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Entrevista

Jozailto Lima

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Lucas Aribé: "Acessibilidade precisa ser uma prioridade de gestão”

Publicado em 24 de  fevereiro de  2018, 20:00h

“A política serve para transformar o mundo”

Em 2012, aos 26 anos, o jornalista, radialista e músico Lucas Aribé Alves conseguiu um feito inédito na história dos então 157 anos da cidade de Aracaju: foi a primeira pessoa com deficiência a galgar um mandato de vereador na Câmara da capital. Ele é cego.

Lucas Aribé, PSB, obteve o mandato, reelegeu-se em 2016 e ampliou o seu posto “de visão e observação” para um problema crônico da cidade que neste mês de março completa 163 anos: Aracaju, apesar planejada lá no século XIX, não conseguiu se encontrar com os mecanismos de acessibilidade. É crespa para pessoas assim.

Na verdade, alguma coisa em Aracaju mudou, puxada pela contemporaneidade, mas ainda caminha meio que de costas para essa realidade, como se não fosse ela a capital de um Estado que tem em média 600 mil pessoas com algum tipo de deficiência.

O diagnóstico do vereador Lucas Aribé, cujo mandato está muitíssimo atrelado a romper estas deficiências da cidade, é um dos piores possíveis. Para ele, o perfil da cidade quanto a acessibilidade é reprovável.

“Eu caracterizo como ruim, péssimo, porque os espaços acessíveis são pouquíssimos. Tem muito ainda a ser feito no campo da acessibilidade. É preciso que o poder público invista na acessibilidade como uma das prioridades da gestão. É algo que a gente tem cobrado há muito tempo. Tem mudado, mas de forma muito lenta”, diz.

Para Lucas Aribé, o conceito de pessoa com deficiência hoje deve ser relativizado a partir das condições geofísicas do meio em que ela vive. Daí o zelo cobrado para o setor. Se for meio bom, a deficiência é francamente dissipada. Ou pelo menos atenuada. 

“Hoje a deficiência não está na pessoa e sim no meio em que ela convive. Ou seja, se você possui características físicas, sensoriais, intelectuais que representam uma certa limitação, mas, você está num ambiente em que todas as barreiras são eliminadas, a deficiência não existe”, diz ele.

Nesta entrevista, você vai poder acompanhar o que os mandatos de Lucas Aribé promoveram no enfrentamento a este problema em cinco anos e quase dois meses. Você vai ver que o conceito dele em relação ao prefeito Edvaldo Nogueira, PC do B, a quem faz oposição, não é dos melhores. Aliás, é muito ruim.

“Acho que um dos principais problemas da gestão é o desrespeito às promessas de campanha e com as classes sociais, a exemplo dos aposentados, professores, se estendendo também para todos os servidores municipais, que no ano de 2017 não tiveram um centavo de aumento. O prefeito se limita a trazer a crise como uma justificativa para as poucas iniciativas que ele apresentou”, diz.

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Com Marcelo Deda
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Lucas Aribé tem 31 anos

JLPolítica - Lucas, qual o saldo dos cinco anos de seu mandato de vereador por Aracaju? 
Lucas Aribé -
Olha, o saldo é positivo, com certas conquistas em termos de legislações, principalmente no ramo da acessibilidade, dos direitos da pessoa com deficiência, com mobilidade reduzida. E, além disso, houve diversas manifestações sempre em defesa do bem comum e buscando trazer para a nossa cidade modernidade, acessibilidade e uma política voltada realmente para a sociedade, para o bem comum.

 JLPolítica – Mas vale a pena a atividade parlamentar no âmbito municipal? 
LA - 
Sem dúvida, vale a pena. Para mim, é uma realização pessoal. É algo que eu desejava mesmo estar com representante dos aracajuanos para poder ampliar o trabalho que eu já fazia antes como membro da Associação de Deficientes Visuais, como uma pessoa atuante na luta pela inclusão. Eu já fazia muito trabalho voluntário, como lecionar informática e sistema braile para pessoa com deficiência. Também fiz isso no Estado, na função de cargo comissionado. E a vereança para mim foi realmente com este objetivo de ampliar, de fazer pela minha cidade.

JLPolítica - A partir de quando deu um estalo em sua pessoa de que deveria ser um vereador?
LA – 
Olha, mais ou menos em 2005 ou 2006, quando eu já tinha 19, 20 anos de idade. Eu já gostava de política desde 94. Então, eu tinha essa experiência de tentar conseguir as coisas, de ver muita dificuldade na parte de políticas públicas para pessoa com deficiência e conhecer essa realidade, que ainda é ruim. Você imagine há 10 ou 12 anos como era. Era muito mais difícil. Foi tudo isso que me inspirou a enveredar.

OS RESULTADOS DO MANDATO
“O saldo é positivo, com certas conquistas em termos de legislações, principalmente da acessibilidade, dos direitos da pessoa com deficiência, com mobilidade reduzida”

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A luta por um tratamento digno vem desde a infância

JLPolítica - Na sua concepção, a política serve para quê? 
LA - Eu acho que a política serve para transformar o mundo, no sentido social, fazendo com que os seres humanos sejam tratados como irmãos. Eu acho que o conceito de que a política arque com o mundo representa muito isso. Primeiro, tornar a vida do semelhante melhor a cada dia, quer sejam através de políticas públicas, de projetos, de iniciativas sejam lá quais forem.

JLPolítica - O senhor deparou-se com posturas republicanamente incorretas nestes cinco anos do legislativo?
LA – 
Ah, por inúmeras vezes e inúmeras ocasiões. Nos deparamos com situações que nos deixam tristes, porque o parlamento deveria ser utilizado como um espaço democrático e popular. Mas em muitas ocasiões a Câmara Municipal de Aracaju fugiu desse objetivo e partiu para o lado da ignorância, da violência, da politicagem, das palavras de baixo calão. Enfim, ficou muito manchado o parlamento municipal de Aracaju.

JLPOLÍTICA – O senhor se viu em algum episódio desse na contenda com algum colega?
LA -
Ah, sim. Eu já tentei, por várias vezes, apaziguar situações alheias e acabava entrando no bolo, no meio da poeira.  

A SIGNIFICAÇÃO DA POLÍTICA
“Acho que a política serve para transformar o mundo, no sentido social, fazendo com que os seres humanos sejam tratados como irmãos. Primeiro, tornar a vida do semelhante melhor a cada dia”

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Quando João Alves foi eleito prefeito de Aracaju, ele foi conduzido a seu primeiro mandato de vereador: em 2012

JLPolítica - Qual foi o maior problema de adaptação para um parlamentar com deficiência visual? A Casa estava preparada? Os colegas lhe acolheram com facilidade?
LA -
Quando entrei, em janeiro de 2013, estava tudo bem encaminhado. Desde outubro de 2012, quando saiu o resultado das eleições, eles começaram a investir em acessibilidade. Então, quando eu cheguei já tinha elevador sonoro, rampa, corrimão, computador com software para eu poder ler as proposituras. Já estava tudo bem encaminhado. Depois disso, a gente foi conseguido outras conquistas, a exemplo dos intérpretes de libras. Acho que foi um ganho não só para mim, especificamente, mas para as pessoas surdas. E hoje a Câmara está bem acessível. Temos até iniciativas modernas que são exemplos para o Brasil, a exemplo do sistema sonoro. Quando eu estou na tribuna, tenho uma voz informando meu tempo - “10 minutos”, “cinco minutos”, “dois minutos”.

JLPolítica - O senhor estima que o Estado de Sergipe tenham quantas pessoas com deficiência em todas as esferas?
LA – 
Pelo último censo, cerca de 520 mil. Mas há quem diga que chega a 600 mil.

JLPolítica - O senhor não acha que há pouca representatividade numa Câmara de 24 com apenas uma pessoa marcadamente com deficiência? Não poderia ter mais pessoas?
LA - 
Eu entendo que sim. Quanto mais pessoas com deficiência nos parlamentos, mas acho que poderemos avançar com mais rapidez. Porque ainda há muito preconceito, muito desconhecimento do que é uma pessoa com deficiência, de suas dificuldades de trânsito, de ter que dirigir numa cidade, num Estado, que não é acessível. E, acima de tudo, a eliminação das barreiras atitudinais, que representam para mim a principal limitação, porque sem essa barreira superada, nós não temos as outras.

CÂMARA DE MOMENTOS BAIXO CALÃO
“Em muitas ocasiões, a Câmara de Aracaju partiu para o lado da ignorância, da violência, da politicagem, das palavras de baixo calão. Ficou muito manchado o parlamento de Aracaju”

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Pode voltar aos palanques este ano, disputando um dos 24 assentos de deputado estadual na Alese

JLPolítica - Que conceito o senhor exporia para a sociedade a respeito da definição de uma pessoa com deficiência? O que é uma pessoa com deficiência hoje?
LA – 
Olha, fico muito feliz de conceituar isso, baseando-se, inclusive, no Estatuto da Pessoa com Deficiência, que é a Lei Federal 3.146/2015, que trouxe uma definição social, saindo da visão meramente médica, como se a deficiência fosse uma doença. Hoje a deficiência não está na pessoa e sim no meio em que ela convive. Ou seja, se você possui características físicas, sensoriais, intelectuais que representam uma certa limitação, mas, se você está num ambiente em que todas as barreiras são eliminadas, a deficiência não existe.

JLPolítica – Os textos em braile dos projetos de lei, moções e demais proposituras já chegam ao senhor como suporte do mandato parlamentar?  
LA -
 Devido à velocidade do parlamento, eu não tenho utilizado o serviço braile lá. Trabalho mais com o computador. Então, recebo as proposituras ou no e-mail ou no próprio sistema da Câmara na rede. Eu faço leitura através de um software gratuito, que a gente chama de leitor de tela.

JLPolítica - Lucas, a maior falta de sensibilidade para com as pessoas com deficiência vem da cidade fisicamente, ou das pessoas sem deficiência”?  
LA -
Olha, excelente pergunta. Eu responsabilizo sempre as pessoas, porque justamente não se pensa em uma cidade justa. Quando se faz um investimento, quando se cria um equipamento público, quando se reforma uma escola, uma praça, um local de lazer, não se faz pensando em todas as pessoas. Aí, foi necessário o que? Um avanço legislativo, um avanço, inclusive, com atuação do Ministério Público, do Poder Judiciário no geral, para cobrar dos gestores que se façam as reformas pensando na acessibilidade. Se nós tivéssemos uma visão social muito mais inclusiva, como existem em outros países considerados desenvolvidos, estaríamos muito mais à frente. Não estaríamos brigando hoje por uma rampa numa calçada, num prédio público, um respeito a uma vaga exclusiva. Um cardápio em braile. Tantas coisas que já poderiam estar em vigor.

PREPARAÇÃO DA CÂMARA PARA RECEBÊ-LO
“Quando cheguei já tinha elevador sonoro, rampa, corrimão, computador com software para eu ler proposituras. Depois disso, a gente foi conseguido outras conquistas, a exemplo dos intérpretes de libras”

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É músico, radialista e jornalista

JLPolítica - Mas a pergunta, Lucas, induz a conceituar o comportamento das pessoas diante da outra com deficiência. Elas têm sensibilidade suficiente para encarar ou as pessoas precisam de uma maior inclusão em si mesmas diante do outro com deficiência?
LA - 
Eu entendo que ainda há um preconceito significativo das pessoas e que a conscientização é um bom caminho. Inclusive, hoje as escolas, as universidades, têm feito um trabalho de conscientização e sensibilização muito forte. Isso vem sendo levado também para o parlamento municipal desde o nosso primeiro mandato. A gente também tenta, realizando campanhas com a sociedade, os aracajuanos, distribuindo panfletos, conscientizar, mostrando que a pessoa com deficiência é, em primeiro lugar, um cidadão como qualquer outro e tem os mesmos direitos, mas não tem as mesmas oportunidades.

JLPolítica - O senhor já enfrentou grandes situações constrangedoras de preconceito?
LA -
 Ah, grandes, diversas. A começar nas escolas, universidades, na busca por oportunidades de emprego, e no parlamento já ocorreram poucas situações, mas já tiveram.

JLPolítica - Do tipo?
LA - 
Do tipo o vereador me pedir uma parte, eu conceder e ele ficar fingindo. Ele fingiu. Na verdade, ele queria tumultuar. E concedi a parte e, popularmente, ele ficou mangando, zoando. Eu percebi, mesmo sem enxergar.

DO MUITO PRECONCEITO QUE INSISTE
“Ainda há muito preconceito, muito desconhecimento do que é uma pessoa com deficiência, de suas dificuldades de trânsito, de ter que dirigir numa cidade, num Estado, que não é acessível”

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Desde abril de 2016, é casado com a psicóloga Ana Raquel Silva Santos Alves

JLPolítica – Zoando com sua condição de deficiente?
LA -
Sim. Ficou mangando, fingindo que não estava ouvindo. Mas eu percebi. 

 JLPolítica - Como é que foi o desempenho do seu aplicativo Aracaju Acessível? As pessoas compreenderam e reagiram bem?
LA -
Olha, não tivemos uma grande participação da população. Eu esperava muito mais, por se tratar de uma ferramenta de fácil interação e que tem o intuito de aproximar as pessoas do poder público, por intermédio do nosso mandato. Então, a participação não foi grande. No primeiro ano, ainda conseguimos cerca de 50 indicações oriundas do aplicativo. Mas, nos anos seguintes, o número foi praticamente zero.

JLPolítica - O perfil de Aracaju é bom, ruim ou mediano no aspecto da acessibilidade?
LA -
Eu caracterizo como ruim, péssimo, porque os espaços acessíveis são pouquíssimos. Tem muito ainda a ser feito no campo da acessibilidade. É preciso que o poder público invista na acessibilidade como uma das prioridades da gestão. É algo que a gente tem cobrado há muito tempo. Tem mudado, mas de forma muito lenta.

DEFICIÊNCIA MAIS DO MEIO QUE DA PESSOA
“Hoje a deficiência não está na pessoa e sim no meio em que convive. Se você possui características físicas e sensoriais que representam limitação, mas está num ambiente em que as barreiras são eliminadas, a deficiência não existe”

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OAB pode promover ação para que a Prefeitura de Aracaju disponibilize material didático acessível a estudantes com deficiência visual. Edvaldo vetou projeto de Lucas

JLPolítica - A sua atuação parlamentar, obviamente por ser pessoa com deficiência, tem sido muito neste segmento. Quais foram os seus principais projetos nesta esfera?
LA - 
Começamos com projeto que institui normas de acessibilidade. Ele é bem grande. São 40 artigos. Temos o projeto dos cardápios em braile. Esses dois já são lei. Temos o programa censo da exclusão. Tem a lei que instituiu o Plano Emergencial de Recuperação de Calçadas e Passeios Públicos. Os avisos sonoros, aqueles de senhas para bancos. Temos o Programa Municipal Consumidor Consciente. Tem o para agendamento por telefone de consultas nos postos de Saúde e upas para a pessoa com deficiência. Para todo aquele grupo que é considerado prioridade, como a pessoa idosa, gestante, deficiente.

JLPolítica - A calçada é o problema gravíssimo de Aracaju?
LA -
Sim, diria que a calçada é o mais grave. Todo mundo sofre ou já sofreu qualquer tipo de transtorno, até mesmo acidentes, nas calçadas de Aracaju, por causa dessa falta de investimentos e de um olhar mais, vamos dizer, sério, mais concreto, para solucionar essa dificuldade que é geral na cidade.

JLPolítica – O prefeito da capital tem vetado alguns dos seus projetos de lei aprovados no campo da acessibilidade?
LA - 
Sim, sim. Só agora de 2017 para 2018, ele vetou três projetos voltados para a acessibilidade, sendo dois mais ligados às pessoas surdas e um às cegas. O outro projeto (vetado) não é da acessibilidade.

CIDADÃO COMO QUALQUER OUTRO
“A pessoa com deficiência é, em primeiro lugar, um cidadão como qualquer outro e tem os mesmos direitos, mas não tem as mesmas oportunidades. As escolas têm feito trabalho de conscientização”

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Para ele, o perfil de Aracaju quanto a acessibilidade é reprovável

JLPolítica - O senhor foi de oposição a João Alves e o é a Edvaldo Nogueira. “Dói” ter sido escalado sempre nesta posição? Gostaria de ser governista?
LA -
Para mim, como servo do povo, sempre estou à disposição, independentemente da posição política. Claro que gostaria de estar na bancada do meu prefeito. E não foi à toa que nas duas eleições nós conseguimos a vitória. E, nas duas lutei para meu candidato chegar lá, porque faríamos um trabalho muito mais significativo, marcante no que diz respeito à nossa temática principal, que é acessibilidade. Mas, como o povo entendeu por melhor o outro candidato, tento cumprir o meu papel de opositor, mas sempre com respeito e considerando os interesses da sociedade. Então, quando o projeto é bom, sendo do executivo ou não, ele terá o apoio de Lucas Aribé, como sempre teve com João Alves e agora com Edvaldo.

JLPolítica - Quais são os maiores defeitos da gestão de Edvaldo Nogueira no aspecto da comunidade e no do relacionamento com o Legislativo?
LA – 
Olha, com relação à comunidade, eu acho que um dos principais problemas da gestão é o desrespeito às promessas de campanha e com as classes sociais, a exemplo dos aposentados, professores, se estendendo também para todos os servidores municipais, que no ano de 2017 não tiveram um centavo de aumento. O prefeito também se limita a trazer a crise como uma justificativa para as poucas iniciativas que ele apresentou. No meu entender, o que faltou foi planejamento, porque a crise não está apenas em Aracaju. É uma crise que se reflete em todas as cidades e Estados do País. Entendo que é uma crise muita mais institucional. Uma crise ética, política. O gestor, quando tem responsabilidade com o povo, busca reestruturar a máquina pública para lidar com a crise. O prefeito Edvaldo Nogueira fez o contrário disso, aumentando cargos comissionados e os salários desses cargos, desses servidores comissionados. E realmente deixou a desejar, no meu entender, nesse primeiro ano.

JLPolítica – Mas o senhor esqueceu-se da relação dele com a Câmara?
LA -
No meu entender, os projetos quando chegam lá, acompanhados de requerimentos de urgência, representam um desrespeito ao Parlamento, porque aquela Casa deve ser um instrumento de ouvir a sociedade. Então, quando a gente vota projetos a toque de caixa acaba tirando a participação popular. E outra grande característica dele foi também a do envio de projetos no período de recesso. Então, o prefeito também desrespeitou o Parlamento. Isso foi praticado também pelo ex-gestor. Parece-me que é algo comum do Executivo.

CIDADÃO COMO QUALQUER OUTRO
“A pessoa com deficiência é, em primeiro lugar, um cidadão como qualquer outro e tem os mesmos direitos, mas não tem as mesmas oportunidades. As escolas têm feito trabalho de conscientização”

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“Hoje a deficiência não está na pessoa e sim no meio em que ela convive", observa

JLPolítica - Elber Batalha lhe dá tratamento bom de vice-líder de oposição ou não?
LA – 
Olha, tenho uma relação muito boa com Elber Batalha. Inclusive, foi a primeira pessoa que me recebeu no PSB. Então, estou tendo agora essa oportunidade de estar com ele. Ao lado dele, inclusive, eu como vice-líder. Nosso relacionamento é bem tranquilo, respeitoso e sempre buscando cumprir nossa missão com responsabilidade.

JLPolítica - Por que as CPIs da Câmara Municipal de Aracaju nunca saem da intenção, como as da saúde e a do lixo? 
LA – 
Olha, essa pergunta é um pouco difícil de responder, porque a gente percebe, em parte dos vereadores, uma demonstração de, vamos dizer, falta de interesse com relação a essas CPIs. E eu me lembro de que na CPI do Lixo - que, inclusive, foi parar na Justiça e ainda está lá até hoje -, em determinado momento o prefeito Edvaldo Nogueira dizer: “nós vamos recorrer”. A Câmara foi autorizada a instalar a CPI. Edvaldo diz: “nós vamos recorrer”. Afinal, ele é prefeito ou vereador? Ou as duas coisas ao mesmo tempo? Isso mostra a interferência clara, cristalina do Executivo no Legislativo.

JLPolítica - Isso democraticamente não é bom?
 LA -
Não é bom. A CPI é um instrumento das minorias. Não é à toa que com as oito assinaturas, ela já deve ser instaurada. Mas é que houve aquele entendimento que deveria ser votado. Então, uma CPI foi rejeitada, no caso a da Saúde, dos hospitais, que sequer foi colocada em pauta.  

MUITO POR FAZER EM ARACAJU
“Os espaços acessíveis são pouquíssimos. Tem muito ainda a ser feito no campo da acessibilidade. É preciso que o poder público invista na acessibilidade como uma das prioridades da gestão”

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"O conceito de pessoa com deficiência hoje deve ser relativizado a partir das condições geofísicas do meio em que ela vive", avalia

JLPolítica - O senhor acredita que a aplicação dos R$ 130 milhões que o Governo Federal liberou para Aracaju investir em mobilidade terá um bom destino?
LA -
Olhe, acredito que todo o investimento em mobilidade urbana é importante. Mas eu penso que temos outras prioridades, a exemplo das calçadas, de pontos de ônibus. Eu acho que precisamos criar um sistema acessível para as pessoas. A plataforma que nivela a altura dos ônibus, a pessoa já deve sair da plataforma. Enfim, temos várias propostas, ideias para tornar isso mais acessível ao povo.

JLPolítica - E essas propostas não estão contempladas nesses R$ 130 milhões?
LA -
Ele fala na criação dos quatros corredores, também tem reforma de terminais. Mas assim, pelo que eu percebi, está sendo pensado em carros, ônibus. Não está tendo aquele direcionamento para as pessoas.

JLPolítica - Numa cidade de 163 anos e construída sempre em cima de erros, o senhor acha que R$ 130 milhões dariam para mexer na realidade das calçadas ou demandaria um projeto bilionário?
LA -
Ah, não: com R$ 130 milhões daria para fazer muita coisa. Se nós olharmos para algumas cidades que têm investido na acessibilidade das calçadas, como Salvador, por exemplo, a Prefeitura tem gasto a cada ano em torno de R$ 10 milhões nas calçadas. É o suficiente.

OPOSITOR, MAS COM PRIORIDADE
“Tento cumprir meu papel de opositor, mas sempre com respeito e considerando os interesses da sociedade. Quando o projeto é bom, sendo do executivo ou não, terá o apoio de Lucas Aribé”

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Nasceu com cegueira quase plena, consequência de um glaucoma congênito

JLPolítica - Quais são as chances de o senhor disputar um mandato de deputado estadual este ano?
LA -
Eu não descarto a candidatura de deputado estadual neste momento. Eu não descarto a possibilidade de me candidatar, porque, apesar de não estar na minha prioridade, existe um clamor da sociedade. No dia a dia, incentivam-me a trazer essa forma diferente de trabalhar para o parlamento estadual. Estamos estudando as possibilidades. Estudando com carinho.

JLPolítica - As altas lideranças do PSB de Sergipe lhe tratam com a devida atenção que o senhor se acha merecedor?
LA – 
Sim. Nós temos um bom relacionamento. Já tive algumas sugestões atendidas, principalmente pelo deputado federal Valadares Filho, não só no exercício do seu mandato, como nas campanhas eleitorais, demonstrando seu compromisso com a temática da acessibilidade. Nós temos uma boa proximidade e bom relacionamento.

DA CANDIDATURA DE DEPUTADO ESTADUAL
“Eu não descarto a candidatura de deputado estadual neste momento. Eu não descarto a possibilidade de me candidatar, porque existe um clamor da sociedade”

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Foi a primeira pessoa com deficiência a galgar um mandato de vereador
Assista: o comentarista esportivo Lucas Aribé 

Em 2010, a vida de Lucas Aribé Alves foi objeto de reportagem especial do programa Esporte Espetacular da Rede Globo. A matéria exibiu as diversas habilidades de Lucas. Entre elas, a de comentarista de futebol. O, hoje, vereador de Aracaju, foi colocado como um exemplo nacional de superação, tema de uma série do esportivo dominical da Globo. 

"Alem disso, toca vários instrumentos musicais, é formado em jornalismo em uma universidade particular. Mas o que mais impressiona em Lucas, é sua habilidade para comentar partidas de futebol direto do local do jogo", disse a matéria.

Clique no link, logo abaixo da foto, e assista ao vídeo com a matéria completa 

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Lucas no Esporte Espetacular. Clique no link abaixo e reveja a matéria
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