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Entrevista

Jozailto Lima

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Luciano Pimentel: “De zero a 10, Valadares Filho tem 9 de chance de ser governador”

Publicado em  2  de Junho de  2018, 20:00h

“Sinto-me um político de centro-esquerda e não agrido ninguém”

O deputado estadual Luciano Pimentel, PSB, em primeiro mandato, caracterizou-se na política sergipana pelo seu poder de moderação, conciliação, cordialidade e pela capacidade de transitar sem problemas entre os opostos e os contrários que essa atividade gera e impõe com uma certa naturalidade.

Com um jeito muito próprio, de quem mais observa do que entra em bola dividia, Luciano Azevedo Pimentel é visto como um parlamentar de excelente convivência com seus pares. Um tipo que não se atrita com ninguém, que está mais para bombeiro do que para incendiário e um dos quatro melhores do Legislativo. Marcou uma legislatura da Alese que é considerada muito fraca, esta que encerra este ano.

Não fosse baiano, ela seria politicamente um mineiro, no que os mineiros carregam de positividade nessa atividade. Aliás, Luciano Pimentel, que vive Sergipe desde janeiro de 1981 - portanto há quase 40 anos - não rejeita jamais a sua baianidade, mas nem sempre toca nela, de tão sergipano que quer ser. Esse é um modo, ainda que involuntário, que ele encontrou de devotar amor a Sergipe, lugar onde vive desde aquele janeiro e onde fez vida, carreiras profissional e política e sobretudo família, que reputa como o seu maior e melhor patrimônio.

Quando é convidado a se definir politicamente, Luciano Pimentel tem uma visão, digamos, generosa de si mesmo. “Não faço política agredindo ninguém, falando mal de ninguém. Eu procuro defender as minhas ideias e os meus projetos e preservar o outro enquanto pessoa, enquanto ser humano. Porque por trás daquele que está político tem uma família. Tem uma vida privada, que precisa ser respeitada”, diz. E está certo e com a razão.

Mas, por trás desse modo brando e opcional de ser, não há vaga para vacilo e dúvida em Luciano Pimentel. Ele não claudica quando quer defender um ponto de vista. Seja no aspecto legislativo, seja no debate da ação política, da ocupação de espaços, das demandas eleitorais. Pela análise que faz, só repensa um dos seus votos dados nestes três anos e meio: o do aumento do ICMS. Mas pondera: apesar de ser originalmente contrário, ele era um governista à época e não lhe sobrou outra saída.

E assim Luciano se insere, por exemplo, na luta renhida para dotar Sergipe de uma legislação que regule o desenvolvimento das energias novas, renováveis - a fotovoltaica, sobretudo. Como partida, apresentou e aprovou um projeto de lei dotando Sergipe de uma boa legislação dessa área. Mas o Governo do Estado vetou. Ele não se conformou. Diplomaticamente, correu atrás de reparos: foi à Procuradoria Geral do Estado, se entendeu e apresentou o projeto de novo. Espera vê-lo aprovado e agora devidamente sancionado.

Politicamente, Luciano Pimentel sabe onde pisa e em suas opiniões próprias. Neste momento pré-eleitoral, alia-se aos projetos do PSB e faz uma previsão e uma defesa ousadas. Da previsão: “Estatisticamente, eu aponto para a possibilidade de Valadares Filho vencer a eleição no primeiro turno”, diz, sobre o pré-candidato a governador do seu partido. “O desenrolar dessa campanha vai polarizando e afunilando. Temos visto nas pesquisas de intenção de voto que há ainda uma quantidade muito grande de eleitores indefinidos e há uma tendência, a meu ver, de uma decisão em favor da pré-candidatura de Valadares Filho”, reforça.

Da defesa: “A presença de Valadares como pré-candidato a senador é fundamental. Ele deve e precisa disputar. Revigora a futura candidatura e potencializa um futuro governo de Valadares Filho. O senador Valadares é fundamental nesse processo e esse, a meu ver, é um entendimento não somente meu, mas de toda a população sergipana”, teoriza.

“Veja que o senador nem se colocou como pré-candidato à reeleição e todas as pesquisas feitas em Sergipe dão Valadares como primeiro lugar para o Senado. O que é isso? É o reconhecimento do povo sergipano e a demonstração de que a sociedade quer vê-lo novamente no Senado. Poderemos reelegê-lo e ainda eleger Henri Clay Andrade, que já lançamos como nosso pré-candidato ao Senado”, arredonda.

Moderado, Luciano Pimentel analisa como bom o mandato dele, acha que o exerceu bem, entende que “com certeza, valeu” a pena e acha que construiu parâmetros para que os sergipanos lhe mandem de volta à Alese agora em 2018. “Busquei ser candidato a deputado estadual em 2014 e o povo sergipano entendeu que deveria me proporcionar esse mandato. Fico feliz de estar aqui. E tenho certeza absoluta, uma convicção, de que valeu a pena ter sido eleito e podido desprender meu tempo em busca de melhorias para o povo”, observa.

“Acredito que possa conseguir a renovação do mandato. Quando chegar a campanha é que vamos ter um quadro melhor com relação a uma possível reeleição. Mas insisto: tenho fé em Deus e no povo. Nessas minhas andanças tenho feito muitas outras novas amizades, além de manter as que já tinha. A grande maioria continua me estimulando a uma pré-candidatura. Mas isso depende de muita coisa”, pondera.

Nascido em Brumado, na Bahia - este Portal não vai informar o ano, para não ferir uma vaidade dele -, Luciano Pimentel tem bem mais tempo de vida em Sergipe do que em solo baiano. Concursado do velho BNH, aportou aqui com 23 anos. Em 1986, o BNH é incorporado à Caixa Econômica, ele foi junto e terminou a carreira bancária como superintendente dela - aposentou-se em 2015, com 35 anos de atuação.

“EU FICO FELIZ DE ESTAR AQUI”
“Valeu a pena. Busquei ser candidato a deputado estadual em 2014 e o povo sergipano entendeu que deveria me proporcionar esse mandato. Não pode ser 
diferente: eu fico feliz de estar aqui”

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É pai de três filhos - Lorena, Adriana e Luciano Júnior
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Fruto da união com Telma Rios, que também é bancária

ATRASO NA PRODUÇÃO DE ENERGIA FOTOVOLTAICA
“Infelizmente, tenho certeza que Sergipe está atrasado nessa área. Fizemos visitas a Bom Jesus da Lapa para conhecer projetos exitosos. Aqui temos um crescimento enorme na demanda desse setor, visto que a produção de energia hídrica tem sido reduzida”

JLPolítica – O senhor está fechando três anos e meio de mandato. Numa análise retrospectiva, valeu a pena?  
Luciano Pimentel -
Com certeza, valeu. Busquei ser candidato a deputado estadual em 2014 e o povo sergipano entendeu que deveria me proporcionar esse mandato. Não pode ser diferente: eu fico feliz de estar aqui. E tenho certeza absoluta, uma convicção, de que valeu a pena ter sido eleito e podido desprender meu tempo em busca de melhorias para o povo.

JLPolítica – Qual foi a espinha dorsal do seu mandato. Quais pontos pesaram mais no foco dele?
LP -
Eu procurei fazer um mandato bastante propositivo. Vários projetos de lei foram apresentados por mim, algumas centenas de indicações por serviços, várias discussões foram levantadas, várias plenárias e audiências públicas pertinentes e projetos do interesse coletivo. 

JLPolítica – O senhor se deu por realizado na sua luta por energias novas e renováveis, ou lhe faltou algo?
LP -
Não me dei por realizado, apesar de nós termos conseguido levar bem esse tema para a população sergipana, de termos conseguido pautá-lo. A sociedade passou a compreender melhor as energias renováveis, principalmente a solar fotovoltaica

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“A presença de Valadares como pré-candidato a senador é fundamental. Ele deve e precisa disputar", avalia

O MANDATO AMPLIA O CONHECIMENTO DA REALIDADE
“A atividade parlamentar nos leva a conhecer a problemática de uma forma mais localizada, em função da necessidade específica do povo e de cada município. Isso ampliou ainda mais a nossa visão” 

JLPolítica – Mas o que faltou?
LP -
Tivemos uma decepção com o veto governamental a um projeto de lei muito bom apresentado por mim e aprovado pelos meus partes. Sobre o tema, fizemos uma audiência pública, trouxemos representantes do Ministério das Minas e Energia, representantes das universidades, pesquisadores, empresas que trabalham com energia solar, estudantes das engenharias, enfim foi uma discussão bastante ampla.

JLPolítica – Mas o senhor dá o projeto por morto enterrado?
LP –
Não. Nós reapresentamos o tema na Casa Legislativa, inclusive com a participação da própria Procuradoria Geral do Estado. Estamos novamente submetendo o projeto, acreditando que será votado, será aprovado e não mais vetado pelo governador, porque já há essa manifestação prévia da Procuradoria Geral do Estado que já analisou a nossa nova proposta de energia solar. Infelizmente eu tenho certeza de que Sergipe está absolutamente atrasado nessa área. Nós fizemos, inclusive, visitas na Bahia, ao município de Bom Jesus da Lapa, para conhecer projetos exitosos. E aqui temos um crescimento enorme na demanda desse setor, visto que a produção de energia hídrica tem sido substancialmente reduzida pela sazonalidade das chuvas com os leitos dos rios não apresentando água suficiente para que haja uma geração abundante. Sergipe pode crescer muito na energia solar. Por isso nós confiamos muito na aprovação desse projeto.

JLPolítica - Ela não é a mais barata... 
LP –
De Fato. A implantação ainda é cara, mas é altamente viável do ponto de vista do médio prazo. Se considerarmos um prazo de quatro anos, ela é totalmente viabilizada. E hoje há bancos com linhas de crédito, principalmente o do Nordeste, com a linha do FNE, que propicia a implantação de parques de energia solar fotovoltaica com taxas de juros bastante competitivas, o que demonstra, para quem assim desejar, que é altamente viável. 

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"Poderemos reeleger Valadares e ainda eleger Henri Clay , que já lançamos como nosso pré-candidato ao Senado”, arredonda

DAS LIMITAÇÕES DA AÇÃO LEGISLATIVA
“Aqui no Legislativo você só propõe. E o Executivo realiza ou não - na maioria das vezes, não. Podemos apresentar projetos de lei, podemos fiscalizar ações, mas não podemos propor nada que gere despesa”

JLPolítica – Que outra noção de Sergipe lhe deu o mandato que a atividade de bancário e até a de superintendente da Caixa não lhe proporcionara antes? 
LP -
Enquanto superintendente da Caixa Econômica, nós tínhamos uma outra visão, tanto do ponto de vista empresarial quanto do social, já que a Caixa tem os programas de Governo, de transferência de benefícios e a própria execução desses programas referentes ao Governo Federal, como as emendas parlamentares, além dos programas habitacionais de todas as rendas. Por isso, já tínhamos uma visão bastante ampliada do Estado de Sergipe. Entretanto, a atividade parlamentar nos leva a conhecer a problemática de uma forma mais localizada, em função da necessidade específica do povo e de cada município. Devo dizer que isso ampliou ainda mais a nossa visão, porque me fez conhecer a realidade como foco. A visão sobre o Estado, desse modo, foi potencializada.

JLPolítica – Que tipo de diferença o senhor sentiu da ação parlamentar, na comparação com a de um executivo bancário por 35 anos, que, mesmo atuando numa instituição pública como a Caixa, agia como se fosse numa particular?
LP -
Na atividade anterior, eu tinha metas, objetivos, que sistematicamente teriam que ser atingidos diariamente. Consequentemente, exigia um acompanhamento bastante significativo. As coisas na área empresarial acontecem de forma mais efetiva, sem muitos subterfúgios. A atividade política e a parlamentar, infelizmente, é de outra natureza. Pra começar, nós não podemos interferir na atividade de Governo. Podemos apresentar projetos de lei, podemos fiscalizar as ações, mas não podemos propor nada que gere despesa ao Executivo. A nossa fala como legislador é diferente, até do ponto de vista de você propor e o Executivo não realizar. Você apresenta um projeto de lei, é aprovado por unanimidade e o Executivo veta por algum motivo, inclusive por você não ser do mesmo agrupamento político, mesmo o projeto sendo importante para a sociedade. A diferença está, então, na realização de uma e outra atividade. Aqui no Legislativo você só propõe. E o Executivo realiza ou não - na maioria das vezes, não. 

JLPolítica - Por que o senhor optou por andar tanto por Sergipe nestes três anos e meio, mesmo antes da proximidade da reeleição?  
LP -
Todos sabem que em Sergipe eu tenho, graças a Deus, muitos amigos. Em toda a minha vida, sempre procurei fazer amigos. Em todos os lugares que vou, sempre tenho alguém para visitar. Gosto disso. Sou assim e esse assim sou eu. Considero que fui extremamente bem votado, e o fui em 74 dos 75 municípios sergipanos. Tenho uma gratidão muito grande pelas pessoas que votaram em mim, até por terem sido todos votos limpos, espontâneos. Entendo a política como uma parceria e não conseguiria ficar parado, não reconhecer e não agradecer a esses amigos que sempre lutaram por mim e que me colocaram aqui na Alese. 

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Já está em campo, como pré-candidato ao segundo mandato de deputado de estadual: com muita fé

RAZÕES PARA RODAR EM AGRADECIMENTO
“Tenho gratidão muito grande pelas pessoas que votaram em mim, até por terem sido votos limpos, espontâneos. Entendo política como parceria e não conseguiria ficar parado, não reconhecer e não agradecer”

JLPolítica - Então essa sua andança foi em agradecimento?
LP -
Em agradecimento e em manutenção dessas amizades. Até porque muita gente reclama da classe política, de que ela some passada a eleição. Eu não sou assim, não quero ser assim. Eu mantive meus amigos, continuo dando assistência a eles, visitando-os. Eu não parei, tanto que algumas pessoas diziam que a eleição de 2014 acabou e que eu poderia parar também. E eu dizia que não parava, porque tinha uma gratidão muito grande por esse povo, por essas pessoas que lutaram para que eu hoje estivesse deputado. Não me arrependo.

JLPolítica – Qual é a análise que o senhor faz das suas chances de reeleição?
LP -
Dizem que, e eu concordo, resultado de eleição só se sabe após a apuração. Mas nessas minhas andanças tenho feito muitas outras novas amizades, além de manter as que já tinha. Considero todas essas pessoas minhas amigas e a grande maioria continua me estimulando a uma pré-candidatura. Das pessoas e das lideranças que me apoiaram no passado, muito poucas deixaram de me apoiar. Por isso, considero que posso ter uma pré-candidatura exitosa. Acredito que eu possa conseguir a renovação do mandato. Mas isso depende de muita coisa. Primeiro, ainda é cedo. Estamos na fase de pré-campanha. Quando chegar a campanha é que vamos ter um quadro melhor com relação a uma possível reeleição. Mas insisto: tenho fé em Deus e no povo.

JLPolítica – O senhor teve 26.158 em 2018. Seu planejamento espera crescer quanto por cento a partir disso, ou se basta com um mero repeteco?
LP -
Nós temos vislumbrado uma dificuldade não muito pequena das pessoas em irem votar. No último domingo, houve eleições no Tocantins e 50% dos eleitores não compareceram. E isso tem se mostrado um quadro de bastante dificultoso nessas últimas eleições. Na de 2016 foi alta a ausência. Eu procuro não estimar o número de votos que realmente posso vir a ter. No momento adequado, vou trabalhar, vou lutar, para ter uma votação que seja possível. Toda pessoa que se candidata a um cargo eletivo, o faz porque espera ser eleito. Comigo não é diferente. Então nós vamos trabalhar, junto com todos os amigos, aqueles que me apoiam, e no momento oportuno vamos buscar a reeleição, mas sem especificar ter menos ou mais votos. 

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Aposta na reedição da parceria com o camarada Cassinho da Quixabeira. Encontrou um aliado e um amigo: veio de Graccho Cardoso sua maior votação proporcional de 2014

CONFIANÇA NA RENOVAÇÃO DO MANDATO
“Considero que posso ter uma pré-candidatura exitosa. Acredito que possa conseguir a renovação do mandato. Mas depende de muita coisa. Estamos na pré-campanha. Mas insisto: tenho fé em Deus e no povo”

JLPolítica – Qual é a sua relação política e eleitoral com colégios que lhe deram proporcionalmente as mais generosas votações em 2014, como Graccho Cardoso e Simão Dias.
LP -
Mantenho a mesma base aliada, em alguns até de forma ampliada, como em Simão Dias, onde algumas lideranças se incorporaram em apoio à minha pré-candidatura. Em Graccho Cardoso, com o prefeito Cassinho da Quixabeira, um grande amigo, assim como os de Simão Dias - Cristiano Viana, Zé Valadares, Dedezinho do Pastinho, José Carlos do Som, vereador Rogério, que é o presidente municipal do partido, Aninha e muitas outras lideranças. Algumas até que não estavam anteriormente. 

JLPolítica - A ruptura dos Valadares com Belivaldo Chagas não lhe subtrai muito eleitoralmente em Simão Dias?
LP -
Realmente, o grupo de Belivaldo Chagas votou comigo e naturalmente não vota mais. Mas em compensação, nós teremos uma configuração diferenciada, na qual algumas lideranças que não me apoiaram na eleição passada passaram a estimulara minha pré candidatura, o que eventualmente pode compensar isso, essa ruptura. Alguém acha que eu posso até ter em Simão Dias desempenho melhor do que tive em 2014. 

JLPolítica – Além de Propriá e Maruim, o que mais o seu mandato incorporou de parcerias novas de 2016 para cá.
LP -
Além dessas, temos Riachão do Dantas, Frei Paulo, São Domingos, Capela, são vários os municípios onde construímos novas parcerias e que certamente serão muito exitosas. 

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E, agora, em outros prefeitos do PSB, como Yokanaan Santana, de Propriá, eleito em 2016

NOVA REALIDADE ELEITORAL EM SIMÃO DIAS
“O grupo de Belivaldo votou comigo e naturalmente não vota mais. Mas em compensação, teremos uma configuração diferenciada, na qual algumas lideranças que não me apoiaram na eleição passada passaram a estimular”

JLPolítica – O senhor começou governista e está terminando o mandato como oposicionista. Doeu ficar sem Governo?
LP –
De fato, quando começamos, o PSB estava no Governo. Tinha um secretário, O da Cultura, que era o vereador Elber Batalha. Tivemos uma indicação para a Fundação Aperipê, mas não tive, enquanto paramentar, nada substantivo do Governo do Estado. Então, no momento em que o partido decidiu sair do Governo, para mim não mudou absolutamente nada, porque não tínhamos algo que fosse significativo para o meu mandato no Governo. Ou seja, não perdemos e não doeu. 

JLPolítica – O Governo lhe atendeu ou fechou as portas para as suas tantas indicações pedindo obras e serviços para os municípios neste período?
LP -
Algumas poucas indicações, o Governo atendeu, através das Secretarias e órgãos onde eu tinha uma relação pessoal com os dirigentes. Mas no geral, o Governo não correspondeu. 

JLPolítica – O senhor se sente majoritariamente um deputado representativo de que segmento social sergipano?
LP -
Eu me sinto representante da classe bancária e da classe média. Da classe empreendedora. Das classes C e D, dos sem-terra, dos sem-teto. E, sobretudo, das pessoas menos favorecidas. Porque o meu mandato foi construído nas eleições de 2014 tanto pela classe média quanto pela classe empresarial, empreendedora, mas também pelos movimentos sociais e por pessoas mais humildes da população. Ah, e eu não poderia deixar de citar a valorosa classe dos corretores de imóveis de Sergipe, tão bem liderada por um grande amigo, o Sérgio Sobral. Aliás, poucos sabem, mas eu pessoalmente sou um corretor de imóveis, com registro do Creci-SE e tudo o mais..Tanto é que, repito, fui votado em 74 municípios. Em muitos deles, foram votos espontâneos, sem que houvesse uma liderança sequer trabalhando o nosso nome. 

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E de José Rosa, de Siriri, também eleito em 2016

DEIXAR DE SER GOVERNO NEM DOEU 
“No momento em que o partido decidiu sair do Governo, para mim não mudou nada, porque não tínhamos algo que fosse significativo para meu mandato no Governo. Ou seja, não perdemos e não doeu” 

JLPolítica - Qual foi o único município em que o senhor não foi votado? 
LP -
Foi Amparo de São Francisco. Espero mudar isso esse ano. Espero ter algum amigo lá que apoie a nossa pré-candidatura. 

JLPolítica – A sua família – a mulher e os três filhos – consentem 100% com sua entrada e permanência na política, ou faz restrições?
LP -
Faz restrições. Tenho uma família muito harmônica, adorável, eu diria - até me emociono ao falar dela -, e lutei muito durante toda a minha vida, trabalho desde os 14 anos, e a atividade política demanda muito de você. Faz com que você se ausente da família para cumprir os compromissos, e chega um momento em que você precisa ter mais tempo para levar a vida com mais tranquilidade ao lado dos filhos, netos e da esposa. Tendo mais lazer, em virtude de uma vida toda de trabalho. Mas ao mesmo tempo, minha família, quando definida uma situação, se engaja totalmente. Veste completamente a camisa do projeto em que vou estar, se incorpora integralmente a isso, me apoiando de corpo e alma. Para mim, isso é impagável.

JLPolítica – Na sua visão, para que serve a política?
LP –
A política serve para possibilitar que você coloque em prática aquilo que defende em benefício de uma sociedade. Certa vez uma pessoa me disse, e eu gravei, que a vida me deu muito profissionalmente, seja através de cursos e outras oportunidades como bancário. E ela dizia que tudo isso eu precisava, de alguma forma, devolver para a sociedade. Concordo. E a política é a minha forma de devolver para a sociedade todos os benefícios profissionais que tive. Faço isso legislando. Faço isso apresentando propostas que venham favorecer e melhorar a vida do povo. 

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"Belivaldo é um amigo. É um homem probo, a quem respeito muito", reconhece. Mas vê Jackson Barreto como o pior governador da história de Sergipe

UM DEPUTADO DE TODAS AS CLASSES
“Me sinto representante da classe bancária e da classe média. Da classe empreendedora. Das classes C e D, dos sem-terra, dos sem-teto. Sobretudo, das pessoas menos favorecidas. Foram votos espontâneos”

JLPolítica – Para quem dedicou 35 anos da vida à carreira de bancário, o senhor acha que seu mandato se postou bem na defesa dos trabalhadores desta área ou deixou a desejar?
LP –
Eu sempre fui uma voz ativa e altiva em relação aos bancários, na defesa dos bancos públicos, da classe trabalhadora deles. Sempre estive ao lado da preservação das instituições bancárias públicas, como a Caixa. Fiz vários pronunciamentos e várias manifestações. Fiz audiência pública em defesa dos bancos públicos. Fui à Brasília na Comissão de Desenvolvimento Regional, para uma audiência também em preservação de bancos e fui o único parlamentar estadual a falar no encontro. Então, considero como quem cumpriu esse papel de defasa de uma classe a que pertenço e que represento. Antes de estar deputado, eu sou bancário.   

JLPolítica - O senhor se sente um político conservador ou de centro?
LP –
Sinto-me um político de centro-esquerda. Defendo muitas ações que são consideradas de esquerda, assim como, por natureza, sou uma pessoa extremamente ponderada e conciliadora. Eu busco sempre conciliar as ações, harmonizar a minha fala e a minha visão do ato e do fato político. Não faço política agredindo ninguém, falando mal de ninguém. Eu procuro defender as minhas ideias e os meus projetos e preservar o outro enquanto pessoa, enquanto ser humano. Porque por trás daquele que está político tem uma família. Tem uma vida privada, que precisa ser respeitada. Então procuro sempre conciliar minha atividade parlamentar de forma a não agredir absolutamente ninguém. Tanto é que tenho excelente relação com todos aqui nessa Casa.  

JLPolítica – O senhor se arrependeu de algum voto que deu neste primeiro mandato?
LP –
Eu tive um momento de dificuldade nesse primeiro mandato, que foi o da votação do aumento do ICMS. Nós tivemos uma reunião e nesse dia fiquei muito reflexivo e em dúvida, mas naquele momento nós fazíamos parte da bancada do Governo. Tínhamos um secretário indicado no Governo, tínhamos o então vice-governador, que era nosso aliado e que defendia o projeto, e me ligou várias vezes. O presidente da Fecomércio, Hugo França, veio até mim e fomos junto até o governador do Estado para tentar reverter a questão e, naquele momento, com a pressão que recebi - lembro até que o próprio Hugo, que é uma referência para mim, um cara que era trabalhador braçal e partiu para ser um grande líder empresarial e acima de tudo um homem digno e correto – ele disse que me compreendia, porque sabia que não tinha jeito de eu votar pelo contrário. Hoje, refletindo, seria o único voto que faria restrições.

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Quando Déda era governador, ele ainda figurava nos quadros da Caixa Econômica Federal

UM CENTRO-ESQUERDA QUE NÃO AGRIDE NINGUÉM
“Sinto-me um político de centro-esquerda. Defendo muitas ações consideradas de esquerda. Não faço política agredindo ninguém. Procuro sempre conciliar minha atividade de forma a não agredir ninguém”

JLPolítica – Até que ponto uma Assembleia marcada por tensões e processos na linha das verbas de subvenções inibiu as ações do período Legislativo que se encerra em 2018?
LP –
No primeiro ano, em 2015, realmente foi um fator que atrapalhou muito o desempenho das ações nessa Casa. Inclusive, meu primeiro projeto foi o de extinção das subvenções. Eu entrei e, ainda no recesso, em fevereiro, protocolei o projeto pela extinção das verbas de subvenção, porque realmente da forma que era ia continuar causando problemas. Fiz uma proposta para que tivesse emenda parlamentar, nos moldes das que se dão na Câmara e no Senado. Recebi até consultoria do Senado, fiz reuniões, e sugeri que o Banese assumisse esse papel que a Caixa faz com as emendas do Governo Federal. Esse foi um momento de entrave, mas graças a Deus a verba acabou. Infelizmente, não veio a emenda parlamentar, que acho que é justa, da mesma forma que o Governo Federal faz. Seria uma forma de o deputado estadual poder levar à realidade dos municípios obras e serviços. Assim como o deputado federal e o senador fazem. Não é justo não façamos nós. Acho que deveria haver, sim.

JLPolítica – Como é que o senhor encara as críticas de que seu partido é uma instituição quase familiar sob o comando dos Valadares e que o senhor seria uma espécie de estranho no ninho?
LP –
Eu convivo com o PSB há muitos anos, ainda sem militar de forma eleitoral. Acho que não invalida o PSB o fato de ter duas lideranças fortes de uma mesma família no comando dele. Muito pelo contrário. Creio que o fortalece, e não me sinto um estranho no ninho. Quando fui para o PSB, fui convidado a me filiar e tenho ótimas amizades com os componentes do partido.

JLPolítica – O senhor se sente desconfortável com as provocações que setores da mídia fazem, tentando lhe conflitar com o senador Antonio Carlos Valadares?
LP -
Eu tenho acompanhado essas questões, as vejo nas redes sociais ou sou provocado em alguma entrevista, mas não percebo de forma nenhuma isso. Tenho uma relação muito respeitosa com o senador Valadares, que é um homem por quem nutro uma grande admiração pelo que ele representa na vida política de Sergipe e do Brasil. Tenho uma amizade muito grande com o deputado federal Valadares Filho, com o ex-prefeito Zé Valadares e nenhum problema com a família deles. Ao contrário, eu até me orgulho de ter a amizade deles. Eu diria que essas intrigas são naturais da atividade política.    

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Moderado, situa-se como um político de centro-esquerda e diz que não agride ninguém

ANTEPARO DA FAMÍLIA PARA A AÇÃO POLÍTICA
“Tenho uma família muito harmônica, adorável. Quando definida uma situação, se engaja totalmente. Veste a camisa do projeto, se incorpora integralmente a isso, me apoiando de corpo e alma”

JLPolítica – Politicamente analisando, qual é o seu conceito do senador Antonio Carlos Valadares?
LP –
O senador Valadares é, para mim, um dos melhores políticos do Brasil. Não falo nem só de Sergipe. É um homem ético, digno. Um homem simples, que faz um mandato parlamentar espetacular, extremamente habilidoso. É um cientista político. Um homem de conceitos, e que conhece, como ninguém, a atividade política. Ele defende o Estado de Sergipe e os projetos que são sempre de interesse coletivo. É um homem que está na política há mais de 50 anos e sem nenhuma mácula. Isso por si só traduz o senador Antonio Carlos Valadares.   

JLPolítica – De zero a 10, há quanto por cento de chances de o seu PSB ganhar a eleição de governador este ano?
LP –
Eu diria que que há 9 de chance, porque, como disse anteriormente, eleição só depois da apuração. Mas percorro todos os municípios do Estado e há uma só voz, a das pessoas dizendo que querem o novo, uma candidatura nova, como a do deputado federal Valadares Filho, que é um jovem ainda, mas que tem uma enorme maturidade política. Ele vem com uma carga até genética, eu diria, e busca sempre estar antenado com o que pode ser feito de melhor no país e por Sergipe. Na campanha de 2016 para prefeito de Aracaju eu tive a oportunidade de acompanhar Valadares Filho, que queria incorporar ao plano de governo dele soluções exitosas testadas em grandes cidades, como Campinas, lá em São Paulo, Recife e Salvador. Ele queria trazer para cá o que fosse bom. Vi ali uma mentalidade nova, aberta, querendo inovar e fazer aquilo que apresentasse melhor resultado para o povo.  

JLPolítica – O senhor visualiza preparo político e intelectual em Valadares Filho para comandar Sergipe com as mudanças significativas que ele promete? 
LP –
Não tenho dúvida disso. Valadares Filho está preparadíssimo para o exercício de uma função maior, como a de governador. E tenho certeza de que num eventual futuro governo dele, Sergipe ganhará muito. Ele quer crescer, quer interagir com o mercado das decisões públicas universais e trazer o melhor para Sergipe. Isso conta muito.

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Elegeu-se com 26.158 votos em 2014.. Quer chegar de novo, mas não estima quantidade de votos

OS VALADARES NÃO DEPRECIAM O PSB
“Acho que não invalida o PSB o fato de ter duas lideranças fortes de uma mesma família no comando dele. Muito pelo contrário. Creio que o fortalece, e não me sinto um estranho no ninho”

JLPolítica – O senhor diria que para o projeto de Valadares Filho governador seria melhor que o senador Valadares não disputasse reeleição, ou que a presença dele dá mais força ao projeto?
LP –
Ele deve e precisa disputar. A presença de Valadares como pré-candidato a senador é fundamental. Revigora a futura candidatura e potencializa um futuro governo de Valadares Filho. O senador Valadares é fundamental nesse processo e esse, a meu ver, é um entendimento não somente meu, mas de toda a população sergipana. Veja que o senador nem se colocou como pré-candidato à reeleição e todas as pesquisas feitas em Sergipe dão Valadares como primeiro lugar para o Senado. O que é isso? É o reconhecimento do povo sergipano e a demonstração de que a sociedade quer vê-lo novamente no Senado. E uma possível candidatura dele a senador numa chapa que virá a ser construída com o nome de Valadares Filho só fortalece. Poderemos reelegê-lo e eleger Henri Clay Andrade, que já lançamos como nosso pré-candidato ao Senado.

JLPolítica – O PSB pretende fazer quantos deputados estaduais este ano, e quais os nomes mais prováveis a chegarem lá?
LP –
São muitos os nomes que hoje aí estão para deputado estadual pelo PSB. São aproximadamente 20 pré-candidatos. Tem nomes já conhecidos, como o dos médicos Ednei Caetano e Carlos Magno e o do vereador Lucas Aribé, além do meu próprio nome. Tenho certeza de que com a chapa de pré-candidatos que hoje se dispõem futuras candidaturas, no mínimo três podem chegar lá. Sem contar com os demais da coligação.    

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Julinho, o neto caçula, que com Yuri e Maria por vir formam o trio de xodó

DA CHANCE DE IR PRA CIMA DE BELIVALDO CHAGAS
“Belivaldo é um amigo. Homem probo, a quem respeito muito. A atividade política e o momento nos colocaram em campos opostos. Mas tenho o maior respeito pelo homem que Belivaldo é. Não misturo as coisas”

JLPolítica – O senhor sente como impossível alguém vencer a eleição de governador de Sergipe num primeiro turno? 
LP –
Não. O desenrolar dessa campanha vai polarizando e afunilando. Temos visto nas pesquisas de intenção de voto que há ainda uma quantidade muito grande de eleitores indefinidos e há uma tendência, a meu ver, de uma decisão em favor da pré-candidatura do deputado federal Valadares Filho. Portanto, estatisticamente eu aponto para a possibilidade de ele vencer no primeiro turno.  

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E não faz objeção a sua navegação pela vida pública. Ao contrário, tem o apoio da esposa, Telma Rios, e dos três filhos

DA VISÃO SOBRE ANTONIO CARLOS VALADARES
“O senador Valadares é um dos melhores políticos do Brasil. Não falo nem só de Sergipe. É um homem ético, digno. Simples, que faz um mandato parlamentar espetacular, extremamente habilidoso”

JLPolítica - O senhor estaria preparado para ir criticamente pra cima de Belivaldo Chagas, como oponente, depois de ter mantido com ele um bom relacionamento como aliado e uma certa amizade?
LP -
Belivaldo é um amigo. É um homem probo, a quem respeito muito. A atividade política e o momento nos colocaram em campos opostos. O então vice-governador entendeu que deveria sair do PSB e trilhar outro caminho. Naquele momento, entendi que deveria ficar neste que é o único partido onde sempre estive filiado. Críticas eventuais que poderemos estar fazendo, serão ao Governo, à pessoa institucional. E Belivaldo carrega, infelizmente, a pecha de estar num Governo altamente desgastado, porque, na minha visão, Jackson Barreto foi o pior governador da história de Sergipe. Não temos nada de positivo no Estado realizado por ele. O pouco que foi feito durante a gestão, foram os projetos elaborados pelo saudoso governador Marcelo Déda, como os dos recursos do Proinveste, o Sergipe Cidades. Mas de projeto novo, Jackson não fez nenhum. Mas tenho o maior respeito pelo homem que Belivaldo é. Não misturo as coisas. 

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O grande pequeno Yuri, neto primogênito: a família se repetindo e perpetuando através dos filhos

DA REELEIÇÃO DE ANTONIO CARLOS VALADARES
“A presença de Valadares como pré-candidato a senador é fundamental. Revigora a futura candidatura e potencializa um futuro governo de Valadares Filho. É fundamental nesse processo”

JLPolítica – Com que nome o seu PSB deve se alinhar na disputa pela Presidência do Brasil?
LP –
A sucessão presidencial está muito indefinida ainda. O PSB poderia ter tido um grande candidato, que foi o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, mas ele desistiu. O senador Valadares convidou, na época, um grande sergipano, Carlos Ayres Britto, que poderia ter sido também um grande candidato a presidente. Ele seria uma grande revolução para esse país e uma grande conquista. Acho até que ele poderia ter sido ou vir a ser o futuro presidente do Brasil, mas ele entendeu que não deveria. O PSB, por ser um partido mais de centro-esquerda, acho que deve se aliar aos candidatos que se aproximam mais desse campo. Vejo que o PDT, de Ciro Gomes, tem acenado e dito que preferencialmente gostaria do PSB, mas essas informações são da imprensa, que vejo por aí, nunca conversei com ninguém da executiva do partido. Eu tenho dúvidas ainda com relação a ele. Mas se essa for a decisão do partido em nível nacional, estarei incorporado ao projeto.  

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Pequena no tamanho, grande na importância da família: dona Maria Azevedo Pimentel, a quem Luciano reconhece o enorme valor