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Entrevista

Jozailto Lima

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Lula Ribeiro: “Sergipano não gosta de sergipano”

“Minha obra não diz de onde eu vim. Eu, sim, digo”
5 de julho - 8h00

À beira de o Estado de Sergipe completar 200 anos de emancipação política em relação à Bahia - o que acontece nesta quarta, 8 de julho -, um dos seus filhos mais ilustres no campo das artes, o cantor e compositor Lula Ribeiro, 59 anos, toca numa ferida incômoda da sociologia sergipana: a falada baixa autoestima, a suposta propensão para a misantropia, para o pouco e ralo reconhecimento de si mesmo e sobretudo dos seus filhos notáveis.

Os sergipanos nascidos há 34 anos já não contaram com a presença física, moradeira, de Lula Ribeiro em Sergipe. Esse é o tempo que ele tem de arribado de Sergipe e que habita entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais - sobretudo no Rio, onde desenvolveu carreira, compôs, gravou os sete discos e um DVD e fez uma constelação de amigos no mundo da música e das artes que ele defende com acordes sonantes e dissonantes.

Mas ninguém pode acusar Lula Ribeiro de ter dado as costas à terra em que nasceu. Ele é mais avistado em Aracaju do que itabaianenses em feiras livres de Sergipe e de outras regiões do Brasil.

“Eu não fujo de Sergipe. Pelo contrário, estou sempre querendo encontrá-lo, mas acho até que o meu amor por minha terra não tem muita reciprocidade. Sempre fiz questão, nesses anos todos, que soubessem a minha origem”, diz Lula.

“Saí daí pois queria crescer como artista, e só por isso. Se não fosse a música, com certeza não teria saído. Viveria aí até hoje. É um lugar maravilhoso pra se morar. Mas, naquela época, era tudo muito complicado em Aracaju e não vi outra saída. Agora, se Sergipe foge de mim, ainda estou querendo saber”, reforça o cantor.

Lula Ribeiro, aliás, exibe alto o crachá da suposta falta de reciprocidade de trato e de afeto. Faz isso sem enfado do remorso ou a sanha da revanche. Mas com a sustança que só a um sergipano cabe e é consentido fazê-lo.

“Acho que o problema de Sergipe é com o sergipano. Sergipano não gosta de sergipano. Eu acho que é geral, em todas as áreas, e isso vem me incomodando cada vez mais. Precisa se fazer alguma coisa urgente, antes que toda a nossa memória seja esquecida de uma vez, pois já temos grandes nomes à beira do esquecimento. Creio até que as escolas poderiam fazer esse papel. As novas gerações precisam saber mais dos ilustres sergipanos”, teoriza.  

Para Lula Ribeiro, as raízes profundas do DNA dessa suposta misantropia atingem de cheio o seu trabalho - não à concepção dele, mas ao reconhecimento, a acolhida e a exposição a Sergipe e aos sergipanos. Ele reforça que sua ação de cantor não encontra “nenhum espaço” na agenda de eventos públicos sergipanos. “E isso já me incomodou muito”, diz.

“Sei que se eu quiser cantar em Aracaju tenho que produzir, senão não faço nada por aí. Passei algum tempo sem ir a Sergipe e há seis anos, mais ou menos, através das redes sociais, pessoas que gostam do meu trabalho começaram a me questionar a razão de não fazer o projeto Lula Ribeiro Convida em Aracaju. Depois desse pedido, comecei a ter uma agenda constante de shows aí. Mas eu tenho que correr atrás para realizar, pois não sou convidado para nenhuma programação daí”, diz.

O incômodo dessa negação, para Lula Ribeiro, se agrava mais diante do fato de que ele não se nega sergipano nem sob o gelo da Sibéria. “Eu sou do mundo, moro entre o Rio e Minas há 34 anos, mas faço questão que me vejam como um sergipano de Aracaju, nordestino com muito orgulho”, diz.

E impõe um demarcador. “Mas pra isso acontecer não precisei fazer música essencialmente regional. Não preciso de nenhum tipo de subterfúgio pra reafirmar as minhas origens, que são claras e escancaradas, mesmo fazendo uma música mais universal. A minha obra não diz de onde eu vim. Eu, sim, digo”, constata.

Nesta Entrevista, Lula vai tecer impressões sobre a música feita em Sergipe, abordará a relação com seus diversos parceiros de composição, dirá do prazer de trazer a Aracaju o Projeto Lula Ribeiro Convida, reconhecerá uns três sergipanos que o recepcionam bem, revelará que sonha com um programa de rádio e TV no estilo da participação do “E aí, Lula Ribeiro”, que faz dentro do Programa Seleção Brasileira com Mário Sergio todas as sextas na Aperipê FM e reforçará o seu eterno apreço por Caetano Veloso

Mas dirá, sobretudo, que se sente realizado com a escolha que lhe fez ser e existir numa atividade nada fácil. “Preparei-me pra isso. Saí em busca dos meus objetivos, estudei e estudo música até hoje. A música pra mim é a minha vida, não conseguiria viver sem ela”, afirma.

Luiz Carlos Cavalcante Ribeiro nasceu em Aracaju no dia 27 de outubro de 1960 - está a pouco menos de quatro meses de fazer 60 anos. Ele é filho de Luiz Gonzaga Ribeiro do Nascimento e de Francisca Cavalcante Ribeiro do Nascimento.

Lula é casado com a bailarina Suely Machado, mantenedora do Grupo de Dança Primeiro Ato, e mora atualmente no município mineiro de Brumadinho, na Grande Belo Horizonte.

Em 1979, ele foi aprovado no vestibular de Economia da Universidade Federal de Sergipe mas, já picado pela mosca azul da música, cascou fora e foi estudá-la no Conservatório de Música de Aracaju, onde trombou em conflitos entre o popular, que era seu objetivo, e erudito, que queriam lhe impor.

“Eu queria mesmo era cursar Belas Artes e não tinha aí, então por eliminação terminei fazendo Economia, que abandonei, pra estudar música no Conservatório e depois com Henrique Souza”, relembra ele.

Em 1986, depois de alguns atividades musicais em Aracaju - Florescer, seu primeiro show profissional, foi em 1982, no Teatro Atheneu -, Lula sentou praça no Rio de Janeiro.

“E AÍ, LULA RIBEIRO” PODE EVOLUIR A PROGRAMA DE RÁDIO E TV
“Tem me dado um prazer imenso fazer esse quadro junto com o querido Mário Sérgio, um cara que conhece tudo de música. Essa experiência acendeu em mim o desejo de um programa meu, que já está definido. Quero fazer o “Lula Ribeiro Convida” no rádio, onde vou encontrar amigos em um estúdio pra conversar sobre música e cantar. E pode virar até um programa de TV”

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De um tempo sergipano e pré-Rio: ao lado do colega de área Neu Fontes, um dos autores no Cajueiros dos Papagaios.
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Lula velho marcial de guerra: na infância, já namonrando ritmos da banda

JLPolítica - Desde 1986, portanto há 34 anos, o senhor é um sergipano em diáspora. Fora de Sergipe. Quem foge de quem: o senhor de Sergipe ou Sergipe do senhor?
Lula Ribeiro -
Eu não fujo de Sergipe. Pelo contrário, estou sempre querendo encontrá-lo, mas acho até que o meu amor por minha terra não tem muita reciprocidade. Sempre fiz questão, nesses anos todos, que soubessem a minha origem. Saí daí pois queria crescer como artista, e só por isso. Se não fosse a música, com certeza não teria saído. Viveria aí até hoje. É um lugar maravilhoso pra se morar. Mas, naquela época, era tudo muito complicado em Aracaju e não vi outra saída. Agora, se Sergipe foge de mim, ainda estou querendo saber.

JLPolítica - Qual é o espaço que o senhor e a sua música encontram nas agendas públicas de Sergipe?
LR -
Nenhum espaço, e isso já me incomodou muito. Sei que se eu quiser cantar em Aracaju tenho que produzir, senão não faço nada por aí. Passei algum tempo sem ir a Sergipe e há seis anos, mais ou menos, através das redes sociais, pessoas que gostam do meu trabalho começaram a me questionar a razão de não fazer o projeto Lula Ribeiro Convida em Aracaju. Depois desse pedido, comecei a ter uma agenda constante de shows aí. Mas eu tenho que correr atrás para realizar, pois não sou convidado para nenhuma programação daí.

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Messias, um grande compositor amigo de Lula, que lhe ajudar a formar o projeto do disco em homenagem a Dolores Duran

JLPolítica - Mas Sergipe, para além da cena pública, reconhece a sua capacidade artística de compositor, de cantor e de bem-relacionado com a música brasileira?
LR -
Tem uma parcela que reconhece e fico feliz com o carinho que recebo, mas sinto que pelo trabalho que faço o reconhecimento era pra ser maior. Eu vejo de perto com meus amigos em suas cidades e até comigo mesmo fora do meu Estado, e sinto a diferença. Acho que o problema de Sergipe é com o sergipano. Sergipano não gosta de sergipano.

JLPolítica - Qual é a visão de Lula Ribeiro para o que se faz musicalmente em Sergipe?
LR -
Já tive uma visão mais pessimista, pois sempre que vou aí procurei ouvir o que está acontecendo na cena musical, e não curtia muito. Hoje melhorou demais, e fico feliz com isso. Frequento muito o Brother’s Club, que tem um papel fundamental hoje na cidade, como o que já teve o Tequila Café, décadas atrás, de alavancar os novos nomes da música feita em Sergipe.

UM HOMEM DE BEM COM SEU LUGAR. MAS...
“Eu não fujo de Sergipe. Pelo contrário, estou sempre querendo encontrá-lo, mas acho até que o meu amor por minha terra não tem muita reciprocidade. Sempre fiz questão, nesses anos todos, que soubessem a minha origem. Agora, se Sergipe foge de mim, ainda estou querendo saber”

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Entre Sá & Guarabya, uma dupla marcante da música brasileira, que esteve em Aracaju pelo projeto de Lula

JLPolítica - Quem no Brasil tem acesso à sua obra deve lhe ouvir e lhe ver como um sergipano, um carioca ou um mineiro?
LR -
Eu sou do mundo, moro entre o Rio e Minas há 34 anos, mas faço questão que me vejam como um sergipano de Aracaju, nordestino com muito orgulho, mas que pra isso acontecer não precisei fazer música essencialmente regional. Não preciso de nenhum tipo de subterfúgio pra reafirmar as minhas origens, que são claras e escancaradas, mesmo fazendo uma música mais universal. A minha obra não diz de onde eu vim. Eu, sim, digo.

JLPolítica - Como é que foi a sua iniciação musical no Estado no começo dos anos 80 no Conservatório de Música?
LR -
Eu comecei a estudar violão no conservatório, mas tive problemas com um professor que tolhia o meu desejo. Eu sempre quis compor e ser um cantor popular, e ele não entendeu isso. Eu nunca quis ser um violonista clássico, e naquela época existia uma rixa. Hoje está lindo, tudo misturado. Depois disso, saí do Conservatório e fui fazer violão popular com Henrique Souza, um grande professor, que me guiou nos primeiros acordes.

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Da dor da perda do amigo Vander Lee: “Pra mim, foi uma perda muito grande. Ele, além de parceiro, era um grande amigo, daqueles com quem a gente sabe que pode contar”

JLPolítica - Qual o significado do Rio de Janeiro para a sua inserção no terreno da música brasileira?
LR -
O Rio tem total importância na minha carreira. Era desejo meu viver o mundo da música mais de perto, estar próximo de pessoas que admirava e ter conhecimento maior do trabalho que tinha escolhido para minha vida. Estava querendo evoluir como artista, e sentia que era o Rio quem poderia me dar isso. Então, decidi ir pra lá buscar conhecimento, crescimento e contatos. No Rio conheci os meus ídolos e virei amigo deles. É lá que mantenho parcerias com grandes músicos desse país, produzo e gravo meus discos. O Rio tem papel fundamental na minha vida, e continuo mantendo contato, mesmo não vivendo mais lá. Essa é uma relação pra sempre.

JLPolítica - E quem no Rio lhe deu régua e compasso técnicos e sociais nos instantes inaugurais do jovem que chegava aos 26 anos? 
LR -
Cheguei no Rio louco pra realizar meus desejos, mas tive que desbravar aquela cidade. Não conhecia ninguém da área, e o Rio é um lugar que você precisa muito das amizades pra ter acesso às coisas. Aí fui conhecendo algumas pessoas que são muito importantes na minha vida ainda hoje, como o Taumaturgo Ferreira, Malu Mader, Paulinho Moska, Celso Fonseca, Nelson Freitas, Aderbal Freire Filho, e muitos outros que foram me direcionando na cidade. Fui estudar teatro na Escola Martins Pena, estudei arranjos com Paulo Moura, violão com Almir Chediak, canto com Kaleb e Babaya (minha professora e do Milton até hoje), e o tempo todo, em estúdios e palcos, com o meu baixista e produtor Arthur Maia, falecido recentemente. Passado algum tempo, já podia me sentir em casa numa outra cidade. E me senti.

SEM SUBTERFÚGIO PRA REAFIRMAR AS ORIGENS
“Sou do mundo, moro entre Rio e Minas há 34 anos, mas faço questão que me vejam como um sergipano de Aracaju, nordestino com muito orgulho, mas que pra acontecer não precisei fazer música regional. Não preciso de subterfúgio pra reafirmar minhas origens, mesmo fazendo uma música mais universal. A minha obra não diz de onde vim. Eu, sim, digo”

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Ao lado dos pais Luiz Gonzaga Ribeiro do Nascimento e Francisca Cavalcante Ribeiro do Nascimento: matriz do orgulho de ser nordestino

JLPolítica – Mas por que a sua migração do Rio para Minas Gerais?
LR -
Nunca imaginei que iria sair do Rio pra morar em outra cidade, mas isso se deu por causa de família, e tive que me mudar para Minas, lugar pelo qual sempre tive afinidade, e um carinho todo especial com o público mineiro. E pra mim não foi tão complicado, pois as duas cidades são muito próximas. Vivo na BR-040 o tempo todo. Primeiro fui morar em Belo Horizonte e agora moro no Retiro das Pedras, um condomínio que fica na saída pro Rio, que pertence a Brumadinho. Saí da praia para o mar de montanhas, o famoso mar de Minas.

JLPolítica - Mas na estrada desde os anos 80, o senhor não receia que o tempo passe e não consiga firmar seu nome mais altamente entre os grandes músicos da MPB em termos de mídia nacional?
LR -
Quando eu resolvi o estilo de música que queria fazer, sabia que não era uma coisa fácil, e a maior prova disso é que a gente está vendo o que está sendo consumido na mídia hoje em dia. Não é algo bom. Recebi algumas propostas para fazer outro tipo de música, mas nunca me deixei levar por desejos que não o de fazer o trabalho em que acredito e com o empenho e dedicação que acho que a música merece.

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Todo gingado do Lula Ribeiro Convida começa com Luiz Melodia, por quem o sergipano nutre até hoje estima pelo legado

JLPolítica – Mas o que motiva o senhor nessa estrada fora do que a mídia dita?
LR -
O que sempre me motiva é a busca pela qualidade. Penso que já conquistei coisas que não imaginava quando saí de Aracaju. É claro que a gente quer crescer cada vez mais. Agora, o tamanho da minha obra só a história vai dizer. Só lhe digo uma coisa: dou muito valor ao que conquistei até hoje, que me abre muitas portas no país e fora do Brasil.

JLPolítica – Como é que o senhor define a sua participação na série Música #EmCasaComSesc, na última quinta, 2, num projeto nacional que reuniu tantos notáveis da canção brasileira?
LR -
Defino como um grande reconhecimento ao trabalho que venho realizando. E o melhor: a repercussão do show está sendo maravilhosa, tanto do público que assistiu, quanto da equipe do Sesc, da produção ao diretor Danilo Miranda. Estar participando de um projeto na companhia de tantos grandes nomes da nossa música, me enche de orgulho e me dá força para continuar a minha caminhada, que sei que é assim, um passo de cada vez. O importante é ser convidado pelo Sesc, que na minha opinião é o nosso real Ministério da Cultura, a fazer parte de um grupo tão seleto de artistas pra levar minha música e poder divulgar a terra onde nasci, como sempre faço.

PODER DO RIO DE JANEIRO SOBRE A FORMAÇÃO MUSICAL
“O Rio tem total importância na minha carreira. Era desejo meu viver o mundo da música mais de perto, estar próximo de pessoas que admirava e ter conhecimento maior do trabalho que tinha escolhido para minha vida. Estava querendo evoluir como artista, e sentia que era o Rio quem poderia me dar isso”

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Com o amigo e parceiro Zeca Baleiro, tendo ao fundo as águas do Rio Sergipe: com ele, obteve o melhor público do Lula Ribeiro Convida

JLPolítica - Quando e por que nasce o Projete Lula Ribeiro Convida?
LR -
O Projeto nasceu em 2007 na gravação do DVD “Palavras que não dizem tudo”, no Bar do Tom, no Rio, com as participações de Luiz Melodia e Paulinho Moska. Depois, no lançamento desse trabalho, com o nome Música na Urna, realizei no Centro Cultural da Justiça Eleitoral uma temporada de shows, tendo como convidados A Cor do Som, Vander Lee, Zé Renato, Kleiton e Kledir, Sá & Guarabyra, Edu Krieger, e outros. O meu desejo era estar dividindo o palco com artistas que admiro e com os quais tenho afinidades, era me misturar como sempre gostei, desde o começo em Aracaju.

JLPolítica - Quantas figuras da canção brasileira o senhor já trouxe a Sergipe por esse projeto?
LR –
O meu desejo quando iniciei a edição do projeto em Aracaju era fazer um show com convidado a cada três meses, e assim fui fazendo nos primeiros anos, pois estava empolgado com a ideia de estar com os amigos na minha cidade. Depois diante das dificuldades em conseguir patrocínio, diminuí a quantidade. Considerando duplas e artistas solos, foram 12: Zé Renato, WPE (grupo com quem fiz uma turnê na Alemanha), Kleiton & Kledir, Sá & Guarabyra, Zeca Baleiro, Fernanda Takai, Flávio Venturini, Bossacucanova, Mariene de Castro, Eduardo Dussek, Paulinho Moska, Tetê Espíndola. Se não me falha a velha memória, foram estes.

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Na companhia do cantor mineiro Flávio Venturini, de quem gravou Céu de Santo Amaro, parceria com Caetano Veloso

JLPolítica – Qual é o desempenho de púbico que ele tem obtido e qual das apresentações rendeu mais?
LR –
Cada show tem sua história. É claro que o meu desejo é ver o teatro lotado em todas as apresentações, sentindo o público da minha terra receber bem os meus amigos, mas infelizmente nem sempre isso acontece. Tocar em Aracaju é uma verdadeira incógnita e não dá pra confiar na bilheteria. Tenho amigos produtores no Rio que brincam, classificando a cidade de “Arapreju”. Mas eu insisto, até quando não sei. O show de maior público foi com Zeca Baleiro.

JLPolítica - A esfera pública lhe garante alguma ajuda ao Lula Ribeiro Convida?
LR -
Nenhuma ajuda. No começo do projeto, tive um apoio no Governo de Jackson Barreto, através do então secretário de Comunicação Social Sales Neto, que foi sensível e entendeu a importância de uma atividade como essa para a cidade. E fico feliz em saber que Sales hoje ocupa a Secretaria de Turismo, pois tenho certeza que ele levará essa sensibilidade para um dos segmentos que mais deixam a desejar em nosso Estado. E já soube que vem fazendo um trabalho elogiado por todos. Depois disso nunca mais, nem da esfera pública, como também do nosso empresariado, que não valoriza a arte sergipana. Eu consigo alguns apoios, mas patrocínio não. Acho que é um projeto importante pra dar uma mexida e tirar a cidade do mais do mesmo, do ioiô ieié. Agora, sem patrocínio não faço mais.

SEM MEDO DA OPÇÃO FEITA E DO FUTURO
“Quando resolvi o estilo de música que queria fazer, sabia que não era fácil, e a maior prova disso é que a gente está vendo o que está sendo consumido na mídia hoje em dia. Não é algo bom. O que sempre me motiva é a busca pela qualidade. Penso que já conquistei coisas que não imaginava quando saí de Aracaju”

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Com o cantor e compositor Chico César, que é seu convidado como intérprete no seu último CD

JLPolítica - Mas não haveria alguma exceção no meio empresarial e político?
LR -
Olhando amiúde, é claro que há, e aqui quero fazer referência a três pessoas por quem tenho um carinho todo especial, e que sempre demonstram valorizar e respeitar o meu trabalho. Um é Albano Franco, que é um parceiraço que tenho desde a época da Confederação Nacional da Indústria, passando pelo Governo do Estado – quando sempre me recebeu -, e até hoje como empresário. Ele é um gentleman na vida. Um outro é Laércio Oliveira, que está deputado federal, que sempre me trata com muita atenção e sabe reverenciar o meu trabalho. Tenho o mesmo tipo de sentimento pela pessoa pública de dona Maria do Carmo Alves, que está senadora. Esta mulher invariavelmente me deu sempre uma atenção respeitosa. Essas três figuras eu sei que posso procurar e vou ser efetivamente bem recebido por elas.

JLPolítica - Quem é a figura nacional que o senhor gostaria de ter trazido ao Lula Ribeiro Convida e não conseguiu ainda?
LR -
Esse projeto é realizado porque os artistas têm consideração por mim. Eles vão pra Aracaju por amizade, não vão pensando em grana. Na verdade, é um grande presente pra mim e pra minha cidade. É diferente quando faço no Rio, ou BH, que é mais perto, ou na cidade em que moram. É um absurdo eu não conseguir patrocínio pra realizar esse projeto - tem eventos muito mais caros sendo feitos aí, com a maior facilidade de apoios. Ainda tem muitos amigos que gostaria de levar no Convida, e muitos me cobram, pois é um projeto conhecido no nosso meio. Entre as pessoas que eu gostaria de receber no palco do TTB, seria demais ter um dos meus mestres, como o Caetano, mas também o Gil, ou o Djavan. Ressalto, no entanto: pra realizar esse sonho, eu preciso de gente me apoiando de verdade.

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Lula e um momento ao lado de A Cor do Som, uma das atrações do Lula Ribeiro Convida, que trouxe a Aracaju Vander Lee, Zé Renato, Kleiton e Kledir, Sá & Guarabyra, Edu Krieger, entre outros: mas sem apoio nenhum do Estado

JLPolítica - Não lhe parece que no Lula Ribeiro Convida a estrela do show é sempre o convidado que vem cantar em sua casa, e isso não lhe coloca um pouco na sombra?
LR -
Discordo totalmente desta visão. A concepção do espetáculo é a de um show de dois artistas que se conhecem, se admiram e que gostam de cantar juntos. O grande lance do projeto é a troca de informações. Sou um anfitrião recebendo na minha casa pessoas que gosto, e isso me deixa muito feliz. Além disso, nunca tive medo de sombra. Ainda mais de amigos.

JLPolítica - É de fato um mero mau humor ou é uma realidade concreta na repetida frase de que Sergipe não gosta e não valora talentos sergipanos?
LR -
Isso é real. Sergipe é um caso raro a ser estudado. Precisamos aprender com outros lugares a ter orgulho do que é nosso. E não é só com a arte que isso acontece. Acho que falta ao sergipano ser um pouco bom bairrista. Não um bairrismo a qualquer preço. Mas falta saber valorizar o que merece ser valorizado de si mesmo.

OBJETIVOS DO PROJETE LULA RIBEIRO CONVIDA
“Meu desejo era estar dividindo o palco com artistas que admiro e com os quais tenho afinidades, era me misturar como sempre gostei, desde o começo. Tocar em Aracaju é uma verdadeira incógnita e não dá pra confiar na bilheteria. Amigos produtores no Rio brincam, classificando a cidade de “Arapreju”. Mas insisto, até quando não sei. O show de maior público foi com Zeca Baleiro”

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Lula Ribeiro, grato ao destino e à profissão: “Faço questão que me vejam como um sergipano de Aracaju, mas que pra isso acontecer não precisei fazer música essencialmente regional”

JLPolítica – Como o senhor se sente nesse latifúndio?
LR -
Sinto-me sempre desejando que alguma coisa mude, e que eu veja o sergipano ser valorizado pelo sergipano. Não sei se eu vou conseguir ver isso acontecer, mas desejo é desejo, e como sou otimista, a esperança é a última que morre. Nós temos grandes talentos em todas as áreas, que merecem e precisam ser valorizados.

JLPolítica - O senhor acha que essa eventual dispersão valorativa contempla somente o campo da música ou é extensivo a outros fazeres culturais e demais atividades humanas?
LR -
Eu acho que é geral, em todas as áreas, e isso vem me incomodando cada vez mais. Precisa se fazer alguma coisa urgente, antes que toda a nossa memória seja esquecida de uma vez, pois já temos grandes nomes à beira do esquecimento. Creio até que as escolas poderiam fazer esse papel. As novas gerações precisam saber mais dos ilustres sergipanos,

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Lula apresenta a Gilberto Gil o CD “O amor é sempre assim” e admite interesse de ter este baiano no Lula Ribeiro Convida

JLPolítica - O senhor acredita que o sergipano valora o romancista Francisco J C Dantas, o contista Antonio Carlos Viana, o poeta Hunald Alencar e o artista visual Leonardo Alencar à altura dos talentos deles?
LR -
Infelizmente não, e se não mudarmos esse panorama, muitos outros nomes também não serão reconhecidos. Você citou alguns nomes importantíssimos pra nossa cultura, que o sergipano pouco conhece. Graças a Deus, tive o prazer do convívio com alguns deles, o que muito me acrescentou como artista e como pessoa.

JLPolítica - O senhor estranharia se algum sergipano lhe apontasse como alguém a quem falta humildade no trato com a carreira e com as pessoas da área?
LR -
Estranharia, sim. Sou uma pessoa que trato bem todo mundo, nunca tive nenhum problema com ninguém. Agora, pra você me formular esta pergunta é porque certamente alguém falou isso pra você, mas por falta de coragem nunca veio falar pra mim. Mas também sei que na nossa terra existe uma onda de um não querer ver o brilho do outro. No entanto, sei bem o meu lugar e o que quero pra minha carreira. Não preciso de ninguém me dizendo o que fazer na minha vida, e sei também valorizar o trabalho de todos, até mesmo os que eu não tenha nenhuma afinidade artística.

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“No começo do projeto, tive um apoio no Governo de Jackson Barreto, através do então secretário de Comunicação Sales Neto, que foi sensível. Consigo alguns apoios, mas patrocínio não. Acho que é um projeto importante pra dar uma mexida e tirar a cidade do mais do mesmo. Agora, sem patrocínio não faço mais”

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Num momento com Luiz Carlos Mielli, Lula sempre transitou bem no Rio de Janeiro

JLPolítica - A sua aberta admiração por Caetano Veloso lhe foi ou é mais potência ou mais obstáculo enquanto espelho e reflexo?
LR -
Nunca me preocupei com isso. A minha admiração por ele nasceu quando eu morava ainda em Aracaju, e só aumentou depois que o conheci e nos tornamos amigos. Sou muito grato pelo carinho com que Caetano sempre me trata. O Caetano foi o primeiro grande nome da música brasileira a assistir a um show meu e a dar depoimentos sobre o meu trabalho para mídia do Rio.

JLPolítica - Alguma vez, durante esses anos todos, o senhor o convidou para gravar algo com ele?
LR -
Não, mas ainda desejo fazer alguma coisa com ele. Acho que é o artista que mais tenho afinidades e o que mais me instiga a fazer música. Também seria muito legal pra mostrar que cantamos muito diferente um do outro, que as nossas vozes não são tão parecidas assim. Esse prazer, ainda quero ter.

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Com o colega de área Paulo Lobo, numa noite de autógrafo do CD Algum Alguém: “Sinto que pelo trabalho que faço o reconhecimento era pra ser maior”

JLPolítica - Qual é o conceito que o senhor tem da sua própria música?
LR –
É o de uma música feita com amor, dedicação, que me exige cada vez mais um aprimoramento em todos os níveis. Desde o ato de compor, que acho a coisa mais difícil do mundo, porque sempre penso quando faço uma canção que nunca mais vou fazer outra, ao de buscar sempre melhores acordes no meu instrumento, e cuidar dessa voz, pra procurar cantar cada vez melhor. Tudo pra mim tem que ser com a maior verdade. Em tudo que faço, sou eu por inteiro. Tenho o maior respeito pela música, por isso cuido e me dedico muito pra merecer esse dom que Deus me deu.

JLPolítica - O senhor tem conseguido sobreviver exclusivamente dela?
LR -
Preparei-me pra isso. Saí em busca dos meus objetivos, estudei e estudo música até hoje. A música pra mim é a minha vida, não conseguiria viver sem ela. É claro que no país em que vivemos, onde a arte está sempre em último plano, viver de música é uma batalha diária, mas prazerosa ao extremo. Música é tudo. É o meu oxigênio, e já se vão 38 anos de dedicação. Respirando.

DA ALEGADA MISANTROPIA DE SERGIPE
“Sergipe é um caso raro a ser estudado. Precisamos aprender com outros lugares a ter orgulho do que é nosso. E não é só com a arte que isso acontece. Acho que falta ao sergipano ser um pouco bom bairrista. Não um bairrismo a qualquer preço. Saber valorizar o que merece ser valorizado de si mesmo. Sinto-me sempre desejando que alguma coisa mude, e que eu veja o sergipano ser valorizado pelo sergipano”

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Lula Ribeiro em momento repouso com a sua banda

JLPolítica - Qual dos sete discos feitos até hoje mais lhe agrada, ou é impossível essa distinção?
LR -
É muito difícil fazer essa escolha, pois cada um tem o seu valor, e mostra o que eu queria falar naquele momento. É como um filho, que você coloca no mundo e vai defendê-lo a unhas e dentes. Pode ter aquele disco que eu estava mais inspirado nas canções, nos arranjos, ou que estou cantando melhor. Nas lives que tenho feito toda sexta no Instagram, tenho dedicado algumas a revisitar a minha discografia, e tenho gostado muito do que estou ouvindo depois de tanto tempo. Mas, se fosse pra escolher um, diria que tenho um carinho especial pelo “Muito Prazer”, um disco muito importante pra mim, onde tive uma indicação pro Prêmio Shell de melhor disco de MPB.

JLPolítica - Quem na música sergipana lhe enche os olhos atualmente?
LR –
Em algumas pessoas eu tenho colocado uma atenção especial no que estão fazendo na música. Posso citar Fábio Lima, que pra mim é o melhor músico de MPB daí, que me representa demais, e quero muito produzir um disco dele. A Bruna Ribeiro me chamou a atenção quando fui jurado no Um Banquinho e um Violão, e ela ganhou esse festival cantando lindamente. Tem os meninos do Samba do Arnesto, que me enchem de felicidade em ver como uma galera jovem se dedica tão bem ao samba raiz, e com tanta qualidade. Mas há o João Ventura, excelente músico, que vem fazendo um trabalho maravilhoso, mesclando o erudito com o popular, hoje se dourando em música numa universidade de Portugal. Esses terão de mim o que precisarem.

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Uma pose puro afeto: com Fernanda Takai, a grandona do Patu Fu, que também esteve em Aracaju pelo Lula Ribeiro Convida

JLPolítica - Quase 35 anos depois, o senhor acha irrealizável uma regravação de Cajueiros dos Papagaios, disco de tão boa qualidade musical, mas de tão fraco desempenho técnico?
LR -
Eu gostaria muito de fazer uma nova versão desse disco, mas acho difícil de juntar novamente os três artistas para gravar. Dia desses até falei com o Irineu sobre isso, mas não vejo que seja possível. Seria muito bom aproveitar essa oportunidade e comemorar os 35 anos do lançamento, com uma nova roupagem, ou até mesmo, cantando novas canções.

JLPolítica - Por que suas parcerias, ressalvando o Bobô Cruz do início e Chico Pires, se dão tão poucamente no âmbito de Sergipe?
LR -
Taí uma coisa que não tem explicação, pois tem muita gente por aí que reconheço o talento e com as quais adoraria fazer música. Nessa relação, incluo também o Jorge Lins, Ismar Barreto e Luiz Eduardo Oliva como parceiros sergipanos, mas acho mesmo que fizemos poucas músicas. Creio que ainda está em tempo de mudar isso.

DISPERSÃO VALORATIVA NÃO CONTEMPLA SÓ A MÚSICA
“Acho que é em todas as áreas, e isso vem me incomodando cada vez mais. Precisa se fazer alguma coisa urgente, antes que toda a nossa memória seja esquecida de uma vez, pois já temos grandes nomes à beira do esquecimento. As escolas poderiam fazer esse papel. As novas gerações precisam saber mais dos ilustres sergipanos”

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Teatro Tobias Barreto: um templo que serve ao Projeto Lula Ribeiro Convida, que ele repensa se continua ou não em face da falta de apoio

JLPolítica - Quais lhes foram os parceiros mais comuns ao longo dessas 34 anos de carreira?
LR -
Durante esse tempo todo tive dois parceiros mais frequentes: Walney Costa e Pierre Aderne. No momento tenho composto muito com Sérgio Rodrigues e Zeca Baleiro, que tem me deixado muito feliz com a produção atual.

JLPolítica - De que maneira lhe impactou a morte tão precoce, aos 49 anos, de Vander Lee, um desses seus parceiros?
LR -
Pra mim, foi uma perda muito grande. Ele, além de parceiro, era um grande amigo, daqueles com quem a gente sabe que pode contar. Essa é uma saudade que não vai passar nunca. Mas, para minha alegria, ele deixou duas letras comigo, que em breve vou musicá-las.

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Aracaju: a cidade que fez de Lula Ribeiro um sergipano no dia 27 de outubro de 1960 e que ele carrega consigo como Drummond levou sua Itabira eterna

JLPolítica - Para além de ele tocar a sanfona na canção de sua autoria com Zeca Baleiro e cantada com Chico Cesar no seu último disco, o senhor tem algum tipo de diálogo musical com Mestrinho?
LR -
O incrível é que eu nunca tinha estado com ele, só a partir da participação dele nessa música é que nos conhecemos. Eu conheço o Erivaldo de Carira, há muito tempo, mas o Mestrinho, não conhecia. É, seguramente, um grande músico, que tenho gostado muito de vê-lo tocar, e com certeza faremos alguma coisa juntos daqui pra frente.

DA MATRIZ DA ADMIRAÇÃO POR CAETANO VELOSO
“Minha admiração por ele nasceu quando eu morava ainda em Aracaju, e só aumentou depois que o conheci e nos tornamos amigos. Sou muito grato pelo carinho com que Caetano sempre me trata. O Caetano foi o primeiro grande nome da música brasileira a assistir a um show meu e a dar depoimentos sobre meu trabalho para mídia do Rio”

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No humorista Nelson Freitas, tratado como um irmão até pela aparência física entre ambos, Lula fez um grande amigo paulista no Rio: os dois dividiram apartamento

JLPolítica - Como é que foram as suas experiências no campo da música para o teatro e para a dança?
LR -
Tem sido boa e até premiada. Comecei a musicar pra teatro ainda em Aracaju, com o Jorge Lins, no Grupo Raízes. Depois, já fora daí, trabalhei um tempo com o diretor Ivan Merlino, e tive uma experiência com o Zé Celso, um outro grande diretor brasileiro. Trilhas para dança, foi só a partir do meu convívio com a Escola e o Grupo Primeiro Ato, em alguns espetáculos, e o Adorno, que me deu o prêmio de melhor trilha de dança.

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Com o amigo e radialista sabe-tudo-de música Mário Sérgio, da Aperipê FM: “Quero fazer o Lula Ribeiro Convida no rádio, onde vou encontrar os amigos em um estúdio, ou na casa deles”

JLPolítica - Qual é o papel de sua mulher, Suely Machado, que comanda o grupo de Dança Primeiro Ato, no seu trânsito por essa área?
LR -
Sempre tive um carinho todo especial pela dança, que entrou na minha vida, ainda em Aracaju, com a querida e saudosa Lu Spinelli, com quem fizemos alguns trabalhos juntos, e com Eusébio Lobo, coreografando uma peça que dirigi no Raízes, e depois em Belo Horizonte e Campinas. A minha relação com a Suely através do Grupo Primeiro Ato, um dos maiores grupos de dança do país, só veio aumentar a minha atuação com a dança, que eu considero das artes a mais completa.

TEM CONSEGUIDO SOBREVIVER EXCLUSIVAMENTE DA MÚSICA
“Preparei-me pra isso. Saí em busca dos meus objetivos e estudo música até hoje. A música pra mim é a minha vida, não conseguiria viver sem ela. É claro que no país em que vivemos, onde a arte está sempre em último plano, viver de música é uma batalha diária, mas prazerosa ao extremo. Música é o meu oxigênio, e já se vão 38 anos de dedicação. Respirando”

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Lula Ribeiro num dos seus muitos shows pelo Brasil

JLPolítica - Que tipo de resultado ou prazer pessoal tem lhe rendido o quadro “E aí, Lula Ribeiro”, dentro do Seleção Brasileira, programa do acelerado Mário Sérgio, na Aperipê?
LR -
Tem me dado um prazer imenso fazer esse quadro junto com o querido Mário Sérgio. Ele é um cara que conhece tudo de música, e é um apaixonado pelo que faz. E eu venho com as minhas amizades e contatos, lançando e divulgando ali nomes da MPB. É uma parceria perfeita. E o grande barato é que o quadro pegou. Os ouvintes já ficam esperando quem será o meu destaque da semana. Está sendo bom demais bater essa bola musical com ele.

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Com Paulinho Moska, ele dividiu o Lula Ribeiro Convida em Aracaju e avançou em parcerias de composição

JLPolítica - Isso pode evoluir para um programa musical próprio, pilotado pelo senhor?
LR -
Sim, essa experiência acendeu em mim o desejo de um programa meu, que já está definido. Quero fazer o “Lula Ribeiro Convida” no rádio, onde vou encontrar os amigos em um estúdio, ou na casa deles, pra conversar sobre música e cantar. E pode virar até um programa de TV, ou pro meu canal no YouTube também. Estávamos em fase de captação de patrocínio quando veio a pandemia e tive que dar um tempo. Em breve teremos novidades.

É IRREALIZÁVEL UMA REGRAVAÇÃO DE CAJUEIROS DOS PAPAGAIOS
“Eu gostaria muito de fazer uma nova versão desse disco, mas acho difícil de juntar novamente os três para gravar. Dia desses até falei com o Irineu sobre isso, mas não vejo que seja possível. Seria muito bom aproveitar a oportunidade e comemorar os 35 anos do lançamento, até mesmo cantando novas canções”

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Um encontro com o ídolo Caetano Veloso: “Minha admiração por ele nasceu quando eu morava ainda em Aracaju, e só aumentou depois que o conheci e nos tornamos amigos