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Entrevista

Jozailto Lima

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Manoel Moacir Macedo: "Não defendemos o agronegócio injusto"

Publicado em 20 Jan 2018, 20h00

Embrapa no apoio ao homem e à natureza

O seu espaço é grande e a sua missão, bem maior. Mas a boa vontade dos que a empreendem parece estar à altura dos desafios, e ela vai bem. Vai muito bem, ajudando o homem, a tecnologia e a natureza.

Trata-se da Embrapa Tabuleiros Costeiros, uma das 46 unidades descentralizadas da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - que, plantada em Aracaju, distende seus tentáculos de pesquisas e extensão do Sul da Bahia até o Norte do Ceará.

A Embrapa Tabuleiros Costeiros tem os olhos abertos e uma extrema vocação para tudo que diga respeito a agricultura e a pecuária, sobretudo no cinturão do agreste. Desde o mês de outubro de 2013 esta instituição é comandada pelo engenheiro agrônomo e bacharel em Direito Manoel Moacir Costa Macedo.

Manoel Moacir Macedo, nascido em dezembro de 1954, em Rio Real, Bahia, tem uma vasta expertise no setor das ciências agrárias, que vem desde a sua formação pela Universidade Federal da Bahia lá em 1976, passando por mestrado e doutorado e, por mérito próprio, ajudou a quebrar um ciclo de oligarquias no comando da Embrapa de Sergipe. É visceral em tudo que pensa e faz.

Para Manoel Moacir, esta instituição ajuda a modelar o desempenho da agropecuária, aumentando a produtividade e o conhecimento das práticas humanas sobre a natureza. Ele não teme nem o momento de crise financeira em que vive o Brasil, as suas instituições e que, naturalmente, tocou no calcanhar da Embrapa Tabuleiros Costeiros.

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Conta na Embrapa com um quadro efetivo de 215 colaboradores
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Nascido em dezembro de 1954, em Rio Real, Bahia

JLPolítica - Diante de tanta crise, a Embrapa Tabuleiros Costeiros tem conseguido materializar o seu papel de apoio, amparo e fomento ao desenvolvimento agropecuário brasileiro e em específico ao dessa região de sua atuação?
Manoel Moacir Macedo
- Sim, dentro dessa crise que atacou todos os órgãos públicos, nós cumprimos o nosso mandato. Somos uma unidade de pesquisa ecorregional, temos cinco áreas experimentais e todas funcionando normalmente. Claro que com a previsão orçamentária que a gente teve, houve restrições. Mas conseguimos complementar com outras fontes da própria Embrapa.

JLPolítica - Qual foi o orçamento da Embrapa/SE para o ano de 2017?
MMM -
Em torno de R$ 80/90 milhões. Significa muito pouco ainda para as nossas atividades, mas estamos vencendo. O mais importante é que conseguimos quase um quarto desse orçamento fora da Embrapa, junto a projetos da Petrobras, da Fundação de Apoio à Pesquisa de Sergipe, de Alagoas, ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPQ.

  JLPolítica - A sua abrangência de chefe-geral da Embrapa Tabuleiros Costeiros contempla Sergipe e o que mais?
MMM 
- No mandato institucional - é assim a nomenclatura aqui -, somos uma unidade ecorregional que cuida de uma paisagem chamada Tabuleiros Costeiros, numa zona de transição que a gente denominou recentemente de Agreste. Então, na verdade, o mandato é do Sul da Bahia até o Norte do Ceará, mas temos algumas prioridades, como a pesquisa com mais intensidade na Bahia, em Sergipe e em Alagoas, além de representantes em Pernambuco, no Rio Grande do Norte e na Paraíba.

JLPolítica - Esses representantes são ligados à base de Sergipe?
MMM
- Sim. Temos representatividade em Maceió, com 12 doutores e um programa expressivo na área de gramíneas energéticas e um pouco de cana de açúcar. Temos outro em Pernambuco, com ação na pesquisa da mangaba e outro no Rio Grande do Norte como parceiro de nossas atividades.

RESTRIÇÕES PELA CRISE
“Claro que com a previsão orçamentária que a gente teve, houve restrições. Mas conseguimos complementar com outras fontes da própria Embrapa”

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Com o ex-prefeito de Aracaju, João Alves Filho

5JLPolítica - Mas não é um espaço grande demais?

MMM - Sim, até atrapalha um pouco. Por isso temos que ter prioridade. Atrapalha não só a dimensão regional, como o próprio mandato. Daí a necessidade de definir nossa área de atuação. Desde que chegamos aqui, nosso trabalho foi feito assim, com foco, para que a gente não se perca com essa dimensão regional.

JLPolítica - Com que quantitativo de corpo técnico a Embrapa atua numa zona estirada como esta sob a jurisdição do Estado de Sergipe?
MMM
- Poucos órgãos no Brasil têm isso bem delimitado: nós temos um quadro fixo. Quando foi criada a unidade em 1993, se definiu que teríamos dentro das responsabilidades a cumprir um quadro de 215 empregados. Desses, 60 são pesquisadores, 40 e poucos analistas, que são um grupo de apoio e suporte, e os demais da área de administração. E na nossa visão eles têm cumprido com muita competência suas tarefas.

JLPolítica - Há uma régua, um medidor, para aferir o peso das pesquisas da Embrapa no agronegócio do Estado?
MMM
- Temos um acompanhamento anual, com alguns critérios que não são só específicos para o agronegócios, mas para o cumprimento de nossa missão. Somos avaliados anualmente por quatro critérios - dois desses são muito objetivos. O primeiro é a precisão técnico-científica, focada no objeto de nossa tarefa; o segundo são as metas que temos que cumprir, que são acompanhadas individualmente. Nós programamos nossas atividades em janeiro e em dezembro somos avaliados por um programa chamado Integre.

JLPolítica – E o que prepondera?
MMM
- Temos destacado nas pesquisas o que é importante, não só para o agronegócio, mas ao conjunto. E há uma abrangência do nosso relatório gerencial, onde constam nossas parcerias, que são cerca de 60, com universidades públicas e privadas, órgãos de outra natureza, e dentro dessa métrica, nossa unidade foi muito bem avaliada. Em 45 unidades, a maior nota foi 92 e nós tiramos 89,09, o que nos colocou entre as cinco primeiras do Brasil e a primeira do Nordeste.

DA VASTA ZONA A GERIR
“O mandato é do Sul da Bahia até o Norte do Ceará, mas temos algumas prioridades, como a pesquisa com mais intensidade na Bahia, em Sergipe e em Alagoas”

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Com o reitor da UFS, Ângelo Antoniolli

JLPolítica - A Embrapa acha “só bonito e bom” que Sergipe sobressaia como um dos primeiros produtores per capta de milho do Nordeste e “não meça” os danos disso ao bioma caatinga?
MMM
- Nós temos orgulho desse desempenho. Mas o bioma caatinga tem que ser cuidado. A nossa empresa tem áreas ambientais. Aqui mesmo, temos o primeiro programa de pesquisa ligado à agroecologia da Embrapa no Nordeste. Mas temos que ter dimensão do papel que o agronegócio sério tem. Não fazemos nenhuma defesa do agronegócio injusto, com trabalho escravo ou prejudicial ao meio ambiente, mas trabalhar pelas métricas da sociedade capitalista, não temos nenhuma discussão negativa sobre isso.

JLPolítica – Mas o milho não é injusto comuna caatinga?
MMM
- Pode ser com a caatinga, mas então nós temos que ter cuidado com a conservação. Veja: temos mil pesquisadores da Embrapa no bioma amazônico, não podemos deixar o povo sem comida. Nos orgulhamos de ter um quarto de século pesquisando o milho. Ele tem nosso DNA de pesquisa. Evidentemente que passa a ser apropriado pelos setores produtivos, o que é natural. Mas já tivemos uma variedade de milho no Centro Oeste que era responsável por 25% da área plantada, hoje é menos de 1%. Isso é natural. Mas os cuidados com meio ambiente têm que ocorrer, e ocorrem. Não somos irresponsáveis para não termos essa visão ambiental, e temos nosso programa de agroecologia.

JLPolítica - O que a ação sobre a esfera do coco tem gerado de pesquisas nesta atividade para Sergipe? Porque estaria aqui a maior equipe de pesquisadores nestas atividade do país?
MMM
- Porque foi aqui que nasceu, como unidade estadual de pesquisa, em função de termos aqui uma costa muito expressiva e sermos vizinhos da Bahia, onde há o município com a maior área plantada de coco, que é o Conde, onde estamos indo na semana que vem com um trabalho de pesquisa muito intensivo. A Embrapa incorporou essa equipe que passou a ser um Centro Nacional de Pesquisa do Coco, mas ficou pouco específica porque a cultura do coco hoje é menos de 300 mil hectares, então a Embrapa diversificou. Hoje, temos grandes especialistas de coco, com excelentes trabalhos, inclusive com novos híbridos, que fazem da nossa unidade a principal nesse tipo de pesquisa. Temos dois programas nacionais. A Embrapa nos deu o mandato da coordenação nacional da pesquisa de coco, e exercemos isso muito bem. Temos hoje dois programas, um de melhoramento e um de produção, onde discutimos as boas práticas conservacionistas, o aproveitamento dos resíduos, e temos parcerias expressivas, seja no setor público ou no privado.

JLPolítica - Ou seja, o que se faz aqui não serve apenas para Sergipe?
MMM
- Não. Serve ao Brasil inteiro. Sergipe hoje é o 4º ou 5º do país na produção de coco, não está entre os primeiros. O primeiro município do Brasil é o Conde, onde temos uma equipe fazendo um trabalho nas propriedades rurais.

INSTITUIÇÃO SOB AVALIAÇÃO
“Somos avaliados anualmente por quatro critérios - dois desses são muito objetivos. O primeiro é a precisão técnico-científica, focada no objeto de nossa tarefa; o segundo são as metas que temos que cumprir”

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Com o deputado federal João Daniel, do PT de Sergipe

JLPolítica - Qual o resultado prático da integração lavoura-pecuária-floresta? Isso é possível ou é apenas mais uma utopia acadêmica?
MMM -
Não é utopia. Talvez esse seja o maior programa que a Embrapa fez, e é coisa totalmente nossa. Foi genuinamente desenvolvido pela Embrapa. Foi um colega nosso que desenvolveu, com o aproveitamento principalmente de áreas degradadas. Esse é um discurso que deve ser muito bem analisado. Nós trouxemos para o setor produtivo áreas degradadas. Com práticas agronômicas e sem nenhuma agressão ao solo como o plantio direto. Somos lideranças mundiais e temos aqui a coordenação do Nordeste de pesquisa, com a Emdagro, por exemplo, que faz um trabalho muito bom como braço tecnológico que é.

JLPolítica - A soja é uma possibilidade real para Sergipe, ou mais uma invencionice, como fora a mamona do biodiesel há 20 anos?
MMM -
Interessante essa pergunta: nós desenvolvemos aqui, dentro da teoria da territorialidade estratégica, um território baseado na pluviosidade. Nossos pesquisadores, pelas suas competências, disseram que uma faixa de cerca de 20 mil hectares tinha características muito similares pela pluviosidade: chovia em torno de 450 milímetros ao ano. É uma faixa que liga Sergipe, Alagoas e Bahia, que nos denominamos de Sealba. Coincidia também a predominância de monocultivos do milho, da cana e dos citros. E a soja também seria uma opção, que é uma coisa nova para o Estado. Mas pesquisamos para esse território a soja, girassol, milho, feijão, e dissemos que se quisessem substituir monocultivos agroindustriais por monocultivos alimentícios estão aqui as opções. As pesquisas mostraram a viabilidade da soja. Como ela é uma novidade, teve essa atenção maior.

JLPolítica - Antes de ser uma invencionice, seria uma quebra das enzimas da monocultura?
MMM
- Esse é o objetivo: colocar culturas alimentares em monocultivos existentes. A ideia é essa. E ela tem um papel de melhorar as condições de solo, porque ela incorpora micro-organismos que poupam nitrogênio. E não é invencionice, porque foram cinco anos de pesquisa. Além disso, também desenvolvemos o zoneamento de risco, indicando as variedades que facilitam o empréstimo bancário. O que parecia ser feudo agora são políticas estaduais para dar apoio a isso, pois não se pode questionar uma cultura simplesmente por seus vieses ideológicos, sendo que ela ocupa 35 milhões de hectares no Brasil. Ninguém vai plantar 35 milhões de hectares se não tiver proveito. 

JLPolítica - A atividade de aquaponia é relativa, consistente, ou apenas experimental no Estado? O que ela produz de prático?
MMM
- Ela já está saindo da parte experimental. Já foi testada em algumas atividades produtivas no município de Boquim, inclusive tivemos uma demonstração no Colégio Amadeus. Na verdade, o que fizemos não é mais de pesquisa. Já é uma atividade testada em nível produtivo. Claro que precisamos ter as doses disso, se é grande ou pequena produção, mas estamos com resultados extremamente produtivos, testados já em nível de produtor em Boquim e uma demonstração aqui junto à Escola Amadeus.

DOS PRINCÍPIOS ÉTICOS
“Não fazemos nenhuma defesa do agronegócio injusto, com trabalho escravo ou prejudicial ao meio ambiente, mas trabalhar pelas métricas da sociedade capitalista, não temos nenhuma discussão negativa sobre isso”

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Com Jouberto Uchoa, reitor da Unit

JLPolítica - Há novidades nos enxertos para citricultura sergipana? Tem surgido plantas mais saudáveis e resistentes?
MMM
- Sempre. Nossos pesquisadores dizem e esse é um trabalho em conjunto com a Embrapa mão de obra n a fruticultura, que é quem tem o mandato opcional pra essa área, conosco temos testes na estação experimental de Umbaúba. Já fizemos um diagnóstico da citricultura sergipana junto à Emdagro, que mostra que temos os melhores porta-enxertos e copas. Temos uma área de oito hectares disponível para esse experimento, isso é mais do que a área média dos estabelecimentos de Sergipe.

JLPolítica - A Embrapa não viu os estragos que a carcinicultura fez nos manguezais do Baixo São Francisco, ou não era atribuição dela?
MMM
- Não é nosso mandato institucional. Nós temos uma Embrapa de pesca, que é quem pesquisa a carcinicultura, num centro em Palmas, no Tocantins, e temos pesquisas com um grupo parceiro do Rio Grande do Norte, então na verdade, podemos abrir os caminhos, mas não temos especialistas para isso. Não está nas nossas obrigações estatutárias.

JLPolítica - Qual é o seu conceito do percentual de terra agricultável pelo Brasil em comparação com outas nações? Nós invadíamos demais a natureza ou estamos a bom termo?
MMM
- Essa questão é muito complexa. Recentemente nossa unidade de pesquisa chamada Embrapa Monitoramento por Satélite mostrou e, coincidentemente, bateu com os dados da Nasa, que somos um país que tem uma das maiores áreas preservadas. É claro que temos biomas muito sensíveis que precisam ser preservados, por isso eu sempre digo que temos que produzir com todo o respeito às características ambientais de nosso país. Mas isso mostrou que usamos menos de um terço da nossa área agricultável. Somos um país que tem a melhor relação ambiental-produtiva, e é a Nasa quem diz isso.

JLPolítica - Então o discurso dos ecologista avexados é vago?
MMM
- Acho que é um discurso que deve ser ouvido, porque a militância, as minorias, sempre trazem coisas novas. E lá na frente elas são ou não aceitas pela maioria. Toda essa preocupação é válida. O capitalismo tem poucos limites, por isso temos que ter a visão de que essas contribuições são bem-vindas, sem os interesses escusos que normalmente há. Estudei na Europa e minha avaliação é essa. Por exemplo: 60% da nossa Amazônia Legal estão no território brasileiro. E se você não desenvolver isso, estaremos com metade do país entregue a um museu ecológico.

ORGULHO DO MILHO X CAATINGA
“Nós temos orgulho desse desempenho. Nos orgulhamos de ter um quarto de século pesquisando o milho. Ele tem nosso DNA de pesquisa.
Mas o bioma caatinga tem que ser cuidado”

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Tem uma vasta expertise no setor das ciências agrárias

JLPolítica - Há parceria ou não entre a Embrapa e a UFS e outras universidades? A empresa atua no acolhimento a universitários?
MMM -
Há uma parceria extremamente frutífera. E diz o reitor que poucas vezes ele, como um homem que está na universidade há anos, viu uma parceria tão intensificada. Temos, por sinal, colegas nossos sendo professores dos cursos de pós-graduação gratuitamente. E temos mais de uma centena de bolsistas e estagiários na nossa unidade, seja da universidade pública ou privada. E quero relatar também o papel que tivemos em ajudar a Reitoria no nosso campus em Glória, onde está sendo implantado um campus da UFS.

JLPolítica - A sociedade acessa bem, do ponto de vista das diversas frentes comunicacionais, o trabalho da Embrapa? MMM – Sim. Nós temos dados que mostram isso: duplicamos o número de eventos nesses três anos do nosso mandato; temos um SAC - Serviço de Atendimento ao Cidadão -, que triplicou o acesso. Mas ainda é pouco, porque não temos uma publicidade agressiva. Não temos recursos específicos. Estamos presentes, por exemplo, no programa Prosa Rural, na TV pública sergipana e nossos vídeos têm mais de uma milhão de acessos por ano.

JLPolítica - Qual é o tamanho da Reserva do Caju, em Itaporanga, pertencente à Embrapa, e qual o papel dela?
MMM -
É muito grande, em torno de 700 hectares. Cerca de 150 hectares são dedicados à pesquisa, então lá nós temos a duplicidade: uma área que tem sido foco de estudos com a UFS, e temos uma área de pesquisa, principalmente com coco anão, coco de água, está lá. Também estamos construindo uma área de agroecologia, uma fazendinha. E é onde temos um trabalho intensivo da Embrapa-Escola, com auditório. É uma reserva do patrimônio privado natural, mas muito utilizada dentro desse programa Embrapa-Escola.

JLPolítica - Afinal, a Prefeitura Municipal de Aracaju aceitou ou não a concessão dos 30 mil metros quadrados do fundo da Embrapa para incorporação, em comodato, ao Parque da Sementeira?
MMM -
Aceitou. Houve uma recente negociação, que foi intermediada pelo presidente da Emsurb, Luiz Roberto, e que nós concordamos na renovação desse comodato.

INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA-FLORESTA
“Não é utopia. Talvez esse seja o maior programa que a Embrapa fez, e é coisa totalmente nossa. Foi genuinamente desenvolvido pela Embrapa. Um colega que desenvolveu”

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A Embrapa Tabuleiros Costeiros tem os olhos abertos e uma extrema vocação para tudo que diga respeito a agricultura e a pecuária

JLPolítica - De quem partiu essa ideia da parceria?
MMM
- Quando eu cheguei aqui, em outubro de 2013, ela já estava com dois meses e se não me engano partiu do ex-prefeito João Alves, a partir de um projeto que ele tinha de revitalização do Parque da Sementeira através do Jaime Lerner. Nós propusemos uma parceria de aproveitamento de uma parte do fundo da Embrapa, cerca de 30 mil metros quadrados, e entendemos que seria de grande valia para a sociedade sergipana e aracajuana.

JLPolítica - Porque o martelo deste negócio não foi batido desde a gestão de João Alves? MMM – Na verdade, foi batido. Todo o comodato foi feito com ele, num primeiro de quatro anos, e foi assinado na gestão dele.

JLPolítica - Mas porque a área não foi incorporada?
MMM
- Houve uma incorporação formal. O que não houve foi a cessão da incorporação de fato, porque o projeto de revitalização não foi efetivado. Mas legalmente foi incorporada.

JLPolítica - O que foi que a gestão de Edvaldo Nogueira alegou agora para não assinar?
MMM
- Eles disseram que analisariam as causas, que, segundo eles, apresentavam certa dificuldade, e mostramos que não há interesses materiais da nossa parte. A Embrapa apenas propôs, em comodato, fazer com que a Prefeitura incorporasse um canteiro nosso, deslocasse uma saída de emergência para o lado contrário e que fizesse um trabalho, dentro da própria natureza da Emsurb, de manutenção de nosso bosque e ajudasse nas podas e arborização. São propostas modestas quando se analisa o valor simbólico e real da área.

MELHORES PORTA-ENXERTOS À CITRICULTURA
“Já fizemos um diagnóstico da citricultura sergipana junto à Emdagro, que mostra que temos os melhores porta-enxertos e copas”

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Administra um orçamento que varia de R$ 80 milhões a R$ 90 milhões anualmente

JLPolítica – Mas quais os termos reais do comodato? Pela Embrapa, seria de quantos anos e o que a Prefeitura teria de entrar com o quê de contrapartida?
MMM
- Acredito que são inexpressivos. Não é venda, não é doação. A Embrapa é uma empresa pública a quem é vedado fazer doações. É um comodato com compromisso entre as partes. Os investimentos são irrisórios, pois trata-se de uma vitrine ecológica, canteiros tecnológicos.

JLPolítica - O senhor acha que se não houver a incorporação pela esfera pública, o setor imobiliário e incorporador pode garfar aquele espaço e adensar mais feiamente a cidade?
MMM
- Não. Nem vou lidar com essa possibilidade, porque não há. Não tem como. Vai haver a incorporação, inclusive legalmente ela já existe. Não há motivo para não haver. Estamos falando de uma área que teoricamente custa R$ 100 milhões, e o comodato é de interesse público, com exigências, por parte da Embrapa, muito modestas e naturais. Por isso não vejo chance de não ocorrer. Já recebi uma comissão de moradores daquela nova fronteira imobiliária que fica de frente para a área a ser cedida que apoia a iniciativa.

JLPolítica - Mas não houve na prática...
MMM
- Talvez porque o projeto de João tenha tido adiamento. Estou convencido de que, como nossas exigências para o comodato são muito modestas, a área deverá ser incorporada o quanto antes. Isso deve ocorrer ainda esse mês.

JLPolítica - As pessoas fazem algum tipo de confusão, ou de mistura desconfortável, pelo fato de o senhor ser irmão do político Márcio Macedo?
MMM
- Acredito que sim. O Estado é pequeno. Mas quero dizer que quando entrei na Embrapa, ainda como estagiário, meu irmão, por quem tenho muito amor, tinha cinco anos de idade. Então minha história não tem nada a ver com a dele, nesse sentido. Claro que como o Estado é pequeno e envolve política, há esse tipo de coisa. Mas para entrar na Embrapa é preciso enfrentar um concurso nacional muito duro, que existe abertura para candidatos de todo o país. E já se vão mais de 20 anos. E eu compreendo que exista confusão sobre nós dois. E digo: isso não me desqualifica. Me orgulha. É meu irmão, um político local, que me parece não ter sofrido denúncia ou nada do tipo.

MELHOR ÁREA PRESERVADA DO MUNDO
“Nossa unidade de pesquisa Embrapa Monitoramento por Satélite mostrou e, coincidentemente, bateu com os dados da Nasa, que somos um país que tem uma das maiores áreas preservadas”

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Ajudou a quebrar um ciclo de oligarquias no comando da Embrapa de Sergipe

No vídeo, veja matéria sobre o projeto Emprapa Escola. 

Assista ao vídeo: 

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