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Entrevista

Jozailto Lima

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Luciano Barreto: “Nossa bandeira é preço justo, obra concluída e sociedade atendida”

Publicado em 3  de novembro de  2018, 20:00h

Ainda não pensei na posteridade. Penso no presente”

Luciano Franco Barreto, 78 anos. Eis um sujeito grande sob o sol de Sergipe. Grande no nome. No modo de viver como empreendedor. Nos gestos largos. Na passionalidade como encara os negócios, as amizades, a generosidade, a família, a paz e a briga.

Luciano Barreto é um hiperbólico na forma como transita pela política há quase 60 anos, desde o momento em que se fazia engenheiro civil na Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia.

Na Bahia, Luciano chegou de mala e cuia em 1957 como aluno ainda do terceiro ano do ensino médio do famoso Colégio Central da Bahia, responsável e afetivamente sacudido por Paulo Figueiredo Barreto e Cleonice Franco Barreto, que queriam educacionalmente o melhor para ele e os demais filhos Adilson, Francisco e Marcelo.

De olhar grande e muito inquieto, Luciano Barreto, quase ainda imberbe, recém-formado engenheiro em 1963 pela UFBA, caiu no radar do apreço de ninguém menos do que o governador da Bahia de 1963 a 1967, o odontólogo Lomanto Júnior (1924-2015).

Como no verso da canção de Gilberto Gil, Lomanto lhe “deu régua e compasso”. Mandou-o tocar obras públicas em sua Jequié natal, onde Luciano conviveu com Norberto Odebrecht, o mitológico fundador da Construtora Odebrecht.

Mas, valendo-se da liderança que ele desenvolvera e aprofundara no curso de Engenharia da Escola Politécnica, Luciano Barreto intuiu que o sol lhe brilharia bem mais forte em Sergipe, por quem nutre um confessável afeto.

Em 1966, Luciano Barreto, ainda com o pé na Bahia, e os cunhados Luiz e Tarcísio Teixeira já eram donos da Norcon, empresa adquirida junto ao construtor Gerci Pinheiro Machado com ajuda dos pais dos três - Paulo Barreto e Oviedo Teixeira.

Mas essa lua de mel - ou fel - durou pouco. O negócio rendeu homéricas desavenças com os cunhados, e Luciano pulou fora. No dia 22 de maio de 1968, ele já estava encastelado numa salinha da Avenida Rio Branco, onde o pai “tinha um prédio fechado”. Nascia ali a Construtora Celi, em cujo nome ele homenageava a grande companheira Maria Celi.

“Começamos só com a mesa de trabalho, um telefone e um fusca usado”, sintetiza ele. Cinquenta anos depois, e a Construtora Celi dispensa apresentação. Dizem as boas línguas que ela é dona do maior “land bank”, bancos de terrenos urbanos, de Sergipe, notadamente em Aracaju.

A grandeza pessoal e patrimonial de Luciano Barreto encontram nesse e em outros temas ligados à riqueza e a opulência um paredão bem concretado. Intransponível.

Sobre o banco de terreno, ele prefere a tangente da humildade. “Prefiro não quantificar, porque pode parecer arrogância. É o suficiente para se constituir numa matéria-prima importante para ser usada ao longo de muitos anos”, diz ele. 

Na verdade, apesar do tamanho, Luciano Barreto pensa como gente simples. Bem remunerado como pessoa física pela Celi, se acha um privilegiado classe média. Mora super bem, mas usa carros e roupas sem o menor traço de extravagância ou triunfalismo. É um normal, que diz respeitar muito seus colaboradores.

Apesar dos seus tantos afazeres como grande empresário, Luciano ainda encontra tempo para ser um briguento presidente da Aseopp - Associação Sergipana dos Empresários de Obras Públicas e Privadas - e um solidário comandante do Instituo Luciano Barreto Júnior - ILBJ.

Em uma, ele avança positivamente sobre os interesses aviltados da sua classe. De gente até, patrimonialmente, bem menor do que ele. Com o ILBJ, busca cauterizar diariamente “uma dor que não tem nome”, que é a simbolizada pela morte precoce de Luciano Barreto Júnior no dia 6 de setembro de 2002.

“Eu nunca aceitei a morte de Júnior. Mas nunca questionei o porquê”, diz ele. Logo após a morte do filho, Luciano encontrou nos papeis rabiscados por Júnior a constituição completa do ILBJ.

Só que o jovem não dava o nome de Instituto Luciano Barreto Júnior. Dava o de Instituto Paulo Figueiredo Barreto. Ao materializar esse projeto, o pai é que lhe deu o nome, em memória. Pelo ILBJ já passaram 15 mil jovens, todos de origem pobre. A família não aceita um tostão de ninguém como ajuda.  

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Em 22 de maio de 1968, ele inaugurou a sua construtora
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O nome Construtora Celi homenageava a grande companheira Maria Celi

 OS NEGÓCIOS

JLPolítica - Como e em que condições nasce lá em 22 de maio de 1968a Construtora Celi?
Luciano Barreto -
Eu me formei engenheiro em 1963, na Escola Politécnica, na Universidade Federal da Bahia. Como estudante, ocupei todos os cargos que, com a reforma estudantil, foram permitidos aos alunos: fui representante na Congregação da Escola, que antigamente era o Conselho dos Catedráticos; no Conselho Técnico, que reunia outro grupo, uma espécie de elite da escola, e presidente do Diretório Acadêmico. Mas o que me despertou para o empreendedorismo foi o fato de ter sido eleito para uma embaixada dos alunos do segundo ao quinto ano para a Europa. Através de festas, bingos, promoções e a ajuda do MEC, conseguimos levar 40 colegas à Europa, com tudo pago, com mais dois professores na comitiva - uma exigência do Ministério da Educação. Formado, enfrentamos toda a crise decorrente de 1964 e, em Jequié, na Bahia, fui convidado pelo governador baiano Lomanto Júnior para assumir o Serviço Autônomo de Águas, que naquele momento estava sendo incorporado ao Estado. Quando cheguei, encontrei uma estrutura obsoleta, ultrapassada, e o grande desafio de ajudar o município, onde nascera o governador, que sofria com a falta d’água. Para isso, fomos desafiados a construir uma adutora de 11 quilômetros em 45 dias. E conquistamos a confiança e a amizade do governador. Terminado esse período em Jequié, eu fui ser diretor dessa empresa - a Superintendência de Engenharia Sanitária da Bahia, que cuidava de todo o abastecimento de água. Na época, a maioria dos municípios fazia suas operações próprias, mas no Governo de Lomanto eles foram transferindo isso para o Estado, através das concessões.

JLPolítica - E isso lhe marcou como um engenheiro recém-formado?
LB -
Foi uma experiência fantástica, a de Jequié. Fui nomeado diretor, convidado para ser secretário e vi que minha carreira no setor público tinha se encerrado ali. Vim para Sergipe, me juntei com Luiz Teixeira e compramos a Sociedade Nordestina de Construções Ltda, a Norcon, cujo proprietário era Gerci Pinheiro Machado, um homem extraordinário, corretíssimo. Um dos precursores de obras públicas em Sergipe. E aí eu vi também que nossa linha de trabalho tinha divergências profundas com a dos meus sócios, e eu resolvi sair. Como toda separação, teve lá suas divergências. E aí, em 1968, montei a Celi, cujo nome é em homenagem a minha esposa, Maria Celi. Instalei a empresa na Avenida Rio Branco. Na época, meu pai tinha um prédio fechado lá. Começamos só com a mesa de trabalho, um telefone e um fusca usado.

JLPolítica - O senhor imagina a sua existência sem a existência desta empresa?
LB –
Não. Eu tenho dois momentos muito felizes: quando estou com minha família, e sou privilegiado por ter um bisneto que me alegra e me emociona muito, e quando estou na Celi, que foi uma espécie de filho que vi nascer e chegar à condição que chegou. Não me imagino sem nenhuma dessas duas coisas - a família e a Celi. Além, claro, dos amigos. 

DA FORMAÇÃO NA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
“Eu me formei engenheiro em 1963, na Escola Politécnica, na Universidade Federal da Bahia. Como estudante, ocupei todos os cargos que, com a reforma estudantil, foram permitidos aos alunos”

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Começou encastelado numa salinha da Avenida Rio Branco, onde o pai “tinha um prédio fechado”

JLPolítica - O senhor consegue, a um só tempo, ser um engenheiro, carregar todo cartesianismo que isso implica, e ser afetivo e emotivo. De onde vem a matriz desse modo de ser?
LB –
Em primeiro lugar, meu pai era um homem humilde, que não concluiu nem o curso primário, mas que dentro da perspectiva que ele podia enxergar, foi um vitorioso. Foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe, por exemplo. E era extremamente carinhoso. Meu pai era muito amado- mas amado mesmo. Então, muito de mim vem disso aí. É do DNA. As pessoas nascem com algumas características. E o que acho mais importante, além dessa questão da afetividade, é a necessidade de ser humilde.

JLPolítica - É difícil empreender incorporando família como colaboradora na empresa?
LB –
Eu acho que não. De jeito nenhum. A família são os principais responsáveis pela continuidade dos negócios. Você não pode obrigar que o familiar seu seja o que você sonhou que ele fosse, até porque um pode querer ser padre, por exemplo. Cada pessoa constrói seu próprio destino.

JLPolítica - No comando dos negócios, o senhor costuma dar poder de por igual às filhas Alda e Ana?
LB –
Não só poderes. Na Celi, cada uma tem áreas específicas, com total independência. Mas, como ainda me sinto muito vivo, útil e capacitado, eu divido com elas as decisões que elas entendem que não devem tomar sozinhas. Respeito as características de cada uma.

NASCE A CELI E É UMA HOMENAGEM
“Em 1968, montei a Celi, cujo nome é em homenagem a minha esposa, Maria Celi. Instalei a empresa na Avenida Rio Branco. Meu pai tinha um prédio fechado lá. Começamos só com a mesa de trabalho, um telefone e um fusca usado”

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Dizem as boas línguas que a Celi é dona do maior “land bank”, banco de terrenos urbanos

JLPolítica - Antes da Celi Decorações, qual era o papel da sua esposa Maria Celi no Grupo Celi?
LB –
A Celi Decorações já tem 35 anos e a Construtora, 50. Maria Celi sempre teve importância muito grande na minha vida pessoal, porque quando saí da Norcon e houve divergências, brigas que Sergipe inteiro conhece, com a família dela, ela me apoiou, por entender que eu tinha razão.  Hoje, de uns tempos para cá, sou amigo da família dela como se nunca tivéssemos brigado. Você mesmo vivenciou isso enquanto jornalista, já que sempre acompanhou o dia a dia de Sergipe, e sabe a dimensão das brigas, que envolveram até a Justiça. Olha, eu sou um cara que não começa briga. Nunca comecei nenhuma. Mas eu reajo quando acho que tenho razão. Então Maria Celi teve uma importância enorme pelo apoio que me deu. Aliás, não só nesse momento, mas em todos os momentos. Eu tive períodos de passar mais tempo fora do que em casa, buscando negócios, e ela sempre compreendeu, e me estimulou. Mas ela nunca operou comigo na empresa. Ela resolve estudar quando estava grávida para ter Luciano Júnior, e também decidiu ser empreendedora e montou a loja dela.

 JLPolítica - Afinal, o chamado Grupo Celi é composto de que empresas?
LB -
Não me sinto distinguido, quando se fala na Celi, com essa palavra “grupo”. Para mim, são algumas iniciativas que a gente toma, mas não considero grupo. Além da Construtora, tem o hotel e várias outras atividades. Nós fazemos obras públicas, privadas, que são o negócio dentro da Celi. Temos a Stanza, o setor de terraplanagem, que hoje está muito bem, e temos terrenos. Tudo isso junto é a Celi. 

 JLPolítica - Em tempos de vacas gordas, a Celi chegou a gerar quantos empregos diretos?
LB –
Já chegamos a quase cinco mil. Hoje, são mil. Isso é resultado da crise do país, da falta de investimento em obras públicas, que é o grande erro dos governos.

O DUPLO PRAZER QUE VEM DA CELI
“Tenho dois momentos muito felizes: quando estou com minha família, e sou privilegiado por ter um bisneto que me alegra e me emociona muito, e quando estou na Celi, uma espécie de filho que vi nascer”

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É o líder de sua categoria, preside a Associação Sergipana de Obras Públicas e Privadas (Aseopp)

JLPolítica - Quem mais prepondera nos negócios da Celi, as obras públicas ou a incorporação de imóveis?
LB –
Depende da época. Há épocas de obras públicas e épocas das de incorporação. Agora mesmo temos muitos projetos prontos esperando que as coisas se definam positivamente.

 JLPolítica - De quantos milhões de metros quadrados se compõe o banco de terra da empresa Celi hoje?
LB -
É o suficiente para se constituir numa matéria-prima importante para ser usada ao longo de muitos anos. Prefiro não quantificar, porque pode parecer arrogância.

 JLPolítica - Como é que foi a sua formação de engenheiro na Bahia e por que a Bahia foi a escolhida?
LB –
Foi uma formação onde, por ser cartesiano como você falou, mirei nas cadeiras acadêmicas que achava que teriam importância para a minha vida profissional futura, como Estabilidade, Fundações, Concreto Armado - tudo o que ia me servir de base, porque sempre pensei em ser empresário. Tanto é que minha atividade na escola foi muito empresarial. Foi de liderança. Fui para a Bahia porque Sergipe não tinha escola de Engenharia e a Bahia era a mais próxima.

O VELHO PAULO FIGUEIREDO BARRETO MARCOU
“Meu pai era um homem humilde, que não concluiu nem o primário, mas que dentro da perspectiva que podia enxergar, foi um vitorioso. Foi presidente da FIES, por exemplo. Era extremamente carinhoso. Meu pai era muito amado”

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A Celi assina importantes obras públicas em Sergipe, como o Viaduto do Dia, em Aracaju

JLPolítica - A engenharia erra mais do que acerta na vida de uma nação em formação como a brasileira?
LB –
Não. Mais acerta. O grande erro que está se cometendo no país é que a importância da Engenharia está sendo julgada pela série A das construtoras. O Brasil tem 100 mil empresas na área, entre micros, pequenas e grandes. E não se faz nada sem Engenharia, mas ela hoje não é valorizada. Acho que construíram uma imagem muito ruim da Engenharia por fatos pontuais, que existiram, não foram corretamente combatidos na época e estão combatendo agora.

JLPolítica – O senhor anulou o engenheiro que há no senhor para se tornar só empresário?
LB –
De jeito nenhum. Eu tenho obras, assino algumas e contribuo com minha equipe. Visito as obras e participo dos orçamentos de muitas delas.

JLPolítica – Mas o que é um engenheiro?
LB –
Ele é tudo. A Engenharia e a soma das suas especialidades são tudo. A maior ponte do mundo é metade ponte e metade túnel. Quem imaginaria uma ponte Rio-Niterói? É como a da Barra, aqui. São coisas da Engenharia, que é muito importante.

DOS PODERES DAS FILHAS ALDA E ANA
“Na Celi, cada uma tem áreas específicas, com total independência. Mas, como ainda me sinto muito útil e capacitado, divido com elas as decisões que entendem que não devem tomar sozinhas. Respeito as características de cada uma” 

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E importantes empreendimentos no mercado imobiliário. Mas ele não chama as suas empresas de grupo

JLPolítica - O senhor se considera, empresarialmente, conservador, mediano ou progressista nas lides do mercado?
LB -
Eu me considero conservador quando precisa ser conservador; mediano quando precisa ser, e progressista também quando necessita. Somos uma empresa que investimos há 4, 5 anos, no mais avançado sistema de controle de informática do mundo, o SAP. Então nós somos as três coisas a um só tempo. Qualquer mercado do mundo exige isso. Eu sonhava com uma Odebrecht, mas o que eu pude fazer foi a Celi. E estou satisfeito com ela.

JLPolítica - Pesa-lhe sobre os ombros estar entre os 10 homens mais ricos de Sergipe?
LB –
Eu acho que essa é uma avaliação que não me diz nada. A riqueza, acima de tudo, tem de se voltar para o mercado que lhe permitiu construir. Por exemplo: todos os nossos recursos estão investidos em Sergipe. Muitas vezes vamos em busca de ação em outros mercados. Vamos buscar negócios, fazer lucro para trazer para cá. Eu vi Eike Batista dizer que seria o homem mais rico do mundo. Que ultrapassaria Bill Gates, só não sabia se seria pela direita ou pela esquerda, e hoje Eike é pobre. Vi um depoimento de um dos donos da Brahma, Beto Sicupira, um dos mais ricos do mundo, que dizia que a virtude de uma empresa era ser grande, mas com a filosofia de uma pequena. É assim que toco a Celi e minha vida, com humildade. Digo a meus netos com frequência que as qualidades mais importantes de um empresário são humildade, em primeiro lugar, e austeridade e trabalho a seguir.

JLPolítica – Mas o que é, para o senhor, a riqueza material?
LB –
É algo importante, mas só quando você a usa sem ostentação. Sem agredir ninguém, sem se mostrar superior por causa dela. Um dia desses entrei no elevador do prédio onde moro e tinha uma moça que trabalha no prédio. Ela quis sair. Eu não a deixei. Disse-lhe que eu não era melhor que ela. Se você pode se considerar melhor, se diferenciar de alguém, certamente não será pela riqueza. Se eu nascesse ou morresse de forma diferente, poderia me considerar desigual. O mais rico do mundo vai morrer da mesma forma que eu, e nasceu como eu nasci.

DO PODER DE FOGO DE MARIA CELI
“Maria Celi sempre teve importância muito grande na minha vida, porque quando saí da Norcon e houve brigas que Sergipe inteiro conhece, com a família dela, ela me apoiou, por entender que eu tinha razão”

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Quando o tema é construção civil, não teme o debate

JLPolítica - O senhor deve saber que alguns dos seus desafetos, ou inimigos íntimos, lhe apelidaram de Al Capone. Por acaso o senhor já foi um sonegador de impostos, para ser merecedor de tal alcunha?
LB – Não. E olha, a origem disso é do meu grande e saudoso amigo Olímpio de Souza Campos Júnior, o Olimpinho. Eu às vezes encontrava ele na Bahia, nos hotéis, e o pessoal o chamava de senador Olímpio Campos. E ele botava apelido em todo mundo. Quando ele botou esse em mim, não se referia a calotes. Foi de brincadeira. Na real, nós temos na Celi uma equipe muito qualificada que faz toda a parte tributária, além de eu pessoalmente receber três informes tributários por dia. Leio todas as matérias de meu interesse. E discuto de igual para igual essa parte com os melhores advogados.

 JLPolítica - O Brasil é injusto na sua forma de cobrar impostos?
LB –
Muito, porque só cobra de quem paga e não dos clandestinos. Isso pesa para nós, os pagadores. A Receita Federal faz um trabalho extraordinário junto aos pagadores, imagine se tivesse estrutura para cobrar de todo mundo. Os pagadores não seriam penalizados e ainda poderia haver redução de impostos, o que sinalizaria mais emprego.

MODÉSTIA DIANTE DA EXPRESSÃO GRUPO CELI
“Não me sinto distinguido, quando se fala na Celi, com palavra “grupo”. Para mim, são algumas iniciativas que a gente toma, mas não considero grupo. Além da Construtora, tem o hotel e várias outras atividades. Fazemos obras públicas, privadas, que são o negócio dentro da Celi”

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Vai a todas as secções do poder. Com Ulices Andrade, presidente do TCE de Sergipe

 O LÍDER

JLPolítica - De onde vem essa inclinação e a dedicação à causa coletiva da sua área, como o senhor a demonstra através da Aseopp?
LB –
Eu estou certo de que toda atividade de liderança vem de lá da Universidade Federal da Bahia. E se aceitei ser presidente da Aseopp, por indicação dos meus colegas, eu tenho obrigações com meus associados e com a área em que eles, em que nós, atuamos. Eu tenho um nível de relacionamento maior do que o da maioria dele e tenho procurado exercer não uma liderança propriamente dita, mas uma amizade com cada um deles. Porque eu me questiono muito sobre essa coisa de ser líder. Eu não sou líder de nada. Sou um cara mais velho, que dá conselhos e que orienta.

 JLPolítica – A Aseopp lhe é mais obrigação ou mais um prazer de ofício?
LB –
Eu diria que as duas coisas, porque tenho responsabilidade com os objetivos da Aseopp e dos seus associados.

 JLPolítica - Qual é o maior erro no modelo em vigência de licitações de obras públicas do Brasil?
LB –
São muitos, e o primeiro deles é que há dez anos a gente luta pela mudança desse modelo que está traduzido na nossa bandeira principal: preço justo, obra concluída, sociedade atendida. Com esse modelo implantado, a sociedade é quem ganha. No Brasil, há uma filosofia de que o empresário deve ser penalizado. Mas empresário nenhum cresce sem lucro. É da natureza do negócio. Mas o lucro precisa ser justo. Se não, você não mantém a empresa nem paga os impostos. Nós temos um modelo de compliance, que é o maior do mundo. Os objetivos principais com relação às obras públicas são reparar seu preço - na maioria das vezes, inviável; garantir a qualidade, que ninguém está preocupado; e assegurar o cumprimento dos prazos nas entregas e no recebimento por eles. Estranhamente, na esfera pública a Engenharia é controlada hoje por quem não é engenheiro, na maioria das vezes. Esse é o erro dos órgãos de controle. Isso embota o conjunto de valores éticos que tem haver no modelo de compliance.

PRESERVA O INFORME SOBRE BANCO DE TERRA
“É o suficiente para se constituir numa matéria-prima importante para ser usada ao longo de muitos anos. Prefiro não quantificar, porque pode parecer arrogância”

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Se posiciona: votou em Belivaldo e Bolsonaro

JLPolítica - Quais seriam os outros erros embutidos no sistema licitação, feitura e pagamento de obras?
LB -
Em primeiro lugar, o controle tem que nascer na origem. Ali na qualidade do projeto, com a licença, para que, na hora de licitar, esteja tudo resolvido. Outra coisa: tem que exigir, nas licitações, garantias da proposta. Nos países mais avançados, como os EUA, a empresa dá uma carta e dá uma garantia de 100% no valor da proposta. O que acontece? A seguradora, que dá esse seguro-garantia, passa a ser um fiscal natural. Ele sabe que se a empresa não cumprir, ele vai ter que pagar para concluir a obra.

JLPolítica – Há percepção de erro também de quem contrata a licitação?
LB –
Olha, muitas vezes, eu ouço das autoridades, mais recentemente, algo do tipo “assinei o contrato sabendo que não seria feita a obra”. E eles têm razão. Está aí o Hospital do Câncer. Eu disse no dia em que saiu a concorrência que não funcionaria, que ela não seria feita. E não foi – não que eu estivesse torcendo por isso. E o cara está brigando é por uma rescisão, e não tem punição nenhuma. Todo mundo diz: “se fosse da Celi, estava pronto”. Isso me deixa muito feliz, porque a Celi tem compromisso e tem responsabilidade. Mas por que os que não têm compromisso não são punidos? Eis a questão.

 JLPolítica - Mas a sua pregação não parece trazer embutido o risco de deixar tudo muito solto, sem vigilância e descambar para a corrupção generalizada nos contratos e nas execuções de obras?
LB – Não. Tudo isso praticado até hoje evitou a corrupção que houve? Nós tivemos corrupção nos estádios da Copa de 2014, nas Olimpíadas, nas obras da Petrobras, apesar desse controle todo. O controle é importantíssimo, mas com uma visão de que ele deve acontecer antes, e também que deve cobrar do Governo que pague pelas obras. O controle deve ser a favor da sociedade, buscando que a obra tenha preço justo, qualidade e prazo de entrega. E se atrasar o pagamento, que pague juros de mercado. O que defendemos é que a obra tenha começo, meio e fim. Toda obra que não termina, quando é reiniciada, passa a custar o dobro. Quem ganha com isso? A quem isso serve? Ninguém.

DA FORMAÇÃO EM ENGENHARIA NA BAHIA
“Fui para a Bahia porque Sergipe não tinha escola de Engenharia e a Bahia era a mais próxima. Mirei nas cadeiras acadêmicas que achava que teriam importância para a minha vida profissional futura, como Estabilidade, Fundações, Concreto Armado”

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Mas sabe construir a institucional relação entre o público e o privado

JLPolítica – E a sua voz, nesse sentido, é ouvida por alguém?
LB -
Infelizmente, não. Me surgiu uma esperança agora, quando o ministro Dias Toffoli decidiu criar uma Comissão para averiguar porque há tantas obras paradas no Brasil. Se eu for convidado para o debate, vou contribuir com muito prazer.

JLPolítica – O Toffoli conhece essa sua pregação sobre isso?
LB –
Participei de um evento na Unit, cuja minha apresentação foi a antes da dele, e meu tema foi esse. Ele observou e fez algumas referências concordando com minhas ideias. Claro que ele não criou a Comissão por causa de mim. Então, o que os órgãos de controle deviam fazer é atuar dos dois lados, assim a obra ficaria pronta com um preço justo. Nós fizemos a recuperação daquela ponte histórica, em Estância, no Governo Marcelo Déda. Daí chega um representante de um órgão de controle, que não vou citar, e diz: “não vi indícios de que o armco está aí. Claro que estava. Se não tivesse, a ponte caía. Um serviço pequeno, que a gente fez para atender, aí o pessoal já vem para punir. Não vem para ajudar. Aí ligaram para o meu engenheiro e pediram a planta da obra, para constatar que o armco estava lá. Eu disse, em tom de ironia: “não mande a planta, não. Mande a marreta”. Porque por cima do armco é concreto. Quando ele viu o concreto, achou que não estava lá. Aí mandamos as plantas e as fotografias, porque a gente fotografa as obras do início até o fim. Então, com isso estou dizendo que está se perdendo muito tempo, enquanto as obras continuam paralisadas e sem qualidade. Hoje, se gasta R$ 10 milhões para economizar R$ 6 mil.  

 JLPolítica - Desde antes da eclosão dos escândalos envolvendo as grandes construtoras nacionais e os Governos do PT, o senhor já levantava a lebre do que chamava de cartel da primeira divisão, da Série A, das empreiteiras. Mas lhe surpreendeu o tamanho do buraco?
LB –
Não me surpreendeu, porque hoje existem parâmetros internacionais. Eu li um artigo no Valor Econômico que diz que foi construída uma refinaria na Índia de um milhão de barris de processamento por dia, por US$ 6 bilhões. Isso foi há dois anos, e já tinha os parâmetros internacionais. Para a refinaria de Pernambuco, falam em R$ 20 bilhões para 300 mil barris por dia. O que acho é que é muito ruim quando os dois lados estão do mesmo lado. Se você me contrata para fazer alguma coisa e você age com independência, sem se juntar a mim, a perspectiva de erro é menor. Agora, você não pode é querer que o empresário faça sem imposto e sem lucro. E tem tabelas dos órgãos de controle que determina que a construção de determinada coisa é sem imposto e sem lucro. Como vai emitir nota fiscal sem pagar ISS?

IMPORTÂNCIA MARCANTE DA ENGENHARIA
“Eu tenho obras, assino algumas e contribuo com minha equipe. A Engenharia e a soma das suas especialidades são tudo. A maior ponte do mundo é metade ponte e metade túnel. Quem imaginaria uma Rio-Niterói? É como a da Barra, aqui. São coisas da Engenharia”

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Não por acaso, tem o reconhecimento de homens públicos de todas as gerações

JLPolítica - Há dez anos lhe passava pela cabeça ver tanta gente graúda da sua área empresarial presa no Brasil?
LB –
Não. Aliás, não passava pela cabeça de ninguém. Eu acho que a Operação Lava Jato é importantíssima. Na minha modesta opinião, considero o trabalho do juiz Sérgio Moro extraordinário, importante, porque aconteceu no Brasil uma concentração excessiva de obras, independentemente dos aspectos de corrupção etc., que sufocou a pequena e média empresas.

JLPolítica - O senhor acha que das cem mil que o senhor fala, quantas sofreram com essa concentração de obras?
LB –
Creio que 95%, e isso é péssimo para a economia. Você já deve ter ouvido isso da minha parte: é preciso garantir democratização nas obras públicas. Então, aquelas obras que pudessem ser divisíveis em partes, que se dividisse. Vou lhe dar um exemplo: por que se faz uma estrada e não contrata a ponte e a drenagem separadas? Por que não se faz isso?

JLPolítica - Sim, por que não se faz?
LB -
Por causa da concentração nessa série A, entendeu. Se numa obra com tudo junto tem dez engenheiros, na que contrate 10 empresas, terá 30, porque cada uma delas montará a sua equipe. Perdeu-se no Brasil a visão que existia nos períodos militares, e anteriormente a esse excesso de controle, de uma política de fazer as obras ficarem prontas em tempo justo e com qualidade.

“SONHAVA UMA ODEBRECHT, MAS ESTOU SATISFEITO COM A CELI”
“Eu me considero conservador quando precisa; mediano quando precisa ser, e progressista também quando necessita. Somos as três coisas a um só tempo. Eu sonhava com uma Odebrecht, mas o que eu pude fazer foi a Celi. E estou satisfeito com ela”

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Matiz ideológica não é problema

JLPolítica - Isso que ocorreu no Brasil, com a punição das grandes construtoras, pode matar essa cultura do privilégio à série A e fazer renascer uma nova realidade?
LB -
Acho que tudo que foi feito em relação a série A está correto, eles têm que se defender...

JLPolítica - Mas pode nascer uma nova realidade?
LB -
É difícil.

JLPolítica - As da série A vão ressuscitar?
LB –
Creio que vão ressuscitar. Já estão ressuscitando com outras regras. Mas eles fizeram tudo isso porque encontraram a possibilidade de fazer.

A AVALIAÇÃO DE RIQUEZA NÃO ME DIZ NADA"
“Acho que essa é uma avaliação que não me diz nada. A riqueza tem de se voltar para o mercado que lhe permitiu construir. Eu vi Eike Batista dizer que seria o homem mais rico do mundo e hoje é pobre”

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Nunca fica quieto no seu canto nos processos eleitorais

JLPolítica - Diante dessa avalanche de prisões, quem mais errou: eles, os empreiteiros, ou o Poder Judiciário brasileiro?
LB -
O Judiciário não errou em nada. Quem errou foi quem contratou, fiscalizou e o contratado. No Brasil, precisamos de segurança jurídica. Precisamos prestar o serviço com qualidade e prazo de execução e, por outro lado, repito, o governo pagar e honrar a sua parte. Se as duas partes cumprirem, você não precisará estar recorrendo ao Judiciário, que faz um trabalho excelente, e não errou. Veja onde aconteciam os erros: nas grandes obras, dos grandes empresários.

JLPolítica – Causou-lhe surpresa que essa hecatombe de corrupção, esses privilégios à série A, tivessem ocorridos sob o governo do PT?
LB –
Surpreendeu, sim. Eu vivi muito em Brasília nos governos anteriores e todos enxergavam os petistas que lá trabalhavam como bons fiscais. Você deve ter ouvido isso: “eles são xiitas, os petistas”. Eles apontavam o dedo para todo mundo. E, lógico, existe muita gente honesta no PT. Não podemos generalizar, porque toda generalização é perigosa. Agora, foi sim uma surpresa. Em votei em Lula duas vezes.

JLPolítica - Afinal, no geral, tem mais construtor desonesto do que honesto?
LB -
A relação, considerando os humildes, médios e grandes, é de 97% de construtores honestos. De corretos.

MAS, EM COMPENSAÇÃO, A RIQUEZA É...
“Algo importante, mas só quando você a usa sem ostentação. Sem agredir ninguém, sem se mostrar superior por causa dela. O mais rico do mundo vai morrer da mesma forma que eu, e nasceu como eu nasci”

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É também reconhecido por sergipanos de todas as gerações

 A POLÍTICA

JLPolítica - Que “culpa” tem o ex-governador baiano Lomanto Júnior sobre o seu empedernido gosto pela política?
LB –
Creio que Deus tem iluminado meu caminho, sempre. O acaso me colocou em Jequié na hora certa naqueles anos 60. Lomanto foi governador de 1963 a 1967, e o prefeito era Daniel Andrade. Eu fui tomar conta de um serviço vital para toda a população, que é a água, e levei o meu espírito de líder estudantil. O que acontecia? Jequié concentrou um volume grande de investimentos, tanto estaduais quanto federais. A primeira grande obra da Odebrecht, que foi um divisor de água (para a empresa) foi a Barragem de Pedras, no Rio de Contas, na região de Jequié, que atenderia também a essa cidade. Essa obra tinha uma importância tão grande para a Odebrecht, que o supervisou era Ângelo Calmon de Sá, o banqueiro que virou um dos donos do Econômico e ministro. Então, como tomei gosto pela política? Os dois, Lomanto e Daniel, eram inimigos politicamente, e eu atuava com independência em relação aos dois. A Engenharia da Bahia se concentrava em Jequié. O doutor Norberto Odebrecht, fundador da Construtora Odebrecht, via em Jequié.

JLPolítica - Mas o senhor admite que Lomanto tem “culpa”?
LB –
Sim. Mas não só Lomanto. Reveja aí a minha atividade e militância estudantil. Mas na Bahia, admito, Lomanto foi uma pessoa que me prestigiou muito. Viu meu trabalho e o entendeu. Algumas coisas que ele me pedia eu fazia, outras nem tanto. Vou dar um exemplo: pediu para eu fazer o esgoto numa avenida de Jequié. Me deu a data e eu disse: “isso não vai dar tempo, porque tem que ter um projeto antes”. Ele disse: “Seu Jovem faz”. Seu Jovem era um senhor, mestre de obras. Eu lhe disse: “Se seu Jovem fizer e der certo, vão elogiar. Se se fizer e der errado, vão criticar a Engenharia. Não posso fazer para dar errado. Tem que dá certo e pra isso precisa projeto”. O problema era que não dava tempo pra elaborar o projeto. De modo que surgiu uma confiança entre nós. Ele me convidou para ser diretor, secretário, e eu não quis. Lomanto é padrinho da minha filha mais velha. De todos os eventos da vida dela ele participou, quer como autoridade ou quando não tinha mais cargo. Nasceu entre nós uma amizade muito grande.

JLPolítica - Em 1986 foi trabalhada uma pré-candidatura sua a deputado federal, mas abortada em cima das convenções. Até quando o senhor nutriu o sonho de um mandato popular?
LB -
Até ali. E por uma razão muito simples: desisti de uma candidatura, rompi compromissos, porque não podia deixar de atender a Maria Celi.

OLIMPINHO E A ORIGEM DO APELIDO AL CAPONE
“A origem disso é do meu grande e saudoso amigo Olímpio de Souza Campos Júnior, o Olimpinho. Ele botava apelido em todo mundo. Quando botou esse em mim, não se referia a calotes. Foi de brincadeira” 

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No TCE/SE, recebeu o Colar do Mérito Gumercindo Bessa. Na imagem, com o amigo e conselheiro do Tribunal, Carlos Alberto Sobral Souza

JLPolítica - O que Maria Celi queria?
LB -
O candidato ao Governo do Estado era José Carlos Teixeira, o irmão dela. E eu estava do lado de João Alves, que apoiava a candidatura de Antonio Carlos Valadares. Ela não queria essa divisão. 

JLPolítica - O senhor se arrepende?
LB -
De jeito nenhum. Maria Celi merecia. Quando tomei partido em relação à família dela na questão da Norcon, ela me disse: “Você tem razão. Vou ficar do seu lado”.

JLPolítica - Por que o seu neto Wagner Júnior não avançou com a candidatura de deputado federal prometida a partir de 2017 para 2018?
LB -
Achei que ele não estava preparado para ser deputado.

DO LÍDER DE CLASSE E DA ASEOPP
“Se aceitei ser presidente da Aseopp, por indicação dos meus colegas, tenho obrigações com meus associados e com a área em que nós atuamos. Tenho um nível de relacionamento maior do que o da maioria deles”

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"Já chegamos a quase cinco mil. Hoje, são mil", conta, sobre a queda do número de colaboradores da Celi

JLPolítica – Mas o projeto continua?
LB –
O Wagner Júnior teve uma participação muito grande na mobilização de Jair Bolsonaro em Sergipe. Esteve, inclusive, na casa do presidente eleito e saiu até no Jornal Nacional. Ele está se preparando para a cena política. Tomou gosto.

JLPolítica – O senhor vê essa iniciativa com bons olhos?
LB -
Todas as iniciativas de meus netos eu vejo com bons olhos. De todos eles.

JLPolítica – Como os seus cunhados, o senhor foi também um protegido do MDB durante a ditadura militar?
LB -
Não tenho notícia de que meus cunhados tenham sido protegidos.

DA FILOSOFIA DE QUE EMPRESÁRIO DEVE SER PENALIZADO
“Há dez anos a gente luta pela mudança desse modelo (de licitação) que está traduzido na nossa bandeira principal: preço justo, obra concluída, sociedade atendida. Com esse modelo implantado, a sociedade é quem ganha” 

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Lamenta a derrota de André Moura

JLPolítica – E não foram?
LB -
Eu não fui, porque inclusive briguei com eles. Casei com a irmã e briguei em seguida. Quando montei a Construtora Celi, foi uma ruptura com eles. Profissional e pessoal. E eu não olho para o lado, ou para trás. Tenho um olhar para frente. Olho para ajudar.

JLPolítica -  O senhor votou em Jair Bolsonaro para a Presidência da República. O que há de se esperar do futuro mandato dele?
LB –
Tem várias razões de se esperar um bom futuro, mas farei uma síntese. Primeiro: ordem. O país precisa de ordem. Segundo: crescimento sustentável. Como se faz esse crescimento? Via construção civil, agricultura e turismo. Eu espero que esse crescimento possa alcançar todos no Brasil: pequenos, médios e grandes. O Brasil precisa disso. Não podemos continuar convivendo com 13 milhões de desempregados. Mas tem algo que me deixa feliz. Nessa situação, é claro, aparece a capacidade do povo brasileiro. Aracaju está cheia de pequenos negócios. Em cada lugar tem um restaurante, um pequeno negócio.

JLPolítica – O senhor espera que no Governo Bolsonaro se dará o fim dos privilégios da série A?
LB -
A série A tem que ser tratada com respeito, mas sem privilégio. Quem vai fazer as grandes obras? É a série A. E a culpa não é só de um partido. É de uma série de partidos. Mas empresas têm que continuar fazendo e recebendo, dentro da premissa de ética que a Aseopp defende.

O RIGOR É BOM, MAS TEM QUE VIR DE VÉSPERA
“O controle tem que nascer na origem. Ali na qualidade do projeto, com a licença, para que, na hora de licitar, esteja tudo resolvido. Outra coisa: tem que exigir, nas licitações, garantias da proposta”

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Vê Gilmar Carvalho como confiável

JLPolítica – Nesse contexto, em que série a Celi se encontra?
LB -
Pelo tamanho, no contexto de Sergipe a Celi é série A. Nacionalmente, B ou C.

JLPolítica - O senhor aposta que Belivaldo Chagas vai ser mesmo o governador propositivo que prometeu na campanha e que lhe fez segui-lo enquanto uma opção eleitoral?
LB -
Se eu tivesse dúvida, não o seguiria. O Estado precisa é que a gestão e a política caminhem juntos. Não temos que criminalizar a política. A maioria dos políticos é honesta. E Belivaldo é um deles. Capaz, e já mostrou isso.

JLPolítica - A promessa de gestão de Belivaldo vale mesmo a ajuda financeira de R$ 300 mil à campanha dele feita pelo senhor?
LB -
O nosso compromisso é com o desenvolvimento, por isso que elaborei com um estudo com sugestões entregue ao secretário da Fazenda, Ademário Alves, com minhas ideias sobre a política de desenvolvimento para o Estado de Sergipe. Eu acho que no momento, sem nenhum demérito aos demais, Belivaldo Chagas é a pessoa mais habilitada a promover políticas de desenvolvimento para Sergipe. Mas não é uma política de desenvolvimento que me atenda não. E, sim, uma política que atenda àqueles que precisam de emprego, de assistência médica, de educação, segurança.

DAS TANTAS PRISÕES NAS GRANDES CONSTRUTORAS
“Não passava pela cabeça de ninguém. A Lava Jato é importantíssima. Considero o trabalho do Moro extraordinário, porque aconteceu no Brasil uma concentração excessiva de obras que sufocou a pequena e média empresas”

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'Achei que ele não estava preparado para ser deputado", diz, sobre o recuo da candidatura do neto, Wagner Júnior

JLPolítica - Por que o senhor não fica quieto no seu canto nos processos eleitorais sergipanos?
LB – Essa
é uma pergunta boa (risos). Acho que mover-me é minha obrigação. Eu, como sergipano, que tem toda a sua família aqui, que me prendo a essa terra, que acredito em Sergipe e por onde vou prego a necessidade de trazer investidores, de se investir em Sergipe, preciso me envolver. Prego a necessidade de se trazer investidores, porque nunca pretendi ser único. Não tenho isso. Se é vitorioso, seja competente e faça igual a ele. Espaço tem para todos.

JLPolítica - Procedem os boatos de que em cima da hora rolou dinheiro do seu grupo na eleição de Edvaldo Nogueira em 2016?
LB -
Oficialmente, sim, apoiamos Edvaldo Nogueira. Extraoficialmente, não. Na Celi não tem isso. Na Celi é tudo oficial. Dinheiro e doação são para os meus filhos e minha e minha mulher. E outra coisa: tenho acompanhado Edvaldo Nogueira e ele tem feito, desde a primeira e a de agora, excelentes gestões. Agora, eu dizia a ele: “Edvaldo, as pessoas gostam muito de sua administração. Mas você tem que buscar fazer com o que as pessoas também gostem de você, e não só do seu trabalho”. Você sabe que são coisas distintas. Você pode ser o melhor jornalista e não gostarem de você. Então, você tem que fazer relacionamento. Mostrar às pessoas as suas qualidades, para que elas também gostem de você para além do profissional.

JLPolítica - O que o senhor vê de positivo no homem público Gilmar Carvalho? O senhor o tem como confiável?
LB -
Eu vejo positivismo na sua atuação como jornalista, radialista. O tenho como um homem preocupado que, em alguns momentos, supriu o poder público naquilo em que o poder público não atendia às pessoas. Só sabe da importância de Gilmar Carvalho quem, nas camadas mais pobres, fez algum apelo e ele correu atrás para atender. Eu o vejo como confiável.

DOS ACERTOS DO PODER JUDICIÁRIO
“Precisamos de segurança jurídica. O Judiciário não errou em nada. Quem errou foi quem contratou, fiscalizou e o contratado. Precisamos prestar o serviço com qualidade e prazo de execução, e o governo pagar e honrar a sua parte”

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Logo após a morte do filho, Luciano encontrou nos papeis rabiscados por Júnior a constituição completa do ILBJ

JLPolítica - De onde vem a sua relação legal com o político Rogério Carvalho?
LB -
É uma pergunta difícil de responder. Todo mundo pergunta: por que você gosta tanto de Rogério Carvalho. Quando Rogério saiu da Secretaria da Saúde eu não o conhecia. E ali ele me telefonou. Devo dizer que é um cara superinteligente e mobilizador. Pelas conversas que tenho, pelo que conheço, é um homem extremamente honesta, ocupou cargos importantes e veja a dificuldade financeira que ele teve nessa campanha.

JLPolítica - O senhor o vê como um idealista?
LB –
Eu o considero idealista. Posso até não concordar com as ideias dele, mas não brigamos por isso. Ele tem as dele e eu tenho as minhas. Convivo com Rogério há uns 15 anos, nunca lhe pedi nada e me mantive amigo fiel a ele nesses períodos em que esteve sem mandatos públicos, sem nada. Mas sei que ninguém em Sergipe pode esquecer a capacidade de mobilização dele.

JLPolítica - Após o resultado do último dia 28 de outubro, compete a quem reunir os cacos da oposição em Sergipe?
LB –
Creio que o deputado André Moura tem todas as condições de liderar a oposição em Sergipe. Uma oposição construtiva, porque André, tem que se reconhecer, é um homem extremamente trabalhador. Ele ajudou muito Sergipe com os recursos que trouxe. E, qualquer que seja o cenário com Bolsonaro, ele é um homem muito bem relacionado em Brasília.

A ORIGEM DO GOSTO PELA POLÍTICA
“Mas não só Lomanto Júnior (tem “culpa” por isso). Reveja minha atividade e militância estudantil. Mas na Bahia Lomanto foi uma pessoa que me prestigiou muito. Viu meu trabalho e o entendeu. Nasceu entre nós uma amizade muito grande”

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Pelo ILBJ já passaram 15 mil jovens, todos de origem pobre

JLPolítica - O senhor considera ele um derrotado vencedor?
LB -
Lamento ele ter sido derrotado. Acho que André poderia ter sido o deputado federal mais votado do Estado de Sergipe.

JLPolítica - O senhor se admite um ser eternamente regido pelo signo da passionalidade?
LB –
É o seguinte: eu sou leal.

JLPolítica - Falo passional, no sentido afetivo demais, muito dado às causas com as quais se envolve.
LB -
Sou, sou, sou. Vou lhe dá um exemplo: tenho uma amizade, sou padrinho do filho do jornalista Antonio Valadão, até hoje nosso relacionamento é de irmão, ele tem um estilo de vida com o qual não concordo, inclusive teve problema sérios de saúde... Isso é ser passional?

PODERÁ HAVER POLÍTICO MILITANTE NA FAMÍLIA
“O Wagner Júnior teve uma participação muito grande na mobilização de Jair Bolsonaro em Sergipe. Esteve, inclusive, na casa do presidente eleito e saiu até no Jornal Nacional. Ele está se preparando para a cena política. Tomou gosto”

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A família não aceita um tostão de ninguém como ajuda.

A FAMILIA

JLPolítica - O que é família para o senhor?
LB -
Acho que família é tudo. É na família que você encontra amparo, apoio, estímulo. Desafio. Sou iluminado por Deus: tenho o privilégio de ter um bisneto, lindo, maravilhoso, pelo qual sou apaixonado. Tenho seis netos, maravilhosos. Mas perdi um filho. Eu homenageio todo dia a Maria Celi pelo apoio que me deu.

JLPolítica - O que seria de sua vida não houvesse nela Maria Celi?
LB -
Não vou inovar: se alguém me considera de sucesso, eu acho que é porque tenho Maria Celi por trás.

JLPolítica – Por que a escolha do nome Celi para nominar a sua empresa?
LB -
Uma homenagem, certamente, que fiz a ela. Isso aumentou a minha responsabilidade em ter uma empresa séria, que leva o nome da esposa e que honra os seus compromissos - e que terei sempre que honrar.

DA APOSTA QUE FAZ EM BELIVALDO CHAGAS
“O Estado precisa é que a gestão e a política caminhem juntos. Não temos que criminalizar a política. A maioria dos políticos é honesta. E Belivaldo é um deles. Capaz, e já mostrou isso”

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“Eu nunca aceitei a morte de Júnior. Mas nunca questionei o porquê”, revela

JLPolítica - Que tipo de exemplo pessoal lhe passou Paulo Figueiredo?
LB -
Eu acho que meu pai era um homem muito rigorosos, briguento, participativo. Pouco passional, diferente de mim. A vida me ensinou: todas as pessoas com as quais briguei hoje são mais meus amigos dos que antes de brigar. Isso é importante.

JLPolítica - O que é que o senhor tem, de traço de personalidade, dele e de Cleonice Franco Barreto?
LB -
Dele, esse espírito combativo. Ele era uma pessoa que tinha objetivo da vida. Um homem extremamente rigoroso com os filhos. Um homem que tomou conta da gente, bem de perto. Deu o que era possível dar naquela época. Minha mãe era uma pessoa, acima de tudo, caseira. Muito religiosa, e muito amorosa, ao jeito dela. Eu sou, até fisicamente, a expressão do que os dois foram para mim. Acho que pareço mais com meu pai.

JLPolítica - O senhor fala pouco de público sobre Oviedo Teixeira, seu sogro e considerado um grande homem em seu tempo. O que ele significou para o senhor?
LB -
Acima de tudo, um exemplo de otimismo. Era um homem extremamente otimista, que valorizava a importância do relacionamento. Seu Oviedo era uma pessoa que todo mundo amava. Eu não falo do meu pai mais do que falo de seu Oviedo. Ou menos. As homenagens para meu pai interessam a mim. Mas carrego os dois na alma. Não coloquei o nome de seu Oviedo num prédio, porque os filhos colocaram. Botei o do meu pai.

CABRA HABILITADO AO DESENVOLVIMENTO DE SERGIPE
“Belivaldo Chagas é a pessoa mais habilitada a promover políticas de desenvolvimento para Sergipe. Mas não uma política que me atenda. E, sim, uma que atenda àqueles que precisam de emprego, de assistência médica, de educação, segurança”

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Além de Luciano Franco Barreto Júnior, o caçula, teve duas filhas: Alda e Ana

JLPolítica - O que representam para o senhor as datas 23 de janeiro de 1974 e 6 de setembro de 2002?
LB -
O 23 de janeiro de 1974 foi o nascimento de Júnior. O nascimento representa um projeto de vida. Quando eu e Maria Celi já tínhamos duas filhas, sonhávamos com um filho homem. E ele chegou. Júnior juntava as qualidades da mãe, as minhas, à das irmãs. Júnior era um menino muito inteligente. Muito mesmo. No pouco tempo que passou na Celi, mudou a empresa. Fez um projeto de integração, melhorou o relacionamento com os nossos colaboradores. O projeto que Júnior implantou na Celi foi definitivo. Sem a passagem dele pela Celi, ela não seria isso que é hoje. A morte dele naquele 6 de setembro de 2002 foi uma perda indescritível. Só quem vive, sabe. A maior homenagem que poderia fazer a ele é continuar fazendo tudo aquilo que sempre fiz.

JLPolítica - Seriam duas datas que trazem muita alegria e entristecem...
LB -
Digo o seguinte: me alegrou muito quando Júnior nasceu. Muito. Sofro muito com a perda dele. Sinto muita falta. Muita. Mas sei, dentro no meu pragmatismo, que nada que eu faça trará ele de volta. Então, tenho que estar sempre homenageando ele.

JLPolítica - Tem que tradução para um pai a morte precoce de um filho?
LB -
Vou repetir o que ouvi de alguns espíritas, em livros onde busquei conforto, em pessoas como o Padre Arnóbio, Jácome Góis: significa uma dor que não tem nome. Ah, diz-se “estou sofrendo por amor, por doença”. Perder um filho é uma dor pior. Mas, pela sua dimensão, não tem nome. Tão importante quanto isso é conviver com isso. Eu nunca aceitei a morte de Júnior. Mas nunca questionei o porquê.   

É NA FAMÍLIA QUE VOCÊ ENCONTRA AMPARO E APOIO
“Família é tudo. Sou iluminado por Deus: tenho o privilégio de ter um bisneto maravilhoso. Tenho seis netos. Mas perdi um filho. Eu homenageio todo dia a Maria Celi pelo apoio que me deu”

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Frutos da união com Maria Celi Teixeira Barreto

JLPolítica - Nunca culpou Deus, ninguém, nada... 
LB –
Não. Nunca. E outra coisa: todas as vezes que conversava com ele, meu tema era: “meu filho, não corra, não corra, não corra”. Ouvi de um espírita em Araxá, Minas, por nome Tiago, que mantém um hospital do SUS: “o que não foi evitado é o que não tinha que ser evitado”.

JLPolítica - A morte de Júnior o transformou num kardecista?
LB-
Não. Sou um católico. Mas, ao lado, da igreja católica, por meio do Padre Arnóbio, conversei com o substituto de Chico Xavier, tive em um centro espírita com Jácome. No que eu me apego hoje - e isso o espiritismo fez -: eu acredito em vida após a morte. Acredito, porque serve para mim. Penso no reencontro como uma maneira de conviver com a dor. Eu tenho exemplos de pessoas que se destruíram com uma perda de tal dimensão da minha. Eu não. Em nem renasci com a dor, porque eu não morri da dor. Eu transformei a minha dor numa coisa efetiva. Difícil. E, acima de tudo, em benéfico de realizar os sonhos de Júnior.

JLPolítica - O senhor costuma ver nos quatro netos, nas duas netas, e agora no bisneto, uma réplica de Luciano Franco Barreto Júnior?
LB -
Eu vejo que cada um tem um pedaço dele. Um é mais caseiro - ele tinha períodos caseiros; outro gosta mais de estar na rua; um é mais namorador, outro menos. Cada um tem um pouco das características dele. Mas, basta pra dizer sobre o carinho que minha família tem por Júnior: só quem conviveu com ele foram Luciano Neto e Wagner Júnior, os mais velhos. Mas meu bisneto, quando chega aqui em casa – e ele vem muito - a primeira coisa que ele faz é ir ao retrato de tio Luti - tem um retrato na sala - e dá-lhe um beijo.

DO PAI, “ESSE ESPÍRITO COMBATIVO”
“Ele era uma pessoa que tinha objetivo da vida. Um homem extremamente rigoroso com os filhos. Um homem que tomou conta da gente, bem de perto. Deu o que era possível dar naquela época”

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"Tenho seis netos, maravilhosos", comemora

JLPolítica - Em que nível, ou grau, o Instituto Luciano Barreto Júnior ajudou a cicatrizar a sua dor e a de Maria Celi?
LB -
Eu procurei caminhos. Procuramos um psicólogo no Rio de Janeiro que trabalha exclusivamente com perdas dessa dimensão. O fizemos para aprender a conviver com a dor. Porque estamos certos deixá-la de ter, nunca se deixa. Então, ele nos disse que o melhor seria construir a história dele. E qual a história dele? O Instituto Luciano Barreto Júnior.

JLPolítica - Pelo Instituto Luciano Barreto Júnior já passaram, em média, quantos jovens nesses 15 anos?
LB -
Tranquilamente, uns 12 mil jovens. A realidade de muitos desses jovens no dia a dia nos conforta. Eu fui fazer recentemente um exame no Hospital de Olhos, uma recepcionista me chamou e me disse: “é uma honra lhe atender”. Por que uma honra, sou igual a você? “Eu fui aluna do Instituto Luciano Barreto Júnior”, disse-me ela, feliz. Isso me emociona. Todo lugar que vou, tem esse tipo contato. Teve um cliente nosso que foi em Braga, em Portugal, e numa loja de câmbio se identificou como brasileiro, sergipano. Quem o atendeu disse que foi morador do Bairro Industrial, cercado de drogas, fez um curso no ILBJ e que deve a Instituto a mudança de vida dele.

JLPolítica - Se fosse possível aferir, o senhor acha que Luciano Júnior teria que tipo de sentimento por este trabalho do ILBJ?
LB-
Como ele é mais inteligente, mais moderno, estaria mais feliz do que eu. Eu encontrei esse projeto pronto. A ideia do Instituto foi dele. Concebida e desenhada por ele. Lembro-me bem de quando que fui resgatar as anotações dele, tinha lá esse projeto, só que com o nome de Instituto Paulo Figueiredo Barreto, o avô, meu pai. O projeto é literalmente dele. Apenas organizei. Fiz andar. Quando fui formular o Instituto, não tinha ideia de local. Maria Celi tinha uma loja fechada há cinco anos, sem conseguir alugar ou vender. Não sabia desse prédio, mas o esboço que fiz coube perfeitamente nesse prédio. O organograma completo.

A MORTE DE JÚNIOR, A PERDA INDESCRITÍVEL
“Júnior era um menino muito inteligente. A morte dele naquele 6 de setembro de 2002 foi uma perda indescritível. Só quem vive, sabe. A maior homenagem que poderia fazer a ele é continuar fazendo tudo aquilo que sempre fiz”

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Sobre o futuro: "ainda não pensei na posteridade. Penso no presente", diz

JLPolítica - O Instituto recebe alguma verba pública?
LB –
Não. E é proibido. Nem verba pública, nem privada. É mantido pela família.

JLPolítica - Em menos de dois anos, em setembro de 2020, o senhor emplaca 80 anos. O que é a longevidade para o senhor?
LB -
Deus me fez uma pessoa iluminada, e espero chegar aos anos 80 com essa saúde e essa disposição. Veja: não esqueci de nada que você me questionou nessa entrevista. Então, espero ir longe. Minha família precisa e eu sou um homem de bem com a vida. Em Salvador, morei numa pensão, cujo quarto era metade desse escritório aqui onde estamos conversando em meu apartamento. Eu vinha de ônibus, tarde da noite, ou pegava o trem da Leste do Brasil. É um longo caminho de trabalho. De honra aos compromissos assumidos. Júnior me fez enxergar muito isso: fez-me ver a Celi como um conjunto de ações. Um todo.

JLPolítica - O senhor teme a morte e o desconhecido que ela representa?
LB –
Não propriamente o medo de morrer, mas a forma de morrer. Nascemos e morremos. Eu já tenho um privilégio que meu filho não teve: 50 anos a mais de vida. Ele morreu com 28 anos, em estou com 78. Deus me deu recursos, a oportunidade de implantar o Instituto. Tenho isso. Estou bem e espero ter o que tenho hoje até o fim da minha vida. Eu sou uma pessoa física, um executivo bem pago. Os recursos da Celi estão na Celi.

“EU NUNCA ACEITEI A MORTE DE JÚNIOR”
“Significa uma dor que não tem nome. Ah, “estou sofrendo por amor, por doença”. Perder um filho é uma dor pior. Mas não tem nome. Eu nunca aceitei a morte de Júnior. Mas nunca questionei o porquê”
 

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"O melhor seria construir a história dele", O Instituto Luciano Barreto Júnior", revela sobre a inspiração de criação do Instituto

JLPolítica - O senhor cuida bem da saúde ou é um hipocondríaco?
LB –
Eu cuido bem demais. Tomo todos os remédios que os médicos passam. Sou super organizado (risos), entendeu. É importante: todos os médicos das especialidades que preciso se tornaram grandes amigos. Eles têm uma preocupação muito grande com a minha saúde. Às vezes mais que eu. O doutor Sousa, por exemplo, (o cardiologista Antônio Carlos Sobral Sousa) é mais do que meu médico. É meu amigo. Sou fã de Souza. Tem renome mundial na pesquisa e na cultura. Cada médico é importante para mim. Tenho neles amigos.

JLPolítica - Como Luciano Franco Barreto gostaria de ser lembrado na posteridade?
LB -
Ainda não pensei na posteridade. Penso no presente. Não tenho essa pretensão. Tenho amigos verdadeiros, aos quais nunca pedi nada. Não quero nome de rua, nada. Tenho uma missão, um papel que quero cumprir bem. Tenho uma trajetória definida. Sempre tive minhas posições, nunca deixei de tomá-las, certo ou errado. E outra coisa: assumo as reponsabilidades do que dá errado com um colaborador meu. Deu errado, a culpa minha. Não foi dele. Fui eu. Respeito muito meus colaboradores. Adoro meus irmãos Adilson, Francisco e Marcelo, e estimo muito todos os meus sobrinhos, entre os quais cito Geraldo Magela, Paulo Barreto e Gustavo Barreto.

“AINDA NÃO PENSEI NA POSTERIDADE”
“Não tenho essa pretensão. Penso no presente. Tenho amigos, aos quais nunca pedi nada. Não quero nome de rua. Tenho uma missão que quero cumprir bem. Respeito meus colaboradores. Adoro meus irmãos e estimo muito todos os meus sobrinhos”

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Espera chegar aos 80 anos com essa saúde e essa disposição