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Entrevista

Jozailto Lima

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Luiz Roberto: “Não colocamos em segundo plano a preservação de vidas”

“Não haverá colapso nos serviços e nem no abastecimento de alimentos”
29 de março 8h00

Para além de períodos em que se esteja sob riscos de uma pandemia qualquer, a Empresa Municipal de Serviços Urbanos de Aracaju - Emsurb - é uma instituição bem incrustada e representativa no mix de secretarias imprescindíveis à vida de Aracaju e dos aracajuanos.

Afinal, a Emsurb faz muito por Aracaju e pelas pessoas que vivem neste lugar. Ela varre a cidade, ela coleta e transporta o lixo. Ela cuida dos parques, avenidas e ruas. Ela apanha das ruas animais errantes e ajuda nos aspectos da arborização - plantio, podas e supressão das árvores caídas - e, entre outras coisas, regulamenta a realização das 30 feiras livres e a manutenção e funcionamento dos nove mercados municipais.

No comando de tudo isso, está um sujeito que tem formação em Direito, é advogado e que passou 32 anos na grande escola que é a Petrobras. Ele é Luiz Roberto Dantas de Santana, 54 anos, que desde o mês de maio de 2017 senta praça na Diretoria-Presidência da Emsurb.

Luiz Roberto, amparado por quatro Diretorias e por mais de dois mil servidores, comanda um orçamento anual de mais de R$ 150 milhões, sabe a exata medida dos serviços que presta esta empresa e está certo de que os quase 700 mil aracajuanos não correm o risco de colapso nos serviços sob a responsabilidade da Emsurb.

Sobretudo em dois setores de extrema importância nesta hora de coronavírus: a limpeza da cidade, com a coleta e destino dos resíduos urbanos, e o provimento de alimentos para a população através dos nove mercados, uma vez que as 30 feiras livres estão suspensas até o dia 6 de abril.

Para Luiz Roberto Dantas de Santana, o aracajuano “tem todas as garantias e segurança” de que a limpeza urbana não sofrerá qualquer tipo de colapso. “Os contratos estão em plena execução com as empresas que fazem a limpeza pública em Aracaju, com as faturas mensais quitadas rigorosamente dentro do prazo. Os parcelamentos das dívidas deixadas pela gestão anterior estão sendo quitados e nossa fiscalização exercendo o papel de manter o exigido em contrato”, diz.

As mesmas garantias e segurança ele dá para a questão do abastecimento de gêneros alimentícios que são providos pelas tantas feiras de rua espalhadas pela cidade. O diretor-presidente da Emsurb garante que foram pensadas soluções paralelas de abastecimento.

“Não tememos. Garantimos a abertura de todos os nove mercados, sejam os setoriais ou os centrais, para a comercialização de produtos essenciais, funcionando todos os dias das 5h30 às 13h30. Outros estabelecimentos congêneres tiveram seus funcionamentos garantidos por Decreto do Executivo Estadual, mas todos seguindo rigorosamente as normas de proteção contra o vírus, tanto do distanciamento social quanto da higienização”, diz Luiz Roberto.

Luiz Roberto Dantas de Santana garante que as decisões e soluções adotadas nos serviços urbanos da cidade de Aracaju o foram pensando na sanidade das pessoas neste momento de pandemia. “Todas as decisões do Comitê são baseadas em dados, estatísticas e dentro de uma matriz de risco, considerando sempre o antes, o durante e o pós-crise. Mas não colocamos em segundo plano o direcionamento principal de preservar vidas acima de tudo”, diz ele.

“Mas insisto: acredito que não haverá colapso nos serviços e nem no abastecimento de alimentos, pois, como disse, o monitoramento é constante e as decisões podem ser revistas. Nesse momento, por exemplo, surge a ideia de se reinventar ou impulsionar novas formas de comercialização para toda a cadeia, podendo ser virtual, de entrega, delivery e outras já implantadas dentro dos negócios ou em fase de implementação”, reforça ele.

Para tocar todo o trabalho no campo dos serviços urbanos, a Emsurb conta com os mais de dois mil servidores, entre próprios, cargos em comissão e terceirizados. Com uma receita mensal perto de R$ 400 mil, ela está longe de ser autossustentável. Mas já evoluiu muito.

“Quando assumimos a Emsurb, diante do deixado pela gestão anterior, a arrecadação própria girava próxima de R$ 100 mil por mês. Atualmente arrecadamos algo próximo de R$ 400 mil. Tudo isso fruto da reorganização, do recadastramento, da implementação de tecnologia e outras ações positivas”, informa o gestor.

Nesta Entrevista, Luiz Roberto vai falar de outros papéis da Emsurb nos serviços urbanos, da relação entre os cidadãos e a cidade - ainda há quem roube plantas das ornamentações públicas -, do intercâmbio entre essa com outras empresas, secretarias e órgãos da municipalidade de Aracaju, do apoio que tem do prefeito Edvaldo Nogueira e dos seus colegas de Diretoria e da base da ação para tocar as coisas.

Diante de tudo isso, ele está convencido de um aspecto importante. “Os resultados são avaliados de forma muito positiva pela população, o que nos deixa conscientes da importância do nosso trabalho e cresce a responsabilidade em manter e ampliar a qualidade dos serviços. Só temos a agradecer e dar continuidade a essa missão”, diz ele.

Luiz Roberto Dantas de Santana nasceu em Aracaju no dia 16 de julho de 1965. Ele é filho de Elber Barreto de Santana e de Valdirene Dantas de Santana. De 1984 a 1987, foi servidor do Ministério da Fazenda, lotado na Procuradoria da Fazenda Nacional, e em 1990 terminou o curso de Direito pela Universidade Federal de Sergipe, se fazendo dono do registro de número 1.682 da OAB de Sergipe. Ele tem pós-graduação em Direitos do Trabalho e Previdenciário e fez gestão de Comunicação Corporativa.

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Luiz Roberto numa reunião de trabalho, com colegas usando máscaras bem ao modo desses tempos do coronavírus
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Apaixonado por futebol, presidiu por seis anos seguidos - de 2011 a 2016 - o Confiança

DAS ATRIBUIÇÕES DA EMSURB, E BEM MAIS AGORA
“Em relação às pessoas-alvo, é manter a qualidade da limpeza pública, equipamentos como mercados centrais e setoriais higienizados, com materiais informativos sobre prevenções ao vírus e instalação de dispenser com álcool em gel. Nossa preocupação é a de higienizar e desinfetar terminais de ônibus, pontos de táxi, unidades básicas”

JLPolítica - Quais são as maiores preocupações da Emsurb entre seus serviços prestados, as pessoas-alvo e seus funcionários neste momento de coronavírus?
Luiz Roberto Dantas de Santana -
Em relação às pessoas-alvo, é manter a qualidade da limpeza pública, equipamentos tais como os mercados centrais e setoriais higienizados, com materiais informativos sobre prevenções ao vírus e instalação de dispenser com álcool em gel. Nossa preocupação é a de higienizar e desinfetar terminais de ônibus, pontos de táxi, pontos de ônibus, unidades básicas que atendem pessoas com síndromes gripais, áreas externas dos hospitais públicos e privados, e outras áreas de circulação que possam acarretar contaminação. Em relação aos servidores e servidoras, os maiores de 60 anos estão em suas residências. Estagiários e menores aprendizes, da mesma forma.

JLPolítica – Mudou o ritmo de funcionamento?
LR -
Reduzimos o quantitativo nas áreas administrativas e implantamos turno único, fixamos cartazes com orientações acerca da prevenção do vírus e instalamos dispenser com álcool em gel em todas as nossas unidades, concedemos licença-prêmio e estamos mantendo o distanciamento social em nossas instalações.

JLPolítica - O aracajuano tem que segurança e garantia de que que a limpeza urbana não sofrerá qualquer tipo de colapso?
LR -
Tem todas. Os contratos estão em plena execução com as empresas que fazem a limpeza pública em Aracaju, com as faturas mensais quitadas rigorosamente dentro do prazo. Os parcelamentos das dívidas deixadas pela gestão anterior estão sendo quitados e nossa fiscalização exercendo o papel de manter o exigido em contrato. Além disso, os questionamentos judiciais acerca da licitação foram ou arquivados ou a Emsurb, através de sua Procuradoria, obteve decisões favoráveis, confirmando a ausência de qualquer mácula que pudesse contaminar o procedimento. Em relação aos órgãos de controle externo, não houve qualquer tipo de questionamento acerca do processo licitatório. Portanto, não existe motivo real para qualquer colapso, salvo a desinformação que alguns continuam a divulgar por interesses próprios.

JLPolítica - Houve uma redução na produção de resíduos sólidos da cidade nestes dias?
LR -
Ao contrário. Fizemos uma comparação no período entre os dias 16 a 25/3, considerando os anos de 2019 e 2020 e houve um crescimento de 427 toneladas entre um ano e outro. 

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Desde o mês de maio de 2017 senta praça na Diretoria-Presidência da Emsurb

DA SUSPENSÃO DAS FEIRAS LIVREA E SEUS MOTIVOS
“Todas as 30 realizadas através da Emsurb foram suspensas até o dia 6 de abril de 2020 para readequação diante da pandemia, conforme Decreto do Executivo Municipal. Temos dados concretos da alta frequência de pessoas idosas nas feiras e 80% dos feirantes que comercializam nelas em Aracaju vêm de outros municípios, principalmente do agreste sergipano”

JLPolítica - Quantas feiras livres no âmbito da capital foram suspensas nestes dias e por que?
LR -
Todas as 30 realizadas através da Emsurb foram suspensas até o dia 6 de abril de 2020 para readequação diante da pandemia, conforme Decreto do Executivo Municipal.

JLPolítica - Por que?
LR -
Temos dados concretos da alta frequência de pessoas idosas nas feiras e 80% dos feirantes que comercializam nelas em Aracaju vêm de outros municípios, principalmente do agreste sergipano, ratificado pelo cadastro de todas as feiras. Mesmo fixando banners, orientando as pessoas, tivemos registros de aglomerações e de idosos nesses ambientes, tanto por fotografias enviadas por nossos fiscais, bem como por representantes do Ministério Público, com esse último enviando ofício para a tomada de providências.

JLPolítica - Não teria como banir das feiras todos os demais tipos de mercadorias e deixar em oferta apenas os alimentos?
LR -
Concluímos um estudo de readequação através da Diretoria de Espaço Público e Abastecimento, aplicando nosso conhecimento acerca do tema, bem como tendo como base sugestões enviadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pelo grupo que recebi na Emsurb de produtores de frango e frutas, pela Faese - Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe - e pelo deputado estadual Capitão Samuel, seguindo orientação do prefeito Edvaldo Nogueira de sempre manter diálogo e ouvir sugestões para nos auxiliar na solução de situações que possam impactar pessoas, essas que são a nossa grande preocupação. Essa análise e sugestões serão levadas ao Comitê de Operações Emergenciais, coordenado pelo prefeito, para verificação e decisões se for o caso. Em várias reuniões com entidades reforçamos a nossa preocupação com toda a cadeia produtiva. Todas as decisões do Comitê são baseadas em dados, estatísticas e dentro de uma matriz de risco, considerando sempre o antes, o durante e o pós-crise. Mas não colocamos em segundo plano o direcionamento principal de preservar vidas acima de tudo.

JLPolítica - Para suprir este fechamento, houve alguma solução paralela de abastecimento da cidade? Também aqui o senhor não teme colapso?
LR -
Houve sim e não tememos. Garantimos a abertura de todos os nove mercados, sejam os setoriais ou os centrais, para a comercialização de produtos essenciais, funcionando todos os dias das 5h30 às 13h30. Outros estabelecimentos congêneres tiveram seus funcionamentos garantidos por Decreto do Executivo Estadual, mas todos seguindo rigorosamente as normas de proteção contra o vírus, tanto do distanciamento social quanto da higienização, além de outros estabelecidos no próprio Decreto.

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Limpar os canais de uma cidade inteiramente canalizada pela natureza é uma tarefa que a Emsurb cumpre bem

A VIDA E A SAÚDE DAS PESSOAS EM PRIMEIRO PLANO
“Em várias reuniões reforçamos a nossa preocupação com toda a cadeia produtiva. Todas as decisões do Comitê são baseadas em dados, estatísticas e dentro de uma matriz de risco, considerando sempre o antes, o durante e o pós-crise. Mas não colocamos em segundo plano o direcionamento principal de preservar vidas acima de tudo”

JLPolítica - Estas determinações estão sendo seguidas de perto?
LR -
Estamos monitorando todos os movimentos diuturnamente e acompanhando o que acontece no Brasil e no mundo, além de considerarmos nas análises documentos elaborados por especialistas sejam pessoas físicas ou jurídicas. Nesse momento, por exemplo, surge a ideia de se reinventar ou impulsionar novas formas de comercialização para toda a cadeia, podendo ser virtual, de entrega, delivery e outras já implantadas dentro dos negócios ou em fase de implementação. Mas insisto: acredito que não haverá colapso nos serviços e nem no abastecimento de alimentos, pois, como disse, o monitoramento é constante e as decisões podem ser revistas.

JLPolítica - O episódio da Rodoviária Velha, em que funcionários da Emsurb retiram da rua à força um feirante de frutas e verduras, macula em que grau a imagem na gestão municipal?
LR -
Em três anos de gestão tivemos dois pontos de anomalia na sua fiscalização no centro e nos demais bairros da cidade. Um relacionado à apreensão de milho e esse que você menciona. Em ambos os casos houve excesso das partes envolvidas, mas não se justifica nossos servidores transgredirem o padrão de fiscalização elaborado pela Empresa que é, em caso de resistência, entrar em contato com o superior hierárquico que aciona a Guarda Municipal para atuar na negociação de saída do local.  

JLPolítica - Que atitude a Emsurb tomou diante dessa situação?
LR -
O prefeito Edvaldo Nogueira não admite em hipótese nenhuma esse tipo de procedimento, tanto é que determinou que efetivássemos o afastamento da equipe, que passará por um nova capacitação, e a devolução dos produtos e equipamentos do rapaz e, ainda, o pagamento de qualquer prejuízo financeiro causado a ele por aquela ação - e todas essas medidas já foram tomadas. A reputação e imagem da gestão está consolidada nas entregas de resultados previstos em nosso planejamento estratégico, seja na qualidade dos serviços prestados, seja nas obras em andamento ou concluídas em vários bairros da cidade, tanto na Zona Norte quanto na Zona Sul. As pessoas reconhecem isso e dão seus testemunhos de que Aracaju está se transformando numa cidade humana, inteligente e criativa. Uma ação dessa da sua pergunta causa um impacto na sociedade, mas não macula a positividade dos inúmeros benefícios que estão sendo levados para os cidadãos e cidadãs. Além disso, quando reconhecemos os equívocos e informamos tudo de forma transparente, sem subterfúgios, esclarecendo a situação, isso reforça nossa credibilidade perante as pessoas, mesmo sendo um procedimento não recomendado pela gestão.

JLPolítica - Não seria caso de demissão?
LR -
Não podemos crucificar alguém por um erro. Precisamos é corrigir e dar uma oportunidade de atuar diferente. Vejam Maria Madalena: todos queriam apedrejá-la, quando Jesus disse “atire a primeira pedra quem nunca pecou”, e uma pedra sequer fora lançada. Jesus curou leprosos e Pedro esteve ao lado dele sempre, e a ele deu a chave da Igreja no mundo todo, e ele o negou três vezes. Quem foi enxugar o rosto de Jesus no caminho do calvário? Maria Madalena. A crítica sempre é bem-vinda e nela aprendemos muito, como a maioria fez através de várias ferramentas de comunicação, mas utilizar o fato politicamente é lamentável, principalmente num momento desse. 

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Seja feita pela ação manual de homens, seja por máquinas

DO EPISÓDIO DO FEIRANTE DA RODOVIÁRIA VELHA
“Houve excesso, mas não se justifica nossos servidores transgredirem o padrão de fiscalização elaborado pela Empresa que é, em caso de resistência, entrar em contato com o superior hierárquico que aciona a Guarda Municipal para atuar. O prefeito Edvaldo Nogueira determinou que efetivássemos o afastamento da equipe, que passará por um nova capacitação”

JLPolítica - Estas interdições na esfera das feiras livres tem que prazo para serem suspensas?
LR -
O prazo vai até 6 de abril, mas poderá ser suspenso a depender da situação da pandemia em nosso município, ou se conseguirmos retornar com uma readequação que garanta a todos todas as condições de proteção. Mas a prioridade, como já foi dito, são as pessoas. E isso inclui os feirantes e consumidores.

JLPolítica - Quantos são os mercados de feiras livres da alçada de Aracaju e como estão eles?
LR -
São nove ao total e todos estão funcionando normalmente. Apenas o do 18 do Forte que temos um número muito reduzido de permissionários.

JLPolítica - O que um orçamento de R$ 154,9 milhões garante diante de tantos serviços a serem prestados pela Emsurb?
LR -
O orçamento é baseado nas necessidades da empresa. Todo ele é elaborado com base em critérios técnicos de finança, lançando dívidas de exercícios anteriores e a necessidade de custeio do ano seguinte. A orientação é a de manter as despesas dentro do planejado e orçado, podendo haver remanejamento entre as contas. É um exercício diário esse controle, não podendo o gestor se descuidar em nenhum momento. Contamos com o apoio da Diretoria de Administrativa e Financeira para gerir o orçamento. Vale salientar que o valor engloba todos os serviços, bem como os parcelamentos das dívidas da gestão anterior para o ano e algumas que restam do exercício passado. 

JLPolítica - A empresa é uma boa produtora de receitas?
LR -
Somos dependentes da fazenda municipal. Entretanto, temos receita própria. Quando assumimos a Emsurb, diante do deixado pela gestão anterior, a arrecadação própria girava próxima de R$ 100 mil por mês. Atualmente arrecadamos algo próximo de R$ 400 mil. Tudo isso fruto da reorganização, do recadastramento, da implementação de tecnologia e outras ações positivas. Considerando também a taxa de gerenciamento de contratos retida, arrecadamos R$ 900 mil/mês no total, anualizando uma receita própria de R$ 10,8 milhões, o que sustenta 9% do custeio - daí a razão da dependência do erário municipal. Mas a Emsurb passou a ser uma boa arrecadadora dentro de seu funcionamento.

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Todas as 30 feiras realizadas através da Emsurb foram suspensas

ATÉ ONDE VAI VALIDADE DE INTERDIÇÃO DAS FEIRAS?
“O prazo vai até 6 de abril, mas poderá ser suspenso a depender da situação da pandemia em nosso município, ou se conseguirmos retornar com uma readequação que garanta a todos todas as condições de proteção. Mas a prioridade, como já foi dito, são as pessoas. E isso inclui os feirantes e consumidores”

JLPolítica - Com quantos servidores efetivos a empresa conta atualmente? E é o suficiente?
LR -
Contamos com 701 pessoas no nosso quadro, entre celetistas (quadro próprio), estatutários lotados na empresa, comissionados, estagiários, menores aprendizes e requisitados de outros órgãos. É um quadro que atende às nossas necessidades para levar serviços de qualidade à população da cidade.

JLPolítica - A equipe corresponde?
LR -
Temos excelentes técnicos e pessoas envolvidas com o trabalho e tenho muita satisfação em liderar essa equipe. Todos são importantes na obtenção dos resultados. Desde o cargo mais simples à Diretoria, todos têm sua parcela de contribuição para alcançarmos nossas metas, resultados e indicadores estabelecidos no planejamento estratégico da Prefeitura.

JLPolítica - E sob o guarda-chuva da terceirização, quantos são?
LR - Considerando todos os contratos, algo próximo de 1.300 trabalhadores e trabal
hadoras que também, da mesma forma, têm suas respectivas parcelas de contribuição. A Emsurb se realiza na área operacional, na rua, em todas as suas atividades, e essas pessoas são também fundamentais nesse processo de melhorar a vida da nossa população.

JLPolítica - Tem alguma das quatro Diretorias da Emsurb que a Presidência da empresa eventualmente considere mais importante?
LR -
Não. As quatro Diretorias têm suas atividades muito bem definidas em nosso estatuto, cada uma cumprido com suas responsabilidades. A Emsurb é uma só. Como diziam os mosqueteiros, é “um por todos, todos por um”. Acertando ou errando, estamos sempre juntos. Essa também é uma receita de sucesso: integrar todos e remarmos juntos para os resultados.

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Luiz Roberto chegou à gestão de Aracaju como uma indicação técnica do deputado federal Fábio Mitidieri, e isso ele reconhece e não nega pra ninguém

EMSURB NÃO SE CUSTEIA, MAS MELHOROU ARRECADAÇÃO
“Quando assumimos a Emsurb, diante do deixado pela gestão anterior, a arrecadação própria girava próxima de R$ 100 mil por mês. Atualmente arrecadamos algo próximo de R$ 400 mil. Tudo isso fruto da reorganização, do recadastramento, da implementação de tecnologia e outras ações positivas”

JLPolítica - O senhor acha que a Emsurb saiu arranhada desse processo licitatório de provimento de barracas para as feiras livres por novas empresas?
LR -
De forma alguma. Tivemos o mesmo procedimento da licitação da limpeza pública. Nossos técnicos, com a cautela que o caso requer e por orientação nossa, atuaram sem pressa e considerando os princípios da legalidade e da moralidade. As pressões nos estimulam e nos oxigenam para entregarmos o melhor.

JLPolítica - Mudou algo na estrutura das feiras prática?
LR -
As feiras estão sendo padronizadas gradativamente. É algo inédito em Aracaju, principalmente com a presença de balcões refrigerados que oportunizarão a continuidade do comércio de produtos de origem animal, impedindo a ruptura da cadeia produtiva, do campo à mesa. Tivemos o apoio imensurável do Ministério Público Estadual e somos hoje exemplos para vários municípios do Brasil.

JLPolítica - Como assim?
LR -
Nosso termo de referência e projeto básico já está servindo de base em outras licitações. O que se tem é muito fato político, mas a técnica prevalece. O prefeito Edvaldo Nogueira nos oferece condições para trabalhar e temos que mostrar resultados, e esses devem atender ao anseio da população. Eu ouso dizer que essa licitação salvou as feiras livres de Aracaju.

JLPolítica - Mas a que o senhor atribui tantas queixas e reclamações?
LR -
A quem não entende de processo licitatório e quer tão somente tumultuar, chegando ao ponto de levar ao público informações inverídicas, inclusive de julgamentos no Judiciário que apontam de forma divergente do agourento e mentiroso discurso. Mas isso também soubemos enfrentar, com respeito, endurecendo o debate, mas conservando a ternura e mostrando à sociedade a verdade dos fatos. Não podemos confundir aparência com realidade.

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Mercados Municipais: são nove que a Emsurb opera, zela e que estão dando suporte à comunidade nesta hora de coronavírus

NADA ERRADO NA LICITAÇÃO DA MONTAGEM DE FEIRAS
“Tivemos o mesmo procedimento da licitação da limpeza pública. Nossos técnicos, com a cautela que o caso requer e por orientação nossa, atuaram considerando os princípios da legalidade e da moralidade. As pressões nos estimulam e nos oxigenam para entregarmos o melhor. As feiras estão sendo padronizadas gradativamente. É algo inédito em Aracaju”

JLPolítica - O senhor considera pacificadas as queixas dos empresários sobre a cobrança da taxa de publicidade nas fachadas das lojas de Aracaju?
LR -
Sim. Negociamos com todas as entidades em dois momentos. Vale ressaltar que poderíamos iniciar a fiscalização e cobrança conforme a norma de 2013, altamente prejudicial a todos, pois não havia possibilidade de nenhuma isenção e que quando publicada outrora não houve nenhum questionamento. Alertei ao prefeito que determinou a negociação da revisão. E assim fizemos. Ajustamos no primeiro momento com várias entidades e chegamos ao consenso. A revisão foi publicada e ao iniciarmos a aplicação da norma já revisada, houve aquele reboliço e inquietação, surgindo novos atores que não participaram do primeiro momento. Retomamos a negociação, suspendemos as ações, incluímos os novos representantes no processo de diálogo e chegamos finalmente a um consenso. A nova lei foi publicada, com amplas possibilidades de isenção. Com prazo de 15 meses para adequação, divididos em duas etapas, confirmando que o diálogo respeitoso é sempre a melhor saída, cada um defendendo seus interesses mas sempre em busca da solução.

JLPolítica - A cidade e sua empresa de serviços urbanos são falhas ao não disporem de mais espaços físicos para a aposição de lixos grandes, destes que vão parar à beira dos canais, como os sofás, material de construção?
LR -
De forma alguma. Várias possibilidades nesse sentido foram implantadas na atual gestão. Temos três ecopontos já em pleno funcionamento, um no Bairro Industrial, outro na Coroa do Meio e um no Santos Dumont.

JLPolítica - Mas só isso?
LR -
Não. Em breve será inaugurado outro no Bairro 17 de Março. Os ecopontos recebem resíduos da construção civil, recicláveis e volumosos, esses sofás e restos de móveis aos quais você se referiu. Mas temos o Cata-Treco, que circula nos bairros da cidade com programação definida para também recolher recicláveis e volumosos, tudo de forma gratuita. Ainda atendemos demandas registradas na Ouvidoria. Temos 60 PEVs - Pontos de Entrega Voluntários - espalhados na cidade, em praças e parques, para receber recicláveis. Reduzimos em quase 90% dos pontos de descarte irregular de resíduos, seja com essas iniciativas de recolhimento ou substituindo os resíduos por paisagismo.

JLPolítica - O que é que efetivamente é atribuição da Emsurb e muita gente na cidade desconhece?
LR -
Temos um processo eficiente de comunicação através do qual divulgamos todas as ações e atividades desenvolvidas pela Emsurb, a exemplo de limpeza pública em geral, gestão de mercados, feiras e espaços públicos, gestão da publicidade ao ar livre, administração dos cemitérios públicos, apreensão de animais de grande porte, Parque da Sementeira e agora orlas e parques, a princípio Orla de Atalaia, Praia do Viral e Praia de Aruana. Mesmo sem a transferência efetivada, já estamos administrando a Orla Pôr do Sol e do Porto Dantas. Iremos ainda assumir o Parque dos Cajueiros e o Parque Ecológico Poxim, numa parceria com a Energisa.

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É casado com a química industrial Márcia Dantas Ferreira de Santana

MAS A QUE ATRIBUIR TANTAS QUEIXAS E RECLAMAÇÕES?
“A quem não entende de processo licitatório e quer tumultuar, chegando ao ponto de levar ao público informações inverídicas, inclusive de julgamentos no Judiciário que apontam de forma divergente do agourento e mentiroso discurso. Mas isso também soubemos enfrentar, endurecendo o debate, mas conservando a ternura e mostrando à sociedade a verdade dos fatos”

JLPolítica - Existe um elo de ação e de demandas entre Emsurb e Emurb?
LR -
Sim. Existe uma sintonia perfeita nessa parceria. Atuamos como siameses e tenho muito respeito e admiração por Antonio Ferrari e sua equipe que conduzem com maestria a Emurb. Temos ações conjuntas quase que diariamente. Mas isso não acontece somente com a Emurb. Temos parcerias de ações com todas as Secretarias, Fundações, SMTT, Guarda Municipal, Defesa Civil, Escola de Governo - somos uma equipe integrada de secretários, sem vaidades e sempre disponíveis de forma recíproca. Nos ajudando mutuamente. Com isso, a gestão se fortalece e juntos levamos serviços de qualidade para a população. Estou certo de que Edvaldo Nogueira acertou na formação do time.

JLPolítica - Ainda é muito significativa a presença de animais de grande porte soltos pelas ruas de Aracaju?LR - Atualmente reduziu, mas não ao ponto em que esperávamos. Já chegamos a apreender 170 animais num único mês. Como o processo educacional e de convencimento não alcançou o percentual desejado de redução, aumentamos o valor da apreensão, da diária e de despesas com alimentação e veterinário, mas mesmo assim ainda não chegamos ao índice desejado de redução. O valor arrecado pelas atividades de apreensão não supera o valor de custeio, ficando muito aquém. Mas o importante é salvar as vidas das pessoas e dos animais.

JLPolítica - Existe algo novo que se incorporou ao conceito de serviços urbanos e que os cidadãos não compreenderam ou não captaram?
LR -
Sendo repetitivo, considero nosso processo de comunicação ao nível de excelência, e é a principal fonte de disseminação junto com a Secom, que determina as diretrizes e condução a ser implementada de todas as nossas atividades, facilitando assim a compreensão das pessoas beneficiadas, mesmo diante de uma inovação. Reconheço que precisamos melhorar informação sobre os critérios de poda e de avaliação de supressão que envolvem questões fitossanitárias e de segurança.

JLPolítica - O senhor seria contra a retirada da base operacional da Emsurb de dentro do Parque Governador Augusto Franco?
LR -
De forma alguma. Somos amplamente favoráveis, apesar de ser um local apaixonante de se trabalhar. Mas temos que ampliar as características de parque da nossa Sementeira. Com os recursos oriundos do BID, o Parque passará por uma ampla revitalização e a saída da Emsurb, da Guarda e da Sema é uma realidade. Dessa maneira as pessoas curtirão seus lazeres de forma mais tranquila. Sinto-me constrangido na entrada e saída do trabalho quando circulamos de veículos com as pessoas praticando suas atividades ali.

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Com quem se fez pai de Hélio Ferreira dos Santos Neto, de 30 anos, e de Anna Luiza Ferreira de Santana, 28

NÃO HAVERIA FALHAS DE ECOPONTOS NA CIDADE?
“Várias possibilidades nesse sentido foram implantadas na atual gestão. Temos três ecopontos já em pleno funcionamento, um no Bairro Industrial, outro na Coroa do Meio e um no Santos Dumont. Em breve será inaugurado outro no Bairro 17 de Março. Os ecopontos recebem resíduos da construção civil, recicláveis e volumosos, sofás e restos de móveis. Mas temos o Cata-Treco, que circula nos bairros da cidade”

JLPolítica - A Emsurb tem que impressão, ou constatação técnica, do comportamento do cidadão aracajuano na preservação dos espaços urbanos e públicos da cidade? Ele tem uma ação tóxica?
LR -
Precisamos melhorar essa relação com uma minoria que insiste em não compreender que os espaços são de todos e, como tal, que devem ser preservados. É como se estivessem rasgando seu próprio dinheiro, pois são os recursos advindos dos impostos pagos por todos que vão garantir os reparos e manutenção desses espaços. Tudo isso passa por uma questão educacional, mas gradativamente a cultura da destruição vai se modificando. Por isso que não caracterizo de tóxica a ação. Mas que ainda preocupa, disso não tenha dúvida.

JLPolítica - Até que ponto a Emsurb é omissa em campanhas educativas junto à comunidade?
LR -
Em ponto nenhum. Temos uma equipe contratada de agentes ambientais que circula pelos bairros da cidade, de lar em lar, levando orientações educativas para as pessoas, seja em campanhas permanentes ou em específicas. A Sema também faz ações nesse sentido. O problema é que uns assimilam, outros assimilam e divulgam. Outros assimilam, divulgam e defendem e alguns poucos não querem nem saber. Todavia, continuaremos fazendo a nossa parte.

JLPolítica - O senhor não acha que Aracaju deveria ter uma melhor política de arborização?
LR -
Creio que o processo de melhoria deve ser contínuo. Não podemos no aquietar diante da dinâmica de mudanças do mundo. A revolução é da tecnologia da informação, e isso define que tudo muda a todo tempo. Se olharmos para a matriz do PDCA - Planejar, Desenvolver, Controlar e Avaliar -, ao lado dela está o processo de melhoria contínua. Avançamos muito nesse processo. Em 2017, por causa de algumas técnicas que se mostraram inadequadas, conseguimos a pega de apenas 48% das mudas plantadas. Veja: já em 2018, o índice chegou a 92%. A Sema é a responsável pela política de arborização. A Emsurb integra uma parceria. Alan é um técnico qualificado, como César também era, e tenho certeza que atingirá os objetivos traçados para esse processo. O plantio foi apenas um exemplo da melhoria, pois a política tem outros pontos de implementação.

JLPolítica - Entre o cidadão comum, com suas podas severas e até supressões, e o mercado incorporador, que planta ipês e flamboyants em até um metro quadrado em relação aos edifícios, quem mais contribui para uma desarmonização na arborização da cidade?
LR -
Falei acima que precisamos melhorar esse diálogo com a população acerca da política de arborização. O caso da Hermes Fontes foi emblemático. Recebemos severas críticas por boa parte da sociedade, mas quando de forma reativa dialogamos e transparentemente colocamos a realidade da situação, as críticas reduziram consideravelmente, restando, na maioria, a da casa política, ou de pessoas que não se conformaram com as explicações e respeitamos as opiniões. Mas fizemos nossa parte, demonstrando que o processo de supressão pode caminhar junto com um de plantio de substituição e crescimento de fixação de espécies. Entendo que podemos harmonizar nossas ações com o da população e juntos prosseguirmos que esse processo tão benéfico para todos.

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Através de Hélio, ele e Márcia já são avôs de Marina Barreto Fonseca Ferreira

ELO DE AÇÃO VAI ALÉM DE COM A EMURB
“Existe uma sintonia perfeita nessa parceria. Atuamos como siameses e tenho muito respeito e admiração por Antonio Ferrari e sua equipe que conduzem com maestria a Emurb. Temos ações conjuntas quase que diariamente. Mas isso não acontece somente com a Emurb. Temos parcerias com todas as Secretarias, Fundações, SMTT, Guarda Municipal, Defesa Civil, Escola de Governo”

JLPolítica - As pessoas ainda suprimem mudas na esfera do paisagismo público da cidade?
LR -
Ainda sim. Numa escala bem menor, mas alguns pouquíssimos ainda insistem nesse atitude reprovável.

JLPolítica - O senhor vem da esfera da comunicação para a da operação de uma empresa grande e complexa. Sente-se confortavelmente nessa missão?
LR -
Trabalhei 32 anos numa estatal, a Petrobras, na qual cheguei através de concurso público, dos quais os 14 iniciais foram na área operacional - de 1987 a 2001 -, exercendo vários cargos e funções na Gerência de Sondagem, na qual desenvolvi habilidades de operação. Em 2001, fui promovido por merecimento a gerente de Comunicação, justamente por ter uma integração grande com a área operacional, que necessitava de atendimento em relação à comunicação interna. Fiquei nessa Gerência até 2015, quando ela foi extinta. De 2016 a 2017 retornei para a área operacional, quando em janeiro de 2017 fui indicado pelo deputado federal Fábio Mitidieri para assumir a Fundat, sendo aceita a indicação pelo prefeito, que já me conhecia há algum tempo.

JLPolítica - Mas como e quando o senhor chega na Emsurb?
LR -
Posteriormente, em maio de 2017, fui indicado pelo próprio Edvaldo Nogueira para assumir a Emsurb, em lugar do desembargador aposentado Netônio Bezerra, que substituíra Mendonça Prado naquele injusto e fatídico procedimento de afastamento dele, que aos poucos vai sendo esclarecido e certamente as verdadeiras intenções de quem provocou deverão vir à tona. Sim, com esse histórico posso afirmar que me sinto muito motivado com o trabalho que estamos desenvolvendo junto com nossa briosa equipe à frente da Emsurb. Os resultados são avaliados de forma muito positiva pela população, o que nos deixa conscientes da importância do nosso trabalho e cresce a responsabilidade em manter e ampliar a qualidade dos serviços. Só temos a agradecer e dar continuidade a essa missão.

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Ele é filho de Elber Barreto de Santana e de Valdirene Dantas de Santana