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Entrevista

Jozailto Lima

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Luciano Correia: “A nossa comunicação é verdadeira e sem pirotecnia”

Publicado em  5  de janeiro de  2019, 20:00h

“A esquerda tem que se reinventar em outras bases teóricas e práticas”

Luciano Correia - o intelectual, o professor, o militante político, o jornalista -, nunca foi uma unanimidade entre os pensantes sergipanos. Sobretudo quando em foco esteve o jornalista.

Iconoclasta, sempre se fez companheiro de um estilingue verbal com o qual estilhaçou tantas reputações alheias que, visto hoje aos 57 anos – fará 58 em abril -, algum desavisado poderia até se surpreender com tamanho acolhida profissional à pessoa dele na vida do Estado e fora daqui.

Só para começo de conversa, Luciano Correia é o único sergipano - ele nasceu em Macambira, mas muita gente o tem como um itabaianense, onde sentou praça desde cedo - a ter chegado ao posto de secretário de Comunicação Social do Governo de Aracaju por quatro vezes. Claro que isso não é pouco.

Mas foi repórter e editor da TV Sergipe, trabalhou na Sucursal da Tribuna da Bahia aqui, foi repórter de Política no Jornal de Sergipe, dirigiu afiliada de Globo e depois do SBT em São Luis, no Maranhão, superintendeu a Fundação Aperipê em Sergipe e durante toda sua vida, e paralelo a isso, tudo foi colaborador da doida Folha da Praia de Amaral Cavalcante 

Pois é: para bem além das notáveis rebeldias que Luciano Correia cultivou e distribuiu - tem fama de raivoso, mas parece ficar somente na epiderme -, houve uma preparação acadêmica e humanista nele levada bem a sério, ao ponto de em 2012 ter concluído um doutorado em Comunicação Social já como professor da Universidade Federal de Sergipe.

E é desse Luciano Correia que emana a política de Comunicação Social para as demandas do Governo de Aracaju sob a gestão de Edvaldo Nogueira desde o dia 1º de janeiro de 2017. E nesta Entrevista Domingueira o leitor vai encontrar um Luciano muito focado no campo das observações políticas.

Mas não somente na esfera da comunicação de um Governo com as pessoas de um lugar governando por alguém - embora nessa ele produza excelentes reflexões, como a que quer dissipar a antiga relação de amor e ódio entre comunicação pública, oficial, produzida por assessorias de Governos ou de políticos e aquelas particulares, vindas se empresas de comunicação do mercado aberto.

“Não sei se esses profissionais do que você chama de mercado aberto entendem ou não. Talvez alguns deles estejam presos a preconceitos antigos, o que é uma pena, porque o mundo da comunicação mudou para todos os lados do balcão e eles não enxergam isso. Têm que ver como nosotros, da comunicação pública, nos profissionalizamos e nos cercamos de normas éticas tão rígidas quanto - ou mais - que as dos setores do mercado privado”, diz.

E aqui, nesse campo das “normas éticas tão rígidas”, a Secom de Aracaju, pondera Luciano Correia, tem uma orientação bem cuidadosa e específica: a de dar de cotovelada na pirotecnia noticiosa. “Nosso trabalho na Secom se baseia estrita e caninamente na realidade”, diz ele.

E aprofunda a definição disso. “O prefeito Edvaldo Nogueira diz todo dia que não quer uma comunicação lastreada em maquiagens ou maquinações que adulterem a realidade. Ele diz que quer objetivamente que seja comunicado tão somente aquilo que ele e seu Governo efetivamente realizaram. E isso é respeitado rigorosamente por nós da Secom. A nossa comunicação é verdadeira e sua eficácia, antes de ser comprovada por pesquisas científicas, vem da população, do povo verdadeiro, de carne e osso, que eu conheço e encontro diariamente na periferia de Aracaju”, diz Luciano.

Nesta Entrevista, o jornalista e secretário Luciano Correia vai falar, ainda, de política geral. Ele dirá que não vê espaço para uma ruptura entre o PCdoB de Edvaldo Nogueira e o PT na sucessão de Aracaju 2020. E jura que a antecipação da sucessão não está na pauta de Edvaldo.

“O prefeito Edvaldo Nogueira, acredite você, trabalha com o seguinte objetivo: de que no dia 31 de dezembro de 2020 ele esteja na condição de um excelente gestor para gozar da aprovação popular, que é sua maior riqueza. Fazer uma excelente gestão e estar de bem com o seu povo, esta é a perspectiva - nada mais. Seja para desfrutar fora da vida pública da reputação de um dos maiores prefeitos da história de Aracaju, seja para desafios que só o tempo, na sua certeira imprevisibilidade, será capaz de dizer”, diz.

Luciano Correia opina, ainda, sobre a necessidade de as esquerdas se unirem num projeto de Brasil. “A chamada esquerda tem que se reinventar em outras bases teóricas e práticas e, creio eu, quase nenhum dos atores políticos da praça compreendem essa urgência. É uma pena, porque a persistência desse erro nos custou e vai custar muito caro”, diz. 

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Desde o dia 1º de janeiro de 2017, toca a Comunicação Social da gestão de Edvaldo Nogueira na PMA
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Nasceu no dia 16 de abril de 1961, em Macambira

DA SENSIBILIDADE DOS POLÍTICOS PARA A COMUNICAÇÃO
“Um político é uma figura de extrema sensibilidade no contato com o público, com a sociedade. Portanto, a comunicação como principal instrumento de mediação é evidente que é o primeiro que eles buscam entender e explorá-lo da melhor forma” 

JLPolítica - A sociedade e, sobretudo o gestor-chefe - prefeito, governador - tem a real noção da importância da comunicação social para um Governo?
Luciano Correia -
 Eu creio que sim, e a cada vez mais. O cara que chega a essa condição de governante, de cuidar de um Governo, é naturalmente um político. E um político, por mais que alguém pense diferentemente, é uma figura de extrema sensibilidade no contato com o público, com a sociedade. Portanto, a comunicação como principal instrumento de mediação é evidente que é o primeiro que eles buscam entender e explorá-lo da melhor forma.

JLPolítica - O senhor acha que eles buscam de forma efetiva ou só discurso? Dão condições materiais para tanto?
LC -
 Eu creio que todos buscam de uma forma efetiva. A questão é: alguns fazem de forma equivocada, atravessada ou mesmo errada. Mas todos buscam. Em sã consciência, não creio que nenhum político diminua a importância da comunicação, ou minimize o peso dela.

JLPolítica - Como o senhor encontrou a Secom do Governo de Aracaju do ponto de vista de infraestrutura?
LC - Acho que bem. Eu encontrei uma situação da qual não reclamo. Quer dizer: uma estrutura boa. Aqui por esta Secretaria passaram alguns gestores de governos distintos, de matizes ideológicas díspares, mas que deixaram contribuições ao instrumentalizá-la, construir um organograma técnico e hierarquizado, com cargos e atribuições até hoje bem-postos. É claro que nós aprimoramos muito não só do ponto de vista da política de comunicação, mas também de organograma, de estrutura material e física, da adaptação ao mundo da comunicação digital.

JLPolítica - O quadro humano da Secom é suficiente ou deficiente?
LCEle é de justo para apertado. Mas está bem distribuído nas finalidades que a Secretaria se propõe como executora de uma política de comunicação.

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E assegura que Edvaldo Nogueira é um político que compreende a importância da comunicação

O QUE PODE UM ORÇAMENTO DE R$ 18 MILHÕES?
“Sei que não trabalhamos com um orçamento ideal e, assim, agimos em cima do concreto, do que é palpável e possível. Com criatividade é possível realizar muito, porque as boas ideias não dependem mais de grandes orçamentos”

JLPolítica - De quanto é o orçamento anual da Secom e isso é suficiente para o que?
LC - Neste ano que se encerrou foi R$ 18 milhões. É suficiente para tocar a comunicação e suas básicas demandas. O prefeito Edvaldo Nogueira reconhece cada vez mais a importância da comunicação institucional como ferramenta para publicizar as realizações do governo, no sentido de prestar contas à sociedade sobre a aplicação dos recursos que, a rigor, são dela, da comunidade. Mas a gente trabalha ainda com uma restrição de recursos grande. Então, eu sei que não trabalhamos com um orçamento ideal, e assim agimos em cima do concreto, do que é palpável e possível. Com criatividade é possível realizar muito, porque, na maioria das vezes, as boas ideias não dependem mais de grandes orçamentos. O mundo está noutro patamar e nossa gestão trabalha desde o princípio a aplicação da criatividade em todas as soluções adotadas. Eu não gosto dessa expressão, de tão batida que é, mas ela define bem uma atitude de nossa equipe: pensamos fora da caixa.

JLPolítica - O senhor consegue segmentar a atenção e as demandas de setores da comunicação como rádio, online, impresso e televisão, ou vai tudo num pacote só?
LC - 
Desde o começo, e cada vez mais, nós atuamos de maneira específica. Eu sempre digo, desde que assumi a Secom, que a gente vai seguir alimentando de informação o mundo antigo, analógico, acostumado a enquadramentos mais tradicionais, conservadores, do ponto de vista da forma e da linguagem. Mas um novo campo se abriu no patamar digital, com novas plataformas e suportes, novos públicos e outras linguagens.

JLPolítica – E o senhor e a Secom estão atentos a isso?
LC -
É o desafio que me propus desde começo, o de buscar compreender essas gramáticas possíveis dentro desse ambiente emergente do digital. Não tem outra saída. E eu imaginava que já houvesse linguagens consolidadas, já que esse processo já ocorre há alguns anos. Mas não. Tudo está em construção. Tudo se move a todo instante, do ponto de vista da formulação dos discursos. Fui verificar sites de várias capitais brasileiras e de outras grandes cidades, de outros países também, e vi que está todo mundo se batendo com as mesmas dúvidas, perguntas e caminhos a seguir. Ou seja, diferentemente da comunicação tradicional, de onde nós viemos, daquele mundo anterior que chamei de analógico, em que as coisas estavam nos manuais, aqui não. Aqui tudo está por ser feito e, nesse sentido, é muito prazeroso lidar com a construção diária de produtos que não são a invenção da pólvora, mas têm muito da aventura do aprender fazendo, da interação com o público, que é o gás e o motor principal de nossa razão de ser.

JLPolítica - É possível administrar essa nova realidade da comunicação desconsiderando o impresso e a televiso?
LC - 
Veja, desconsiderando não, porque, como disse, o mundo antigo continua vivo e existindo. Mas, objetivamente, do ponto de vista do modelo de negócio, esses sistemas estão erodindo. O impresso, então, de uma forma catastrófica, com impactos muito grande. Para mim é triste ver isso, porque sou da geração do papel, do jornal debaixo do braço, que além de tudo carregava uma aura, por ser o arauto da informação.

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Também entende que “Edvaldo fez uma gestão que recuperou quatro anos de caos", legado por João Alves

COMPREENSÃO DA NOVA GRAMÁTICA DO AMBIENTE DIGITAL
“Eu imaginava que já houvesse linguagens consolidadas, já que esse processo já ocorre há alguns anos. Mas não. Tudo está em construção. Tudo se move a todo instante, do ponto de vista da formulação dos discursos”

JLPolítica – Esse meio marcou?
LC - 
O jornal foi o principal ator da esfera pública em 200 anos de história da humanidade, mesmo quando já emergia a televisão como líder de massas e de faturamento. Mas desde o início dos anos 2000 o modelo de negócio da radiodifusão vem enfrentando perdas sucessivas que são irreversíveis, porque não adianta lutar com a carroça descontrolada da História. Eu trato disso no meu último livro, que é minha tese de doutorado “Entre promessas e a realidade da televisão digital: estratégias da Rede Globo na convergência”. Eu estudei o caso de uma empresa em particular, a Rede Globo, e suas estratégias de reposicionamento do seu modelo de negócio no ambiente digital. Objetivamente, a radiodifusão vem perdendo espaço, audiência e dinheiro no atual mercado de comunicação e cultura. O impresso, idem.

JLPolítica - Quanto por cento de atenção, preocupação essa realidade digital toma de um gestor público na área de comunicação?
LC - 
Eu não tenho esse percentual mensurado, mas cada vez mais a gente pensa, planeja e produz para o universo digital. Embora a radiodifusão, e especificamente a televisão, seja ainda forte. É o caso dos dois canais abertos locais, as TVs Sergipe e Atalaia. Ou seja, distribuímos nossa atenção com esse nicho ainda poderoso e, ao mesmo tempo, dialogamos cada vez mais com as plataformas da convergência digital e seus novos públicos. Que são novos no sentido etário, uma geração que já não assiste novela e, lamentavelmente, não se informa mais pelos telejornais. Minha preocupação é que esses contingentes troquem o jornalismo da TV, que já é cheio de problemas, por um jornalismo de fake news, que, efetivamente, é que o vem ocorrendo.

JLPolítica - O senhor acha que uma assessoria de comunicação pública atrapalha a real necessidade de comunicação aberta dos profissionais ou os profissionais do mercado aberto não entendem o trabalho de uma Secom?
LC - Não sei se esses profissionais do que você chama de mercado aberto entendem ou não. Talvez alguns deles estejam presos a preconceitos antigos, o que é uma pena, porque o mundo da comunicação mudou para todos os lados do balcão e eles não enxergam isso. Têm que ver como nosotros, da comunicação pública, nos profissionalizamos e nos cercamos de normas éticas tão rígidas quanto - ou mais - que as dos setores do mercado privado. Eu participei da tentativa de construção de um grande sonho de comunicação pública e democrática que foi a TV Brasil, quando estava na Presidência da Fundação Aperipê e ali travamos discussões riquíssimas, do ponto de vista ético e cultural que nem sei se a maioria dos veículos privados se permitem esse arejamento. Infelizmente, foi um sonho abortado não pelo governo Temer, mas já antes, no governo Dilma. O Temer só enterrou a TV Brasil e EBC. Essa é uma verdade que debato com quem se dispuser a debater com armas limpas e transparentes. Disso tudo trago para minha realidade hoje que nosso trabalho na Secom se baseia estrita e caninamente na realidade.

JLPolítica - E que realidade é essa?
LC -
A da não pirotecnia. O prefeito Edvaldo Nogueira diz todo dia que não quer uma comunicação lastreada em maquiagens ou maquinações que adulterem a realidade. Ele diz que quer objetivamente que seja comunicado tão somente aquilo que ele e seu Governo efetivamente realizaram. E isso é respeitado rigorosamente por nós da Secom. Nos é uma oração diária. A nossa comunicação é verdadeira e sua eficácia, antes de ser comprovada por pesquisas científicas, vem da população, do povo verdadeiro, de carne e osso, que eu conheço e encontro diariamente na periferia de Aracaju.

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Julho de 2011: Belivaldo, secretário de Educação do segundo Governo Déda, junto com Carlos Cauê, então secretário de Comunicação, lhe dando posse como superintendente da Fundação Aperipê

RISCO QUE VEM NA COLA DA MORTE DOS MEIOS TRADICIONAIS
“Minha preocupação é que esses contingentes troquem o jornalismo da TV, que já é cheio de problemas, por um jornalismo de fake news, que, efetivamente, é que o vem ocorrendo”

JLPolítica - Como é que é definido o investimento da verba pública da Secom nos múltiplos meios de mídia?
LC - Trabalhamos com um método que leva em conta a realidade e os números do mercado local de comunicação, sem deixar de observar a tradição histórica de investimento pela Prefeitura Municipal de Aracaju, ou seja, a experiência da realidade como elemento balizador.

JLPolítica - Como é que o senhor, ou a Secom, se safa do convencimento que cada meio de mídia tem de si mesmo, da sua autribuição de autoimportância?
LC - Eu não desqualifico quem quer que seja, mesmo os que, como se diz em Itabaiana, comem sardinha e arrotam caviar. Até porque, faz parte do show e das estratégias de sobrevivências de quem disputa o mercado construir narrativas grandiosas sobre si próprio. Eu lembro apenas que, da nossa perspectiva, temos uma política de distribuição de mídia construída com muito critério. Ademais, quem dá o tamanho real dos mídias não são eles nem eu: é o público. O mercado, a audiência e a crítica.

JLPolítica - Então é natural que cada um brade?
LC - Acho que sim. Cada um tem que vender seu peixe da melhor maneira possível. Agora, nós também vamos exercer nossos critérios da forma que consideramos racional e técnica.

JLPolítica - Seus colegas secretários municipais tem noção do que seja a importância da comunicação, ou não tem noção e atrapalham?
LC - Tem noção, e há um comando bem definido desde o começo da gestão do prefeito Edvaldo Nogueira de centralização da Secom. Foi uma coisa muito positiva e não porque eu estou aqui e nem porque sou centralizador. Acho muito bom porque os próprios secretários têm essa conscientização. A relação é a melhor possível.

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Mas até notabilizar-se na área pública, trilhou uma longa carreira multimídia: rádio, tv e jornal. Na imagem, em 1985, ele entrevistando a forrozeira Clemilda, pela rádio Aperipê AM

NÃO HÁ DUAS ÉTICAS DA COMUNICAÇÃO
“O mundo da comunicação mudou para todos os lados do balcão. Nosotros, da comunicação pública, nos profissionalizamos e nos cercamos de normas éticas tão rígidas quanto - ou mais - que as dos setores do mercado privado”

JLPolítica - Qual a análise que o senhor faz dos dois anos de gestão de Edvaldo Nogueira no aspecto das realizações?
LC - Ele fez uma gestão que recuperou quatro anos de caos na cidade, onde alguns serviços básicos, como a merenda escolar - pasmem os que ainda não sabem! - estavam interrompido e, por isso, no caso da merenda, com as escolas fechadas. As ruas sujas e esburacadas, e uma dívida monstruosa que, no começo, acreditei impagável. E o que fez o prefeito Edvaldo Nogueira? Não se deprimiu com uma realidade brutal que desencorajaria o mais experiente dos políticos e governantes. Pelo contrário, fez dos desafios sua obstinação total, diária, incansável, de jornadas que sempre começavam às 6h, 7h, e nunca terminavam antes das 9h ou 10h da noite. Foi enfrentando cada problema minuciosamente, um a um, com trabalho, mas também com o pedido de compreensão da população, dos credores, dos servidores.

JLPolítica - E deu em quê?
LC –
Em ótimo resultado. Naquele primeiro ano de 2017, além dos 13 salários que teria de pagar - e nem todos os municípios brasileiros pagaram -, ele pagou de imediato dois salários deixados pela gestão passada. Encontrou também a máquina emperrada, literalmente quebrada, como equipamentos, computadores, maquinários, a usina de asfalto da Emurb, o mobiliário de escolas e postos de saúde. Veja, no entanto, este homem nunca foi para o rádio botar a culpa no ex-prefeito, desconstruí-lo ou coisa parecida. E na época ninguém nem sabia dos problemas de saúde do ex-prefeito João Alves. É que Edvaldo decidiu trabalhar sem olhar para trás. Governar sem olhar o retrovisor, que é um hábito antigo da nossa classe política. Mas ninguém quer saber mais disso. Ninguém aguenta mais um político que vive se lamuriando e colocando a culpa dos problemas nos outros, mesmo que ele tenha plena razão. Edvaldo preferiu ações concretas, traduzidas numa capacidade de gestão que é rara no nosso meio político, em vez de praticar essa chorumela ultrapassada de alguns opositores, alguns deles aposentados irreversivelmente pelo povo em 2018. Trabalhou e já mudou a face da cidade, que deixa de viver sob aquele estado inicial de emergência para aplicar as promessas de seu programa de governo, de uma cidade humana, inteligente e criativa. Para isso, ele enfrentou com muita competência a gigantesca dívida herdada.

JLPolítica – Já conseguiu saneá-la em 100%?
LC -
Conseguiu muito, muito. Por exemplo, de uma dívida de R$ 540 milhões, nós já temos mais de R$ 300 milhões pagos. Você imagine o que é encontrar uma cidade sem dinheiro e com a necessidade urgente, diária, de limpar as ruas, abastecer postos de saúde, oferecer merenda e transporte escolar, recapear e tapar buracos, prestar atendimento médico, manter as escolas funcionando e, claro, pagar os servidores. Pois tudo isso foi feito. Digo com franqueza: nem mesmo eu acreditei que saíssemos daquela enrascada. E não só saímos, como estamos chegando num novo e avançado patamar. E como diz um filme que veiculamos na TV: é disso pra melhor! 

JLPolítica - Tudo isso conseguiu ter uma captação paritária pela mídia? A mídia percebe essa eficácia que o senhor acaba de falar?
LC - De maneira geral, sim. Quando a gente tem a oportunidade de explicar isso, sim. E a gente tem aí profissionais e veículos que nos permitem dar a versão do outro lado para compreender a realidade. Quando há esse diálogo, sim. Eu acho que em alguns momentos a gente consegue dizer plenamente isso à população. Em outros, não, por razões que variam da incompreensão pura e simples, da incapacidade de ouvir de alguns e dos interesses políticos que muitas vezes contaminam o próprio exercício do jornalismo, que em muitos casos é um serviço público. Creio que a espetacularização do jornalismo com fins políticos ou comerciais é tão nefasta quanto a ação de uma classe política esclerosada. O povo, que ninguém duvide, tem uma sabedoria nata, intuitiva, que não precisa de intermediários para traduzir. Aliás, esta eleição de 2018 mostrou isso. Que a mídia manipuladora não perca isso de vista.

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Sim, é de Macambira, Mas, não por acaso, é confundido com um Itabaianense. Na imagem, com um radinho de pilha, no estádio em Itabaiana, torcendo pelo seu Tricolor da Serra

DA RECUPERAÇÃO DA GESTÃO DA CIDADE EM DOIS ANOS
“Edvaldo fez uma gestão que recuperou quatro anos de caos. Foi enfrentando cada problema minuciosamente com trabalho, mas também com o pedido de compreensão da população, dos credores, dos servidores. De uma dívida de R$ 540 milhões, já temos mais de R$ 300 milhões pagos”

JLPolítica - É possível delimitar bem uma fronteira entre a comunicação e o marketing de um governo?
LC - Baseado naquilo que disse agora há pouco nessa entrevista, eu não artificializo as realizações da Prefeitura, nem mesmo quando ela faz propaganda, publiciza seus atos governamentais. Nossa comunicação usa uma linguagem muito jornalística, objetiva e racional. Tanto que participamos do debate na esfera pública local de forma transparente, com excelentes respostas do público. Em variadas e inúmeras aferições, temos o melhor feedback que uma gestão poderia ter.

JLPolítica - O prefeito, em si, é uma pessoa de fácil ou de difícil comunicabilidade? 
LC - Nem fácil, nem difícil. Edvaldo Nogueira é um político que compreende a importância da comunicação e conhece em detalhes seus processos. Com conhecimento de causa e profundidade que me surpreenderam. Conheço Edvaldo Nogueira desde os tempos do movimento estudantil, fomos parceiros políticos lá atrás, e não sabia que ele conhecia tanto dessa área. Às vezes ele me dá uma verdadeira aula num determinado aspecto da comunicação que me deixa paralisado e sem argumentos contrários. Eu, que sou doutor na área, tenho aprendido imensamente com ele, com minha luta diária e com minha competentíssima equipe. 

JLPolítica - Edvaldo não perde a guerra e nem dificulta comunicação?
LC - De forma nenhuma. Ele ajuda o tempo inteiro. Também porque é um jovem ainda e, de sua geração, foram poucos que se prepararam para atravessar esse turbilhão de transformações que varreu tudo e todos os conceitos em todas as áreas. Ele compreendeu a emergência das novas linguagens e as utiliza muito bem. Por exemplo: desde o começo da gestão, faz os anúncios do pagamento salarial dos servidores por lives nas redes sociais, Instagram e Facebook e WhatsApp.

JLPolítica - Edvaldo Nogueira teria uma certa timidez ou um autoconvencimento que o afasta de uma maior interlocução?
LC - Acho que nem timidez e nem autoconvencimento. O que ocorre é que a exposição exagerada na mídia, a busca desenfreada pelos holofotes, não é do perfil dele. Ele usa a comunicação de forma extensiva, em todas as plataformas, mas para tratar de assuntos de governo, de gestão, da melhoria da vida das pessoas. Esse é um diferencial. E acho também que as pessoas se cansaram do político blábláblá, dos raivosos, dos sabichões e dos loroteiros. Quem tem realizações concretas e fundamentais para uma cidade e uma comunidade não teme enfrentar desafios, porque os resultados são inquestionáveis e fortalecem sua interlocução com qualquer segmento.

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Também na Serra, como escritor, ocupa um dos assentos destinados aos imortais da Academia Itabaianense de Letras

ALQUIMIA ENTRE O ASSESSORADO E O ASSESSOR
“Edvaldo Nogueira é um político que compreende a importância da comunicação e conhece em detalhes seus processos. Eu, que sou doutor na área, tenho aprendido imensamente com ele, com minha luta diária e com minha competentíssima equipe”

JLPolítica - Edvaldo Nogueira saiu fortalecido ou fragilizado com o resultado das eleições de 2018?
LC - Fortalecido. Desde o começo, ele disse: “Vou marcar o tempo de entrar na campanha”. Porque ele sabe do desafio diário de ser prefeito de Aracaju e de se dividir numa campanha política. Entrou no tempo e no momento certo e influenciou positivamente no resultado em Aracaju. O melhor testemunho do desempenho dele vem do desempenho do próprio candidato a governador Belivaldo Chagas. Então, não há dúvida nenhuma de que a gestão municipal e o prefeito Edvaldo Nogueira foram cabos eleitorais importantes nessas eleições.

JLPolítica - É legítimo ou não é hora de pensar na reeleição de 2020?
LC - Não é hora. Ele tem dito o tempo inteiro que não trabalha com essa perspectiva. Desde o primeiro dia de governo, quando as coisas eram muito mais difíceis do que hoje, já ali Edvaldo dizia e continua dizendo a mesma coisa. O prefeito Edvaldo Nogueira, acredite você, trabalha com o seguinte objetivo: de que no dia 31 de dezembro de 2020 ele esteja na condição de um excelente gestor para gozar da aprovação popular, que é sua maior riqueza. Fazer uma excelente gestão e estar de bem com o seu povo, esta é a perspectiva - nada mais. Seja para desfrutar fora da vida pública da reputação de um dos maiores prefeitos da história de Aracaju, seja para desafios que só o tempo, na sua certeira imprevisibilidade, será capaz de dizer. Só ele e ninguém mais. Nem o próprio Edvaldo.

JLPolítica - Há perspectiva de o PT não ser um parceiro de Edvaldo Nogueira, caso ele vá para uma reeleição?
LC - Eu creio que não. O PT tem sido um parceiro da administração e um aliado histórico na política. Também acho que não há motivos para deserções.

JLPolítica - PT PC do B se confundem?
LC - Não sei se se confundem, mas têm trajetórias muito parecidas. São dois partidos que incorporam a visão do social, que é marcante na gestão de Edvaldo Nogueira como foi de Marcelo Déda, e com os quais nossa cidade se identifica muito. Mas acho que essas semelhanças são pequenas face à imensa tarefa de reencontrar o caminho e o projeto da esquerda no nosso país. O mundo mudou muito e o chamado socialismo real deixou lições que nos obrigam a rever, como na ação, pensamentos e palavras, atos e omissões. A chamada esquerda tem que se reinventar em outras bases teóricas e práticas e, creio eu, quase nenhum dos atores políticos da praça compreendem essa urgência. É uma pena, porque a persistência desse erro nos custou e vai custar muito caro. 

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Escritor, jornalista, comunicador social e ainda frequenta o magistério, como doutor em Comunicação

NÃO É HORA DE SE PENSAR EM REELEIÇÃO
“Edvaldo Nogueira trabalha com o seguinte objetivo: de que no dia 31 de dezembro de 2020 ele esteja na condição de um excelente gestor para gozar da aprovação popular, que é sua maior riqueza”

JLPolítica - O político Edvaldo Nogueira tem feito alguma jogada que dificulte ou esmoreça essa parceria que vem desde a década de 1990?
LC – Não. Absolutamente não. Eu vou falar não propriamente por atos ou fatos, mas pela minha intuição: Edvaldo tem feito de um tudo pra conservar esse namoro, como boa noiva que sempre foi desse casamento político que perdura desde os anos 90. Mas ele é cada dia mais marcado pelo espírito de um gestor, que inverte prioridades e recoloca questões que a classe política tradicional às vezes não compreende. São diferenças de estilo, sem dúvida, mas que podem ser resolvidas nas alianças que contemplem a diversidade do espectro político desse bloco. Ou seja, não há contradição: o fato de ele ter este perfil não elimina, em nada, a convergência com estilos diferentes. 

JLPolítica - Quem mais sairia perdendo se houvesse rompimento entre PC do B e PT?
LC - Eu não creio que haverá rompimento. Eu não tenho condições de mensurar isso. Acho que isso não ocorrerá.

JLPolítica - O senhor acha que o PT está jogando com perspectiva de arrastar o espólio do PSB dos Valadares para uma coalizão em 2020?
LC - É outra pergunta que eu não saberia responder. Eu precisaria estar dentro do PT. A leitura que eu sou capaz de fazer de fora não me permite responder.

JLPolítica - O senhor imagina que o prefeito Edvaldo Nogueira esteja querendo deixar o PC do B quando defende a criação de um partido centro-esquerda no Brasil, incluindo o dele e até o PSB?
LC - Deixar o PC do B ou não, essa discussão específica é uma questão menor. O mais importante é aquilo que ele coloca, e que já vinha colocando no período eleitoral: o país precisa construir uma alternativa com uma visão social que remeta o campo do centro-esquerda à sensibilidade pelo social. Mas isso implica numa revisão das estruturas partidárias de maneira geral, que estão carcomidas. Porque, não adianta discutir assepsia em cima de uma mesa suja. As eleições de 2018 sinalizaram claramente para isso. Acho que Edvaldo se antecipa na necessidade de reposicionamento da estrutura partidária em termos de valores, ideias e modelos. Como se dizia: joguem fora os manuais, porque, como cantava Cazuza, “há um incêndio sob a chuva rala”.

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“Evidentemente que perder uma vice-prefeita da qualidade de Eliane Aquino não é bom", avalia

DA NECESSIDADE DE REINVENÇÃO DA ESQUERDA
“A chamada esquerda tem que se reinventar em outras bases teóricas e práticas, e quase nenhum dos atores políticos da praça compreendem essa urgência. É uma pena, porque a persistência desse erro nos custou e vai custar muito caro” 

JLPolítica - É maldade de observadores ou Edvaldo estaria trabalhando a eleição de governador de 2022 embutida na eventual reeleição de prefeito dele de 2020?
LC - Não sei se é maldade. Fica a gosto do freguês. Cada um lê a realidade como quer e constrói suas teorias. As mais absurdas ou não. Neste caso, é uma teoria absurda. Ele não trabalha sequer a reeleição. Nunca trabalhamos com essa perspectiva. A gente trabalha - repito - com a perspectiva de que em 31 de dezembro de 2020 ela tenha sido o melhor prefeito dessa cidade. Disso daí a gente não foge. É nossa meta diária. Se isso revelará pretensão política, vai ficar ao olho do freguês.

JLPolítica - O senhor acha que a eleição de Jair Bolsonaro decreta o fim das esquerdas no Brasil ou é apenas um ato circunstancial?
LC - Acho que não decreta o fim, mas obriga a uma revisão de existencial de tudo o que  as esquerdas foram até então. Até pouco tempo antes da eleição, Bolsonaro existiu somente num nicho da população. Depois, face a esse cansaço da sociedade a que me refiro, saiu da bolha e ganhou os mais amplos segmentos, até ganhar a eleição. Eu fico perplexo com os que ainda falam em golpe, conspirações e coisas que tais para tentar desconhecer a acachapante vitória que ele teve. Eles acreditam em todo tipo de conspiração maquiavélica contra a democracia, só não acreditam que o cara, de fato, ganhou a eleição e, o pior, de forma incontestável. Porra, é muita cegueira. A velha síndrome do corno, que quer resolver o adultério tirando o sofá da sala. Bolsonaro é apontado quase unanimemente como um idiota, mas, na verdade, foi um tremendo oportunista que descobriu um extraordinário vácuo no lugar dos que combatem as esquerdas há décadas, sem sucesso. Viu a brecha e, no seu jeito tosco, acertou na fórmula. Só que esse jeito tosco não pode mais ser ignorado. De quebra, decretou o fim da mídia tradicional e ganhou uma eleição numa plataforma que até então, supunha-se, era território de inteligentes e descolados. A sociedade compreendeu isso antes dos partidos e mandou um recado. Eu não sei se da forma certa ou errada. Mas mandou.

JL - O senhor acredita que o Bolsonaro gera uma Era Bolsonaro, ou não passa desta eleição?
LC -
Acho que essa onda direitista está no mundo inteiro, de forma perigosa, para mim, que sempre fui um pessimista. Quando vi Donald Trump ser eleito nos Estados Unidos, uma das maiores democracias do mundo, com imprensa livre, forte, elegendo um candidato que desqualifica o tempo inteiro a política, só joga para desqualificar a política, fiquei preocupado. 

JLPolítica - Quais são os riscos para a estabilidade da democracia alguém se viabilizar politicamente desqualificado a política?
LC - Os riscos são o de fazer a democracia diminuir de tamanho, se tornar uma coisa desimportante. E quem não compreender isso vai ser tragado, porque a democracia é fundamental inclusive para a gente aceitar aquilo que a gente não gosta. Como foi agora na eleição nacional brasileira. Isso vale para todo mundo. Isso vale para quem é de esquerda e para quem é de direita. Fora da política, não existe civilização. Não existe democracia. E fora da política você transfere para outras instâncias as decisões que dizem respeito à nossa vida, porque é pela política que as decisões são mais rápidas e justas, porque ela tem uma capilaridade que nenhuma outra instância possui. Quem mais poderia colocar os nossos problemas reais na ordem do dia: os bispos, os juízes, os generais? Ora, se o povo não toma conta do seu destino, alguém toma. Nem que seja os homens de negócios, o poder econômico.

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Em reunião com os seus colaboradores na Secom da PMA

DE UM PROJETO DE CENTRO-ESQUERDA PRO BRASIL
“O país precisa construir uma alternativa com uma visão social que remeta o campo do centro-esquerda à sensibilidade pelo social. Mas isso implica numa revisão das estruturas partidárias de maneira geral, que estão carcomidas”

JLPolítica - O fato de Edvaldo Nogueira ficar sem vice nos próximos dois anos altera a química da gestão municipal?
LC - Evidentemente que perder uma vice-prefeita da qualidade de Eliane Aquino não é bom. Mas foi bom para o Estado de Sergipe ganhar uma vice-governadora da qualidade dela. O prefeito e sua gestão têm uma relação muito boa com a Câmara de Aracaju. A Câmara tem compreendido, tem sabido exercer sua independência nos momentos em que ela julga importante, se afirmando como poder autônomo e propositivo. E com muita responsabilidade tem compreendido o papel dessa gestão na recuperação da cidade, na reconstrução do futuro, numa relação tranquila.

JLPolítica - Nitinho é uma figura na qual o prefeito acredita, aposta?
LC - Nitinho é a expressão dessa relação que a gestão tem como Câmara. É um presidente muito correto, ético. Já assumiu interinamente quando Eliane estava também viajando e o fez de uma maneira muito equilibrada, trabalhando ativamente nos dias que ficou aqui. Então, Nitinho, pelas qualidades que tem, cada dia mais provadas como parlamentar, com a responsabilidade de comandar um poder, é uma garantia de equilíbrio para a cidade de Aracaju, para uma gestão que tem nele um vice-prefeito.

JLPolítica - Qual é o seu conceito do jornalismo político praticado hoje em Sergipe e no Brasil?
LC - Primeiramente, compreendo a partir do exercício da liberdade de imprensa. Toda imprensa, não só política, deve ser livre e democrática. Isso é típico das democracias. Apenas acho que, em alguns momentos, esse exercício do jornalismo político é atravessado por outras narrativas, às vezes, mais ou menos visíveis e outras, invisíveis. Ou seja, contaminado por interesses. Não só no aspecto econômico, quando está associado aos grupos de mídia, mas também ideológicos ou com intenções inconfessas. Então, tem que olhar o exercício do jornalismo político por esse filtro para não achar que qualquer jornalismo político tem a isenção, a capacidade de emitir julgamentos, pareceres com absoluta credibilidade. 

JLPolítica - Mas o senhor não admite certa intolerância da parte do poder com análise política mais crítica?
LC - Aí teria que ver qual o poder. Nós aqui convivemos muito bem, de forma bem democrática, até diria com certo farplay, com a imprensa. 

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Com Marcelo Déda: eterna referência da esquerda brasileira. E sobre a esquerda, entende que precisa ser reinventada

HÁ MUITA CEGUEIRA NO ENFRENTAMENTO A BOLSONARO
“Eu fico perplexo com os que ainda falam em golpe, conspirações e coisas que tais para tentar desconhecer a acachapante vitória que ele teve. Eles acreditam em todo tipo de conspiração maquiavélica contra a democracia, só não acreditam que o cara, de fato, ganhou a eleição”

JLPolítica - Sendo parte dela e olhando-a de fora, qual é o maior problema que o senhor aponta da academia no trato entre a teoria e a prática da comunicação social e suas demandas?
LC - O de sempre: a academia já vivia distante do mundo da vida da comunicação, do jornalismo, e acho que hoje cada vez mais. No momento em que a própria academia começa a ser pensada de fora, em que governos inclusive querem pensar e decidir por ela, caminhamos para um impasse. Porque tem coisas que viraram obsoletas, outras são pura reserva de mercado, mas, enfim, quem será e como se dará o juízo dessas questões. Tudo é ideologia e interesse. Tudo é narrativa. Quem ganha essa guerra: o neoliberalismo ou o espírito corporativo? Só sei quem perde: a sociedade.

JLPolítica - O que lhe fez pular de Engenharia Química para “a engenharia da Comunicação?”
LC -
Eu fiz vestibular quase adolescente, com 17 anos, e passei para Engenharia Química. Tinha a ilusão de um bom emprego, esse tipo de coisa. Ademais, já estava envolvido com a política estudantil lá em Itabaiana, desde o Colégio Murilo Braga, no Centro Cívico. Quando troquei a engenharia pelo jornalismo é porque naquele momento aquilo era minha forma de mudar o mundo. Acho que todos nós jornalistas temos muito de idealista. Se a gente mantém essa crença 30 e tantos anos depois, essa é outra discussão.

JLPolítica - O que os três anos de vivência na Bahia lhe significaram ou lhe disseram?
LC - Foram quase quatro anos e a Bahia, eu digo sempre, me deu régua e compasso para ser o que eu fui - se é que fui alguma coisa. Eu conheci uma Bahia grandiosa. Como a Bahia geralmente só é vista aqui entre nós pelo seu oba-oba festivo - e tudo isso é importante, é muito bonito, o lúdico da Bahia é muito grandioso, mas não é tudo. Eu conheci uma Bahia crítica, de grandes intelectuais, frequentei os ambientes alternativos do cinema de arte da Sala Walter da Silveira, na Biblioteca dos Barris, as atividades do movimento estudantil, das pequenas livrarias alternativas, no começo dos anos 80. Então, a Bahia me deu muito. E a Faculdade de Comunicação, a antiga Facom, com grandes professores, vida intensa também, trazendo sempre convidados para uma interação com os alunos. Enfim, devo demais à Bahia e tenho dela uma visão grandiosa do ponto de vista cultural.

JLPolítica - O que lhe foi mais importante, o Murilo Braga ou a UFBA?
LC -
Na medida certa, cada um foi importante. O Murilo Braga foi onde eu cresci. Eu entrei menino, com dez anos, e saí com 17. Com 15 anos, eu virei um empreendedor: fundei ali um jornal, o Cebolão, que chegou a tirar 1.300 exemplares. Ou seja, tem jornais aí hoje que não chegam a tanto. O Murilo Braga me deu também um pouco do começo do conhecimento da realidade e sedimentou a minha formação. Fui ser jornalista um dia por causa do Cebolão nascido nele.do burro. Ademais, eu vim ao mundo a passeio, não a negócio.

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O pai, João Correia, sua maior influência, abraçado por Joel Silveira

DA FALTA GERADA PELA AUSÊNCIA DE ELIANE COMO VICE
“Evidentemente que perder uma vice-prefeita da qualidade de Eliane Aquino não é bom. Mas foi bom para o Estado de Sergipe ganhar uma vice-governadora da qualidade dela. Nitinho é uma garantia de equilíbrio para a cidade de Aracaju”

JLPolítica – O senhor matou o velho Luciano Correia brigão que há no senhor?
LC - 
A passagem dos anos nos sugere isso. Se você não aceitar, está sendo burro. Ademais, eu vim ao mundo a passeio, não a negócio.