Palace Hotel a crônica de uma tragédia anunciada?
JL -
Tecnicamente, o Hotel Palace tem solução. Em termos de engenharia estrutural, tem sim. Ele tem problemas sérios, mas resolvíveis. Não corre risco de desabar, por exemplo. Ele tem problemas, por exemplo, de fiação antiga, que pode causar um curto. Tem problemas de vazamento, mas esses problemazinhos estruturais têm condições de ser sanados sem dúvida nenhuma.

JLPolítica - A senhora quer e promete uma SPU menos burocrática?
JL –
Sim. Já estou pondo em prática esse enxugamento da burocracia. Por exemplo, já trabalhando sem despachos físicos em processo e sim com processo online.

JLPolítica - A senhora não considera que a linha de terreno de marinha traçada pela SPU para Aracaju e outros municípios ribeirinhos do Atlântico estaria desfasada?
JL -
Não é bem um desfasamento. Talvez seja um atraso na demarcação. E esse atraso tem a ver com as gestões anteriores. Isso a gente vai estruturar agora, com as instruções da unidade central, e um calendário e um modelo de ação mais coordenados. Já tem um grupo sendo montado para linhas de demarcação.

DESEJO DE COLABORAR COM O AVANÇO DE SERGIPE
“O Governo Federal pode estender a mão para que na atuação do Governo do Estado a economia se reaqueça, principalmente agilizando os processos burocráticos que envolvem a cessão tanto gratuita quanto onerosa da atividade do Estado”

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É especialista em Administração e está em doutoramento em Direito Penal e Política Criminal na Faculdade de Direito da Universidade de Granada, na Espanha

JLPolítica - Qual é o seu conceito para o imposto aplicado aos chamados terrenos de marinha?
JL -
Eu creio que, na atual conjuntura, não deveríamos mexer nesse imposto, para que o país possa ser resgatado dos problemas financeiros que tem. Mas no futuro isso deve ser revisto, sim. O cidadão precisa pagar menos imposto no Brasil. Só que esse momento talvez não seja o mais adequado pela condição a que chegamos.

JLPolítica – Mas a senhora não leva a sério o estudo que diz que os parâmetros para determinar o terreno de marinha estariam defasados no Brasil inteiro?
JL -
Essa questão do avanço do mar, sabemos que tem muita relação com os fenômenos da interferência do homem na natureza. Então, esse estudo precisa ser mais aprofundado do que apenas dizer se está defasado ou não. Eu, como não sou uma estudiosa, prefiro não opinar. Essa pergunta talvez respondida por um técnico fosse muito mais esclarecedora. O que posso dizer é que existem pessoas sérias trabalhando essa questão do avanço do mar em algumas áreas e que isso precisa ser melhor apresentado à sociedade.

JLPolítica - A SPU pode ter algum tipo de participação no que está ocorrendo hoje na extrema zona sul com a interdições imobiliárias na Praia do Saco?
JL -
A SPU tem uma atuação sim, tem uma responsabilidade na Praia do Saco juntamente com o município de Estância e o Estado. Existe uma força tarefa coordenada. Eu mesmo já coordenei aqui uma reunião na qual pedi que os agentes sejam unidos e participativos, para que o Ministério Público não venha a jogar nas costas de um ente só, por exemplo o município de Estância. Infelizmente, eu tenho visto que o município tem sido o mais prejudicado.

JLPolítica - A senhora é a favor de se banir do mapa a existência do povoado do Saco?
JL -
Eu creio, e essa é uma orientação técnica que já recebi, que isso não é possível, porque a economia local seria muito prejudicada. Ali existe uma economia que vive em função daquilo. Existe vida econômica. Então não sou muito a favor dessa postura radical. Mas, como lhe disse, existem opiniões que têm que ser pautadas por estudos técnicos.

LIBERAÇÃO DA URBANIZAÇÃO DA ORLA SUL DE ARACAJU
“Que a SPU dê prioridade a esse tipo de relação institucional. Quando a gente dá prioridade a esses procedimentos aqui internamente, a resolver essas questões que envolvem os entes da Federação, é bom para o Estado, bom para economia e gera empregos”

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Jovanka em família: o filho Renan, a nora Thays Eloy, o marido e enteado Ícaro. Além do cachorro Spider

JLPolítica - Isso passa pela SPU, pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual...
JL -
E pelos estudiosos do problema. Nós precisamos levar em consideração a voz de pessoas da área. Esses técnicos têm total capacidade para opinar e orientar não só a gestão da SPU, mas os magistrados e os membros do Ministério Público Federal, que precisam escutar esses técnicos que são atuantes.

JLPolítica - A senhora se refere a técnicos de que área?
JL -
Tanto da SPU quanto da Sema, do Ibama, a estudiosos das universidades, que estão preparadíssimos a orientar inclusive as decisões do Ministério Público e das Justiças Federal e Estadual. Eles deveriam ser melhor consultados.

JLPolítica - A SPU de Sergipe tem receitas próprias?
JL -
Nós temos aqui algumas atividades que são de permissão de uso, mas eu gostaria de dizer que essa verba arrecadada não fica dentro do órgão. Ela vai toda diretamente para a União, e depois é redistribuída pelos Estados conforme o que se arrecada. Principalmente para os municípios. Ou seja: se a SPU arrecada bem, os municípios serão os maiores beneficiados.

JLPolítica - A instituição em Sergipe tem um corpo técnico à altura das suas reais necessidades?
JL -
Esse corpo técnico tem duas características: uma, é a de que ele é especializado, de altíssimo nível profissional. Nós temos profissionais que não deixam a desejar em lugar nenhum do Brasil. E temos também o corpo técnico que precisa ser atualizado, que está com dificuldades, por exemplo, com a questão tecnológica. Dentro desse grupo, eu colocaria aqueles que estão prestes a se aposentar, que estão desmotivados, que não coadunam com o novo governo e, portanto, fazem um pouco de corpo mole na atividade.

HOTEL PALACE NÃO É UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA
“Tecnicamente, o Hotel Palace tem solução. Em termos de engenharia estrutural, tem sim. Ele tem problemas sérios, mas resolvíveis. Não corre risco de desabar, por exemplo. Tem problemas de fiação antiga, que pode causar um curto”

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A SPU doou terreno para programa de habitação da Prefeitura de Aracaju

JLPolítica - Se a senhora fosse interlocutora pessoal do presidente Jair Bolsonaro, o aconselharia a manter esse estilo aparentemente sincericida e bruto ou pediria para mudar de rota?
JL -
Eu acho que é necessário que a população - e aqui faço um clamor -, saiba diferenciar a personalidade do Jair Messias Bolsonaro da capacidade de gestão dele. Para ter a capacidade de gestão, para conseguir fazer uma boa gestão, ele não precisa mudar a personalidade dele. Eu acredito que muita gente que nele gosta exatamente desse Jair Messias. Então, é necessário que a gente saiba diferenciar quando está sendo manifestada a personalidade do homem comum, como você, e quando é o presidente que está falando. Muita gente diz: “ah, o presidente da República precisa ter determinada postura”. Mas se fôssemos pensar não assim, não acharíamos bonito o que a gente via com o ex-presidente Lula com a embriaguez, por exemplo. Eu, particularmente, gosto de jeitão truculento do homem brasileiro que Bolsonaro representa. Quanto à capacidade de gestão dele, isso ainda está se desenrolando. Eu estou dando um voto de confiança. Tem algumas coisas que eu poderia dizer que soam como novidade na postura presidencial. Alguns gostam, outros não. Eu não foco nesse aspecto.

JLPolítica – A senhora não acha que a política brasileira resvalou muito para uma acidez de ódio que engendra poucos resultados positivos?
JL -
Concordo. Esse acirramento entre um lado e outro nos torna um pouco ignorastes. Mas isso é derivado da nossa baixa formação histórica. E eu queria nesse ponto fazer um adendo: muita gente diz que você precisa conhecer a história, mas no Brasil só tem se apresentado uma versão da história, que é distorcida dos fatos. Eu pediria à população que nesse momento fosse um pouco menos acirrada nessas questões políticas. Não está conduzindo a um sentimento de nação, de irmandade. Estamos todos no mesmo barco e se ele afunda, afundamos juntos.

JLPolítica - Historicamente, há um estranhamento à forma como a visão de direita chegou e se impôs. A senhora vê exagero nos que rejeitam a direita ostensivamente e naqueles que reagem também ostensivamente à esquerda?
JL -
É como eu lhe disse: nós estamos realmente com essa falta de habilidade de aceitar nossas diferenças. O brasileiro não está aceitando que existam opiniões divergentes e há um conflito interno de grupos. Isso não é bom. Nós precisamos nos reconhecer como irmãos, como brasileiros em primeiro lugar, e o que penso é que quem estimulou isso foi a esquerda.

JLPolítica - A senhora apontaria algum termo que pudesse amalgamar esquerda e direita?
JL –
Sim: vamos parar de falar em esquerda e direita e vamos falar em Brasil

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Eu creio que, na atual conjuntura, não deveríamos mexer nesse imposto, para que o país possa ser resgatado dos problemas financeiros que tem. Mas no futuro deve ser revisto, sim. O cidadão precisa pagar menos imposto no Brasil”

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"O cidadão precisa pagar menos imposto no Brasil”, defende